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    Rin Damien
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    [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Sab Jul 11, 2015 11:15 pm

    Não sabia por que diabos acharam que havia sido uma boa ideia sair quando o tempo estava tão obviamente nublado. Harold havia descoberto que algum filme de dinossauros que o interessava havia lançado, e o cinema sendo relativamente próximo da casa de Rin, decidiram andar o caminho para assisti-lo. Claro, haviam levado guarda-chuvas por precaução, e estiveram absolutamente corretos ao fazê-lo; assim que se encaminharam para a saídda do pequeno shopping, o céu estava desabando em uma proporção desastrosa. O filme em si havia sido incrível, ou ao menos, mais do que o loiro esperava para quem nunca havia se interessado em dinossauros. Entre bichos gigantes botando terror em um parque feito para eles e uma mulher que passara o longa-metragem todo correndo de salto alto, fora divertido. Mas o fim do entretenimento parecia os encarar na porta do estabelecimento.

    Questionou por um momento se deveriam esperar a chuva passar, ou ao menos se amenizar, mas após uma breve discussão, chegaram a conclusão de que, se continuasse naquele ritmo, logo estariam ilhados. Poderiam chegar no apartamento de Rin, mesmo que levemente ensopados. Então, abrindo a proteção que possuíam contra o clima, pisaram rua afora para enfrentar o vento e as gotas que pareciam não querer cair na vertical, constantemente fustigando o rosto e o corpo de ambos. Ainda que a situação não o agradasse, o mais velho apenas cerrava os olhos para enxergar melhor a rua, andando cuidadosamente à frente do albino, também para servir de guia, já que imaginava que os óculos não salvariam a visão alheia naquele tempo.

    Talvez estivesse concentrado demais no que estava diretamente à frente quando devesse prestar um pouco mais de atenção no que se encontrava abaixo. Mesmo com a cautela que tentava passar pela calçada praticamente deserta – com a resolução de serem apenas algumas ruas até seu destino – foi preciso apenas um passo em falso em uma poça particularmente lamacenta para que o menor perdesse o equilíbrio e, mesmo tentando se recuperar em meio a queda, fosse direto para o chão. Demorou alguns segundos ate que entendesse que o guarda-chuva havia saído de suas mãos e que as gotas de chuva agora batiam diretamente em todo seu corpo, virado para cima, em uma sensação desagradável juntada à dor que o baque nas costas – também molhadas, agora, e com certeza sujas - havia lhe presenteado. Pra que isso?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Jul 14, 2015 5:19 pm

    Não sabia ao certo como que sua mãe conseguia fazer aquilo, mas parecia mágica. Mesmo estando na Alemanha, ela lhe fazia a questão de mandar uma mensagem por celular com alguns dizeres estranhos e um “se sair hj, leva guardachuva ó! ÇEWRLTW”. Iria levar mesmo, pois prevenir era sempre melhor do que remediar, mas começou a achar que ficaria bastante arrependido se desobedecesse Luba apenas por pirraça. O céu estava bem feio e, embora o shopping que iria com Rin fosse relativamente perto do apartamento do mesmo, as nuvens pareciam que iriam desabar feio a qualquer instante.

    E sendo aquilo mesmo que acontecera, ignorara o fato de que o filme que haviam assistido gerara algumas piadas sobre dinossauros fanhos e percebera que realmente, estava tudo sendo lavado de forma bem nervosa do lado de fora do shopping. Principalmente, que maravilha, uma ventania acompanhava aquele chuveiro gigante. Piscou algumas vezes pro céu como se estivesse pedindo satisfação para quem quer que estivesse lá em cima, finalmente pondo-se a sair do local após decidir com o loiro que aquela seria a melhor alternativa.

    Imaginou que seus óculos não serviriam para porra nenhuma com aquelas milhares de gotas voando em direções aleatórias. Teve de – nostalgicamente – usar Rin de guia depois de alguns instantes caminhando e, se não estivesse segurando a parte de trás da gola do casaco alheio, nem teria visto o mesmo cair. Talvez devesse ter impedido durante a queda trabalhosa que o loiro havia tido, mas o albino não estava esperando por aquilo e apenas ficou parado olhando toda a cena acontecer em câmera lenta. E bem embaçada, também. Quando o mais velho já se encontrava largado no chão igual um saco de bosta no meio da lama, é que Harold se pôs a agir. E só riu muito. Onde já havia visto aquilo? A cara de incredulidade que Rin fazia era hilária. Esqueceu a chuva completamente durante as gargalhadas que dava no meio das pessoas indo e vindo apressadas, e esqueceu também de oferecer a mão para que o outro pudesse se levantar com um auxílio mínimo, ao menos. Só se lembrou de não soltar o guarda-chuva pra que o mesmo não fosse carregado pelo vento para o meio dos carros.

    Tá boa a água? — Também se lembrou de zoar com a cara dele verbalmente, é lógico. E voltara a rir.
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    Rin Damien
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Ter Jul 14, 2015 7:37 pm

    Desviou o olhar – estreitado, de modo que as gotículas de chuva que voassem na direção de seus olhos não os cegassem – do céu nublado acima lentamente para Harold ao ouvir as risadas se juntarem ao som ambiente da rua. De fato, não esperava nenhuma outra ação daquela pessoa, então tomou a decisão de ignorá-lo e trabalhar em sair da poça em que havia caído. O guarda-chuva já havia voado, e com a soma da poça e dos pingos que continuavam a cair constantemente sobre seu corpo, não possuía qualquer esperança de estar seco até chegar em casa. Respirando fundo, sentou-se, sentindo as costas reclamarem devido ao baque anterior. Não deveria estar tão velho pra essas coisas.

    Planejava apenas ficar de pé, empurrar o albino para que parasse de babaquice, e continuar o caminho; ou talvez deixa-lo ali para que nunca encontrasse o caminho para onde quer que fosse. No entanto, as palavras alheias se registraram quando sequer havia saído no chão, o fazendo arquear uma sobrancelha em irritação. Estendendo as mãos para uma perna do mais novo, que se encontrava relativamente próxima, aproveitou a distração das risadas que não paravam para puxá-la de modo que o outro perdesse o equilíbrio e se espatifasse a seu lado, causando mais água a voar para todos os lados da rua. – Diga você. - Fora a vez de Rin de rir, apesar de brevemente, já que a vida não parecia exatamente estar se movendo a seu favor naquele momento.

    A expressão do loiro voltara à incredulidade anterior no minuto em que um ônibus resolveu passar do lado dos dois, jogando toda a água lamacenta acumulada na beira da rua – que não era pouca, já que estava praticamente começando a alagá-la – em cima dos dois, em um impacto maior do que teria sido em condições normais, já que estavam em um plano baixo. Fechando os olhos por um momento, voltou a inspirar e expirar lentamente, desta vez esperando que a água da chuva ajudasse a limpar um pouco daquilo. Tanto por poder chegar em casa pacificamente e limpo.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jul 19, 2015 6:27 pm

    Fora surpreendido ao ter a perna puxada de um jeito que o fizera perder o equilíbrio de repente, indo convenientemente parar na mesma poça que Rin, só que sentado, o que não foi agradável do mesmo jeito. Por ter caído de qualquer jeito, dobrou a perna esquerda na queda com o mesmo descuido e pôde sentir que seu joelho iria doer por um tempo depois que se levantasse. Deu um sorriso sarcástico em resposta a vingança do loiro, levantando a mão com o indicador e o polegar unidos, como resposta à pergunta dele.

    Enquanto ajeitava a perna numa posição mais confortável antes de decidir levantar de vez, sentiu a agradável ducha de água acumulada de chuva voar por si e em Rin. Assumiu uma expressão neutra, encarando um ponto aleatório num poste de luz à frente, como se estivesse filosofando sobre a vida e apreciando o momento intensamente. É claro que só estava admirando a possibilidade agradável que seria se tivesse uma bazuca para atirar naquele ônibus. Mas após decidir ignorar os devaneios terroristas que não sairiam de sua imaginação – infelizmente –, finalmente levantou-se, sentindo os tendões do joelho ligeiramente dormentes.

    Por que diabos você caiu, mesmo? — Perguntou, puxando Rin para cima pelo braço, pegando novamente o guarda-chuva que havia caído em sua própria queda. Esperou que o loiro recuperasse a compostura para que pudessem voltar ao caminho que interessava.

    O edifício não estava mais longe que um quarteirão e com passos apressados, mesmo que mais cuidadosos, os dois alcançaram o destino sem tantas dificuldades adicionais no percurso. Assim que finalmente conseguiram a primeira proteção das intensas gotas de chuva, Harold retirou o casaco que estava encharcado e praguejou mentalmente por ter tido sua calça lavada de uma forma menos agradável. Ao menos teve a decência de não culpar Rin, já que havia provocado a reação do mais velho. A chuva não dava nenhum indício de que pararia e lembrou-se de agradecer a seu breve esquecimento, de ter deixado o celular em casa por acidente. O que não faria nenhuma diferença, já que atualmente morava sozinho e não precisaria avisar a ninguém que estava fora e provavelmente, acabaria dormindo no apartamento de Rin mesmo. Aquilo já havia se tornado um costume, de qualquer jeito.

    Assim que pôs os olhos no loiro no elevador, sentiu vontade de rir de novo ao lembrar da queda que ele havia levado tão naturalmente e de repente. Mesmo que tivesse sido derrubado em seguida, a lembrança não perdia a graça. Mas também, sabia que o estudante de medicina pegava resfriado igual pegava gatos, então provavelmente ele ficaria doente mais cedo ou mais tarde. Ao se recordar desse detalhe, a graça passou, fazendo o albino pensar se jogá-lo no banho quente o mais rápido possível fosse uma boa solução. Mas o tempo que ele passara levando vento frio no corpo úmido já deveria ser suficiente. De qualquer forma, não custaria tentar. Ao entrarem no apartamento e serem recebido por miados frenéticos de gatos que não estavam felizes pelo tempo do lado de fora, Harold tirou os sapatos pra não tornar a casa alheia num pântano de água e sujeira, mas fora direto ao ponto.

    Se você for direto pro chuveiro quente agora, quais as chances de você morrer por choque térmico e evitar um possível resfriado por já estar morto? — Traduzindo para algo que Rin provavelmente já sabia entender: “Vai tomar banho agora ou depois?”.
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    Rin Damien
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Dom Jul 19, 2015 9:01 pm

    Abriu os olhos ao ser puxado para cima, a expressão demonstrando o descontentamento que sentia com a situação. A vingança fora breve, e mesmo que agora Harold estivesse na mesma situação de ridiculamente molhado e sujo, apenas aceitava que, se tivesse prestado um pouco mais de atenção, os dois provavelmente já estariam, secos, no próprio apartamento. O dano já tendo sido feito, apenas resmungou qualquer coisa e ajeitou-se como podia, mesmo sentindo a água fria invadindo seus ossos – continuamente, ainda, com as gotas ainda voando em todas as direções – junto ao vento que, com a adição de roupas molhadas, parecia estar mais frio que anteriormente. Teria que se cuidar.

    Chegaram ao edifício sem maiores problemas, e imitou a ação do mais novo ao retirar o próprio casaco para se livrar de um dos acúmulos de água presentes, também retirando o próprio cabelo do rosto para evitar que gotas continuassem pingando em seus olhos. Rezava pela vida do próprio celular, apesar de não se importar de checa-lo no bolso da vestimenta que retirara naquele momento; só se daria ao trabalho quando tivesse algo para secá-lo. Após pegarem o elevador e enfim saírem no andar de Rin, foram apenas alguns momentos até que finalmente adentrassem o apartamento, levemente mais aquecido que o lado de fora, e fossem cumprimentado com miados de todas as direções. Até pensaria em fazer carinho em seus gatos, mas se tentasse eles provavelmente fugiriam devido a umidade das próprias mãos, o que poderia ser, questionavelmente, uma das piores coisas vindas daquela situação. Porém, uma que seria facilmente resolvida.

    Retirando os sapatos, virou-se lentamente para Harold ao ouvir o que fora dito, piscando por uma fração de segundo até entender. Talvez pudesse tomar aquilo como preocupação, do jeito especial que o albino possuía para demonstrar aquele tipo de coisa. E estava certo. – Poucas. Vou correr esse risco. – Retrucou, sinalizando que iria diretamente para o banho. – E você também, pra não sair molhando a casa. Espere aí.  – Sabia que o maior não pegava qualquer tipo de doença facilmente, e provavelmente sairia ileso. Tendo uma pequena sensação de nostalgia ao fazê-lo, se aventurou rapidamente até o banheiro mais próximo, procurando duas toalhas e voltando, entregando uma delas para o outro. Seria melhor que retirassem o excesso de água ali, mesmo que já tivesse feito uma trilha do líquido até o outro cômodo, e pelo canto do olho, observasse seu mais novo filhote, Newton, escorregar nela.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Jul 20, 2015 1:58 am

    Usara a toalha trazida a si para secar o excesso de água do cabelo e a parte superior do corpo, assim que resolvera retirar a camisa que vestia, agora que tinha a liberdade para fazê-lo. Como iria para o banho imediatamente, não seria necessário tentar secar ao menos as barras da calça, que não estavam molhadas só pela poça que havia caído, mas também pelas próprias ruas lavadas que espirraram água inevitavelmente. É claro que as coisas se resolveriam mais rápido se fosse para o banheiro do corredor e Rin fosse para o que havia no quarto dele, mas o albino não estava com tanta pressa de toda forma. Ao menos, não teria pressa de terminar o banho. Agora que estavam finalmente salvos do temporal, era questão de um breve momento até o banheiro e então teriam todo o tempo do mundo. Pensou se não seria uma boa oportunidade para brincar um pouco com o loiro desta vez. Pousou a toalha sobre a própria cabeça, deixando-a ali mesmo, antes de decidir se pronunciar.

    Eu vou com você. — Constatou, de forma simplória como se comentasse que horas eram. Sabia bem que Rin não tinha parte dos pudores normais das pessoas, que permitiam que elas ficassem constrangidas com qualquer ser próximo e pelado, então por esta razão, sabia que não haveriam reclamações. Mas bem, ambos se conheciam ali. Sabia que talvez, ele recusasse por outros motivos. Entretanto, ele também não tinha muitas formas de fugir daquilo. Há um tempo não eram mais apenas bons amigos, correto? Não restariam tantas desculpas que Rin poderia usar ali. Mas reforçou o pedido com uma razão qualquer. — Você bateu as costas quando caiu, não foi? Alguém precisa olhar isso aí pra ver se não deu merda em algum lugar. — Embora não tirasse o sorriso cínico do rosto, que claramente entregava que não estava ligando para esse detalhe. Rin era médico. Ele saberia se tivesse algo de errado com as costas e não precisaria da ajuda de Harold se não havia reclamado de nada.
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    Rin Damien
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jul 20, 2015 2:53 am

    Não demoraria muito para se secar até que, ao menos, não saísse pingando pela casa. Tirou o excesso de água do cabelo e minimamente da roupa molhada, e, tendo quase se dado por satisfeito, abaixou ao que viu que Newt praticamente deslizara para onde estavam, as patinhas molhadas tendo deixado pequenas impressões em partes do piso em que não havia água. Usou a mesma toalha para envolver o gato, que pelo miado, pareceu confortável o suficiente com o ato, e secou parte do pelo e as patas do mesmo, logo após soltando-o em outra direção para que não voltasse a escorregar. Porém, era um gato. Poderia apenas esperar que não tivesse se divertido o suficiente para voltar àquilo antes que pudesse secar a bagunça.

    Havia acabado de se levantar quando ouviu a constatação de Harold, dita de forma tão simples que o primeiro pensamento que cruzou sua mente fora aceitar sem questioná-lo. E, realmente, não achava que se importaria, apesar se perguntar do porquê o albino estava sugerindo aquilo. Entretanto, ao finalmente focar a expressão alheia, sua resolução mudou instantaneamente para o contrário. Ele estava planejando algo. E a quantidade de coisas que o outro poderia fazer para ter aquela expressão no rosto parecia extremamente limitada, quando iriam tomar banho. Eram mais do que apenas amigos, certo. E sua mente se confundia se deveria temer qualquer avanço maior vindo do mais novo, sabendo disto; não conseguia evitar o misto de sensações com aquela possibilidade. Nunca realmente apreciara contatos íntimos, e a única experiência que havia tido, mesmo que não lembrasse, lhe dera uma impressão forte o suficiente. Entretanto, sabia que Harold já havia conseguido mexer com sua mente e com seu corpo de forma que não conseguisse exatamente pensar.

    Refreou os próprios pensamentos de correrem para uma cena em closet escuro que parecia ter ocorrido tanto tempo atrás, não se importando em esconder o próprio olhar desconfiado enquanto lidava com o misto de constrangimento e um leve pânico que passava por si. Sabia que se tentasse disfarça-lo, seria apenas mais um motivo para implicância. E queria que o maior soubesse exatamente o quão estranha achava aquela proposta. Não que fosse mudar algo, já que, aparentemente, não havia saída para recusar. Poderia ignorá-lo e ir até o banheiro, mas previa que seria seguido se o fizesse. Talvez pudesse ser rápido o suficiente para trancar a porta. Paranoia demais? Nunca parecia ser, com aquela pessoa. Contendo um suspiro de desistência, fez um gesto de concordância com a cabeça, a voz saindo mais suave do que esperara. Só poderia rezar pela própria alma, e principalmente, por seu corpo. – Vamos, então.

    Seguiu para o próprio quarto, parando para pegar algumas roupas com que se trocaria depois; o albino provavelmente também havia trazido alguma muda de roupa para seu apartamento, então não teria maiores problemas. Em seguida, se dirigiu ao banheiro acoplado, que planejara usar originalmente. Era o que estava mais acostumado, e como havia dois, era o plano que fossem em banheiros separados. Era mais espaçoso que a alternativa, possuindo também uma banheira, conveniente para quando tinha tempo o suficiente para passar no banho. E, no momento, tinham. Havia uma sensação certa de nervosismo em seu estômago, porém, parecia que estava conseguindo contê-la relativamente bem exteriormente. Não precisariam usar a banheira, no entanto, achou justo suficiente que a pergunta deixasse seus lábios, voltando-se ao outro após deixar as roupas que carregava e a toalha que usara anteriormente em uma bancada, como se estivessem agindo como sempre faziam. – Quer morrer na água, ou um banho rápido?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Jul 24, 2015 6:28 pm

    Ora, funcionou. E pensar que Rin aceitaria tão fácil sua proposta, mesmo que tivesse lhe mandado uma daquelas caretas que ele fazia quando não gostava de algo do fundo da alma. Ao mesmo tempo, era sempre engraçado ver o mais velho ficar constrangido em meio ao desgosto. Porém, ele deve ter pensado nos prós e contras do que uma discussão sobre aquele assunto, naquela situação, traria – e finalmente, desistido da ideia de bater boca ali. O que era favorável para ambos os lados. Acompanhou o rapaz até o interior do quarto do mesmo, percebendo um puxão em sua calça e sentindo pequenas garrinhas espetarem a pele, atravessando o tecido jeans sem muitos problemas. Ao virar-se para olhar qual dos gatos era, deu de cara com Nietzsche, que o olhava intensamente sem soltar a calça. Abaixou até onde poderia pegar o gato pelo cangote, levando-o até a cama de Rin e o colocando lá, ouvindo um miado alto e relativamente grosso antes de virar-se. Arqueou uma sobrancelha para o felino. Estava levando uma ameaça? Certo... Animais tinham sexto sentido. Provável que o bichano tivesse descoberto as intenções de Harold para com seu dono dentro de um cômodo fechado. Um gato com ciúmes. Hilário.

    Entretanto, conseguiu entrar rápido o suficiente e fechar a porta do banheiro, antes que Nie invadisse, depois que o vira pular da cama. Ao que se lembrava, havia deixado uma muda de roupas ali da última vez, então só precisaria perguntar depois onde estavam quando terminassem. Mas antes que tomasse qualquer iniciativa, ouviu a questão do loiro, com uma breve pausa para assimilar o que lhe era perguntado. Uma profunda vontade de gargalhar alto veio rapidamente, mas o albino conseguiu segurar com muito esforço mental. Respirou fundo de olhos fechados, meditando por um breve momento enquanto pensava se o mais velho havia gostado da ideia – mesmo depois das caretas –, ou se só estava sendo burro. Era provável ser um pouco dos dois.

    Suspirando uma vez, retirando os óculos e passando a mão livre pelo rosto, sorriu como um consolo para o loiro e depositou a outra mão no ombro do rapaz.

    Essa é a hora que você para pra refletir se realmente deveria ter me perguntado isso, Rin. — E recolocou os óculos, soltando-o. — Aproveite e pense também em qual seria a resposta mais óbvia. — Proferiu, olhando de esguelha para a banheira e sinalizando com a cabeça para a mesma. Deixou a própria camisa que havia trazido consigo – embora já a tivesse tirado – por cima do mármore da pia, dando a calça e a boxer o mesmo destino em seguida. Como estava tudo igualmente sujo, não faria a menor diferença misturar. Com a mesma expressão de paisagem, direcionou a atenção para o loiro próximo, que ainda não havia tirado as roupas. Não planejava começar nada naquele instante, mas quase sem pensar tanto no ato em si, levou a mão até a barra da camisa alheia e a puxou para cima, revelando as costas do mais velho. — Oh, tá limpo. — Não tinha nada ali embora ele tivesse batido com as costas na calçada, mas imaginou se estaria tendo algum incômodo interno. Preocupação seria uma ilusão engraçada vinda de Harold e, sem que o menor pudesse ver por estar atrás dele, abriu um sorriso travesso. — Dói? — E deslizou o indicador da outra mão pela linha que fazia a coluna vertebral de Rin.
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    Rin Damien
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 24, 2015 7:43 pm

    Notou o erro na própria pergunta assim que ela deixou seus lábios, vendo-o refletido também na reação do mais novo à sua frente. Agindo como sempre. Não podia chamar esta situação disto, ou fingir que era, ao menos em palavras. Se o fizesse, acabaria piorando-a. Demonstrando o desagrado apenas com o olhar, no entanto, o loiro se decidiu. Havia falado, e Harold lhe dera a deixa para responder com o que achava óbvio, ou com o que quisesse. Poderia ainda tentar fugir de qualquer situação constrangedora, ainda soubesse que o albino tentaria intervir no meio do caminho. Interrompeu os próprios pensamentos ao ouvir um barulho mínimo vindo da porta, como se patinhas batessem de leve na madeira. Não arranhados, felizmente, já que seus gatos já haviam aprendido a não destruir a casa. Um deles poderia me salvar agora. Seria ótimo.

    Tendo mantido o olhar fixo no portal por alguns segundos em uma esperança nula, não notara o maior próximo a si, precisando de todo o auto controle que possuía e que não possuía para não pular para longe imediatamente ao sentir uma mão levantar a própria camisa. Iria tirar as roupas alguma hora. Aquela não era a parte que importava. Entretanto, a tensão já instalada em sua mente foi facilmente transferida para o corpo, fazendo o mais velho ficar absolutamente parado, demorando alguns segundos para entender o que era dito. Limpo? Oh, suas costas. Estiveram particularmente doloridas no momento da queda, entretanto, o médico não havia sentido qualquer motivo de alarme, e conforme o desconforto fora se amenizando, não pensara mais naquela parte do corpo, agora tendo apenas um leve incômodo vindo dela. Incômodo que fora imediatamente substituído por um arrepio que pareceu percorrer todo seu corpo ao que um dedo frio deslizou pela área.

    - Dói. – Mentiu, o tom mais ríspido e irritado do que planejara inicialmente, na esperança de que o outro retirasse a mão, sentindo o rosto esquentar com a reação imediata. Não iria deixar que ele fizesse o que bem entendesse. Contudo, lá estava a irritação consigo mesmo, por estar exageradamente nervoso, e pelas próprias reações a um simples toque. Afastou-se alguns passos, as próprias mãos indo à barra da camisa e retirando-a, antes de jogá-la sem qualquer cerimônia na cara de Harold. – E pare com isso. – Duvidava que ser direto com o assunto resolvesse algo, porém, precisava de algo para o acalmar. Pela primeira vez, também, notava que o mais novo havia tirado completamente a roupa, e logo Rin o seguia para aquele estado, colocando as próprias vestimentas junto das outras. Não tinha qualquer problema com aquilo – o que talvez devesse ser revisto em seu conceito de morais – mas sim com o que poderia implicar. E ainda assim, mantinha a expressão o mais neutra que conseguia.

    Prefiro tomar um banho rápido, na verdade, então vamos fazer isso. Já vimos água o suficiente por hoje. – Voltara ao raciocínio anterior, antes do desarranjo mental que tivera, amenizando a voz de forma que retornasse à suavidade costumeira. Sua chance de fuga. Não esperando resposta, ignorou por completo a banheira, abrindo a porta do box e adentrando-o, não demorando para que ligasse o chuveiro quente, o ajustando para uma temperatura alta o suficiente, mas que não queimaria a pele de ninguém.  
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jul 26, 2015 10:47 pm

    Conseguiu tempo para abafar uma risada silenciosa, antes de receber a camisa do outro direto na cara, estando meio pesada pela umidade ainda permanente. Deixou o tecido escorregar pelo rosto e apenas dobrou o antebraço, que logo servira como único apoio para que a peça não caísse pelo chão. Botou-a junto com as próprias, dando de ombros para a repreensão que lhe foi dada e achando graça do fato de Rin ser sensível nas costas – é claro que não havia doído e mesmo se tivesse, a graça continuava sendo a mesma. O que lhe despertara interesse sobre quais outros lugares o fariam reagir daquele jeito de novo. Talvez seria uma boa meta a se alcançar ali, com aquela ideia. Mas é claro que não daria para concluí-la se o outro ficasse resolvendo fugir, como estava tentando fazer ao se enfiar no box – como se a porta de vidro fosse uma barreira impenetrável.

    Harold revirou os olhos, inspirando fundo e decidindo que daria alguns momentos de vantagem para o loiro. Certo, o melhor a se fazer no momento seria preparar a banheira, já que o oficial usuário do cômodo estava se iludindo no box e não serviria para aquilo de lá de dentro. Encheu o recipiente com água quente; passando pela cabeça usar água fria, arrastar Rin e jogá-lo ali, mas a graça seria toda perdida se ele morresse de choque térmico mesmo. E não tinha interesses pessoais em cadáveres, felizmente. Tendo-o feito, decidiu que já havia dado tranquilidade suficiente para o mais velho e, então, girou nos calcanhares até concluir seu objetivo em poucos passos, que não dera espaço para que fossem interrompidos: abrir a porta do box, arrancar Rin dali de dentro pelo braço, arrastá-lo até a banheira e jogá-lo dentro da mesma. Prático e rápido. — Veja bem, não faria muito sentido eu aceitar que você tomasse banho lá e eu cá, quando existem dois banheiros. Eu nem teria vindo se fosse o caso, não acha? Não amarele agora que aceitou. — Do lado de fora da banheira mesmo, pressionou a cabeça do loiro por baixo da água por alguns meros segundos, sendo o tempo de recuperação após isso, o suficiente para que desligasse o chuveiro aberto ainda e voltasse.

    Finalmente entrou na banheira junto ao outro, empurrando-o com o pé para que aumentasse o espaço disponível para si ali dentro. Afundara o corpo na água, sentindo-se relaxar de imediato pela agradável mudança de temperatura e quase cogitou desistir de importunar Rin em prol de um raro cochilo. Porém, contemplar a possibilidade da ideia o fez decidir com mais concretismo o que fazer dali por diante, que já estava com o rapaz a sua frente, dividindo a banheira consigo. Sorriu, inesperadamente, expondo serenidade e um leve cansaço.

    Relaxa aí, seu neurótico. Não precisa me olhar com essa cara de cão chupando manga, não vou te morder.Ainda. Preferiu declarar paz por enquanto, enquanto soltava um longo suspiro e encontrava espaço suficiente para que relaxasse sem esmagar Rin contra a outra extremidade do recipiente. Era grande o suficiente para que ambos ficassem relativamente confortáveis. Esperaria o loiro abaixar a guarda em algum momento, estrategicamente, antes de começar a se divertir de verdade. Ele era esperto e tinha um bom controle de si mesmo – já que estava sóbrio. Se quisesse atormentá-lo, perderia a jogada assim que ele se fizesse de inatingível quando percebesse que estaria encurralado de primeira. Portanto, apoiou ambos os braços na borda da banheira, deixando a cabeça pender para trás, permitindo-o encarar o teto e o vapor de água quente que subia e se espalhava pelo cômodo fechado. — Nietzsche também não gostou de me ver entrando com você aqui... Será que você pediu um S.O.S por telepatia? — Riu num sopro baixo, expondo a própria tranquilidade na voz, sem tirar a desatenção do teto.
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    Rin Damien
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jul 27, 2015 12:49 am

    O barulho das gotas do chuveiro caindo sobre seu corpo e o chão, infelizmente, não apagou o ruído da água fluindo do lado de fora, aparentemente enchendo a banheira. Sabia que havia escapado da forma mais corrida que conseguira, visto que já estavam os dois nus no mesmo banheiro, mas havia a esperança no fundo de seu peito de que poderia tomar um banho rápido o suficiente para logo após fugir, já que tinha quase certeza ser apenas questão de tempo uma interrupção ali. Tendo lavado os fios loiros – que havia soltado após lembrar-se que tinha que fazê-lo - em tempo recorde até para si, estava prestes pegar o sabonete quando ouviu a porta do box se abrindo para ser arrancado da água quente da forma menos delicada possível.

    Resistir passou por sua cabeça apenas por um milésimo de segundo, antes de desistir da ideia pela razão óbvia de Harold vencer no quesito força física, mantendo apenas a expressão mau humorada ao que foi jogado na banheira. Ao menos voltara à agua quente, que agora parecia contrastar mais ao banheiro frio. A reação veio ao que foi impedido de emergir, tentando tirar a mão do albino de seu rosto e se perguntando se aquilo estava nos planos para importunar sua vida naquele dia. Talvez fosse melhor se afogar do que ter que passar pela onda de nervosismo que não sairia de seu corpo até que estivesse seguramente vestido novamente. Ou nem aí, se conseguisse escapar. O mais novo era assustadoramente insistente quando decidia mexer consigo.

    Enfim conseguindo subir e puxar o ar, tossiu brevemente no processo enquanto se recuperava, seguindo o maior com o olhar ao que ele finalmente se juntava a si naquele espaço, que na própria mente, parecia pequeno demais para os dois. Encostou no canto oposto da banheira, quase se fundindo a ele ao que mantinha os olhos fixos no outro. Não planejava, em instância alguma, relaxar ali, mesmo que Harold aparentemente estivesse tentando induzi-lo a isso. Não confiava nele nessas horas, e nem toda a água quente do mundo seria o suficiente para tranquiliza-lo da pilha de nervos mental que aos poucos se tornava, podendo apenas esperar que ele desistisse da ideia e que, apesar da tensão, Rin pudesse relaxar pacificamente em outro lugar. Com o albino, até, se ele parasse de palhaçada.

    Não havia visto Nie enquanto entrava ali, tendo a pergunta respondida de qual dos gatos ouvira previamente. – Sim. Estou esperando que se juntem e entrem aqui pra me salvar a qualquer momento. Apesar de que acho que o plano vai falhar, já que gatos não gostam de água. – Mesmo com a guarda alta, respondeu a pergunta, não deixando evidente no tom o sarcasmo óbvio das palavras, e usando elas como deixa para contar uma história qualquer em que havia molhado Poe sem querer e traumatizado o filhote por um período de tempo. De fato, preferia falar do que deixar o silêncio se amontoar. Silêncio era confortável, e conforme passasse, provavelmente ficaria mais relaxado. E preferia evitar essa opção.  
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Jul 29, 2015 2:16 am

    Novamente voltava aquela vontade de rir. Ele estava realmente tenso e comparando ao estado normal do mesmo, poderia ser prudente considerar aquilo algo próximo de pânico. E não precisava sequer olhar, para conseguir notar apenas pelo tom de voz e pelas palavras excessivas num assunto aleatório, que ele realmente estava perturbado. Certo, acalmá-lo com o silêncio talvez não fosse viável ali, quando o mesmo não parecia estar com vontade de se calar. Talvez tivesse sido descoberto?

    Harold saiu de sua posição relaxada para finalmente encarar o loiro, encolhido contra a outra borda da banheira exatamente como um gato acuado. Ganhá-lo na conversa poderia ser uma opção. Mas a quem queria enganar? Plantou a própria fama na cabeça do loiro e agora queria retirá-la em minutos. Seria um bom desafio se o loiro não estivesse com aquela atitude neurótica. Mas observando aquilo, desistiu de segurar a risada.

    Talvez. Mas não estou afim de falar de gatos. E nem você, provavelmente. — Foi direto ao ponto. Na verdade, com certeza tudo aquilo estava bem longe do que o loiro queria de toda forma. Só que não. Ou não teria razões para aceitar sua oferta. — Pra que isso? — Questionou antes, sabendo que a pergunta obviamente também serviria para si. Mas naquela situação, cairia bem sobre o mais velho. Desencostou as costas da borda da banheira, encarando-o incessante nos olhos. — Supondo que essa sua palidez toda seja medo de mim... O que acha que eu vou fazer com você, Rin? — Sorriu com uma das sobrancelhas arqueadas, como se pedisse para que o loiro deixasse sua imaginação fluir.

    Havia, é claro, toda uma lista de coisas que Harold poderia fazer com o rapaz somente dentro daquela banheira, que Rin não fosse gostar. Na mais gentil das opções, poderia fazer o nariz dele de desentupidor do ralo. Mas como provoca-lo sexualmente era mais divertido, havia deixado esses outros hábitos para trás agora que possuía maior liberdade. Não sabia em qual das opções Rin estava pensando, para agir daquele jeito desesperado, visto que ambas as opções pareciam ser igualmente perturbadoras para o rapaz. Só era engraçado pensar que mesmo a opção mais viável para dois homens tomando banho juntos numa banheira, deixava o outro desconfortável a ponto de tagarelar qualquer assunto apenas para tentar abafar a ocasião. Ele poderia pensar também pelo lado que conhecia muito bem do albino. Quanto mais tentasse nadar contra a maré, mais seria puxado por ela. E naquele caso, a maré era Harold.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Qua Jul 29, 2015 3:27 am

    Fora interrompido no assunto de gatos – que já havia mudado para outra história sobre um dos felinos que não pudera adotar – pela risada alheia, ainda olhando-o fixamente em meio à tensão e considerando se qualquer coisa boa sairia do que era dito. Queria falar de gatos. Estava um assunto ótimo em seus pensamentos, especialmente por tentar distraí-los sem retirar a atenção da situação presente. Com a pergunta direta, e voltando a encarar o olhar de Harold ao que ele retomava a postura anterior, o próprio Rin não sabia dizer o que diabos estava fazendo. Pra que isso, está certo. Entretanto, considerou a questão retórica, e teria achando outra coisa inútil para falar se os próprios pensamentos não fossem cortados novamente por algo que teria que responder.

    Ao menos, em meio ao calor da água e o vapor presente no banheiro, não teria que se preocupar com o quanto sua face havia esquentado apenas com a pergunta. Harold sabia o que o loiro achava que seria feito. Provavelmente estaria mais relaxado com o pensamento de ser afogado e morto na banheira, ou qualquer uma das brincadeiras normais – mesmo que mórbidas - do mais novo. Então, perguntou-se pela primeira vez, por que não achara em nenhum momento que fosse ser provocado de outra forma. Talvez estivesse aprendendo a lê-lo de forma mais clara. Não achava que estava enganado, mas se estivesse, seria o primeiro a suspirar de alívio.

    Estava incomodado demais tanto para dizer exatamente o que achava quanto para ficar em silêncio sobre o assunto, e após um minuto em que considerou a própria capacidade de encará-lo até que o assunto mudasse – desistindo, no fim, já que provavelmente pioraria a situação – finalmente abriu a boca para falar, controlando o tom para que não soasse o quão nervoso se sentia. – Não acho que isso seja uma situação... Normal. Que você vá tentar me matar ou algo assim, como sempre. – Era um exagero, e sabia muito bem daquilo. As brincadeiras do maior tinham um limite, e imaginava que ele os tivesse adquirido conforme crescia. Porém, ao que ia voltar a falar, hesitou novamente. Não sabia por que era tão difícil, quando os dois eram adultos, Rin vários anos mais velho que Harold.

    Percebeu que nem poderia ter a desculpa que qualquer assunto sexual consigo o deixava assim. Havia reagido relativamente bem a ter bebido e transado com um estranho que mal conhecia, mesmo xingando mentalmente dez gerações pela dor que o acompanhara depois. Era por ser ele. Por gostar dele? O que apenas fazia seus pensamentos se complicarem mais, já que então deveria estar reagindo bem àquilo, não tendo uma onda de pânico na banheira. Talvez pelo jeito do outro, não se sentisse confortável. Talvez em parte pela dor anterior, também. Talvez não gostasse da própria vulnerabilidade. Talvez apenas estivesse negando algo que acabaria acontecendo hora ou outra. Enfim achando novamente a voz, voltou a se pronunciar. – E não é que eu não ache... Que isso... – Se referia ao que os dois tinham, que ele próprio não sabia nomear. – Não vá chegar em um ponto sexual algum dia, mesmo se tratando de nós. Eu só não me sinto confortável com isso. E se for sua intenção... – Seu tom adquirira uma fraca ameaça, que escondia sutilmente a súplica nas palavras, mesmo que não achasse uma forma de terminá-la. Então o que? Pediria pra ele ter pena? Pra não fazer nada? Não havia algo que pudesse dizer ali sem piorar a situação, se é que já não havia feito dano suficiente com o que já falara. Tinha apenas a capacidade de afundar-se alguns centímetros na água, escorregando o próprio corpo como se quisesse se esconder.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Jul 30, 2015 12:14 am

    Na mosca. A reação do rapaz quanto a sua pergunta havia sido bem esclarecedora sobre conseguir atingir o ponto que queria ali. Certo, ele estava mesmo pensando em sacanagem. Que safado, não era? Porém, antes que pudesse comentar sobre a ruborização alheia com sua simples indagação, preferiu observá-lo um pouco mais enquanto apreciava aquele breve momento de reflexão de Rin. Até porque aquela era sua deixa. Se falasse algo mais, o rapaz poderia também achar alguma brecha para desviar do assunto que trouxera. Mas felizmente, podia ouvir as palavras saírem dele espontaneamente.

    Por um breve momento tentou se lembrar da quantidade de vezes, em sua vida de convivência com Rin, em que tentara mata-lo, mesmo sabendo que aquele comentário tivesse sido hiperbólico. Algumas de fato não se lembrava, talvez por terem sido há um tempo, talvez por terem passado despercebidas entre tantas outras. Mas de fato, sempre gostou de implicar com o rapaz. E mesmo que essa atividade fosse frequente com basicamente todo o seu círculo social, sabia bem que o loiro tinha um pedestal só para ele naquele quesito. Talvez fosse bem a personalidade do mesmo que o convidava a perturbá-lo sempre que tinha a chance. Ou talvez fosse sua forma de demonstrar afeto – o que o fez precisar segurar a vontade de rir de novo. Mas escutar as palavras seguintes obrigou o albino a deixar escapar um sorriso malicioso, com tanta espontaneidade, que provavelmente mais nada precisaria ser dito por si. Ficou profundamente curioso sobre como Rin planejava completar sua frase final. Imaginou como deveria responder àquilo. Fitou-o por breves instantes antes que recolhesse o ar suficiente para falar algo, achando graça do rapaz afundando minimamente na água.

    “Não me sinto confortável”, você diz. Isso me ofende... — Botou a mão sobre o próprio peito, fingindo desolação. — Então você se sente mais a vontade transando com um semi-conhecido do que comigo? — E desfez o teatro curto, voltando ao sorriso anterior. É claro que sabia sobre Rin e Nero há tempos atrás e embora não desse importância, ressaltar aquele detalhe poderia ser interessante naquele momento. Não sabia das condições de Rin para fazer algo do tipo com alguém que não tinha intimidade, pois não fazia o feitio dele. Também não sabia exatamente como ele havia reagido àquilo e poderia muito bem ser esta a razão para não querer nada no momento. Mas o argumento ainda não se tornava inválido por isso. Embora eu não seja lá o exemplo de reconforto. Mas ora, agora poderia também entender melhor a situação. Mesmo sem se ater a isso em específico, sem notar, já estava interessado.

    Bom, já que é assim que funciona... O que acontece se eu fizer isso? — Perguntou retórico, afundando ambas as mãos na água e alcançando os tornozelos do loiro, puxando-o até encaixá-lo com as pernas por cima das próprias, numa distância consideravelmente desconfortável para Rin. Não havia sido difícil, até pela água ser suficiente para reduzir o peso do loiro e não precisar de tanta força para arrastá-lo pela banheira a si.

    Porém, não tão rápido. Ainda não havia começado. Ainda queria sentir mais da aversão de Rin sobre a possibilidade do que faria com ele. Era apenas o prólogo da brincadeira. Tirar e aproveitar parte por parte. Era melhor assim. Apoiou os braços sobre as coxas alheias, a posição acercando drasticamente os rostos um do outro, de uma forma que Harold podia manter o olhar sobre os orbes azuis de Rin; ao mesmo tempo em que o desafiava com o seu costumeiro desdém sarcástico estampado no semblante. É claro que sentia a proximidade do corpo alheio ao seu por baixo d'água, mas uma coisa estranha que o albino adquiriu ao longo dos anos foi um ótimo controle sobre suas reações emocionais e físicas – mesmo as mais involuntárias. Aquilo era o suficiente para que evitasse qualquer imprevisto, mesmo apreciando a aproximação dos corpos e do calor que emanava do mais velho, misturado a temperatura do líquido que preenchia a banheira. Pois bem... E agora, Rin?
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jul 30, 2015 1:21 am

    Embora compreendesse que a reação ofendida de Harold não fosse genuína, as palavras sobre o que havia ocorrido entre o loiro e Nero foram o suficiente para que deixasse a boca entreaberta por alguns segundos em surpresa. Tinha noção que o albino conhecia aquele fato por ter sido uma das milhões de verdades que ninguém perguntara e que todos acabaram descobrindo por meio do mesmo tempos atrás. E enquanto ele próprio tentara refletir sobre o porquê de ter reagido melhor àquela situação - mesmo que apenas à manhã dela – do que ao momento presente, agora se lembrava de que o outro também podia usar aquele argumento contra si, e que não conhecia realmente os fatos do que acontecera. Rin não achara importante mencionar anteriormente, e de fato, se o fizesse, provavelmente seria outra adição para a implicância eterna do mais novo.

    Com a própria distração, havia deixado de registrar a expressão alheia voltando ao que lhe dera todo nervosismo anterior, junto às palavras que praticamente lhe gritavam que era hora de sair dali, e fora a deixa para que, antes que pudesse se mexer ou chutá-lo para resistir, escorregasse para uma distância consideravelmente menor do outro.  Sentiu o próprio corpo travando de imediato ao percebê-lo em contato direto consigo, o coração acelerado parecendo bombear todo o sangue que possuía para sua cabeça. Sentia-se quase sufocado, como se todo o calor do banheiro e vindo dos dois fosse hora ou outra deixa-lo inconsciente. Mas infelizmente, nunca fora de desmaiar por pura pressão. Era mais forte que isso, mesmo com o estado de saúde sempre oscilando. Teria sido uma ótima saída.

    Também agora encarava os olhos acinzentados, a qual podia distinguir a cor real visivelmente de tão perto. Normalmente apreciava aquela visão, porém, se pudesse pensar adequadamente naquele momento, provavelmente consideraria furar as duas orbes e bater em retirada. Entretanto, não se sentia apto a pensar sequer em violência, apenas tentando controlar o próprio olhar de forma que não transmitisse todo o desespero que lhe tomava. E desta vez, sabia que estava falhando. – Não lembro de nada daquilo. Eu bebi demais, e ele também. – Se focou em algo que conseguia responder, as palavras mais corridas que o normal, e as mãos – mais trêmulas do que gostaria - se movendo para segurarem os braços alheios, como se aquilo fosse o suficiente para parar qualquer ato. – Não faz sentido me incomodar por algo que não me lembro. Só não gostei... De a dor ter durado um pouco demais. – Não estava pedindo entendimento pelas próprias ações, contudo, tinha que chegar a algum lugar ali. Se apenas cavaria a própria cova ou conseguiria sair dali, não sabia. Mas sua mente também parecia não querer processar resultados.

    - Não sei como eu seria com outras pessoas. Não tive outras pessoas. Mas você consegue que eu... – Virasse uma total e completa pilha de nervos com aquele tipo de ato? Ou fosse facilmente irritado com provocações e com o jeito cínico? – Você é especial. Presente pro seu ego. Como agradecimento, pare. - Demorou mais que o segundo que queria levar para afastar-se, ligeiramente tonto, impulsionando-se novamente para o outro lado da banheira, para logo após levantar-se com toda a intenção de sair em disparada daquele ambiente, ignorando detalhes como uma casa molhada ou possíveis gatos no caminho.  
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Jul 31, 2015 6:34 pm

    Observá-lo perder o controle de si mesmo daquele jeito, mesmo que apenas pelas expressões e pela voz acelerada, era tanto relaxante quanto excitante para o mais novo. Poderia fazer aquilo o dia inteiro se pudesse. Aquilo lhe provocava uma satisfação tão grande que podia se permitir imaginar as possibilidades de quaisquer coisas que poderia fazer, apenas para piorar o estado do loiro. Mas mesmo com todos os devaneios que poderia ter com aquela bela imagem desconcertada que tinha a sua frente, Harold não pôde deixar de gargalhar alto ao saber que Rin não apenas tinha transado com Nero, mas como ambos o fizeram bêbados. Ainda por cima não lembrava de absolutamente nada. Era hilário! Como tirar mais sarro ainda da cara dele? Não iria fazê-lo, não mesmo. Ia passar dois dias seguidos zoando, se começasse. Deixaria para próxima. Acalmou as risadas, mas em momento algum distraiu-se até soltá-lo e dar qualquer brecha para que escapasse. Mas precisava aproveitar um dos comentários.

    Veja por esse lado então. O pior você já experimentou, com certeza. — Embora aquilo não fosse nenhuma garantia de que seria gentil. Mas por uma pequena experiência num closet fechado, já sabia bem que Rin não se importava de sentir um tanto considerável de dor.

    Todavia, não esperava que fosse ouvir o mais velho admitir aquilo, mesmo com toda a dificuldade que estava parecendo ter. O que especial significava? Estava acostumado a ser chamado de especial no sentido negativo da coisa, mas sequer passou por sua cabeça que aquilo seria uma ofensa. Era adorável, mesmo. O desespero de Rin chegava ao ponto de que precisara verbalizar parte de seus sentimentos apenas na tentativa de escapar? — Ãh-ãh. — Impulsionando-se para cima quando percebia que a intenção de Rin era cair fora, assim que conseguira desvencilhar-se de si no breve momento em que contemplou o que havia sido dito. Mas foi apenas para agarrar os ombros do loiro e jogar o próprio corpo novamente para a posição anterior, desta vez trazendo o rapaz junto, de costas para si. Só aquele movimento foi suficiente para jogar uma certa quantidade de água pra fora da banheira – o que viria a ser conveniente numa possível tentativa de fuga extra. Entrelaçou-o pela cintura, unindo as costas ao seu tórax, certificando-se que pressionado contra si, ele não teria muitas formas viáveis de sair.

    Pra onde você achou que conseguiria fugir? — Questionou, ao pé do ouvido alheio. Mas bastou abaixar a visão e fitar o ombro e o pescoço desnudos, com alguns fios loiros desarrumados pela pele alva, que perdeu uma considerável parte da vontade de continuar irritando-o verbalmente. Apertou os dedos contra a cintura mais fina, tentando não se deixar levar em excesso e relembrando-se mentalmente a razão de provoca-lo. Era normal se sentir atraído fisicamente por alguém que gostava, não era? Mantenha-se na linha. Certo, os pontos – aquela seria uma ótima hora para testá-los. Lembrava-se dele ser sensível nas costas. Onde mais seria? Sem esperar a resposta de uma pergunta retórica, sorriu vagamente em satisfação ao permitir-se deslizar os lábios pelo ombro mais próximo, subindo em direção ao pescoço com vagarosas mordidas. Mesmo que algumas madeixas loiras atrapalhassem, o cheiro delas ainda lhe agradava e arriscou mantê-lo preso com um único braço, apenas para puxar os fios pela raiz; forçando Rin a inclinar a cabeça para o lado oposto e dar-lhe mais espaço para continuar. Manteve-se atento às expressões do outro, mesmo que a visão fosse embaçada pela miopia – mas era suficiente àquela distância. Ele era bem silencioso, o que era engraçado. Realmente não fazia bem o tipo de escandalizar. O que podia ser uma nova meta a ser alcançada ali, quem sabe. Uma coisa de cada vez.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Dom Ago 02, 2015 5:19 pm

    Sabia que havia uma grande possibilidade de sua última tentativa fuga falhar, se não por culpa do outro, pela própria. Apenas ouviu a água espalhando-se ao que voltava forçadamente à banheira, não se concentrando muito no fato ao que seus sentidos entravam em alerta novamente ao estar com as costas nuas pressionadas a Harold. Duvidava que ”você molhou o chão, babaca, acho que deveríamos parar isso e secá-lo” o tiraria daquela situação, de qualquer forma. Engolindo em seco, sentia o breve segundo de liberdade que obtivera se esvaindo, seu corpo tencionando-se novamente, e desta vez, diretamente contra o alheio. Teria que admitir que perdera e apenas aceitar o que viria? Como o albino mesmo dissera, não havia fuga. Não havia jeito que não estaria completamente debilitado contra o que quer que o outro fizesse consigo.

    E ainda assim, não estava disposto a aceitar. A mão pressionando a cintura do mais velho parecia queimar sua pele em meio à água mente, e movendo o próprio braço para trás, conseguiu força para atingir uma cotovelada diretamente no tórax do maior. Fraco demais. Seu próprio corpo não parecia querer mais reagir contra aquilo. Traidor. – Por que eu sempre tenho que fugir na minha própri- - O comentário – feito mais para manter à própria atenção em algo que não fossem as mordidas vagarosas em sua pele – foi brutalmente interrompido ao que os lábios chegaram ao próprio pescoço, fazendo um arrepio agradado percorrer seu corpo. Amaldiçoara a própria reação, assim como fizera anteriormente quando o toque ocorrera em suas costas; até o puxão nos fios loiros não causara uma sensação propriamente ruim. Não adiantava negar que alguma parte de si desejava aquilo. Que se envolveriam fisicamente algum dia.  Entretanto, o constrangimento talvez fosse a razão que se sobrepusesse às outras ali. Uma situação repentina demais graças a um Harold tão malicioso quanto, que deveria estar se divertindo horrores com aquilo. O que também confundia Rin, já que o mais novo também não era de provocava realmente naquele sentido. Ou talvez apenas não tivesse descoberto esse lado. O imbecil provavelmente o faria ansiar por aquilo, contrariando a própria mentalidade. E no momento, apenas o odiava por tal ato.

    Calma, Rin. Havia fechado os olhos em uma reação repentina, e abrindo-os novamente, tentava apenas controlar a própria respiração levemente descompassada e o coração acelerado pelo nervosismo. Não duvidava da possibilidade de um infarto se o rumo da situação não mudasse. Se não havia saída, não queria pensar, apenas para voltar a se confundir; o ato também sendo dificultado pela tontura vinda do misto de sensações que passavam por si, constantemente presentes graças aos dentes em seu pescoço. Porém, se esforçaria para manter tanto uma linha racional quanto qualquer dignidade que pudesse ter ali. Movendo uma das mãos para a que pressionava sua cintura, segurou-a com a maior firmeza que conseguia ter. Tentaria, na futilidade de seus pensamentos nublados, evitar maiores provocações. Tentaria.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Ago 02, 2015 8:29 pm

    A frase cortada repentinamente no final foi a resposta definitiva do que precisava. De alguma forma estava ligeiramente surpreso; não imaginava que Rin fosse tão sensível daquele jeito. Até porque não havia feito nada demais até então. Mas ao menos, a falta de objeções era sinal de que estava conseguindo o que queria lentamente. É, ele tinha gostado daquilo. Era possível ver a olho nu a pele arrepiada do loiro. Todavia, mesmo tendo desistido de reclamar e mesmo sentindo o corpo dele esquentar em contato com o seu próprio, o mais velho ainda tinha um resquício de teimosia que tentava se contrapor ao albino. Por que não aceitar de vez que não tinha mais o que evitar ali? Péssima escolha. Tentar impedir que Harold fizesse algo era praticamente implorar para que acontecesse o contrário. Ter a mão apertada para que não fosse mais longe do que aquilo, deu ao maior o ímpeto de oferecer a Rin o que o mesmo não queria. Mais ainda, no caso.

    A cotovelada que havia acontecido do jeito mais inofensivo em seu tórax, dera a Harold uma certa ideia do nível de controle que o médico estava tendo dele próprio naquele momento. Arriscou na esperança de que o atordoamento alheio fosse o bastante para atrasar qualquer reflexo, fazendo uso da força para girar o corpo bem mais leve que o seu; suficiente até posicioná-lo de lado, ainda contra si. A mão que prendia as madeixas claras entre os dedos durou no mesmo lugar até que beijasse os lábios de Rin, deslizando a língua entre os mesmos sem cerimônias, até abrir caminho para um ósculo profundo e lascivo. Beijá-lo não era mais nenhuma novidade, mas ali cada coisa tinha sua função. Enquanto sua clara intenção era a de proporcionar uma falta de fôlego alheia, também era a deixa para que livrasse a mão das menores do rapaz sorrateiramente – podendo fazê-lo antes por força bruta, mas seria menos divertido. No caminho escapatório, deslizou os dígitos pelo abdômen até mais embaixo, fazendo o mesmo pela extensão do falo que encontrara pelo caminho.

    Em momento algum havia fechado os olhos. Sua maior diversão ali estava sendo observar o quanto poderia tirar Rin dos eixos. Se perdesse a visão – que já não era tanta –, perderia também toda a graça. Mordia os lábios do menor na mesma intensidade em que apertava o membro do mesmo na destra, usando de uma lentidão quase torturante como estimulador. Deixou a raiz dos cabelos em paz pela primeira vez, descendo pouco e acariciando a nuca alheia em apertões possessivos, continuando o passeio pelas costas até chegar no lugar onde a outra mão estava. Certo, gostava de apertar a pele dele. Num estalo úmido, separou os lábios e ocupou-os sem pressa alguma numa trilha de beijos e mordidas do queixo até a clavícula de Rin. Como estava seguindo até ali com a mesma intenção do começo, nem Harold sabia. Talvez fosse realmente doente da cabeça, mas não seria novidade nenhuma se o dissessem isso. Seu próprio corpo parecia querer reagir, mas era naquelas horas que deixava um suspiro longo aquecer a pele do mais velho, enquanto novamente se mantinha na linha mentalmente. Não tinha razão lógica nenhuma para provocar e abusar de Rin daquele jeito. Apenas gostava.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Dom Ago 02, 2015 9:34 pm

    Mesmo com o resquício de resistência que sua mente possuía, entendia que o próprio corpo não lhe obedeceria se tentasse impedir o outro de movê-lo, então deixou-se levar, mantendo a mão alheia presa à própria como uma garantia insensata enquanto se perguntava vagamente o que diabos seria feito à si agora. Fora com um tanto de surpresa que recebera os lábios de Harold contra os próprios, não tendo sequer tempo para se opor antes de sentir a língua alheia fervorosamente contra a própria. A mente confusa do loiro não trabalhava muito bem, oscilando entre as possibilidades de corresponder, e terminou por uma tentativa de morder o músculo invasor no ósculo. Também fora fraca demais para que pudesse causar qualquer dano real, os olhos estreitados deixando transparecer o quão perdido se sentia com tudo aquilo.

    Também percebia a mão do mais novo deslizando para se libertar, mas ao sentir mais arrepios por seu corpo ao notar o caminho que seguiam, travou completamente qualquer ação que poderia ter tomado, mesmo na confusão que o beijo lhe proporcionara. Estava em um estado mental caótico o suficiente para não ter muitos sinais de que se excitaria até então, apesar de que, com a situação presente, sabia que era um risco que cedo ou tarde estaria presente. Mesmo lentamente – e contra sua vontade – aceitando a situação ao ponto de não fugir, o estímulo direto do toque do maior em seu membro fora o suficiente para um lampejo intenso de prazer percorrer toda sua extensão e espalhar-se por seu corpo, fazendo qualquer pretensão que tivesse de pensar propriamente estilhaçar-se em câmera lenta em sua cabeça. A dor da experiência anterior, o próprio constrangimento, a infinidade de razões que tinha para não querer aquilo pareciam derreter lentamente.

    Era quase uma questão de instinto que, no momento em que um ruído baixo deixara seus lábios, sendo imediatamente abafados contra os do mais novo, Rin tentasse conter também aquela reação, tendo novamente fechado os olhos ao tentar lidar com o incitamento presente. Não sabia quando havia começado a corresponder o ato, mas só notara após a perda do contato dos lábios alheios, que passaram a se trilhar por seu pescoço, deixando-o mordendo o lábio inferior enquanto apertava um dos ombros do outro com a mão, tentando segurar-se em qualquer coisa para manter-se minimamente consciente da própria situação, sentindo mais calafrios passarem por si no caminho que a outra mão alheia fizera. Já fora uma batalha perdida. Já estava aceitando aquilo bem demais. Já achava que as mãos de Harold deveriam mexer-se mais rápido, apesar de que, em hipótese alguma, falaria aquilo; mal notando que inconscientemente, seus quadris moviam-se como se para comunicar ao albino o fato.

    Passara do ódio ao outro a se odiar em questão de segundos.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Ago 03, 2015 9:12 am

    Ora. Deduzia que Rin fosse se render mais cedo ou mais tarde, mas tê-lo ali realmente entregue e desistido de relutar fez Harold soltar um riso soprado e abafado no colo alheio. Vê-lo dar-se por vencido era uma ótima sensação, mesmo que nenhuma parte do albino estivesse arrependida daquilo tudo ser um simples jogo de manipulação dele. E enquanto aquilo poderia parecer um objetivo alcançado, só o incitava mais a continuar até o limite – imposto por ele mesmo.

    A água não parecia mais tão quente em comparação ao corpo de Rin, que parecia estar ligeiramente febril; não sabia se pela situação, ou pela chuva que haviam pegado anteriormente e agora estava mostrando efeitos. Sentiu que, só talvez, teria deixado a marca de seus dedos na cintura do rapaz, depois de notar o quanto já havia apertado a região. Um lapso de que perderia o controle dos próprios atos em alguma hora lhe surgiu à mente, mas pareceu insignificante naquele instante exato, não permitindo que Harold dedicasse alguma importância àquilo enquanto podia ter toda aquela situação presa a cordas em seus dedos. Confiava o suficiente em seu autocontrole, ao menos. O aperto perdido que levara no próprio ombro chegava a ser adorável, se pensasse que agora Rin procurava um alicerce onde antes queria o máximo de distância. A mão dele tinha uma firmeza fraca, mas o contato tênue resultou numa ânsia de querer mais daquela submissão involuntária do outro. Considerava se obedecia ou não ao pedido que lhe era feito com o movimento sutil dos quadris, movendo também o membro envolvido pela própria mão. Repuxou a orelha próxima com os dentes, rindo num murmúrio, como sinal de que havia entendido o que ele queria, enquanto se atrevia a imaginar o quanto ele ficaria puto depois, por ver as marcas que havia deixado por todo o seu colo e pescoço.  Satisfação própria, apenas.

    Optou por deixar a teimosia de lado e fazer a vontade do rapaz, sincronizando um ritmo gradativamente mais acelerado ao que percebia o sexo esquentar em seus dígitos, junto a imperceptível pressão da água da banheira. Certo, aquilo também já estava começando a incitá-lo aos poucos, não chegando ao ponto de excitar-se por completo, mas já podia notar uma centelha que irregularmente se fazia presente e provocava leves calafrios e pensamentos obscenos – que eram imediatamente descartados para aquela ocasião. Deixou-se levar em alguma coisa, ao menos. Sentia-se bastante curioso quanto às reações de Rin enquanto masturbado, querendo acima de tudo ali arrancar aquele lado ilícito que não fazia parte do superficial do rapaz. Queria que ele perdesse a pose de puritano correto. Que ele perdesse aquele ar de quem conseguia se manter sóbrio sempre, sem precisar de álcool pra isso. Queria escutá-lo aumentar o volume dos ruídos que saíam de sua garganta coberta de sucções que Harold deixara. Não conseguiria manter o raciocínio acima das necessidades físicas para sempre, realmente. O que servia para o albino também. Com a perna posicionada abaixo das de Rin desde que o virara para o lado, flexionou os joelhos discretamente, o inclinando em seu colo até que o peso dele pudesse ser o único responsável por manter os corpos unidos, deixando a outra mão livre para fazer o que bem entendesse sem se preocupar em conservá-lo preso o tempo todo. Ele não iria sair mais, de todo jeito. Não seria mais necessário.

    Por sua vez, autorizou a canhota descobrir toda a extensão do corpo úmido e parcialmente submerso do rapaz, enquanto queria profundamente voltar a beijá-lo, mas preferiu mantê-lo com os lábios livres para outros fins, embora se permitisse roçar os próprios aos dele sem concluir nenhum ósculo. Mantinha a visão penetrada aos olhos azulados, apreciando o delírio exposto neles com um semblante malicioso e satisfeito. A partir dali teria atenção ao limite do loiro, já que não havia parado de incitá-lo até então. Teria também mais atenção a si mesmo, já que aos poucos percebia o que tinha cogitado anteriormente; e perder a sanidade naquela altura não teria nenhuma graça.
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    Rin Damien
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Seg Ago 03, 2015 2:06 pm

    A risada baixa contra seu ouvido era tanto incitante – e estranhava agora até a simples voz do mais novo estar causando aquele efeito, mesmo que não pensasse demais no assunto – quanto irritante. Em meio ao calor exagerado que sentia e à certeza anormal de que queria mais do toque que estava recebendo, se perguntava vagamente se seria negado qualquer coisa. Não entendia mais exatamente como chegara àquele ponto, mas esperava que não; o que fora confirmado ao que sentira claramente o ritmo da mão alheia acelerando-se no próprio falo. A consequência indesejada no aumento do prazer que corria constantemente por seu corpo era a aparente redução da capacidade do loiro de conter os gemidos baixos e ofegantes que teimavam em deixar seus lábios.

    Não se importou muito ao sentir uma movimentação abaixo de si, já tendo obtido o que desejava quase inconscientemente, sentindo os vestígios do ódio que obtivera por si mesmo se perderem, confusos, ao que mantinha o olhar febril preso ao acinzentado que o fitava, a respiração cada vez mais errática contra os lábios que roçavam contra os próprios. Pela pouca experiência sexual que possuía em seus muitos anos de vida – quase inexistente, já que não se lembrava da única que tivera – percebia pelo aumento constante do aquecimento de todos os seus nervos que não duraria muito com o estímulo contínuo do albino em si, fazendo sua coerência se reduzir ao ponto em que desviou o olhar do alheio, pressionando a cabeça, e especialmente a boca, ao pescoço do maior ao que tentava abafar os sons cada vez mais frequentes que a deixavam.

    Entretanto, também tinha uma vaga noção de que era o único que estava naquele estado. Não esperava que Harold chegasse ao ponto decadente e levemente descontrolado em que o menor se encontrava, mas havia certa estranheza no fato no outro parecer apenas se preocupar com o prazer de Rin, e não com o próprio. No estado em que se encontrava, não conseguia negar que uma parte de si queria fazê-lo se sentir tão bem quanto o que lhe estava sendo proporcionado, mesmo que ele não merecesse. A possibilidade de se conter passou brevemente pelo trem desconcertado de seus pensamentos, porém, antes que juntasse qualquer força de vontade para impedir-se, já descia lentamente com a mão que não agarrava com uma fraqueza quase desesperada o ombro alheio, passando os dígitos delicadamente pelo abdômen no caminho, antes de encontrar o que procurava.

    Enquanto não era a primeira vez que sentia o pênis de alguém sob seus dedos, quando o fazia era estritamente sob exames no trabalho. Nero, é claro, não contava, por razões fora de seu controle. Hesitou por alguns segundos, sentindo o braço trêmulo, não muito diferente do resto de seu corpo, passando a ponta dos dígitos sobre a toda extensão para ter noção de exatamente com o que estava lidando. Não se demorou no pensamento de que o albino realmente não parecia estar tão excitado quanto o loiro, já tendo planejado mudar aquilo; enfim envolvendo o membro alheio com a mão e seguindo exatamente o mesmo ritmo que era administrado a si, sentindo uma leve vontade de rir devido à própria vergonha. Quando em sua vida imaginaria que estaria fazendo aquilo? Ou que, naquela situação, passaria do ponto de querer correr para qualquer outro lugar a masturbar o maior por vontade própria? Era um completo idiota contraditório. Contudo, se não passasse daquilo, talvez não tivesse problema algum. Era agradável o suficiente.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Ago 04, 2015 7:30 pm

    Aquela era uma péssima hora pra parar pra pensar sobre o que havia feito. Sentiu como se tivesse chegado à beira de um precipício e estivesse se equilibrando nele na ponta, em um pé só. Hora de pesar as coisas na balança, até porque tinha a liberdade de fazer o que quisesse naquele momento. De todas as pessoas, conseguiu fazer Rin chegar naquele ponto, em que o mesmo aceitou por livre e espontânea vontade meter a mão onde não devia. Foi por sentir um fulgor imediato dispersar pelo corpo ao sentir os dedos trêmulos e quentes em si, que resolveu que aquela seria a hora para decidir as coisas. Mais uma vontade de rir lhe invadiu e não a conteve quando percebeu os lábios do loiro grudarem em seu pescoço, numa tentativa bastante falha e desesperada de impedir os gemidos. Que por sinal, superaram as expectativas, sentindo mais uma vez a balança pender para o lado errado, assim que percebeu que queria ouvir mais da voz do loiro. Num murmúrio excitado e respeitando esta vontade sem questioná-la, desgrudou a boca do próprio pescoço ao afastar-se ao mesmo tempo em que o puxava para trás pelas madeixas claras, na intenção de impedi-lo de conseguir abafar o mínimo que pudesse conseguir dos sons frequentes. Dali, teve um breve contato visual com o semblante tão excitado e perdido de Rin.

    De um lado, poderia fazê-lo ficar bem mais decadente do que aquilo. O mais baixo havia se conformado com a situação e havia uma infinidade de possibilidades que Harold poderia fazer para tirá-lo daquela zona de conforto que gostava tanto. Além do outro ter toda aquela iniciativa que ia totalmente contra ao que ele era e que, muito provavelmente, o faria esconder a cabeça num buraco de vergonha, se repetisse verbalmente sobre o quanto ele estava lindo enquanto masturbava o albino. O toque já havia dado resultado de qualquer jeito. Nem seu autocontrole conseguia sobrepor uma estimulação direta e embora não tivesse se entregado totalmente, conseguia calcular aproximadamente o tempo que levaria para que chegasse ao limite. E com certeza não iria chegar nem perto dele. Até porque, por outro lado, tinha a possibilidade do que não conhecia e não conseguia deduzir.

    A curiosidade foi maior do que a excitação e o desejo. Não dava pra negar a própria essência assim tão facilmente. Como ele reagiria? Ficaria puto? Ficaria tranquilo? Decepcionado, irritado, aliviado? Poderia meter nele outro dia, certo. Mas aquela era praticamente uma chance única. E o que Rin faria ao ser deixado naquele estado, sem conseguir nem o que queria antes, nem o que queria depois?

    Soltou o falo rijo do rapaz, assim que percebeu o que seriam indícios do êxtase pelas reações dele, levando ambas as mãos aos ombros menores e o afastando de si, com uma expressão taciturna. Abaixou o olhar lentamente e com a destra, também separou o palmo da própria genitália, soltando-a casualmente em seguida. Empurrou o corpo de Rin calmamente até a outra extremidade da banheira, retirando-o do próprio colo e apoiando-se de joelhos a sua frente, esboçando um sorriso que não significava absolutamente nada.

    Obrigado pelo show, mas hoje não rola. — Depositou um selar curto aos lábios dele e levantou-se, tendo que segurar o riso até conseguir sair do banheiro, enrolando a toalha nos quadris e pegando a roupa suja que estava em cima da pia.

    Ao que fechou a porta, assustou o gato que estava deitado na cama com uma gargalhada alta e indo em direção ao outro banheiro no corredor em passos largos, terminando de rir lá e de vez em quando soltando alguns palavrões. Lá fundo, estava sentindo uma certa raiva de si mesmo. Não iria conseguir tocar no mais velho tão cedo depois dessa sacanagem. Mas por tudo o que era amaldiçoado, precisava ver a cara dele ao fazer aquilo. E agora o fôlego faltava no riso enquanto se certificava que a porta estava devidamente trancada, antes que fosse assassinado ou qualquer coisa parecida. Não havia tomado banho na realidade, então terminaria ali o que tinha que fazer e também daria um final no que Rin havia começado em si. Se não começasse a rir no meio, é claro.
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Rin Damien em Ter Ago 04, 2015 9:42 pm

    A tentativa que fizera de abafar os sons que saíam de seus lábios – já que era cada vez mais difícil contê-los propriamente – falhara miseravelmente ao que sentiu seus fios sendo puxados para trás, levando a cabeça novamente para um ângulo em que fitava Harold. Não tentou reposicioná-la, sabendo que seus esforços seriam em vão; nunca parando o movimento da própria mão no membro enrijecido, acompanhando-o enquanto percebia que logo teria que também conter o aquecimento gradativamente maior no próprio corpo. Entre os gemidos baixos e entrecortados pela própria respiração, sentia as ondas de prazer que passavam por si acumularem-se em seu baixo ventre, fazendo cada vez mais difícil formar qualquer pensamento coerente contra o corpo alheio. Estava perigosamente próximo de seu limite, e apenas fechou os olhos involuntariamente enquanto se tornava cada vez mais tenso a cada segundo que se passava, sentindo-se a beira de um precipício que cada nervo do mais velho queria desesperadamente cruzar.

    Precipício em que, no fim, não chegara a cair, visto que a mão do maior parara repentinamente suas ações. Entreabrindo os olhos outra vez e reduzindo ligeiramente o ritmo da própria mão enquanto reprimia um ruído insatisfeito que queria sair do fundo de sua garganta, encarou o mais novo em uma curiosidade desnorteada enquanto os próprios dígitos eram retirados também da intimidade alheia, se perguntando o porquê da expressão anteriormente maliciosa do albino repentinamente mostrar seriedade. Em seus pensamentos ligeiramente frustrados ao que era empurrado, de repente percebeu-se hesitante novamente, imaginando se o outro iria querer levar aquilo mais longe, algo que, anteriormente, definitivamente não queria. Mas estaria em condições de negar, caso lhe fosse imposto? Harold parecia sempre conseguir o que desejava.

    Afirmação que descobriu, em alguns segundos, ser muito mais do que apenas correta. Não achava que entendera as palavras direcionadas a si, seguidas de um selar leve dos lábios, ao que encarava o mesmo ponto fixo do outro lado da banheira, apenas ouvindo o mais alto a deixar, pegar o que precisava, e se retirar do cômodo. Somente fora se mexer de qualquer forma ao que ouviu a risada alta do lado de fora, um sinal que confirmava o que Rin estava, com extrema dificuldade, tentando processar. Harold se dera a todo aquele trabalho para deixa-lo. Fora uma brincadeira fazer o loiro aceitar, mostrar a própria vulnerabilidade de uma forma que nunca havia feito antes,  o puxar  até aquele ponto, para... Sair. E rir do ocorrido.

    Não entendia exatamente a extensão da raiva que começava a borbulhar em seu peito, da irritação conjunta, e do constrangimento de ter se deixado levar, sabendo o que a expressão no rosto alheio quando chegaram no apartamento poderia significar. Achava que era só sobre sexo; deveria ter sido mais esperto. Sempre estava um passo atrás quando se tratava daquele imbecil, e ainda assim, de alguma forma, gostava dele. Seu olhar se moveu lentamente para a porta, todo o desgosto pelo outro e por si mesmo demonstrado na própria expressão, enquanto planejava diversas formas de deixa-lo inconsciente e arrastá-lo para fora de casa na primeira chance que tivesse. Não queria ver aquele rosto por um tempo, com certeza. Entretanto, ainda tinha um pequeno problema para lidar com.

    Mesmo com toda a fúria em seu interior, seu corpo ainda se mostrava perigosamente estimulado, a tontura e calor ainda presentes como um lembrete do que havia ocorrido. Olhando para baixo com olhos estreitados, se perguntava se aquela situação não era o suficiente para tirar qualquer traço dos efeitos do toque do albino de si. Aparentemente não. Talvez tomar um banho frio até que passasse? Com um suspiro pesado ao que finalmente controlava a respiração anteriormente pesada, apoiou um dos braços na borda da banheira, pressionando o rosto contra o mesmo com certa resignação. Havia ido longe demais. Havia um jeito mais fácil e rápido, tendo isto em vista. Diabos, odiava aquele homem e o poder que ele conseguia exercer sobre si. Mesmo com todo o ódio que fazia seu corpo tremer, moveu os dígitos livres para sua genitália, ainda dura e completamente incitada, como se nada tivesse ocorrido, fazendo daquilo um trabalho rápido, estando ligeiramente mais contido do que quando estava com o maior. Ironicamente, era mais fácil. Demorou apenas alguns segundos até que o próprio corpo estremecesse violentamente com o orgasmo, qualquer som abafado ao que seu rosto ainda se encontrava escondido. Te odeio, Harold.

    Ao que se acalmava do estado letárgico que não era de todo agradável graças aos sentimentos conflitantes, enfim tinha condições de se levantar, antes abrindo o ralo para esvaziar a banheira. Mesmo querendo pisar firme no chão do banheiro e seguir com uma tesoura nas mãos para encontrar o mais novo, sentia as pernas enfraquecidas, somadas a uma sensação ligeiramente familiar de cansaço que parecia ter envolvido seu corpo. Tentou lembrar-se se havia tomado qualquer coisa para prevenir um resfriando, para logo após constatar que fora imediatamente envolvido naquela idiotice. Ótimo. Fora sem prestar muita atenção no que fazia que se enfiara debaixo do chuveiro novamente, apenas para limpar-se propriamente após o ocorrido e logo após secar-se; notando com insatisfação que haviam marcas tanto em sua cintura como percorrendo todo seu pescoço e clavícula. Considerando que não era uma boa ideia arrancar a própria pele fora para não ter que olhar aquilo, apenas vestiu-se, decidindo cuidar do chão molhado tanto do banheiro quanto do lado de fora depois. Pegando um termômetro e um remédio qualquer pra febre, tacou os dois sem qualquer delicadeza em sua cama, para onde voltaria depois. Tinha um último assunto com qual lidaria antes.

    Fazendo o caminho para fora do quarto, e pela primeira vez na vida ignorando o miado de um dos gatos que estava pelo caminho, averiguou, pelo silêncio no corredor e a porta aberta do banheiro, que Harold não se encontrava ali, mesmo que houvesse indícios que outro banho fora tomado. Ao mesmo tempo queria que ele tivesse deixado o apartamento, mas antes do próprio isolamento, pretendia fazer uma última coisa. Só andava a passos lentos por sentir a própria indisposição física, senão provavelmente teria ido correndo e dado um chute na cara do outro. Mas aquilo também serviria. O localizou no sofá, com uma xícara de café e a cara de paisagem que sempre possuía. Mudando a própria expressão para um sorriso que era tudo menos amigável, se aproximou, retirando a xícara das mãos alheias e a colocando na mesa de centro. Não valia a pena quebrar algo seu no processo. Diretamente a frente do maior, apoiou as mãos nas costas do sofá, como se fosse o suficiente para prendê-lo no lugar; e seria, naquele pequeno segundo que precisava. Com um movimento direto, moveu a perna direita com força, de forma que seu joelho fizesse um contato nada agradável com a genitália agora coberta do outro.

    Sem mudar o semblante após fazê-lo e ignorando qualquer reação que o mais novo teria – certamente, riria, após a dor passar - apenas se retirou do local, voltando ao quarto e trancando a porta atrás de si. Ele merecia um pouco de dor. Ele continuaria achando engraçado o que fizera consigo, e enquanto Rin provavelmente não se manteria bravo por muito tempo, apenas ignoraria a presença alheia em sua vida pelo período que que fosse necessário para tirar a raiva do sistema. De qualquer forma, também tinha que cuidar da própria saúde, mesmo que outras atividades fossem mais adequadas para distrair a mente. Mais alguns dias sem trabalhar. Argh.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#31] Pra que isso

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Ago 05, 2015 12:22 am

    A única coisa que o obrigou a demorar um tempo acima do necessário debaixo do chuveiro, foi aliviar a excitação que ainda permanecia atuando sobre seu corpo. Acabou por rir de novo assim que terminara, ofegando com a cabeça pressionada contra o azulejo do box. Podia contar nos dedos de uma única mão as vezes que havia levado alguém para a cama por conta própria, mas só aquele mínimo ocorrido que não chegara a ser nem uma “preliminar”, já havia sido muito mais divertido, em vários sentidos. Porém, enquanto desligava o chuveiro, perguntou-se o que teria acontecido se fosse até o final. Era mais do que óbvio que não teria motivos pra rir tanto como tinha agora, mas outras coisas poderiam compensar. Ou não. É, não. Estava certo de qualquer forma. Mesmo que demorasse o tempo que fosse, poderia concluir o sexo uma outra vez. A única coisa que se arrependia, era de não ter gravado um áudio dos gemidos de Rin em algum lugar, pra atormentá-lo com aquilo pro resto da vida dele.

    Depois de sair do banheiro, percebeu que o outro ainda estava fechado e ocupado pelo menor. Adentrou o quarto com um miado de Nie, que parecia não querer sair da cama até ver seu dono são e salvo. Deu de ombros para o gato, procurando onde havia deixado a muda de roupas da última vez que dormira no apartamento do loiro, encontrando depois de poucos instantes. Como já conhecia bem a casa alheia pela quantidade de vezes que a frequentava, sabia onde deixar as roupas sujas e onde pegar café que, embora não fosse fresco, café era café. Contemplava a ideia de cair fora e deixar Rin tomar o tempo que gostaria sozinho, mas a chuva do lado de fora não tinha dado trégua mesmo depois daquele tempo que passara. Não se lembrava de ter visto que iria dar aquele temporal em alguma previsão de tempo online. Descansou o celular na palma da mão enquanto o polegar deslizava pelo que lhe interessava e pelo que não tinha necessidade de abrir, mas abria por falta do que fazer.

    Sentou-se no sofá pensando no jeito em que o loiro viria. Se seria ignorado, se apanharia, muitos “ses” de possibilidades. Tomou um gole do líquido não tão quente como gostaria, mas apenas o gosto da cafeína já era um agrado. Distraiu-se olhando para o celular novamente, lendo inutilidades de pessoas inúteis que conhecia, até detectar sons de que a segunda pessoa da casa estava se locomovendo por aí. Não pensou em acompanha-lo até notar a aproximação alheia pela visão periférica e ao levantar a cabeça para encará-lo, teve a caneca tirada de si e colocada sobre a mesa. Lá vinha bomba, ok. Assim que o loiro se aproximou, Harold fez uma careta e fechou os olhos com força, esperando o que viria com certeza depois daquele sorrisinho. Até que uma facada na genitália e nos rins o paralisou numa dor aguda que nublou mais ainda sua visão já embaçada, empurrando o tronco para frente, como se aquilo fosse amenizar alguma coisa. Viu a vista nublar pelas laterais durante alguns segundos, enquanto uma pressão em sua cabeça se fazia presente ao que levava as mãos por cima da calça e deitava o tronco no sofá. Enfiou a cara de óculos e tudo na almofada e esperou aquela merda passar, ao que lá no fundo vinha aquela vontade de rir da situação assim que o som da porta do quarto batendo soou pelo resto da moradia.

    Rin estava bem puto. Aquela era a resposta, então. Que gracinha.

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    Re: [#31] Pra que isso

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      Data/hora atual: Qua Out 18, 2017 10:48 am