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    [#06] Treinamento / Update — HAROLD

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    Harold Wilhelm
    Capricórnio

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    [#06] Treinamento / Update — HAROLD

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Jul 14, 2015 10:50 pm

    Há alguns anos eu pesquiso sobre isso e também, confesso, foi uma das razões para ter aceitado o seu treinamento que Abel me pediu. Muitas dessas informações apenas ele e o Conselho sabem, pois é algo que envolve muito mais do que segurança da sociedade e a paz dela. Você precisa saber pois, inevitavelmente, se envolverá. Se trata de poder e uma energia grande o suficiente para isolar toda uma área apenas para ela mesma residir. Não foi fácil acha-la, pois em determinadas áreas do planeta não é incomum achar zonas completamente inabitadas e intocadas pelo homem. Há contextos históricos sobre nativos nômades de áreas próximas, que já obtiveram contato com esta energia, mas não conseguiram extrair absolutamente nenhuma informação dela, a não ser sua própria existência. Então eu mesma resolvi tirar minhas próprias provas. Isto foi antes de conhecer Hawk. Eu era repleta de uma curiosidade pelo desconhecido, que poderia ter sido fatal para mim. Pesquisei os pré-requisitos necessários e na época, me infiltrei sozinha na floresta, onde eu sabia que encontraria a fonte deste poder e não foi só por sorte que consegui sair viva de lá. Sem o que eu queria, é claro. Mas com algumas respostas.

    Não fazia muito tempo que Ophelia, sua mestra temporária, havia lhe contado sobre o envolvimento dela com algo que a mesma julgava necessário para a conclusão de seu treinamento. Levara a pedra que lhe foi dada no momento que foi admitido como regente do décimo signo, pois a mesma seria necessária – mesmo que não soubesse a razão exata. Não lhe despertava tanta curiosidade ao ponto de pensar nos motivos para aquilo, mas tinha consciência de que não seria uma tarefa qualquer e ao menos, precisava ser sério ali.

    Acima de tudo que a mulher havia o feito passar pelo bem de seu treinamento, o albino poderia jurar que tinha crescido alguns poucos centímetros de altura – precisando reparar duas vezes as próteses mecânicas, com a ajuda de seu irmão, para que ficassem proporcionais ao resto do corpo. Por mais imperceptível que fosse a diferença, atrapalhava seu desempenho e pelo menos para aquilo, Ophelia deixava os irmãos em paz. Seu corpo havia ganhado uma resistência muito maior e a mulher soube apurar em todos os pontos as características únicas do Gene sobre seu corpo e mente. Estava mais forte, mais ágil e aprendera com mais facilidade a se adaptar às limitações que a terapia havia o incubado. Ao contrário de muitos treinadores, Ophelia não fazia a menor questão de conduzí-lo a valores morais e éticos. Harold foi treinado como um animal sendo adestrado: apenas o que precisava fazer e fim. Em muitos pontos, o albino considerava aquilo bem menos problemático do que achou que seria no começo. Em outros, sabia que aquilo não era tudo e em muitos casos, a mais velha dava sinais de que estava deixando algo para o final. De nada adiantaria pensar sobre coisas que não lhe dariam nada além de teses em cima de teses, então resolvera naturalmente ignorar tais detalhes e percorrer com o que tinha de ser feito.

    Até a própria se pronunciar. E por fim dar ao rapaz algo a que pensar e relembrar desses pequenos detalhes que pareciam questões em branco. Ainda não podia constatar nenhuma ligação direta, mas as coisas lhe davam a suave impressão de estarem conectadas. Quando sentiu uma leve sensação de intriga, se vira já a caminho de seu destino.

    Não é qualquer um que consegue entrar naquele lugar e sair sem nenhum arranhão, ou se tiver menos sorte, vivo. O que costuma ser mais comum. Minhas cicatrizes são confundíveis demais para te dizer quais delas eu ganhei no dia que entrei naquela mata. Na hora, não soube diferenciar o que me atacou. Só escutei ruídos e mais ruídos. Era como se meus próprios passos na terra batida estivessem me perseguindo. Mas ainda consegui sair. Mas porque era eu. Outra pessoa teria morrido ali mesmo. Mas também por ter sido eu, fui expulsa do lugar. Mas você, Harold, você tem o que eu não tinha para conseguir o que eu queria. E jamais terei. Você é o atual escolhido, então só você será aceito pisar naquela terra e descobrir seus segredos. Esta será a sua tarefa. E não se atreva a sair de lá sem tê-la concluído.

    A nave que viajava junto com sua mestra era grande o suficiente para habitar toda uma equipe. Nada o surpreendia ali, exceto pela quantidade de tempo que levaram viajando por fora da Nave Central. Passaram por tantos tipos de relevos que os mapas que tinha memorizado chegaram a se confundir uns com os outros em sua mente. Quando um dos chefes de equipe sinalizou que estavam próximos ao ponto de chegada, Harold pôde sentir um calafrio que não fez sentido algum inicialmente. Estando sentado no fundo de onde seria uma grande ala, na parte frontal da aeronave, precisou apenas levantar-se e andar até o painel de visão, extenso o suficiente para enxergar do chão ao céu sem precisar mover a cabeça. Mas o que lhe interessava, estava no chão. Ignorou a ordem de Ophelia para que parassem a nave, mantendo-a no ar apenas flutuando por cima de uma mata densa o suficiente para não enxergar o solo. Um tapete verde escuro e um rio largo rasgando o local como veias, que pareciam não ter fim no horizonte. Uma névoa pouco densa cobria mesmo a mais alta das folhas das árvores e parecia, ao longe, se fundir com as nuvens cinzas no céu, que tampavam parcialmente a iluminação diurna.

    É aqui que você desce, Harold. — A voz feminina e forte que Ophelia tinha avisou-lhe o que já sabia. Bufou, sentindo parte de seu corpo negar o que tinha que fazer, o que produziu mais algumas indagações instintivas sobre o que viria dali pra frente. Mas virou-se nos calcanhares, seguindo a mais velha até a parte traseira da nave, onde se abriu uma enorme porta verticalmente, deixando o vento livre da altitude invadir. A mulher o acompanhou até o limite de seu trampolim. Não lhe dera para-quedas nem absolutamente nenhuma arma branca. Apenas um olhar seco e frio, devolvido na mesma intensidade pelo rapaz. Ouvia o som das turbinas gigantes da aeronave estarem próximas, sendo todas que permitiam aquela grande montoeira de metal flutuar graciosamente num ponto único há uma altitude de algumas muitas milhas do chão. E foi dessa altura que Harold colocou um pé para fora da nave, deixando-se cair conforme a gravidade o puxava ferozmente.

    O zunido do vento em seus ouvidos não o distraía de sua concentração em meio a queda precisa, onde já mentalizava sua trajetória para diminuir o impacto assim que entrasse pelas folhagens das árvores. Anulava a curiosidade do que poderia encontrar por baixo daquele verde morto, os olhos acostumados com a forte ventania que a atmosfera atribuía ao seu corpo enquanto era puxado violentamente pela gravidade. Ao chegar uma certa distância das folhagens mais próximas, sentiu ter atravessado algo. Como se tivesse mergulhado numa lagoa calma e seu corpo fosse a única coisa a movimentar as ondas. Havia dado um tipo de sinal. Um sinal de sua presença. Inclinou o corpo para baixo até inverter a posição que estava verticalmente, dando um tiro para baixo com a palma da mão esquerda, abrindo um buraco nas folhas das árvores. Mergulhou de cabeça ali e com a mesma mão que atirara, agarrara um galho que considerou ser forte o suficiente para aguentar tanto seu peso quanto a pressão que usaria ao girar o corpo por baixo do mesmo, até conseguir contorná-lo e então pôr-se de pé neste. De cima, teria uma boa vista da nova paisagem que não dava para ver até então. As árvores pareciam ser de espécies semelhantes, que seguiam um padrão de tamanho e grossura. Mas dali, podia-se ver algumas menores e mais finas. Nenhum sinal de animais e nem mesmo o som de pássaros. Ao longe era possível ouvir o som das águas do rio mais próximo, mas fora aquilo, o silêncio era absoluto.

    Considerando que fosse comum, o tiro que havia dado anteriormente fora mais um alarde, desta vez gritante, de sua presença. Mas imaginava que sua missão ali não era se esconder de nada, então, seria até bom que seja lá o que fosse que tivesse de ver ali, o encontrasse. Descera da árvore num salto sutil, abrindo caminho entre os arbustos sem um rumo preciso. Olhara em volta, procurando memorizar os pontos marcantes de cada local para não ficar andando aleatoriamente em círculos feito uma anta. O silêncio ainda era incômodo, mas o som do rio ficava mais alto a cada árvore que atravessava. Os feixes de luz que entravam pelas minúsculas brechas das folhas altas, permitiam que a iluminação próxima ao solo não fosse tão escassa assim. Poderia dizer que havia perdido ao menos vinte minutos caminhando em linha reta, estando certo de que cada local era novo. Finalmente, pôde ver a margem de um riacho, onde as árvores finalmente davam sossego e abriam espaço para a luz entrar com mais facilidade.

    A água era cristalina e dava para ver que era rasa, mas por alguma razão, não havia peixe algum. Aquele bosque não tinha animais. Eram quilômetros e mais quilômetros de pura terra, água e vegetação. Seja lá o que fosse que vivia ali... Não permitia qualquer outra presença além da própria naquele local.

    Você é insolente.

    Ao pisar na água para atravessar até a margem mais próxima, sentiu que o tempo, a demora e todo o silêncio abaixaram sua guarda. A voz que escutara parecia vir de uma extremidade infinita do riacho, indo até a sua outra infinidade, passando pelos seus ouvidos como um insulto de sua própria mente.

    Insolente.

    Seus pés não saíam mais da água. Não saíam mais da terra abaixo da água. Antes que pudesse reagir com qualquer meio de tentar atacar, deu-se conta de que não havia nada ali que serviria de alvo. Não conseguia sequer levantar uma perna para fora da água. Estava preso ali, maravilha. Observou os arredores, na esperança de detectar algo que pudesse estar controlando aquilo. Silenciosamente iria modificar as duas próteses nos canhões e sua intenção seria destruir uma grande área num raio de alguns quilômetros, para certificar de que realmente não havia nada fora do seu campo de visão, escondido entre os arbustos ou atrás das árvores.

    Mas o plano ficou apenas em sua mente, quando de ambas as margens, raízes semelhantes a espinhos se atiraram da terra contra si e pôde sentir suas próteses pararem de lhe obedecer, assim que foram atravessadas, contornadas e esmagadas. Apenas ouviu os curtos da energia delas que perdia sua estabilidade, tal como o metal que rasgava a pele artificial que cobria a parte mecânica, ao ser retorcido pela pressão das plantas. Tentar sair dali finalmente parecia ser uma opção distante e precisava pensar em algo rápido, ou acabaria descobrindo se suas próteses seriam as únicas coisas a serem esmagadas ali ou não.

    Você é uma vergonha para mim, Harold.

    E então parou. Suspirou fundo, revirou os olhos e decidiu finalmente parar de debater-se e dialogar com aquele ser duvidoso que parecia repudiá-lo bastante. O que não lhe era nenhuma novidade.

    Ok. Eu provavelmente estou aonde você bem quer que eu esteja, não é? Agora vai dar pra mostrar a cara ou está com vergonha? — Debochou, não se sentindo na necessidade de aumentar o tom de voz. Seja lá o que fosse aquilo, estava lhe escutando muito bem.

    Porém, não esperava que a água a sua frente, juntamente a terra abaixo dela, começasse a se deformar e unir-se junto as folhas caídas e ao solo da margem, até subirem num montante considerável e formarem uma imagem que lhe lembrava muito...

    Não abuse da sorte, garoto. Não estou inclinado a lhe oferecer tanta assim. Você tem me envergonhado e insultado meu nome. Orgulho está longe do que sinto ao me oferecer sua visita. Sua existência é a escória do que a humanidade não precisa mais e infelizmente, a tem de sobra. E sua arrogância por se sentir especial diminui mais ainda qualquer valor que você possa ter. Não lhe sobrou nada em seus insignificantes anos de vida e por isso, tenta suprir a falta tirando dos outros o que você também não tem. Isso não me dá satisfação. E também não dá a você mesmo. Porque afinal, nada lhe satisfaz. Um ser com tão pouca vontade de viver não serve para mim.

    A imagem da cabeça de um bode feito de terra e água lhe insultando também não era uma boa razão para sentir vergonha do que lhe era dito. Mas, talvez pela energia a que era submetido por estar preso ao solo e a vegetação dali, intimamente conectadas... Talvez aquela seja a razão pela qual não conseguia retrucar. A escultura que se movia a sua frente emanava uma aura esverdeada que banhava todo o chão com correntes de energia. O bosque inteiro estava ligado a ele. Não. O bosque era ele. Ou ela. A Constelação de Capricórnio havia possuído todo aquele local. Sua energia abrangia tudo aquilo tridimensionalmente e, agora conseguia ver. A sensação que teve antes de entrar na floresta era a de entrar na zona energética da constelação, como um inseto caindo na teia de uma aranha.

    Não está feliz em me ver. Certo. Não vim aqui tomar chá, nem nada do tipo, não precisa se preocupar com isso. Há algo de que preciso e só você pode me dar. Então... Você me dá, eu caio fora e nós dois ficamos felizes. — Encarou os que representavam os olhos da imagem, com dois buracos fortemente iluminados.

    Não vejo razão para isso. Você não saberia me explicar se eu lhe perguntasse por que precisa disso. Porque você não precisa de verdade, não é, Harold? Sua vida é algo pequeno até para você mesmo e tudo o que você enxerga é o que pode ou não tirar proveito do seu presente, ignorando o seu futuro e cuspindo no seu passado. Mas a troco de quê? Por que eu lhe daria algo que não lhe representa valor algum?
    O que você quer... Está no seu bolso.


    A pedra? Então era para isso que Ophelia havia dito que precisaria dela.

    Mas o que eu posso lhe dar, é algo bem diferente. Você quer força inutilmente, Harold Wilhelm. Não lhe darei nada que não faça por merecer. E nada do que você me dê em troca será de valor equivalente do que você deve ao mundo, garoto insolente. Das vidas que tirou, das mentes que torturou, das almas que jogou no limbo por diversão insaciável e sem escrúpulos. Eu poderia fazer de sua carne um adubo para a minha terra e o mundo giraria sem sequer se importar com a sua falta. Mas eu não mato filhos meus.

    A boca da imagem do animal abrira desproporcionalmente e toda a energia a sua volta agitou-se subitamente, até concentrar-se onde deveria ser sua garganta, numa esfera esverdeada.

    Você é incapaz disso, eu entendo. Não pode se convencer do contrário pois seu coração está imerso no vazio. Mas eu posso convencê-lo. Eu o disciplinarei, Harold. Eu disciplinarei sua mente e seu coração. Até onde eu possa me orgulhar de chama-lo de filho de Capricórnio. Até onde você possa merecer qualquer dádiva minha.

    O que pareceu ser uma eternidade para o rapaz, toda a dimensão do imenso bosque pulsou num compasso lento, porém intenso, a cada segundo que o tempo ali contava. A intensa energia parecia ser absorvida por todo seu corpo, entrando principalmente por seus olhos, boca, nariz e ouvidos. Raciocinar ali era quase impossível e não soube entender absolutamente nada enquanto sentia cada célula sua invadida pela energia gigantesca da constelação. Não encontrava lógica alguma no que estava acontecendo e o que aconteceria depois daquilo era uma incógnita tão grande que todos os seus pensamentos dispersaram e restou apenas um grande mar de nada em seu consciente. Quando seu físico absorveu todas as ondas de energia que haviam em volta do lugar, o bosque aquietou-se como nunca. O corpo de Harold, liberto das raízes lentamente, caiu inconsciente na água calma do riacho raso.

    O Tempo não pode ser medido, não pode ser racionado, não pode ser limitado, não pode ser calculado, não pode ser teorizado. O Tempo é absoluto. O Tempo é o Universo. Una-se ao Tempo e o Universo o entenderá como parte dele. Assim como suas enzimas são parte de você. O Tempo é vida e o Tempo é morte. O Tempo é criação e o Tempo é destruição. E no fim de tudo, o Tempo ainda existirá. Você não precisa ter uma vida efêmera tão pouco ligada ao que pode ser maior do que imagina. Como prova do que você não conseguiu enxergar durante seus curtos anos... Eu lhe deixarei experimentar o Tempo.




    Ao abrir os olhos, percebeu o céu escuro e estrelado. O vento tranquilo movia as folhas das árvores que conseguia ver por visão periférica. Respirar era fácil naquele lugar. Ergueu as costas afim de sentar-se, percebendo que até então estava envolto pela água do riacho que se lembrava bem. Pôs-se a observar a água correr por suas pernas, observando um ponto aleatório enquanto sua mente não pensava em mais nada. Finalmente passou a visão pelos dedos de suas mãos, percebendo que estavam intactos, assim como o resto das próteses. Pareciam não ter sofrido dano algum anteriormente, mas aquilo não surpreendia o albino. Não quando tudo havia sido esclarecido a si internamente. O metal das próteses agora não estava mais conectado à carne do corpo de Harold. Sentia o sangue bombardeado pelo coração correr por seus pulsos. Sentia os nervos de sua pele detectarem o ar gelado da atmosfera e a temperatura baixa da água. Mas ainda havia metal ali. Ainda havia uma arma ali. Em cada membro. Mas também havia carne e sangue. Estava unido a máquina e ela a si.

    O que acontece se quebrar? — Perguntou, sabendo que seria escutado. Estava calmo e compreensivo, não percebendo que os fios brancos de seu cabelo haviam crescido consideravelmente, assim como a cor avermelhada de seu olho verdadeiro havia modificado para prata.

    É a minha energia que corre em você. Não vão quebrar.

    Virou-se para trás, podendo levantar-se finalmente e sentir que os pés não estavam mais obrigados a permanecerem dentro da água. Mas manteve-se ali. A imagem da constelação era agora formada pela própria energia dela, sem precisar do físico dos elementos que continham ali. Voltava a iluminar o ambiente, agora ainda mais que não havia luz do dia.

    Você viu e sentiu mais do que muitos humanos poderiam suportar, rapaz. Creio que agora possa me dar motivos para aceita-lo como meu guerreiro. O que eu lhe mostrei não é algo que está dentro da sua capacidade, mas treinará o suficiente para chegar no que lhe será útil e acima disso... Útil para quem te acompanha. A sua pedra lhe mostrará o que fazer quando precisar. A eternidade que passamos juntos no seu inconsciente não passou de algumas horas fora do seu corpo físico. É o suficiente para que entenda que seus desejos são pequenos e sua vida é curta. Mesmo que nada pareça valer a pena, você pode fazer com que pareçam. Pessoas, objetos, lugares... Para o Tempo, nada disso importa. Mas ao mesmo tempo, sem nada disso, um segundo e uma era não teriam nenhuma diferença. Abra os olhos e veja para o que você foi feito. Cumpra sua função e dê razão a sua existência com isso, guerreiro de Capricórnio.

    Assim que a imagem da constelação se dispersou por completo entre as árvores do bosque, por todas as direções, Harold manteve-se em silêncio durante alguns poucos minutos. Naquele momento, parecia ter um controle tão grande de seu corpo e de sua mente que sentia-se capaz de tudo. Quanto tempo havia passado enquanto estava inconsciente? A relatividade do tempo de sua mente era infinitamente distante do tempo físico, daquele plano. Agora podia ter uma visão tão ampla das coisas que sentiu-se extremamente ignorante, vazio e inumano durante toda sua vida. Seus desejos psicológicos pareciam tão pequenos agora, que poderia considera-los inexistentes dali por diante. Talvez, toda a operação que havia passado a pedido de Abel tivesse sido desnecessária diante do ângulo de visão que tinha agora.

    Percebeu a falta da pedra em seu bolso, mas já sabia bem o que havia acontecido com ela, não se importando com aquele detalhe. Estalou o pescoço e os ombros, finalmente subindo a margem do riacho e fazendo o caminho de volta por onde veio. A camisa que vestia, rasgada em algumas partes, mostrava os pequenos fragmentos esverdeados que sobressaíam pela pele albina, fazendo uma trilha por sua coluna vertebral. Contava os segundos de cada passo. Contava os segundos de cada pausa em sua respiração. Contava os minutos que levara até voltar ao começo.  O tempo, sentia o tempo. E tudo o que carregava com ele. E diante disso, ganhava prioridades.

    Pois agora, carregaria o tempo.

      Data/hora atual: Sab Dez 16, 2017 7:46 am