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    [#32] Viadagem

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    Rin Damien
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    [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Ter Ago 04, 2015 11:49 pm

    Da mesma forma que tinha uma facilidade quase ridícula de ficar doente, era com a mesma que se recuperava de ditas doenças – normalmente resfriados e gripes comuns – quando estas o assolavam. Após ter conseguido se livrar de Harold, ou melhor, ele ter deixado o apartamento por vontade própria após certo tempo; mesmo que ligeiramente estressado além de enfermo, Rin ficara de cama por apenas alguns dias antes de julgar estar bem o suficiente para voltar ao trabalho. E isto, é claro, envolvia compensar o tempo que fora perdido por idiotice. Por não ter tomado nada e se deixado levar em uma das brincadeiras do albino. Não sabia exatamente quanto tempo não iria querer olhar para a cara do outro, mas uma semana direto no hospital fora o suficiente para que quando acabasse aquele turno de trabalho, sabendo que ainda teria que fazer horas extras no salão depois, estivesse o menos preocupado possível sobre o que fora feito consigo.

    Quando tinha que passar períodos extensos trabalhando como residente de medicina, havia se acostumado a ingerir quantidades não muito saudáveis de café e energético que eram o suficiente apenas para mantê-lo funcional. Quando até isto falhava, tirava cochilos de pouquíssimas horas em uma pequena parte do hospital que possuía beliches especialmente para médicos de plantão, ou na sala que vários doutores usavam para as pausas, se não estivesse disposto a andar até uma cama. Ao que enfim terminara o último dia que precisaria estar ali, sentia que precisava de ao menos dois dias dormindo direto, sem interrupções, para ter qualquer semblante de energia correndo por seu corpo novamente. Não havia vindo de carro, sabendo que voltaria naquele estado, e andar ou pegar o ônibus para casa parecia trabalho demais. Normalmente o faria, contudo, agora tinha outra opção que poderia usar, e decidira que era uma hora perfeitamente conveniente para parar de ignorar a existência daquela pessoa.

    Harold havia se mudado para uma casa nas proximidades do hospital assim que conseguira dinheiro suficiente após ter sido expulso da mansão dos Wilhem. É claro, mandou uma mensagem perguntando se poderia descansar lá, já que no fim das contas, se estivesse sendo inconveniente, não apareceria; um contraste do comportamento que o mais novo às vezes apresentava. Tendo obtido uma confirmação que seria bem vindo, se esforçou apenas em manter os olhos abertos até chegar no local que, apesar de tudo, não visitara muitas vezes. Ao finalmente atingir o lugar, tocou a campainha, resistindo a vontade de apoiar o rosto na porta para cochilar por alguns segundos. A falta de cafeína por algumas horas em um corpo cansado demonstrava um efeito crítico, como sempre.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Ago 05, 2015 1:21 am

    Não entendeu direito o que acontecera. Tá, na verdade entendeu sim, mas não entendeu exatamente o porque de ter acontecido tão do nada. Desde que saiu do apartamento de Rin uma enxurrada de responsabilidades e problemas desnecessários desabou em Harold, quase com um belo de um karma pelo que tinha aprontado com o mais velho. Já estava meio acostumado em sempre se ferrar de algum jeito a cada merda que fazia. Alguém lá em cima tentava colocar o albino na linha a todo custo. Primeiro: o gato começou a vomitar coisas estranhas que não eram bolas de pelo. Lá se foram dois dias indo ao veterinário. Inteiros. Um porque a espera estava gigantesca e lhe foi pedido para que voltasse no dia seguinte. Neste, a espera estava gigantesca de novo e recusou ter que voltar no terceiro dia por causa da incompetência alheia. Por que essa gente tinha tanta dificuldade em administrar as coisas de forma organizada? A terceira dificuldade era o remédio do gato, que precisava ser dado diariamente durante dois meses. Ele havia arrumado uma infecção sabe-se lá onde e lhe foi recomendado que o deixasse dentro de casa durante a maior parte do tempo. Resultando num felino irritado e inquieto que fazia a cara e as mãos de Harold de arranhador toda vez que precisava engolir aquele maldito comprimido. Mas certo, não conseguia odiar o bicho mesmo assim. Apegou-se a ele depois de conviver noite e dia naquela casa, só os dois. Pegava-se conversando com o felino às vezes, por sinal, como se estivesse conversando com Zion.

    Mas estaria tudo ótimo se a lista de problemas não tivesse aumentado. 96% de seus professores da faculdade resolveram marcar prova pra uma única semana. Que alegria. Entender a matéria era fácil. A quantidade dela que era o problema. Precisou varar algumas noites, comer e limpar a casa com um livro na mão a maior parte do tempo. Claro, Gotham agora tinha criado a bela mania de derrubar todas as lixeiras da casa. E por alguma razão, o prato de comida estava virado também. Em cima da comida.

    Que que é? Tá revoltado? — Perguntou ao gato branco, que o olhou como se não tivesse feito absolutamente nada. — Vai comer do chão pra largar de ser babaca. — Iria botar a comida de volta depois que terminasse de ler o livro. E provavelmente o gato já sabia disso, porque não reclamou de nada quando deu meia volta e deixou o prato do mesmo jeito.

    Os dias se seguiram com visitas técnicas a audiências que serviriam como atividades complementares, mais provas e uma bela sequência de monitoria já que seu belo professor precisou viajar sabe-se lá por quê. Naquele dia em específico, havia feito três relatórios, um fichamento e duas provas de duas horas cada uma. O que diminuía bastante sua lista de compromissos, embora precisasse apresentar mais dois trabalhos no dia seguinte, mas era algo que já havia sido preparado por ele sozinho, já que o resto do grupo era inútil. E enfim, era só aquilo, além de uma palestra que precisaria assistir até voltar pra casa. Havia deixado o carro em casa por não estar se sentindo racional o suficiente para dirigir naqueles últimos dias. Ainda precisava dar o remédio de Gotham quando chegasse. Por que dera esse nome pro bicho? Por que o sinal em frente a universidade fechava e ainda tinham carros que passavam? Por que tinha um babaca de humanas fumando maconha ao seu lado? Seria legal uma invasão alienígena naquele exato momento pra abduzir toda a humanidade e deixa-lo sozinho no planeta. Seria muito legal.

    Sentiu o celular vibrar num sinal de que era a existência de uma das poucas pessoas que não havia silenciado no aparelho, pois tinham a conveniência de raramente se comunicarem por ali. Rin. Franziu o cenho. Esperava que não fosse algo muito cansativo ou que exigisse da capacidade mental do albino, pois toda aquela exaustão estava dando a Harold uma grande vontade de mandar tudo que continha carbono no mundo ir pra puta que pariu. Inclusive Rin. Mas certo, ele nunca lhe foi motivo de perturbação e por vezes tinha a mesma habilidade estranha de Arthemis de acalmar o mais novo. Talvez a presença dele pudesse ser uma boa coisa. Mesmo que ele pudesse estar meio puto ainda por tê-lo sacaneado, já que desde então não trocaram figurinhas com a mesma frequência até ali.

    Confirmando que o outro poderia visita-lo enquanto voltava para casa, foi o tempo de chegar e sequestrar o gato pra sua sessão de automutilação. Desta vez estava com um pouco mais de sorte pelo bichano ter dado uma dormida no telhado e conservado certa tranquilidade, mesmo ainda levando um arranhão na clavícula sabe-se lá como e um antebraço retalhado. Mas pelo menos ele engolira o maldito remédio. Escutou a campainha tocar enquanto lavava o mínimo de sangue das novas feridas, rapidamente passando um álcool iodado por cima e xingando pela queimação até alcançar a porta e passar até o portão. Tinha interfone. Por que saíra? Caralho.

    Ótimo, comecei a retardar. — Reclamou em voz alta mesmo, porque já estava pouco se lixando. Agora que estava ali mesmo, abriu o portão e encarou o loiro que também estava com uma aparência péssima. — Que bom que eu não sou o único na merda aqui. Entra, vai. — Comentou, esperando-o adentrar para bater o portão até que trancasse pelo impacto. Trancou a porta depois de ambos dentro de casa, vendo Gotham subir em cima do sofá e julgar o visitante dali de cima num miado arrastado. — Quer café? — Surpreendentemente, havia dado um jeito de aprender a fazer café, mesmo sendo na cafeteira. Morando sozinho, não ia ter que sair pra comprar café nos lugares e gastar dinheiro com algo que poderia fazer em casa. Seria incompetência demais. Sentiu-se meio ridículo por toda sua vida não saber fazer algo tão simples, mas certo, vivendo e aprendendo. Ao menos era algo que se disponibilizava a fazer sempre e obviamente, só estava de pé e consciente por estar quase 100% a base de cafeína.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Qua Ago 05, 2015 1:51 am

    A voz do outro o acordou repentinamente, não tendo percebido que realmente havia dado de cara no portão ao espera-lo. Ninguém precisava saber. Endireitou-se, o olhar sonolento ganhando um toque de diversão ao ver o estado alheio ao que fora finalmente recepcionado. Não sabia que caminhão havia passado por cima de Harold, mas deveria ser um parecido, ou maior, do que o que passara por si, e o fato dava uma pequena satisfação interior ao loiro. Mesmo que não estivesse mais bravo, havia certa beleza em karma chegando em quem precisava. Talvez até tivesse comentado sobre os cortes recentes, se não deduzisse rapidamente a razão e não aguentasse mais ter que tratar dos pacientes que apareciam por sua frente. Cumprimentou-o com um aceno de cabeça, também concordando com o que fora dito - por pura preguiça de ser verbal sobre o assunto - logo após adentrando a casa e avistando uma das coisas mais importantes do local. O gato.  

    Havia dado o nome de Gotham para o bicho, após notar que o mais novo o deixara sem um por um período de tempo suficientemente grande, a ideia surgindo graças apenas à estupidez do mesmo durante a noite. Enquanto seu plano era fazer a linha mais reta que conseguisse até o quarto, parou um momento para coçar atrás das orelhas do felino. Mesmo que tivesse a mesma cara de desprezo do dono, não era de avançar apenas por afeição em um lugar inofensivo. Virou-se novamente para o maior ao que fora questionado sobre uma das coisas que o mantivera vivo nos últimos dias e, surpreendentemente, balançou a cabeça em negativa. – Não, obrigado. Já tomei o suficiente pra algumas vidas esses dias. Dormir. Você tem cara de que deveria, também.  – E fora tudo que dissera, seguido por um pequeno bocejo que cobrira com a mão ao que seguiu o caminho que lembrava dar para o quarto do outro; mesmo que pudesse apagar no sofá, se quisesse. Mas queria uma cama, já que planejava horas indefinidas de sono até que vivesse de novo. Tendo atingido seu objetivo, deixou a mochila que carregava em um canto, não se preocupando em trocar de roupa ao deitar no colchão que, naquele momento, parecia mais macio do que qualquer nuvem.


    Última edição por Rin Damien em Sex Set 04, 2015 12:34 am, editado 1 vez(es)
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Ago 05, 2015 8:20 pm

    Dormir. Um arrepio gelado lhe correu por toda a coluna vertebral. Demorou para processar o que aquilo queria dizer, embora a reação tivesse sido imediata. Dormir era uma palavra medonha. Há quantos dias não pregava os olhos por mais de quinze minutos? Riu de maneira nervosa e ao mesmo tempo cansada em resposta ao conselho do mais velho, até virar o corredor para pegar mais café, que embora Rin não quisesse, ele queria. Era um viciado mesmo. Do jeito que tinha todo o trabalho do mundo para conseguir dormir por mais de três horas normalmente, com o nível de cansaço mental e físico que estava, acordaria depois desse exato período com, além de exaustão, sonolência – e muito provavelmente com o mau humor dobrado. Era uma péssima ideia dormir naquele momento. Havia acabado de tomar café. Muito café. Não iria dar certo mesmo. Mas permitiria que o loiro descansasse em seu quarto enquanto contemplava algumas horas de falta do que fazer, já que sua próxima obrigação era inadiavelmente só no dia seguinte.

    Ah, que delícia que era escutar o barulho da lixeira da cozinha caindo e rolando. Terminou o café da caneca e a colocou dentro da pia calmamente, virando-se para o lado e olhando pra cara de Gotham, que o olhava de volta com aquela expressão comum de “Não fiz nada, tá olhando o quê?”

    Vou te transformar num tamborim. Sério. — Ameaçou o bicho, enquanto o mesmo saía do cômodo tranquilamente. Encarou o lixo largado pensando se poderia deixar aquilo pra... Depois. Mas é, poderia dar merda se o gato resolvesse comer qualquer coisa dali e tivesse que tomar mais remédios. Não queria perder os membros do corpo dando mais comprimidos pra Gotham. Recolheu a bagunça toda e resolveu jogar fora logo, antes que o gato resolvesse repetir a brincadeira. Após aquilo, encarou o caminho que dava para seu quarto. Rin provavelmente já estava no terceiro sono, pela cara que ele fazia quando chegou. Aquilo parecia ser uma enorme chance de implicar com ele de diversas formas, mas no estado atual de Harold, o máximo que sentiu foi uma profunda inveja de alguém que conseguia dormir tão rápido só por se sentir “exausto”.

    Encarou o relógio na parede fazendo tic-tac. Encarou tanto que já estava fazendo tic-tac junto com o ponteiro. Inspirou fundo sentindo-se profundamente lesado e inútil, depois de calcular quanto tempo poderia dormir se tentasse e conseguisse. Poderia também esperar o efeito do café passar enquanto estava deitado. Andou até a sala pra se jogar no sofá mesmo, mas metade dele estava sendo ocupado pelo gato grande e gordo. Que miou desgostoso assim que percebeu o que seu dono queria fazer. Não estava mais afim de limpar lixeiras ou de mais feridas no corpo, então deixou o bicho ali mesmo. Se Rin ainda estivesse traumatizado pela brincadeira que fizera, que pulasse a janela então, porque iria deitar na cama mesmo e que se fodesse o resto. Abriu a porta do quarto em silêncio, já naturalmente descalço e jogou-se no colchão ao lado do loiro, sem nem se preocupar em alcançar a cabeça no travesseiro ou colocar uma das pernas sobre a cama. Tinha mais facilidade em dormir de forma desconfortável. Provavelmente o movimento na cama acordaria o outro, mas ele poderia pegar no sono de novo se quisesse. Harold manteve-se quieto, apenas lembrando de que tirar os óculos seria legal, largando-os na parte do colchão livre.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Qua Ago 05, 2015 9:10 pm

    Não devia ter demorado nem um minuto para pegar no sono após ajeitar-se de lado na cama, o colchão e travesseiro macio debaixo de sua cabeça fazendo um bom trabalho em prover o conforto necessário para que não se mexesse mais por quantas horas fossem. No entanto, pareceu que uma quantidade ainda menor de tempo se passara até que abrisse os olhos repentinamente em reação a um peso caindo a seu lado na cama. Harold havia decidido tentar dormir? O estado físico alheio denotava o quão caótico ele parecia estar, mas não deixava de ser uma raridade vê-lo querendo pegar no sono por conta própria. Focando-se em um relógio no canto do quarto, constatou que apenas alguns minutos haviam se passado desde que deitara, e o susto o acordando apenas servira para lhe deixar ainda mais exausto.

    Se perguntava como o mais novo conseguia viver à base de tão poucas horas de sono, especialmente já que presumia que alguma hora o café não fizesse mais tanto efeito quanto deveria. Ele próprio estava preparado apenas para fechar os olhos novamente e virar-se para o outro lado, sem se preocupar com qualquer possível assédio desde que aquela situação ocorrera, por uma variedade de razões. Provavelmente o outro não tinha disposição para tentar nada naquele momento, e se tentasse, Rin provavelmente dormiria na cara dele. O albino não era propenso a tais atos, para começo de conversa, a não ser quando se sentia... Inspirado? O loiro não sabia dizer. Mas sabia que não era o que ele estava ali, então qualquer preocupação era nula. Contudo, continuou parado, fitando o corpo ao lado do seu com o semblante sonolento passando a incluir uma pequena curiosidade. Devido à insônia, talvez nem daquela forma Harold conseguisse dormir.

    Talvez fosse merecido, e talvez fosse parte do karma que pensara anteriormente; entretanto, ao sentir as próprias pálpebras pesarem irremediavelmente, era atingido por um certo sentimento de compaixão pela situação do outro. Nunca em sua vida quisera ou tentara ficar aquela quantidade de tempo acordado por vontade própria, nem tivera dificuldades para dormir, fora a única vez que parecia ter sido muito tempo atrás. Graças ao albino, também. Movendo o braço que não havia enfiado inconscientemente embaixo do travesseiro, e sem pensar muito no que fazia, levou a mão ao rosto alheio, movendo com leveza os fios de cabelo bagunçados de modo que não caíssem sobre os olhos fechados em uma tentativa, provavelmente frustrada, de dormir. Após tê-los arrumado de alguma forma, passou a fazer um carinho igualmente delicado no cabelo do maior, esperando que, mesmo que minimamente, o gesto o ajudasse com a tentativa de descanso. Ainda se sentia um idiota por gostar dele, depois de tudo. Mas era uma parte de si que, com ajuda da exaustão, não estava muito preocupado se demonstrava ou não.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Ago 06, 2015 9:08 pm

    Parado, naquele estado, sem o menor sinal de que o sono viria e ao mesmo tempo com o corpo incrivelmente relaxado pelo colchão, parecia uma grande tortura. Encarava um ponto inexato além do Rin deitado ao seu lado, na esperança frustrada de que o sono fechasse seus olhos. Inútil. Suspirou pesado, tentando cerrar os orbes como se aquilo fosse ajudar a insônia desaparecer. A quantidade de pensamentos em sua cabeça parecia ter sido toda focada se ainda tinha coisas pendentes para fazer, se Gotham iria bagunçar mais alguma parte da casa, se tinha salvado os arquivos do trabalho no pendrive direito e mais uma onda de pensamentos inúteis de problemas que não existiam e não fazia o menor sentido ficar pensando neles. Mas mesmo sabendo disso, seu cérebro parecia se negar a querer desligar, o forçando repassar tudo o que havia feito até então, na procura de alguma falha. Diabos, nunca pensava nisso e justo quando não precisava era atolado por aquelas coisas desnecessárias.

    Quando já estava por um triz de desistir de tentar dormir e considerando a alternativa de jogar alguma coisa, não esperava que Rin ainda estivesse acordado e menos ainda disposto a lhe fazer um agrado na cabeça. Talvez tivesse perdido o sono? Era estranho, já que o outro nunca havia tido dificuldades para dormir, exceto quando Harold resolvia assustá-lo com assuntos que o deixasse amedrontado durante a noite. Não iria contestar o carinho, era... Estranhamente bem vindo. Sua mente pareceu desacelerar o acúmulo de informações, o que tranquilizou o maior até limitar-se apenas em aproveitar o afago sem pensar muito sobre. Era raro Harold se cansar com obrigações, até porque não as achava um problema. Gostava de ter o que fazer e mesmo quando parado, sentia a necessidade de colocar ao menos a cabeça sempre ativa. Mas nem mesmo ele resistia a uma carga tão intensa de responsabilidades atoladas sem ao menos uma trégua temporária. Ali, sem saber julgar de forma coerente se estava raciocinando direito ou não, sentiu a tensão diluir aos poucos e já que a interferência de Rin estava funcionando, deduziu que mais daquilo lhe permitiria dormir depois de um tempo. Impulsionou o corpo para a direção dele, já que estava virado para o mesmo e numa posição inferior, podendo facilmente enfiar o rosto abaixo do tórax alheio. Pensou em ajeitar-se melhor, mas ia dar trabalho. O cheiro de Rin era suave e quase imperceptível e fora o que era natural do corpo alheio, nas roupas o odor lembrava o de hospital – que na opinião do albino, não era ruim também. Com certeza era pela quantidade de tempo que o estudante de medicina passava trabalhando, assim como Arthemis. Decidiu que se concentraria em sentir o cheiro dele. Era a maneira mais prática de fazer o cérebro parar de pensar em futilidades. Não é como se já estivesse pensando direito, de qualquer forma.

    Passou o braço por cima do quadril alheio por comodidade, percebendo que ficar de olhos fechados não iria fazer o sono vir mais rápido, então num suspiro derrotado, semicerrou as pálpebras e encarou o tecido da camisa do rapaz. É, só aquilo não o faria dormir. Mas ao menos o havia acalmado e toda a irritação e inquietação que tinha se esvaía aos poucos. Inconscientemente a mão foi de encontro às costas do outro, na altura da cintura, onde moveu a ponta dos dedos sem qualquer intensidade ou força, como se devolvesse o afago que lhe fora dado na cabeça. Da mesma forma em que o toque revelava ter nem um mísero pingo de malícia. O albino em si não fazia a menor ideia de que estava fazendo aquilo e não era por conta de sono. Estava mesmo ficando retardado e talvez o efeito do café já não estivesse mais fazendo o trabalho que tinha que fazer. Roçou o nariz contra o tecido macio da camisa do loiro, se considerando suficientemente confortável e se dependesse dele, ficaria ali durante o tempo que Rin quisesse dormir, mesmo que ele próprio não conseguisse pegar no sono.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Qui Ago 06, 2015 10:14 pm

    Não pensava muito em como o outro iria reagir, já que se de qualquer forma ele não conseguisse dormir, logo levantaria da cama para tentar se distrair. Continuou o afago, se esforçando para manter a consciência ativa, mesmo sendo uma uma tarefa impossível manter os olhos abertos. Surpreendeu-se novamente ao sentir um movimento a seu lado e, repentinamente, a cabeça de Harold encostada a seu corpo. Havia aceito melhor que esperava, então. Um pequeno sorriso cansado se formou no rosto do loiro ao que também afeição se juntava às sensações vagas que passavam por sua mente, parecendo aquecer seu interior agradavelmente. Se era raro vê-lo dormir, era mais ainda ter qualquer momento de proximidade daquele tipo, já que os dois não faziam questão daquilo quando estavam juntos. Não era algo ruim de se ter de vez em quando,  constatou.

    Suspirou levemente ao que o carinho lhe era retribuído nas costas, decidido não contestar qualquer ação vinda do albino, visto que ele deveria estar tão afetado quanto a si pela carga, fosse de estudos ou trabalho, depositada em seus ombros. Não perguntara, apesar de tudo. Teria até rido, se estivesse com disposição para tal, ao que o mais novo lhe lembrava um gato ao roçar o nariz na camisa de Rin. Moveu lentamente o carinho que fazia do topo da cabeça alheia para os fios esbranquiçados da nuca, o abraçando preguiçosamente contra si; os movimentos cada vez mais lentos devido ao relaxamento e conforto absurdos que aquele momento o proporcionava. Entretanto, tentava apegar-se à realidade e segurar-se mais um pouco. O maior provavelmente não dormiria tão cedo, mas nos segundos que pudesse ajuda-lo a relaxar, mesmo estando profundamente esgotado, queria fazê-lo. Provavelmente pegaria no sono sem sequer notar.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Ago 07, 2015 7:48 am

    Nunca ligou para aquele tipo de proximidade, realmente. Lhe fazia tanta falta quanto dormir. Mas – para ambos – não era uma sensação ruim quando acontecia tão naturalmente. Era um fator tão irrelevante para si que sabia viver sem se lembrar que carícias como aquela existiam, da mesma forma que não possuía qualquer aversão quando se faziam presentes. Graças a isso ter o mesmo nível de importância para Rin, aquela deveria ser a primeira vez que se encontravam naquele estado. Não sabia ao certo. Não prestava atenção em detalhes como aqueles e quase sempre quando se disponibilizava a fazer, era com alguma intenção maliciosa ao fundo. Daquela vez, não tinha a menor vontade de se mexer. Exceto para devolver o abraço que lhe fora dado, unindo o corpo ao dele enquanto o calor alheio lhe relaxava o suficiente até que soltasse um suspiro exausto, sentindo finalmente que sua mente havia cedido a uma trégua. Um bocejo veio repentinamente contra a camisa do loiro, dando a Harold a constatação final de que estava com sono. A maneira gradativa com que os dedos do loiro desaceleravam em sua nuca foi quase que ritmada com o nível de consciência que o albino se encontrava. Conhecia aquela sensação com uma certa nostalgia. Rin merecia uma medalha por conseguir fazer o mais novo, em pleno estresse e sob pressão mental, ficar finalmente sonolento depois de um longo período com contínuos surtos de insônia.

    Não tinha a menor ideia de quando apagara. Se lembraria apenas do afago já quase imperceptível de Rin cessar de vez, sinalizando de que o mais velho havia adormecido antes dele – o que não era nenhuma surpresa. Mas ao acordar, o outro ainda estava inconsciente. Suspirou pesado, sentindo que não tinha descansado o quanto seu corpo precisava e, em meio aos braços imóveis do loiro, virou a cabeça com certo esforço para olhar o relógio na cabeceira da cama. Três horas de sono quase em ponto, salvo talvez, uns oito minutos a mais. Que belo relógio biológico inflexível. Não iria dormir de novo e isso era uma certeza absoluta. Sentiu a cabeça latejar por um momento e quando achou que havia sido passageiro, a dor voltara e se tornara contínua. Talvez pelas poucas horas de sono e com a exaustão ainda presente. Rin, por sua vez, não parecia ter nem sinal de que acordaria tão cedo. Livrou-se dos braços dele, inconscientemente tendo o estranho cuidado para não acordá-lo com aquilo. Um miado discreto soou pelo quarto e logo uma bola de pelos esbranquiçada saltou pra cama, no meio dos pés de Harold. É, ele deveria estar faminto. Deixaria o loiro ali, de todo jeito. Era exatamente quatro da manhã e Sol ainda estava começando a raiar. Não sabia exatamente se a claridade daqui a um tempo seria suficiente para acordar o mais velho de seu estado letárgico, mas faria o favor de fechar a persiana de forma que mantivesse o cômodo escuro o suficiente. Seus dias tinham sido péssimos, mas não era o único ali que estava precisando descansar. E se o loiro o havia ajudado a ganhar pelo menos algumas horas de repouso, não lhe custaria devolver o favor. Observou distraído o rapaz que jazia no colchão, pensando em absolutamente nada, quando percebeu que o gato ia meter a pata no nariz alheio por ser insuportável e não gostar de ver ninguém não lhe dando atenção. Tirou o bicho dali antes que o fizesse, praguejando sobre o quão pesado e gordo ele estava, em meio a um ronronado de desagrado. Saiu do quarto junto ao bichano, tratando de tocar a vida e cogitar comprar um remédio pra dor de cabeça, enquanto pensava no que pediria pra almoçar. Afinal, não sabia cozinhar.

    Deixar Rin em seu quarto não lhe traria problema algum e se ele estava tão tranquilo sobre dormir tanto, é porque não tinha mais o que fazer naquele dia. Ainda era cedo demais e precisaria ir pra faculdade apenas depois de três horas. Como era final de período, não precisaria assistir mais aulas após apresentar os trabalhos que havia feito. Talvez pudesse ir e voltar sem que Rin acordasse ainda. Comeu qualquer coisa que havia na geladeira como um pré-café da manhã e tomou um banho pra ver se amenizava a dor em suas têmporas e o cansaço instalado em cada um de seus músculos. Procurou manter-se ativo o suficiente para que não acabasse se arrastando até cair no chão e ficar de vez. Agora que já havia se entregado ao sono, sair dele era bem pior do que não tê-lo. Foi nesse ritmo que quase dormiu com a testa encostada na porta de vidro do box. Antes de sair, apenas tratou de verificar se a visita ainda estava submersa no mundo onírico e constatando que sim, decidiu cobrir o corpo dele com uma coberta. Não estava relativamente frio, mas a temperatura do corpo diminuía ao dormir e o tempo em si também não estava tão agradável pra ficar ali dando sopa pra resfriado. E era o que Rin mais fazia na vida.

    Só foi perceber que estava agindo de um jeito que não combinava consigo após fechar a porta em silêncio. Gostava de perturbar a vida do loiro quase como se sua existência dependesse daquilo. Adorava deixar ele puto até ficar vermelho de raiva e agora estava cuidando dele?

    Eu tô doente... — Constatou baixo para si mesmo, decidindo que seria realmente viável cuidar daquela dor de cabeça antes que ela virasse uma esquizofrenia. Mesmo que não fizesse sentido nenhum. Seria bom também tratar daquela mania de falar sozinho em voz alta, que já estava se tornando bem frequente também. Talvez pelo fato de morar sozinho com um gato. O que também não fazia nenhum sentido, já que o animal não precisava ouvir o que ele tinha a dizer.

    Ir e voltar parecia ter acontecido num piscar de olhos, já que as apresentações ocorreram bem e graças a tudo que era sagrado no mundo, seu professor não era de dar discursos longos conclusivos. Estava livre? A vida parecia ter parado de fazer sentido no momento em que caiu a ficha de Harold que não tinha mais o que fazer naquele período. Não sabia dizer ao certo se aquilo era um alívio ou uma perturbação, pois sentia que logo teria que arrumar o que fazer. Mas pensar nisso depois de descansar mais era uma boa ideia. Sua cabeça ainda parecia ser pressionada pelo ar e sua visão embaçava sozinha pelo sono algumas vezes. Não havia comido nada depois do “pré-café da manhã” que acabara sendo sua única refeição matinal de fato. Exceto pelo café que comprara na rua no caminho para a universidade. Mas aquilo era de praxe.

    Nenhum sinal de nada perambulando pela casa então, ou Rin havia acordado e ido embora, ou ainda estava em seu quarto. Após largar os sapatos na entrada e atravessar o caminho da porta até o quarto, confirmou a possibilidade que era maior: o loiro nem havia se mexido. Certo, ainda tinha umas duas horas até o almoço e até que não aguentasse mais de fome. Talvez, com sorte, conseguiria dormir até lá. Diferente de como havia feito na primeira vez, não se jogou no colchão. Apenas se enfiou debaixo da coberta, sentindo a diferença de temperatura abaixo dela e afundando o rosto no travesseiro, de óculos mesmo porque nunca lembrava de tirá-los. Credo, nunca havia gostado tanto da própria cama. Aquilo seria um perigo se virasse um hábito. Mas por enquanto, se daria o direito. Retirou o objeto do rosto antes que o entortasse de alguma forma e suspirou quando sentiu que o sono não era suficiente para fazê-lo ficar de pé, mas também não era suficiente para fazê-lo dormir de imediato. Que grande merda. Inconscientemente encarou o rosto adormecido do loiro, enquanto se perguntava intensamente como ele conseguia fazer aquilo. Parecia que estava morto até, exceto pela respiração. Não acordava com fome, não acordava com ruídos, não acordava. Só. Se questionando tanto sobre, o albino acabou não percebendo que encostara a testa na dele, como se fosse permitir que lesse a mente do rapaz. Ele tinha a mesma expressão serena até quando dormia. Imaginava se, quando precisasse acordá-lo, jogar o gato na cabeça dele seria suficiente.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Sex Ago 07, 2015 10:35 am

    Em instâncias como aquela, quando precisava de mais horas de sono que o normal para se sentir vivo novamente, era normal que Rin não sonhasse. Era como se seu corpo pausasse completamente, incluindo o cérebro; e enquanto sabia que quando acordasse não iria parecer ter passado tempo algum, também poderia sentir inteiramente os efeitos de ter permanecido parado sobre a cama por tantas horas. Mesmo antes de abrir os olhos, ao que a consciência retornava lentamente, sentia-se pesado, cada músculo relaxado e mais revigorado do que estivera em muito tempo. Em algum canto de sua mente, onde os pensamentos começavam a trabalhar preguiçosamente, sabia que não havia dormido tanto o quanto conseguia naquelas ocasiões. Mesmo com o corpo descansado, sentia vestígios de sono aos quais poderia muito bem submeter-se novamente.

    No entanto, mesmo com o conforto, sentindo-se estranhamente aquecido – e constatando que havia uma coberta sobre si – a mente voltava no próprio ritmo à ativa, se perguntando se fora Harold que a colocara lá. Que graça. Deveria estar cansado, mesmo. Esperava que o outro tivesse conseguido algumas horas de sono. Curiosamente, mesmo sabendo que deveria ter dormido muito mais que o albino se ele o tivesse feito, sentia um corpo quente a seu lado, e uma pressão leve na testa que denotava um rosto próximo. Enfim, vagarosamente forçando as pálpebras a se abrirem, mirou os olhos acinzentados aos quais faltam os óculos, que o encaravam de volta sem qualquer expressão específica. De alguma forma, não se assustara, apenas piscando algumas vezes para focar a própria visão, sem vontade alguma de se mexer. – Bom dia. – Sentia a voz baixa lhe cortar a garganta, fazendo-o notar uma necessidade de água; o que o levou a pensar também no estômago vazio, no qual não prestou muita atenção.

    Levantando a cabeça brevemente para olhar o relógio, constatou que já havia dormido mais do que uma boa noite de sono, o que, no estado de exaustão anterior, não poderia ser considerado muito. Sentia que apenas teria toda a energia de volta ao dormir mais um pouco, ou, em alternativa, tomar um banho para acordar de vez. Talvez os dois. Voltando a apoia-la no travesseiro e retornando ao contato anterior, também notou no breve movimento que o maior já se encontrava com outras roupas. Provavelmente havia saído, pelo horário. Não questionara o que estava acontecendo com a vida alheia, e pela primeira vez, se perguntou se poderia realmente se dar ao luxo de permanecer ali. Não que o mais novo fosse ter qualquer problema em expulsá-lo, se não pudesse. Porém, preferia tentar ser o menos inconveniente possível. – Tudo bem ficar por aqui mais um pouco? - Seu tom possuía a suavidade de sempre, como se realmente não se importasse em ter que sair se fosse necessário. Quase inconscientemente, havia movido o corpo para mais perto do outro, passando o braço por cima das costas do albino de forma que, como na noite anterior, os dedos acariciassem toda a extensão de uma área de forma a confortá-lo. Não parecia que ele havia descansado anteriormente, se fosse julgar pelo rosto extremamente próximo ao próprio. Talvez, pela presença alheia na cama novamente, estivesse procurando justamente àquilo. E se Harold fosse dormir, o loiro também se daria ao direito de cochilar mais um pouco; desta vez garantindo o sono do mais novo.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Ago 07, 2015 7:41 pm

    Fora pego de surpresa ao que observava os cílios claros fechados moverem-se aos poucos, revelando os orbes azuis um tanto perdidos pelo despertar. Não estava contando que ele fosse acordar sozinho, mas o pensamento fora cortado com a voz moída pela longa inércia que o organismo dele havia se colocado. Se perguntava se garganta seca poderia ser uma perspectiva, pelas horas que ele havia passado sem beber ou ingerir absolutamente nada. — Boa tarde. — Respondera a saudação, mesmo que ainda estivesse dentro do horário da manhã, indicando também que ele já estava acordado há um bom tempo. Mas o próprio timbre não estava no seu normal, saindo mais rouco e arrastado, devido à falta de disposição e uma enorme preguiça até para verbalizar qualquer coisa. Suspirou uma vez, tendo um mínimo atraso de raciocínio com a pergunta levantada. Franziu o cenho enquanto fechava os olhos, pensando se realmente não tinha mais o que fazer naquele dia. A rotina ocupada praticamente o condicionara a esquecer daquela realidade. De que poderia ficar deitado o dia todo se quisesse, sem fazer porra nenhuma. Ou, bem. Quase.

    Pode ficar, só não tem comida. — Não sabia se o loiro havia vindo preparado para passar a noite ali, mas caso não estivesse com dinheiro suficiente, o albino não se importava em pagar. Só realmente não tinha nada digno para comer que pudesse ser chamado de almoço. E Harold vivia muito bem sem dormir direito, mas sem comer... Não rolava. — Depois pensamos nisso. — Finalizou, com preguiça de ter que falar mais ou pensar em sugestões naquele exato momento. Havia deitado ali para tentar dormir. Se começasse a tentar imaginar qualquer coisa para ser feita, podia dizer adeus a qualquer esperança de pegar no sono de novo.

    Por pouco não agradeceu pela carícia nas costas, percebendo que aquilo já estava se tornando quase um requisito para ajudá-lo a dormir. Mas imaginava se o nível de lerdeza alheio estava igual ao da noite passada, como o próprio estava, ou se Rin realmente estava fazendo aquilo para agradá-lo de algum jeito. Como lidar com aquilo? Harold estava dormente até para fazer autorreflexão, então desistiu antes mesmo de começar; resolvendo chutar qualquer consideração lógica para fazer ou não alguma coisa a respeito da situação. Deixou-se agir conforme queria e do jeito que seu corpo pedia, passando os braços pelo tronco do mais baixo, trazendo-o para si em um enlace firme e como sinal de que aceitava e gostava daquela proximidade dele. Escorregou o rosto minimamente pelo travesseiro até anular a pouca distância entre os dois, pressionando os lábios aos de Rin inconscientemente. Percebia que o havia feito só depois de sentir a textura da boca alheia, embora para o ato, notar ou não era indiferente e apenas se permitiu aproveitar o contato quente bem lentamente. Separou os lábios sem sequer aprofundar o ósculo, pois se não estava disposto para falar ou pensar, beijar menos ainda. O contato havia sido espontâneo sem nenhuma intenção maliciosa, o que era perfeitamente compreensível no estado lânguido que Harold se encontrava. Lembrou-se da dor que sentia na cabeça e que ainda estava lá, mesmo que tivesse se distraído dela. Talvez passasse se dormisse. Se não, teria que se render a algum remédio em algum momento. Mas assim como todo o resto... Deixaria pra depois.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Sex Ago 07, 2015 9:36 pm

    Não comentou o fato de ter visto que não era tarde ainda, levando o comentário como confirmação de que o albino deveria ter estado de pé por um tempo considerável antes de voltar à cama. Sentia a cabeça pesando no travesseiro enquanto observava as mudanças de expressão, o incentivando a voltar a dormir, mesmo que a vontade não fosse tão predominante quando na noite anterior. A resposta que obtivera, no entanto, fizera o sorriso mínimo voltar a sua face, pensando vagamente que provavelmente era hora de Harold aprender a cozinhar alguma coisa, visto que das outras vezes que viera ali, também não tinha comida alguma disponível. Estava disposto a ajuda-lo, mas como o outro dissera; depois pensamos nisso.

    A própria sonolência e demonstração de afeição que acreditava vir da mesma não era questionada, visto que o maior aparentemente estava em um estado pior que o do loiro. Que nem no dia anterior – e desta vez um pouco mais consciente – surpreendia-se ao ser envolvido pelos braços alheios em uma aceitação do carinho que fazia, aproveitando o calor dos corpos juntos ao que a própria letargia aumentava gradativamente. Semicerrou os olhos ao sentir os lábios contra os próprios, pressionando-os sem força alguma contra os do mais novo, nunca cessando os movimentos leves dos dígitos pelas costas alheias. Era estranhamente confortável tê-lo tão próximo, sem qualquer indício de malícia com que normalmente teria que se preocupar. Ao que separaram os rostos, selou novamente os lábios brevemente, antes de mudar o foco da mão que lentamente fazia o caminho das costas do albino, levando-a ao rosto do mesmo. Apenas segurou-o por um momento, deixando o polegar correr pela superfície da face que passara a conhecer tão bem. Uma nostalgia estranha crescia em seu peito, junto a uma vontade que definitivamente não sentia sempre, de cuidar da pessoa à sua frente pelo tempo que conseguisse.

    Engraçado, para quem apenas se irritava com Harold na maior parte do tempo.

    Moveu os dedos para os fios prateados de cabelo quase inconscientemente, fazendo o mesmo afago da noite anterior, com esperança que surtisse o mesmo efeito. Desta vez, porém, sabia que tinha a capacidade de segurar a própria consciência, e fora com certa admiração que observou, pela primeira vez que se lembrava, as pálpebras do outro aos poucos se fechando, a respiração se ajustando até atingir um ritmo pacífico, que anunciava que ele havia caído no sono. Apenas aí permitiu que os próprios olhos se fechassem, satisfeito com o resultado, ainda sem parar com o carinho até que estivesse completamente inconsciente.

    Desta vez, quando se sentiu emergir de seu subconsciente novamente, estava definitivamente mais energizado. Era extremamente agradável ter o outro corpo contra o próprio, mas nem aquilo nem o sono embaçava mais seus pensamentos, e ao abrir os olhos, sentia-se finalmente pronto para viver outro dia. Ainda encarou por alguns segundos a face adormecida do albino, entretanto. Sabia o quão difícil era para que ele dormisse, e que quando Rin levantasse, perturbaria o pouco de descanso que o mais novo havia conseguido ter. Decidindo por permanecer ali mais um pouco, apenas planejou o que deveria fazer. Um banho, definitivamente. E havia uma dor em seu estômago que era um aviso drástico para que comesse logo, além da necessidade presente de um copo d’água. Talvez fizesse um café depois. E provavelmente pararia alguma hora para brincar propriamente com o gato, também, sem precisar negar sua apreciação por felinos. E como se fosse convocando, antes que pudesse impedir a ação da bola de pelos branca, repentinamente esta pulara entre os dois, achando um pequeno espaço para andar e ser notado pelo dono e a visita. Certo, lá se fora o pequeno momento de paz que tentava dar a Harold. Movendo o braço, acariciou boa parte da extensão do pelo de Gotham, que miou alto, satisfeito ao ter alguém lhe dando atenção. Sabendo que com tudo aquilo o albino já deveria ter acordado dez vezes, comentou em um tom divertido. - Acho que Gotham precisa de você.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Ago 08, 2015 2:19 am

    Podia jurar que havia sonhado com ET’s com cabeças de gato tentando concluir uma experiência humana, que se baseava em unir o DNA de ratos com o de pessoas. Mas antes que pudesse entender o que diabos aquilo significava, a realidade misturou-se no sonho de maneira confusa onde a cabeça de um ET era exatamente idêntico a Gotham e foi com muito esforço que conseguiu distinguir que era realmente o gato próximo a si e que já estava acordado. A piadinha do loiro foi ignorada durante os segundos que Harold levara para despertar a consciência totalmente, até ser finalmente entendida e uma risada sonolenta e forçada foi emitida como resposta. Empurrou a cabeça de Rin para o lado oposto, com a mão na cara dele, fazendo a mesma coisa com o gato, que rapidamente virou e barriga pra cima e prendeu as patas dianteiras em seu braço.

    ... Não é assim que se chama o Batman. — Seguiu com a brincadeira, bocejando em seguida assim que se sentava na cama e retirava a mão do rosto do loiro. Coçou a cabeça num movimento lento e tentou se situar no mundo. Que horas eram? A preguiça de virar o corpo era suficiente para que preferisse deitar de novo e esticar o braço para cima até pegar o relógio e constatar que era uma da tarde. Ok, batera seu recorde de horas de sono por dia. Esperava que aquilo não fosse resultar numa dificuldade maior ainda pra dormir depois, quando Rin não estivesse ali para ajudar. Mas, dando pouco importância aquilo, continuou o assunto, já que não tinha nada melhor pra fazer. O quarto estava escuro ainda e recolocando o relógio de volta no lugar, do lado dele havia um brinquedo que jogava para o gato brincar sozinho quando precisava fazer outra coisa. Era um chaveiro com uma pequena lanterna e um desenho, que o albino ligou e apontou para a parede – após novamente sentar-se –, onde formara o contorno de um morcego de asas abertas no centro da luz. — É assim que se chama o Batman. Da próxima vê se faz direito, gato inútil. — E jogou o chaveiro de forma que ele rolasse pelo colchão e caísse da cama, atraindo o felino que deu um pulo desesperado atrás do objeto.

    Precisava levantar e ver se Gotham havia feito mais alguma algazarra na casa, como ele costumava fazer quando era deixado sozinho por longas horas e sem poder sair pra passear. Teve vontade de deitar de novo, mas não dormiria, então seria desnecessário. De alguma forma, sentia-se bem melhor, mas ao mesmo tempo com uma leve prostração pelas horas extras de inércia na qual não estava acostumado. Com naturalidade, voltou a atenção para Rin, apoiando os cotovelos nos joelhos. — O que a gente vai comer? Não tem comida, eu avisei, né? — Não se lembrava com exatidão o que havia dito ou não enquanto estava com sono. — Tem ração. Se estiver servido. Acho que o Gotham não se importa. — Proferiu, sério, como se fosse realmente uma possibilidade, embora fosse óbvio que era brincadeira. — Você trouxe roupa, por sinal? Ou decidiu passar aqui de última hora? — Questionou, ao finalmente reparar direito que Rin estava com a mesma roupa que havia chegado e dormido direto com ela. Não se lembrava de ter alguma coisa dele ali sobrando, mas pela diferença de tamanhos, podia se dar ao luxo de emprestar algo próprio para o mais baixo, que caberia tranquilamente. Havia perguntado por costume, apenas.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Sab Ago 08, 2015 2:38 pm

    Não pôde evitar o sorriso entretido em seu rosto, mesmo ao que ele era empurrado pela mão do maior. Ainda que por uma razão idiota, não se arrependia por um momento sequer de ter dado aquele nome ao gato, já que os trocadilhos provavelmente durariam pela vida toda do animal. Ao ter a face livre, achou espaço para sentar-se na cama, juntando as mãos e esticando os braços para cima de modo que conseguisse se espreguiçar devidamente, sentindo boa parte de seus ossos estalarem ao fazê-lo. Mesmo que descansado e enfim energizado, era óbvio que seu corpo estaria levemente atrofiado pelo longo período de inércia. Também passou a mão pelas madeixas loiras, constatando que o pedaço que havia estado no travesseiro por aquele longo intervalo estava ligeiramente para cima, e uma parte dos fios havia escapado do rabo de cavalo, o que era normal. Sempre esquecia de tirar aquilo pra dormir; provavelmente só lembrava para tomar banho, já que tinha que lavar o cabelo. Apenas retirou o prendedor, ajeitando os fios bagunçados com a mão, sabendo que voltariam para o lugar com facilidade, antes de prendê-los novamente.

    Entre isso, observava a interação de Harold com o gato, seguindo o felino com o olhar ao que ele surtava com o brinquedo jogado. Sentia falta dos próprios bichos de estimação, mesmo que eles estivessem sendo devidamente alimentados por um vizinho que sempre lhe fazia aquele favor quando passava algum tempo fora. Ao menos, já que eram muitos, também não ficariam solitários. Esperava que Newt estivesse sobrevivendo bem em meio aos maiores, mesmo que nunca houvesse tido qualquer problema com estranhamentos. Foi trazido de volta de suas divagações sobre gatos ao notar uma pergunta dirigida a si, e voltou-se ao albino, lembrando-se do que pensara antes de cair no sono pela segunda vez. A questão da roupa, também, teria que dar um jeito, já que planejava tomar um banho ali. Talvez pudesse lavar as suas, e já que o mais novo perguntara, não achava que seria um problema em pegar algo emprestado.

    - Tenho certeza que a ração de Gotham é maravilhosa, mas acho que prefiro comida, mesmo. Que aliás, é hora de você aprender a fazer, em vez de ficar gastando sempre que tem fome, não é? – Sabia que em questão de dinheiro, o outro preferia tudo que fosse econômico, então duvidava, ao menos que a preguiça fosse astronômica, que sua sugestão seria negada. Se no fim fosse, com o desconforto que a fome estava começando a trazer, faria algo de qualquer forma. – Não é tão difícil. Te dão tudo o que você precisa e como precisa fazer nas receitas, e a não ser que vá se aventurar por coisas desnecessariamente complicadas, não tem nenhum mistério. – Sempre se impressionara com a capacidade de algumas pessoas de cozinhar mal, sendo que qualquer receita era um manual de instruções em que, se fizessem tudo corretamente, não havia onde errar. Imaginava que desastres culinários se davam por falta de atenção exagerada, e, se quisesse ser um pouco mais direto, incompetência. – Posso ajudar com isso. – Completou, suavemente, enfim olhando as roupas que usava, amassadas pelo período em que dormira. – E isso... Bom, tenho uma muda de roupas que também usei no hospital, então está no mesmo estado. Se pudesse lavar, seria ótimo.

    Era implícito que precisaria de outras roupas naquela instância, mesmo que não planejasse passar tanto tempo como invasor da casa alheia; naquela noite, ou no dia seguinte no máximo teria que ir embora, também porque o emprego no salão o chamava. Tomava banho em suas pequenas pausas no hospital, mas era apenas inconveniente trazer dez roupas para passar um plantão, então dependendo do tempo que passaria recluso, se virava com uma ou duas mudas para quando precisava, o que não achava realmente agradável. Mas aprendera a se virar, e com a grande quantidade de preocupações que tinha enquanto trabalhava, aquela terminava sendo a última em que pensava.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Set 04, 2015 1:25 am

    Com certeza a opção de fazer a comida era mais prática, mais independente e mais barata de se alimentar, do que pedir por delivery todas as vezes. Algumas atendentes já reconheciam sua voz e alguns entregadores já haviam feito amizade... Com Gotham. De fato precisava aprender a se virar de uma forma ou de outra e se tinha alguém experiente para orientá-lo: por que não aceitar?

    Já que ofereceu... Tá certo, então. Só que não tem nada de útil ou cozinhável na geladeira. E creio que você não vá querer ir ao mercado comigo usando as minhas roupas. — Dizia, sorrindo na direção do loiro, frisando a última parte. Deitou para o lado e alcançou com o braço esticado o criado mudo ao lado da cama, recolhendo o celular que estava ali em cima. — Me diz o que terá no cardápio e o que preciso comprar. Eu já dei uma saída hoje mais cedo, posso sair de novo enquanto você toma banho. Anota aí pra mim. — Proferiu antes de soltar um bocejo involuntário, espreguiçando-se para frente até alcançar os pés com as mãos. Roupas, né? Provavelmente não tinha nenhuma calça que coubesse na cintura de moça que Rin tinha - também não se lembrava de ter as do tipo reguláveis. A não ser que ele quisesse cair de cara o tempo inteiro, graças a uma calça fora do lugar. Harold coçou o queixo por alguns momentos, pensativo, tentando lembrar-se de basicamente todo seu guarda-roupa antes de conferir manualmente as opções. Mas tinha mais ou menos uma ideia do que emprestar. Levantou-se do colchão, deixando Rin listando seja lá o que precisaria comprar para almoçarem dignamente. Foi o tempo para que voltasse com uma camisa, que normalmente ficava ligeiramente folgada no próprio albino.

    Ajoelhou-se na cama com uma perna só, sendo suficiente para se aproximar do menor e espiar o próprio aparelho, tendo uma pequena noção da quantidade de coisas. Não era muito, pra falar a verdade. Estava sempre acostumado com os empregados da cozinha da mansão voltando com mil e duzentas compras. Se não precisaria de carro, já era uma grande vantagem. Sorte, pois o mercado mais próximo ficava há duas esquinas de distância, apenas. Deixou a veste que Rin usaria no colo do mesmo, percebendo só agora que tinha reduzido bastante a distância de um para o outro só naquela espiada de celular. Mas perceber não o fez recuar também.

    Não questione, é o que tem pra hoje. — Se referia à blusa. — Ela é grande o suficiente pra você não ficar tão desconfortável assim. Mas acho que você não se importa, né? — Passou o braço por cima dos ombros do loiro, até alcançar a bochecha dele com a mão e apertá-la, numa atitude sarcástica perante a proposta. Roubou o aparelho das mãos menores ao que notava que a lista havia sido completada, salvando a mesma nas notas apenas para evitar qualquer bug que pudesse ocorrer. — Não deixe o Gotham invadir o banheiro, por sinal. Ele tem uma relação intensa com as lixeiras da casa. E sobre as suas roupas: tem uma máquina de lavar na varanda. Se quiser usar, não deixe o Gotham pular dentro dela. — E com uma última olhadela ameaçadora em cima do gato - que o correspondeu com um bocejo entendiado -, recuperou os sapatos que saíra anteriormente com e a carteira, se retirando da residência.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Sex Set 04, 2015 3:20 am

    Não se importava realmente de ir ao mercado usando as roupas de Harold, mas pelo comentário deduziu que não deveria ter nada que coubesse em si para que se sentisse apresentável o suficiente para sair por aí. Deu de ombros em um gesto mínimo, pegando o celular que lhe era oferecido enquanto refletia sobre o que ensinaria o mais novo a fazer, também bocejando involuntariamente ao que o outro o fizera. Igualmente, não via problema ficar na casa e cuidar do que precisava, já que sentia-se ligeiramente amassado após tantas horas de sono depois de um longo período ativo. Organizando os pensamentos ao que olhava a tela do aparelho, decidiu que começaria com algo simples. Strogonoff era um prato fácil de preparar e que possuía pouquíssimos ingredientes; enquanto fazia a lista, o loiro decidiu jogar alguns acompanhamentos saudáveis, além de alimentos básicos que qualquer um que cozinhasse deveria ter na própria casa. Assim que pegasse a noção de como o processo funcionava, o albino provavelmente conseguiria fazer receitas simples sem maiores problemas.

    Notava inconscientemente a movimentação a seu lado, mesmo que não prestasse muita atenção a ela. No fim, mesmo com as adições à lista, não dera em uma quantidade de compras exagerada, no caso em que se ofereceria para acompanha-lo mesmo com as roupas que usava; algo que considerara brevemente. Entretanto, exageros não fazendo parte da personalidade de Rin, a preocupação fora nula. Levantou a cabeça ao sentir a camisa ser depositada em seu colo, quase pulando de susto ao notar o quão próximo o outro se encontrava – o que não era um problema, já que proximidade se tornara algo estranhamente confortável entre os dois, quando o maior não estava de gracinha – antes de alternar o olhar entre a vestimenta e Harold, arqueando uma sobrancelha ao que era provocado e dando um pequeno tapa na mão que apertara sua bochecha antes de ter o celular tirado de si.

    - Não, não me importo. - Não ter calça que coubesse era uma das possibilidades prováveis, considerando a diferença de tamanho; e enquanto até no próprio apartamento, sozinho, mantinha-se inteiramente vestido por hábito, era com o que teria que lidar enquanto alugava o espaço alheio. Melhor que andar pelo lugar nu, também. Considerava, mesmo que com o trauma anterior, que o mais novo não estava no humor de provoca-lo de outras formas só por não usar adequadamente uma calça, então retirou o pensamento de preocupação, também tendo a segurança interna de que seria muito mais fácil fugir de uma casa do que de um prédio.  – Mas lá se vão meus planos de lavar o gato. – Comentou, na suavidade que não deixava o próprio sarcasmo evidente, mas que sabia que era entendida.

    Após o mais alto deixa-lo sozinho, organizou os planos na própria cabeça para ter uma ordem certa de fazer o que era necessário, lembrando-se dos avisos alheios. Primeiro seria melhor deixar a roupa lavando, já que não demoraria no banho, mesmo. Depois, enquanto esperava, poderia preparar um café e perder tempo com o gato, já que não tinha muito o que fazer e achava que o albino não demoraria tanto assim pra valer a pena roubar um computador dele para jogar. Depois da lavagem pronta, seria só deixar as roupas secando, o que seria o mais demorado. Tendo tudo em mente naqueles breves minutos e pronto para levantar, deixou a camisa de lado na cama, mas foi impedido de realizar qualquer outra ação ao que Gotham decidiu pular em seu colo, o rabo balançando mesmo com a expressão entediada de sempre no rosto.

    Certo. Poderia enrolar um pouco mais.

    Após certo tempo fazendo carinho e brincando com o felino, finalmente considerou que deveria se mexer, e a contragosto, deixou-o no colchão, pegando a própria mochila e separando o que iria na máquina. Não havia nada que não pudesse misturar, já que, por conveniência, escolhera as próprias roupas de modo que pudesse lavá-las ao mesmo tempo depois. Uma coisa que faria mais rápido, seria pegar uma das roupas de baixo, lavá-la separadamente e usar um secador para usá-la depois. Pelo amor de Deus. Não iria pegar uma de Harold, e naquele ponto, trocar pelas velhas parecia apenas uma falta de higiene que não o agradava nem um pouco.

    Pensando novamente, com os planos feitos para economizar o tempo, teria que jogar as roupas ainda em seu corpo na máquina também. Na varanda. A casa era rodeada por um muro, e não havia ninguém por perto, mas a ideia de andar pelado pela varanda de alguém também era desconfortável, de muitas formas. Refletiu sobre lavar o que usava depois, mas após alguns momentos, resignou-se a apenas pegar a toalha que também havia em sua mochila, tirar as roupas e a enrolar na cintura, indo enfim fazer o que precisava.

    Não demorou até que tudo estivesse em seu devido lugar - com uma pequena parada apenas para um copo d'água - e o banho fosse tomado, não levando mais do que dez minutos e tendo o efeito extra de tirar qualquer resquício de sono que ainda poderia ter. Vestindo a boxer já lavada e a camisa, ao menos constatou que a afirmação feita anteriormente estava correta. O que significava que ainda que a peça de roupa ficasse acima dos próprios joelhos, cobria o suficiente para que não se sentisse exageradamente exposto. Quase inconscientemente, notava que o cheiro impregnado na roupa alheia também o agradava. Podia se acostumar com aquilo, por aquele dia. Retirou-se para a cozinha, ajeitando a lixeira da mesma quando chegou lá, sem localizar Gotham no processo. Lembrava-se de ter checado e não havia posto o gato na máquina de lavar, então onde quer que estivesse, não deveria estar causando muitos problemas. Saiu brevemente para checar as roupas, constatando que não deveriam demorar muito mais até que pudesse estendê-las para secarem, e começou o processo de fazer um café, não para acordar, mas apenas por, mesmo tendo praticamente sobrevivido com aquela bebida nos últimos dias, já sentir falta do gosto amargo em sua boca. Ao mesmo tempo se distraia com tudo aquilo para ignorar a fome, que parecia abrir um buraco em seu estômago a cada segundo que se passava. Porém, possuía paciência o suficiente para saber que tudo viria a seu tempo.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Set 04, 2015 11:03 pm

    Ao menos os ingredientes, além de serem baratos, iriam durar o suficiente para que fizesse strogonoff umas três vezes. De fato, aquilo era bem mais econômico. Voltava a pé pelo caminho que fizera para chegar ao mercado mais próximo, demorando um pouco mais de tempo dentro do mesmo para achar os produtos, já que não tinha muita noção do que ficava aonde. Infelizmente, também tinha o costume de tentar se virar sozinho nas coisas, então raramente pedia ajuda para alguém, mesmo que fosse a solução mais rápida e prática. Não sabia exatamente se era simples orgulho ou se gostava de aprender as coisas por conta própria para assimilar melhor. Talvez ambos.

    Antes de abrir o portão da casa, escutou um miado ronronado por cima do muro, ao qual direcionara o olhar para avistar a baleia branca e peluda lhe encarando como boas-vindas. Adentrou novamente pela residência, abrindo a porta e esperando Gotham entrar consigo por livre e espontânea vontade. Uma das pouquíssimas coisas que o gato fazia que ia de acordo com as vontades do dono – mas sabia bem que não era essa a motivação do bichano. Confirmou quando o viu virar para a cozinha, em direção ao pote de ração. Ok, comida era boa razão pra fazer qualquer coisa. Ao trancar a porta, esqueceu-se de “avisar” que havia chegado, já pelo hábito criado por morar sozinho e em silêncio seguiu um cheiro bastante agradável vindo de sua cozinha. Sabia bem o que era e quem havia feito, só ficou parado na entrada do cômodo assim que se deparou com uma cena que não havia ficado muito nítida em sua mente anteriormente. Como o loiro estava de costas, provavelmente não percebeu que o dono da casa havia chegado, até porque a porta de entrada não fazia muito barulho. Harold levou a mão desocupada até a boca, fazendo um esforço estratosférico pra não rir de forma audível. Não sabia logicamente o porquê, mas era uma visão muito agradável ver Rin vestido com uma camisa sua. Um fetiche bem clichê para se ter, mas curiosamente o outro ficava bem daquele jeito. Era muito idiota ficar alguns segundos apreciando a vista em silêncio? ... Era, ok.

    Você devia tornar isso um costume, sabe? Ficou bom em você. — Mas comentar não ia doer, sinalizando a própria presença daquela forma também, com uma expressão natural de quem achava o comentário completamente aceitável. Por algum milagre, os dizeres não tinham nenhum resquício de malícia, sarcasmo, cinismo ou deboche. Era uma das raras e inconvenientes vezes que Harold era sincero de repente. Talvez estivesse ligeiramente surpreso com a visão de Rin daquele jeito, pois até de vestes caseiras ele sempre mantinha o máximo de pudores. Podia contar nos dedos de uma mão só as vezes que viu as pernas do loiro, não podia? Ao menos espontaneamente. Embora não ligasse para aquele detalhe em si, não podia deixar de notar que era uma imagem diferente ao todo. Estranhamente combinava com ele. Não parecia que estava com um homem mais velho que si em sua casa. Distraiu-se, aproximando alguns passos até conseguir colocar a sacola por cima da pia, retirando dela o que havia sido listado para que comprasse. Parou de tentar cogitar se Rin ainda estaria com aquela aparência delicada e feminina quando tivesse quarenta anos, passando a se concentrar no que tinha para o momento. — Então... Agora é contigo. Vai nessa. — Gesticulou, como se para deixa-lo à vontade com o que havia comprado, ao mesmo tempo que mostrava que a partir dali, não fazia a menor ideia do que fazer ou por onde começar. Pacientemente, apenas esperou futuras instruções.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Dom Set 06, 2015 9:18 am

    Não sabia como havia conseguido não queimar os dedos em consequência ao susto que levara com a voz atrás de si, estando prestes a pegar o recipiente da cafeteira para botar o café em uma das xícaras que achara na cozinha. Absorvendo também o comentário após um segundo, sentiu o próprio rosto esquentar levemente; havia sido fácil o suficiente esquecer da roupa que usava quando estava de um lado para o outro, e imaginava que não teria qualquer problema com aquilo o resto do dia. Porém, não esperava que Harold fosse falar algo assim, principalmente quando não parecia ser para provoca-lo de qualquer forma. Enquanto não havia nada de errado com a sinceridade repentina, estava feliz de não ter o rosto diretamente na linha de visão do outro, recuperando-se da vergonha momentânea e pegando outra xícara, de modo que pudesse servir café para os dois. – Não é desconfortável, mas prefiro manter minhas calças quando possível, obrigado.

    Tomando um gole da bebida que havia preparado, deixou-a de lado por hora para averiguar se o mais novo havia comprado tudo o que pedira, não surpreendendo-se ao ter uma resposta positiva. – Aqui. Guarde o resto. - Separando apenas o que precisariam para o almoço daquela vez, perguntou-se por onde deveria começar. Havia algumas considerações a serem feitas, já que o albino não sabia de absolutamente nada. Sobre temperatura do fogão, temperos, o quanto carne demorava para ser feita, o modo de preparo diferente que diversos ingredientes poderiam ter. Imaginou, entretanto, que a maioria daquelas coisas poderiam ser explicadas durante o processo. Primeiramente, deveria explicar o mais importante para que o outro conseguisse fazer qualquer receita que quisesse sozinho.

    - Primeiro. Qualquer receita de qualquer coisa simples que você quiser fazer, vai ser dividida em duas seções. O que você precisa... – Meneou a cabeça na direção do que havia separado, uma mão descansando no balcão ao que olhava o maior. – E como usar esses ingredientes pra ter o resultado final. Cozinhar é só aplicar isso, e a não ser que você tenha uma noção de tempo muito ruim, misture o que não deveria, ou decida que não quer seguir as instruções, nada vai sair errado. Quanto mais você cozinhar, mais vai pegando a prática, se não parecer fácil. – O que duvidava, visto que Harold era tão, se não mais, esperto do que a si, e pelo estado da casa alheia, possuía um nível de organização decente. Não confundir as coisas na cozinha não deveria ser um problema para ele; imaginava que apenas nunca tivesse se importado de aprender. Apenas uma consequência de sempre ter tido quem o alimentasse. – Tem duas formas de se aprender, também. Prefere que eu mostre e vá explicando, ou fazer mais por você mesmo enquanto dou as instruções?
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Out 03, 2015 1:06 am

    Atendeu ao pedido feito para guardar o restante do que não seria utilizado daquela vez, ouvindo também o que mais parecia uma introdução de um doutorado em culinária caseira. Ao que guardava o que faltava em um dos armários, ergueu-se vagarosamente, ao mesmo tempo em que ele terminava de explicar. Virou-se e voltou a posicionar-se ao lado do loiro, apoiando o próprio peso no ombro do mais baixo e fitando-o de esguelha, com uma expressão ligeiramente entediada. Ficou ali por alguns segundos analisando-o com a mesma cara de paisagem, até gesticular qualquer coisa com a mão livre, suspirando uma vez até resolver se pronunciar.

    Eu prefiro fazer, se cada explicação sua for um TCC ditado em voz alta. — E voltou a encará-lo, antes de deixar o ombro alheio livre de novo e bagunçar os fios loiros. — Pode ser mais direto, eu não ligo pra filosofia da comida. Primeiro: eu sei que precisamos de panelas. Segundo: eu sei que o fogão liga aqui. Terceiro: eu sei que sal não é açúcar. Tem uma variedade de coisas que eu sei. Juro. De coração. Eu sou um gênio, afinal. — O sarcasmo era claro e Harold podia ficar até o fim do dia zoando com a forma de explicar as coisas, detalhe por detalhe, que já conhecia de Rin. Até que sorriu para completar o cinismo, como se também soubesse que não seria com piadinhas irônicas que o loiro iria mudar. — Podemos fazer assim...

    Preferindo já parar com o falatório e começar a fazer algo, abaixou até os armários abaixo da pia, onde tinham algumas poucas panelas básicas, que Arthemis havia dado e ele nunca usara na vida. A mais velha achou que Harold ia tomar a iniciativa de algum dia aprender a cozinhar por conta própria. Bem, precisou de um empurrão, mas agora era a hora de usar aqueles troços. Pegou uma razoavelmente grande e uma outra média, fechando as portinholas e erguendo-se de novo. Lavar os recipientes antes de usar deveria ser uma das zilhões de coisas básicas que provavelmente Rin não sabia que Harold soubesse. Mas ele sabia. Então começou a lavá-las sem tanto capricho, já que eram quase novas e não estavam ali há tanto tempo assim.

    ... Sei que é um processo contínuo também, com várias etapas e etc. — E fez uma careta de surpresa, como se tivesse dito algo incrível. Logo em seguida voltando para a mesma expressão neutra. — Então você pode fazer de início e me deixar terminar, aí só vou imitar o que você começou fazendo. ‘Cê pode começar fazendo outra etapa depois disso também, aí continuamos assim. Que tal? — Terminou, fechando a torneira e secando as mãos, dando uma leve secada nos recipientes também. Apoiou as mãos no mármore que completava a bancada além da pia, esperando uma resposta para a proposta com um olhar ligeiramente interessado. Se fariam aquilo, fariam de forma prática e precisa.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Seg Out 05, 2015 12:00 am

    Continuou encarando-o com a mesma falta de expressão que era normal a si, esperando uma resposta para que pudessem continuar a cozinhar com uma paciência talvez ligeiramente menor que a normal, devido à fome. A vontade que tinha ao conselho de ser mais direto e ao momento capitão óbvio do outro era explicar, mais minunciosamente do que precisava, cada detalhe do que planejava fazer. Ainda assim, com Harold se dispondo a ser útil, pegando as panelas e começando a lavá-las, não deixou nada mais do que uma ligeira irritação se mostrar na própria face. Se resolvesse ser teimoso, a teimosia alheia iria ganhar. Não havia uma maior, provavelmente, em toda a cidade. E só queria comer, e no mais, ser um pouco útil pra facilitar a vida daquele idiota em questão.

    Voltando em questão de segundos à calma usual, concordou com a cabeça com o que era dito, aquele sendo um modo simples e prático de prepararem o almoço. – Certo. Strogonoff é basicamente carne com alguns temperos, molho, etc. – Percebendo que estava prestes a começar a explicar mais do que deveria novamente, suspirou, virando-se para a bancada e movendo as panelas para o fogão, apenas para dar mais espaço aos dois, e em seguida lavando as mãos para poder começar a trabalhar. – Ok, já entendi. – Havia algo como repreensão no próprio tom, voltada tanto a si mesmo como ao outro. – Primeiro passo: cortar a carne. – Que não precisava necessariamente ser carne, ou também podia já vir cortada. Sua mente continuava a captar os detalhes, mesmo que não os dissesse em voz alta. Pegando uma das peças do alimento, mostrou como deveria ser feito, cuidadosamente. Pequenos quadrados, que facilitavam o preparo. Mostrou também como temperar, em seguida oferecendo a faca ao mais novo. – Faça. Quando estiver terminando, ou logo depois disso, pode ir preparando as panelas. – E seguiu com uma explicação do que deveria ser botado nelas antes da carne, sem entrar em detalhes do porquê, enquanto ligava o fogo abaixo de uma e fazia o procedimento. - Quando terminar, jogue a carne aqui aqui.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Out 23, 2015 7:28 pm

    Quase, por muito pouco, não apertou o rosto de Rin para irritá-lo mais ainda. Mesmo que o máximo que tivesse recebido fosse aquela mudança mínima de expressão naquele rosto frequentemente neutro – o que significava bastante coisa. Sorriu ao que ele encurtava consideravelmente a forma de explicar, ficando exatamente da forma como Harold queria de tal forma que não poderia passar despercebida. — Gosto de você porque você aprende rápido. — Proferiu após o tom de repreensão usado contra si, começando a fazer o que ele demonstrava primeiro e logo depois lhe passava a função.

    Precisava de mais força e mais jeito do que parecia ao apenas ver outra pessoa fazendo. Também era diferente de cortar já no prato, na refeição pronta. A carne estava crua, tinha uma textura completamente diferente, além de ser bem mais resistente. Foi estranho e meio engraçado, mas logo todo o pedaço estava cortado em cubos de carne, mais ou menos iguais aos primeiros cortados por Rin. Ficou encarando o que havia feito e quase se esqueceu de preparar as panelas conforme o loiro havia dito como fazer. Depois de jogar a carne no meio dos ingredientes preparados pelo outro, com a panela já no fogo, já dava para ver a gororoba tomar forma.

    Só havia esquecido de um detalhe. Na verdade, não ter percebido é a forma correta de especificar. Por estar com as mãos e os braços todos cortados pelas centenas de tentativas de dar remédios para Gotham, não percebera a adição de mais um corte. Dessa vez, por culpa sua. Talvez tivesse confundido a ardência do machucado novo com a dos outros antigos das mãos, ao ter usado detergente para lavar a faca que usara. Cutucou Rin na orelha com o indicador ileso e, ao ter a atenção do mais velho, mostrou o machucado que escorria sangue pelo dedo. Não havia sido nada grave e nada além de um corte pequeno próximo à unha. Mas o sangue de Harold era ligeiramente fino, o que fazia escorrer mais que o normal com qualquer machucado. Além da própria pele albina não ser um exemplo de resistência. — Me dá heal aqui, Rin. Tô morrendo. — Brincou, não muito incomodado com a ferida pequena, achando como forma de lavar aquele sangue todo apenas enfiar a mão embaixo da água corrente, ao abrir a torneira. — Não tem problema se o strogonoff tiver um tempero à mais, tem? — Proferiu levantando uma sobrancelha para Rin, olhando dentro da panela e vendo que, enquanto não percebia que havia se machucado, havia caído sangue na comida cozinhando. Não se lembrava de strogonoff levar molho de tomate, segundo o loiro, então aquelas pequenas manchas vermelhas eram sangue se misturando aos ingredientes, né. Fechou a torneira e o dedo estava limpo de novo. Até mais sangue escorrer. Sempre achou aquilo engraçado e estranho. Não necessariamente nessa ordem.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Sab Out 24, 2015 7:38 am

    Ignorou o comentário feito sobre si, tentando não se deixar irritar tão facilmente pelas implicâncias do outro como normalmente fazia. Era em parte por estar mais com fome do que qualquer outra coisa, e não querer outros fatores piorando o próprio humor naquele momento. Teria deixado que Harold preparasse o resto, mas com aquele fator, e com o molho sendo tão simples de se fazer – mais do que cortar a carne, pelo menos – decidiu adiantar o processo, explicando brevemente o que estava fazendo e apenas virando o rosto de tempos em tempos para ver se não havia maiores problemas no processo. Pelo visto não o havia supervisionado com atenção suficiente, no entanto.

    Estivera observando o strogonoff por alguns segundos após tudo ser botado na panela antes de perceber algo incomum. A coloração do alimento deveria ser puxada para o bege, mas pequenas manchas vermelhas surgiam em meio à mistura. Intenso demais para ser da carne. Perguntando-se se havia algum ingrediente estragado, virou-se ao ser cutucado, dando de cara com o albino, que... Havia machucado um dedo. Ainda sem qualquer expressão, alternou o olhar algumas vezes entre a panela e o ferimento, apenas processando o óbvio. Sangue na comida. E o mais novo não havia notado até agora. – Que pena. Eu não vou salvar você. – Era só um corte no dedo, mas respondeu a brincadeira com uma das frases do jogo em um tom absolutamente sério. Ainda encarou por mais alguns momentos a comida, seriamente considerando se deveriam comer com um tempero a mais devido ao buraco negro que havia se instaurado em seu estômago. Se Harold não possuísse qualquer doença estranha que Rin não soubesse, ainda seria viável- parando a linha de pensamento, desligou o fogo, respirando fundo.

    Certo, tinha que resolver aquele problema antes. Mesmo estudando e trabalhando como médico, naquela instância, não estava nem um pouco feliz de cuidar de um corte surgido da falta de cuidado alheia que não o deixaria comer tão cedo. – Espere aí. – Saindo da cozinha, encaminhou-se até o banheiro que havia visitado previamente, procurando algo para desinfetar o corte juntamente à gaze. Pela quantidade de arranhões que vira nos braços do maior, com certeza teria o mínimo para primeiros socorros na casa; também acreditava que Arthemis teria que o irmão possuía as coisas básicas para se cuidar, mesmo que tivesse o expulsado de casa.

    Voltando com o necessário, sinalizou ao outro para se sentar, começando a limpar o ferimento enquanto refletia no que dizer. Normalmente ficaria quieto com apenas uma bronca, mas o humor do loiro havia ficado ruim o suficiente com o combo de fome e irritação para que sentisse uma vontade maior que o normal de reclamar. – Tem o suficiente para fazermos de novo. Não, não vamos comer com sangue, e pode ser erro de principiante já que você nunca cozinhou, mas... É algo bem fácil de se evitar, com atenção. – Continuou a falar sobre medidas de segurança com facas, formas de cortar, maneiras de evitar acidentes e como lidar com eles conforme desinfetava o machucado. Por todos os detalhes que omitira enquanto cozinhava, considerava aquilo um ótimo castigo pelo erro. Muito provavelmente estava sendo ignorado, mas não estava ligando muito para esse detalhe. Após botar um band-aid para não deixar o corte exposto, se calou, encarando a pessoa à sua frente mais calmo do que anteriormente, mesmo que a repreensão continuasse presente no tom. – Dessa vez eu cuido da carne. Se você prestou atenção no que eu disse antes, faça o resto.
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Nov 07, 2015 11:13 pm

    Iria comentar que sangue era salgado e talvez pudesse deixar o almoço mais agradável, apenas como forma de ver Rin reclamar mais. Também podia comentar o fato de ter sido adorável ele, mesmo com aquela expressão carrancuda, escolhera cuidar de seu ferimento ao invés de manda-lo fazer isso por conta própria para se concentrar só na comida. Afinal, havia sido um dedo. Poderia fazer o curativo sozinho e Rin sabia disso. Com certeza também não foi por preocupação ou por cuidados, mas só o ato em si ter sido automático já era razão para fazer o albino abrir um sorriso sarcástico, ao som dos blábláblás do loiro. Mesmo com aquela expressão pálida de quem já estava engolindo saliva para aliviar a fome, ele parou tudo para dar atenção a um mísero cortezinho. Ao invés de ressaltar isso, Harold também não fez muito mais do que sentar e escutar calado cada palavra do menor, apreciando com uma expressão tranquilamente cínica aquela cara de quem não estava feliz. Deixaria ele não notar o detalhe de que não precisava cuidar do mais novo. Deixaria ele ali reclamando e demorando mais tempo para cozinhar porque queria. Ou achava que precisava. Era hilário e ao mesmo tempo, uma gracinha. Em minutos a ferida estava limpa e com um band-aid para controlar o sangue aguado que era o de Harold. Quando ele fez o comentário final, finalmente o mais alto assentira com a cabeça, concordando sobre fazer tudo de novo e deixar o trabalho de risco para o mais experiente dali.

    Você sabe que eu poderia ter feito isso sozinho, né Rin? — E se manteve encarando-o com o mesmo sorriso. A distância entre ambos não era grande, então bastou inclinar o tronco para frente, para que pudesse encostar a ponta do nariz no de Rin, proferindo com um leve tom de diversão. — Obrigado por ser uma esposa tão atenciosa. — Fez como se fosse beijá-lo em seguida, inclinando a cabeça para o lado e diminuindo ao máximo a distância de ambos. Mas não fez mais do que soprar um riso nos lábios alheios e se levantar, encarando o curativo no dedo enquanto se dirigia até a pia mais uma vez. Encarou a panela cheia de strogonoff e sentiu um pesar grande pelo desperdício de algo que custara seu dinheiro. Daria para comer aquilo sim, mesmo com sangue dentro. Não é como se tivesse AIDS ou algo do tipo. Mas certo, façamos do jeito como a dona manda. Pegou o recipiente pelos suportes laterais e virou-se para Rin. — O que eu faço com isso, então?
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    Re: [#32] Viadagem

    Mensagem por Rin Damien em Dom Nov 08, 2015 1:48 pm

    Poderia ter feito isso sozinho. A percepção daquilo o surpreendeu mais do que realmente deveria. Realmente, era apenas um corte, e se Rin decidisse não cuidar dele, era provável que Harold não fosse ficar sangrando apenas para se divertir. Sabia que ele não morrera dos diversos cortes dos braços feitos pelo gato, então deveria ser algo que albino estava minimamente acostumado. Diabos, ele próprio não havia sequer dado uma segunda olhada naquilo. Estava trabalhando há tanto tempo no hospital que era automático o instinto de cuidar de qualquer ferimento recém adquirido de quem quer que fosse, em vez de dar prioridade a outras coisas?

    A própria face demonstrava claramente o desagrado que sentia com a face do maior tão perto da sua naquela instância. Imaginava que ele não fosse realmente beijar o loiro se não quisesse uma mão na cara, mas também não estava realmente disposto a se afastar ao que sentiu o ar nos lábios após o pequeno comentário. – De nada. – Em seu tom estava claro que não estava feliz com aquilo, mas por agora, tentaria se focar no que importava. Comida. Aproximou-se da bancada novamente, separando a quantidade de carne que cortaria, virando-se quando ouviu o outro falar novamente. Fitou a panela usada por alguns segundos, sentindo o próprio estômago se contrair dolorosamente, e novamente contemplando se seria tão ruim comer aquilo. Não achava higiênico, mas também não teria absolutamente nenhuma consequência. Entretanto, também não demorariam tanto para fazer outro.

    Sentindo outra pontada dolorosa, decidiu que daquela vez, mesmo com toda a irritação, talvez fosse hora de deixar a teimosia por algo daquele tipo de lado. Demorou mais alguns segundos encarando a carne, antes de respirar profundamente e responder. – Eu diria pra jogar fora, ou dar pro gato, ou qualquer coisa, mas... Fome. Não acho que você se importe de comer com sangue, então dessa vez... Vou tentar não me importar também. Fingir que é molho aí. Só tenha mais cuidado na próxima, sim? – Finalmente moveu-se de modo a guardar os ingredientes que usariam novamente, alguns no freezer, outros na geladeira, e alguns temperos em armários. A situação estava ruim o suficiente para estar disposto a ignorar sangue na comida. Teria rido se a fome não o deixasse sem vontade alguma de fazê-lo, não conseguindo se importar o suficiente com a decisão tomada se significava que comeria logo.

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    Re: [#32] Viadagem

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      Data/hora atual: Ter Jun 27, 2017 8:13 am