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    [#10] - Turno Livre. – Nave da Terra

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    taurusnero
    Touro

    Mensagens : 172
    Data de inscrição : 26/02/2014

    [#10] - Turno Livre. – Nave da Terra

    Mensagem por taurusnero em Ter Nov 03, 2015 5:29 am

    Foram três meses longe daquele ambiente, e Nero não podia ter ficado mais agradecido por voltar. Não era como se a nave fosse o local mais perfeito para se viver, ainda mais na posição em que se encontrava, porém, de alguma forma, sentia-se muito mais em casa quando estava rodeado por suas paredes do que quando estava em sua própria tribo. Obviamente, ainda sentia falta do colorido da natureza, da sua língua mãe sendo falada ao seu redor e de ter os próprios costumes vivos bem diante de seus olhos. No entanto... Bem, não havia nada na nave que compensasse aquilo tudo, e nem algo de bom o suficiente para ter criado essa preferência dentro de si, então provavelmente só havia se acostumado mesmo, e era difícil abandonar certos costumes.

    Na verdade, o que encontrava dentro da nave estava longe de ser algo que realmente o agradava, e não falava apenas do trabalho. Não importava o quanto se esforçassem, sempre algo de muito ruim acontecia. Havia dor, havia traição, havia morte, e, acima de tudo, o desespero e a ansiedade estavam sempre presentes, envolvendo todos como uma cortina que escondia o que o futuro guardava para eles. Nero, agora, aprendera a controlar um pouco de tudo aquilo, mas simplesmente por ter certeza de que não adiantaria tentar afastar os tecidos para ver melhor. As coisas iriam acontecer ao tempo delas, mesmo que isso significasse não estar completamente preparado para recebê-las, ainda que se esforçassem para estar na melhor das condições.

    Algo semelhante acontecia naquele momento, surpreendendo-o, e fora com uma expressão amarga que escutara os últimos acontecimentos através das palavras de Harold. Escutara o que acontecera com o regente de Sagitário. Diante dos olhos de Rin. Morto pelas mãos de Rin, que o fizera para findar o sofrimento do antigo guerreiro. Pelo que ouvia, não fora algo bonito, não fora algo que alguém deveria ter presenciado, e, muito menos, acreditava que o regente de virgem merecia ter que lidar com algo tão horrível. Nenhum deles merecia, na verdade, mas o destino fazia questão de lembrá-los que seria dali para pior. Fora apenas por educação que continuara a ouvir com atenção o relatório de quem o substituiu, a própria bochecha sendo mastigada em seu interior para tentar amenizar a urgência que sentia naquele momento, e que se concretizou assim que a conversa fora findada.

    Fora a passos rápidos que passou a cruzar os caminhos da nave da terra, todos seus sentidos investidos em um único processo: Achar Rin. Não importava se havia saído da nave irritado com o mais velho. Na verdade, sequer se lembrava no processo nada demorado de identificar os passos do menor e seguir em sua direção. Não se importou com o que as pessoas pensaram de si ao darem de cara com seu corpo em movimento, tão ansioso quanto a mão que escorregava pela parede, desejosa de simplesmente arrebentar aquele pedaço de metal e cruzar os caminhos mais rápido. Não o fez, porém. Mas também não demorou de achar o corpo pequeno - ainda que mais forte do que da última vez que o vira -, e de cruzar o espaço final que os separava. O olhar de Nero se fechou no outro, ciente de que ele provavelmente não entendia o porquê de estar ali tão afobado, e seus braços se esticaram, indiferentes a qualquer expressão que talvez pudesse arrancar do loiro, antes de finalmente prender o corpo alheio contra o seu em um abraço firme. Me desculpe... Pelo Ren. E pedia desculpas, mesmo ciente de que não poderia fazer algo para realmente ter evitado aquilo. Talvez o fazia por algo mais, e não se importaria em complementar o pedido naquele momento, se não estivesse com a mente focada em outro lugar.
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    Rin Damien
    Virgem

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    Data de inscrição : 05/03/2014

    Re: [#10] - Turno Livre. – Nave da Terra

    Mensagem por Rin Damien em Sex Dez 11, 2015 6:43 pm

    Dizer que a vida seguia calma nas naves em que viviam talvez fosse uma mentira. Após tantos conflitos que foram avisos claros de que era hora de treinar para não serem aniquilados, grande parte dos guerreiros havia se dispersado; fosse saindo em treino, para procurar a dita pedra que os ajudariam, ocupados o suficiente com trabalhos, ou se esforçando do lado de dentro para melhorarem. Nunca iam todos ao mesmo tempo para fora, é claro, tendo em vista segurança em primeiro lugar. Rin não chegara a sair para treinos específicos, apesar de ter sido um dos primeiros a buscar a pedra que agora tinha incrustada na cabeça. Logo após aquilo, foi encaminhado também para resolver o problema com o regente de Sagitário, que não estava mais entre eles. Tinham sido duas experiências envolvendo uma carga emocional e responsabilidade maior do que estava acostumado, seguidas de mais treinamento intensivo. Experiências nas quais aprendera que não seria mais o ideal apenas afastar as próprias emoções.

    Então, naquele meio tempo, estava aos poucos aprendendo a lidar. A ter uma tranquilidade maior, se irritando menos com tudo à sua volta e consigo mesmo. Tivera até que deixar a limpeza constante um pouco de lado, devido à quantidade de coisas que estava fazendo. Talvez tudo aquilo tivesse sido bom para si, ainda que não ficasse contente em ter que matar o próprio irmão. Era extremamente irônico ficar triste pela vida de alguém que tinha planos futuros de usar para atingir a própria meta. Hipócrita. Aprendia a lidar com o fato de ser aquilo também, diversas vezes em sua vida. Era um processo para melhorar. Talvez fosse por Ren ter sido a única conexão à própria família no momento, que havia se perdido em meio ao fluxo da acontecimentos horríveis. Em meio àquilo chamado destino, do qual também não poderia fugir.

    Ou poderia, mas o próprio senso de responsabilidade não deixava.

    Se uma das coisas que fazia em seu treino era meditar por causa de Gaia, ao menos aquilo também o ajudava a lidar com a pressão. Era a vez de Nero e Heike estarem em uma viagem, e sabia que teria que contar ao regente de Áries o que acontecera ao que era mais família dele do que própria quando voltasse. Quanto a Nero... Havia sido um idiota. Havia feito uma estupidez no impulso, coisa que ocorria de forma tão rara e apenas o lembrava porque pensava dez vezes antes de agir. Perdera alguém que, apenas ali, percebia que considerava um amigo próximo. Aqueles meses tinham servido para que se acostumasse a ideia de que nunca mais teriam a mesma relação, e ainda que o taurino voltasse a olhar na cara do virginiano algum dia, não seria da mesma forma. Aprendera a lidar melhor com as consequências das próprias ações, e se antes tinha lapsos de estupidez como aquele – sabendo muito bem que não fora o único – planejava se esforçar ainda mais para cortar atitudes como aquela da própria vida. Ter um equilíbrio entre estabilidade e a instabilidade que não poderia apagar de si, e fazer as melhores decisões. Era seu objetivo. Podia aprender quando acontecessem incidentes, mas se não fossem passos para evita-los, seriam apenas burrice.

    O dia em que os dois voltariam enfim chegara, e tinha sido um processo difícil contar sobre Ren a Heike. Precisara que Abel intervisse, e é claro que não fora bonito, mesmo que tivessem conseguido acalmá-lo forçadamente. Não era possível consolar alguém que perdera o que seria como um pai para si. Ainda assim, esperava que conseguisse apoiar o ariano futuramente, em meio àqueles tempos difíceis. Estava pisando novamente na nave da terra após sair da do fogo, perguntando-se se deveria fazer um café ou algo para comer, quando ouviu o barulho de passos pesados se aproximando. Ah. Nero também estava de volta, é claro. Havia se acostumado com o vazio que havia naquela nave por não ter alguém sempre a caminho da cozinha ou nela, comendo quantidades consideráveis do que quer que fosse preparado. Estava feliz por tê-lo de volta, ao mesmo tempo em que se recordava vividamente da inquietação por tê-lo decepcionado. As memórias vívidas de quando o deixara no quarto, sem lhe dar qualquer chance de falar após se explicar, vinham à tona. Realmente não sabia lidar com aquilo. Mas agora, depois de tanto tempo, de ter sentido que crescera tanto física quanto emocionalmente, sentia que conseguia encará-lo de frente, ainda que não merecesse confiança alguma.

    Virou-se na direção dos passos, a expressão suavizada não demonstrando a própria insegurança. Será que ele sequer olharia para si? Descobriu que sim, ao que o corpo muito maior estava fazendo uma linha reta na própria direção. A expressão quebrou-se ao levantar ambas as sobrancelhas por ver os braços esticados, no segundo seguinte estando pressionado ao outro, imóvel em meio a um abraço. Certo. Aquilo era última coisa que esperava. As interrogações na própria cabeça repentinamente foram esclarecidas quando a voz, há tanto tempo não ouvida, se fez presente. O regente de touro era um dos líderes dos guerreiros. Ele teria que saber de tudo que havia acontecido enquanto estava fora. Aquilo, é claro, incluía a morte de Ren. Provavelmente era o único além de Harold – que tomara o lugar do outro enquanto este estava fora – que sabia exatamente como tudo havia acontecido. Nem para Heike contara todos os detalhes, e só o fizera no relatório por ser obrigação do trabalho.

    Estava convivendo com o que fizera relativamente bem. A noção e as lembranças o entristeciam quando surgiam, é claro, mas era ótimo em seguir em frente com coisas que o afetavam em sua vida. Todavia, aquilo era diferente. Não sabia lidar exatamente com o fato de que estava sendo... Consolado? Não gostava daquele tipo de coisa. Significava que Nero havia voltado a ligar para si? Pelo fato de que passara por uma experiência um pouco mais traumática do que com o que normalmente conviviam? Já estava acostumado. Não gostava daquele tipo de contato justamente por fazê-lo se sentir como se precisasse de ajuda, já que tocava em uma vulnerabilidade. Era como se alguém realmente se preocupasse com como se sentia perante aquilo. Sentia resquícios de uma dor esquecida surgir no próprio peito, e se não sabia lidar com o ato, ao menos já havia aprendido a não reprimir tal coisa. A aceitar que aquilo era parte de si. Em meio a uma estranha nostalgia, queria perguntar uma infinidade de coisas; se estava tudo bem, como fora a viagem, como havia treinado, se podiam voltar a como eram antes. Queria se desculpar novamente, com certeza, mas as palavras não tinham valido de nada na outra vez. Por culpa do loiro, é claro. Mas as frases que poderia dizer tinham se perdido em alguma parte do processo.

    Lentamente, aceitou o abraço em que era tomado. Não gostava daquele tipo de aproximação normalmente, mas aquilo significava alguma coisa boa, não? Uma trégua, talvez, vinda da preocupação. Permitiu que os braços envolverem o mais novo, deixando a cabeça baixar para descansar no peito alheio. O taurino era ridiculamente maior, e havia certa graça naquilo. Sentira falta dele, não era? O conjunto de sentimentos nostálgicos se revirava em seu peito, ainda que a situação fosse triste. Quando conseguiu falar algo, não era exatamente o que esperava. Era um desvio da preocupação consigo, ao mesmo tempo em que levantava um ponto extremamente válido. – Eu já contei pra Heike, com ajuda de Abel. Esclarecemos algumas coisas pra ele... Mas ele vai precisar de ajuda. Conto com você.  

      Data/hora atual: Dom Dez 17, 2017 10:44 am