Fórum RPG somente para jogadores dentro o grupo. Caso tenta interesse em entrar, entre em contato com a administração.


    [#18] Turno Livre - Área de Treinamento.

    Compartilhe
    avatar
    taurusnero
    Touro

    Mensagens : 169
    Data de inscrição : 26/02/2014

    [#18] Turno Livre - Área de Treinamento.

    Mensagem por taurusnero em Seg Nov 28, 2016 7:20 pm

    A respiração do guerreiro de touro estava pesada, as costas estavam encharcadas de suor e escorregando contra uma das diversas pedras que haviam espalhadas pelo ambiente a cada novo puxar de ar para os pulmões abalados, fragilizados pelo excesso de esforço dispensado em busca de tirar um resultado positivo da situação que tinha diante de si. As formações rochosas, porém, não eram exatamente um escudo contra aqueles que atacavam, as armas evoluídas dos androides tornando-as pó a cada nova que destruíam em busca dos inimigos. Ao menos, estando escondido atrás de uma delas, podia ganhar tempo suficiente para armar algum plano contra as criaturas.

    Fechou os olhos, inspirou fundo, e passou a analisar seus arredores. Eram vinte os inimigos que restavam, e que se moviam sem se importar com qualquer coisa que houvesse em suas frentes. Os androides possuíam uma estrutura que complicava suas destruições. Precisava atingi-los no único ponto frágil que possuíam: a cabeça. No entanto, era no inferno da cabeça deles que ficavam os dispositivos de reconhecimento. Não havia como se aproximar sem ser reconhecido, ao menos não pela frente, e não enquanto eles se moviam como uma unidade, vários "olhos" atentos o suficiente para que pudessem registrar movimentos de locais incomuns com uma velocidade absurda.

    Nero movimentou os olhos por sob as pálpebras ainda cerradas, reconhecendo a presença do outro guerreiro que havia ali. O taurino conseguia "sentir" Harold do outro lado do ambiente, escondido atrás de uma rocha, assim como o próprio guerreiro mais velho fazia. Assim como o líder, o outro provavelmente estava tentando analisar a situação, e chegando a conclusões semelhantes às próprias. Eles poderiam derrubar um ou dois daqueles em um ataque direto, mas não seria fácil - para não dizer impossível - escaparem ilesos. Harold poderia disparar contra eles, mas não demoraria nada para que fosse encontrado e desintegrado junto à sua pedra pelos remanescentes. Talvez...

    Mais uma vez os olhos foram movimentados sob as pálpebras, e o taurino passou a mastigar o interior da própria bochecha, estimulando a ideia que estava elaborando. Poderiam usar as novas habilidades de ambos. Se combinassem adequadamente, poderiam fazer algo com o poder de parar o tempo de Harold e sua capacidade de criar rachaduras na terra. Era óbvio que não daria tempo para se aproximarem e destruírem todas as unidades enquanto estivessem naquela pausa, porém seria tempo o suficiente para que pudesse induzir uma abertura no chão, aproveitar o fato das criaturas se moverem em unidade para pelo menos derrubar boa parte delas. O resto poderia ser desativado pelos canhões de Harold. Eles se esconderiam antes do tempo voltar a desenrolar, e, após a queda dos androides, apenas se daria o trabalho de cerrar o solo à sua formação normal. Certo, era um plano.

    Agora precisava comunicá-lo.

    Infelizmente, falar não era uma opção. Imaginava que se tentasse enviar qualquer sinal pelo comunicador, por mais rápido que fosse, seria identificado pelas ondas emitidas pelo aparelho, e as unidades iriam perceber, acabando consigo em um instante. Abriu os olhos, lançando um olhar breve para o mais novo, percebendo que não precisaria se preocupar com aquilo. Harold estava o observando de volta, provavelmente esperando algum sinal de como deveriam reagir à situação. Ótimo. Resolveu, então, buscar uma outra nova habilidade que desenvolvera após seus treinos com Órion.

    Seu lado xamã... Iria tentar transferir sua ideia através das próprias sensações, e rezar para que aquilo fosse o suficiente para o outro entender o que queria. Encarando o regente de capricórnio, deixou o fluxo seguir ao mesmo, tentando representar os movimentos que ambos fariam a partir do ponto em que estavam, como deveriam agir...

    Porém havia algo de errado.

    Fora com um franzir da testa que percebeu a falta de movimentação do outro guerreiro, e para a qual cerrou o olhar de forma irritadiça, tentando repetir suas ações de antes, novamente abrindo o fluxo de sensações, que, agora, estavam pintadas com uma leve impaciência. Mais uma vez: nada. E Nero levantou brevemente as mãos em um sinal de frustração, não grande o suficiente para chamar atenção das unidades, mas marcado de forma a ser perceptível ao outro guerreiro. "O que você está esperando?", era o que sua expressão claramente dizia.
    avatar
    Harold Wilhelm
    Capricórnio

    Mensagens : 162
    Data de inscrição : 26/02/2014
    Idade : 22

    Re: [#18] Turno Livre - Área de Treinamento.

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Fev 10, 2017 8:11 pm

    Comparado ao seu colega de elemento, não podia dizer que estava tão exausto fisicamente quanto ele. Óbvio, afinal, o mais velho tinha um machado para dar na cabeça dos outros e se ele não se movesse de acordo, as coisas não iriam se cortar sozinhas. Então, era plausível de que, mesmo com toda a resistência que o enorme físico de Nero armazenava, ele estivesse próximo ao limite. Como um lutador de curta distância, o regente de Touro infelizmente precisava lidar com quase toda a frente de batalha, naquele caso, completamente sozinho. Os alvos eram muitos. Eram rápidos, eram certeiros. E por serem máquinas, eram absolutamente inteligentes e ao mesmo tempo que previsíveis, também eram mutáveis. Sistemas de aprendizado automático eram um problema quando não eram para auxiliar a organização de documentos ou lembretes diários. Exatamente por essa razão, tanto o regente de Touro, quanto o de Capricórnio, estavam sem muitas opções naquele momento. Os canhões de Harold conseguiam abater vários androides simultaneamente. Mas com o tempo, os desgraçados aprenderam a se distribuir de forma que conseguisse apenas acertar um por vez – agora que estavam em menor quantidade, mais ainda –, não importando o estrago que o disparo causasse ao redor. E para piorar, semelhante ao seu próprio olho mecânico, o sistema de reconhecimento deles tornava difícil tanto para Nero se aproximar, quanto para Harold se esconder de longe e atirar. Não era nada útil gastar energia se deslocando e fugindo, do que atirando nos alvos que tentavam se organizar para emboscar Nero.

    O albino era mais do que acostumado a lidar com situações de desvantagem numérica, no entanto. Mantendo a calma e a paciência – um voto positivo à sua falta de emoções, pois graças a ela, ansiedade e apreensão eram coisas que não conhecia –, conseguia raciocinar em qualquer situação, mesmo que fosse segundos antes de uma morte iminente. E tinha experiências no currículo para comprovar a eficácia disso. A respiração mantinha-se em um ritmo, mesmo que claramente cansada. Os olhos distintos atentos ao redor, independentemente de sua mente estar conectada à várias direções ao mesmo tempo. Multifuncionalidade era uma palavra que o capricorniano gostava bastante. Sob a pele artificial de seu braço esquerdo, o reflexo iluminado em verde informava o nível de energia de suas armas, de acordo com suas condições físicas atuais para utilizar dela. Ainda estava longe do crítico. No entanto, mesmo tendo o tempo mínimo necessário para seu cérebro veloz procurar várias opções de contra-ataque, todas davam em um beco sem saída, se trabalhasse sozinho. E as que não, precisaria de uma forma de se comunicar verbalmente com Nero, que estava escondido não muito longe dali, mas impossibilitado de ouvir, mesmo com a audição aguçada. O comunicador se tornara um farol para aquela situação e o Capricórnio desligara o próprio a fim de evitar qualquer descuido. Era questão de tempo para que fossem achados, mais uma vez. Se tentasse alcança-lo, no mínimo não teriam tempo de dialogar qualquer estratégia, pois eram dois alvos fáceis quando juntos numa situação assim. Pois bem.

    Quando a vida não te abre as portas, um buraco na parede resolve.

    Se não conseguia achar brechas, faria uma.

    Virou a cabeça o mínimo necessário para que olhasse o campo aberto, pelo lado do olho mecânico, sem que fosse percebido pelos adversários. Em sua visão, Arthemis reconhecia o ambiente em todas suas dimensões tridimensionais, considerando obstáculos, alvos, pontos cegos, movimentos e suas direções, qualquer fator tangível e intangível. O rapaz não precisava de mais de um segundo para analisar, prever e codificar as possibilidades que envolviam mais de infinitas hipóteses em um único metro quadrado. Conhecendo o espaço em sua totalidade, era só o que precisava para que o tempo o obedecesse. Com essa pausa, mesmo que drenasse boa parte de sua energia devido à complexidade do espaço-tempo paralisado, teria a brecha necessária para alcançar Nero e traçarem uma rota efetiva. Falhas? Por enquanto, nenhuma. Concentrou-se em deixar a energia de sua constelação assumir o controle daquele lugar e momento, mas antes que surtisse efeito, percebeu uma irregularidade em seus cálculos.

    E irregularidades não podiam ser desconsideradas, mesmo que viesse de alguém que, infelizmente, não seria atingido pela paralisação dimensional. Interrompeu brevemente o fluxo de energia apenas para olhar na direção na qual sentira estar sendo observado, encontrando o olhar de Nero, obviamente prestes a tentar comunicar algo. Não imaginava exatamente como ele tinha intenção de se fazer entendido daquela distância, mas esperou pacientemente algum sinal, gesto, leitura labial, qualquer desgraça. Porém, só o que obtivera, fora aquela cara de pateta lhe encarando por mais segundos do que o recomendado, fazendo Harold automaticamente expressar sua usual faceta de “Qual é o seu problema?”. Principalmente ao ser cobrado repentinamente. Se a intenção era invocar uma telepatia improvisada, ela falhou miseravelmente e poderia fazer o favor de comunicar isso em sinal de fumaça se o mais alto preferisse.

    Porém, enquanto pensava em suas ironias costumeiras e tentava entender o que diabos “deveria” ter entendido, a análise prévia que havia feito do ambiente sinalizou uma movimentação brusca dos androides. E não precisou de nenhum aparato extra para ouvir disparos, sabendo muito bem a direção que tomariam. Merda. Afastou-se num pulo da rocha de onde estava apoiado, rolando no chão a tempo de vê-la pulverizar como se fosse feita de isopor. Enquanto o braço esquerdo tomava a forma de arma, utilizara da palma da direita para bloquear mais um disparo em sua direção no ar, com outro da própria munição. Os robôs já estavam se reorganizando de novo, agora que localizaram seu paradeiro. Nero também fora descoberto meio segundo depois. O esconderijo mais próximo simplesmente estava inalcançável e seria atingido antes de dar um passo em direção a ele. Ouviu um ranger de engrenagens e metal mais próximo do que previu, no entanto.

    De novo. Haviam vinte alvos funcionais, em movimento.

    Em movimento.

    Os alvos destroçados no chão. Não adiantava merda nenhuma dividi-los em pedaços se o ponto crucial na cabeça não fosse atingido. Em uma das primeiras destruições em massa, Harold simplesmente deduzira que os androides que paravam de dar sinal de funcionamento, tiveram realmente sido eliminados. Porém, um vigésimo primeiro manteve-se inerte até achar o momento para pegar um dos alvos pela retaguarda, enquanto os outros vinte se faziam de únicos restantes e ignoravam a funcionalidade deste. Harold não considerou previamente que o sistema de aprendizado de um robô pudesse planejar uma rasteira dessas. Ah, muito engraçado, porra.

    Simulação finalizada.

      Data/hora atual: Qui Ago 24, 2017 4:50 am