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    [#01] O Judas de Leão, Parte I

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    Abel
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    [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Abel em Sex Fev 28, 2014 2:29 am

    Sasha Rockenbach escreveu:
    4. O Judas de Leão, Parte I
    Tem algo muito errado com o mago leonino do grupo, Louis. Que tal segui-lo e procurar pistas?
    Local: Qualquer área de risco médio, não importa a temperatura
    Exigências:
     Like a Star @ heaven  Seguir Louis;
     Like a Star @ heaven  Louis deve ser colocado como NPC e suas atitudes devem ser totalmente suspeitas, além do fato de que deve ser bem fiel às características do personagem/signo;
     Like a Star @ heaven  Trabalho em equipe;
     Like a Star @ heaven  Encontrar pistas que levem a uma possível traição, mas nada que, de fato, comprove;
     Like a Star @ heaven  Enfrentar novos tipos de animais modificados;
     Like a Star @ heaven  Levar as provas para Abel.

    Lembrando que:

    Like a Star @ heaven Ordem zodiacal para postagem (dê uma olhada aqui para saber qual a sua vez e os procedimentos que deverá tomar em caso de emergência);
     Like a Star @ heaven  Não ultrapasse do tempo de postagem, a não ser que tenha uma justificativa;
     Like a Star @ heaven  Caso o integrante não esteja presente e não postou em sua vez, o grupo não poderá depender do "devedor", e sim, continuar o turno.
    (Nota: Começa pelo #04 porque é o número da missão dentro da lista.)

    FECHADO - TERMINADO


    Última edição por Abel em Seg Dez 08, 2014 3:14 pm, editado 5 vez(es)
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    Heike_Walker
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Heike_Walker em Ter Mar 04, 2014 2:10 am

    -

    Não fazia muito tempo que o líder das forças armadas e sub-líder dos regentes dos doze signos do zodíaco havia regressado de sua última patrulha. Era de seu costume nesses tempos estranhamente "pacíficos" pegar uma missão atrás da outra; para uns era um líder dedicado e aplicado, para outros era apenas alguém com fogo no rabo e irresponsável. Mas para Heike, se comprometer, correr perigos, se esforçar até a exaustão física e mental eram apenas maneiras de manter a mente conturbada livre de qualquer pensamento estranho e preocupação com a própria sanidade. A ordem principal do conselho da nave mãe era que as áreas de risco do planeta não seriam supervisionadas e que os civis que vivessem próximos a esses lugares não seriam protegidos. O ariano não se importava exatamente com a segurança de tribos estúpidas o suficiente pra ficarem onde não poderiam se proteger, mas nos últimos meses vinha notando em relatórios de alguns esquadrões um aumento grande de atividade suspeita, sem contar o  número de missões que os regentes vinham realizando. Com um poder tão grande que o conselho tinha, Heike considerava uma falha enorme no sistema deixar áreas de risco por fora de sua supervisão, pois esses locais eram perfeitos para se montar bases secretas. Por isso, mesmo sem ordem direta dos superiores o ariano saia em longas patrulhas com alguns soldados de sua confiança, focado a manter tudo no controle.

    Apesar de sua estadia temporária na nave da Terra, o ariano ainda necessitava ir constantemente até a nave de seu próprio elemento lidar com questões burocráticas, manter as aparências e agir como se não estivesse fazendo nada fora do roteiro. Até porque, não considerava estar fazendo nada ilegal visto que eram regiões aparentemente desertas as que patrulhava, então não era como se ligasse realmente pra isso. Assim sendo, logo que colocou os pés na nave principal e liberou seus guerreiros, Heike se colocou a caminhar tranquilamente até o comando da nave do fogo com os pensamentos principalmente focados em comida boa e sexo, agora que finalmente tinha voltado para casa depois de quase uma semana fora.

    Já no local, andou pelo corredor principal preguiçosamente, nem um pouco animado para lidar com burocracia quando viu um grande leão avermelhado atravessando pelo corredor mais a frente. O susto na hora foi grande, mas logo se lembrou que o animal pertencia a Louis, o novo regente da nave do fogo. Mais interessado na criatura poderosa do que em obrigações chatas, o rapaz girou no lugar e mudou de direção, seguindo o felino sozinho discretamente até que estivessem na ala dos dormitórios. Notou o animal indo para um dos grandes quartos e supôs que o guerreiro leonino havia se instalado ali, então caminhou para lá tranquilamente afim de cumprimentar o outro que não via a um bom tempo. Não tinha o costume de ser amigável com ninguém, isso era algo que nenhuma alma viva questionava, porém tinha muito tempo que o posto de regente da constelação de Leão não era ocupado e pôde ver como o homem era forte. Elemento fogo e poderoso? Não tinha nem o que discutir. Só que antes que pudesse de fato chegar ao quarto, pela porta que ainda estava aberta com a passagem do grande animal, o ariano escutou a voz do leonino em um sussurro muito abafado.

    " ... sim, sim, tudo de acordo com o plano, não eu- Não, ninguém desconfia de nada...  "

    Franzindo o cenho em confusão, Heike parou no lugar atento tentando escutar o que ele dizia, porém tão logo a voz do ruivo se findou e o grande leão apareceu na porta, mostrando os dentes em aviso. Mostrando os dentes de volta para o animal, sem se deixar intimidar, o rapaz foi surpreendido pelo próprio Louis que apareceu na porta em seguida com cara de poucos amigos. Sua expressão, ao passar os olhos melhor pelo ariano se modificou para um sorriso largo e convencido.

    " Veja só, se não é o meu querido líder.. A que devo sua ilustre presença? " Perguntou com a voz melodiosa, aproximando-se de um jeito amigável demais. Ligeiramente desconfiado, Heike que tinha uma altura considerável se comparado ao ruivo, cruzou os braços e encarou os olhos verdes do outro com certa hostilidade que lhe era natural. O menor, percebendo que ele não estava receptivo como gostaria, também estreitou os olhos e abriu um sorriso malicioso.

    " Por acaso veio aqui apenas admirar minha beleza? " Provocou num tom jocoso e dissimulado antes que o maior o respondesse, aproximando-se mais e invadindo o espaço pessoal do ariano. " Seria uma pena se eu não estivesse de saída.. Sabe como é, Abel e o conselho. " Pisco sugestivamente e deu de ombros, escorando-se contra o corpo do sub-líder e alargando um pouco o sorriso antes de girar e dar a volta neste. " Mas deixo você me admirar depois, huh? Vamos, Berta. " De costas para o maior, Louis voltou a fechar a expressão e levou a mão direita até a pedra pendurada no grande colar em volta do pescoço, apertando-a com força.

    E com isso o leonino foi embora do local sendo acompanhado de perto por seu leão, deixando para trás um ariano sem expressão, confuso e desconfiado.
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    taurusnero
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por taurusnero em Ter Mar 04, 2014 11:55 pm

    Que horas eram? Bom, não era realmente importante saber aquilo, mas a curiosidade nasceu no taurino quando ele despertou, mesmo que os olhos seguissem fechados. Era dia? Noite? Tarde? Que tipo de comida o esperaria quando, enfim, tivesse coragem para se erguer e seguir para a cozinha? Seus pensamentos eram bem simples, e havia um bom tempo que tudo que corria sua mente seguia uma linha similar. Pensamentos simples, para evitar lembranças complicadas. A cada dia que passava, alguma coisa nova acontecia, e trazia problemas para os guerreiros ali. Ganhara pelo menos uma dúzia de novas cicatrizes, espalhadas em cortes por seu corpo, ou em queimaduras que subiam seus braços de forma sinuosa; ganhara alguns traumas que envolviam companheiros machucados por suas mãos ou por sua incapacidade de protegê-los, e sabia que algo muito ruim estava acontecendo por trás dos panos que eram postos ao redor da pequena esfera oficialmente protegida pelo conselho. Era lerdo, porém não era idiota, e conseguia perceber bem que havia algo de errado.

    Agradecia aos céus não ser o único. Muitas vezes vira o ariano  (a quem tinha mais próximo, já que ele estava usando seu quarto como abrigo após... pequenos problemas) mostrar uma expressão transtornada, como se estivesse incomodado com alguma coisa, e não demorou a descobrir que os sumiços dele estavam diretamente relacionados à percepção de que algo ruim estava acontecendo. Ele saia para patrulhar, e Nero ganhou conhecimento do fato, ao que um dia fora convidado a juntar-se a ele. Porém dessa vez não fora convidado, ou talvez tivesse sido, mas provavelmente rejeitara de forma sonolenta, cansado da missão anterior. Suspirou, pegando-se deslizando os dedos pelos braços, dedilhando as linhas negras da "queimadura" de forma incosciente, enquanto refletia sobre o tal fato, e chegou à conclusão de que quando o ariano voltasse, seria agredido de todas as formas possíveis por sua súbita falta de companheirismo, mesmo que involuntária. Resolveu que seria bem interessante adiar o encontro de ambos. Porém, ao que saiu do quarto - visando caminhar em direção à cozinha, ao mesmo que desembaraçava os cabelos com as mãos -, ouviu sobre a volta do mais novo, e não resistiu a recolher qualquer coisa comestível sem olhar duas vezes, para seguir a passos grandes em direção à nave do fogo.

    Com uma maçã presa entre os dentes, as mãos ajeitando ainda os fios - alguns nós estavam bem complicados de serem desfeitos -, e passos lerdos, porém longos, adentrou a nave do fogo para dar de cara com o leonino saindo acompanhado de seu enorme bichinho de estimação. A face dele não parecia nada agradada, coisa que se refletia também na enorme cara do leão, e aquilo impressionou o taurino, já que não pensava em Louis carregando qualquer expressão que fosse "feia", tendo uma obsessão nada saudável pela beleza. Porém fora só pousar os olhos em Nero para que o rapaz de cabelos vermelhos sorrisse, mostrando sua natural personalidade narcisista, ao que criticava a aparência nada perfeita do guerreiro em comparação à própria. O moreno ignorou, obviamente, antes de questionar diretamente sobre o ariano. Conseguira sua resposta, e agradecera de forma educada, antes de continuar seu caminho, por mais que ainda arriscasse um olhar diferente para as costas do leonino, sua mente estranhando o comportamento anterior do menor, ou ao menos até poder encarar o ariano e perceber o quão incomodado ele parecia também. Aquilo não cheirava nada bem.

    Aconteceu algo?
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    Rin Damien
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Rin Damien em Qua Mar 05, 2014 2:08 am

    Os dias pareciam estar tão conturbados e cheios de empecilhos que achar o que limpar não estava se tornando apenas um hobby, diversão, ou ritual, o que quer que fosse para o virginiano. Eram horas em que sabia que provavelmente teria paz, e apenas podia esperar que nada explodisse nas naves ou que algo não trocasse o sexo dos guerreiros dos signos. De novo. Haviam conseguido reverter aquilo após certo tempo tempo, com a cooperação de quem começara tudo, e Rin voltara ao que normalmente era, ao seu corpo não considerado exatamente masculino. Era o corpo que se acostumara a ter, e estava contente com o resultado, a não ser pelo fato de seus cabelos aparentemente não terem entendido a mensagem para voltar ao normal e continuarem curtos. Apesar de ter ficado desapontado com este aspecto, tinha que admitir que certamente era conveniente não ter que passar quase nenhum tempo cuidando de seus fios, e que não eram tão propensos a ficarem bagunçados ou se embaraçassem a algum lugar ao ponto de ter de prendê-los. Após alguns dias, já estava acostumado, e pensamentos vagos passavam por sua mente, como, "não seria mais conveniente se os outros cortassem os cabelos, também?"

    Se distraia com tais divagações e planos de como convencer os outros a tomar uma medida prática para o problema, ou então como resolvê-lo por si mesmo. Cortar cabelos enquanto dormiam não parecia uma tarefa tão difícil, não tanto quanto impedí-los de fazer besteiras. Enquanto pensava em tais coisas, estava limpando um corredor qualquer, um esfregão em mãos, o arrastando contra o chão até que ficasse tão brilhante que não precisariam se preocupar em comer em cima dele. Claro, esperava que não fizessem algo tão nojento. Mas não sabia, considerando com quem convivia. Nero provavelmente pegaria comida do chão, se a achasse lá. Repentinamente, passos no corredor chamaram sua atenção, e antes mesmo que amaldiçoasse mentalmente quem quer que fosse por ter de limpar o mesmo lugar novamente após o indivíduo passar, ficou surpreso com quem vira. Louis, o regente de leão, seguido de seu.... Leão de estimação. O vira poucas vezes, mas certamente não aprovava de um bicho daquele tamanho e daquela natureza no interior da nave, e nem queria pensar na sujeira em que criar algo assim traria para o ambiente.

    Antes que pensasse em reclamar, no entanto, notou algo de diferente na expressão alheia. Ele parecia concentrado, estressado, e andava como se tivesse pressa para sair dali; nem ao menos cumprimentara o regente de virgem ao passar, apenas o lançando aquele sorriso desagradável que parecia ter quase sempre no rosto. Isto poderia ser considerado normal. Mas... "Bom dia pra você também." Comentou, deixando o esfregão encostado na parede e passando a andar ao lado do outro, com um sorriso educado na própria face. Louis poderia até estar saindo para uma missão, mas algo não cheirava bem. E Rin não gostava deste tipo de coisa. "Pra onde está indo? Sabe que não é bom trazer este.... bicho pra todo lugar que vai, certo? Se bem que, nunca te vejo por aqui direito. Mas, se pudesse deixar ele num lugar melhor, ele ficaria mais feliz, hm?" Sabia muito bem que estava puxando uma conversa furada (apesar de considerar ter razão sobre o leão), e suas palavras foram recebidas com a expressão mais desagradada possível, e por um segundo achava que ele pararia de andar; porém, enganou-se.

    "Um animal tão belo quanto eu tem que ficar no mesmo lugar que o dono. E não é bicho, o nome é Berta." Ao menos ele respondera, quase normalmente. "E, tenho mais o que fazer do que ficar conversando com gente que brilha menos que eu. Coisas pro conselho, sabe." Para isto, o sorriso de Rin apenas aumentou, e tão educado quanto sempre, apenas comentou, "Está indo conversar com Abel? Que bom, também tenho que falar algumas coisas com ele. Vou com você." Bingo. O leonino ficou em silêncio por alguns segundos, até parar. "Não, não, lembrei que tenho algo pra fazer. Abel vai ter de ser agradado pela minha linda presença depois. E meus rituais de beleza não vão ser compartilhados com você." Então ele apressou o passo, e Rin parou, deixando-o ir por alguns instantes, se perguntando se deveriaa seguí-lo ou não. Parecia de algo que tinha que comunicar aos superiores, talvez aos líderes. Não duvidava que se houvesse algo errado, eles já suspeitariam de tal. Sobre o que era aquilo...? Queria seguí-lo, mas não achou sensato fazê-lo sozinho. Louis era poderoso demais, e não queria deixá-lo com raiva, ao menos não sem companhia. Além de que, gostaria de poder se passar por alguém inocentemente curioso e educado enquanto pudesse. Pensativo, deu meia volta, planejando encontrar qualquer um dos designados líderes. Depois que guardasse o esfregão que deixara no corredor, é claro.
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    RenWalker

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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por RenWalker em Sex Mar 07, 2014 1:16 am

    O andar insinuante era acompanhado de um rebolado sedutor; os quadris se movendo com perfeição, os passos fazendo com que o ruivo ficasse cada vez mais próximo de seu destino. Os pés tocavam o chão com delicadeza e, ao mesmo tempo, certa firmeza. Afinal, essa era exatamente a qualidade de um sagitariano: bruto como uma besta, pensador como um animal racional... Embora não usasse seu lado racional às vezes. Todavia, por mais que o sagitariano fizesse o tipo "engraçadinho" e até mesmo irresponsável do grupo, era ele quem tomava conta de algumas missões e acompanhava o andamento das mesmas. Afinal, Abel confiava cegamente naquele guerreiro, de olhos vendados e com as mãos no fogo. Ren não vacilaria de jeito algum.

    Chegou até a sala de controle, na seção responsável por missões mais simples, as quais a autorização de Abel não é tão necessária assim - apenas a do Conselho Supremo e os responsáveis do Distrito correspondente - e se dirigiu a uma das mesas. Pôs suas mãos sobre os ombros de um dos trabalhadores, que levara um susto ao notar a presença repentina do jupiteriano ali, arregalando um pouco os olhos e engolindo saliva à seco. Ren era sensual em cada movimento que fazia, e sua fama de sedutor se espalhara rápido na nave desde o primeiro dia que a mereceu. Mesmo que não tivesse feito absolutamente nada para a reação daquele pobre homem, só o fato de Ren estar ali, já mexera com ele.

    "Senhor Herder!" Embora o cargo do homem estivesse abaixo ao cargo de Ren dentro da hierarquia, o ruivo o tratava com o devido respeito e o chamava pelo sobrenome. Era o mínimo a se fazer!

    O homem até sabia o motivo de Ren estar ali. Acessou o banco de dados pelo computador e imagens holográficas foram geradas, para que o sagitariano pudesse ver o conteúdo sem visualizar o monitor.

    "S-Senhor Walker, a lista contém algumas missões simples, mas aprovadas. Atualizei o banco de dados há trinta minutos e muitas missões foram carregadas no sistema."

    Ren arqueou uma das sobrancelhas. Alguma coisa estava errada.

    "Não é possível..." Permaneceu analisando as imagens. "Mostre-me o restante da lista, por favor." E o homem o fez, exibindo cada missão - sem os detalhes - para o guerreiro próximo de si. Ren levou a mão ao queixo, pensativo. Alguma coisa estava bem errada. "Herder, muitas dessas missões, a polícia do Distrito pode se encarregar. Não é tarefa para nós, os Guerreiros Zodiacais. Pegamos as mais simples quando o lugar é bem perigoso e, quando não tem a permissão de Abel, os requisitos são ainda maiores..."

    "Mas senhor, meu trabalho é apenas atualizar a lista e jogar as missões para o banco de dados dos Guerreiros... Eu não tenho acesso a elas, infelizmente, pois se eu tivesse, poderia ajudá-lo."

    "Tem alguma coisa muito errada... É muita missão desnecessária. Herder, preciso de uma cópia urgente da lista de missões."

    "Sim, senhor Walker!"

    E então, o sagitariano pensou que poderia ter uma ideia de quem teria dedo nessa história.

    Com a cópia dos arquivos em mãos, dentro de um pequeno chip com grande capacidade de armazenamento de informações, caminhou pelos corredores em busca de algo que pudesse cessar suas dúvidas. O andar já não possuía aquele rebolado chamativo e sim passos ligeiros e intensos, deixando claro que estava com pressa e que não estava com tempo para "chamar a atenção". Ren era sagitariano impulsivo, afinal de contas, e sabendo que poderia ser algo simples e de fácil resolução, não era tão fácil manter a calma. Uma coisa havia herdado de Nerissa, sua mãe: Walker pode até saber lidar muito bem com imprevistos e ser otimista, mas odiava ter de se virar na hora, em casos sérios como burocracia e, pior, que tenha ligação com a segurança da população da nave e com as energias das constelações!

    Sequer olhou para a frente de tão nervoso que estava e se odiava naquele momento por sua ansiedade e nervosismo, até se chocar contra alguém, no meio do caminho. O arqueiro caiu de bunda no chão, levando a mão à própria testa, pois havia batido com a cabeça no queixo de um homem.

    "Te machuquei?" O sorriso era lindo e a aparência era encantadora. Estendeu a mão para o mais baixo, e este a segurou, se levantando.

    "Obrigado, Louis. Eu estou tão nervoso que não sei o que fazer..." Sorriu.

    "Nervoso? Quanto ao quê?" Louis não era burro e Ren era extremamente transparente, e foi logo perguntando, sabendo o quão "livro aberto" o jupiteriano era.

    Mas Walker também não era burro.

    Procurou o chip no chão e o apanhou, sendo observado por Louis em cada movimento. Não suspeitava dele no momento, porém, certas coisas se resolviam apenas com certas pessoas... E Louis não era a pessoa adequada para aquele problema.

    "Ah, nada! Tá tudo bem!" Olhou Berta e o acariciou por cima de sua cabeça. "Olá, Berta! Você está tão lindo hoje!"

    "Melhor não inflar o ego dele. Ele também é leonino."

    "Ciúmes porque eu elogiei seu leão e não você?"

    "Ah, que nada. Eu sei que eu sou mais lindo."

    Apenas deu de ombros, rindo e se retirou. Caminhou rapidamente até a nave da terra, procurando por seu protegido ou seu amante - embora eles fossem as últimas pessoas a precisar de proteção agora -, e bateu na porta do quarto de Nero, visando que Harold não estava por lá. Ele era um dos líderes, deveria mostrar o que viu ao ariano e, também, ao capricorniano!

    "Heikkun! Você está aí? Eu encontrei algo super estranho!" Chegou a cogitar de que havia alguém por trás daquele problema. Ou era apenas um erro no sistema da nave - o que era muito raro - ou alguém estava tentando despistar os Guerreiros com missões como aquelas. Se fosse obra de Kain, dava tempo de correr atrás do prejuízo - seja ele qual for - e repará-lo.

    Notas em off:
    Eu sei que o turno ficou meio merda. Se acharam que ficou ruim, posso refazê-lo. ;; Caso contrário, a vez agora é do Haro.


    Última edição por RenWalker em Dom Mar 16, 2014 5:14 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Cometi um errinho. Heike não tem mais quarto e citei o quarto de Heike. Corrigi pro do Nero e incluí Harold.)
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    Harold Wilhelm
    Capricórnio

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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Mar 09, 2014 9:24 pm

    Aquela sala era utilizada exclusivamente pelos guerreiros do zodíaco. Lá, havia tudo o que necessitavam para que exercitassem seus corpos e mentes para batalhar. Pelo menos nas horas em que não trabalhava, Harold se submetia a um treinamento árduo sempre que podia, nunca totalmente satisfeito com suas habilidades atuais. Disposto a uma evolução contínua, o capricorniano era conhecido naquele lugar por raramente ser visto descansando. Cada minuto do seu dia era ocupado com alguma coisa. Seja relatórios, patrulha, treinamento, missões, pesquisas e, como se não bastasse, ainda precisava fazer a análise das missões feitas por seus companheiros e avaliar seus relatórios por conta própria. Procurava não cansar tanto sua mente, como seu corpo, apesar de toda aquela ocupação ser feita por pura necessidade. Não conseguia manter seu corpo e sua mente parados ao mesmo tempo. Pelo menos algum deles precisava trabalhar, e se a cabeça cansava, o corpo ainda tinha energias. Se o corpo cansava, já havia extravasado a mente o suficiente para voltar à pensar com clareza. Três horas de sono eram suficientes para suprir qualquer exaustão. Não havia espaço para emoções, o Capricórnio sentia com o cérebro, e apenas isso... Exceto quando se tratava de alguém em especial, que pareceu confundir toda essa organização no ser do albino. Era de certo frustrante, mas pensando como se todos necessitassem de uma fraqueza, era natural também. Até mesmo um psicopata precisava de uma falha. Mas enquanto esta figura se permanecia ausente, Harold funcionava como sempre.
    Estava no meio de uma simulação de batalha, onde testaria uma nova atualização de seu braço mecânico.  Não vestia sua roupa de combate, não era necessário. A simulação começava ao soar de um sinal, e Harold abria a palma da mão mecânica, estendendo-a para frente. Os alvos eram hologramas que corriam rapidamente, em formas de animais ou mesmo de pessoas. Tiros eram disparados da mão do rapaz, sem precisar transformar o costumeiro canhão. Havia configurado o sistema para exibir alvos menores, porém mais rápidos. Como gostava de se por à prova, quase exagerou na quantidade de oponentes, mas não parecia impossível de lidar. Não usaria a forma verdadeira de sua arma, apenas da abertura em sua palma que disparava projéteis muito menores que o canhão, e menos potentes, mas suficientes para alvos assim. Bem mais prático, era um saco atirar em coisas pequenas e destruir todo o resto que estava atrás. Hologramas no formato de insetos se espalhavam pelas parede da sala. O rapaz cerrava o punho, e camadas do metal no braço abriam-se em pequenos compartimentos. Pequenos mísseis com sensores de direção se espalhavam pela sala, e explodiam seus alvos. A simulação se interrompia. A lente esquerda de seus óculos emitiu uma lista quase infinita de códigos.

    ─ Mais missões? Ontem mesmo fiz a análise da metade e faltavam apenas algumas. Estamos em guerra pra surgirem tantas assim? ─ Reclamou em voz alta para si mesmo. Não havia ninguém no local e o eco de sua voz era ouvido em alto e bom som.
    Senhor, são missões realizadas em distritos próximos e não possuem um nível de risco alto, como procede pelo código 66S. Missões assim não são avaliadas e realizadas pelos guerreiros, a polícia ou mesmo o exército do distrito são obrigatoriamente responsáveis por missões de risco até o nível baixo, código 40A. ─ Por outro lado, a voz de Arthemis era ouvida apenas por ele, em sua cabeça, vinda pela sutil conexão magnética dos óculos com seus neurônios. Sistema criado por ele próprio.
    Desnecessário. Estranhamente desnecessário. ─ Ficou calado.

    Tinha acesso a praticamente todas as informações vistas pelos operadores da Central. Ele vasculhava o sistema quase como um hacker, a diferença é que tinha a permissão de Abel para tal. O único sistema que ele não tinha acesso era do Conselho. Não que eu já não tivesse tentado bisbilhotar o que tem lá, heh. Guardava todas suas desconfianças para si, até ter com quem tirar satisfações. Saía da sessão de simulação, dirigindo-se ao corredor da nave de seu elemento. Caminhava pelos corredores com a mente trabalhando, e os funcionários no trajeto já nem tentavam mais cumprimentar o Capricórnio. Sabiam que não obteriam resposta e, se insistissem, receberiam apenas um olhar gélido e de desprezo. Mesmo que tivesse uma relação nada saudável com seu colega de liderança - o Áries, Heike -  líderes deveriam compartilhar conhecimentos se isso afetava o resto do grupo. Deixar as desavenças de lado era o mínimo e não era difícil para o albino. Pelo instinto de liderança do ariano, provavelmente não seria para ele também, embora fosse bem menos tolerante. Porém, antes que pudesse alcançar a nave do Fogo, seu caminho recebeu um inesperado obstáculo vindo pela esquerda. Um leão enorme caminhava com toda sua imponência, na direção perpendicular à sua, acompanhado por seu dono e regente da constelação de Leão.

    Não o cumprimentou, não daria espaço para o rapaz começar a tagarelar sobre si. Tempo para aquilo não tinha. O menor vinha ao lado de seu animal, e os olhares dos dois guerreiros encontraram-se por meros segundos. Por mania de análise, Harold sabia "scannear" uma pessoa apenas por seus movimentos, expressões, tom de voz e etc. O olhar que Louis lhe deu não foi de sua costumeira soberania e puro exibicionismo. Não foi de quem joga o cabelo para o lado pra fazer charme, e tenta seduzir apenas pra massagear o próprio ego. Aquele foi um olhar de... Apreensão? De quem escondia algo. De quem queria ver qualquer um, exceto o capricorniano em seu caminho. Não era fácil tapear Harold, e o único que não sabia daquilo, era o imbecil do sagitariano... Porque era imbecil.

    Mudou de rumo. Louis passou reto por si, sem dar uma palavra e até mesmo acelerou o passo, sinalizando ao leão que acompanhasse seu ritmo. O seguiria, falaria com Abel mais tarde. Aquela atitude do leonino foi estranha demais. Como líder, não deixaria passar qualquer sinal de que tudo não estava correndo como deveria. Entretanto, se Louis não percebia sua presença o seguindo, o leão percebeu. O rugido saiu grave e contido, apenas como uma ameaça prévia, enquanto o animal olhava ameaçador para o caprino. Harold arqueou uma das sobrancelhas, percebendo Louis notar sua presença por aviso do felino, e então acelerar mais ainda sua caminhada. Não quer papo comigo, bichano? Desacelerou. Ele estava estranho ao ponto de querer fugir. Ver um regente do fogo querer fugir era a gota d'água. Parecia um gato assustado. Não iria atrás dele sozinho. Desviou seu caminho mais uma vez, em busca de algum dos companheiros de nave do leonino, ou mesmo, de qualquer outro que aparecesse ali. Sabia que o regente era poderoso e se quisesse ter uma vantagem certeira, precisaria de ajuda.
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    Aya Katsaros

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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Aya Katsaros em Sex Mar 14, 2014 12:17 am

    Podia-se dizer que o libriano era um ser demasiadamente sortudo, não só pelo fato de ter conseguido sobreviver tantos anos na forma de um gato e livre de sua consciência humana mas também por ter se tornado o Regente de Libra e estar levando até então uma vida relativamente tranquila. Poucos problemas chegavam até si por parte da Nave do Ar, e agradecia mentalmente por isso,afinal, tomar decisões e estar propenso a desagradar os habitantes com as mesmas não era algo que Aya lidasse de forma fácil e por isso torná-lo líder do seu elemento seria no mínimo, burrice. O mestiço funcionava bem em sua posição de mago defensor de seu elemento, sabia resolver muito bem os problemas menores dados a si e se empenhava em desenvolver seus poderes cada vez mais afim de minimizar o cansaço provocado pela rotação entre magia branca,mista e negra; toda esta ação porém era restrita à noite, como um bom felino doméstico o gato bicolor descansava pacificamente em sua almofada perto da cama do Ariano, seu dono por um tempo considerável.

    A região de sua garganta vibrava delicadamente devido ao ronronar suave gerado pelo felino em sua soneca rotineira, só sairia dali caso fosse convocado na própria nave ou tivesse alguma missão destinada à si, porém os olhos safira se abriram vagarosamente, seu sono havia sido interrompido por um sentimento um tanto ruim em seu peito; levantou e se espreguiçou apoiando-se nas patas dianteiras fazendo uma espécie de reverência, pulando com graça e leveza no chão para sair sorrateiramente do quarto de Heike. Mal chegara à metade do corredor e deu de cara com um outro felino muito maior do que ele mesmo, a cauda se agitou em desagrado, não gostou da ideia de partilhar sua “exclusividade” com o rei dos felinos; porém algo estava errado, o leão parecia querer impedir seu caminho como se escondesse algo e quando fez a menção de avançar e apurar um pouco a audição, recebeu um rugido como resposta. Intrigado, o libriano tomou a forma humana e cruzou os braços na frente do leão, sendo surpreendido pela voz de Louis.

    -Ora,ora minha beleza anda tão requisitada assim que recebo visitas até de regentes de outros elementos? – um sorriso convencido porém cortês adornava os lábios do outro.

    -Na verdade foi esse seu gato ai que deve ter me acordado. Aliás,o que você tá fazendo ai? Uma bomba? –apontou para o felino ainda em pose intimidadora –Esse ai não queria deixar nem eu passar no corredor guardando a porta! –havia feito uma brincadeira e até sorrira, mas sua piada não havia surtido efeito, Louis não pareceu muito confortável.

    -Não é óbvio? Estava admirando a minha maravilhosa face e ficando ainda mais bonito para dar um pulo no Conselho, sabe como é né. Pessoas especiais e importantes fazem coisas à altura, não podem ficar dormindo o dia todo. – O ruivo sorriu e chamou o grande felino pra dentro, encostando sua porta. Aya apenas deu um sorriso irônico em retribuição e deu de ombros. “Se você soubesse o que eu poderia fazer com esse sorrisinho com apenas uma gotinha de sangue, você não diria que eu só sei dormir o dia todo.” –pensou e continuou a caminhar.

    A atitude de Berta ficou martelando em sua cabeça e resolveu tomar uma xícara de café, quem sabe o virginiano não estaria por ali e pudesse dizer algo sobre a situação, até mesmo garanti-lo que aquilo era um sentimento bobo e não havia razões para desconfiar de nada.

    Nota:
    A cartela de cores tá me lembrando pepsi ainda kkkk. Enfim, tá ai espero que não tenha ficado muito bosta
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Heike_Walker em Seg Mar 17, 2014 8:01 pm

    Heike ainda estava sem palavras depois daquele estranho encontro com Louis.

    Pior do que sua personalidade atrevida e convencida, que chegava a ser mais irritante do que Ren, foram as palavras sussurradas que tinha escutado um pouco antes de se encontrarem. Quer dizer, não estava ficando paranóico, estava? Ok, talvez estivesse, considerando toda a situação em que se encontrava relacionada a desconfiança relacionada ao sistema e as alucinações que vinha sofrendo junto a vezes em que perdia o controle dos próprios atos ao se irritar ou estressar demais, porém dessa vez tinha certeza de que havia escutado realmente o leonino dizer aquelas coisas. Estalou os lábios e fechou os olhos ao que franzia o cenho, repassando na cabeça a voz aveludada do ruivo.

    " ... sim, sim, tudo de acordo com o plano, não eu- Não, ninguém desconfia de nada...  "

    Plano? Ninguém desconfia de nada? Ok, isso era realmente muito estranho para não ser nada. O primeiro encontro que tiveram com Louis no momento em que foram atacados no meio do nada tinha sido muito conveniente e não sabiam nada dele quando o levaram para a nave mãe. Pela força de seu poder tinha ficado muito animado em tê-lo como companheiro de elemento, por isso não pensou muito sobre o fato dele realmente conseguir entrar com tanta facilidade fora da época dos torneios gerais, confiando no julgamento de Abel e do conselho. Porém, tendo escutado aquilo e pensando melhor também no fato de que não conseguia confiar totalmente em seus queridos superiores ultimamente, o líder do exército e dos regentes não podia deixar de desconfiar seriamente do que tinha escutado ali. A situação em si, em todos os aspectos, criava uma certa desconfiança.

    Tendo decidido que realmente desconfiava do pequeno rapaz e seu leão, mal teve tempo de realmente se preocupar com o que tinha escutado quando ouviu a voz de Nero e foi forçado a empurrar todos esses pensamentos para o fundo da mente. Abriu os olhos e se virou para o taurino estalando os ombros e o pescoço, e apesar de sempre estar parecendo furioso olhares mais atentos agora poderiam perceber no ariano uma irritação assustadora, fingida num sorriso selvagem. Ah, Nero. Estava tão puto com o moreno. Ele tinha ciência de que era um dos guerreiros mais valiosos para o ariano, não só pelo fato de treparem sempre que possível, mas por toda sua força física e sua capacidade de não se deixar levar pelas emoções num momento crítico. O guerreiro seria um canditato em potencial para ser líder, SE NÃO FOSSE POR TODA AQUELA PREGUIÇA E INDIFERENÇA DE SUA PARTE. Tremendo de raiva levemente ao pensar nisso, pensar que na semana anterior tinha chutado, sacudido e tentado derrubar da cama aquele tanque que o guerreiro era, para seguirem juntos na patrulha e ter sido mortalmente ignorado, não podia manter a calma, não conseguia.

    Permaneceu parado no corredor até que ele se aproximasse e assim que considerou o suficiente girou o corpo e com facilidade chutou para longe aquela maçã da mão dele. Mesmo que a dias sem dormir, nunca estava cansado demais para agredir o taurino. Pensou nisso num intervalo curto de tempo antes de avançar para cima dele novamente se aproveitando do fato de estar com armadura, usando o propulsor que tinha nos calcanhares para agilmente desferir uma joelhada na boca de seu estômago, empurrando-o de forma bruta e violenta contra a parede. Ainda que o outro fosse extremamente forte e resistente estava apenas com a roupa no corpo, então atingir ele foi tão fácil quanto sem graça. O prendendo contra a parede fria de metal, agarrou sem muito cuidado os fios de sua franja e puxou para trás com força, podendo finalmente dar uma olhada em seus olhos. Estava tão puto e com tanta saudade. Ficou encarando-o em silêncio por um momento e então se aproximou como quem iria beijá-lo, mudando de ideia no meio do caminho e desferindo nele uma cabeçada forte, testa a testa.

    O que tem a dizer em sua defesa, Touro?
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por taurusnero em Ter Mar 18, 2014 9:38 pm

    Não era como se não esperasse todo o "carinho" do mais novo para consigo, mas ao que se aproximou, questionando-o com um ar preocupado, esqueceu-se momentaneamente do que poderia vir a acontecer. Por isso fora com surpresa, e uma evidente tristeza, que vira sua amada maçã fugindo de suas mãos e voando para um canto qualquer da nave. E mal teve tempo de choramingar o desjejum perdido, quando fora acertado por uma joelhada que o fez praticamente voar contra a parede, tossindo, desnorteado, e enjoado o suficiente para quase por para fora as mordidas que dera na fruta. Ah, mas, claro, não faria aquilo; até parece que perderia o pouco alimento que colocara no estômago. Com um suspiro pesado, tentando se recuperar da dor, apenas encarou o ariano, aproveitando todo o espaço que possuía, já que os fios não estavam mais bloqueando seu olhar, e quase abriu um sorriso ao perceber o outro se aproximar daquela forma, pena que ao invés do beijo esperado, conseguira uma dor de cabeça.

    Também senti sua falta.

    Sua única resposta antes de abrir um sorriso mínimo para o outro e levar as mãos aos seus ombros, o afastando com a força que possuía - e que agradecia aos céus ser o suficiente para "parar" o ariano (se é que se pode parar o imparável)-, antes de lhe roubar um selar e pedir desculpas contra os lábios alhieos. Infelizmente, não pretendia prolongar aquilo, já que continuava curioso, afinal encontrara Heike com uma expressão nada boa. Aliás, uma expressão nada boa e que não era a de ódio, a qual já estava acostumado, e não contava mais como uma expressão ruim.

    Você me bate mais tarde, certo? Eu deixo, mas vamos conversar antes.

    A voz do taurino era calma como sempre, por mais que não exibisse a natural preguiça, aliás, parecia quase urgente, se não fosse pelo fato de nunca falar muito mais rápido que o convencional. Sem dizer nada mais, e ciente de que o outro entendera a que se referia, prendeu a mão ao redor do pulso alheio sem usar de muita força, e o guiou silenciosamente por todo o caminho para seu quarto, aliás, o quarto de ambos, já que Heike havia perdido o próprio, e, não ousaria falar em voz alta, merecidamente. No entanto, as coisas pareceram muito mais estranhas quando, ao que finalmente chegaram ao cômodo, deram de cara com Ren, ali, batendo em sua porta e perguntando sobre o líder. Os olhos do maior correram para o rapaz que arrastava e depois se voltaram ao mais velho dentre os três, com quem não falava muito, realmente, mas que sabia que não era boa notícia nunca - seja por notícias realmente ruins, ou pela presença expansiva e exagerada demais.
    Ainda silenciosamente, apenas se aproximou do mais velho e o fez se afastar o suficiente para abrir a passagem para o próprio quarto, a expressão muito mais séria que a de costume, quando finalmente se pronunciou:

    Entrem.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Rin Damien em Qua Mar 19, 2014 8:41 pm

    Depois de ter guardado o esfregão devidamente no armário de limpeza, e ainda parar brevemente na cozinha para fazer uma xícara de café, saiu do cômodo com a mesma na mão, bebericando o líquido enquanto andava. Esperarava encontrar alguém para que pudesse falar sobre o comportamento peculiar de Louis, de preferência, um dos líderes. Por sorte, em pouquíssimo tempo achara um; o menos pior dos que foram nomeados para aquela posição, ao menos. Passou a andar ao lado de Harold, sem ver necessidade de parar no meio do corredor, e, se continuassem a andar, provavelmente encontrariam outros. Harold. Cumprimentou-o, com um aceno de cabeça, o sorriso de sempre no rosto, andando mais alguns passos antes de começar a falar. Notou alguma coisa estranha com Louis, recentemente? Não que ele já não fosse estranho normalmente, acrescentou em pensamento. Tanto narcisismo não poderia ser saudável. Acabei de encontrar ele, e além de parecer preocupado, mentia sobre onde estava indo. Ninguém no estado que ele está mente bem. Ponderou, refletindo no que poderia estar errado. Não sabia se havia alguém que confiava realmente no representante de Leão, além de Abel, mas sabia que não era um deles. E que se houvesse algo de errado, deveria ser investigado imediatamente.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por RenWalker em Sex Mar 21, 2014 10:12 pm

    O olhar assustado do sagitariano era direcionado a ambos; ao taurino e ao ariano. Ren geralmente entraria fazendo a festa, abusado do jeito que era, irreverente e sequer se importando sobre o local onde estava - afinal, ele não tinha tanta afinidade com o moreno como tinha com sua cria, Heike. Suspirou pesadamente, adentrando ao cômodo em passos nada rápidos - o que não era de seu costume - e, sem a permissão do rapaz mais novo, dono do aposento, Ren se assentou sobre uma poltrona (que provavelmente era a queridinha de Nero, ou não) e apoiou os antebraços nos braços do assento. Bom, apesar do humor, continuava sendo o Walker de sempre, afinal.

    "Tenho uma boa e uma má notícia." Declarou, fitando seriamente para ambos, que provavelmente, naquele momento, estavam a sua frente. "Primeiro, a má."

    Deu a frente, sequer se importando com a opinião dos outros sobre boa ou má notícia. Aquilo não era necessário, sabendo que a situação era extremamente delicada.

    "Eu verifiquei alguns dados, fiz uma lista geral de missões pendentes, e não, não fiz a mando de Abel. Ele sequer sabe que eu fuxiquei os dados." Riu baixo. "Mas eu notei algo muito, mas muito estranho. Raramente saímos da nave para uma missão séria. Não há mais investigações sobre Kain e tampouco sobre o que Tae* me disse a respeito dos supostos guerreiros que ele tem. Eu não tenho certeza de nada, mas é melhor tomarmos cuidado." Apertou um botão da poltrona e, ao notar que ela mexia a parte superior do assento para frente e para trás, Ren ficava pressionando várias vezes aquele botão. Por quê? Porque ele era retardado mesmo.

    "Aliás..." Finalmente, parou de apertar o maldito botão. "As missões que temos feito... São extremamente inúteis para nós. Os policiais poderiam muito bem se encarregar disso, não poderiam? Eu pensei em falar com Noir* a respeito disso, mas não sei... Achei melhor contactar a vocês primeiro, e depois conversar com Noir e Abel juntos. É muito estranho pegarmos missões que normalmente são dadas aos policiais e aos cargos mais baixos."

    Levantou-se do assento, levando uma das mãos ao bolso lateral de sua curta bermuda.

    "Agora a boa notícia! Tenho como provar o ocorrido porque eu gravei todos os dados num chip!" Tateou o local, mas não encontrou nada. Procurou por todos os bolsos, mas não havia encontrado chip algum.

    Espera... Espera!
    Quando eu deixei o chip cair ao chão, eu o coloquei no bolso, correto? Então... Quando Louis passou por mim... Não, não pode ser possível. Não tem como ele pegar. Aliás, ele nem sabia pra que serviria! Fora que ele não tem ligação alguma com o caso, então acho que eu perdi porque fui idiota, mesmo.


    "Então... Tenho mais uma má notícia."
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Mar 22, 2014 12:40 am

    Naquele momento, os passos largos e silenciosos dos pés descalços, dirigiam o Capricórnio para fora da Nave do Fogo. Odiava ter que voltar o mesmo caminho que havia feito, sem ter concluído seu primeiro compromisso, mas deixaria para esclarecer suas dúvidas com Abel mais tarde. E quem sabe, não pudesse descobrir mais? Estranhamente, as coisas pareciam ter ligações finas, como linhas de seda. Não podia deixar de desconfiar, ou de pensar sobre. Mesmo que pudesse ser só impressão sua, o olhar de Louis repetia-se em sua mente várias vezes. Trabalhar com as impressões e sentidos não era seu forte, visto que apenas a lógica era confiável ao seu ver. Mas, também, estava sendo bastante lógico desconfiar do leonino, mesmo sem ter provas concretas no momento. Há algum tempo pisara nos corredores da Nave da Terra, o elemento regente de seu signo e de seus dois companheiros de "casa".

    Harold? A voz calma, limpa e serena que conhecia muito bem, resolveu surgir de repente ao seu lado. Se fosse alguém escandaloso, como Zion, por exemplo, teria dado um pulo, caído e perguntado de onde diabos o virginiano resolveu brotar. Mas como reduzia ao máximo esses tipos de reações, ele se limitou apenas a arregalar os olhos enquanto franzia o cenho. Olhou o loiro de cima a baixo, estranhando a falta de comprimento dos fios loiros, mas não reprovava. Seu semblante voltou ao de costume assim que o menor continuou a pronunciar-se.

    Não precisei trocar palavras com ele pra perceber que tem algo de errado. Mas vejo que minha desconfiança foi certeira, já que você também notou isso. ─ Continuava a caminhar ao lado do Virgem, e desta vez dirigia-se ao quarto de Nero. ─ Topei com ele à caminho da Nave Central, enquanto passava pela Nave do Fogo. Ele me olhou bem apreensivo. Não é do feitio narcisista dele se incomodar com a minha presença, é orgulhoso demais pra isso. Está escondendo algo. ─ Harold tinha essa incômoda mania de deduzir tudo, mesmo que as pistas sejam minúsculas.

    Mas algo não estava se encaixando. As missões desnecessárias não faziam sentido, e mesmo que pudesse ser um problema à parte, o cérebro do albino insistia em martelar naquela questão. Estava esquecendo de algo. Ou melhor, não estava cogitando algo. Algo bem importante. Aquilo reduzia seu humor que já não era muito, e finalmente parava frente à porta dos aposentos do taurino. Como tinha acesso à todo o sistema das naves, poderia muito bem ter aberto a porta por ter conhecimento dos códigos necessários, mas respeitava a privacidade de seu companheiro. Mas, antes que pudesse chamar pelo nome do regente em questão, ouviu uma voz conhecida vinda do interior do cômodo. Reconheceu o dono daquela voz contínua, de quem não conseguia calar a boca se outro alguém não fizesse isso por conta própria. Torceu mentalmente para que Ren não estivesse ali no intuito de só atrapalhar, mas apesar disso, não se incomodaria de fato se ele o fizesse. Estava há um tempo conseguindo cumprir suas obrigações, sem ter o sagitariano pulando ao seu lado como se tivesse tomado pílula de Ecstasy. Era engraçado olhar as reações do ruivo para tudo que dizia a ele, ou nas mais diversas formas em que tudo terminava em sexo, inexplicavelmente.

    Nero! ─ Chamou pelo dono do quarto, para que o mesmo pudesse abrir a porta. Se Ren estava ali dentro, entrou na companhia do taurino e seria ótimo se o primeiro líder estivesse presente também. Pouparia bastante tempo. Mas antes que alguém pudesse atender ao seu chamado, o sistema que utilizava a personificação de sua falecida irmã pronunciou-se.
    O sistema de proteção RN foi quebrado, senhor. Uma alteração clandestina nos dados da Central está sendo efetuada neste momento. ─ A voz de Arthemis novamente lhe informava a situação. O semblante de Harold tornou-se tenso, mas sem deixar a frieza de lado.

    Pouco tempo teve pra olhar o interior do quarto, e quem estava nele quando este se abriu. A ordem saiu direta e sem rodeios.

    O sistema da Central está sendo invadido de dentro da Nave. Mexam-se! ─ Não esperou resposta até disparar-se em direção ao corredor que ligava a Nave da Terra à Nave Central. Realmente, conectar Arthemis ao banco de dados da Central foi uma das melhores decisões que já tomara por ali. Permitia-o ver o que estava sendo feito em tempo real de cada operação, e para ocasiões como aquela, tinham agora a chance de pegar algum trapaceiro no flagra, se fossem rápidos.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Heike_Walker em Dom Mar 23, 2014 2:26 am

    O ariano teria sorrido em ansiedade e mesmo animação ao esperar a reação do moreno diante do que lhe causou, achando que ele ficaria com raiva o suficiente para revidar ou quem sabe até que o agarrasse para matar a saudade. Doce ilusão. O outro era tão indiferente quanto uma porta e a frustração no rosto do líder foi visível ao que foi afastado tão suave quanto o maior poderia ser, recebendo apenas um selar totalmente insatisfatório. Rosnou baixo após suas ultimas palavras, respirando pesado e pensando no acontecimento anterior. Nero ainda era o maior desafio naquela nave para o ariano, porque perderia tempo pensando em Louis quando podia estar tentando tirar o taurino do sério? Bufou e fechou os olhos pensando em como se sentia cansado enquanto se deixava ser arrastado por ele, mas resolveu ceder no momento e obedecer; tinha outros planos pra quando chegassem no quarto.

    Permaneceu em silêncio por todo o caminho, pensando em como poderia fazer ele se arrepender, até que logo que viraram o corredor do quarto do moreno Heike viu uma cor laranja e formou uma terrível expressão de desagrado no mesmo instante. Ren. O que diabos o sagitariano estava fazendo ali aquela hora? Aquilo o irritou mais ainda, mas respirou fundo e se conteve para não enfiar a mão naquela cara de prostituta que ele tinha.

    E aí, vadia? Perguntou com a voz meio fria, dando um tapa em sua nuca antes de entrar no quarto aconchegante e se sentar sobre a cama desarrumada de forma esparramada e preguiçosa. Provavelmente Nero estava dormindo ali a pouco tempo, considerando o estado do local. Bocejou e piscou os olhos algumas vezes, notando vagamente que estava tão faminto quanto cansado ao sentir uma pontada no estômago, mas ignorou e observou o mais velho dos três ali de forma impaciente. Então, realmente espero que você tenha um bom motivo pra vir aqui ou vou chutar essa sua bunda gorda pra fora desse quarto agora. Resmungou antes que ele começasse a tagarelar como sempre, esticando-se e estalando o pescoço. Ao perceber sua seriedade apenas arqueou uma sobrancelha e teve a atenção completamente tomada diante daquele assunto delicado e importante. Aquele era um assunto que interessava a Heike por diversos motivos, fossem eles pelas desconfianças e já vinha tendo, fosse pela obrigação e moral como líder dos doze signos. O rapaz poderia ser estourado, mal-humorado, estúpido e bruto, mas não iria admitir nenhum tipo de comportamento inaceitável ou negligente para com a segurança das pessoas sob sua regência, mesmo que por parte dos próprios superiores. Então a expressão antes cansada e irritada foi se tornando séria e compenetrada a medida que escutava os dizeres do menor, esperando impaciente ele terminar.

    A julgar por suas palavras e expressões ao fim, Heike considerou que o imbecil tinha perdido as provas do que dizia. Mas nem precisava de prova alguma para acreditar. Ele e seus guerreiros estavam vivendo tal coisa, estavam notando isso em todas aquelas missões para retardados que eram obrigados a fazer por falta de coisa melhor ou mais importante. Bufou pesadamente, massageando a base dos chifres enquanto se ajeitava na cama.

    Já tem um bom tempo que venho desconfiando de algumas coisas desse tipo, mas foquei em outras que considerei mais importante. Burrice da minha parte não me preocupar com tudo. Resmungou a ultima frase num sussurro inaudível, condenando a si próprio. Nos últimos meses tenho feito algumas patrulhas nas fronteiras e principalmente nas áreas de risco. Considerando a situação com o Kain, é ridículo deixarmos essas áreas por fora de supervisão. Porra, por acaso alguém aqui já notou que sempre que tem suspeita de base secreta, é próximo ou nesse tipo de lugar!? Por que infernos então eles estão fora da nossa área de atuação? Não sei que merda o Abel 'tá pensando, mas isso é um absurdo! Disse, a voz tomando uma nota mais alta a cada segundo a medida que o ariano começava a se irritar. Quando percebeu já estava de pé gritando autoritário, se sentindo até mesmo insultado com toda aquela situação. E também.. Continuou, respirando fundo e relaxando um pouco. Hoje mais cedo escutei uma coisa muito estranha quando estava passando pela nossa nave..

    Já nervoso novamente, andou pelo quarto até a cômoda que havia ali perto da porta, passando a mão pela superfície de metal distraidamente. Pensei em cumprimentar Louis, já que quase nunca vi ele por aqui, mas antes de chegar no quarto escutei ele falando com alguém, não sei quem era, foi só um sussurro.. Mas ele estava falando algo sobre enganar.. Ou melhor, sobre um plano que estava dando certo, sobre ninguém desconfiar. Murmurava meio tenso, pensando com atenção no ocorrido. Quando cheguei mais perto, aquele leão infeliz percebeu e chamou a atenção dele pra mim, então o que quer que fosse, ele parou de falar na hora só por eu estar ali. Assim olhou para Nero em confirmação, afinal aquilo era a explicação que ele estava querendo saber.

    Olha Ren, talvez isso não tenha absolutamente nada a ver com o que você me falou, mas tem que concordar comigo que aquilo foi muito estranho. Quer dizer, ele não pareceu nada feliz de me ver ali, e porra, a gente não conhece ele. Você não acha que foi conveniente DEMAIS ele aparecer no meio de uma floresta perigosa e deserta, em área de risco, pra salvar a gente bem quando estávamos precisando? Quer dizer, impossível essa merda ser só coincidência. E outra, como ele conseguiu ser regente fora da época de seleção? Tudo bem, o cara é estupidamente forte, mas ninguém aqui teve esse tipo de privilégio. Isso TAMBÉM me incomoda. E considerando isso que você me falou, não sei, vai ver só to pensando demais... Só acho que a gente tinha que ficar de olho nele a partir de agora. Ele tem aquele leão, mas a gente tem o Zion. Coloca aquele retardado pra construir alguma merda de nanorobô ou o caralho a quatro pra seguir ele, qualquer coisa assim.

    Antes que pudesse falar qualquer coisa, escutou uma voz conhecida do lado de fora do quarto e bufou pesadamente. Ok, a presença do infeliz do outro líder (inútil, na opinião do ariano) poderia valer de alguma coisa. Nero abriu a porta e o ariano não teve tempo de falar mais nada ao receber aquela ordem; no estado exaltado em que estava apenas ativou as lâminas da armadura e saiu do quarto feito um furacão acompanhando o capricorniano, sem ao menos saber direito o que estava acontecendo. Mas antes que pudessem avançar realmente, todo o corredor em que estavam estremeceu e as luzes piscaram uma, duas, três vezes até apagarem de vez. Ativando a iluminação existente na própria armadura, Heike diminuiu o passo ligeiramente perturbado com aquilo. Que diabos estava acontecendo com a nave? Deu uma olhada rápida ao redor para checar se os regentes estavam todos bem e escutou uma agitação se espalhar por todos os corredores que passavam, até que uma luz vermelha e fraca acendeu e iluminou todo o caminho principal. Com o coração acelerado, Heike pôde ver nos painéis que percorriam todas as paredes, rentes ao teto, a palavra emergência piscando num vermelho vivo. Porra, porra, porra! O que infernos estava acontecendo para que o sistema de segurança de emergência fosse ativado? Aquela era A nave mãe, onde os regentes e todo o exército e poder de fogo estavam concentrados, era o lugar mais seguro de todo o planeta! Antes que pudesse praguejar mais, até mesmo as luzes de emergência apagaram de repente, e no próximo instante a nave mergulhou num silêncio profundo e escuridão total se não pela luz avermelhada da própria armadura e da esverdeada do braço de Harold. Parou onde estava, nervoso e alarmado, e olhou sem palavras para os outros até que um grito ao longe foi escutado.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por taurusnero em Seg Mar 24, 2014 1:42 am

    Um taurino sempre seria um taurino, e uma das muitas palavras para descrever uma pessoa regida pelo signo de touro é: Ciumento. Ciúmes de quê? De tudo. E tudo incluía aquela poltrona onde o mais velho resolvera se sentar como se fosse sua propriedade. Não era como se ela tivesse um significado especial também, era apenas sua poltrona, seu assento, seu local de descanso, e onde sentava para ler ou algo do gênero. Na verdade, o problema era que era _sua_, e tudo que era seu, era única e exclusivamente seu, até ceder permissão para ser de mais alguém (algo que acontecia muito raramente). De qualquer forma, não era como se fosse dizer qualquer coisa, porém aqueles pensamentos rodaram em sua mente por tempo o suficiente para perder o início do que o outro dizia, e mesmo que fosse a parte inútil natural dos discursos de Ren, sentiu-se um pouco constrangido.

    Talvez fosse por isso que sua atenção redobrou quando ele começou a falar sobre as estranhas missões, e até conseguiu ficar quieto e atento, pelo menos até ter o menor brincando com os comandos do móvel. Com um sorriso torto, Nero gastou seu tempo imaginando as formas com que fatiaria o corpo pequeno do ruivo, caso ele fizesse o favor de quebrar aquilo, e, dessa vez, não sentiu-se nem um pouco constrangido, principalmente porque seu desejo homicida não estava o impedindo de entender o que acontecia, e de concordar que aquilo tudo parecia estranho demais. No entanto, toda e qualquer tensão escapou de seu corpo no momento seguinte, em um suspiro pesado demais, cansado demais, e talvez porque não conseguisse mesmo lidar com a irresponsabilidade do mais velho. Como diabos ele conseguira perder algo tão importante assim? Será que realmente não podia bater no mesmo? Uma vezinha só? Estava definitivamente de mau humor. E não sabia se começara quando finalmente percebera os resultados de seu café da manhã ter sido lançado longe em forma de resmungos do estômago, ou se viera junto com a presença abusada do sagitariano.

    Seu olhar já estava estreito - por mais que ninguém tivesse acesso a ele, já que os fios de cabelo cobriam, como sempre, metade de sua face -, e as sobrancelhas quase juntas em uma mistura de irritação e insatisfação, quando o ariano começou a falar. E aquilo fez sua expressão mais calma de forma absurdamente rápida. Não porque achava graça da forma como o outro xingava a cada dez segundos, ou de como ele citara o aquariano como uma arma secreta, sendo ele a criatura mais... Especial daquela nave, mas porque precisava manter a tranquilidade em meio àquela tensão, principalmente ao notar que algo que incomodava o ariano, fazia jus ao que também tinha chamado sua atenção mais cedo. Louis estava estranho, suas suspeitas raramente falhavam, e adoraria estar errado naquele momento, mas se fossem encaixar as coisas, elas se ligariam. Não sabia se perfeitamente, mas de alguma forma pareciam se juntar. O importante é que algo estava muito errado, e a suspeita só cresceu no momento em que percebera mais gente se aproximando.

    Fora somente abrir a porta para notar que o caos estava se instaurando, e aquilo, literalmente, não cheirava muito bem. Sem pensar duas vezes, mas também sem acompanhar a velocidade dos outros, recolheu seu machado e jogou o corpo para fora do quarto em um movimento rápido, graças às passadas longas naturais para alguém de sua altura. Reconheceu a presença da figura pequena que era Rin, e meneou a cabeça em sua direção, para, em seguida, caminhar ao encontro dos dois líderes, mas antes mesmo de se juntar aos outros, e de se preocupar com o fato de que todas as luzes estavam repentinamente apagadas, percebeu algo muito errado com a sola dos pés descalços. Alguma coisa se aproximava, grande e pesada, e achava aquilo muito mais perturbador do que as luzes de segurança se apagando ao mesmo tempo que as telas de alerta. Batera com as costas do indicador nos ombros dos dois líderes, de leve, em uma tentativa de chamar a atenção de ambos, enquanto se esforçava para não parecer tão preocupado quanto realmente estava. Estava mais perto, e o grito ainda parecia ecoar em sua cabeça.

    Eu tenho uma sugestão, que acho que deve ser considerada muito a sério pelos dois... Começou rapidamente, aproveitando o fato de seus sentidos serem realmente aguçados, para manter-se alerta ao mesmo tempo. Eu não gosto da ideia de nos separarmos, mas precisaremos de dois grupos se quisermos sair dessa rápido e com poucas baixas. Um ofensivo, e um de busca, e acho que vocês devem ser os responsáveis por cada um. Harold conhece os sistemas, ele...

    A voz baixa cessou repentinamente, um cheiro horrível invadindo a narina do taurino, antes que se sentisse na obrigação de falar ainda mais rápido, sendo que já se pronunciava em uma velocidade quase absurda perto da que normalmente usava. Porém, antes de continuar, avançou um pouco, tomando espaço entre os dois rapazes, o machado firmemente preso pelas mãos grandes.

    ... Seria o mais indicado para tentar descobrir quem nos meteu nessa. Quem quer que tenha sido, fez o favor de nos presentear com algumas visitas. Visitas grandes, fedorentas, que estão se aproximando muito rápido, então se preparem para o que quer que esteja vindo. E o outro grupo... Lançou um olhar breve para o ariano ao seu lado, antes de continuar. Bem, essas "visitas" fizeram alguém gritar, então precisamos dar um jeito de mantê-las longe das pessoas da nave. Não acho que vamos conseguir proteger muito, mas... Enfim. A última palavra é de vocês, mas pensem rápido, porque nós temos... Dez segundos, nove... Oito...

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    Rin Damien
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 24, 2014 2:38 am

    As palavras de Harold continuavam a confirmar suas suspeitas sobre novo regente de Leão. Havia várias possibilidades do que ele poderia estar escondendo, de suas motivações, o que fazia daquele um território que teriam de ter um grande cuidado ao investigar.  Sua intuição normalmente estava certa, e apesar de preferir lidar com fatos, desta vez ela o dizia que se não o achassem rápido e o questionassem diretamente, algo extremamente ruim aconteceria.  E seria melhor prevenir do que remediar. Continuou a acompanha-lo em silêncio, de tempos em tempos tomando um gole de seu café, se perguntando se teria sido melhor continuar a seguí-lo naquela hora, para onde quer que ele tenha ido. Mas não, não se deixaria afetar pelo passado; o mais sensato era se reunir aos outros e discutir o assunto.

    Chegaram à porta do quarto de Nero, e reconheceu as vozes do lado de dentro, podendo apenas conter um suspiro cansado ao mero pensamento de ter que conviver com os regidos pelo fogo. Não se importava de trabalhar com eles, sabia que era necessário, mas o comportamento deles não deixava de lhe proporcionar certa dor de cabeça, de tão ridicularmente opostos que eram ao seu. Esperou pacientemente até que abrissem a porta, e antes mesmo que pudessem começar uma discussão sobre o que estaria acontecendo, o aviso do capricorniano foi ouvido, e em apenas alguns segundos todas as luzes da nave se apagaram. A nave mãe, onde nunca vira nada assim acontecer, onde isto seria apenas possível se houvesse alguém interferindo de dentro. Seus instintos estavam certos, então?

    Não enxergava nada diante de seus olhos, e não sabia se teria tempo para se adaptar à escuridão. Não gostava daquela situação, nem um pouco, e a inconveniência de não poder usar um de seus sentidos ao máximo era mais do que incômodo. No entanto, mantinha o exterior calmo, como sempre, mesmo após ouvir um grito de fazer o sangue gelar cortar o ar. Já não estava mais sorrindo; ninguém o veria direito, de qualquer forma. Ouviu as palavras de Nero antes de sentir de fato o cheiro que estava sendo mencionado, e uma expressão de desgosto se formar em sua face. Não bastava terem bichos desconhecidos invadindo, não, eles tinham que ter esse cheiro? Sabia que iria para o grupo de buscas, e estava contente (na medida do possível) com aquilo. Se fosse para a linha de frente, os atacaria com o desodorizador mais próximo que achasse.

    Os segundos se passavam, e olhou para o vulto dos líderes na escuridão, esperando ordens. Mesmo em um momento de tensão, a última palavra, como o taurino falara, era dos dois. O cheiro fétido parecia ficar pior, e algo clicou em sua mente. Comentou, em uma voz baixa e calma. Monstros com esse cheiro... Pode ser proposital. Não só pra deixa-lo enjoado, acrescentou mentalmente. Pode ser pra esconder o cheiro de algo pior na nave. Quem sabe, o cheiro de algo, ou algum lugar, queimando.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por RenWalker em Ter Mar 25, 2014 5:46 am

    Quando as luzes se apagaram, não mediu esforços ou velocidade para retirar-se daquele aposento, aflito com a situação em que estavam.Não discordaria do que Nero havia dito; pelo contrário! Dera bastante razão a ele. Independente de saber que o olhar assassino do taurino fora direcionado para si - e que tampouco se importasse; afinal, a vida era curta demais para se importar com coisas bobas -, não negava a razão que suas palavras possuíam. Contudo, assim que tais palavras foram ditas, a face de alegria interminável de Walker se tornou séria, a qual ele já suspeitava de quem aquela "obra" pertencesse.

    "Não sei o que vocês planejam fazer agora, mas eu não posso ficar aqui sem fazer nada, vulnerável como estou. E eu sei que planejam me colocar no grupo de buscas porque meu poder de ataque é mais baixo." Virou-se, fitando todos ali em meio ao corredor e esboçou um leve sorriso. "Apenas façam o que precisa ser feito." Correu,então, para longe do grupo, separando-se dele. Ren não poderia fazer muita coisa sem suas bestas, suas flechas e seu uniforme de batalha. Direcionou-se para a nave do fogo, rapidamente em seu quarto, procurando seu uniforme em meio ao breu. Fora difícil encontrá-lo,mas não demorou para que o vestisse e apanhasse sua arma, recarregando-a ao máximo para que não houvesse imprevisto, como da vez em que estivera na floresta com os guerreiros. Sua vestimenta se acendeu com apenas um pequeno e rápido comando, e logo parte do ambiente estava iluminado.

    A nave estremeceu mais uma vez; situação de extremo risco. Seu comunicador em sua orelha indicou que alguém queria entrar em contato com o sagitariano.

    "Ren! Você está bem?!"

    "Eu que te pergunto isso, Abel! Eu estou bem, e indo me encontrar com eles."

    "Não tem como eu sair da nave principal. Os controles foram invadidos e, ao que parece, quem o invadiu queria exatamente que eu não saísse daqui. Não sei o que se passa lá fora, mas recebi um a mensagem de Pietra que a situação não está nada bem."

    "Entendido."

    "Preciso que deem tudo de si, e que, ao mesmo tempo, trabalhem em grupo."

    "Entendido. Abel, precisamos conversar assim que eu arrancar a cabeça de quem está causando isso tudo. Preciso desligar, até logo."

    Desligou o comunicador e correu em direção ao corredor, todavia, uma das portas que separavam a área da Terra com a Área do fogo foram cerradas, impossibilitando o acesso de Ren com o grupo. Essas portas no meio do corredor serviam como emergência, e só alguém de extrema confiança poderia ter acesso ao controle delas. Mas como o sistema foi invadido, a pessoa sabia muito bem desse acesso das portas e quem poderia sair ou entrar dela. Tentou socar a porta, bater e o possível - que não funcionaria, claro - para que ela abrisse, e por um momento, Ren ficou desesperado. Deveria se encontrar com o grupo.Todos as naves elementares possuíam saídas de emergência, mas o sagitariano não tinha como passar pela mesma saída que os outros.

    "Preciso ir pelo outro lado... Há um teletransporte em cada nave elementar e então posso ir para fora da Nave Mãe... Ou posso me arriscar." Após monologar, respirou fundo. "Pessoal, as portas dos corredores das naves elementares estão trancados! Devemos atravessar pelo teletransporte para fora da nave ou tetar a saída arriscada de emergência! Me encontro com vocês lá fora!" Não esperou resposta e tampouco aprovação; afinal, não tinha como sair dali, mas esperou que todos o ouvissem. Então, o ruivo até correria para a sala de teletransporte, mas viu que a saída de emergência era muito mais vantagem. "Ok... Hora de provar que essas asas não estão aqui pra enfeite. Roger that!"

    Fora em direção à saída de emergência, que é ativada manualmente, sem auxílio de controles ou outro tipo de mecanismo tecnológico. Ativou suas asas, tão brilhantes, iluminadas e grandes, tão rosa quanto algumas luzes do uniforme de Walker. Aproveitou que havia anoitecido para manter as luzes ligadas, facilitando que os outros guerreiros o vissem, e fechou a saída de emergência antes de se retirar dali. Quando virou-se e olhou o estado da Nave Mãe, ficou incrédulo: a situação, de fato, não era NADA agradável.

    "Puta merda..." Sacou suas bestas, indo em direção aquilo no qual Nero havia sugerido. Um monstro grande, fedorento, atacando a nave e fazendo pessoas gritarem. Lá embaixo, policiais tentavam conter a situação, assim como o exército; e ambos abrigavam a quantidade de pessoas que conseguiam. Com suas bestas em mãos, mirou bem no olho do ser grotesco, mas não atirou ainda.

    "Hey, seu saco de merda!" Voou para mais perto ainda do ser, esboçando um sorriso imenso nos lábios. "Há tempos não tô pra matar um troço tão feio quanto você. E Kain! Se estiver me ouvindo, prepara a vaselina porque tá todo mundo querendo comer seu cu, desgraçado!" Ao gritar, o monstro direcionou sua atenção para o sagitariano, que logo atirou algumas flechas explosivas nos olhos do mesmo. O feroz aparentemente sentiu dor, mas o ruivo notou que aquele não era seu ponto fraco.

    Ele ainda tentou golpear várias vezes Ren, que desviava em todos os golpes, gargalhava e achava graça, tentando atirar mais flechas no monstro para tentar descobrir seu ponto fraco. Não encontrava, mas dava tempo para a população se esconder e se proteger. Mas, depois de tantas flechadas, descobriu o ponto fraco do monstro: sua coxa. Sorriu ainda mais com a descoberta; era só encontrar-se com o pessoal e dizer a eles que a coxa era o lugar perfeito para golpear! Mas enquanto não chegavam, deveria se preocupar também com a população. Abaixou o olhar para ver se todos estavam bem, mas ao ver a figura que era tão conhecida e amada por si, a qual Ren passou anos de sua vida procurando, tornou-se vulnerável.

    "Pai...?"

    Completamente vulnerável.

    A aberração golpeou Ren tão fortemente que seu corpo bateu na superfície que separava a Nave Mãe do lado de fora, e naquele momento, sentiu-se fraco demais e não conseguia se re-erguer. Seu corpo fora jogada ao chão após o baque,  e por enquanto, não estava desacordado.

    "Ren... Você..."

    Levantou o rosto, vendo a figura tão conhecida. Era ele mesmo.

    "P-Pai...!" Seus olhos se encheram d'água, e a vontade que tinha era se levantar do chão para abraçá-lo e ajudá-lo a se proteger dos ataques daquele enorme ogro. Mas não conseguia mover um dedo. Mal sabia como conseguiu erguer sua cabeça."Pai, saia daqui, por favor... Esse monstro vai acabar te matando...!" A voz chorosa, os olhos marejados e o tom rouco denotavam seu desespero e a saudade que tinha de seu pai. Era o mesmo, após tantos anos.

    "Ren, me perdoe... Eu te amo."

    Atirou algo sobre o corpo do filho que o fez desacordar. Ren fechou os olhos, jogado ao chão.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Mar 25, 2014 9:34 am

    Aquela inconstância nas luzes realmente perturbava seus olhos. A escuridão seguida da iluminação única do aviso de emergência nos painés, só ajudava mais ainda a diminuir seu humor. Cessava os passos assim que tudo perdeu energia, exceto as pouquíssimas fontes de luz, vindas da armadura de Heike e de seu braço mecânico. Será que cabe algum lugar pra uma lanterna, aqui? Cogitou, olhando para o braço, pensando numa próxima modificação que faria. Melhor não. Se fosse colocar cada função que precisasse no seu braço, aquela porcaria até bote salva-vidas teria, e não teria mais moral pra falar das coisas desnecessárias que Zion criava.
    Um grito foi escutado, e ah, como Harold tinha saudades daquele som. Aproveitou para sorrir maliciosamente ao som do berro estridente, já que ninguém se importaria em olhar pra ele no meio da situação, ainda mais estando de costas.

    Mas, não pôde aproveitar aquela nostalgia durante muito tempo. Fora cutucado no ombro pelo Touro, tendo sua atenção e a do ariano requisitadas. Estava tranquilo, apesar de tudo, e das coisas que Nero dizia. Sua visão aos poucos se acostumava com a escuridão, já que seus olhos se adaptavam bem melhor à ausência de luz do que a presença dela. Todavia, o comentário do moreno não era descartável. E em seguida, o cheiro se confirmava. Pobre Nero; se o olfato deles já estava sentindo o quão ruim era aquele odor, o de Nero deveria estar clamando suicídio, por ser tão mais sensível. Coçou o nariz, tentando ignorar aquele cheiro péssimo, que muito lhe lembrava putrefação. Rin se manifestava, cogitando uma possibilidade nova. Unindo todas aquelas informações, conseguia deduzir a solução mais viável. Assim que Nero fazia sua contagem regressiva para o tempo que tinham, decidiu ser o mais breve possível. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ren decidiu as coisas sozinho... De novo. De fato que o rapaz precisava buscar sua roupa e suas armas, mas podia ter feito isso depois de decidirem o que fazer? Podia, né? Mas não, tinha sempre que fazer tudo na impulsividade, sem raciocinar. Aliás, ele lá tinha capacidade de raciocinar? Certo também que não tinham tempo, mas naquele momento não dava para contar com a sorte e precisavam ser cautelosos. Todavia, deu de ombros. O sagitariano era incorrigível, então limitou-se a girar os olhos e dirigir-se aos que sobravam ali. Sua pronúncia foi rápida e audível, para que não perdessem mais um segundo sequer com perguntas ou objeções.

    Heike e Nero farão parte do grupo ofensivo. Não dá mais pra contar com a volta certa de Ren, então Rin, você vem comigo atrás do responsável disso tudo. Se encontrarem outros regentes, eles provavelmente estarão a par da superfície do problema, então não terá o que explicar para que possam lutar com vocês. Se acharem Ren, mandem ele se encontrar comigo e com Rin, estaremos perto dos sistemas principais da Central. A fonte do problema com certeza está por lá. E Heike. ─ Dirigiu-se diretamente ao primeiro líder, abrindo o seu mais simpático - sonso, cínico, irônico - sorriso. ─ Não estrague tudo, dessa vez.

    A expressão se desfez e sinalizou Rin para que o seguisse. Correu até a próxima porta de emergência no corredor perpendicular, que se encontrava fechada em modo de segurança. Estendia o braço e dava forma ao canhão - tiros em menor potência não seriam capazes de explodir aquela passagem como queria. Porém, um único disparo foi suficiente para que não restassem mais resquícios da passagem, antes bloqueada. Zion, seu retardado... Você sempre perde os momentos em que podemos ter permissão de destruir esse lugar. Infelizmente, virar o corredor em direção a Central não foi a melhor escolha, embora fosse a única. A escuridão não era mais o problema ali, considerando que sua vista já havia se acostumado, e pela quantidade de vezes que andou por aqueles corredores, nenhum caminho era novidade. Mas tinham agora um problema bem maior. Os dois regentes deram de cara com um dos bichos. Asqueroso e fedorento, fazendo Harold se questionar por que os humanos não podiam parar de respirar sem ter que morrer por isso. Desprezou o ser pelo tempo que pôde, até este resolver vir em cima dos dois, emitindo grunhidos altos.

    Rin estava sem seu cajado, ele provavelmente não seria capaz de usar mais da metade de seus poderes. Calcularia a situação a partir dessa probabilidade. Aquele corredor estava livre para passagem. Não poderia deixar o monstro passar ou estaria livre para atacar os civis. Em compensação, cada segundo era valioso ali e não poderiam perder tempo lutando quando tinham outra obrigação. Ergueu o canhão e o monstro foi ao chão, devido aos tiros recebidos nos pés. Sobrara apenas metade de suas pernas, mas por alguma razão, aquele ser do capeta sentiu vontade de estragar tudo, começando a se regenerar. Nossa, que bênção. Ironizou em pensamento, com uma expressão de desgosto. Pra piorar, um vulto semelhante à ele surgiu ao final do corredor. Dois vultos. Ótimo, era tudo que precisavam. Recuava um passo, a medida em que disparava continuamente nos ogros. Uma ideia surgiu em sua cabeça assim que olhou para a passagem que antes havia explodido. Mirou no teto acima dela e com um disparo o mesmo desabou, fechando-a novamente por meio de destroços.

    A sala que reúne os controles do sistema fica ali do lado. Tente atrasá-los o máximo que puder, eu irei na frente e verificarei a situação por lá. ─ Acertou a cabeça do que estava já sem as pernas, porém, com elas parcialmente regeneradas, começava a cambalear para se levantar. O buraco na cabeça regenerava-se gradativamente também, infelizmente, mas o mantinha caído. Os outros dois aproximavam-se devagar, atordados pelos tiros levados nos estômagos e o que deveriam ser os peitorais de cada um. Testava vários lugares, nenhum até agora dava indícios de ser o ponto fraco. Desativou o canhão, deixando a função para Rin. Correu até a sala em questão, apenas virando o corredor, deparando-se com a situação.

    Franziu o cenho. Como esperava, a segurança da sala estava violada, e a forma como havia sido arrombada lhe lembrava muito alguém. A porta está com o aço derretido. Uma explosão de fogo fez isso. Adentrou o recinto e todos os gigantes painés indicavam a inicialização do sistema de emergência.

    Arthemis, invada e reconfigure o sistema para o modo padrão e reinicialize, mas não abra as portas de emergência ainda. Armazene todos os dados alterados desde uma hora atrás e me informe quem diabos entrou nessa merda de sala e fodeu com tudo. Embora eu já tenha uma ideia, quase óbvia, de quem tenha sido. ─ Resmungou a última frase para si mesmo, olhando para trás, sem algum sinal próximo de Rin. Ainda teria um tempo. Segundos, mas era suficiente. Olhou para baixo enquanto as telas voltavam a iluminar completamente o recinto. Patas. Patas de leão... ? Haviam marcas no chão, e pequenos arranhões das possíveis garras do felino, em uma única direção. Elas não seguem novamente até a porta com o caminho de saída, apenas o de entrada... Se Louis esteve aqui com Berta, eles invadiram pela porta e escaparam usando teletransporte de emergência de curta distância, usado em missões nas florestas. É a única resposta. Só poderiam usar o teletransporte uma única vez, então invadiram manualmente e escaparam da maneira mais rápida e viável. Seu filho da puta exibicionista... Sorriu. Todas as luzes da nave voltaram a acender, normalizando o sistema, mas as portas de emergência das salas principais continuaram fechadas. Agora, sim, poderia se preocupar com os ogros em questão. Não tinha provas concretas de que Louis havia sido realmente o responsável por aquilo, mas deixaria o pessoal da investigação se responsabilizar sobre quem era o dono daquelas pegadas. Não tinha mais tempo para aquilo, então encontraria-se com Rin novamente.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Aya Katsaros em Ter Mar 25, 2014 11:44 pm

    A sensação de desconforto o perseguia a cada passo, algo preocupante visto o ritmo do libriano que caminhava vagarosamente à procura de alguém com quem pudesse conversar ou ao menos se acalmar das mil teorias vagando sua mente, cada uma delas se demorava ali pois o mago ponderava os prós e contras de cada uma, chegando à conclusões diferentes a cada segundo. Sua intuição começava a praticamente a tomar corpo somente para gritar na sua cara “GATO PREGUIÇOSO E IDIOTA TEM ALGO DE MUITO ERRADO ACONTECENDO AQUI E NÃO SÃO BOLAS DE PÊLO”, porém Aya continuava sua peregrinação até a cozinha mais próxima em busca de alguma coisa para confortar seus nervos, a verdade era que um copo de leite cairia bem, dado o aparente vazio  da nave.

    Uma rápida olhada na cozinha foi o suficiente para constatar que ali também não haviam rastros dos outros regentes, aparentemente eles estavam em um desencontro muito forte,pois aquilo não era nem um pouco comum. Com um muxoxo ao não encontrar seu amado leite(Louis deve ter dado pra aquele leão estúpido,ele deveria ser o único felino ali), resolveu que iria voltar à Nave do Fogo e ficar na sua almofada confortável até que Heike chegasse.
    Seus planos foram frustrados praticamente no mesmo instante, como num encanto, avisos de emergência soavam furiosamente, agredindo a audição aguçada do libriano que teve o coração acelerado pela gravidade da situação que começava a se desenrolar em um piscar de olhos; mal teve tempo de formular algum pensamento quando as luzes se extinguiram e pela primeira vez em anos agradeceu à sua maldição; na mesma velocidade na qual o caos se instalou,assumiu sua forma felina, podendo enxergar tranquilamente mesmo com a falta de luz. Passou a se movimentar o mais rápido que suas patas e impulsão permitiam.

    Em meio a sua corrida desenfreada para entender o que diabos estaria acontecendo e o que faria os alarmes soarem, Aya conseguiu visualizar Harold e Rin se afastando dos outros “Ah então vocês tavam ai” assim que o alívio por encontrar seus companheiros pairou em seu corpo fazendo as taxas de adrenalina caírem, um cheiro insuportável de putrefação invadiu suas narinas sensíveis e o mago voltou a amaldiçoar seus sentidos animais.
    “ALGUÉM PODE ME EXPLICAR QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?” –Aya raramente xingava ou alterava o tom educado de voz, e em raramente leia-se quase nunca, o mago repudiava comportamentos deselegantes mas o palavreado chulo era totalmente cabível àquele contexto. Ia em direção ao Taurino e ao Ariano e antes que aquele cheiro o levasse à loucura, já havia invocado seu livro de magia branca e assim que a página entre seus dedos se esfarelou, uma espécie de “bolha” de vento envolveu os presentes que podia ver, a rotação das correntes fazia com que aquilo funcionasse como um exaustor ao redor deles, dissipando grande parte do mau cheiro até certo raio de distância; se estava difícil pra ele, imagina pro nariz do Nero?

    Notinha básicam:
    Espero que não tenha ficado muito fora de contexto ;a; foi o melhor que consegui conciliar e desculpa se o turno ficou cu ;; e se a formatação ficou bosta porque minha internet tá da xuxa hoje e tá mal abrindo o google
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Mar 27, 2014 12:36 am

    Demorou um pouco para que a vista do ariano se adaptasse ao escuro e o rapaz teve de fechar os olhos e respirar fundo para se acalmar. Ok, a situação estava tensa, mas não adiantava nada se exaltar agora ou não conseguiria ajudar ninguém. Era o líder ali e mesmo que fosse inusitado um ataque a nave mãe, tinha que tomar as rédeas da situação e dar um fim naquilo.

    Conteve o impulso de levar as mãos até as bases dos chifres e massagear a região que sentia latejar dolorosamente e virou-se na direção da voz de Nero um pouco mais atrás, atento a cada palavra baixa que saía de seus lábios. O guerreiro era calado, mas estava longe de ser idiota, muito pelo contrário sua perspicácia e segurança em momentos de tensão o tornavam um dos melhores guerreiros entre a nave, digno do regente da constelação de touro. Porém não era hora de admirar as habilidades alheias, pois pouco depois de sua fala um cheiro terrível invadiu as narinas do ariano. Putrefação, conhecia bem tal aroma insuportável e podia imaginar o tipo de criatura que o carregava, já que era assombrado por esse tipo de monstruosidade em seus sonhos cada vez que conseguia pregar os olhos, isso nas noites boas e tranquilas.

    Dessa forma, concordou com um rosnado e mudou a direção a qual seguia, ansioso para enfrentar o que quer que fosse e proteger as pessoas que estavam sob sua responsabilidade. Mas antes que pudesse tomar qualquer atitude, escutou a voz de Harold e se virou com uma expressão de poucos amigos, fazendo um esforço para escutar o outro tagarelar ordens inúteis já implícitas na fala de Nero. Vá se ferrar, albino de merda. Respondeu a última parte, sentindo o sangue ferver. Ok, não era hora de arranjar briga, depois faria ele pagar pela lingua grande que tinha. O outro se tornava ainda mais insuportável a cada dia de convivência com Ren. Esses merdas se merecem. Disse num resmungo, vendo Ren correr para um lado e Harold e Rin para o outro. O cheiro já estava insuportável e a paciência do ariano no limite, talvez se acalmasse no momento em que quebrasse alguns ossos. Mas novamente, antes que pudesse fazer qualquer coisa a audição  atenta pelo treinamento escutou ao fim do corredor o barulho de pequenas patas batendo ao chão e virando a cabeça pôde ver o felino correndo na direção de ambos, transformando-se no caminho.

    A expressão que fez ao escutar o palavrão que Aya soltou em meio ao nervosismo foi cômica, seguida de uma risada espontânea que quebrou ligeiramente a tensão que sentia, seguido então de um suspiro aliviado quando o poder que o bichano invocou deixou o ar agradável e fácil de respirar. Esperou mais baixo se aproximar e fez um carinho meio bruto e breve no topo de sua cabeça, entre as orelhas. Não temos tempo pra explicar os detalhes, o básico você já sabe, estamos sendo atacados. Disse baixo, o olhar vagando para Nero que parecia ligeiramente pálido se comparado a sua cor natural. A cabeça pensava rápido em cada possibilidade, milhares de alternativas a solução do problema em que se encontravam correndo pela mente. Vamos ter que nos separar.... Aya, sei que é capaz de lutar e se proteger, mas preciso que você percorra os corredores menores resgatando os civis que estão em perigo. Leve-os até o pátio secundário no subsolo se estiver tudo limpo e vá me informando pelo comunicador o local de cada criatura que encontrar, se encontrar. Certifique-se de só sair de lá quando todos estiverem em segurança, vou mandar mais soldados para lá, pra manter tudo em ordem e te liberar. Olhou o menor de cima e esboçou um sorriso leve. O libriano era praticamente a única pessoa que o líder permitia-se mostrar sorrindo, talvez pelo fato de já o ter feito tanto enquanto este estava na forma animal. De qualquer forma, virou-se para Nero e fechou a expressão. Você aí, saco de bosta. Trate de ir vestir a porcaria da sua armadura, porque se você se machucar eu vou quebrar a sua cara. Depois, siga a mesma ordem que dei pro Aya.

    Disse num tom autoritário e nada delicado, estremecendo pela vontade de quebrar a cara dele de uma vez. Não entendia porque o taurino conseguira tirar o ariano do sério mesmo sem dar um pio. Com um suspiro impaciente, ativou o comunicador da armadura que fazia o contato entre todos os regentes. Seus desgraçados, a situação é de emergência e é bom eu ver todos vocês agindo agora! Estamos sendo atacados e ainda não sei pelo quê, um filho da puta ferrou com o nosso sistema de segurança. Harold já foi resolver isso, o resto, a prioridade é a segurança dos civis e a eliminação do que quer que seja essa porcaria que fede tanto. Patrulhem os corredores atrás de vítimas e sigam para o pátio principal, isso é uma ORDEM.

    Feito isso, caminhou até um sistema de comunicação em toda a nave, socou a superfície de metal lacrada e conseguiu tirar o fone do lugar, ativando-o por toda a nave mãe. Apresentou-se tão educado quando poderia ser naquela situação e mandou todos os civis se refugiarem em local seguro, escondidos ou junto a soldados ou regentes e proibiu que transitassem pelos corredores sozinhos. Repetiu a ordem algumas vezes e assim que desligou, o comunicador da própria armadura exibiu uma série de avisos holográficos a sua frente informando-o de chamadas que recebia de seus oficiais, ao que atendeu uma delas uma voz desesperada gritou para que fosse logo com apoio para a região exterior com acesso pelo pátio principal, onde um monstro gigante estava atacando a nave. Um rugido se fez ouvir pela chamada e em seguida a nave estremeceu e Heike decidiu que estava na hora de agir.

    Vocês ouviram o oficial, movam logo essas bundas e façam o que eu falei! Assim, sem demorar mais, o primeiro regente disparou pelo corredor se deparando logo de cara com algum tipo de animal cuja mutação modificara-o tanto a ponto de o tornar irreconhecível, uma abominação deformada e podre. Como não era tão grande, Heike não perdeu tempo e continuou a correr em sua direção, pulando sobre seu corpo e enfiando as lâminas fundo na pele em decomposição. Usando os propulsores nas pernas e braços, deu um mortal para frente, usando uma força descomunal para virar o corpo da criatura e jogá-lo metros a frente, rasgando-o com as lâminas no processo e dando um fim a aquilo. Com um grito animado, seguiu sem esperar para onde o monstro gigante e Ren se encontravam.
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    Zionga
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Zionga em Qui Mar 27, 2014 1:38 am

    O aquariano só se fodia. Esse certamente era o resumo de sua vida, não era possível. Desde jovem as coisas nunca davam muito certo para ele e pelo visto, continuavam não dando.

    Como sempre ele havia perdido a conta das horas em que passara sem dormir naquela oficina. O pirulito tomava lugar permanente dentro da boca de Zion, lhe dando energia para continuar o trabalho. A delicadeza que não parecia ser existente no ruivo era extremamente exigida naquela montagem. Enquanto todos tinham missões ─ muitas missões ─, o garoto ficava ali trancado naquela sala cheia de naves, peças e ferramentas para montagens. Claro que fazia uma missão ou outra, mas parecia que Abel tinha outros planos para sua pessoa. Criação, muitas criações. Ele gostava do que fazia, mas estava ficando chato ver todo mundo fazer algo importante e ele ficar ali, só reparando coisas e melhorando-as.

    Todos sabiam que o regente de aquário era tão bom guerreiro quanto os outros. Mas ele era como o super-herói Hulk ─ só que não tão forte, já que Nero era bem mais que si ─ tanto no quesito de mentalidade, quanto no descontrole e destruição. Mas se as coisas não estavam boas, porque não contar com o Hulk da roça aqui? Ele não conseguia entender isso e talvez não iria. Infelizmente ele não podia usar o seu dom de rebeldia com Abel. Nada contra o cara, realmente, só queria fazer outras coisas também.

    Não sabia mais as horas, já que estava a tanto tempo ali concentrado que esquecia o relógio. Na realidade, se esquecia de tudo. Não tinha mais conhecimento de qual dos seus companheiros estava vivo ou morto nessas missões, nem se havia algo de errado acontecendo pelos lugares. Tomar banho? 5 minutos. Comer? 6 minutos talvez. Uma barba rala e falhada crescia desproporcionalmente no rosto do aquariano. As olheiras começavam a ficarem marcadas no rosto do rapaz, um feito raro, já que estava realmente acostumado. Parecia mais velho do que era, afinal, ainda tinha 17. Só que agora, com cara de 20 e pouco.

    O último acontecimento recente ─ diga-se, intromissão ─ que conseguia se lembrar era a presença do novato de Leão. Luiz, Lois... Não lembrava como era mesmo o nome. Ele era uma pessoa legal, teria sido mais legal se não lhe atrapalhasse em uma "missão" importante vinda diretamente de Abel. Ele tinha um animal maneiro, nome feio, mas maneiro. Foi a única coisa naqueles dias de inferno que conseguiram amenizar as tensões entre as sobrancelhas ─ que estavam permanentes a uns bons dias ─ do ruivo. Na maior parte do tempo era o Leonino quem falava sem parar enquanto Zion trabalhavam, com mais calma agora. As vezes o rapaz obrigava-o a parar o que fazia, atrapalhando por completo o trabalho que tinha. Mas o aquariano estava cansado para perceber qualquer coisa e Louis parecia não se importar com as explosões que vez ou outra aconteciam, o que era raro. Poucos ali gostavam delas, principalmente quando eram causadas pelo inventor.

    Entretanto agora estava ali, sozinho e com o trabalho atrasado. Algo que não era do feito de Zion. Atrasado, estava muito atrasado, tudo estava atrasado. Incluindo a sua percepção, que só notou a emergência quando um dos guardas fora jogado para dentro da oficina, parando bem próximo de si. Então, quando retirou os olhos daquela arma que fazia, deslizando para o corpo do homem e então para cima, tudo tinha se tornado um caos.

    Caralho... ─ O ruivo se arrastou rapidamente para próximo ao guarda, buscando por algum sinal de vida. Ele respirava, mas não estava consciente e estava banhado de sangue. Pressionou um pano que usava no ombro rasgado do rapaz, mas nesse mesmo tempo se afastara em um salto, sendo jogado para trás. Booms pra todo lado e ele não era o culpado, ou ao menos achava que não. Levantou com pressa. levando uma das mãos aos botões do aparelho de audição, retirando o modo de música dele e percebendo finalmente que as explosões eram perto. Com a mesma pressa de antes, começou a correr até a sala onde guardava maior parte das coisas prontas. Enquanto corria, passava os dedos pela haste do óculos que logo se transformara em um visor. Quase caiu algumas vezes, era desastrado e tinha muita coisa pelo chão. Entretanto conseguira chegar a sala bem, sem nada quebrado e nenhum chifre. Agarrou um monte de coisa que sabia poder ser útil, enfiando-os assim nos bolsos e no cinto de ferramentas. Mais uma explosão. Tomou posse de uma faixa com vários utensílios para combate e passou-o sobre o ombro sem ajeita-lo.

    Olhou por cima dos ombros e parte do local estava em chamas. Não teria como pegar o seu bastão, por isso tratou de agarrar mais uma daquelas faixas e uma bolsa pequena. Esvaziou-a o mais rápido que pode e sai em disparada para a porta. No caminho pegava algumas de suas invenções, não sabia quais, mas pegava-as e enfiavas na mochila-pasta-bolsa. A gritaria tomava conta de tudo, tanto no local real, como nas transmissões.

    Evacuem! Evacuem todos! Saiam da nave o mais rápido que conseguirem! ─ Gritava aos guardas que pareciam se juntar para dentro da oficina a partir de vários furos nas paredes causadas pelas bombas. E Zion conhecia bem que ferramenta havia sido usada para o ato, afinal, ele tinha algumas em seu bolso nesse exato momento. Quebrou uma das caixinhas de emergência que estava ainda intacta na parede e tacou alguma das bombinhas anti-fogo para alguns guardas. ─ ANDEM LOGO!

    Estava irritado e não era para menos. O aquariano tinha certo apego pelas pessoas da nave, mesmo que não as conhecessem e não queria ver vários deles morrendo ali, enquanto ele podia fazer algo e estava fazendo. Porém ele precisava seguir em frente, precisava entender o que estava acontecendo ali.

    O visor se ajeitava conforme todas as situações, mostrando para o ruivo por onde era melhor ir no meio daquele fogo todo. Havia dado todas as bombinhas para os guardas, ou quase todas, ainda tinha uma em sua posse, mas queria usá-la com sabedoria. Corria em meio ao fogo, tomando cuidado por todo o caminho. Tinha ajuda de sua audição melhorada naquela forma e da visão programada, então, mesmo queimando algumas partes das roupas, logo estava longe das chamas. Olhou brevemente para trás e suspirou. Lá se vai todo meu trabalho...

    Com a situação mais calma, permitiu-se desacelerar os passos. Tentava se comunicar com alguém por meio do aparelho auditivo multi-eficiente, mas tudo o que conseguia era um monte de chiado. Estava por sua conta ali naqueles corredores escuros e vazios. O cheiro de queimado lhe abandonava aos poucos, mas ainda era forte, principalmente por parte da barba rala ter virado churrasquinho de cabelo ruivo e queimado um pouco a sua cara. Apesar de nenhuma ameaça aparente, suas mãos estavam firmes na arma que havia pego naquela confusão de chamas da oficina.

    Será que o problema tinha sido apenas as chamas e as explosões? Não era possível. Nem mesmo ele, o rei do "queime e exploda a nave" havia feito algo naquele nível. Tinha certeza que algo a mais estava acontecendo por ali e não parecia ser coisa boa. Ou melhor, não cheirava nada bem.

    Conforme caminhava, pior o cheiro começava a ficar e não tinha outro que pudesse lhe substituir. Retorcia o nariz e as feições. Dai vieram os gritos, mais gritos e onde se tinha eles se tinha problema. O aquariano acelerou os passos e assim que virou o corredor de onde eles vinham tudo escureceu por um momento. Quando reabriu os olhos já estava no chão e sendo obrigado a fechar um deles novamente. Sangue escorria de sua testa que ardia minimamente.

    A partir dai tudo se tornou rápido demais para ser inteiramente processado. Uma questão de reflexos  fora o que o salvara. Assim que percebeu o erro Zion já havia explodido o causador de seus problemas ─ e também dos "gritos". Seu povo os chamavam de Quimeras. Mas aquela parecia ser mais horrenda do que algumas qual conhecera e com certeza fedia mais que tudo. Fez uma careta, levantando-se e se afastando do que quer que fosse aquele ser.

    AMÉM, foi o que pensou quando as luzes se acenderam novamente e então a cor de seu visor tornou a ser colorida. Outro amém para os comunicadores, era muito bom saber que todos os regentes estavam bem, pelo menos Heike. E se Heike estava bem e dando ordens, então muitos estavam bem.

    Um sorriso grande fora a resposta para o comunicado, mas não durou muito. E o fogo? Um barulho estranho, a coisa fedida estava voltando a se mexer. ─ Não... Meu cu. ─ Segurou a arma com mais forma entre as mãos, andando para trás e então correndo como um desesperado pelos corredores. O que diabos era aquilo? Que porra estava acontecendo? Só podia estar voltando a ver coisas que não existiam, não tinha outra explicação. Estava voltando a ser louco.

    Fogo... Fogo na área de enventos e repraros. Estavam queimando tudo muito rápido 'pra ser possível. Alguém ative a... Ai caralho. ─ Dizia de forma apressada e descompassada. Um monstro no meio do caminho. Zion atirou nele algumas vezes e desviou o caminho, continuando a correr. ─ Ativar aquela parada louca que desqueima tudo! E Ps, coisa fedida pra todo lado... Eles se regeneram. ─ Uma das mãos apertavam um botão de seu visor, ativando o comunicador dos regentes desde que começara a falar, sendo solta apenas quando terminara de informar.

    Não sabia bem para onde estava indo, apenas corria. Estava tudo vazio demais naquela parte e isso era estranho, por isso queria sair dali logo, encontrar alguém, mesmo que ferido. Isso seria um bom sinal, gente sempre era um bom sinal e monstros feios, fedidos que se regeneram não eram.

    Mais um monstro, outro e ─ porra ─ mais um. Todos com aparência pior que a outra. Corria como um cão e até deixou a arma pesada cair para que ele pudesse correr mais ainda, desviava de qualquer coisa preta e grande com mau cheiro que ameaçava aparecer. Eram muitos para uma nave só, não podiam ser todos reais, podiam? Mas para sua sorte, seus pés automaticamente o levaram para a sala de controles. Depois da oficina era certamente o local que mais conhecia.

    Como havia saído de um dos corredores menores e menos utilizados para o caminho tinha certeza de não ter sido perseguido, pelo menos não pelos grandões. Então assim que parou, pode ver toda a extensão do corredor maior e para sua não surpresa, monstros. Teria dado meia volta para sair dali novamente, mas então percebeu que eles não estavam interessados em si e sim em alguém do outro lado. Eba, estou realmente super feliz pra explodir uns monstros fedorentos que se regeneram, claro. Pensou, mas não tinha outra alternativa. Como tinha "tempo", tratou de pegar alguns acessórios dos bolsos. Era hora da sua festa começar! Precisou apenas apertar alguns botões e logo seus filhotes já estavam andando na direção do fedor mor para sem serem percebidos, se fixarem nos mesmos após uma rápida escalada e então kabum.

    Agora podia se aproximar, fazendo isso rápido enquanto identificava com apenas um dos olhos as figuras ali atrás. ─ HAROLD! ... E Rin.
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    RenWalker

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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por RenWalker em Qui Mar 27, 2014 2:30 am

    Era ele... Era ele o tempo todo. Eu não estou louco, eu não vi coisas... Realmente, o vi diante de mim, com aquela face tão tristonha, prestes a tomar uma decisão tão ruim quanto o destino que escolhera. Não sei mais nada sobre ele, tampouco o que fez ou faz da vida, mas... Era ele. Era meu pai.

    "Ren? Ren, acorde!"

    O tom de voz alto e grave, assim como o corpo forte ao qual Ren estava sobre o colo era rapidamente reconhecível, principalmente quando se era alguém que conhecia há anos. O sagitariano lentamente abriu seus olhos, vendo a sua frente, o moreno geminiano demonstrando total preocupação para com seu colega de grupo e velho amigo. Ajudou o ruivo a se sentar sobre o gramado, e cada movimento era feito bem devagar, até que respirou fundo e estava definitivamente acordado. Talvez tudo fosse um sonho, e sequer monstros atacaram aquele local. Hans Charriot, o terceiro na ordem zodiacal, colocou a palma de sua mão sobre a testa do mais novo, fitando-o atenciosamente.

    Hans, eu tô bem.

    Não está sentindo nenhuma dor fora do normal?

    Não, pelo contrário. Estou perfeitamente bem.

    Que bom... ─ o geminiano sorriu de forma doce, gentil, afastando sua mão do local. ─ Bom, temos que nos apressar. Ainda tem monstros na nave, e parece que o sistema foi desligado. O Wilhelm foi checar esse problema, mas precisamos ir. ─ levantou-se, estendendo a mão para o ruivo. Ren segurou a mão de Hans e também se levantou, batendo de leve em suas nádegas para limpá-las, por conta do gramado. ─ Seja rápido.

    Hans! Antes que você vá... Eu... Bem, se lembra quando conversamos sobre os nossos motivos? Assim que nos conhecemos, lá naquele bar...

    Sim, sei. O que tem?

    Eu vi meu pai... Sei que parece loucura, mas não é. E eu preciso, necessito encontrá-lo...!

    Uma ponta de esperança se fez presente no grande coração do jupiteriano, que sorria tristemente ao contar o ocorrido para seu amigo. Entrelaçava os dígitos das próprias mãos enquanto, do outro lado, os guerreiros se esforçavam para fazer suas partes. Hans parecia bastante apressado, mas ao que parecia, se preocupava com Ren. Diante do que ouviu de seu velho amigo, o geminiano retribuiu ao tristonho sorriso, suspirando pesadamente em seguida. Não parecia pronto para responder algo que Ren quisesse ouvir e, de certo modo, o próprio ruivo sabia disso, preparando-se para, gentilmente, retrucar.

    Ren... Sinto muito por você, mas seu pai... Ou ele está desaparecido ou está mort---

    Não, Hans! Eu o vi! Ele atirou algo em mim, e então desmaiei!

    Em qual lugar de seu corpo ele atirou? Me mostre e eu acreditarei em você. Posso até te ajudar a encontrá-lo.

    Empolgado, esboçou um sorriso de orelha a orelha, e apontou para abaixo de seu peito. Seu uniforme possuía uma abertura central, exibindo parte de seu corpo, e isso facilitou para que Ren mostrasse o local em que fora atingido. Quem sabe, com isso, Hans não acreditaria nele e o ajudaria a encontrar seu pai? Afinal, era o real motivo para Ren estar entre os guerreiros zodiacais! E, aproveitando a oportunidade, o ruivo o fizera, separando a parte do tecido e exibindo sua pele alva para que o outro pudesse ver.

    Viu só?! ─ embora esperasse que alguma marca estivesse ali, fora contrariado. Hans arqueou uma das sobrancelhas, duvidoso daquilo.

    Não tem marca alguma, Ren.

    Claro que tem! Era uma flecha X-521! Conheço o tipo, deixa um estrago e tanto! Você pode colocar substâncias num compartimento finíssimo, mas que muda muita coisa. Eu conheço muito bem a técnica, você sabe.

    Conhece a técnica, não vou negar isso. Mas... Não tem marca alguma aí. ─ Hans deu as costas, e o jupiteriano ficava incrédulo ao ver que não havia marca alguma. Chegou até a conferir, mas o mais velho estava certo. ─ Volte ao seu trabalho. Não se deixe levar por alucinações.

    Mas Hans, eu...

    Ou o baque foi tão forte que você enlouqueceu?

    Arregalou os olhos, enquanto Hans se afastava, apressado para destruir os monstros. Ren sabia que não poderia ficar de braços cruzados, então tentou se preparar fisicamente para o combate; alongou rapidamente seu corpo e preparou as bestas, e no momento em que daria um passo contra aqueles fedorentos malditos, via Heike se aproximando de si, e monstros destruídos durante o processo. Ativou suas asas mais uma vez; tanto as de suas costas quanto as de sua cintura, mantendo-se no ar o suficiente para tirar os pés do chão.

    Heikkun... O ponto fraco dele é a coxa. Podemos enfrentá-lo sozinhos. ─ passou pelo ariano, colocando uma das mãos sobre o ombro do rapaz. ─ Eu não sabia que meu garotinho se transformaria num ótimo líder. Quem sabe, não teremos um ariano como líder do Conselho Supremo? ─ afastou um pouco mais os pés do chão, e devagar, afastou a mão do ombro alheio. ─ Não vou tentar te conter dessa vez.

    Seguiu voando até o monstro, atirando flechas explosivas no ponto fraco do mesmo. Gritou por Hans ao vê-lo de cima - quando desviou de um dos ataques do monstro -, e o geminiano logo se mobilizou a ajudar, atirando no local. Sim, era o ponto fraco dele, mas não significava que ele seria derrotado tão rapidamente. O sagitariano fora mais esperto dessa vez; desviava dos golpes mais rapidamente, tentando não se desconcentrar como da outra vez. E cada flecha lançada, era uma pequena explosão feita.

    Desviou de mais um dos ataques, voando para acima da cabeça do monstro enquanto provavelmente o ariano e o geminiano se mobilizariam. Quando ergueu-se, sustentado por suas asas tão brilhantes, seus olhos se fixaram num ponto exato e certeiro; a precisão de um verdadeiro sagitariano se fazendo presente ao próprio. Talvez fosse a energia cósmica de Ren, após anoitecer.

    Só pode ser Lua em Sagitário... Tirei a sorte grande. ─ monologou e sorriu pelo canto dos lábios. Afinal, viu uma figura de cabelos longos, ondulados e ruivos numa tentativa de escape. Desceu rapidamente, golpeando o monstro, e a figura se tornou ainda mais familiar aos seus olhos quando desviou mais uma vez. Agradeceu por sua visão perfeita e quase sobrenatural, suspeitando de quem fosse, e só precisaria de uma coisa para confirmar. Ren não tinha mais o chip com as informações, mas era algo que se encaixaria perfeitamente nas suspeitas.

    O monstro não aguentaria por muito tempo.
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    taurusnero
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por taurusnero em Sex Mar 28, 2014 4:40 am

    Não sabia ao certo como os outros se sentiam diante da ameaça evidente, mas Nero, em particular, sentia-se a ponto de vomitar. Não porque estava assustado ou nervoso, sequer se considerava fraco perante o alvo que se aproximava, mas o cheiro era forte demais para que conseguisse aguentar intacto. Todos sentiam o quão desagradável era o odor, mas, certeza, ninguém sofria tanto quanto o taurino, que desejava ardentemente ter um olfato comum naquele momento. Era quase como se estivesse em um caminhão de lixo repleto de corpos em decomposição, e, com certeza, aquela não era a sensação mais gostosa para se ter em momento algum, muito menos naquele. E fora por isso que se recusara a abrir a boca para pronunciar-se por todo o tempo em que o capricorniano e o ariano trocavam as naturais farpas. Sequer ousara mover a cabeça, com medo de qualquer movimento entregar o enjoo que sentia da forma mais asquerosa possível. Não, aquela não era a hora nem o momento de pôr para fora o pouco que conseguira comer naquele dia.

    A sorte veio quando, enfim, pode respirar fundo, tudo graças ao súbito dispersar do odor forte. E que só lhe era súbito porque não tinha conseguido processar a aproximação do libriano, muito menos as palavras que arrancaram o riso de Heike, e a construção da bola de ar. Apenas conseguira pensar adequadamente após aquele instante, e sabia que sua expressão deveria entregar o quão perdido se encontrava, por mais que logo mostrasse a natural feição imparcial de sempre. Precisava se concentrar, precisava se esforçar para manter o foco, mas já sabia que aquela missão seria muito mais difícil que as anteriores. E simplesmente porque havia sido treinado para sobreviver. O fato chegaria até a ser cômico, se não estivesse ocupado antecipando os problemas que teria com seus sentidos aguçados. Bom, pelo menos o escuro não incomodaria.

    Ao receber as ordens do ariano, não fez muito mais que apenas assentir, e de forma sutil até, talvez sequer fosse percebido pelo líder, mas não tentou se forçar a algo mais. Apenas voltou-se em direção ao quarto, deixando um agradecimento em forma de um afago breve em Aya, antes de seguir rapidamente ao cômodo, achando já estar preparado para a nova onda de fedor. Pena que nada o prepararia para aquilo, e quase perdeu a noção novamente, quando não tinha mais a bolha de ar o protegendo. Porém tinha uma missão e precisava cumpri-la o mais rápido possível, principalmente porque algo vinha por outro corredor, e parecia tão afim de destrui-lo, quanto Nero sentia vontade de jogá-lo em uma piscina de desinfetante.

    Talvez aquela fosse a primeira vez que odiava a lerdeza natural de seus movimentos. Por mais que tentasse, vestir as roupas não era algo que conseguia com muita facilidade, muito menos quando estava sob pressão, e anestesiado pelo cheiro do monte de merda que se aproximava rápido demais para algo do tamanho que possuía. Estava devagar demais, devagar demais, lento demais...! Desistira da armadura na metade. A proteção de um dos ombros era a única coisa que possuía, assim como a vestimenta que naturalmente usavam por baixo, quando enfim voltou-se para a porta, e só para dar de cara com a criatura mais horrenda que já vira em toda sua vida. E valia ressaltar que já vira muita coisa mesmo. Pedaços pareciam se soltar a cada movimento do ser, quase como se derretesse, mas eles não pareciam fazer falta ao bicho, que não tinha sequer forma definida... Não dava para nomear aquilo de forma alguma. Passos guiaram o corpo do moreno pra trás, lentamente, para que alcançasse o machado sem ser necessário qualquer movimento brusco. As narinas perderam a funcionalidade, para que o ar fosse puxado pelos lábios, por mais que aquilo sequer servisse como uma solução digna - era quase como se o odor fosse forte o suficiente para lhe rasgar e secar a garganta -, antes que não pudesse mais tentar escapar sutilmente.

    A criatura voou em sua direção, e seu machado logo se ergueu para que a metade superior do ser caísse de um lado e a outra sambasse abandonada. Claro, não havia como estar realizado com aquilo, não poderia ter aquela possibilidade, primeiro porque estava banhado de um líquido asqueroso e tão fedorento quanto o monstro em si, e, segundo, porque assim que parara de se mover, o animal começara a se reconstituir... E parecia que se tornariam dois para a coleção. Não sabia dizer o quão maravilhado estava, até porque abrir a boca era um perigo eminente, e não estava afim de esperar para descobrir quanto tempo levaria para aquilo tentar atacá-lo novamente. Arrancando um pedaço do lençol que cobria sua cama, tratou de correr para fora do quarto, seguindo por um dos corredores secundários, enquanto tentava amarrar o tecido ao redor do nariz e boca. Precisava pelo menos amenizar aquele cheiro, ou desmaiaria a qualquer instante.

    O estrago era evidente. A maior parte da nave parecia destruída, e podia sentir sob seus pés descalços um tremor singelo que indicava muitos pés se movendo. Pelo visto, todos estavam desesperados, os ataques podiam ser ouvidos de longe por qualquer pessoa normal, então não era difícil para Nero distinguir o que acontecia um pouco mais distante, mas precisava focar naquele corredor em específico. E já sabia que um problema enorme o esperava no meio dele. Dessa vez não era um monstro, e, sim, um desabamento. E assim que parara diante do mesmo, as luzes acenderam para mostrar com mais clareza o que já sabia que o esperava. Uma pessoa estava presa sob os escombros, e parecia sentir muita dor. Pernas esmagadas talvez? Olhou de um lado ao outro, buscando inutilmente alguém que pudesse auxiliar nos primeiros socorros, mas, pelo visto, teria que lidar com aquilo sozinho. Não poderia garantir que seus gestos não fossem causar qualquer dano permanente, e fez questão de murmurar pedidos de desculpas ao homem, enquanto erguia o monte de metal que impedia a liberdade alheia, e usava o machado para evitar que caísse novamente sob o corpo já frágil. Com todo o cuidado que lhe era permitido, e com a ciência de que algo se aproximava rapidamente, carregou o ferido, tentando ao máximo não se preocupar com o cheiro de sangue, ou a forma como seus membros inferiores pareciam moles demais. Precisava de um lugar seguro. Porém não teve tempo de achá-lo antes que sentisse o ombro desprotegido arder.

    Já sabia que o bicho se aproximava, era óbvio, e sabia que o alcançaria antes que tivesse conseguido reviver suas defesas, por isso estava pronto para aquele golpe, e fizera o possível para que não rendesse nenhum novo machucado ao rapaz que resgatava. Na verdade, ficou imóvel, sentindo os dentes se cravarem em sua pele, e no momento em que se afastaram, prestes a tentar um novo ataque - Nero não ser permitira ser sacudido como era o desejo da aberração -, o taurino aproveitara para puxar o machado de vez, fazendo a cabeça do inimigo voar, ao mesmo tempo que um som alto corria pelo corredor, graças à queda da estrutura de metal. Bom, pelo menos descobrira, pelo eco seco, que provavelmente não haviam mais pessoas exatamente no mesmo, talvez escondidas nas salas? Então suspirou aliviado, indiferente ao próprio sangramento, quando cortou a perna do bicho. Sua intenção? Colocar o ferido em um local seguro e usar a parte como uma forma de disfarçar o cheiro do mesmo. Sua conquista? Descobrir que aquele era o ponto fraco do monstrengo, já que ele parara de se mexer imediatamente. Sorriu, satisfeito, e seguiu como pode para a sala mais próxima, onde deixou a vítima acomodada e a perna largada atrás da porta fechada.

    Só então permitiu-se sentir a dor, e poderia xingar alto, tantos palavrões quanto os que o ariano usava em suas conversações cotidianas, se não fosse completamente fora de seu feitio. Aquilo doía como o inferno, e parecia que aquela dentição não via escovas de dente já há algum tempo, seria perfeito se pegasse uma infecção, tudo que precisava. Já podia ouvir as reclamações de Heike, enquanto continuava seu caminho pelo corredor em passos arrastados.  

    "Eu mandei você não se machucar! Você é realmente um saco de bosta inútil, seu filho da puta.", e, depois, ele vai me bater tanto que vai doer mais que esse ferimento...

    Murmurou para si, e chegou a dar uma risada breve. Assustando algumas pessoas que arriscavam olhares das salas onde se escondiam, e para as quais anunciou, em um pedido silencioso, que se mantivessem tão quietas quanto antes. Deixava a mão suja de sangue de monstro marcar as portas, enquanto o próprio sangue criava uma trilha até o fim do corredor. Sem saída. Ótimo, era perfeito. Quantos seguiam o seu cheiro? Talvez uns três? Não tinha certeza, o fedor o deixava zonzo e o sangramento não o ajudava a acordar. Mas não era como se tivesse muitas opções, certo? Com o machado preso às mãos, voltou-se para as criaturas com um sorriso enorme no rosto, quase maníaco, ao mesmo que sua voz escapava em um tom bastante desafiador para alguém em seu estado.

    Desculpem, grandões, mas eu vou precisar passar por vocês. Tenho alguém para encontrar depois de cuidar da limpeza aqui.
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    Rin Damien
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Rin Damien em Sex Mar 28, 2014 7:23 pm

    Observara o Sagitariano sair correndo sozinho com um ar de reprovação, e apesar de não conhecê-lo bem, sabia o suficiente sobre o guerreiro para nem pensar em tentar impedi-lo. O que quer que ele fosse fazer, o que todos fossem fazer após se separarem, só pedia internamente que tivessem cuidado. A situação não cheirava bem – literalmente - e não poderia curar todos caso quase morressem em conjunto, principalmente se precisasse lutar também.  Assim que as ordens foram dadas, começou a correr na direção em que Harold fora. Seus olhos se acostumavam aos poucos com a escuridão, mas ainda não seria útil na ofensa até estarem do lado de fora, e se mantinha sempre a uma distância segura enquanto o regente de capricórnio explodia a passagem em seu caminho, e logo após, os monstros que surgiram.

    Os monstros eram horrendos.  Além do fedor, pareciam seres que simplesmente não deveriam existir, de tão deformados e mutados que eram.  Rin quase sentira pena deles, imaginando que um dia foram animais normais, vivendo pacificamente na natureza, mas provavelmente sentiria mais se não estivessem determinados a acabar com a paz e a vida de várias pessoas na nave.  O Capricorniano atirara neles e correra para a sala de controle, deixando-o para distraí-los.  O único problema era que não tinha um modo de fazer isso. Não poderia usar sua magia de terra onde não havia tal elemento; até poderia tentar com seu cajado, mas como não estava com ele... Teria de usar o raciocínio, e esperar que Harold voltasse rápido.

    Alguns segundos se passaram na escuridão, e observava os três vultos caídos, se mantendo parado, afastado, de um modo treinado, quase sem respirar. Pela primeira vez notava que as partes danificadas deles se reconstituíam, quase como se estivesse usando magia sua magia de cura. Células que se regeneravam... Se tivesse tempo, luz, e luvas, poderia pegar uma mostra e descobrir exatamente o que as faziam se regenerar, como impedir o processo; porém, não possuía nenhum destes recursos.  Pense... Regeneração. Cura. Os bichos mais afastados começavam a se levantar, mancos, o mais próximo ainda tendo a regeneração da cabeça para cuidar. O oposto daquilo... Se conseguisse inverter sua magia de cura, o que aconteceria com eles?   Nunca havia tentado, e se o efeito fosse o que estava pensando, seria algo extremamente perigoso de se tentar, ainda mais repentinamente.  Apenas se fosse a última solução.

    De repente, as luzes voltaram a se acender, e os monstros, desnorteados, pareceram notar que ele continuava ali, e provavelmente teriam atacado, se não fosse por explosões repentinas, que os despedaçaram, espalhando restos de monstros para todos os lados e levantando uma nuvem de fumaça e piorando ainda mais o cheiro do local. Piscou algumas vezes, tentando ver algo através da fumaça, ao mesmo tempo em que ouvia os passos de Harold chegando da sala de controle. Suas suspeitas sobre o que havia acontecido se confirmaram quando ouviu um grito do outro lado do corredor e reconheceu a voz. Não era uma que o agradava, mas era bem vinda no momento, se significava que ele poderia continuar explodindo os monstros. – Uma vez na vida suas explosões foram úteis. Parabéns. -  Seu tom possuía um toque mínimo de sarcasmo, mas estava sinceramente agradecido a Zion, desta vez. Ele ganharia um café extra, caso não morressem em toda a confusão. Voltou a se referir a Harold para questionar a situação e o que fariam dali em diante. - Então? -
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Abr 03, 2014 8:01 am

    Um dos problemas já estava parcialmente resolvido. Senhor, o sistema normalizará completamente dentre 25 minutos. Até lá, alguns dados ficarão indisponibilizados para acesso. Não era ruim. No máximo, algumas lixeiras automáticas ou armamentos de segurança. Não respondeu à Arthemis, indo apenas em direção onde Rin estava e oh, que bela surpresa. Zion surgiu do além para prestar ajuda, por acidente talvez.

    Uma das melhores pessoas para se trabalhar ali era o aquariano, pelo menos para Harold. Tinham suas desavenças idiotas, por motivos idiotas - MUITO idiotas -, mas se conheciam há anos suficientes para saber como um e o outro funcionavam. Abafou um curto riso debochado pelo comentário de Rin, visto que era raro o virginiano elogiar por livre e espontânea vontade. De súbito, sentiu seu tímpano latejar, fazendo-o inclinar a cabeça para o lado com uma careta no rosto. Nunca sabia quando o ariano gritava ou falava normalmente pelo comunicador. Só o Zion é surdo aqui, Heike. Menos... Revirou os olhos, fazendo uma expressão de extrema ironia com o "situação de emergência" declarada pelo mais velho. Oh, jura? Por um momento achou que fosse treinamento. Uma pena, mesmo. Talvez todos aqueles painés em vermelho cegante escritos "EMERGÊNCIA" não fossem só ilusão de ótica, oh God.

    De toda forma, agradeceu mentalmente pelo curto e grosso relatório da situação, embora não fosse nada que o capricorniano já não esperasse. Sem mais palavras desnecessárias, sentiu-se até, por um curto momento, ligeiramente agradecido pela consideração de Rin em escutar o que Heike disse e ainda assim pedir ordens suas. Se todos os outros regentes, principalmente Ren - que só porque era um dos mais velhos, se sentia no direito de fazer o que bem entender sem pedir a opinião dos companheiros -, fossem como Rin, tudo seria tão mais simples... Todavia, por enquanto era mais sábio apenas seguir as recomendações do ariano. Quanto antes se reunissem, mais rápido aquelas pragas seriam dizimadas e a prioridade no momento, para eles que estavam dentro da nave ainda, era procurar por vítimas. Girou os olhos mais uma vez, se cagando para quem quer tivesse sido estraçalhado por aqueles bichos, ou soterrado por algum desabamento de teto. Mas, era seu trabalho. Mãos à obra.

    Voltou-se para Rin e Zion, respondendo a demanda do virginiano.

    Por enquanto, seguiremos as ordens do Áries. ─ Dito isso, deu um pesco-tapa em Zion, pra que ele acordasse pra vida e finalmente pudessem disparar pelos corredores. Enquanto corriam, continuou: ─ Passaremos pela Nave da Terra no caminho e nesse momento, Rin deve pegar o seu cajado em seu quarto. Precisamos do máximo de suporte possível. Eu irei na frente enquanto isso e limparei o caminho se for necessário.

    Não era necessário pedir para que fossem rápidos, e logo alcançavam a Nave da Terra e passavam pelo quarto do Virgem. Harold seguiu em frente, vendo um infeliz choramingar no canto do corredor à sua frente, encolhido e com as mãos na cabeça. Estendeu a mão para o fulano e ao passar por ele, agarrou em sua roupa e o arrastou pelos corredores, ouvindo suas súplicas. Ótimo, um alucinado. Foda-se, pelo menos não estava morto. Seguia em direção ao pátio principal, e logo podia ver a situação que ali se encontrava. Melhor que isso, só dois disso. E desta vez, não foi irônico. Jogou o ser infeliz em direção a um dos guardas que se encontravam ali, tentando manter ordem nos civis.

    Sua corrida diminuiu agora, limitando-se à uma caminhada sem pressa alguma, enquanto analisava a quantidade de criaturas ali. Eram muitas, conseguia ver também Heike e Ren lutando contra elas. Lembrava-se de que elas se regeneravam, então não tinha tempo ali pra descobrir o ponto fraco das mesmas. Não via Nero no local, mas Rin e Zion deveriam chegar logo. Esticou o canhão para cima, ativando sua segunda forma. O corpo da arma abriu-se e suas partes internas tomaram posições diferentes, fechando-se mais uma vez, completamente diferente. Um bipé formava-se abaixo da arma, e assim apontada para seus alvos, o invólucro começava a girar, aumentando a velocidade gradativamente, fazendo um ruído contínuo e altíssimo.

    Hey! Acho melhor se afastarem! ─ Sorriu, aconselhando aos regentes do Fogo. Subitamente a enorme metralhadora iniciara sua sequência de disparos, centenas deles em cada segundo. Não demorava mais que isso de tempo para explodir quatro ou cinco daqueles monstros até não sobrar nada de seus corpos. O sorriso na faceta de Harold aumentava a cada vez que via uma daquelas criaturas virar carne moída, explodindo pelos ares em um estrondo ensurdecedor.

    O bipé na metralhadora o impedia de lutar corporalmente, mas não precisava disso quando seu canhão assumia aquela forma. Qualquer coisa que entrasse em sua mira, explodia em meros centésimos de segundo. Não pode deixar de gargalhar em meio aos disparos consecutivos, preenchendo o ambiente com aqueles estrondos. Quando muito mais da metade já não existia mais, fora surpreendido por um dos monstros, que tentou atacá-lo por cima da arma. A metralhadora desfez-se e voltou à forma do canhão original em questão de meio tempo. O albino deu um mortal para trás e de cabeça pra baixo atirou no estômago da criatura. Ao tocar os pés no chão novamente, disparou mais duas, três, quatro vezes em partes divergentes do monstro e percebeu ele parar de se mover quando atingiu suas coxas. Que lugar nada a ver pra se ter como ponto fraco, hein? Arqueou uma das sobrancelhas, saltando por cima do oponente e pousando na cabeça de um deles, que se desnorteou ao ter a cabeça coberta pela boca do canhão.

    Dasvidaniya. ─ O monstro explodiu de cima para baixo, numa linha vertical por conta do disparo.
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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

    Mensagem por Zionga em Sex Abr 04, 2014 7:48 pm

    O regente de aquário ignorou totalmente o pseudo elogio do virginiano, correndo em direção a Harold com os braços abertos. Durante aquela rápida corrida para abraçar o irmão de consideração, a expressão de Zion estava cômica. Uma mistura de desespero, pânico, alivio e felicidade. Certamente não abraçou o capricorniano ─ por motivo óbvios ─, porém uma das mãos pesadas do rapaz repousara sobre o ombro do albino enquanto com a outra ele tentava gesticular coisas tais como as explosões que aconteceram ou a quantidade absurda de monstros que vira, além de é claro, o seu desentendimento nítido da situação. Mas ficava apenas gesticulando, pois estava num momento em que não tinha tempo para pensar direito no que falava.

    Conseguira se acalmar e se afastar de Harold antes que levasse umas porradas, deixando-o de lado para pensar no que iriam fazer. Lançou o olhar para as partes da quimera que destruirá, mexendo algumas dela com os pés para confirmar suas suspeitas. Pelo visto explodir era uma boa opção para aqueles bichos, uma vez que eles não davam sinal de retornar a vida. Respirou fundo e finalmente deixou de ignorar a presença de Rin, lançando-lhe um sorriso maroto enquanto acenava com uma das mãos como quem acabara de ver ele ali. ─ E ai!

    E como num passe de mágicas, numa sincronia perfeita, Harold se manifestou ─ dando-lhe um tapa que se não fosse em Zion ou em Nero, faria a pessoa voar ─ para que a interação do aquariano ─ todo sujo, fazendo merda e sendo infantil ─ com o virginiano fosse mais uma vez cortada. Aumentou o sorriso divertido, assentindo com a cabeça. Não podia deixar de demonstrar que de alguma forma estava feliz, afinal, havia encontrado Harold para lhe ajudar com o caminho. Se fosse sozinho iria certamente parar na parte da nave equivalente a china.

    Eu posso tomar conta da traseiro, já que o baixinho ai não tem como se defender. ─ Deu de ombros, limpando o ferimento acima de sua sobrancelha enquanto já tomava sua posição atrás de Rin, empurrando-o com a mão livre pra ele ir andando. Via Harold sumir sem nem dar uma olhadinha para trás, enquanto a si mesmo olhava para trás o tempo todo. ─ Espero que você saiba pra onde ele 'tá indo, porque eu não sei... Na verdade, eu não sei nada, tipo onde exatamente fica a terra da nave?

    Deu uma fraca gargalhada, enfiando as mãos em alguns bolsos para separar algumas de suas invenções caso precisasse. Ainda mantinha aquele senso de humor próprio, mesmo em uma situação como aquela onde ele era visualmente o mais fodido. Com a sua sorte, teriam alguns muitos bichos por perto. Sacudiu a cabeça para espantar a ideia, já que geralmente elas se tornavam algo que aconteceria. Um dom que os aquarianos tinham era o pressentimento e essa coisa de adivinhação, no momento ele não gostava dele. Porém era mais esperto e por isso enquanto seguia Rin, pegou os robôs e ajeitou-os o mais rápido que podia para encontrar os monstros antes deles. Não tinha noção se ia funcionar, mas era uma aposta que teria de fazer. Afinal, se desse certo, ele e o virginiano estariam em paz por um tempo até o outro poder lutar também.

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    Re: [#01] O Judas de Leão, Parte I

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