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    [#02] O Judas de Leão - Parte II

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    Abel
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    [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Abel em Qua Abr 09, 2014 10:46 pm

    Sasha Rockenbach escreveu:
    5. O Judas de Leão, Parte II
    Vocês não encontraram nada na missão anterior, não é mesmo? Mas trouxeram provas pequenas que dizem muitas coisas! O pessoal da investigação fez seu trabalho perfeitamente e, adivinhem! Encontraram algo! As pistas realmente levaram à Louis!
    Que tal segui-lo mais um pouco?
    Local: Áreas de risco médio-alto
    Exigências:
     Like a Star @ heaven  Seguir Louis mais uma vez;
     Like a Star @ heaven  Suas ações não podem ser tão suspeitas quanto as anteriores; ele percebeu que estava sendo seguido!
     Like a Star @ heaven  Encontrem mais pistas;
     Like a Star @ heaven  Invadam mais uma base secreta;
     Like a Star @ heaven  Dividam-se em números pares cada grupo. Se for em dupla, um vai pra um lado e outro para o outro. Se forem 3, cada um vai para um canto. Se forem 4, dois para um canto e dois para o outro. Se o número de guerreiros for ímpar, a maioria terá de cumprir a exigência b:
    a) Enfrentar Louis, mas não será fácil! Ele está bem, bem forte! Aliás, parece que ele se aliou a alguém... Mas quem?
    b) Resgatar a grande pista que encrimina o safado mago, e enfrentar mais robôs.
    O destino de Louis é o grupo quem escolhe. Ele sobreviverá e voltará com Kain, será morto por algo, alguém ou algum animal modificado ou será capturado pelos guerreiros e preso? O grupo decide.
     Like a Star @ heaven  Informe o ocorrido a Abel.


    ABERTO PARA TURNOS.


    Última edição por Abel em Seg Dez 08, 2014 3:16 pm, editado 2 vez(es)
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    taurusnero
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por taurusnero em Dom Abr 27, 2014 5:27 am

    Quanto tempo havia passado desde a última vez em que Nero se vira tão cheio de energia? Ainda mais ao ponto de sair de seu quarto para conquistar longas horas de caminhada, e, simplesmente, por não sentir-se à vontade para ficar deitado por muito mais tempo? Sim, aquilo havia acontecido no começo do dia, e talvez fosse um reflexo direto ao fato de que praticamente hibernara desde a última situação de perigo na nave. Se acordava, apenas o fazia para comer ou tomar banho, coisas simples e que se repetiam quase como uma rotina involuntária, antes que voltasse a apagar sobre as cobertas, a mente desligada para qualquer coisa que acontecesse ao redor. Suas obrigações? Poderia dizer que havia falhado com a maioria, mas, por mais que não quisesse justificar seus atos de irresponsabilidade, e não tivesse a opção de dizer que estava fisicamente destruído, sua mente parecia caótica demais, muito mais ativa que o normal, algo que era suficientemente cansativo, e talvez muito mais do que horas de trabalho corporal. Os motivos eram óbvios, e sabia muito bem que não era o único naquela nave com pensamentos do tipo. Todos estavam lidando, mastigando as informações novas, e tentando aceitar o que havia de errado... Tão óbvio que chegava a doer, mas apesar de ainda precisarem de provas físicas, era um fato quase consumado: Foram traídos por um dos regentes.

    Não era como se não pudessem lidar com aquilo, no entanto. Eram guerreiros, muitos vieram de situações realmente desfavoráveis, e ser traído não era algo surpreendente em um meio tão perigoso. Ao menos não deveria ser, mas as situações causadas nesse período de tempo foram o suficiente para esgotar qualquer um, mesmo que fisicamente não parecesse - e, na maioria dos casos, só não estavam destruídos por terem a ajuda de Rin. Uma batalha de proporções absurdas se desenrolara há pouco tempo, partes da nave foram completamente danificadas, houve uma baixa no pessoal, e mesmo os guerreiros estavam tendo seus problemas internos. Aliás, havia um deles que estava realmente estranho, e era difícil para o taurino lidar bem com aquilo, quando era Heike que se comportava de forma tão exótica, e ainda evitava qualquer contato consigo ou com qualquer outro dos viventes dali. O angustiava, e sequer conseguia entender o porquê, apenas sentia que tinha algo de errado com o ariano, e o fato de ele recusar sua proximidade... Bem, não era o tipo que forçaria também, por mais que se sentisse falhando com o mais novo.

    Porém, aqueles pensamentos estiveram martelando muito mais forte em sua cabeça naquele dia, e, junto com a energia acumulada pelas horas absurdas de sono, acabou criando a necessidade de se exercitar para conseguir relaxar. Alguma coisa o impediu de ir para a sala de treinamento - talvez o fato de que ainda não se sentia um tanto sequer confortável com o corte de cabelo novo -, por isso seguira para fora da nave em que viviam, e passara um tempo absurdo apenas andando, indiferente a qualquer coisa, ou qualquer um que parasse para analisar sua aparência destoante de toda a modernidade com que estavam acostumados. Fizera aquilo até cansar, antes de voltar a passos calmos para a moradia e se dirigir ao próprio quarto, com o claro intuito de recolher algumas roupas novas e mais confortáveis. Tomar um banho quente para relaxar os músculos bem trabalhados era uma necessidade.

    Pena que ela não se tornaria realidade.

    Fora apenas se acomodar, para receber o comunicado do companheiro de elemento, e nunca pensou que poderia ficar tão alterado com apenas algumas palavras. Estava confuso, afinal... Que diabos aquilo significava? Certo, estava bem óbvio o significado contido nos dizeres, mas como eles podiam se envolver em algo tão bizarramente cruel? Ainda mais sendo os líderes de um grupo de guerreiros que poderia se tornar muito perigoso se não mantido na linha. Era exatamente o que precisavam, uma oportunidade para mais se rebelarem...! Porém, o que Rin havia dito mesmo? Sem... Respirou fundo algumas vezes, sentindo uma sensação que não lhe era nada convencional, principalmente quando fazia o tipo racional na maioria dos casos. Aquilo era... Desespero?! Não era exatamente agradável perceber-se facilmente alterado emocionalmente, e tudo por causa de uma pessoa. Já não estivera em seu estado perfeito, justamente graças ao líder, e, naquele instante, ele estava em uma situação perigosa o suficiente para que acabasse sem partes do próprio corpo...! Não queria, mas diante da notícia, da necessidade de processar uma informação tão absurda, e em meio ao turbilhão de sensações, gastou alguns momentos estático. Porém, ao recuperar-se - o que durou milésimos de segundos -, fora rápido ao prender o machado com uma das mãos e seguir em direção à área de treinamento.

    E, pela primeira vez na vida, Nero estava correndo realmente rápido.

    Seus passos eram firmes, fortes, pesados, e tremeriam a estrutura metálica inteira, se ela fosse um pouquinho menos resistente. Seu sangue parecia correr muito mais rápido pelo seu corpo, ao contrário do ar, já que a respiração havia morrido quase automaticamente, no momento em que uma agonia cresceu em si. No entanto, no instante em que puxara uma quantidade exagerada de oxigênio para reabastecer os pulmões abusados, seu olhar se arregalou e o corpo parou de imediato. Silêncio. Ao menos na mente do taurino, tudo parecia quieto, por mais que muitas pessoas circulassem ao seu redor. Havia algo de muito estranho acontecendo, mas não conseguira identificar de imediato, sua mente estava confusa. Desde que os fios de sua franja foram cortados, e a visão liberada por completo, era quase como se todos os sentidos fossem sensíveis demais. Uma vez podendo enxergar muito além que outrora, de forma tão clara, a percepção de coisas próximas não parecia suficiente. Sua mente o fez conseguir sentir mais, e era estranho o suficiente para confundi-lo, outro motivo para seu cansaço mental. De qualquer forma, parecia que seria bem útil naquele instante.

    Os olhos subiram, focando o sistema de ventilação, e as narinas se expandiram mais de uma vez, e não em busca de ar, mas sim de um cheiro... Algo que conhecia, mas que demorara um instante para reconhecer, e quase fora da pior forma possível. A representação de um problema que, definitivamente, não precisavam naquele instante. Cessou o fluxo de ar de imediato e tratou de buscar qualquer coisa que pudesse bloquear a região do nariz e boca. Sorte, algumas das pessoas que passavam carregavam alguns equipamentos para a ala da enfermaria, e, dentre eles, sua mão se afundou na caixa de máscaras e com um grito mandou que todos os presentes as colocassem o mais rápido possível. Recolheu algumas mais como garantia e correu a acionar os comunicadores gerais da nave. Tinham um problema e tanto.

    Todos que estiverem ouvindo essa mensagem, parem de respirar agora mesmo! Guerreiros principalmente! Provavelmente soaria como uma brincadeira de mau gosto, mas esperava que reconhecessem o desespero na voz sempre tão calma do taurino. Tratem de buscar um meio qualquer que filtre o ar, que impeça que respirem algo que não devem, é uma situação de emergência. Se pessoas estiverem agindo estranho perto de você, corra e busque abrigo, não poderão conter alguém que estiver infectado. E não se deu ao trabalho de explicar o que queria dizer com aquilo, já que voltara a correr em direção ao seu destino inicial.

    Com a preocupação redobrada, chegou próximo à área de treinamento bem no momento em que a porta explodiu graças à... Heike?! Chamou, o tom falhando ao que percebeu toda a alteração no corpo alheio, e o cheiro forte de sangue. Aquilo... HEIKE! Chamou mais alto quando viu o outro correr, um rastro escuro banhando o chão e fazendo o taurino ficar muito mais nervoso com a situação. Porém tentou pensar com um mínimo de racionalidade, e lançou um olhar nervoso para dentro da sala de onde o ariano tinha fugido e... Aquilo era Harold?! Mas que... Estava enojado com o cheiro excessivo de sangue, e o estado do outro, visualmente falando, não era nada bom. Nada bom mesmo. Gemeu, exasperado, antes de adentrar a sala para atestar que o outro estava respirando, e cobrir a face alheia com uma das máscaras. Sabia o quão dolorida era a invasão daquelas criaturas ao corpo, por mais que... Bem, Harold provavelmente não deveria estar sentindo mais nada após tantos danos. Enquanto tentava um mínimo de primeiros socorros, buscando estancar o sangramento com alguns pedaços da roupa alheia, entrou em contato com Rin, e rezava para que o virginiano não tivesse ido muito longe.

    Eu preciso que você volte para a área de treinamento AGORA. Harold não vai sobreviver se você demorar mesmo que míseros dez minutos.... Merda! Fora direto no chamado, mas o palavrão não havia sido antecipado, e sequer foi utilizado graças ao estado do companheiro de elemento. Algo bom, de fato, mas não gostava nem um pouco do que acontecera. Escuridão, não total, ainda bem, mas uma boa parte da sala havia apagado, e, pelo que seus ouvidos contavam para si, era obra de pessoas enfurecidas. Alguns dos trabalhadores da nave já estavam afetados, e aquele não era um bom sinal. A praga estava espalhando rápido demais, e até já suspeitava como isso acontecia. Só que... Realmente queria entender o porquê de as luzes apagarem sempre que alguma coisa dava errado. Sinceramente, era uma das coisas mais inconvenientes possível, e poderiam já ter criado um sistema melhor, que evitasse aquele tipo de acidente. Acho melhor você sobreviver e pensar nisso depois. Acabou murmurando para o corpo que, em seguida, abandonou, deixando uma máscara extra próxima a ele, para caso o virginiano não tivesse como se proteger e conseguisse chegar ali sem estar afetado.

    Agora tinha uma nova missão.

    A passos rápidos, o taurino se afastou da sala onde o caos tinha começado, para seguir o rastro úmido do sangue de Heike, assim como o cheiro forte que ele exalava. Precisava alcançá-lo o mais rápido possível, para protegê-lo do que estava por vir, conter a fúria toda que ele havia demonstrado a si só com um vislumbre, e evitar mais desastres. Porém, mesmo que essas fossem as desculpas que encontrava para suas ações, dentro de si sabia que a maior parcela do que o motivava era a preocupação com o outro. Não sabia o que acontecia com o ariano, mas ele estava ferido e fora de si. E não podia deixar isso prosseguir de forma alguma. Mas como também precisava manter suas responsabilidades, fez um último aviso para todos os guerreiros.

    Não sei se lembram do que aconteceu comigo ao acabar ingerindo um vírus estranho, mas como eu sei o que acontece, quero informar que todas as pessoas que respiraram o ar contaminado vão ficar bastante violentas e indiferentes à dor, irão tentar agredir sem pensar duas vezes, e não vão conseguir pensar coerentemente, sejam cautelosos ao lidar com elas. E, mais, tenho a impressão de que foram colocados no sistema de ventilação e se manifestaram só agora. Precisamos descobrir primeiro como evitar que mais pessoas sejam contaminadas e trabalhar com a solução depois. Mais uma vez, sejam cautelosos.

    E, com um suspiro, desligou o comunicador e aumentou a velocidade de seus passos.
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    Rin Damien
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Rin Damien em Dom Abr 27, 2014 7:48 am

    O virginiano talvez fosse ágil por ser relativamente pequeno, mas mesmo considerando seu porte, não se lembrava da última vez que correra tão rápido. E por consequência, não se lembrava da última vez que quase batera de frente com uma parede ao ouvir um comunicado repentino que ressoava pela nave.  Isto provavelmente nunca acontecera antes. Mas quando a voz conhecida de seu companheiro de elemento de repente falara para todos na nave parar de respirar enquanto ele corria, soava importante. Ao menos conseguira parar antes de atingir a parede, imediatamente puxando a gola da camisa para cobrir o nariz e a boca, apesar de estar respirando pesadamente. Mais um pouco e chegaria ao escritório de Abel, porém, Rin conseguira juntar os pedaços da informação de Nero. Aquele vírus que o infectara em outra ocasião estava a solta na nave. Maravilhoso. Como se os líderes estarem se dilacerando não fosse o maior problema.

    Queria continuar correndo, no entanto, decidiu pensar estrategicamente. Estava longe de qualquer lugar que tivesse máscaras. Acionou o próprio comunicador novamente, realizando outra chamada de emergência, comunicando para todos da área farmacêutica, biomédica, e de pesquisas, para se dividirem entre distribuir máscaras e buscar o antídoto, e até começar a fazer mais do mesmo, caso gente demais fosse infectada. E agradeceu por ter parado no minuto seguinte, quando recebeu uma chamada do taurino. Sentiu algo desagradável no estômago, como se a gravidade da situação só o atingisse agora, junto com o pressentimento de que ficaria muito pior. Já estava correndo na direção de onde viera antes de Nero acabar de falar, e poderia ter até sorrido ao ouvir o xingamento, se o problema não fosse tão sério. Abel teria que esperar um pouco; todos seus pensamentos agora iam para correr o mais rápido que fosse humanamente possível.  E, aparentemente, no escuro, já que as luzes fizeram o favor de se apagar, que nem da outra vez.

    Chegou na sala de treinamento sem parar para pensar na porta destruída, se focando no corpo à sua frente de algo que um dia fora Harold. Se ajoelhou apressadamente, apesar de seus pulmões parecerem queimar, buscando recuperar o ar devido ao exercício repentino e intenso.  Não podia nem ao menos tirar a roupa do rosto para respirar propriamente, apesar de em um segundo tê-la trocado pela máscara que Nero deixara ali. Ele deixara uma inclusive no capricorniano, o que era ótimo, também. Lembrava de falar para si mesmo que não ia curar ferimentos feitos por uma razão tão estúpida quando aquela briga, porém uma situação de vida ou morte era diferente. Uma olhada rápida de analise o fez instintivamente curar os ferimentos nos braços alheios, que apesar de a tentativa de estancamento dos ferimentos, continuavam a sangrar profusamente. Os braços eram a parte fácil. O olho também, curou sem pensar duas vezes, mesmo que não significasse que ele recuperaria a visão. Seria trabalhoso demais pensar em detalhes da magia naquela situação.
    O que o preocupava eram os ferimentos no tronco. Pareciam de garras de animais, e enquanto Rin usava seu poder para deixa-lo decente, demorando um pouco mais que o normal, sabia que aquilo não era algo que poderia ter sido feito por Heike em seu estado normal. Não. Harold era o psicopata; Heike poderia quebrar várias coisas, mas arrancar braços, fazer ferimentos daquele tipo? Era o líder. Ele normalmente tinha algum pensamento sano. Se bem que, depois daquilo, provavelmente não mais. Deixou o regente de capricórnio deitado, respirando fundo, enquanto se lembrava de outra coisa. Abel. Ouvira a voz de Nero novamente no comunicador da nave, enquanto acionava a chamada para o líder do conselho supremo. Agora ele teria que ouvir, sabendo a situação em que estavam, mesmo que o problema a parte não tivesse nada a ver com o dito pelo taurino.

    - Abel. Eu sei que já estamos com problemas suficientes. Mas os líderes dos guerreiros acabam de brigar de uma forma que já piora toda a situação. Harold está desarmado, sem o braço bom, sem visão de um olho e sem condições de lutar. Tudo causado por Heike, que, pela última vez que eu vi, estava sem um olho e sem um chifre, e com ferimentos menores. Parece que algo aconteceu com ele, nessa luta, mas eu não posso confirmar... Vou comunicar pros outros para o imobilizarem, se possível. Quando isso acabar, é bom acontecer uma reunião séria. – Tudo fora dito em um tom extremamente calmo, mesmo que Rin, desta vez, estivesse longe de se sentir assim. Em seguida, ativou um dos comunicadores da nave. – Aviso. Se virem o guerreiro de áries, fiquem longe dele. Repito. Longe. Guerreiros dos signos, de preferência o imobilizem. Urgentemente. E reforço também o último comunicado. Fiquem dentro das áreas determinadas pela equipe médica. Não se aproximem de ninguém com comportamento violento. Peguem máscaras o mais rápido possível, e evitem respirar sem elas. – E desligou, voltando a olhar o corpo do albino no chão.

    Ele ainda corria risco de vida pela perda de sangue, apesar de estar sem mais ferimentos. E o virginiano não poderia leva-lo sozinho para um lugar onde pudesse resolver isto. Tinha certeza que ia se livrar por um tempo do comunicador depois daquele dia. – Tragam uma maca para a sala de treinamento, urgentemente. E de preferência, sangue e equipamento para uma transfusão rápida. Mais instruções quando chegarem. – Comunicou à equipe médica, antes de desligar novamente.
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    Aya Katsaros

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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Aya Katsaros em Ter Abr 29, 2014 7:31 pm

    Era engraçado estar a tanto tempo na forma humana, Aya definitivamente estava desacostumado a passar dias a fio sem se transformar sequer por um instante, na verdade o mago estava com medo de assumir a forma animal, ele havia abusado um pouco da magia negra na última batalha e ele sabia que sua maldição vinha do uso dessa vertente mágica tão repudiada pelo seu povo; temia que se virasse um felino não pudesse retornar à forma humana tão cedo. Aproveitava porém para exercitar suas habilidades e melhorar o desempenho físico, e vinha se empenhando nisso até mais do que na tarefa imediatamente posterior ao final da última luta, a qual era tirar aquela mancha horrenda da parte branca do cabelo comprido.

    Estava do lado de fora da Nave, testando seu controle sobre as correntes em um espaço mais amplo e menos controlado, como era na sala de treinamento, mas algo estava o impedindo de se concentrar o suficiente, era um sentimento pesado e um pressentimento muito ruim em seu peito,algo tão esmagador que parecia querer comprimir com tanta força a seu peito que o faria explodir. Com um suspiro pesado, o mago resolveu entrar de volta e quem sabe procurar alguém que pudesse acalmar aquele presságio horrível, porém o que aconteceu foi somente para reforçar a sensação.

    Massageou uma das têmporas assim que a voz de Nero terminou de ressoar em sua audição, mais um sinal de problemas e se vinha das saídas de ar, era algo onde finalmente podia se sentir útil, portanto o libriano se sentiu na obrigação de procurar os regentes e oferecer algum tipo de proteção; por se tratar de seu elemento regente, o mestiço dispensou a máscara,conjurando um “envoltório” invisível o qual deixava o ar respirável para si pelo menos.
    Já não sabia ao certo para onde estava indo, até avistar uma silhueta familiar para si, rapidamente se pôs a caminho daquela pessoa e não demorou para que estivesse de frente para o que deveria ser o ariano,mas ele estava um tanto diferente... e coberto em... sangue?

    -Hm, Heike.. você tá se sentindo bem? Não sei se ouviu que temos que tomar algumas precauções e eu acho que posso ajudar e – a frase saiu um tanto incerta e se Aya fosse vidente, não teria cometido a imprudência de chamar atenção para si e muito menos estar tão perto do mais alto. Mais uma vez o libriano tinha um problema e ah seria ótimo se fossem apenas bolas de pelo.

    Hue:
    Olar ficou minúsculo mas não to muito inspirada pra escrever muito desculpa ;a; mas tá ai respondi /sad
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    RenWalker

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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por RenWalker em Qua Abr 30, 2014 3:28 am

    DIA ANTERIOR
    Nota: após as estrelinhas, já é o dia seguinte.

    Uma visita.
    Há tempos não recebia uma visita... Ah, mas não era alguém qualquer! Era um grande amigo. O antigo geminiano, melhor amigo de seu pai Dimitri e grande colega de Nerissa, Tae - alto, forte, moreno e usava dreadlocks, com algumas tatuagens tribais em seu corpo e faceta séria -, fora visitar o sagitariano num dia que, até então, parecia qualquer. O ruivo caminhou contente até a sala de visitas dentro da Nave Principal, tampouco imaginando o que havia acontecido - tanto com Harold quanto com Heike, e no restante da nave.
    O homem se sentou, e Ren também se sentou em seguida, e a princípio jogando conversa fora e tomando um suco. Não via o geminiano há tempos e sentia muita falta dele, ficando bastante feliz ao vê-lo ai.
    Tae perguntou da vida de Ren, e o jupiteriano fez o mesmo. Conversaram tranquilamente, até o homem fechar o sorriso aos poucos, segurando o copo quase vazio, de suco. Ele suspirou pesadamente, e Ren sabia que tinha algo errado.
    Só não sabia a gravidade da situação.

    Ren, você se lembra de quando eu te treinei para que um dia pudesse selar energias negras? Faz muito tempo, mas pedi para que Abel repassasse isso pra você. Ele o fez? – O tom de voz era grave; a voz de Tae era rouca e pacata, diferente da voz do ruivo.

    Sim, mas... Tem uma coisa que me deixou curioso. – Por "milagre",  tom de voz de Ren também era calmo. – Você me ensinou muitas coisas e sou eternamente grato por isso, mas nunca me explicou o motivo. Nunca entendi essa "energia negra", ou sei lá. Abel apenas me disse que eu poderia usar a técnica em meu pupilo.

    Heike, não é?

    Eu te contei o nome dele antes? – Sorriu, curioso.

    Tae parou, pensativo. demorou um pouco até responder o rapaz de cabelos alaranjados, colocando o copo - sem mudança no conteúdo - sobre a mesinha a sua frente, que separava Ren dele. Ele sentado num sofá, a mesinha no meio e Ren sentado no sofá a sua frente, ambos naquela sala silenciosa e de temperatura agradável.

    Abel me contou. – Parecia haver algo mais ali. – Eu não sei muito a respeito, mas... – Mentia claramente sobre não saber muito. A questão é se Ren entenderia isso. – Precisa parar esse menino. Há uma energia muito, mas muito ruim em volta dele e notei que a constelação escorpiana não anda muito bem. Você sabe quem pode ter causado isso, não sabe?

    Eureca.

    Kain...? Mas ele não tem nada a ver com Heike! E mesmo se tivesse... Por que ele iria querer que Heikkun agisse dessa forma? – Ren se levantou, exasperado. – Eu sei que Kain é um idiota, ok? Mas não teria como esse imbecil tirar mais uma pessoa de mim!

    O moreno ergueu o olhar para Ren.

    Então, ainda guarda rancor? Talvez seja isso. – O homem se levantou, e de pé, abaixou a cabeça, olhando para o menor. Maldita diferença de altura. – Só posso te dizer uma coisa, Renny. Controle-se.

    O-O q-que...? Não é possível que esteja me pedindo isso, Tae... Você sabe mais do que ninguém a dificuldade que tive de superar isso...

    Não é um pedido. Estou te implorando. Apenas... Se controle. – O geminiano deu as costas para Ren e caminhou até os portões, que se abriram quando o sensor detectou a presença de alguém. – E controle o menino também.

    TAE!

    Ele já havia ido embora.

    Ren levou aquilo como uma reprovação. Cerrou o punho e levou a mão ao peito, e sentiu algo bem estranho vindo do homem. Talvez uma informação não totalmente dita, ou uma preocupação... Não era possível que ele pedisse controle da parte do Ren sem mais nem menos! Como se o ruivo fosse oculpado de Heike se descontrolar ou de que Kain pudesse ter feito algo. E mesmo que ele tivesse feito algo, Abel diria, certo? Afinal, o pisciano não esconderia tanta coisa de seu pupilo mais dedicado e amado. E, como Tae havia dito, será mesmo que ele ainda guardava rancor? Mas... o que esse rancor teria influenciado em sua vida e em seu controle? ele tomava conta de uma constelação! Não deve ser algo tão ruim...


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    Recebeu as ordens em seu comunicador localizado em sua orelha; ao perceber que a nave se comportava de forma  incomum, vestiu rapidamente seu uniforme, mantendo as luzes acesas para emergência, no caso de blackout, para que possa ser visto e então dar auxílio a quem precisasse. Ren respirou fundo, já imaginou o que poderia ter acontecido: Heike ultrapassou seu limite e, novamente, chegando ao descontrole, e isso era algo que o sagitariano não via há muito tempo. A única coisa, desse descontrole de Heike, que Ren sabia, é que era algo - obviamente - sem o consentimento do ariano. Mas, para que ele tivesse voltado àquele nível, alguém o provocou.

    Guardou suas bestas nas laterais de seus quadris, correndo até a sala de Abel após ouvir o comunicado. Ren sabia como parar o ariano, mas as perguntas que estavam em sua mente eram: ele machucou alguém? E pra que raio de lugar ele foi? A segunda era mais urgente, caso quisesse pará-lo naquele momento. E estava desesperado, de uma forma que nunca esteve antes, se controlando para não se desesperar e pôr tudo a perder. Afinal, se considerava um inútil dentre as habilidades dos novos membros zodiacais, e sabia que nada nem ninguém além do próprio Ren pudesse mudar isso.

    Abel chamou o sagitariano no comunicador e pediu para que ele, rapidamente, chamasse Zion. Ren ficou confuso, e pra que ele ia chamar o aquariano em meio à confusão? E outra: pra que Nero avisou sobre o que acontecia? Harold era o líder, não era? E até então, ele não havia dado sinal de vida! E se algo tivesse acontecido com ele? Sentiu o coração acelerar mais por um rápido instante, mas achou melhor não tirar conclusões precipitadas. Até porque poderia ser neurose do próprio Walker.

    Entretanto, ouviu o comunicado de Rin, e detalhes do que havia acontecido com Heike.

    Ren gelou. Talvez tivesse entendido o propósito de chamar o Zion, por motivos de levar a prótese ao capricorniano. O jupiteriano retornou em seu caminho e correu rapidamente ao local onde o albino estava, e chegou a quase cair durante o trajeto. A porta da sala onde havia a maca possuía uma janela de material transparente e resistente. De lá, conseguiu ver o corpo praticamente destroçado do capricorniano, e o que Ren imaginou que não poderia piorar, acabara de acontecer diante de seus olhos. Colocou as palmas das mãos sobre a porta, que estava fechada, e não conteve o choro.

    H-Haro...

    Apoiou a testa na janela, e uma lágrima caíra rapidamente ao chão.

    Então era assim...

    Primeiro seus pais, perdeu até mesmo um irmão no qual nunca pôde ver seu rosto, perdeu seus melhores amigos e agora, perdeu o homem por quem havia descoberto enormes sentimentos? Quando Ren finalmente rendeu-se àquilo que chamavam de "amor" e abriu seu coração, permitindo-se amar novamente... Perderia todos que amava? Sentiu seu corpo fraquejar, e seus joelhos até mesmo perderam a força por um momento. Jogou-se ao chão, chorando, e a imagem de Harold em sua cabeça.

    E se acabasse perdendo Heike também?

    Ok, poderia pará-lo com uma flecha, utilizando sua própria energia, mas... E se acabasse o perdendo também? Perderia a criança por quem teve tanto afeto? Heike era praticamente seu filho; e, diferente do que os outros pensavam do ariano, o chamando de aberração, ele era uma dádiva para o sagitariano.

    Ren estava emocionalmente abalado.

    Preciso avisar Zion rapidamente... – Levantou-se devagar, enxugando as lágrimas. Deveria ser mais rápido e esquecer os próprios sentimentos. Afinal, vidas estavam em jogo ali.

    E quando ergueu seu rosto, seu olhar estava diferente.

    Correu até a nave do ar, e nunca correra tão rápido quanto naquele dia. Ao invés de bater a porta ou chamar civilizadamente o aquariano, o jupiteriano começou a chutar freneticamente  porta, mesmo que fosse de aço e tão pesada e resistente, e o fazia com força.

    Ô CAIPIRA! ABRA ESSA PORTA! HAROLD TÁ QUASE MORTO E EU ESTOU COM PRESSA! OU ENTÃO EU CHUTO ESSA TUA CARA DE... DE AQUARIANO! – Lembrou-se de que existia algo chamado "comunicador", especialmente para os membros zodiacais. Legal, não?Zion, sou eu, Ren. – Ativou o comunicador antes de falar. – Leve suas melhores próteses até Haro. Creio que ouviu Rin e Nero, não foi? É mais urgente do que parece. Não posso te esperar, então... Confio nas suas habilidades até ontem inúteis pra porcarias de metal. – Por incrível que parecesse, aquilo foi um elogio.

    Retirou o arco que estava em suas costas e se afastou da porta. Não precisava carregar flechas, até porque, a única que usaria, retiraria de sua própria constelação.

    Procuraria por Heike e daria um basta nesse descontrole. Nem que, para isso, sacrificasse a si mesmo. Contudo, no meio do caminho, havia encontrado seu primeiro obstáculo.

    Ren... Eu não posso deixar você passar agora.

    Louis.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Zionga em Qua Abr 30, 2014 4:30 pm

    É, parecia que sua tentativa de se revolta não iria funcionar por enquanto.

    Fazia cerca de dois dias que o regente de aquário não ia trabalhar, pelo menos não oficialmente. Ficava maior parte dos dias no quarto mexendo em projetos que não eram os que estava "programado" por Abel a fazer. Quando sentia falta do café em seu orangismo dava uma pausa para voltar a experiencia que criava ali para um substituto de seu líquido favorito. Afinal, Zion não precisava gostar, ele só precisava de algo para ajudar-lhe a manter acordado.

    Quando a voz de Nero atingiu sua audição pelos comunicadores, o ruivo estava em um desses momentos de juntar substâncias energéticas para que as mesmas funcionassem consigo. Sua concentração era tamanha que chegou a se assustar com o Taurino, quase derramando tudo em cima de algumas máquinas que estavam ali perto. Droga, duas emergências em tão pouco tempo? O que Abel tava fazendo para a segurança da nave estar tão fodida? Devia estar dando a bunda, não podia ser. Mas o ruivo não ligava, havia decidido que não iria fazer nada daquela vez. Queria ver se aqueles malditos ─ especialmente Rin ─ conseguiam se virar sem ele e seus "brinquedos".

    Pegou uma das mascaras de gás que tinha por ali ─ tinha delas por todos os lugares em que trabalhava, já que vez ou outra mexia com algumas substâncias químicas tóxicas ─ apenas por não querer morrer, achava-se novo demais para tal. Uma vez protegido, voltou-se para o seu projeto "não ao café". Ignorava as vozes de Rin e Nero no comunicador, por mais que absorvesse as informações.

    Entretanto nem tudo acontecia como o regente de aquário gostaria e ouvir o desespero no tom da voz de Ren, juntamente com o nome de seu irmão fizera-o levantar num piscar de olhos. Obviamente a última frase do sagitariano fizera-o ficar com ainda mais vontade de ficar ali trancado, porém não podia se dar ao luxo de não ajudar Harold. Eu vou fazer isso por ele, só por ele. E só isso também. Quando acabar eu vou voltar pra cá e rir da cara de todo o resto! Cerrou os pulsos e trincou os dentes, visivelmente com raiva. Sacudiu a cabeça algumas vezes para se recuperar, não podia se dar ao luxo de enrolar ali. Colocou sua roupa de batalha o mais rápido que pode, tal como uma bolsa com partes de algumas próteses e o braço reserva que havia feito para o capricorniano.

    Quando saiu do quarto ─ com muita pressa, diga-se de passagem ─ ficara aliviado por ver que Ren não estava mais ali para presenciar o caos que Zion aparentava. Estava afetado tanto internamente ─ pelo dilema daquela emergência ─ quanto exteriormente ─ pela falta de cafeina. O sagitariano era tão prestativo que sequer havia lhe informado a localização do albino, por tal motivo, tivera que ativar o comunicador direto com Arthemis e pedir uma coordenada. Estava perto, então correra mais um pouco e finalmente fora parar dentro da área de treinamento.

    Ignorou todos os médicos que estavam ali, por mais que sua mente lhe ditava para sair dali e voltar para o quarto. Era óbvio que com uma quantidade de curandeiros daquela, o curandeiro mor estaria ali também. Tsc, foda-se... É o caralho do meu irmão. Dessa forma, pôs-se ao lado do corpo de Harold, ativando Akira antes de começar a trabalhar no único braço que poderia fazer algo rápido. Como nunca, suas mãos trabalhavam com habilidade, assim quando percebera o que estava fazendo, tudo já parecia bem ligado. ─ Agora é só ligar os nervos e... ─ Enquanto dizia, mais para si do que para os outros, apertava o pequeno botão que fazia tal função. Qualquer pessoa normal sentiria dor com aquilo, mas não era como se o capricorniano fosse normal, por isso Zion não ligava mais em esperar. ─ Prontinho. ─ Deu um fraco tapinha no braço novo e se afastou um pouco.

    Você só se mete em merda, heim irmão... E pra piorar, me leva junto. ─ Deu uma fraca gargalhada antes de trocar sua atenção do albino para o virginiano. ─ Ele vai 'tê que ficar sem o outro braço, até porque se eu fazesse algo como um braço normal tão as pressa, ele só iria atrapalhar já que ceteramente as funções não seriam tão boas como o outro. ─ Explicou enquanto guardava as ferramentas, limpava a mão em um dos panos brancos que tinha ali perto e desativava o visor. ─ Olha, eu não sei o que está acontecendo e sinceramente, não quero saber... Não pretendo ficar na área de adultos muito mais, porém, se eu fosse você iria para o lugá dos controle da nave e lavava Harold junto. Você não consegue curar tudo? Então, lá é o melhor lugar pra você curar esse vírus do búfalo ai.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Maio 01, 2014 12:09 am

    Assim que pisou para fora da sala de treinamento estava de certa forma relaxado pelo fato de que já tinha um objetivo em mente. Era fácil apenas seguir aquela voz que ditava as ordens, deixar o corpo obedecê-la por conta própria sem fazer qualquer questionamento. Questionar e sentir, isso fazia a cabeça voltar a doer, os vultos voltariam a lhe atormentar, então se livrar de tal coisa era mais do que um alívio para a mente em declínio do ariano.

    Porém logo o alívio que acabara de sentir foi substituído por um pânico no fundo de seu ser que lhe revirou o estômago e o deixou ligeiramente tonto. Grunhiu em confusão pela sensação enquanto escutava o que deveria ser seu nome sendo chamado por uma voz grossa ecoando no corredor largo. ... Nero? O que ele... Estava fazendo ali? Seu primeiro impulso ao ter diante de si logo a presença do guerreiro mais forte daquele local foi sorrir e se preparar para atacá-lo. Seria uma luta maravilhosa e se conseguisse acabar com ele ninguém ali poderia lhe parar. Mas antes que pudesse responder ao seu primeiro impulso, algo dentro de si se revirou e praticamente implorou para que fosse embora, que o outro de maneira alguma deveria ver seu estado. A força daquela sensação foi tão forte que o primeiro regente levou a mão até a cabeça pela dor que o atingiu, além de todas as outras, e então sem mais pensar foi embora pela outra direção em grande velocidade, esperando que a dor diminuísse a medida que se afastava. Infelizmente, não foi o que aconteceu.

    A voz dentro de si, tão autoritária, exigia que voltasse. Que voltasse e destruísse aquela pessoa que tinha mostrado ser sua fraqueza. Exigia que o reduzisse a nada mais que pedaços de carne e sangue espalhados por aquele corredor. Mate-o. Elimine sua fraqueza antes que ela o elimine. Arranque sua tripas, faça-o gritar até morrer. Mate-o. Mate-o. MATE- NÃO! Gritou de repente, levando ambas as mãos até a cabeça, apertando com força, fechando os olhos e se encolhendo no lugar ao parar de correr. Não, não, não, não, não, não, NÃO! Sussurrava até acabar gritando novamente, a dor alucinante voltando a percorrer cada membro anteriormente atingido por Harold enquanto ia recobrando o controle. Sentindo-se sem força e sucumbindo a tudo aquilo que parecia demais, Heike cambaleou e se apoiou contra a parede, tropeçando e caindo sobre os joelhos. Voltando a abrir os olhos, teve a sensação de estar em outro lugar quando tudo o que podia ver era a escuridão se movendo em vultos ao seu redor, olhos brilhantes o fitando maldosamente em todos os cantos, movendo-se inquietos. Estava enlouquecendo. E-Eu não posso matá-lo..! Por que não? A voz questionou de maneira seca e Heike pôde sentir que o que quer que fosse aquilo, estava ali com ele. E-eu nã- Por que?! Aquilo voltou a perguntar rispidamente e o ariano se encolheu, sentindo um aperto enorme no peito, confuso e assustado, nervoso. Respirando em arquejos, olhou para frente, vendo um vulto surgir em meio a escuridão. Porque...! Porque eu... Eu... O amo... Conseguiu responder fraco demais até para si mesmo ouvir, sentindo o choque da realização o atingir como um soco ao final da fala, fazendo-o arfar dolorosamente, lágrimas lhe escorrendo pelos olhos. Amor..?

    Nos segundos em que tentava entender o que tinha acabado de falar, o vulto tomou forma a sua frente e foi se aproximando. Quando o primeiro regente ergueu o olhar deparou-se com um homem imponente e sombrio, encarando-o friamente. Em meio a desorientação que sentia pensou que já tinha visto aquela pessoa em algum lugar, sabia quem ele era e ao mesmo tempo não tinha a menor ideia de quem poderia ser. Amor... Ele começou, a voz sussurrada soando como um trovão para o rapaz, maligna e poderosa. Não se engane, minha cria, tal coisa não existe. O amor não passa de um sentimento infantil, idealizado, criado pelos fracos. Ele continuou com a voz beirando ao nojo, aproximando-se de um ariano completamente imóvel ao chão e o segurando pelo queixo com delicadeza. ... Cria...?  Você quer viver essa mentira e permanecer tão fraco e patético, como agora? Questionou com um sorriso desdenhoso, estreitando os olhos completamente negros em desafio. Heike tentou se afastar, mas o corpo não lhe respondia mais. Pensou em como falhara como líder, em como falhara como regente, em como falhara com todos que conhecia, ridículo e inútil. Fechando os olhos, respirou fundo, cansado de tudo aquilo. Não se deixe cair por sentimentos que não existem, você é um ariano, um guerreiro e, acima de tudo, meu filho. Viva pela força. Ao escutar tal coisa, Heike o fitou chocado. Assim como em mim, existe dentro de você essa força que tanto procura. Sussurrou malicioso, aproximando os rostos. Sinta o ódio dentro de si. Sinta a energia fluir por seu corpo, te dando força, te dominando... Sinta... O regente assentiu, quase hipnotizado, todas as dúvidas indo embora e o corpo entrando numa dormência estranha a cada palavra dita pelo homem. Q-Quem é você..? Perguntou num fio de voz, prestes a perder a consciência. Abrindo um sorriso insano ao escutar o jovem, o outro aproximou os lábios de sua orelha e apenas sussurrou seu nome, desaparecendo e levando embora todas as sombras, todas as dores, toda a incerteza que existia no coração deste. O que sobrou? Nada além de ódio.

    Levantando-se quase como se uma força invisível o erguesse do chão, permaneceu em silêncio, o rosto pendendo para frente e o cabelo tampando sua cara; assim ficou daquela maneira por um longo momento, o corpo em inércia até sentir a presença de alguém se aproximar. Levantando a cabeça somente o suficiente para o olho que sobrou captar duas pequenas orelhas felpudas, aquilo que deveria ser o regente de áries abriu um sorriso e avançou sem aviso sobre o rapaz.

    Em poucos segundos, desferiu um soco com toda a força no rosto delicado do regente, um rosnado semelhante a uma risada escapando os lábios ao ver o pequeno rolar pelo chão e cair de costas para cima. Fitando intrigado a comprida cauda que saia da roupa do menor, estreitou os olhos e a agarrou pela ponta, suspendendo o corpo dele por ali. Achando estranhamente divertido, o ariano o jogou para a parede mais próxima e sorriu satisfeito ao ouvir o baque surdo do corpo contra o metal. Voltando a se aproximar antes que este pudesse reagir, o segurou pelo cabelo e forçou seu rosto contra a parede, colando os corpos. Semicerrando os olhos, inspirou deliciado o aroma que ele emanava: uma variação entre dor, medo, raiva entre outros. Queria que todos sentissem aquilo. Heike gemeu e afundou os dentes que agora eram presas na carne macia da curva de seu pescoço, rasgando e dilacerando-a até os ossos enquanto com a mão livre segurava a base da cauda e a quebrava num único movimento do pulso. Indiferente a qualquer dor que ele estaria sentindo, uma risada obscura deixou os lábios enquanto o empurrava com o próprio quadril contra a parede para lhe manter firme a puxar a cauda com força, arrancando esta com facilidade do seu corpo.

    Não havia qualquer hesitação em seus atos. Não havia qualquer receio. Não havia em sua mente nada que fizesse ele se sentir culpado pelo que fazia com uma das únicas pessoas que tratava bem e que de fato gostava naquela nave.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por taurusnero em Sex Maio 02, 2014 4:47 pm

    Sentia-se quase como que correndo sobre lama movediça.

    Seus pés pareciam afundar na nave, fundir-se à estrutura metálica, em uma tentativa do ambiente de deixá-lo para trás. Quase como se ele quisesse impedir que chegasse ao ariano, e evitasse quaisquer outros danos aos moradores do local, ou ao próprio. Talvez, aquilo fosse, também, fruto de sua mente, pequenas artimanhas da mesma, que tentava fazer sua preocupação crescer mais e mais, quase como se Nero precisasse atingir o desespero antes de chegar ao mais novo... E estava quase prestes a isso. Não conseguia ser muito mais rápido, e, pela primeira vez em sua vida, amaldiçoava sua incapacidade com todo o seu ser, afinal, ao contrário das outras vezes, não podia simplesmente aceitar ser devagar, os resultados não seriam nada bons. E mesmo que corresse muito mais rápido que alguns vários moradores dali, ainda não era o suficiente. Um passo seu equivalia a três ou quatro de Heike... A distância não diminuía.

    Grunhiu, insatisfeito, perguntando-se o que poderia fazer para lidar com aquilo. Não sabia que diabos estava mantendo Heike em pé e tão rápido quanto como seria se estivesse saudável. Aliás, ele parecia muito mais rápido, muito mais forte, cheirava a perigo... E sangue. Se tinha visto bem nos poucos instantes em que o tivera sob o olhar - o que era muito provável -, a forma como o outro pisava estava longe de ser a convencional, seu tornozelo parecia não se ajustar à posição natural, e fazia muito impressionante ele estar de pé. Sangue escorria de pontos aos quais não pode identificar, já que o menor fugira antes que estivesse perto o suficiente, mas a falta de um dos chifres o fazia suspeitar que ele não estava em um estado muito bom. Se um dos cornos fora arrancado, o que poderia ter acontecido com o resto do corpo do ariano? E queria fazer o regente de capricórnio perder mais um dos membros toda vez que lembrava daquilo. Respirou fundo, pensaria naquilo depois.

    E sequer precisou forçar a mente a esquecer os pensamentos homicidas, ao que um grito cortou seu raciocínio e o fez levar uma das mãos à cabeça. Aquilo era Heike?! Era, teve certeza ao que palavras foram repetidas, quase como um mantra, e sentiu, pelas plantas dos pés, que o corpo menor não mais batia os próprios no chão na corrida frenética que vinha imitando até então. O ariano parara, e mesmo que não soubesse exatamente o porquê, o taurino sentiu um pouco de alívio invadir seu corpo. Aceleraria, e, enfim, conseguiria alcançar o outro antes que ele cometesse mais um delito. No entanto, percebeu que não existiam motivos reais para sentir-se aliviado. A forma como Heike parecia alterado apenas reavivava o fato de que algo muito errado estava acontecendo com aquele que costumava ser o disposto líder de todos. Ele parecia sofrer de alguma forma... E falar com alguém?!

    A testa do taurino se franziu, e, em um gesto involuntário, enfiou o mindinho no próprio ouvido, como se ele falhasse em cumprir suas obrigações. Mas, no fim, aquilo resultou em nada, em nenhuma alteração no cenário que sentia pouco diante de si. Heike estava falando com alguém, mas esse alguém não parecia existir, ao menos não no plano físico. E era alguém que pretendia influenciá-lo de forma muito negativa... Seu corpo tremeu com a expectativa, e teve certeza de que aquilo não terminaria bem. Os ouvidos continuaram atentos, e conseguia ouvir tudo que o outro falava, assim como as alterações da respiração alheia, que combinavam com a própria. De alguma forma sentia-se ansioso, e essa sensação pareceu piora de forma absurda quando o outro terminou de se justificar. Ele dizia algo sobre matar alguém, algo sobre... Amar alguém. E o maior quase engasgou com o baque que sentiu contra o próprio corpo, uma sensação forte, mas que resumia basicamente a uma questão: ... Quem?!

    Nero estava correndo, continuara seu caminho, mas sua mente pareceu entrar em curto. Seu corpo queria parar, como se precisasse de um tempo estático para poder assimilar as palavras, descobrir a quê o outro se referia, a quem... Mas percebeu, ao dar de encontro com uma das pilastras, que não poderia deixar a emoção vencer a razão. Muito menos quando um outro cheiro conhecido se aproximava. Droga... E Rin não havia avisado que ninguém deveria se aproximar de Heike?! Por que diabos logo ele? Aya não conseguiria lidar com a violência do ariano, jamais. E, muito menos, quando os últimos dizeres pareceram liberar alguém a  quem não conhecia, mas que aprender a temer, mesmo apenas sentindo de longe.

    Seu coração estava descompassado e não sabia a que mais se dava tal fato. Os dizeres de Heike? A aproximação de Aya? A frieza do corpo estático do ariano? Não sabia, e, ao dar de encontro com os dois, percebeu que não conseguiria a resposta de forma alguma, apenas mais motivos para que o órgão parecesse explodir no peito. Foi rápido demais. E, em um vislumbre, pode ver o corpo do libriano se tornar completamente diferente do que deveria. Ainda corria, mas não estava perto o suficiente. Eles estavam muito próximos, então não poderia cuidar daquilo com o machado, poderia ferir um dos dois muito seriamente... Não podia fazer nada. E o corpo do pequeno garoto se tornou um saco de pancadas, e tão destruído, como, agora, assimilava estar o corpo do ariano.

    Em meio à angústia, e à necessidade de que aquele corredor se tornasse menor, fez o que seria mais racional fazer naquele instante. Ligou o comunicador, e mesmo que sua voz estivesse prestes a tremer, buscou mostrar a rigidez necessária para expor a urgência do que precisava que o receptor de sua mensagem fizesse. Rin... Ofegou, respirando fundo. Preciso que você venha para onde estou, me localize pelo sistema de GPS do comunicador, Aya está ferido, muito, e traga alguém forte com você. Heike está muito mais... Está estranho, eu vou tentar detê-lo e peço que deixem comigo. Sua voz parou por instantes, por mais que a chamada continuasse ligada, e, simplesmente, porque conseguira alcançar os corpos ao fim do corredor, no mesmo momento em que a cauda de Aya fora arrancada em um som alto, trazendo ânsia ao corpo grande do moreno. Sua reação imediata fora enfiar os dedos na face do ariano, buscando criar uma brecha entre os dentes alheios e a carne destroçada do ombro do menor presente. E sequer se importou em como poderia machucar-se, ao enfiar os dedos naquele espaço e empurrar o corpo do outro com força contra a parede oposta a que estavam. Eu vou tentar detê-lo, mas preciso que haja alguma garantia de que ele não fuja novamente se eu não conseguir.

    O comunicador foi desligado, o machado ganhara espaço de forma a proteger o corpo ferido de Aya da visão de Heike, e seus punhos assumiram uma posição que poderia migrar do defensivo ao ofensivo com facilidade. E, só então, permitiu-se dar uma boa olhada no ariano, e em todas as mudanças que aconteceram ao seu corpo. Ele estava muito diferente do que costumava ser, seu olhar - que estava afetado pela falta de um dos olhos -, estava longe do convencional, e tudo que podia sentir era a insanidade que assumira o lugar do dono daquela fisionomia. Aquele não era o Heike que conhecia, e, nem que precisasse virar a nave de cabeça pra baixo, o traria de volta ao seu estado normal. E o faria com os próprios punhos, se necessário.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Aya Katsaros em Dom Maio 04, 2014 10:37 pm

    Manter a guarda baixa frente àqueles que gostava para si no momento não era um erro, até então só tinha visualizado as costas do “dono” e daquele ponto de vista haviam poucas coisas erradas, como não podia ver com clareza julgou que o cheiro de sangue vinha de machucados e é claro ficou preocupado. Sabe quando dizem do lugar errado e hora errada? Foi exatamente isso que acometeu o mestiço, se ele tivesse se aproximado talvez minutos antes teria visto o quanto o comportamento do ariano estava alterado e talvez se não estivesse lá, teria oferecido sua ajuda onde seria eficaz.

    Aquela demora fazia sua intuição praticamente tomar forma e berrar na sua cara para que se afastasse, seria fácil um impulso e poderia tranquilamente ir para o outro lado daquele lugar; porém o felino teve tempo de apenas dar um passo pra trás e então o mais alto virou-se para si numa velocidade assustadora e o rosto que viu era ainda mais aterrorizante, aquele à sua frente definitivamente não era Heike. O seu tempo de reação fora insignificante, nada podia fazer para impedir o soco tão forte que o fez rolar toda a distância que outrora queria vencer, quão irônico.

    Tentou buscar por ar nos pulmões e ignorar a dor sentida no rosto, o sangue já maculava seu paladar, novamente antes que pudesse executar qualquer plano sentiu a cauda felpuda servir de guindaste para o corpo extremamente leve, este logo jogado sem piedade contra a estrutura metálica. Agora não era só seu rosto, mas o corpo inteiro que doía, o coração havia começado a bater num galope desenfreado o medo começava a sufocá-lo;  quando sentiu as presas dilacerando-lhe a carne uma onda de choque levou toda dor embora e uma risada fria saiu de seus lábios machucados pelo soco ao ouvir o barulho seco de ossos quebrado, em sua defesa débil cravou as unhas compridas e afiadas com toda força que lhe restara na primeira porção de pele que encontrou, sentiu os dígitos afundarem na carne alheia mas aqueles rasgos naquele momento eram tão letais quanto sua aparência felina.

    Aya sabia que era inútil continuar se debatendo e arranhando o outro, ainda que os ferimentos fossem profundos o dano causado não era nem 1% daqueles em seu corpo jogado no chão. Nada disse e apenas observou o líder se afastar de si sem remorso, a vista estava embaçada por lágrimas que não sabia dizer se seriam de dor,medo ou ódio; não conseguia lembrar se havia gritado ou mesmo pedido por ajuda, sua garganta seca e o choque no qual se encontrava fazia a cena toda parecer um pesadelo, era irreal demais... De repente “se afastar de pessoas com comportamento agressivo” fazia um tremendo sentido.

    Apesar de tudo agradeceu por estar com o corpo dormente de choque, sua mente ainda funcionava e parecia estar a 1000 quilômetros por hora, o mago não chegava nem aos pés das habilidades de cura de Rin mas podia se virar, surpreendeu-se em ainda ter forças para conjurar o livro de páginas roxas que servia para magias mistas, deixou uma nova risada seca ecoar ao levantar-se com dificuldade e escorar na parede numa posição que fosse menos pior para o ferimento em seu pescoço, deu uma olhada ladina para a cauda decepada e torceu para acordar desse pesadelo logo. Arrancou uma página para que pelo menos a ferida no fim da coluna se fechasse, se preocuparia em ter muitos ossos na espinha faltando depois; sabia não poder fechar o corte que mais o preocupava e a mente já ficava leve devido a velocidade com a qual seu sangue se esvaía, tudo o que podia fazer era aumentar a produção do líquido carmesim para ao menos tentar não morrer exangue.

    Estava tão atordoado e preocupado em se manter vivo que sequer percebera a aproximação do taurino de imediato e quando este entrou em seu campo de visão, tentou esboçar alguma reação, provavelmente ele vira o que acontecera e já devia ter chamado o regente de virgem em seu auxílio, ao menos esperava por isso não seria possível que se decepcionaria duas vezes no mesmo dia.
    -Vai atrás dele. Me deixa.Eu me viro. Vai –falava pausadamente mas com tom firme para Nero, as pálpebras cerradas enquanto o cheiro do sangue em excesso começava a embrulhar-lhe o estômago. –O Rin já vai vir... Ignora isso e corre atrás dele –apontou com a mão diferente da que tentava estancar a ferida aberta para a cauda no chão. Ainda que fosse difícil tentava ao menos falar algo, não conseguia aplacar o medo que sentia em aquelas serem suas últimas palavras.

    Notas:
    Olha se tiver algo errado corrijam mentalmente e finjam que eu fiz sentido <3 UEHUIASHUAHASIUH
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Rin Damien em Seg Maio 05, 2014 2:21 am

    Com a presente situação e por serem ordens específicas dele, a equipe médica pareceu levar apenas alguns segundos para aparecer com uma maca, algumas bolsas de sangue e equipamentos para uma transfusão rápida. Rin passou a auxiliá-los nos procedimentos, tendo a certeza de serem o mais rápido e seguros possíveis, enquanto pensava no que deveria fazer com aquele tipo de problema. Não de Harold, pois mesmo se ele acordasse, estaria fora do jogo. O da nave. Não poderiam sair matando pessoas infectadas, apesar de provavelmente, devido ao nível de violência de algumas, não duvidava que acabassem feridas gravemente antes de serem imobilizadas; a única solução era receberem o antídoto, algo que esperava que os guerreiros dos signos se lembrassem. E não sabia se iriam, tendo o problema de Heike nas mãos, além de tudo.

    Não sabia o que o fizera notá-lo, mas seu olhar se focou na entrada e em Ren, que aparentemente ouvira o que acontecera e estava chorando. Em seguida, voltou ao que estava fazendo. Não havia tempo para o sagitariano ficar chorando pelos cantos, vendo que Harold estava bem, apesar de mutilado. Esperava que ele notasse isso, que havia uma situação maior, e que não se deixasse afetar. Quem estava enganando? Aquele era o guerreiro de sagitário. Era difícil para o virginiano simpatizar com os sentimentos alheios, sendo alguém que na maior parte do tempo era tão desinteressado para com os dramas dos outros.

    Certo tempo depois, alguém que fazia menos questão ainda de ver aparecera. Zion. O fato de já sentir certa irritação apenas com a presença alheia não era agradável, principalmente após os últimos eventos entre os dois; no entanto, ele estava lá para ajudar. Falou para os outros lhe darem espaço, e observou enquanto um braço novo era praticamente montado e colocado no regente de capricórnio. Não achava uma boa ideia aquilo ser feito agora, sendo que ele nem lutaria mesmo com um braço no lugar, e achava que os esforços do aquariano poderiam ser direcionados a ajudar os outros, mas o que estava feito, estava feito. Ouviu quando o ruivo se dirigira a si, meneando a cabeça positivamente em reação às primeiras palavras. No entanto, trincou os dentes quando ele completou o que queria dizer.

    Não iria perder a calma naquela situação, de forma alguma. Sendo assim, apenas encarou-o, com um olhar frio, e ia começar a respondê-lo em uma voz igualmente gélida, quando ouviu Nero novamente em seu comunicador, o que com certeza não significava boas notícias. Parou para escutá-lo, sentindo um estranho aperto no peito quando ouviu o nome de quem fora machucado desta vez. Pelo que era dito, provavelmente culpa de Heike. Novamente. Aquele gato provavelmente havia se preocupado com o dono, e acabara dilacerado sabe-se lá como. Permanecera estático enquanto tentava ouvir os barulhos ao fundo, dentando identificar o que ocorria, antes de ouvir as últimas palavras de Nero e assentir, rapidamente ativando o GPS do comunicador para localizar os outros.

    Olhou para Harold por um segundo, refletindo, e logo então voltou-se a Zion novamente. – Está dizendo que não tem nada a ver com você, com o seu trabalho, com as pessoas que já se feriram e vão se ferir nessa situação? Então, ótimo. Parabéns por ser um guerreiro exemplar. Volte mesmo pra sua área, se não vai ajudar em nada. Mas, se você quiser sair dela, estão precisando de você. A situação é crítica. Você decide, fique aí, ou deixe os outros se virarem sozinhos. – Seu tom era extremamente sério, apesar de um sorriso duro permanecer em seu rosto. Virou-se para outro curandeiro que se encontrava por lá, sinalizando para ele se aproximar. – Harold também é necessário. Ele vai pra sala de controle, e não vai lutar, a não ser que seja para defender os civis. Um de vocês vai segui-lo pra ter certeza que ele não esteja fazendo o que não deve. – Gostaria de não ter que fazer isto, mas a ideia da sala de controle era extremamente válida. Porém, bloquear a ventilação... Poderia conter o vírus, mas não os que já estavam a solta na nave, se multiplicando a cada segundo. No entanto, outra medida poderia ser tomada.

    Poderiam espalhar o antídoto que fora previamente desenvolvido, só que em forma de gás, na ventilação, e isto poderia matar todos que estavam no ar; mas curar as pessoas? Aquilo partiria do pressuposto que já que estavam se infectando por inalação, a neutralização funcionaria também deste modo, o que não era confirmado, já que da última vez que algo deste tipo acontecera fora com o vírus ingerido, e o antídoto sendo inserido diretamente no corpo do infeccionado. Porém, precisavam tentar. Explicou a hipótese ao homem que se voluntariara para acompanhar o capricorniano, se sentindo estranhamente impaciente. Precisava ir. - Peguem adrenalina suficiente pra ele acordar. Vão. – Preferia que Harold descansasse, mas um guerreiro era um guerreiro. E não estava mais machucado, apesar de sem visão de um olho e um braço. Sendo algo tão simples quanto apenas mexer no sistema da nave, Rin concordaria em deixa-lo acordar. E não tinha tempo a perder.

    Conferiu em seu comunicador a localização que precisava chegar, a guardando mentalmente, enquanto se virava em direção à saída, falando para se referir pela última vez a Zion. Era contra produtivo o mandar fazer qualquer coisa. Dariam um jeito se ele continuasse a ser a criança gigante que aparentava e decidisse não ajudar. – Então, se você vem, me siga. – E passou a correr a toda velocidade para onde deveria ir.

    Sabia que definitivamente alcançara o lugar certo quando sentira o cheiro de sangue. Não olhara para trás pra ver se realmente fora seguido ou não; não poderia se dar ao luxo de parar. E ficou feliz por não tê-lo feito, vendo a situação em que Aya se encontrava. Ele parecia... Errado. Extremamente errado. Além das feridas no rosto que identificava enquanto se aproximava, um corte profundo sangrava profusamente no pescoço alheio. Mas não era apenas isto que parecia estranho. Onde fora parar... Ah. O libriano se encontrava sem a cauda característica, apesar de não ter nenhum ferimento visível na base das costas. Tinha toda a certeza de que a coluna vertebral daquele regente não estava intacta. Não parou de correr até chegar do lado do outro, sentindo uma presença maligna no corredor, por perto. Virou o rosto apenas para observar que Nero estava ocupado com Heike, que parecia ainda pior do que quando o vira na sala de treinamento. E quando o estado atual de uma pessoa era pior do que quando acabara de arrancar o braço de um colega e quase o matar, bom. Não era hora de suposições sobre aquilo. Só podia torcer para que conseguissem pará-lo.

    Voltou-se a Aya, ajoelhando-se ao seu lado e imediatamente curando o corte no pescoço, que agora que observara mais de perto, constatou ser uma mordida. Engoliu em seco, pensando rápido. Deixaria os ferimentos no rosto dele. Tinha algo a mais com que se preocupar. Primeiro, precisavam sair dali, apesar de não acreditar ser possível arrastá-lo para outro local, ou fazer uma barreira no meio da nave. Teria que carrega-lo, algo que não tinha condições de fazer. Sentiu a coluna vertebral alheia por cima da pele do outro com a maior delicadeza que conseguia, apertando em certos locais para tentar avaliar o tamanho do estrago, enquanto sussurrava para o regente que tudo ficaria bem. Relativo, sendo que a situação não era nada agradável. Nada que devesse começar a ser consertado ali, no meio da infestação de um vírus e praticamente no meio de uma luta. Olhou para o corredor de onde viera com certa raiva. Era bom aquele idiota tê-lo seguido, aparecer eventualmente, ajuda-lo com aquele problema e de preferencia com o que Nero estava lidando também. Se isto não acontecesse, precisava pensar em um plano, e rápido.


    Última edição por virrrin em Qua Maio 07, 2014 12:30 am, editado 1 vez(es)
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    RenWalker

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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por RenWalker em Ter Maio 06, 2014 8:34 pm

    Louis...

    Ren arqueou uma das sobrancelhas, um pouco incrédulo ao que acontecia ali. Afinal, era uma emergência! Nero e Rin comunicaram avisos importantes e urgentes, e o sagitariano deveria correr atrás do Heike sem que nada ou alguém o impedisse, antes que mais estragos ocorram. No entanto, não esperava que o leonino parasse a sua frente, acompanhado de seu colar e dando um passo a frente, pronto para um possível combate. Então, ele queria lutar com Ren? Mas... Por quê? Sem acreditar no que via, o ruivo recuou, guardando seu arco. Não desperdiçaria sua energia ali, e talvez um mal entendido estivesse ocorrendo. Queria resolver a situação antes que fosse tarde demais.

    Não vou deixar que passe. Não agora.

    Louis, tem algo extremamente perigoso acontecendo agora e eu não tenho tempo para brincadeiras.

    O leonino cruzou os braços e gargalhou tão alto que qualquer um próximo dos dois, poderia ouvir.

    Um sagitariano dizendo isso? Ha ha, que engraçado. ─ Descruzou os braços, segurando seu colar enquanto fitava atenciosamente o jupiteriano. ─ Heike está descontrolado agora, e meu dever é te parar por aqui. Até porque eu sei que você é o único que pode conter a energia dentro dele, não é?

    Como sabe disso...? Não me lembro de ter te contado isso ou Abel explanado algo assim e...

    Antes que pudesse terminar de dizer algo, Louis estalou seus dedos e rapidamente se locomoveu até mais próximo ainda de Ren, fazendo um círculo de fogo se formar ao redor de ambos. Alto e quente, aquilo separava qualquer um dos dois: quem estava dentro do círculo, não saía; quem estava fora, não entrava. O círculo de fogo cobria o corredor inteiro, então impossibilitava a locomoção de outras pessoas por ali. Ren ficou abismado diante daquilo, mas se colocou em posição de batalha, ativando sua roupa, que brilhou assim que o fez. Suas asas até se mostrariam visíveis, se o fogo não a danificasse um pouco, fazendo que a quebrasse.

    Ren, você não vai sair daqui. ─ Avançou sobre o sagitariano e o círculo se expandiu, tornando-se um retângulo quando Louis desferiu um soco sobre a face de Ren, fazendo o mesmo sendo jogado sobre o chão. No entanto, mesmo que tivesse avançado e atacado, não havia intenção de matar o rapaz. Isso era totalmente perceptível. ─ Uma pena você não ir pro lado "negro" da força. Ficar com Abel e agir de forma tão estúpida...

    Ren levou a mão sobre sua face, no lado atingido.

    Kain... Então foi isso... ─ Ren se levantou, sacando suas bestas. Afinal, desperdiçar energia fazia parte da vida de um guerreiro, e ele precisava ser rápido. Então responderia aos atos de Louis. ─ Não acredito que aquele babaca tá tão na merda que voltou a recrutar pessoas dessa forma... ─ Sorriu pelo canto dos labios, mirando as bestas no mais alto. ─ Bom, se você é um traidor, isso nos torna inimigos, mas gora tudo faz sentido. O chip "perdido" com informações, desvio de missões... Tudo para que tirassem os olhos de vocês, mas o que você não contou, é que fôssemos rápidos o bastante pra pegar esse ato estúpido antes que mais merdas acontecessem.

    Será? ─ Foi a vez de Louis sorrir. ─ Ou será que tudo fazia parte do plano? Querido Ren, eu sou apenas um peão. É melhor que duvide de outro colega seu, huh? Ele é mil vezes pior que eu.

    Ren, tomado pela raiva que aos poucos consumia seu corpo e o calor das chamas ao seu redor, permanecia com suas bestas direcionadas ao rapaz mais novo, tendo seu sorriso aos poucos se desmanchando de sua face. Franziu o cenho, então atirando flechas de fogo em direção ao leonino, que logo as desviava com um poder defensivo. Louis chegou a contra-atacar, mas Ren era quase perfeito quando se tratava de técnicas evasivas; pôde recuar e contra-atacar perfeitamente, sem sofrer danos. Avançou sobre Louis, devolvendo o soco que recebeu em forma de chute, e aquilo não foi nada fraco. Louis cambaleou para o lado, colocando a mão no local atingido assim que Ren pôs seus pés sobre o chão, bem próximo das chamas.

    O ruivo se aproximou tanto das chamas que chegou a se queimar um pouco, gemendo baixo de dor assim que o fogo tocou sua coxa, deixando-a num tom bem avermelhado. Louis virou a face, esboçando um sorrisão desgraçado em seus lábios, e em tom de total desgosto, direcionou-se ao jupiteriano.

    Machucou, florzinha?

    Pobre Louis.

    "Machucou"? Que nada. Eu adoro fogo, inclusive, sou cheio dele. ─ Mostrou a língua. ─ Esse tipo de coisa me excita.

    Voltaram a lutar, e dessa vez, sem interrupções, de forma árdua. Louis golpeava Ren e acertava algumas vezes, outra, seus golpes falhavam quando Ren os defendia e contra-atacava com gosto. O sagitariano também tomava a iniciativa na hora de bater, e não mediu esforços para jogar suas flechas; e apesar de Louis acabar se defendendo da maioria delas, uma delas acertou a coxa do leonino, que gemeu de dor e se jogou ao chão. Outra flecha fora atingida em sua cintura, mas Ren não tinha intenção de matar o maior. O tiro fora tão certeiro que atingiu somente em local "não-vital", onde havia apenas carne. Louis levou a mão ao local atingido na parte de cima (cintura) e caiu ao chão, com os olhos fechados e ainda gemendo de dor. O círculo de fogo se desfez, e Ren aproximou-se do maior - que estava ao chão -, e o olhou de modo reprovador, julgando-o.

    R-Ren...

    Chantagem emocional nunca funcionou com nenhum sagitariano. Deveria saber disso. ─ Nunca esteve tão sério. Atirou no fecho do colar de Louis, fazendo o acessório cair sobre o chão e, quando Louis tentou pegá-lo, Ren fora mais rápido. ─ E não! Isso agora é meu. Você não é digno de cuidar de uma constelação.

    Passou um tempo observando o colar, notando que a energia dentro dele não parecia tão maléfica assim. Independente disso, independente do motivo, Ren nunca admitiu traidores no grupo ou em qualquer lugar. Possuía uma natureza leal, então se ele prometia, ele cumpria. E permanecia unido aos que jurou união e lealdade. Louis grunhiu de dor, tentando se levantar, mas falhando miseravelmente. Ren acertou no ponto que o deixaria imóvel por um tempo, mas que não afetaria a rotina de seu corpo. Então, o mais novo se arrastou até a parede, encostando-se ali.

    Eu desisto. Não dou conta de ser traidor ou guerreiro. ─ Riu baixo.

    Naquele instante, Ren o fitou.

    Me dê informações e sua punição será mais leve.

    Não tenho o que dizer. ─ Deu de ombros. ─ De toda forma, meu destino é o mesmo. Não é como se eu fosse enganado ou algo do tipo.

    Diga o que sabe, se seu destino não vai mudar, oras.

    Não confie totalmente em alguém do seu grupo. Não vou dizer quem é, então se vire.

    ...

    É sério. Já ouviu falar sobre Lilith?

    O lado negro da balança? Que ajuda a equilibrar o bem e o mal, certo?

    Ela mesma. Como ela queria dar problema pra todo mundo, mas ela não poderia simplesmente deixar de existir, então Gaia e o queridinho Abel conseguiu aprisioná-la num lugar onde nada nem ninguém tem acesso à ela. E quem consegue chegar a ela, tem que ter muito poder ou oferecer algo de grande valor em troca. Soube do caso que um cara entregou o próprio filho em sacrifício e agora ela quer buscar o que é dela por direito. Ela possuindo esse corpo, poderá fazer o que quiser e nada poderá impedi-la, senão a própria pessoa. Ah, mas a pessoa fica inconsciente. É como se sua alma trocasse de lugar com a dela e o oferecido se torna o apriosionado.

    Essa história é conto pra boi dormir. Não espere que eu acredite em algo idiota assim. ─ Após dizer, colocou o colar do leonino em seu próprio pescoço. ─ Não tenho mais tempo pra ficar enrolando com besteiras, mas logo eu volto pra dar um jeito em você. ─ Guardou as bestas, e em seguida, apanhou seu arco mais um vez.

    Louis logo se levantou, cambaleando e se apoiando na parede com uma das mãos. Seus cabelos ondulados estavam completamente bagunçados e sua roupa estava um pouco amarrotada. Sua cabeça estava baixa, e logo a levantou, fitando o mais baixo.

    Ren.

    Antes que Ren se virasse e prestasse atenção em Louis, o rapaz ouviu um som de tiro bem próximo de si, e arregalou os olhos durante o ato, se virando e vendo o que havia acontecido. E quando o fez, viu Louis jogado de costas no chão, e logo atrás dele estava Hans, segurando sua pistola e mantendo a cabeça erguida, sem desviar o olhar do outro. O geminiano a assoprou logo após o tiro, levando seu olhar ao sagitariano.

    Hans! O que você fez?! ─ A reação de Ren foi de surpresa, mas não no sentido positivo. ─ Não precisava ter feito isso! O Conselho Supremo saberia o que fazer!

    Eu não o matei. Apenas o desacordei para levá-lo ao salão interrogativo. ─ Guardou sua arma e fora até Louis, que estava no chão, e o segurou, levantando seu corpo e carregando-o nos braços. Hans era forte o suficiente para isso, até porque Louis não era tão leve assim. ─ Agora siga em frente. Você precisa urgentemente conter Heike.

    Entendido! ─ Assentiu com a cabeça e se retirou rapidamente dali, correndo o mais rápido que podia e torcendo para que ninguém mais sofresse danos causados pelo ariano. E que o próprio ariano não tente nada consigo mesmo.

    Ah, Louis... Você fica tão lindo de boca fechada... ─ Hans se virou com Louis em seus braços, caminhando tranquilamente pelos corredores.

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    Eu não sei se devo fazer isso... Afinal, eles são ótimas pessoas. Sabe, gostei bastante do Heike, apesar de não falar muito com ele, e gostei muito do Ren. Zion também é ótima pessoa, adorei a companhia dele, e sempre quis conhecer melhor Rin, Harold, Aya e Nero... Então, por que prosseguir com isso? Kain quer tanto usar todo mundo pra uma vingança tão besta quanto essa?

    Não acredito que você veio aqui pra dizer isso, Louis.

    Mas é sério! Eles são bem legais. Foram gentis comigo e...

    Se você pensar dessa forma sobre todo mundo, nunca vai chegar a lugar algum. Muita gente é gentil e tá na merda, isso não é justificativa pra abandonar uma missão.

    Mas... Pode ser um meio de nos redimirmos... Kain não pode ser grande coisa, e outra! Você pode se libertar do seu irmão. Emil, a memória que você tem dele te faz tão mal...

    Sem medir esforços ou tampouco hesitar, Hans levou a mão ao pescoço de Louis, ameaçando cravar suas unhas na pele alva e macia do rapaz. Louis arregalou os olhos, olhando assustado para Hans, que agia de forma agressiva. Ambos estavam no meio do corredor elementar do Ar, e Louis buscou por Hans para conversar sobre a missão em que estava e tentar alguma coisa. Falhou miseravelmente.

    Hans soltou o pescoço alheio, e após apertá-lo por um tempo, o leonino tossiu e levou as mãos ao próprio pescoço, tocando o local apertado.

    Nunca mais me chame por esse nome, ouviu bem? Nunca. Mais.

    Após aquilo, desferiu um forte soco na face do outro, e logo Louis desmaiava.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Maio 07, 2014 11:17 pm

    De súbito acordou. Primeiro, sentia pela primeira vez seu organismo agitar-se tanto, sem nenhum motivo aparente. Como se estivesse num sono profundo e alguém tivesse o acordado num susto, Harold despertou com um péssimo desconforto e inquietação. O olhar virou-se em direção a um homem, ao seu lado, que o albino enxergou apenas como um vulto. Estranhando de primeira, recordou-se da razão e rapidamente ergueu o corpo, sentando-se na maca. O primeiro nome que lhe veio em mente lhe deu uma resposta aliviante. Arthemis? Estou aqui, senhor. Havia perdido os óculos, mas o braço esquerdo mecânico tinha conexão nervosa consigo, permitindo sua comunicação direta com seu próprio sistema. Ainda não enxergava quase nada, percebendo também - oh - que tinha perdido um olho. Isso explicava porque de uma hora pra outra sua visão ficou pior do que já era. Mas não via mais sinais de feridas em si, exceto pela falta do respectivo globo ocular e também de seu braço direito, que se lembrava bem como fora arrancado. Deu de ombros, precisava apenas estar consciente e com pelo menos um dos membros superiores. Entretanto, recordava-se de ter a prótese também dilacerada, o que levou-o a imaginar se aquela havia sido instalada por seu irmão. Zion era o único que sabia como conectar os nervos no braço mecânico além de todas as suas funcionalidades, era óbvio que tinha sido ele. Agradeceu mentalmente, fazendo uma nota memorial para expressar sua gratidão cordialmente depois, se o encontrasse antes de Abel.

    Em seu próprio rosto, havia uma máscara. Por alguma razão nem ele, nem ninguém ali estava podendo respirar livremente. Pela movimentação ali a sua volta, e por perceber uma sacola de sangue presa a si por um fino tubo, percebeu o responsável por não ter mais nenhum ferimento. Reconhecia que, sem Rin, estaria morto por perda de sangue. Em seu abdômen, apenas marcas dos golpes de Heike. As feridas em seu rosto não existiam mais e mesmo a ferida do amputamento estava estancada. Ético e eficiente, o virginiano era. Mas agora tudo ali parecia ter virado de cabeça pra baixo, e pra piorar, não estava enxergando bem. Teria de trabalhar apenas com seus outros sentidos. Virou-se ao curandeiro, que o encarava desde que se sentara na maca, completamente assustado pelo capricorniano não estar expressando absolutamente nada sobre seu próprio estado.

    É bom você saber o que está acontecendo aqui. ─ O homem engoliu em seco, logo fazendo o favor de explicar a situação. ─ ... ─ Fez a pior expressão de desprezo do mundo, ao terminar de ouvir aquela linda história sobre como a nave estava - de novo, que novidade - de cabeça pra baixo. Perguntou curto e grosso sobre as informações seguintes necessárias: se o homem estava com o antídoto e se tinha um comunicador para emprestá-lo, afinal estava sem o seu. Ignorou totalmente a existência do curandeiro depois disso, levantando-se da maca e sentindo-se tonto de imediato. Mas seu corpo fez o favor de não obedecer ao desequilíbrio, arrancando o tubo de sangue de sua pele, mais do que satisfeito com a transfusão feita às pressas. Ainda preservando aquele semblante de pouquíssimos amigos, achou a porta por costume e saiu da sala de treinamento.

    Agradecia mentalmente por já ter memorizado todos os corredores das naves, ou não encontraria a sala de controles gerais. Sua visão estava embaçada, turva e desfocada, em graus diferentes que, quando misturados, significavam qualquer coisa menos o que tinha que estar vendo. Tudo em seu campo de visão era reduzido a meros vultos. Talvez estivesse na hora de começar a usar lente de contato. E agora economizaria apenas com uma só, que ótimo. O curandeiro o seguia às pressas, visto que os passos largos do Capricórnio eram difíceis de acompanhar, ainda mais quando o mesmo estava com o humor no inferno. Por quê? Porque não estava enxergando. Só por isso. Tinha mil outras razões para estar de mau humor, mas escolheu essa porque é a que realmente não parava de incomodar. Era como se nada tivesse acontecido com ele até então, fora a súbita inexistência de seus óculos. Não teria tempo, além disso, de passar em seu quarto e pegar um reserva. Tinha prioridades ali, não precisava enxergar o sistema para instruir Arthemis sobre o que fazer.

    Suspirou fundo, irritando-se mais ainda, mantendo-se em silêncio. Por quê. Caralhos. A sala de controles. Estava bloqueada? Maravilha.

    Tampe os ouvidos. ─ Ordenou sem esperar que seu acompanhante tivesse realmente entendido a razão. O braço mecânico transformou-se no canhão, que reduziu a porta de aço "impenetrável" da sala de controles a meros destroços. Novamente sentiu-se tonto, limitando-se a balançar a cabeça para dispersar aquela situação e entrar no respectivo cômodo que conhecia tão bem. O curandeiro acompanhou-o, tento o antídoto tomado de suas mãos sem a menor delicadeza. O vidro havia um pequeno código, que indicava a composição do mesmo cadastrada no sistema de pesquisas.

    Leia o que está escrito aqui. ─ O rapaz obedeceu, tendo que mesmo ele forçar um pouco a vista para enxergar os pequenos dígitos escritos. ─ AA-113KF...Arthemis, hackeie o sistema do centro de pesquisas e busque nos arquivos a fórmula correspondente ao código "AA-113KF". A tubulação de ar está conectada em algum ponto violado para que tivesse sido infectado. Dê ordem aos androides da manutenção do laboratório para que despejem esse composto nas tubulações do teto e configure a ventilação para o modo máximo. ─ Antes de toda aquela confusão, haviam robôs fazendo manutenções em lugares danificados pelas explosões anteriores, quando a nave foi invadida por monstros cadavéricos. A maioria eram coordenados por Harold e pelo sistema Arthemis, responsável pelo conserto das áreas eletrônicas da nave. Não foi difícil se conectar a alguns robôs do local, que programados para reconhecer cada composto guardado naquele laboratório, retiraram os antídotos do estoque e despejaram nas tubulações manualmente. Toda a nave pode ouvir o som seco e abafado, semelhante ao de uma turbina distante, vinda das tubulações de ar. Ao invés de parar a rotação do ar nas naves, Harold acelerou o processo, espalhando o antídoto convertido em gás por toda a nave. A própria sala de controle era invadida pela substância gasosa. Ativou o comunicador, que chiou um pouco antes de funcionar de fato.

    Guerreiros, algumas alterações no sistema de ventilação foram feitas. Se algum de vocês estiver tendo contato com os infelizes contaminados, esperem alguns instantes e reportem qualquer mudança de comportamento. ─ Esperava, basicamente, que apenas Rin ouvisse aquilo. Não esperou resposta imediata de ninguém e saiu da sala, dando uma última ordem ao curandeiro que o seguiu. ─ Sei que você não me acompanhou até aqui por estar preocupado. Mas você será um peso nas minhas costas se eu tiver que lutar e te proteger por estar no meu pé. Não estou em plena condição de lutar com força total, acho que você percebeu, então não me atrapalhe e cuide ao menos da sua própria vida por si só. Retorne para sua equipe correndo e, se encontrar alguém estranho no caminho, desvie e vá pelo outro lado sem pensar duas vezes. Fui claro? ─ Ele meneou com a cabeça uma afirmação. ─ Se você morrer, será responsabilidade minha. Então não me obrigue a te perseguir no inferno por conta disso. ─ Deu as costas ao mesmo e invadiu pelo corredor mais próximo, vendo uma aglomeração de civis com máscaras. Aproveitaria aquela situação para confirmar se seu feito havia funcionado com eficiência. Se não, formulava a partir daquele exato momento um plano B, torcendo para que fosse desnecessário.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Heike_Walker em Dom Maio 11, 2014 1:27 am

    A criatura que agora Heike estava se tornando pensou que não poderia existir na vida sensação melhor do que aquela, a do desespero e da dor alheia. Além de praticamente sentir no cheiro do menor todo o medo que ele sentia, a pele dele se rasgando sob os dentes e o gosto forte e marcante de sangue poderiam levar o ariano ao êxtase, além de agora ter uma pequena lembrança deste: seu rabo. Teria ficado ali para continuar se divertindo em torturar e mutilar o menor quando sentiu uma presença grande e imponente se pronunciar na direção de ambos. No frenesi em que estava, não se importou muito com tal coisa até que algo entrasse no caminho entre sua boca e a pele do pequeno mago, para em seguida ser empurrado para longe por uma força sobrenatural, contra a sua vontade. Rosnando e passando a língua pelos lábios, Heike piscou lentamente e observou a parede de músculos se postar a sua frente.

    Ficou imóvel por um momento ao ver Nero e o reconheceu como seu guerreiro favorito, o mais forte de todos. Reconheceu o valor que sempre deu a ele e as noites que dormiram juntos. Irrelevante. Um sorriso selvagem despontou nos lábios finos do primeiro regente ao que passava o olho restante de cima a baixo pelo seu corpo, exibindo duas fileira de dentes afiados e sujos de um sangue que não lhe pertencia, aceitando com satisfação aquela incitação a um duelo mediante a pose que estava ao colocar aquela arma enorme entre ambos.

    Oras, pelo que parecia algo muito mais interessante que um mago pequeno e fraco tinha aparecido para lhe divertir. Teria prazer em acabar com aquele homem.

    Assim, antes que ele pudesse realmente fazer qualquer coisa empurrou o corpo do guerreiro contra o de Aya num baque bruto e surdo, provavelmente esmagando-o entre o machado e a parede, não fazia diferença. Com uma risadinha maldosa, chutou com força entre as pernas do maior no que sua mente perturbada considerou que seria hilário e segurou seus pulsos ao que ele se encolheu pela dor, torcendo ambos num movimento brusco, girando-os além dos limites impostos pela carne. Com os dois quebrados, o outro ficaria praticamente inútil. Fácil demais, foi o que pensou ao fitá-lo de maneira superior, sentindo o poder percorrer próprias veias a medida que o prazer de machucá-lo o animava. Juntando toda aquela energia e canalizando-a até um dos pés, Heike pisou com força em cima de seu joelho direito, rindo alto ao escutar o estalo alto dos ossos se partindo. Queria imobilizá-lo totalmente antes de se divertir e considerou que quilo daria conta do recado, então soltou-lhe as mãos agora moles e desferiu primeiro um soco na boca de seu estômago para em seguida um em seu maxilar, a força do impacto provavelmente tirando o osso do lugar e fazendo o corpo pesado rolar para o lado, tudo isso numa velocidade que seria difícil do maior acompanhar.

    Divertindo-se como nunca ao ver a perna alheia virada para trás numa posição impossível e estranha, achou melhor terminar o serviço ali antes que tivesse algum problema, então pisou  sobre sua coxa e segurou-lhe o pé, puxando num único movimento a perna na direção contrária da que o osso tinha quebrado, vendo as lascas arrebentarem a pele e os músculos por dentro com barulhos molhados. Fazendo um pouco mais de força, terminou de arrancar a perna de Nero do lugar com a expressão indiferente.  Já tinha arrancado um membro antes e isso não era tão engraçado assim, por mais que agora fosse metade de uma perna. Queria mais, sendo assim largou o membro de lado e pulou sobre o corpo jogado ao chão em meio a dor e o encarou curiosamente, sentando-se sobre seu ventre. Qualquer um naquelas naves poderia afirmar que o taurino era dono de uma beleza singular e algo que contribuía para isso eram os piercings distribuídos pelo seu rosto. Fechando a mão esquerda ao redor de seu pescoço com força, impedindo o ar de passar e esmagando a carne e os ossos, o ariano usou a direita para, um por um, arrancar do rosto do moreno todas as jóias que ele usava como adorno. A visão dele sangrando agradou o ariano de um modo que por um momento perdeu o fôlego, necessitando ver mais daquilo com uma urgência sofrida, então sem pensar muito afundou as garras de ambas as mãos na pele quente, rasgando-a num movimento único desde o rosto até o tórax, ofegando excitado a medida que sentia a pele se abrindo sob seus dedos.

    Sabia que ele era forte o suficiente para se libertar mesmo com os pulsos quebrados, por isso fazia questão de empurrar a própria energia contra seu corpo aproveitando que estava sentado em cima deste, as ondas da própria aura negra envolvendo-o em movimentos trêmulos e se espalhando pelo chão até desaparecerem. Não entendia o que estava acontecendo em termos técnicos, mas a própria energia negra, corrompida e impura de pecado e herdada especialmente de Kain, estava afetando a energia pura da constelação do taurino e enfraquecendo a sincronia de sua constelação com seu corpo, provavelmente desnorteando-o pela intensidade.

    Ver o sangue brotar e escorrer sobre a pele morena do guerreiro era demais para o ariano e agora nada iria pará-lo, então inclinou-se e juntou os lábios a curva de seu pescoço, inspirando o cheiro do sangue que brotava ali e deslizando a língua pela ferida, provando-o lentamente ao que ia descendo as mãos até a lateral de seu tórax; num movimento inesperado afundou as garras em sua cintura com velocidade, rasgando a pele ali e afundando os dedos dentro de sua carne ao mesmo tempo em que afundava os dentes na cartilagem de sua orelha e a arrancava numa única mordida violenta. Cuspindo aquilo para o lado, movimentou os dedos em seu interior e gemeu deliciado com o calor ali, distraindo-se com a sensação. Iria matá-lo, mas nada poderia impedir o outro de se divertir no processo.
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    taurusnero
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por taurusnero em Dom Maio 11, 2014 10:56 pm

    Não conseguia realmente lembrar de como tudo acontecera. Suas memórias eram vagas demais, e, se as revirasse, talvez lembrasse do fato de que seus pés se forçaram ao chão com força absurda, quando sentira ser arrastado pela agressividade exagerada da nova versão do ariano, buscando evitar qualquer novo machucado no corpo abandonado atrás do próprio machado. Talvez também lembrasse do vislumbre do garoto de madeixas loiras que se aproximava tão rapidamente, antes que fosse lançado para longe por socos. Lembrar da dor nauseante do chute em uma região tão sensível, ou da que invadira seu corpo ao que seus pulsos e seu joelho acabaram posicionados de forma estranha demais, não era necessário, afinal, a sensação parecia não findar, mas sequer tinha certeza qual era sua origem mais. Se lhe fosse perguntado, talvez conseguisse por em palavras a única coisa que realmente o marcara. E fora o olhar doentio, junto ao sorriso sangrento, que o fez perder parte do vigor em instantes mínimos.

    Era a primeira vez na vida de Nero que ele se sentia fraco de verdade. Não só fora atingido tão rapidamente, como não conseguia espaço para retribuir os golpes, ou sequer defender-se. Mal tivera tempo para entender que estava quase inutilizado, sem uma das pernas, com os pulsos destruídos, e um peso em seu corpo que o impedia de se mover. Apenas sentia uma tontura absurda, como se fosse desmaiar a qualquer instante, talvez graças à quantidade enorme de sangue que perdia, ou, porque a dor era demais até para uma porta como ele. Seus olhos tremiam nas órbitas, enquanto assistia os piercings serem arrancados de si, e a garganta se fechar de forma violenta o suficiente para que quase perdesse a consciência. E se aquilo era demais, precisou de muito esforço para não apagar no instante que sentiu o corpo ser rasgado de cima a baixo pelas garras do regente de áries.

    Fora a primeira vez, também, que Nero sentira medo. Desespero não era mais uma novidade, desde que se apegara demais a alguém, porém a mistura do desespero, com o medo, e a sensação de que estava prestes a morrer, por mais que fosse alguém tão forte... Não conseguia lidar com aquilo. Sua respiração havia descompassado, seu olhar parecia não focar, e seu corpo tremia em espasmos de dor, aos quais não conseguia controlar. O taurino estava visivelmente vulnerável. E a energia que prendia seu corpo ao chão, que impedia que sintonizasse com a constelação que lhe dava poder, fazia tudo muito pior. Estava fraco, e parecia que não conseguiria mudar aquilo. Sentia-se paralisado, e não tinha certeza dos motivos. Ótimo, tudo que precisava era ter um ataque de pânico, quando precisava que sua mente se focasse.

    No entanto, por mais impressionante que aquilo soasse, por mais amendrontado que houvesse se sentido, precisou apenas que seu corpo fosse estimulado mais um pouco para que parecesse desligar. Fora a presença de mais dor que mudou a sintonia de seus pensamentos, e o desligou para ativar um lado seu que não parecia ser usado há muito tempo. O instinto de sobrevivência falou mais alto, e ao que tivera a cartilagem arrancada pelos dentes modificados do ariano, assim como os interiores invadidos pelos dígitos alheios, toda a dor, seu corpo tremeu, e seu olhar pareceu se focar completamente no outro homem. E de alguém a quem gostava, sua mente processou Heike como um inimigo, finalmente. Não poderia medir esforços se quisesse sobreviver. De alguma forma precisava impedi-lo.

    Então, com um som que escapara rascado de sua garganta, indiferente ao sangue que acabara vomitando graças a uma provável hemorragia interna - nada surpreendente em seu estado -, levou os antebraços entre os espaços que jaziam entre os alheios e seu corpo, e os forçou com uma brutalidade incrível para alguém em seu estado. Os pulsos quebrados? Não se importou com a dor dos mesmos, afinal, não era como se pudesse diferenciar de onde vinha a sensação em seu corpo. Tudo doía, estava quase anestesiado, mesmo que não de uma forma agradável. Porém sua mente não processava qualquer coisa, além do desejo absurdo de virar o jogo, sobreviver, e matar quem lhe impunha tamanho sofrimento. Talvez, se estivesse em seu raciocínio normal, percebesse que suas ações apenas aumentaram seu ferimento e liberaram o sangue a correr por mais pontos de si. Entretanto, não se interessava, por mais que estivesse muito perto de morrer pelo tanto que perdia, e podia sentir a pressão sanguínea baixa o suficiente para causar tonturas às quais não deu atenção. Ao invés, apenas buscara usar novamente o braço para atingir a face alheia com agressividade, o suficiente para lançá-lo para o lado.

    Sem pensar muito, tentara se erguer, mas, obviamente, aquilo não fora possível com a falta de metade de uma das pernas. Grunhiu, insatisfeito, e arrastou o corpo para sobre o alheio com uma velocidade que não lhe era comum, por mais que não fosse, de longe, semelhante à exagerada que o outro apresentara desde que... Tornara-se aquilo. Contava com a possível surpresa alheia, graças ao seu ataque tão repentino, para tomar algum tipo de liderança na situação. E com a respiração falhando, fez questão de acertá-lo com a cabeça, algo que já estava acostumado a fazer, mas ao qual não tinha muita opção no momento. Era somente isso que tinha, junto aos cotovelos, braços, e a única perna que não parecia nada útil, quando era lerdo e precisaria usar muito de todo o corpo para movê-la... E seu corpo ainda estava em um estado péssimo. Não poderia sonhar em fazer movimentos além dos necessários. Por isso, continuou a usar de cabeçadas por mais um instante, tentando desnorteá-lo mais do que o próprio taurino estava, e para que, no momento seguinte, virasse a face alheia para o lado, forçando-a com o antebraço, liberando um acesso digno à artéria em seu pescoço. Sua mandíbula havia sido deslocada, mas não pensou muito antes de ajeitá-la com uma pancada do braço livre, e seus dentes logo se mostraram, prontos para se enfiarem na região...

    Mas, apesar de tudo, Nero estava muito mais consciente do que deveria, e sabia bem o que aconteceria se continuasse o que fazia. Heike iria morrer. Seu olhar se tornou muito menos violento, por mais que continuasse preparado para atacá-lo a qualquer momento, seu físico tentando ao máximo manter o menor preso, tentando fortalecer a ligação com a própria constelação, buscando qualquer resquício de força que ainda restasse em seu corpo enfraquecido pela perda excessiva de sangue. Porém não havia nada que indicasse que possuía coragem suficiente para tirar a vida de alguém que era tão especial para si, por mais que aquilo significasse falhar com muito mais pessoas, com toda uma nave, ou talvez mais. Por mais que aquilo tirasse sua honra como guerreiro e protetor. Bem, não era como se fosse viver muito para ver todos padecerem graças à mudança do outro guerreiro. E o que mais lhe frustrava não era morrer. Era não ter conseguido retornar o homem que amava ao que conhecera. E o tempo que tivera com ele parecia tão insuficiente diante de tudo que acontecia naquele instante...

    Heike... Sua voz era quase irreconhecível, quando tentou chamar o nome do outro. Vinha de uma garganta que estava machucada, mas a dor que exibia no tom rouco e rascado estava longe de vir só daquele ponto. Heike... Você não vai voltar? Então a face do grande homem se afundou na região do pescoço alheio, e não para que pudesse tomar à força a vida do outro, apenas para que pudesse esconder as lágrimas que escorriam de seus olhos. E, pela primeira vez, Nero chorava, enquanto tentava se desculpar com palavras que faziam sentido nenhum em seu tom afetado por coisas demais. Ao menos até que simplesmente apagasse, incapaz de manter-se consciente por muito mais tempo, graças à escassez de sangue em seu organismo.
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    Zionga
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Zionga em Seg Maio 12, 2014 11:37 pm

    O pequeno sorriso que Zion havia posto no rosto após todo seu discurso não durara tanto tempo quanto imaginara, transformando-se assim em uma expressão fechada. Sua mandíbula ficava mais marcada que o normal pela força aplicada no encontro entre os dentes enquanto o outro falava. Por que raios não tinha ido embora logo? Não devia ter dado brecha para Rin retrucar sua fala. Os punhos cerrados com força davam a entender que o aquariano iria socar o virginiano a qualquer momento e ele realmente queria muito poder fazer isso, mas tinham problemas demais já.

    Quando dito que Harold também seria necessário, tivera que repreender-se ao máximo para não gritar e tentar impedir o loiro. Não podiam acordar seu irmão, não naquele estado. Mas o ruivo era impotente demais naquela situação para dar alguma ordem, não tinha nenhuma moral com ninguém para tal. Por esse motivo, abaixara a cabeça para tudo o que o regente de virgem falava. Não escutava mais a conversa direito, apenas se perdera em seus pensamentos, tentando buscar uma solução tanto para si quanto para o capricorniano.

    Apenas retirou seu olhar do chão quando tinha certeza que Rin não estava mais ali. Respirou fundo e fora se por ao lado do albino, ignorando completamente os outros médicos. Certamente eles iriam lhe impedir de ir com Harold e mesmo que quisesse, não deveria dar uma de rebelde em tal momento, porém os seguiu até uma parte do caminho. Depois disso ficou a observar seu irmão ser levado. Droga, o que o capricorniano faria num momento desses? Ou melhor, o que Arthemis preferiria que ele fizesse? Parecia óbvio, mas não queria aceitar. ─ Droga... Per Arthemis.

    Assim o regente de aquário pôs-se a correr, ativando seu visor e dando-lhe um comando para que este trabalhasse com Chang e lhe mostrasse o local por onde o virginiano havia ido, seguindo-o, mesmo que um tanto quanto tarde.

    Teria sido mais rápido se não tivesse ignorado aquele maldito vírus a solta, perdendo um pouco mais de tempo tendo que enfrentar coisa de três a quatro pessoas visivelmente infectadas. Mas era uma pena eles terem se colocado justo frente a si, um dos guerreiros especializados em combate corpo-a-corpo. Fora uma questão rápida de nocautea-los o mais rápido possível. Brincadeira de criança quando se tratavam de oponentes tão fracos e vulneráveis. Que saco de doença chata aquela, as pessoas se tornavam mais inconvenientes do que já eram normalmente.

    Quando próximo ao local em que o seu alvo se encontrava, gelou. Uma sensação estranha percorrera por todos os músculos e cantos de seu corpo. Logo em seguida, lá estava a voz de Harold invadindo-lhe a audição. Ele tinha sido rápido demais, não podia ser. E conhecendo o capricorniano conhecia, ele não ficaria parado. Isso não era nada bom. Porém tentou esquecer aquele seu péssimo pressentimento, continuando seu caminho. ─ Que caralhos... ─ Sussurrara para si, parando novamente enquanto tentava processar toda aquela cena de uma vez só.

    Seu líder e aquele homem-armário ─ que sempre se metia nas suas brigas ─ no chão se espancando e envoltos de sangue. Do outro lado, Rin e aquele outro mago também envolto de sangue. Tinha sangue pra todo o lado, na verdade. Então era por isso que não deviam se aproximar de Heike, mas era um pouco tarde demais para seguir aquela ordem. Foi ai que sua mente trabalhara rápido demais, acendendo-lhe uma luzinha imaginaria acima de sua cabeça. Harold... Fora o Ariano que fizera aquilo com Harold. E agora que o capricorniano estava acordado, iria querer acertar as contas.

    Com tais pensamentos percebera definitivamente a gravidade dos acontecimentos a sua frente. Tinha que parar com aquilo tudo de alguma forma, ou melhor, da sua forma. Retirou o bastão mecânico de suas costas com destreza e agilidade, apertando assim os botões para que ele se separasse em dois. ─ L07221 AR. ─ Sussurrou para os objetos que logo ganharam vida, se separando mais uma vez. Os 4 robôs saltaram das mãos de Zion que na mesma hora ativou suas "luvas" de combate. Olhou uma ultima vez em direção a Rin, calculando mais ou menos a distância. Era considerável, isso era ótimo.

    Em uma velocidade considerável e com uma seriedade incomum, o aquariano alcançou os dois homens caídos no chão. Esperava que seus filhotes haviam sido mais rápidos que si e tivessem prendido Heike como ele havia ordenado. E se tivessem o feito, Zion sabia que não o pararia por muito tempo, então não tinha como se certificar antes de levar as mãos até Nero, agarrando-o e o retirando de cima do outro homem. Não tinha tempo para afasta-lo dali dignamente, então apenas o deixou um pouco mais de lado antes de levar uma das mãos diretamente ao pescoço do seu antigo líder.

    ─ Desativar! ─ Dito o comando para suas invenções, seus dedos envolveram quase na mesma hora a região com força suficiente para cortar a circulação de ar momentânea do outro homem. Também era o suficiente para o colocar de pé e afasta-lo de si com um bom soco ─ que se tornava ainda mais eficiente pela ajuda de sua luva ─ direto no estômago. Tentou ao máximo ser rápido que conseguia para se aproximar, desferindo outro soco direto em sua face e em seguida mais um na região do tronco. Fazia isso para continuar afastado de Heike, pois pelo que havia entendido, mantê-lo perto era quase uma morte certa.

    Continuo nisso até ter se afastado o suficiente do taurino para que Rin pudesse tratar do mesmo ─ ou ao menos era isso o que esperava dele. Porém, não tinha mais tanto sentido permanecer assim mais tempo, visto que era um movimento incerto e provavelmente logo iria errar, se conhecendo como conhecia. Dessa forma, levou mais uma vez uma das mãos sobre o pescoço do Ariano, empurrando-o até uma parede. Esperava que sua teoria desse certo e que o outro não continuasse sendo tão violento quando o ar lhe faltasse nos pulmões. Porém, era uma tacada de sorte, um risco grande. Entretanto, não havia outra alternativa ao alcance a não ser apertar mais ainda o pescoço do ex-líder e o matar ali. Só que, sua intuição dizia que não seria a melhor opção, então apenas apertava o suficiente para que o outro não respirasse mais.

    Estava com medo, obviamente. Não queria morrer ali e o aquariano detestava aquela incerteza que lhe dominava a cada segundo que passava ali segurando o outro. Não acreditava em Deus como sua antiga família fazia, porém, em um momento como aquele tudo o que conseguia fazer era rezar para que não falhasse. Por mais que não tivesse contato com quase nenhum dos outros regentes, não queria mais ninguém machucado. Não podia falhar, não podia se dar ao luxo de ser um erro naquela missão que entrara basicamente sem ter realmente a intenção.

    OBS:
    Espero que não tenha ficado muito O.P. e que não tenha nenhum erro... Dei uma travada escrevendo isso, então, nunca se sabe. ;;
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    Rin Damien
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Rin Damien em Ter Maio 13, 2014 12:38 pm

    Ao menos havia chance de parte da bagunça que estava acontecendo na nave ser consertada, constatou Rin ao ouvir a voz de Harold no comunicador. Era estranho como a situação de pessoas sendo transformadas em zumbis havia virado um pano de fundo. Os guerreiros poderiam ter lidado com os cidadãos da nave facilmente. Heike do jeito que estava, no entanto, era algo em um nível completamente diferente. Isto também era em parte culpa do capricorniano, então pelo menos ele conseguira fazer algo certo, mesmo estando apenas com um braço. O som doentio de ossos se quebrando cortou seus pensamentos, o fazendo desviar o olhar do corredor para os dois que presumira que estavam tendo uma luta em parte equilibrada, ainda que difícil. O que seus olhos viram não poderia o provar mais errado.

    A série de eventos pareceu acontecer rápido demais. Já não bastavam três fatalmente feridos, não. Nero entrara para o clube. O que seus ouvidos haviam captado fora a perna do regente de touro sendo quebrada, mas olhara a tempo de vê-la sendo arrancada. Piercings, também, juntamente com a pele. Garras cravadas no corpo. A orelha, também arrancada. Porém, no segundo seguinte, mesmo com todos os ferimentos, o taurino parecera finalmente reagir, invertendo os papeis. O virginiano não sabia como ele conseguira, mas a pequena esperança do que quer que Heike se tornara ser contido se apagara no mesmo instante que Nero parecera desistir. Rin não sabia o que pensar de tudo aquilo. Sua mente trabalhava rapidamente, pensando. Ele vai morrer. E não havia nada que pudesse fazer. Não poderia fazer nada sem chamar a atenção do ariano para si, e isto não era esperto, também contando com o fato de que teria de deixar Aya sozinho, como alvo em potencial. Ele não estava disposto a morrer por idiotice própria e alheia. Porém, o fato de não poder ajuda-los... Sentia como se algo pressionasse seu peito novamente. Estava se cansando daquela sensação.

    Não teve muito tempo para esperar a morte alheia, contudo, ao ver que a única ajuda que poderiam ter finalmente chegara. Não havia necessariamente demorado, mas custava o aquariano ser um pouco mais rápido? Ainda, mesmo que de certa forma, Zion lhe dera ouvidos. Ou talvez fosse qualquer por outra razão, mas não importava, já que ele não se isolara da situação e, momentos depois, efetivamente conseguira afastar Heike. Então ele sabia fazer algo além de construir robôs, se sujar e tomar todo o café disponível. Seus pensamentos eram sarcásticos pela forma que aquele regente ainda o irritava profundamente, mas teria que admitir; nesta situação, ele fora essencial. Porém, não pensou demais nisso, olhando uma última vez para a luta que se desenrolava, e outra para Aya, constatando que precisaria deixa-lo sozinho por alguns momentos. Não poderia pedir para ninguém além dos guerreiros leva-lo a outro lugar. Perigoso demais. Mas agora, era mais seguro deixá-lo do que anteriormente.

    Correu para perto onde Nero havia sido colocado, começando a usar seus poderes sem pensar duas vezes. Teria que confiar que o ariano estava sendo contido e se focar no que tinha que fazer. Fechou o buraco de onde estaria a orelha, e os ferimentos no rosto alheio. Sabia que o taurino preferia ficar com cicatrizes, mas seu rosto ficara novo em folha; ele que ousasse reclamar. Em seguida, fechou o local em que a perna fora arrancada. Mais um que não merecera tamanha violência. Suspirou, parando para examinar a extensão do dano das garras de Heike. Eram ferimentos profundos, mas só precisava— Parou por um segundo, percebendo algo. Sabia notar extremamente bem quando sua energia estava chegando ao limite. E, se chegasse, não seria agradável tanto para si como para as pessoas que estavam se ferindo a sua volta. Não se sentia cansado, mas era fato de que não poderia usar muito mais de seu poder. Provavelmente era a gravidade da situação que o estava mantendo de um lado pra o outro tão efetivamente. Xingou mentalmente, tomando uma decisão. Era o que podia fazer por eles, então o faria, ainda que dentro de seus limites. Curou os ferimentos internos que as garras haviam feito, fechando minimamente a pele por fora. É, isto deixaria uma cicatriz. Ao menos uma felicidade para Nero. Examinou o resto do corpo, notando que de grave, já curara quase tudo. Faltavam os pulsos quebrados. Tentaria deixá-los minimamente no lugar certo e imobilizá-los. A partir daí, o tempo resolveria.
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    RenWalker

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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por RenWalker em Qui Maio 15, 2014 7:34 pm

    Minha cabeça...

    Levou a mão ao topo da cabeça, gemendo baixo de dor. Por algum motivo desconhecido, Ren sentia frio.
    Abraçou-se fortemente enquanto caminhava pelos corredores e ouvia o comunicado, mantendo seu arco em suas costas. O ruivo, contudo, deu de ombros, tremendo um pouco ali. O mais engraçado era que a temperatura ambiente estava alta, então... Por que estava com tanto frio?
    Não se importaria com qualquer um infectado que aparecesse em sua frente, afinal, era indiferente para o sagitariano, aos poucos tomado pela frustração e pelo rancor, que cada vez mais cobria seu coração de podridão, escondendo todo aquele espírito livre e vívido do rapaz.

    O que você faria se estivesse em meu lugar, Dio...? Eu falhei... Falhei com meu pai, falhei com você... E agora, Harold e Heike. E, pelo visto, falhei com Tae também... Então por que Abel confiou em mim?

    Aquele sentimento horrível no peito; o sabor desgostoso em sua boca e algo travando sua garganta, sensações que Ren - e qualquer um que não fosse tão masoquista assim - odiaria ter, e não se perdoaria, em condições perfeitas, de tê-las. Era como se seu interior estivesse sendo preenchido por algo ruim, muito ruim.

    Rancor.

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    Não ajudaria o pequeno Ren subir naquele tronco, afinal, ele logo se tornaria um homem e teria de aprender a se virar. Não que Ren ligue, até porque ele adorava cair de bunda no chão e aprender o que errou. Dimitri encostou-se à arvore, cruzou os braços e observou o inquieto menino de apenas nove anos, que acabara de perder um dente de leite, subir num tronco. O pai riu baixo da situação; o pequeno loiro rindo e todo bobo se chando o rei do mundo, e nunca estivera tão contente. Dimitri o sondava; caso o menino mostrasse algo que pudesse fazê-lo cair - um sinal, no caso -, o pai o seguraria.

    Papai, olha! Eu sou o rei do mundo! ─ Todo pomposo, colocou as mãos na cintura, empinando o nariz e uma perna de cada lado do tronco. Quase caiu dali, mas Dimitri o segurou e o colocou de volta no lugar. ─ Eu não vou cair, papai!

    Você acabou de perder um dente. Quer perder mais um? ─ Riu.

    Logo eles crescerão e eu ficarei muito lindo! ─ Desde pequeno, Ren era incorrigível.

    Não se quebrar a cara no chão. ─ Riu mais uma vez, mas logo cessou o riso. ─ Enfim, Ren... O que é mais forte que o medo?

    Hn... ─ Levou a mão ao queixo. ─ O que é mais forte que o medo... Não sei... Coragem?

    Quase isso. A esperança é mais forte que o medo, então não importa o tamanho do problema que estiver diante de si, nunca, nunca mesmo, se deixe abater...

    Eu tenho esperança, papai!

    Eu sei que tem, meu filho... E agora me responda. O que liberta nossa alma? O que nos torna mais fortes para prosseguir, sobre nós mesmos?

    Não sei, papai... O que é?

    O perdão. ─ A resposta havia sido dada com um tom de seriedade, assim como a feição de Dimitri. ─ Nunca deixe seu coração se tornar negro pelo rancor, meu filho... E é por isso que estamos aqui.


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    "E é por isso que estamos aqui..."

    Eu nunca entendi isso... Nunca, em toda a minha vida. Por que quem fica perto de mim, acaba sofrendo? E Kain... O que é que esse desgraçado quer? O que eu fiz pra ele...?

    Respirou fundo, caminhando sem pressa alguma, sem rumo e, por um minuto, ignorando totalmente a existência de qualquer um naquela nave. Ren era o espírito jovial da justiça e bondade, e embora Libra fosse a balança, Sagitário era o signo da justiça. Assim como Aquário, ele também é questionador e solto, ao mesmo tempo que tenta ver todos os lados e tentar compreender diferentes pontos de vista. O que isso tem haver? Bom, Ren não gostava de agir por impulso quando se tratava de um assunto sério envolvendo a vida de alguém, porque, afinal, quem era ele para julgar um ser humano? Ele era outro ser humano, estavam em igualdade! E aquele momento era extremamente crítico para simplesmente parar e pensar sobre a própria vida. Era egoísmo e o sagitariano sabia bem disso, só não conseguia evitar.

    Ren levou a mão ao peito, e começou a pensar cada vez mais em besteiras. Seu coração tornou-se escuro como o céu noturno nublado e seus olhos perderam a vivacidade de sempre. Sua cabeça estava baixa, os passos cada vez mais devagar, e o que o mantinha de pé, olhando sua frente e mirando sua flecha ao longe para que ele mesmo pudesse buscá-la, agora mirava em seu próprio coração, atirando a flecha e o matando aos poucos. Não literalmente.

    Kain poderia ter feito algo com meu pai... Afinal, Tae estava muito estranho sobre, eu sinto que posso confiar nele sobre ter algo errado. Se Kain fez mal ao meu pai e agora tá vindo fazer o mesmo comigo, o que ele ia querer de mim?

    Aos poucos, abria mais os olhos.

    Ele poderia ter... Espera...

    A ficha poderia ter caído.

    Agora tudo faz sentido... O porquê de Abel não dizer nada... Ele sabia que Louis era o traidor, certo? Mas não poderia dar um passo em falso sequer. Além do mais, se Kain se tornou tão poderoso assim e ponto de descontrolar o Heike e tragédia com o Haro... Não, Kain não pode ser tão filho da puta assim...

    Consumido pela raiva, respirou fundo, cerrando o punho.

    Seu senso de justiça se tornou algo deturpado. Afinal, ele era o recipiente, certo? Ele sabia que Lilith buscava um recipiente, só não fazia ideia de que já havia um e era ele mesmo.

    E se... Kain quer tirar tudo de mim só pra afetar Abel...? KAIN QUER TIRAR TUDO DE MIM!

    Seus olhos se encheram d'água, e a sensação horrível em seu peito só crescia. Diferente de Heike que perdia a consciência e agredia os outros, Ren continuava consciente, mas afetava a si mesmo. Sua mente começou  ficar bagunçada; uma sujeira de ideias e pensamentos em conjunto com o coração rancoroso que acabara de ser moldado, mas não terminado. Levou suas mãos aos próprios cabelos e arrancou alguns fios, chorando o mais algo que podia e fazendo um escândalo, mas não era exagero ou algo assim.
    Lilith só resolveu dar um oi.

    TIROU DIO, TIROU LEI, AGORA HEIKE? O QUE VOCÊ QUER?! EU VOU AMALDIÇOAR TODA SUA FAMÍLIA! EU VOU CORRER ATRÁS DE VOCÊ E VOU TE DESTRUIR!

    Bateu com força a cabeça na parede do corredor, e tampouco sentiu dor ao fazê-lo. Socou a parede várias vezes, mas não durou muito, pois seu "tempo de fúria" terminara. Perdeu as forças, o rosto úmido pelas lagrimas que caíram em suas bochechas, e encostou a testa na parede, ainda chorando.

    Pai, Tae... Me perdoem...

    Afastou-se da parede, apanhando seu arco e preparando sua própria energia para a flecha que controlaria a energia negra de Heike.

    Me perdoem, porque eu deixei meu coração ser tomado pelo medo e pelo rancor... Não há esperança agora, e tampouco perdão.

    Ergueu a cabeça, enxugando as lágrimas e seguindo o caminho até que encontrasse Heike. A situação não estava nada bem, e só ali Ren, de fato, tomou ciência da gravidade do ocorrido. A cena a sua frente, a imagem diante de seus olhos, era algo tomado pelo ódio e destruição; Como aquilo aconteceu? E por quê? Aos poucos juntando as peças e já sabendo o que fazer, colocava-se em prontidão.

    Ah, mas ele não choraria mais. Não mais, não antes de agir.

    Todavia, alguém estava à sua frente. Reconheceu que era Zion, mas não mediria esforços para acertá-lo, ainda mais no estado mental que se encontrava. Mas ora, era apenas energia... E Zion não tinha ligação com Kain ou Lilith, certo? Ainda que estivesse com o pensamento cheio de coisas ruins e o coração rancoroso, Ren pensou que apenas energia não fosse causar tanto impacto assim. E sem dizer uma palavra de imediato, suas mãos tornaram-se leves no ar, e formou uma flecha feita com a energia de sua constelação. O azul se tornando vívido à medida que era feito, e os dígitos, guiando as flechas, tocavam o arco. A pontaria de Ren era perfeita; mirou exatamente um pouco abaixo do peitoral de Heike e atirou a flecha, que sem demora atingiu tanto o ariano quanto o aquariano. Antes que alguém pudesse - ou não - cair sobre o chão, se manifestaria, direcionando-se ao único "inteiro" ali: Zion.

    Zion... Kain, ele está...

    Sem antes terminar o que queria dizer, Ren revira os olhos, seu corpo perde totalmente a força e logo os seus olhos eram fechados. Seu corpo caiu ao chão, gélido. Parecia que estava morto, no entanto, ainda mostrava sinais vitais. Apenas ficava desacordado.
    O arco também caiu no chão.
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Maio 17, 2014 4:10 am

    Um grupo de civis se amultuara num dos corredores, provavelmente perdidos dos demais. Antes estavam em conflito, a maioria colocando a culpa em um dos homens, que parecia ser o responsável por ter desviado o rumo deles do resto do grupo. Pra que tanto alvoroço? Por causa de três ou quatro infelizes que não colocaram máscaras na hora precisa e foram infectados. Harold parou e coçou o pescoço com o indicador da prótese mecânica. Ora essa, eles ainda estavam daquele jeito? Já havia soltado o antídoto no ar em forma de gás. Um deles veio em sua direção lentamente, como um retardado cego, surdo e faminto. O albino continuava parado, deixando algumas das pessoas sóbrias presentes já nervosas pela falta de reação do Capricórnio. Não vou reagir a isso, é ridículo... Agarrou a própria máscara e retirou-a, enfiando a mesma na face de um dos "perdidos". Estendeu o braço de metal na direção do infectado, que o agarrou e o abocanhou, arrastando os dentes sobre a superfície metálica.

    Gostou do tempero? ─ Forçou o braço para cima, levantando o homem que se pendurava pelos dentes. Aquilo foi a coisa mais idiota que já se viu fazer em toda sua existência. Revirou o olhar e arremessou o mesmo por cima de outro que estava ali, também sob efeito do veneno. Harold não estava sentindo nenhuma alteração. Sinal de que o veneno no local já havia sido dissipado, e novas infecções não eram mais possíveis. ─ Vocês aí, podem tirar as máscaras. ─ Ordenou, curto e grosso. Os indivíduos não entenderam, mas também não fizeram menção de discutir com o capricorniano. "Podem tirar as máscaras" soava como "Tirem as máscaras ou eu tiro a cara de vocês", mesmo contra a vontade de Harold. Algum problema no Mercúrio de seu Mapa Astral estar no "lugar errado", talvez.

    Interessante foi que os infectados pararam de se mover. Os caídos continuaram no mesmo lugar, e os que estavam de pé por sua vez, caíram desacordados. Talvez o antídoto inalado já estivesse fazendo efeito. Rin pensou bem. Agachou-se ao lado de um deles e verificou se estava vivo de fato. Estava, mas com a pressão quase nula. Precisariam de cuidados médicos, sem contar que, se todos os que foram infectados estavam naquelas condições, a equipe médica comandada por Rin teria um longo trabalho pela frente. Ligou seu comunicador diretamente com o do virginiano, usando o rastreamento de sinal do mesmo para localizar a posição do regente. Arthemis também servia para isso, além de tudo mais. Em passos rápidos, mas não corridos, constatou que não estivessem longe dali.

    Rin, sua dedução sobre os efeitos do antídoto nos infectados funcionou, parabéns. Espalhe sua equipe pelos corredores das naves. Os infectados pararam de agir de forma ofensiva, mas estão em péssimas condições. ─ Aconselhou, mantendo o comunicador ligado caso ouvesse alguma objeção do virginiano. Não se ateve tanto a isso, todavia, já que um mau pressentimento assolava-lhe a mente. Coisa que raramente acontecia, vindo de um instinto tão falho quanto era o seu. Aquilo forçou-lhe a acelerar o ritmo. Mas o corpo do albino ainda estava fraco pela falta de sangue. A transfusão feita havia sido suficiente apenas ao ponto de lhe manter acordado e de pé. E claro, para que não morresse por hemorragia. Provavelmente, precisaria também ficar no soro durante algumas horas depois daquela confusão.

    Deixou um "tsc" escapar, ignorando a própria situação e mandando a tontura para a casa do caralho. Porém, todos os seus sintomas eram insignificantes perante a cena que conseguiu presenciar ao chegar no local exato, na hora em que toda a situação desfechou no que parecia ser um único segundo.

    Zion e Heike levando uma flechada só, disparada por Ren. Rin num canto junto de Nero, que imaginou estar, antes de Rin alcançá-lo, bem pior do que apenas estar sem metade de uma perna. Quem era ele pra reparar nisso, afinal? Assim que Ren disparou com seu arco, o ruivo desabou ao chão e delirou algumas coisas, que Harold não conseguiu escutar com muita precisão.

    Direcionou-se ao Sagitário, levantando-o pelo braço e prendendo seu corpo a si. Levou-o até Rin e Nero, deixando o mesmo encostado na parede e voltando-se em direção à Zion e Heike. Percebeu a flecha ser atirada, e seja como for, Zion não estava ferido mesmo estando na frente. Não sabia para quê aquele disparo servia, mas Heike estava sendo afetado. Mas a atenção do albino era diretamente ligada ao seu irmão. Não estava enxergando quase nada, então não podia analisá-lo com precisão para saber se algo havia acontecido com ele, assim como deveria estar acontecendo com o Áries. Sentiu os joelhos falharem e desta vez, teimosia não foi suficiente para mantê-lo de pé. O joelho esquerdo bateu contra o chão, fazendo a visão de Harold já turva começar a girar num sentido que não parecia nem horário, nem anti-horário. Balançou a cabeça. Não era hora para perder a consciência. Pelo menos, não de novo. Manteria-se acordado, até ter a certeza de que o carneiro não representava mais perigo pra nenhum deles ali. Hipocrisia vinda do albino, não? Mas aquilo só teria graça se fosse o verdadeiro Heike a fazer aquilo tudo. E aquele, definitivamente, não era o ariano dentro de si próprio. Harold mexeu com um inimigo latente, sem saber. Aquilo não era uma ameaça para ele, mesmo que fosse para sua vida e para com a dos demais. Mas se fosse arrumar uma razão... Rin salvou sua vida. Então pelo menos, serviria de escudo para o Virgem, caso o pior acontecesse. Não gostava de dívidas, afinal.
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    Zionga
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Zionga em Sab Maio 17, 2014 1:46 pm

    Fora tudo muito rápido para que o aquariano entendesse de onde aquela dor havia surgido. Não era nada parecida com as queimaduras, choques e cortes que estava acostumado a receber por tanto mexer com máquinas. Era diferente, tomava conta de todo o seu corpo e parecia iniciar-se dentro de si. Uma sensação forte e assustadora o suficiente para que suas mãos se desfizessem do enlace sobre o pescoço de Heike antes processar se ele era ou não uma ameaça ainda.

    Dera alguns passos para trás, afastando-se do ariano como se ele fosse seu maior temor. Nunca havia sentido tanta fraqueza e isso lhe dava um sentimento de incompetência e incerteza qual tanto detestava. Suas duvidas e medos estavam estampadas em seu rosto, que empalidecera de uma forma instantânea. Levou o olhar para o abdômen, onde era o foco maior da dor, o que só deixara o aquariano ainda mais apavorado, fazendo-o levar as mãos para aquele ferimento. Era um ato idiota e de desespero, já que o sangramento não parecia que iria parar só com um pouquinho de pressão de suas palmas ─ que já estavam exarcadas com aquele vermelho escarlate.

    Não ouvira antes o chamado de Ren, estava ocupado demais sendo atingido por seus próprios pensamentos. Então fora um espanto para Zion quando dera uma boa olhada no local a sua volta. O sagitariano e o capricorniano ali, estatelados no chão, igual a todos os outros regentes. Ou melhor, quase todos. Prendeu sua visão em Rin ainda de pé e então recebera uma dose dos piores sentimentos de todos. Por que tinha que ser justo ele a pessoa que via seu fracasso? Certamente iria morrer. O virginiano não iria lhe atender com tais ferimentos, não depois de ter priorizado aqueles que gostava.

    Retornou a dar alguns passos, porém dessa vez fora para trás, batendo as costas contra uma outra parede ali e deixando-se escorregar-se por ela. Sua visão começava a desfocar, porém não deixara de notar quando uma silhueta feminina aparecera rente a si. Aquele risinho que tanto tentara esquecer novamente ali, atravessando sua mente como o vento.

    ─ Parabéns por se tornar o inútil mais uma vez, Zionell... Eu te avisei que a nave não era o lugar para você. Seu passado só se repetiu de uma forma pior. Ignorado por todos, isolado e agora, morrendo. Um ótimo final para alguém que não dá ouvidos a sua própria mente. ─ A voz lhe atingia como tiros, fazendo sua dor aumentar, sua cabeça doer a ponto de explodir e tudo a sua volta girar até que o negro dominasse seu visão e seu consciente.
    Esclarecendo as coisinhas:
    Zion não está ferido aos olhos alheios. Praticamente tudo nesse turno não passou de uma alucinação do menino aquário.
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    Heike_Walker
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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

    Mensagem por Heike_Walker em Sab Maio 17, 2014 9:56 pm

    Estava tão concentrado com a sensação deliciosa que era ter a carne do moreno tão quente e tenra lhe envolvendo os dedos que se divertia rasgando os órgãos por dentro com as garras e até mesmo se excitava com aquela quantidade de sangue que deixava seu corpo e com os espasmos de dor que ele sofria, assim como o som molhado que os órgãos sendo dilacerados faziam e com os sons de dor que escapavam seus lábios.

    Com toda aquela distração não era de se surpreender que já se considerava vitorioso, afinal o moreno sequer reagira a qualquer um dos ataques que fizera, então também não era de se surpreender que viu tarde demais o golpe por parte dele vindo. Porém, apesar da dor o regente não demonstrou qualquer surpresa ou medo ao ser atingido por ele, apenas ficou imóvel, aceitando toda aquela violência bruta com um olhar vidrado em seu rosto. Ah, sim, agora finalmente iria se divertir? Iria enfrentar um inimigo a altura? A própria carne machucada e a dor que se alastrava pela cabeça eram indiferentes para o ariano que se tornava um pecado, muito pelo contrário, tais coisas lhe serviriam apenas como um impulso para revidar com cada vez mais força assim que ele abrisse uma brecha. Todavia, o contra ataque violento acabou tão rápido quanto começou e foi com um grande choque que percebeu que ele desistia, e pasmem, começava a chorar em seu ombro.

    Que merda de guerreiro era aquilo? Era realmente ele que considerava o mais forte de todos naquela nave anteriormente? Imóvel, notou que ele perdia as forças e logo o ariano já estava entediado e mesmo enojado.

    Fraco.

    Sussurrou, indiferente  ao fato de que ele poderia escutar ou não. Kain, seu pai, estava certo e agora mais ainda podia notar isso claramente. O amor tornava as pessoas fracas e medíocres. Nero tinha a oportunidade perfeita de o matar e acabar de vez com todo aquele problema, mas tinha sido fraco demais para cumprir com algo que ele nem tinha escolha, no caso uma obrigação. Formando uma expressão desgostosa estava prestes a empurrar o corpo pesado para o lado e tentar ver se o regente de virgem, que agora notava sua presença, seria um oponente mais interessante, quando pequenas... Coisas ou máquinas envolveram seu corpo e então sentiu a energia do regente de aquário praticamente brotar ao seu lado. Fitando aquilo com curiosidade, se perguntou se era sério ou era algum tipo de brincadeira, se realmente pensavam que coisas inúteis como máquinas poderiam lhe parar, até que o peso de Nero foi tirado de cima do corpo e teve o pescoço agarrado com tamanha força, podendo finalmente fitar o aquariano com a expressão mais entediada que poderia fazer no atual estado.

    Será que vou finalmente me divertir? Conseguiu pensar antes de levar um soco no rosto já tão machucado que deveria estar desfigurado e acabou deixando uma risada alta escapar, passando a lingua pelos lábios e sentindo o gosto do próprio sangue. Oras, parecia que sua pergunta tinha acabado de ser respondida. Uma série de risadas tossidas vieram em seguida cada vez que era atingido pelos punhos fortes do ruivo e Heike o fitou com uma satisfação assassina ao ser preso contra a parede e ter o pescoço esmagado daquela maneira. Podia ver a intenção de matar nos olhos do jovem, podia notar o medo emanando de seus poros, o medo de morrer. Queria provocá-lo, queria rir de sua expressão ridícula, mas não conseguia na atual situação, visto que ar nenhum poderia passar pela garganta, mas acabou notando que ele hesitava e isso acabou desapontando o ariano por estar diante de outro fraco.

    Decidido a dar um fim naquilo e parar de perder tempo o encarou direto nos olhos, abriu um sorriso maldoso e forçou a própria energia contra a dele na intenção de deixá-lo fraco e abalá-lo mentalmente. O garoto poderia ser forte, mas agindo daquela maneira, iria morrer. Nunca hesite na frente do inimigo. Sussurrou com a voz quebrada e estranhamente divertida, pronto para desferir um ataque fatal em seu peito quando notou a energia de sagitário se aproximar do local também, seguido quase imediatamente de uma pressão na região do abaixo do peito. Arregalou o olho restante e arfou pesadamente quando foi solto por Zion, direcionando os olhos ao próprio tórax com desespero, vendo a região brilhar com intensidade e uma flecha de energia desaparecendo no peito ao mesmo tempo que o que parecia um sangue negro escorria pela ferida. Droga! Levando uma das mãos ao local, caiu de joelhos e começou a respirar pesado quando o corpo todo a partir dali começou a queimar como se cada célula que tinha estivesse pegando fogo. Sentia a energia do sagitário expulsando a própria do corpo a força, lentamente; assim como a de áries, deixando-o vazio pouco a pouco.

    Sabia o que iria acontecer, sabia que o sagitariano tinha o poder necessário para lhe conter e por infernos, não queria voltar ao fraco inútil que era antes, preferia morrer a passar por isso. Olhou para Ren desmaiando mais adiante e teria ido matá-lo no mesmo instante por fazer tal coisa se conseguisse se mover, mas quando a dor atingiu a cabeça tudo que conseguiu fazer foi gritar numa agonia agonia que não parecia ter fim, a visão escurecendo, logo em seguida desmaiando também.

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    Re: [#02] O Judas de Leão - Parte II

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