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    [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

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    Harold Wilhelm
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    [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Jun 10, 2014 8:48 am

    Horário: Noite.
    Membros: Harold e Abel.
    Resumo: Decisão dos procedimentos da terapia de Harold, as condições e como vão se resolver as treta tudo do psicopata.





    Passou o dia perambulando pela ala hospitalar, devido aos exames que precisou fazer para que pudesse recuperar o mais rápido possível sua condição física normal. Embora estivesse irritado por estar sendo circundado diversas vezes por aqueles palhaços de branco, entendia que seu corpo havia passado por dificuldades. Precisava explicar aos enfermeiros que seus braços eram próteses, antes que procurassem veias que não existiam. Ao contrário do braço mecânico anterior, com uma aparência totalmente robótica, os de agora possuíam a aparência exata de braços humanos. Assim como andróides se pareciam exatamente com pessoas normais. A única coisa que deixou como estava, era seu olho. Não tinha a menor intenção de colocar um mecânico ali. Sempre teve a visão ruim e se fosse priorizar o uso dos óculos, era melhor colocar uma lente no olho restante e um tapa-olho no outro. A ferida cicatrizada deste ainda parecia causar repulsa em qualquer um que olhasse para o seu rosto. Pessoas com estômago fraco era algo realmente curioso. Mas como não gostava de ninguém olhando para sua cara gratuitamente, Harold recentemente adquiriu o hábito de usar um tapa-olho branco e uma lente de contato. O uso dos óculos se tornou desnecessário desde então. Terminada sua obrigação para com os enfermeiros, recebeu permissão para se retirar dali, se sentindo extremamente aliviado. Não suportava a aparência tão iluminada da ala hospitalar. O branco refletia luz demais e já não bastava ter uma miopía dos infernos, ainda tinha fotofobia. Lugares claros como aqueles eram mais dolorosos do que ter o olho furado por Heike. De certa forma, o agradecia. A fotofobia agora residia em apenas um dos lados de sua visão.

    Dando de ombros, os pés descalços deslizavam silenciosamente até a Nave Principal. Desde de manhã havia ciência de seus assuntos pendentes com o líder do Conselho Supremo. Aquela bicha cínica desgraçada com cara de retardada. Aquele pisciano. Adjetivos não são necessários. Trincou os dentes, em alguns minutos dobrando corredores, chegando finalmente em frente ao enorme portal que dava para os aposentos de Abel, com toda a grandiosidade que a sala do líder deveria impôr. Deveria ser ótimo passar os dias ali dentro, é claro. Mas não era por causa de uma sala luxuosa que Kain queria seu lugar. Imaginava se tudo o que movesse a cabeça do ser fosse o mais puro ódio e inveja de Abel. Incrível como uma criatura tão ridícula conseguia representar uma ameaça potente contra todos ali. No fundo, sentiu uma secreta vontade de ver Kain com a cara rachada, figurativamente falando. Literalmente, também não era uma má ideia. O portal se abriu, provavelmente sendo percebido assim que chegara pelo pisciano nojento. Dessa vez precisou de um adjetivo, porque o ódio aumentava sempre que pisava naquela sala.

    Olhou em volta. Tudo sempre tão arrumado, que Harold suspeitava que Abel tivesse alguma coisa em Virgem em seu mapa astral. Apesar da cara de lesado, ele era bem organizadinho. Antes de receber permissão para se sentar em frente à mesa do líder, o fez. Não colocaria os pés em cima do móvel por implicância, porque já havia feito isso da última vez. Desta, fingiria educação, juntando as mãos sobre o próprio colo, entrelaçando os dedos. Mesmo que em seu rosto a ironia e o sarcasmo estivessem implantados como as próteses em seu corpo.

    Não consigo olhar pra sua cara sem ter vontade de te bater. Já disse isso? ─ Nesse nível. Calmo como se tivesse informado as horas, por sinal. Sério como se estivesse revelando os segredos do Universo, também. Provavelmente o mais velho já estava acostumado com o jeito desagradável do Capricórnio. Mas seria burrice do mesmo esperar mais - ou menos - do albino. Era com Abel que Harold sempre tratou das suas condições como regente, entre os guerreiros. Apenas o pisciano sabia de seus segredos, além de suas metas que, por existirem, ainda o mantinham vivo.

    Sabia bem, também, que não estava em condições de fazer piadas. Mas para quem não se importava tanto assim com a própria vida, rir da própria desgraça não era uma opção tão ruim. Afinal, desgraças são sempre hilárias. Talvez Abel também tivesse algo bem engraçado pra lhe propor.
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    Abel
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Abel em Dom Jun 15, 2014 8:54 pm

    Perfeccionista e ultra organizado, de fato, Abel tinha Virgem em seu mapa, o que justificava o fato de ser tão limpo e separar cada coisa em seu lugar. No entanto, por mais que fosse pisciano - ainda guardando a constelação de Peixes consigo, apesar de não ser mais oficialmente um guerreiro zodiacal -, sua Lua em Aquário o tornava uma pessoa livre de dramas ou algo do tipo. Ou seja, enquanto Harold ironizava, jogava ameaças, ofensas e qualquer tipo de "carinho" sobre Abel, o mesmo não se importava. Sua paciência era enorme, sem igual, e até mesmo Kain raramente o tirava do sério.
    Respirou fundo quando Wilhelm entrou na sala, fechando os olhos por um tempo. Harold e Heike eram seus maiores desafios, principalmente pela desavença entre ambos, criada e piorada no momento em que Heike perdeu seu controle de vez. Sabia do problema do ariano, contudo, Harold não tinha nenhum outro problema. Ok, ele tinha, mas... Havia uma pena, não? O albino era um psicopata desgraçado, deveria morrer e cair na desgraça eterna, mas era extremamente inteligente e ardiloso - tal motivo sendo o único para mantê-lo no grupo -, custava ele controlar a boca e segurar a língua? E a mão pálida. Teria evitado que Heike se descontrolasse.

    Quando Harold entrou na sala, Abel estava de costas, mas se virou quando o rapaz se acomodou ali. Não esquentaria a cabeça; que Harold agisse da forma que quisesse. E Abel não era burro: na verdade, ele sabia de muita coisa, pois sondava em silêncio. Sabia que o capricorniano tinha um motivo maior pra querer prosseguir com a pena ao invés de simplesmente permitir-se ser morto pelo governo da nave.

    E, da mesma forma que Harold o odiava, Abel não ia muito com a cara do "coelhinho psicopata".

    Quem sabe, quando chegar ao meu nível, não possamos lutar um dia? ─ Sorriu, sentando-se numa cadeira um pouco distante do outro. Não queria ficar próximo dele e guardas estavam do outro lado da porta automática, para caso de algo acontecer. E, além disso, Abel era bem forte, também. ─ Então... Sua pena foi cumprida com sucesso até certo ponto, mas o senhor Wilhelm tinha de estragar tudo, não? Uma pena... Porque o Conselho Supremo quer anular sua pena. Querem que você seja sacrificado por causar danos a outros membros. Ou seja, você é uma ameaça para nós. ─ Ainda sorrindo, o loiro se levantou, arrumando uma parte de sua vestimenta superior. ─ Mas, como você acabou se apegando demais à certos membros, creio que queira uma outra saída ou opção, certo? ─ Levou uma das mãos ao bolso de sua calça, apanhando um pequeno compartimento com um chip dentro, tal compartimento na palma da mão de Abel que, em seguida, a mão sendo estendida para Harold. ─ Há uma terapia especial pra você, e... Alguém que você gosta muito me pediu isso. Deveria valorizar mais as pessoas ao seu redor, Wilhelm. ─ Após entregar o chip, afastou-se um pouco do albino. ─ Está dispensado.

    gay escreveu:QUE COR HORRÍVEL mas preguiça de mudar
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jun 15, 2014 11:33 pm

    Sorriu, dividindo olhares com o pisciano, já que ambos não tinha medo algum de fitar um ao outro, mesmo que não fosse por admiração de nenhum dos lados. Ah, aquele jeitinho sonso e aquela cara de santo do pau oco. Ainda por cima, enchendo seu ouvido de baboseiras, exceto pela última parte, na qual foi a única que Harold fez questão de prestar atenção de fato. Pegou o chip que lhe fora entregue, analisando-o sem muita atenção, imaginando as informações que nele continham. Levantou-se da cadeira em que havia sentado anteriormente. Harold não era só uma pessoa inteligente que sabia raciocinar rápido. Como filho de uma família importante, recebeu uma educação altamente integrada e é claro, não era leigo. Sabia que estava entre os seres humanos classificados como "psicopatas" e que, uma vez classificado desta forma, não havia cura para tal. Uma vez que curas fossem para doenças e psicopatia era um distúrbio de caráter, não exatamente algo a ser tratado como psicóticos em geral. Então, por que diabos ele seria submetido a uma terapia? Já passou por tantos terapeutas, psicólogos, analistas... Havia perdido a conta e todos eram uma piada. Abel estava ciente do problema do albino. O líder poderia ser um imbecil aos olhos do mais novo, mas não um imbecil a tal ponto. Uma terapia, hm? Não questionou. Iria analisar com calma as informações que continham naquele chip.

    Minha pena poderia ter sido cumprida com sucesso completamente, se um certo líder não tivesse escondido as condições atuais de um certo ariano. Não me lembro de Heike ser submetido à possessões demoníacas no "script", nem na ficha de informações gerais dele, senhor. Por sinal, só falei à ele o que o mesmo merecia ouvir, devido a conduta do mesmo em campo de batalha. Se ele não teve a mentalidade para se segurar, bem... A culpa não é minha. ─ Harold deu um peteleco no chip para cima, em seguida pegando-o novamente assim que a gravidade o puxou. A justificativa de seus atos não era válida por aquelas palavras, mas o albino realmente tinha a consciência limpa. Não se importava com aquilo.

    Se tiver algo mais que tenha de expôr aos seus guerreiros, não seja tímido, Abel. Pode evitar que um deles perca o braço, ou o olho. Ou os dois. Também pode evitar de cobrar subordinados, informações que eles não tiveram acesso. É... "anti-ético", por assim dizer. ─ Acenou com o braço mecânico que correspondia ao perdido por conta de Heike, virando de costas e deixando a imagem de seu sorriso cínico. ─ Com sua licença. ─ Rumou à porta da sala, retirando-se dos aposentos do pisciano, analisando o chip assim que a porta automática fechou-se atrás de si.

    Caminhando com calma e sem nenhuma pressa pelo corredor, estendeu a mão com o chip em cima. A pele artificial cortou-se em leds de brilho esverdeado, desfazendo o material do chip e convertendo-o em dados virtuais, que foram sugados pela abertura da prótese mecânica. A pele sintética foi refeita. As informações do chip sendo transmitidas pelo sistema de Arthemis que, pela voz feminina idêntica a de sua falecida irmã, eram ditados os conteúdos arquivados. A lente de contato em seu olho tinha a mesma função de seus óculos e, obviamente, também tinha conexão com seus neurônios.

    Parou no corredor ao prestar atenção no que era escutado apenas por ele mesmo.


    O paciente se submeterá a revisões psicológicas constantes, posteriores a cada sessão correspondente. Serão feitas, obrigatoriamente, vinte e cinco sessões de terapia que consistem em alterações cerebrais diretas e indiretas para que o paciente possa apresentar resultados. Duração, sem modificações, de quatro horas diárias.

    O paciente deverá utilizar o dispositivo de comando auxiliar, que o privará de alterações psicológicas que possam reverter o êxito da terapia, do início da primeira sessão até o final da última, sendo impossível a remoção manual, exceto por meio de cirurgias.

    Efeitos colaterais são possíveis para pacientes que possuem grandes dificuldades de responderem com resultados significativos, desde a primeira sessão. Variam de dores musculares, náuseas intensas, distorção de imagem visual, alteração de sentidos em geral e até mesmo alucinações. Pacientes que apresentem sintomas como forte pressão cerebral durante o processo terapêutico, devem ser acompanhados por auxílio médico, visto que apresentam o risco de morte.

    Após o término das sessões, o paciente deverá apresentar fatores desconhecidos pelo mesmo até então, porém, ao persistirem as características psicológicas anteriores, os efeitos colaterais serão em nível elevado, podendo levar o paciente ao suicídio.

    Operação criada e realizada restritamente a diagnósticos psiquiátricos em sociopatia ou psicopatia. Não permitido para qualquer outro paciente com tipos divergentes de análise, mesmo sendo semelhantes.



    Resumindo tudo... Abel me lançou um desafio, hm? Ou eu viro um mimizento emotivo, ou eu me mato, ou mesmo o Conselho me mata. ─ Qualquer um se sentiria em pânico por aquilo, principalmente por estar tendo todos os direitos humanos violados de uma vez só. Franziu o cenho, concentrando seus pensamentos em algo que Abel havia dito. Alguém que você gosta muito me pediu isso.Ele não soava com ironia ao dizer aquilo. ─ Só uma pessoa lhe veio em mente, de imediato. Não se precipitaria, mas tudo indicava ele. ─ Sinceramente, Ren. Só você pra me convencer disso. ─ Se Harold não tinha capacidade pra ver qual das três opções era a mais viável - pois todas lhe pareciam a mesma coisa - talvez Ren em seu desespero, tivesse. Aceitaria o desafio do pisciano. O sagitariano arriscou-se em tentar se meter em assuntos que nada tinham a ver com ele, além de ter livrado sua cabeça perante ao Conselho Supremo. Agradeceria concluindo aquela terapia maluca.

    Também, até então nunca havia ouvido falar sobre uma cura para seu problema que não fosse a morte. Seria interessante passar por isso. Abel não devia ter gastado pouco dinheiro procurando uma forma tão eficiente e dinheiro, em hipótese alguma, devia ser desperdiçado. Mesmo que fosse o dinheiro de Abel.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Zionga em Qui Jun 19, 2014 8:08 pm

    O aquariano já estava acostumando-se novamente com os efeitos de ter parte de sua mente personificada. Claro que ainda assim, não voltaria a ser o mesmo tipo de pessoa que era antes. Ao menos, não enquanto fosse acompanhado por Hiusang. Mas não era como se fizesse muita diferença sua mudança de comportamento, afinal, poucas pessoas conviviam consigo. Sendo que metade delas havia morrido ou se retirado por conta do último ataque a nave.

    Entretanto se sentia incomodado, afinal, odiava aquela sensação nostálgica que remetia sua infância. Precisava de uma solução, ao menos tentar algo, e era o que pretendia fazer marcando uma reunião pessoal com Abel. Mesmo que parte de sua mente fosse ─ literalmente ─ contra a ideia, queria voltar para a casa qual sua paz havia sido iniciada. Se queria achar uma cura para seu problema, o lar dos Wilhelm era sem dúvidas o melhor ponto de partida que poderia arranjar.

    Estava indo ao encontro do pisciano, após um comunicado de algum ajudante de que seu horário estava próximo, quando a voz de Arthemis invadiu seu comunicador acompanhado de várias informações sendo postas à lente de seus óculos. A figura de Harold se fizera presente igualmente assim que virara o corredor. Fora onde Zion se deu ao luxo de parar a absorver a notícia com perplexidade. Seu irmão seria mesmo submetido a tais absurdos? Não era possível, aquilo era totalmente contra os direitos humanos. Não iria deixar que fizessem algo assim com ele.

    Harold... ─ Aproximava-se lentamente do albino, certamente mais em choque do que o mesmo. Afinal, como sua própria mente e os outros regentes costumam dizer, o ruivo era só uma criança. ─ É metira, não é? ─ Sua voz estava baixa e trêmula, tal como a expressão de desespero era palpável. O capricorniano era sem dúvidas uma das pessoas mais importantes para si e saber o que iriam fazer com o mesmo não ajudava em nada em seu estado de descontrole atual.

    Eles não pode fazer isso com 'cê! ─ Alterou-se, adquirindo uma expressão de fúria que sem dúvidas não era destinada a Harold. Foi então que acelerou os passos, passando reto pelo capricorniano e pela sala de reunião.

    Seus assuntos poderiam ser tratados depois, no momento ele precisava era acelerar seu maior projeto, mesmo que sua própria mente fosse contra, mesmo que aquilo lhe trouxesse a prisão. Era por um motivo maior que iria por aquilo em pratica.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Abel em Sex Jul 18, 2014 7:16 pm

    A petulância daquele ser era incorrigível. Pensava o pisciano se mesmo com os métodos que o proporcionara, aquele traço da personalidade do Capricórnio se amenizaria. Provavelmente não. Porém, não seria o líder se não soubesse lidar com pessoas do tipo. De nada adiantaria discutir, então, o pisciano apenas suspirou pesado e esperou Harold se retirar de seus aposentos. Olhou para os guardas e sorriu gentilmente, acenando com a cabeça de que não era necessário assumir a postura tensa que eles apresentavam. Os mesmos se tranquilizaram quando o fez.

    Todavia, como se não bastasse ter um regente com problemas psicológicos, tinha outro numa situação muito mais delicada. Em momento algum se esquecera de Heike e, é claro, não poderia deixá-lo impune, apesar de sua situação não ser favorável nem para si próprio. Ele, naquele exato momento, deveria estar em seu estado mais frágil: físico, mental e emocional. Mas, medidas eram necessárias e se fosse pela segurança dos outros regentes, assim como fez com Harold, não poderia deixar Heike como estava. Muito menos sabia se seria mais fácil ou mais difícil lidar com ele. Aproximou-se novamente de sua mesa, apoiando sem pressão alguma o dedo pela superfície holográfica que aparecera por cima do mármore.

    Nami, poderia chamar o regente de Áries para vir até a minha sala, por favor? — A afirmação positiva - talvez hesitante por escutar "regente de Áries" - do outro lado da linha, pela voz feminina de quem seria uma das assistentes da Central, foi o suficiente para que Abel agradecesse de forma curta e desligasse o comunicador em sua mesa.

    Mesmo sendo o líder, Abel não via aquilo como motivo para deixar a educação e a humildade de lado. Talvez fosse uma das razões para sempre ser adorado por todos: era amável e bondoso. Mas também, não era idiota. Sabia muito bem que existiam pessoas difíceis de concretizar até mesmo um colóquio simples e saudável. Suspirou fundo, pensando nas palavras que usaria para com o ariano que, em breve, entraria em sua sala. Encostou-se às costas de sua cadeira, entrelaçando os dedos das mãos numa posição pensativa, sem em momento algum, perder o semblante tão sereno.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Heike_Walker em Ter Jul 29, 2014 9:04 pm

    Alguns dias já haviam se passado desde que o ariano tinha despertado naquele quarto particular da área hospitalar da nave, na verdade, apenas mais um pouco e já poderia voltar para os dormitórios. Obviamente ainda ficaria em observação, mas poderia voltar com sua rotina normal.

    Remexeu-se na poltrona ao pensar em tal coisa, sem conseguir concentrar-se no livro em mãos, rindo de forma ácida para si mesmo. Que rotina? Agora que não era mais líder e que ainda não podia realizar missões, o ariano se perguntava o que havia para ele fazer ali. Tais questionamentos, naturalmente o arrastavam na direção de outro tipo de pergunta relacionada ao próprio destino. Ser tirado de seu posto, tão importante, seria uma medida razoável se o que tivesse feito não fosse caso de pena de morte. Por que é que estava ali tranquilo numa enfermaria, com a liberdade de ir e vir quando quisesse? Por que é que Abel ainda não tinha falado nada? O líder supremo sequer aparecera ali. entendia que ele era ocupado, mas um caso de traição não seria o caso de medidas imediatas? Não era possível que o mais velho confiasse tanto assim no ariano. Claro que era leal e continuaria sendo mesmo que isso custasse a própria vida, mas não conseguia entender.

    Tais coisas o deixavam apreensivo e mesmo enjoado só de pensar. Nero já tinha lhe garantido que não seria executado, assim como Rin e mesmo Ren, que passara ali algumas vezes para conversarem, preocupado a seu próprio jeito. Mas mesmo assim, o que havia por trás de tal coisa? As regras da nave eram exigentes e sempre foram rigidamente cumpridas, mas não era de hoje que Heike vinha notando que as coisas andavam muito, muito estranhas. Sabia que havia um traidor e o sangue fervia só de pensar, mas uma série de outras coisas também o incomodavam no modo como Abel agia ultimamente e a pouca paciência que sempre teve com o pisciano hoje estava reduzida a nada.

    O fato de estar tão livre e tranquilo com a certeza infundada de que não seria condenado a morte não saía da cabeça de Heike. Na primeira vez em que fora controlado por essa estranha energia escura que se alimentava de ódio e raiva, quando ainda criança, fora perdoado e posto aos cuidados de Ren que era capaz de controlá-lo. Não sabia exatamente o motivo de Ren conseguir, mas nunca tinha se importado muito... Talvez fosse alguma habilidade especial, pra compensar a burrice alheia?

    Quando mais novo pensou que fora levado a nave por ser neto de Ryotaro, talvez algum pedido dele caso desaparecesse, mas com o tempo veio a entender que só estava ali para ser vigiado de perto. O que não fazia muito sentido, afinal não passava de uma criança que apesar de tudo era extremamente fácil de ser eliminada. O líder ariano não estava mais ali, e se a criança era um perigo para a população, nada mais natural que fosse descartada, ou mesmo presa. O que não aconteceu. Foi criado normalmente dentro da nave, cresceu para ser um guerreiro e logo tomou o lugar de seu avô. Nunca achou que teria uma segunda chance caso atacasse alguém novamente e agora via que estava errado. Mas por quê? Por que Abel novamente não tomava nenhuma atitude certa? Claro que não havia feito por vontade própria, mas o cargo era extremamente importante e um regente não poderia ser mentalmente instável, ainda que fosse escolhido pela constelação. Será que ele sabia que estava sendo controlado? Se sabia, como? E por quem? Por que todo aquele silêncio?

    Era frustrante não saber absolutamente nada sobre questões tão importantes relacionadas a própria vida, e no momento sentia-se totalmente perdido.  Por um momento lembrou-se da figura pálida e obscura que o incitara a perder o controle, agora considerada apenas um fruto da própria imaginação, e tentou lembrar-se do que ele falou. Algo lhe dizia que era importante, talvez uma informação trancada no próprio subconsciente, mas nunca conseguia descobrir o que era nem mesmo com as intermináveis e insuportáveis sessões de terapia com Rin. Sentindo um arrepio ruim percorrer pelo corpo, Heike suspirou e fechou o livro, jogando-o na cama e direcionando o olhar para a janela.

    Estava apático ultimamente. Não tinha ânimo nem mesmo para se irritar e todas as lágrimas haviam secado. Nero, principalmente, havia ajudado a superar os medos e inseguranças mais pesados, e mesmo que não fosse admitir, conversar com Rin também. Mas agora estava num outro momento delicado de seu próprio estado e não tinha vontade de fazer nada, perdido nos próprios pensamentos e preocupações.

    Acabou sendo interrompido em seu silêncio quando uma enfermeira bateu a porta de maneira hesitante, pedindo para entrar. Após a confirmação, a mesma garota que encontrou quando acordou pela primeira vez entrou com o olhar baixo e disse que recebera um aviso que Abel estava chamando-o na sala de reuniões, e deixou claro em seguida que mais tarde Rin apareceria no quarto para consultá-lo como sempre, num aviso implícito que deveria voltar para o quarto depois.

    Sem deixar transparecer a surpresa que sentia e mesmo o nervoso ao pensar em mil possibilidades, apenas suspirou dispensou a jovem, demorando a se dirigir até aquele local tão conhecido. Pensara em ligar para Nero, mas provavelmente o taurino estava ocupado demais para perder mais tempo com as besteiras do regente de áries. Após pedir permissão para entrar, demonstrando um mínimo de respeito que ainda sentia, Heike se dirigiu até uma das cadeiras em frente e sentou-se nela ereto e ligeiramente tenso, encarando Abel em silêncio com um olhar que poderia ser considerado como desafiador, esperando-o falar.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Abel em Ter Dez 09, 2014 4:51 pm

    Olhar nos olhos de Heike sempre lhe trazia certas lembranças desagradáveis; a semelhança do ariano com Kain era algo que qualquer um que o tivesse conhecido notaria. Ainda assim, não o culpava pelo destino desafortunado que tivera. O filho de Kain fora perfeitamente controlável durante todos aqueles anos, demonstrando ser uma pessoa – apesar de ligeiramente problemática – leal e trabalhadora. Fora, de fato, a melhor opção para líder, considerando a falta de regentes deixada no desastre de anos atrás.  Contudo, fora descuido próprio – talvez a ingenuidade que às vezes lhe cabia - pensar que ele não sairia de controle tão cedo.

    Enquanto era um caso que normalmente seria diretamente solucionado com pena de morte, também precisava levar em conta as circunstâncias do mesmo. O regente fora provocado, aparentemente já demonstrando sinais de que teria um colapso, resultando na briga com o Capricórnio.Enquanto Heike tinha alguma responsabilidade por suas ações, ele não quisera sair do controle. Abel acreditava que ele havia resistido o quanto podia. Seria mais sábio tentar uma última solução possível antes de precisar de uma execução, além do fato de que medidas mais drásticas tirariam um aliado de seu lado. E Gaia sabia o quanto eles eram importantes.

    Ou ao menos, era um bom motivo para os outros acreditarem.

    - Heike. – O cumprimentou gentilmente, apesar de o semblante permanecer sério, observando-o sentar-se, a aparência pior do que jamais o vira. Não era hora para cortesias, com o que estava prestes a falar. – Creio que você já entenda a seriedade de suas ações. Porém, a você será dada uma última chance, em mediante ao cumprimento de um treinamento específico que você fará com Ren, com o objetivo de purificar sua energia. Quero que saiba que caso saia do controle novamente, após esse treino, a decisão de execução será imediata. – Havia uma nota de tristeza em sua voz, perdida na firmeza que precisava para ser o Líder.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Heike_Walker em Ter Dez 09, 2014 6:52 pm

    Felizmente o pisciano não demorou para começar a falar e foi direto ao ponto. Ele parecia sério demais, o que contrastava com sua face tranquila do dia a dia, e se não estivesse tão apático talvez achasse a mudança interessante. No final apenas escutou tudo o que ele tinha a dizer em silêncio.

    Por mais estranho que pudesse parecer, o ariano sentiu-se aliviado ao ouvir do líder do conselho que seria executado caso saísse do controle novamente. Não que a perspectiva de morrer o atraísse, muito pelo contrário, mas seria o certo a ser feito caso falhasse como regente novamente. Por conta de sua própria índole e seu próprio orgulho já tão ferido, não suportaria viver novamente se por acaso a própria mente lhe pregasse uma peça de novo e acabasse de fato matando alguém, principalmente agora que tinha uma terceira chance.

    Mas a questão era que não entendia o motivo de estar ali tendo outra oportunidade. Indiferente ao fato de ser um bom regente ou o que quer que fosse, se era uma ameaça devia ser tratado como tal.

    Após um período que pareceu longo demais, observando-o com uma expressão vazia, Heike perguntou com a voz baixa: Por que?

    Qual o motivo, Abel, de me manter vivo ou livre, que seja? Continuou antes que o mais velho tivesse a oportunidade de responder. Em sua cabeça, os pensamentos começavam a se embaralhar a medida que começava a ficar nervoso. Por conta da energia da flecha de Ren ainda em seu corpo, mesmo que já fraca pelo tempo que passou, não se exaltaria ao ponto de perder a sanidade novamente, mas isso não o impedia de ficar aflito. Não sentia que tinha mais o controle da própria vida. Sempre fui fiel a sua liderança e sempre acreditei cegamente em suas decisões, mas agora eu não sei mais o que pensar. Muitas coisas estranhas vem acontecendo e a nave não é mais segura.

    Sabia que se o menor quisesse, poderia considerar aquelas palavras até como um modo de traição, porém estava sendo sincero. Estava em sua personalidade falar o que vinha a mente, ainda que tal coisa causasse problema muitas das vezes.

    Por que me mantiveram vivo quando perdi o controle quando era uma criança? Por que me trouxeram pra nave dos regentes? Não me venha com papo de piedade ou o que for, porque não sou mais uma criança e simplesmente não faz o menor sentido me manter vivo depois do que fiz. Você me tirou do cargo de lider dos regentes e do exército, mas já estive tempo suficiente pra saber que não há espaço pra piedade quando o assunto é a segurança do planeta. Isso aqui não é brincadeira. Disse sem dar pausa, o suor escorrendo pelo corpo a medida em que o nervosismo e a raiva cresciam. O olho que não estava coberto estava grudado no rosto do loiro, demonstrando como um livro aberto toda a confusão, a frustração, a raiva e mesmo o medo que sentia. Apesar de questionar a liderança dele, só queria entender o que estava acontecendo. Não sei se foi coisa da minha cabeça, mas vi e ouvi coisas que mostraram que eu só estou no escuro aqui. O que é essa energia em mim?

    Quem sou eu, Abel?


    O tom era cansado, a respiração estava pesada e apertava os braços da cadeira de metal com tanta força que chegara a amassar o material. Não se sentia bem, mas não sairia dali até ter uma resposta convincente. Me responda a verdade e me faça a acreditar que o homem a quem dediquei minha vida não é um completo imbecil que não deveria ser líder de merda nenhuma.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Abel em Ter Dez 09, 2014 7:50 pm

    Apenas encarou o regente de áries pacientemente, conhecendo o signo bem o suficiente para saber não esperar uma reação calma. E lá estava. Heike estava abalado, curioso, com raiva, e Abel não poderia culpa-lo. Decidiu não chamar atenção às palavras ofensivas, sabendo ser tão inútil quanto repreender o Capricórnio por suas ofensas. Contudo, precisava lidar com aquilo. Os guardas em sua porta estavam vigilantes, e qualquer reação que saísse do controle seria imediatamente parada por eles, visto que o ariano estava fraco demais para ter um surto como o anterior.

    Permitiu a própria expressão demonstrar um leve cansaço, e algo como tristeza chegar a seus olhos. Não poderia dizer a verdade à pessoa que praticamente a suplicava à sua frente. A verdade que apenas ele, como Líder do Conselho Supremo, e pouquíssimos sabiam. – Você é diferente, Heike. – Foi o que pôde dizer. – E essa diferença pode ser importantíssima no futuro. Se conseguir controlar essa energia... – Pausou por um momento, sabendo muito bem que o que estava prestes a dizer apenas frustraria o mais novo. Seu tom baixou para que apenas Heike pudesse ouvi-lo, a seriedade não deixando sua face por um momento.

    - Há muito que você demorará para entender, mas é necessário que se mantenha oculto. Posso apenas pedir que continue a confiar em mim, e tenho esperança que você continuará a ser um de nossos guerreiros por um longo tempo.Até eu encontra-lo. Muito precisava ser mantido em segredo, e Abel tinha plena noção que poderia passar uma imagem incapaz com as decisões que tomava. Entretanto, enquanto possuísse aliados, seu plano continuaria. Esperava realmente que a criança dele, com aquela energia familiar, continuasse a ser um deles.
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    Heike_Walker
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Heike_Walker em Ter Dez 09, 2014 9:12 pm

    Não sabia o que pensar ao ver ele não se alterar nem um pouco, pelo contrário, permanecer em silêncio com aquela expressão quase triste.

    Escutou com atenção suas palavras, sem acreditar que novamente ele se esquivava de dar respostas. Estava decepcionado acima de tudo, e tal coisa se refletiu no olhar e na postura do ariano. Não tenho o direito de saber o que se passa na minha própria vida? Perguntou baixo, sentindo um buraco no lugar do peito, sem força e ânimo algum para insistir mais ou reagir fisicamente como tinha costume. Ficou encarando o outro a sua frente até que uma risada desprovida de vida escapou os lábios. Já entendi. Sou apenas uma ferramente para conseguir alcançar seu objetivo. Disse seco, desviando o olhar para o chão.

    Constatar aquilo não feria o ariano de forma alguma, estando no exército é claro que entendia que não passava de uma ferramenta do governo para manter a paz no planeta, porém feria ao jovem saber que sequer era digno da confiança de uma das únicas pessoas a quem tinha algum apreço, para entender o que estava acontecendo. Afinal tinha crescido sob seus ensinamentos também, já que Ren não era exatamente o tipo de pessoa que tinha a capacidade de educar uma criança sozinho. Tudo não passava de uma mentira, então? Será que ele não percebia que só queria entender o que acontecia para dar o melhor de si e tentar não deixar todas aquelas situações terríveis acontecerem de novo? Ainda que tivesse causado tantos problemas por não ser forte o suficiente para manter a própria sanidade, Heike nunca faltaram com suas obrigações e nunca questionara nenhuma decisão do mais velho.

    Entendo, é. Disse por fim, voltando a fitar o outro sem qualquer indício de vida em suas palavras. Agradeço por me manter vivo e espero que não hesite em me executar, caso saia do controle novamente. Dito isso, levantou-se e com um aceno mínimo da cabeça saiu do local sem pedir permissão. Heike não iria trair sua nação, não iria contra tudo que sempre acreditou, mas um vínculo de respeito e confiança que sempre mantivera com o líder dos regentes, apesar das desavenças infantis, havia sido quebrado naquele momento.
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    Re: [#07] Turno Livre ─ Sala do Líder do Conselho Supremo

    Mensagem por Abel em Ter Dez 09, 2014 9:41 pm

    O sarcasmo inicial e a falta de vida no decorrer das palavras alheias sinceramente lhe doíam o peito. Vira aquele menino crescer, se tornar o que era, e agora, decair. Poderia apenas esperar o melhor para aquele futuro, sem poder sequer lhe dar uma palavra que trouxesse alegria. Porém, o próprio sentimentalismo precisava ser separado de seu foco; senão realmente não seria digno da liderança da nave. Respirou fundo, observando vagamente as costas do jovem ao sair do escritório. Costas familiares. Balançou a cabeça em negativa, uma expressão levemente aérea vindo à sua face, enquanto contemplava os absurdos da genética.

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