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    [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

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    Rin Damien
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    [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jul 03, 2014 10:27 pm

    Harold merecera cada consequência que viera após o desencadeamento pseudo-intencional da loucura de Heike. Não era próximo do regente de capricórnio, mas sabia que a psicopatia de Harold eventualmente se mostraria, e um dia ou teria que ser tratada de alguma forma, ou ele teria de se retirar, de um jeito ou de outro, do grupo de regentes. Felizmente para o capricorniano, a primeira opção se fizera presente. Enquanto Rin anteriormente achava que não havia uma cura para aquela condição, Abel lhe mostrara a terapia, lhe informando que o albino precisaria dos melhores cuidados médicos durante a mesma. Quando vira os detalhes, tivera que concordar.

    Era perigoso. Extremamente perigoso. Era a única solução que tinham, e já que Harold já aceitara, não havia nada para ser discutido. O virginiano concordara em ajudar, porém, não só por bondade ou por reconhecer que ele próprio era uma das melhores opções médicas da nave; se ele recusasse, provavelmente o novo regente de escorpião poderia cuidar daquilo. Porém, queria falar com ele por outra razão, que não tinha absolutamente nada a ver com a terapia. Descobrira – e não fora uma descoberta agradável – que era irmão de Ren. Certo, não tinha provas, mas as coincidências eram bizarras demais para serem ignoradas. E antes disso, descobrira que teria que ceder um corpo para um deus, para lutar com uma deusa que estava tentando, basicamente, destruir o mundo.

    Lilith. Abel escondera quem era o recipiente dela, enquanto o contou dos mitos. Se ele não podia falar, era alguém próximo, ou dos regentes, ou do conselho. Considerando a história, e que Ren era seu irmão mais velho... Não se impressionaria se fosse ele. Não sabia como lidaria com aquilo, sendo que tinha planos para o sagitariano que não envolviam a tal deusa, mas presumia que não seria bom para ambos os lados. E, tendo dito isto, a pessoa mais próxima de Ren era o psicopata que sofreria uma terapia intensa. Digno, visto o quanto o ruivo era afetado. A intimidade deles não o interessava, porém, se Lilith pretendia mesmo possuir Ren – e seria involuntariamente, ao contrário da possessão de Gaia – era possível que houvesse vestígios disto no dia e dia, e que ela já tivesse se manifestado ao menos uma vez; e quem mais apropriado para perguntar? Além do mais, sabia que com Harold, teria respostas diretas. Seus signos de certa forma se entendiam, sem maiores complicações.

    Então chegara o dia que teria que preparar o capricorniano para a terapia, e se  direcionara à sala em que ele seria mandado, apenas aguardando enquanto revia o que teria de ser feito. A primeira parte do processo, na verdade, o deixara radiante – ou algo próximo a isto - quando percebeu o que teria que fazer. Alguns fios precisariam ser introduzidos na cabeça do outro na terapia em si, e Rin percebera que, infelizmente, o comprimento do cabelo alheio atrapalharia o processo. Uma pena. Claro. Mais um que vou deixar com o cabelo decente. Seu sorriso beirava o psicótico quando o vira chegar, e agradecia por saber qual dos dois tinha o real problema ali.

    - Bom dia, Harold. – Não era de enrolar, e mesmo tendo assuntos maiores a serem tratados, explicaria o porquê dele estar ali, e também de estar pegando uma tesoura naquele exato momento. Seu tom era extremamente metódico, apesar de ter vestígios de alegria no momento.  – Acho que você já sabe os detalhes da sua terapia, e sabe que não vai ser fácil. Hoje eu vou te preparar para ela, e também prescrever alguns medicamentos que você vai ter que tomar antes, durante e depois, por algum tempo, para minimizar efeitos colaterais. Vou estar no local da terapia também; é algo de risco imenso, e é absolutamente necessário supervisão médica. Mas, antes de qualquer coisa... Vamos precisar conectar alguns fios a você, e seu cabelo vai atrapalhar. Sente-se. – Para o bom entendedor, meia palavra bastava, e realmente, não precisava explicar mais para o albino entender. Mencionou com a cabeça uma das cadeiras do cômodo, abrindo e fechando a tesoura algumas vezes, distraidamente.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Jul 04, 2014 6:13 am

    Pela primeira vez em muito tempo, passou a noite dormindo. Seis horas, talvez, devessem ser o seu maior recorde desde os doze anos de idade. Havia dormido sete. Pra quem quiser dizer que dormir oito horas por dia faz bem, Harold se sentia péssimo ao dormir uma hora a menos que o recomendado. Talvez, por estar acostumado a dormir tão pouco. Decidiu que, pelo menos naquela noite, trataria de dormir o suficiente para uma pessoa normal - embora fosse algo ele estivesse longe de ser. Levantou da cama sentindo a cabeça pesar e todo o resto do corpo dormente. Não deitaria naquele colchão de novo por um semana inteira, só de ódio. Não só sua disposição, como seu humor, resolveram não acordar com ele. Tudo que restou de uma "boa noite de sono" foi um capricorniano mal humorado, descabelado e resmungando coisas incompreensíveis - provavelmente em russo - até alcançar o banheiro. Não acendeu as luzes, gostava do escuro. Seu olho - restante - agradecia, pois a fotofobia não dependia de um par ocular.

    Morreu na banheira por alguns minutos, logo depois de se lavar apropriadamente. Sabe-se lá se mais tarde não iria se sujar de sangue. Ah, sim. Começa hoje. Recordou-se, com metade do rosto submergido. Aquele tempo na água conseguiu revigorá-lo um pouco da sonolência, o que já era de grande ajuda. Não demorou até terminar seu banho e vestir-se, sem se importar em secar muito os cabelos brancos. Pentear, menos ainda. Seco da testa para baixo, conferiu a hora uma única vez até sair de seu quarto e dirigir-se até a Ala Hospitalar da nave. Indiferente como se estivesse indo tomar café da manhã. Entrando na sala correspondente, onde já havia sido avisado que aconteceria sua terapia, não surpreendeu-se ao encontrar o Virgem ali. Não poderia se esperar menos, afinal.

    Bom dia, Rin. — Respondeu ao outro. Era difícil ver alguém com o nível de educação do virginiano naquela nave e, pelo menos a alguém que não lhe dava motivos de desprezo, permanecia no mínimo de decência verbal. Até arquear a sobrancelha esquerda, ao ver a tesoura na mão do loiro. — Oh. Você deve estar radiante por isso, não é? — Ignorou as primeiras instruções dadas pelo menor, não por pouco caso, mas porque já havia sido informado delas anteriormente. Andou sem pressa até a cadeira que Rin indicara, sentando-se ali e fixando o olhar num ponto aleatório, sem nenhuma necessidade maior. Ficaria quieto e deixaria o loiro fazer o que quisesse. Se não se importava em perder o braço ou o olho, seria motivo de piada se reclamasse por perder o comprimento dos cabelos. — Divirta-se.

    Conectar fios na minha cabeça. Que interessante era aquele processo. Gostaria de questionar quem foi o psicopata que inventou aquilo, porque apenas um para entender a cabeça de outro, a ponto de arrumar uma forma de curá-la. Imaginava se ficariam enfurnados no silêncio, soltando apenas as palavras que fossem necessárias para o processo que seria ali feito. A comunicação entre os dois signos mais racionais do Zodíaco não poderia ser diferente, afinal. O que, na opinião do capricorniano, não era incômodo algum.
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    Rin Damien
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 04, 2014 11:50 am

    O próprio sorriso apenas aumentou com as palavras do outro; ao menos ele sabia que cortar o cabelo alheio estava longe de ser um sacrifício para o virginiano, e tinha a certeza que Harold não dava a mínima para este tipo de coisa, nem se saísse dali com o corte de cabelo mais estranho que Rin conseguisse fazer, ou careca. O que, é claro, ele não faria. O capricorniano ficaria, uma vez na vida, arrumado, e por uma razão consideravelmente decente. Se postou atrás da cadeira em que ele previamente sentara, analisando os fios alheios com as pontas dos dedos. Úmidos. Embaraçados. Era até melhor que estivessem molhados para cortá-los, porém se afastou  um momento para pegar um pente, e começar a dar um jeito nos nós que com certeza estavam presentes ali.

    Tendo isto feito, voltou à tesoura, e já tendo noção do comprimento que cortaria, começou o trabalho. De fato, se o regente de virgem algum dia ficasse sem dinheiro, poderia começar a cobrar por aquilo. Os cortes que fazia sempre ficavam ótimos - quem reclamava era apenas por ter algum complexo com cabelo -e se pagassem por isso... Poderia ser muito mais agradável do que lutas pelo fim do mundo e afins. Percebeu que seus pensamentos divagaram e quase pôde rir. Algo do tipo só aconteceria se ele próprio não estivesse ali, na nave, como um regente. Pensar em coisas improdutivas, como “e se” eram irrelevantes. Tinha um assunto maior a tratar, de qualquer forma. Mesmo ainda clicando a tesoura nos fios brancos, achou uma boa hora para começar a falar.

    - Harold. Você já ouviu falar das histórias dos deuses? – Parecia algo tão aleatório e abstrato para se comentar, mas precisava começar de algum lugar. Para saber se o albino realmente possuía alguma informação, poderia tentar blefar, mas tinha que começar do começo. – Os deuses do sono e da vida, e as deusas dos mares e da morte. – Pausou por um segundo, mesmo que continuasse o trabalho com o cabelo, pensando em quão direto poderia e deveria ser. – Mais especificamente, você sabe que a deusa da morte, Lilith, é um dos maiores problemas que temos que enfrentar, e que já achou um corpo para possuir, não é?  - Claro que não tinha certeza nem de que Ren era o recipiente daquela deusa, e mesmo que fosse, não poderia automaticamente presumir com toda a certeza que Harold saberia se ele fosse. Mas era sua melhor aposta, e acabara de jogar as cartas na mesa, apenas para esperar o resultado. Se estivesse errado, ao menos havia dado material suficiente para o capricorniano também pesquisar sobre o assunto.

    Isto é, depois da terapia. Provavelmente.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Jul 04, 2014 5:21 pm

    Retirava o tapa-olho amarrado em sua cabeça, para que facilitasse o trabalho de Rin. Havia fechado os olhos, esperando pacientemente o virginiano terminar de pentear seu cabelo para que pudesse cortar. Ficariam imersos naquele silêncio, onde apenas o barulho da tesoura picotando os fios grisalhos permanecia, se o mais velho não tivesse se pronunciado. Por sinal, interessando num assunto diferente - mesmo que não soubesse detalhadamente o que era "comum" ser tratado pelo mesmo em seus diálogos.

    Escutava atentamente as palavras serem ditas no tom de voz sereno de seu companheiro de elemento. Palavras estas que assumiram o interesse imediato do rapaz, fazendo-o minimamente mudar a expressão para algo mais atento, abrindo vagamente o olho direito, enquanto o esquerdo permanecia fechado. Curioso foi Rin, de uma hora para outra, conversar com ele sobre deuses e especificamente, Lilith. O Virgem tinha uma forma muito parecida com a sua própria de lidar com coisas: guardava para si mesmo até que se tornasse necessário dizer. Se o assunto vinha naquele momento, não era apenas por passa-tempo enquanto o mesmo terminava de cortar o cabelo do capricorniano. Mas por que Rin viria falar justo com ele? Era o líder agora, qualquer informação básica poderia conseguir nos arquivos da Central. A não ser que ele quisesse algo mais específico.

    Algo específico o suficiente para não conseguir no sistema. Algo que ele desconfiava que Harold soubesse, por isso tratava disso com ele. Se fosse Ren, não poderia assumir aquela linha de raciocínio, visto que o sagitariano falava de tudo com todo mundo. Mas Rin sempre tinha motivos para abrir a boca. As coisas foram se ligando na cabeça do Capricórnio.

    Hm. — Não precisou pensar muito tempo para responder, de forma tão direta quanto a do menor mais velho. — Você não é de jogar conversa fora, Rin. Deve saber que eu tenho conhecimento sobre essas coisas, afinal, assim como você é agora, eu já fui líder também. — Sem ressentimento algum nas palavras, obviamente, afinal a razão de ter perdido o cargo foi por uma falha unicamente sua e reconhecia isso. — Tem alguma razão para perguntar isso diretamente à mim? Posso pressupor algumas coisas. Nós dois não temos tanta ligação um com o outro, não concorda? Acho que eu não estaria errado em presumir que a sua intenção não é saber algo de mim, mas sim, relacionado a alguém próximo à mim. Afinal, o que é da minha alçada não é do seu interesse. — Não conhecia bem o Virgem, mas sabia bem que seus signos eram compatíveis por terem tantas semelhanças um com o outro. E da mesma forma como Harold não via interesses maiores em Rin, o contrário também tinha alta probabilidade de acontecer.

    Pois bem. O corpo que Lilith escolheu para possuir. Por qual motivo isso te interessa? — Mas é claro que não daria informações gratuitas, sem querer outras em troca. Afinal, principalmente para o Capricórnio, nada era de graça. Mesmo que o que fosse da alçada de Rin não interessasse à ele, talvez alguém relacionado à ele, sim. Enquanto isso, apenas esperava o rapaz terminar de encurtar seu cabelo o quanto fosse necessário, ainda, sem se mexer tanto.
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    Rin Damien
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 04, 2014 8:22 pm

    Sabia que Harold possuía um entendimento rápido, e que não seria uma tarefa difícil obter informações se ele as tivesse. O que era quase uma certeza, ao ver que o assunto despertara a atenção alheia, porém, não como exatamente uma surpresa. Se ele seguira toda aquela linha de raciocínio – correta em todos os aspectos - e perguntava especificamente o porquê disto o interessar... Certo, era uma pergunta válida, porém o capricorniano a faria, se não soubesse de absolutamente nada? Ele, como o próprio Rin, não perdia tempo no que não o interessava. Apenas se falasse, teria algo mais concreto. Capricórnio. Não deveria esperar menos. Era uma aposta que teria que continuar fazendo, por mais cuidadoso que tentasse ser.

    O sorriso na face do virginiano se tornava calculista, ao que terminava de cortar o cabelo alheio. Absolutamente impecável. Bem melhor do que anteriormente; até teria fornecido um espelho para o albino olhar para a obra de arte que fizera, porém, tal objeto não deveria se encontrar naquela sala específica, sem falar de que Harold provavelmente não fazia questão de ver. Deixou a tesoura em cima da mesa do local, em seguida se sentando em outra cadeira, em frente ao capricorniano. Deixara apenas o silêncio reinar até então, o que nunca fora problema algum entre os dois, enquanto pensava no que seria exposto ao outro.

    - Em primeiro lugar, você está certo. A informação que eu procuro não tem a ver com você. Mas, deixando isso de lado por um momento, me deixe dizer: Lilith é uma ameaça que já está presente, aparentemente. Só que Abel, mesmo sabendo disso, não diz quem é o recipiente dela. - Dizer que Abel o contara já era o suficiente para outra suspeita ser criada, porém continuou. - O que me faz pensar que é alguém ou dos regentes, ou do conselho supremo. Agora, já que eu estou presumindo que é alguém dos regentes, e alguém próximo a você, acho que você pode deduzir outra informação sozinho, se tiver conhecimento o suficiente sobre isso. Então? – Talvez não estivesse sendo direto com a parte mais importante das informações, mas ao mesmo tempo que não queria fornecer tudo, também queria ver até onde a capacidade de dedução de Harold o levava, apenas por ser algo interessante de se observar. Também, já havia dito algo, e esperava o mínimo em troca para ter alguma noção de se estava certo. Talvez parecesse complicado a qualquer um que observasse, mas não era apenas natural para mentes afiadas, e extremamente parecidas?


    Última edição por Rin Damien em Qui Out 01, 2015 8:08 pm, editado 1 vez(es)
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Jul 04, 2014 9:19 pm

    O micro pelo macro. Sabia que a filosofia virginiana, de se concentrar nos míseros detalhes para pensar em algo maior, não o decepcionaria. Rin era uma pessoa observadora e, até poderia acreditar em sua possível preocupação com o recipiente de Lilith ser um dos regentes, já que era um dos líderes. Mas, uma de suas desconfianças iniciais também o fazia questionar se era por pura responsabilidade como líder, que fazia Rin se preocupar com aquilo. Convivia com o Virgem e com o Sagitário tempo suficiente para não ser imbecil ao ponto de não notar suas semelhanças físicas. Sabia que tinham sobrenomes diferentes, mas a semelhança tornou-se quase impossível de se ignorar, ainda mais quando Ren deixou a raiz loira crescer. Da mesma cor dos fios loiros de Rin. Além também, da semelhança dos nomes dos dois.

    Ren era idiota, apesar de experiênte. Rin sabia pensar mais além. Não iria demorar tanto para que o próprio tivesse noção das possibilidades. Porém, o assunto tratado ali era outro, que poderia, ou não, ter ligação com aquilo. Embora potencialmente teria a ver, sim. Olhava para o lado, não vendo os fios brancos caídos em seus ombros. Apenas uma pequena mecha cortada que prendera na manga de sua camisa. Assoprou-a, antes de responder ao Damien.

    Difícil ser alguém do Conselho Supremo, já que Lilith necessita de uma mente frágil para se alojar. Eu ficaria decepcionado se houvesse alguém assim assumindo um posto tão importante. — Levantou a perna esquerda, apoiando o tornozelo por cima do joelho da outra. Entrelaçou os dedos e apoiou os cotovelos na perna apoiada, assumindo uma posição mais relaxada. Conversar com Rin estava sendo um passatempo agradável, até. Fazia tempo que não dialogava de forma inteligente com alguém. — Você tem um bom raciocínio lógico, Virgem. Gosto de você. Sim, é o Ren. — Se mesmo o mais velho já sabia, não tinha porque ficar enrolando. Zion era seu irmão, o conhecia desde quando deu com a cara no chão e perdeu o primeiro dente de leite. Apesar de ser meio perturbado, não tinha simplesmente nenhuma maneira dele ser o recipiente correto. A única opção restante era a puta anã, com quem tinha uma relação mais intensa que o recomendável. Mas também, a certeza disso não era apenas mera dedução.

    Mas, antes de te esclarecer como eu sei dessa informação, eu gostaria que me dissesse o real motivo disso lhe interessar. Se fosse apenas uma preocupação de líder, talvez você entederia as razões de Abel para esconder de você, ao invés de vir perguntar a mim para ver se descobria por conta própria e, também, por debaixo dos panos, eu presumo. Você não faz o tipo curioso à toa. E se me permite fazer uma observação... — Estreitava o olhar, agora tendo o vislumbre de mais uma possibilidade. Vários fatores em sua mente uniam peças, uma de cada vez, relacionando quais se encaixavam e descartando quais não. Suas deduções nunca falhavam por conta de tal método e é claro, de um grande senso de observação. Sabia bem também que, não era o único signo do Zodíaco a ser privilegiado por uma atenção tão afiada. Rin o entenderia. — ... Você mesmo já deve ter percebido que é quase um espelho do Ren. Não quero ser precipitado em imaginar coisas, mas supondo que vocês tenham algum tipo de conexão. Seu interesse por Lilith e seu recipiente tem algo a ver com você mesmo, talvez? Algo que envolva você. Me corrija se eu estiver enganado.
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    Rin Damien
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 04, 2014 10:02 pm

    Novamente, a habilidade de raciocínio de capricórnio estava longe de decepcioná-lo. Era tão diferente, conversar com alguém que estava, até não no mesmo nível que o dele; possivelmente em um superior. Fez também uma nota mental para varrer o chão do local quando a conversa terminasse, sendo impressionante o fato que de que não estava classificando uma conversa como irrelevante e priorizando limpeza. Não, aquilo o interessava. E a única resposta que queria foi apresentada bem à sua frente, assim como suspeitava. Ren era Lilith. Poderiam ainda existir dúvidas quanto ao parentesco dos dois? E, se Harold sabia, significava que Ren sabia? Se não fosse o caso, algo teria que ter acontecido com o sagitariano envolvendo diretamente a deusa, e se o regente de capricórnio sabia, seria por um destes motivos.

    Havia obtido a resposta, mas havia ainda partes do quebra cabeça a serem completadas. Observava Harold atentamente, o sorriso nunca deixando seu lugar, a postura perfeita na cadeira. Agora era a vez do virginiano fornecer informações. O albino novamente chegara à conclusão correta. Era claro que não iria ao ponto de tentar descobrir informações confidenciais por outros, se não o envolvessem em primeiro lugar. Certo, envolviam também o destino do mundo, o que fazia parte, e de forma alguma espalharia o conhecimento aos quatro ventos, porém, informação era poder. E poder era algo importante quando se estaria lutando contra algo muito mais forte e destrutivo do que ele próprio.

    Porém, claro, teria que lutar contra tal coisa justamente por ser o recipiente ideal de outra força. Poderia tentar não jogar todas as cartas, contudo, refletiu por um segundo. Ainda queria saber o que faltava, e Harold era alguém, mesmo com a psicopatia – que logo seria tratada – que não usaria estas informações de qualquer forma. Certo, era próximo de Ren, porém o signo botava a razão em primeiro lugar. Sendo assim, decidiu ser direto.

    - De novo, acertou. Na verdade, a resposta é bem simples, apesar de que futuramente, as coisas vão se complicar. Mas não há como evitar. Primeiro, Abel me contou isso apenas por uma razão. Lilith é a força que, com outras pessoas, já está tentando puxar a balança do mundo para o mal, e isto nos incluirá logo, logo. O que aconteceu com Heike talvez seja relacionado a isto. Só que claro, para se opor ao mal, sempre existiu uma força boa, já que a balança precisa ser equilibrada. Gaia, no caso. E o quão ideal seria que os recipientes para os dois deuses sejam ligados por um laço familiar? – Falara de uma forma sutil, porém, todas as informações estavam ali. No entanto, continuou, acrescentando o que mais tarde teria de falar, de qualquer forma. – Ren é meu irmão mais velho. Ele não sabe. Abel não queria que eu soubesse, mas foi fácil o suficiente conectar os pontos quando ele desliza tanto em uma conversa... E eu não quero que Ren saiba, por enquanto. Já que tudo isto está conectado... é complicado. – Esta última frase fora em parte uma mentira, sem qualquer mudança de tom ou postura para sinalizar tal ação. Não era a razão total de não querer que o sagitariano descobrisse, apesar de que "é complicado" resumia muitas coisas. Não sabia se enganaria o capricorniano, mas isto não era relevante no momento.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Jul 05, 2014 1:18 am

    Um simples arquear de sobrancelhas foi suficiente para demonstrar que tudo havia sido esclarecido, então. Pelo menos para si, por enquanto. Se atreveu a soltar um riso abafado e curto, ao imaginar o quão caótica era aquela situação. Distraía-se por um momento, pegando-se a refletir sobre o que tudo aquilo significaria para todos eles futuramente. Era incrível. A proporção do que aquilo causaria estava além de sua imaginação.

    Inevitavelmente, Lilith em algum momento incorporará Ren, por mais que ele se fortaleça mentalmente. Como o próprio Rin disse, essa maldita já está começando a mover os pauzinhos e vai usar, sem a menor piedade, todas as marionetes ao seu dispôr. Kain, os pecados e até mesmo Ren. Seria um favor que Heike nos faria de não se tornar uma das marionetes dela também. Gaia tem a nós, no momento, mais fracos que os pecados. Duvido que Abel consiga vencer Kain, que é movido pelo ódio puro. Rin, incorporado por Gaia, pode até ter uma chance contra Lilith no corpo de Ren. Mas se nós não estivermos à altura do resto, de nada adiantará. Pensamentos preenchiam a mente do capricorniano, que calou-se durante exatos três minutos, olhando fixamente para um ponto aleatório no meio da parede atrás de Rin.

    Algo de um calibre tão grande com certeza é de conhecimento de Abel, mas a razão verídica para ele não querer contar não deve ser exatamente para proteger Ren. Abel não sacrificaria a segurança de todos os outros guerreiros para salvar um em especial, mesmo que seja seu amigo. Então, por quê? E por que não contar à Rin? Já que ele é recipiente de Gaia, deveria ter todo o direito de saber, a não ser que o próprio Abel não quisesse isso. Mas a razão para isso talvez não fosse... O próprio Rin, ou Ren, saberem disso... Mas sim...

    As coisas estavam começando a se encaixar de forma empolgante. Mesmo que Rin estivesse ali apenas para saber algo que envolvia a si mesmo, pensava se ele não se interessava por algo mais. O olhar de Harold desceu até encontrar os do Virgem e ali ficou, encarando-o fixamente até voltar a falar.

    Você é o líder, agora. Você e o Touro. Nero no momento deve estar ocupado com algo que não é da minha conta, mas o que vou dizer à você é algo que devemos contar para poucos. E sim, estou excluindo desses "poucos" alguns regentes, que nem eu sei dizer com certeza quem seriam, apesar de ter meus palpites. — Pausou mais uma vez, sem mais delongas. — Ren não faz a menor ideia de que é recipiente de Lilith. Eu pretendo contar isso à ele quando me certificar de que ele não vai virar do avesso por saber disso. Quando perceber que ele terá controle mental para suportar. Porém, no salão Observatório, Lilith fez uma breve possessão nele e falou comigo. Disse que não faltava muito para que conseguisse se apossar totalmente de Ren. Que ele se perderia se ela o fizesse, e faria. Permitir que Lilith possua o Sagitário é basicamente assumir nossa derrota, mesmo que você esteja disposto a servir Gaia. Ela só não plantou o caos total porque não consegue usar totalmente seus poderes sem um corpo físico. Ren é a chave da porta que a trará para esse plano e, quando isso acontecer, não sei se há métodos para expulsá-la dele e ela não vai se conter por "se importar" com seu hospedeiro. Nós estamos em ampla desvantagem também em guerreiros, por enquanto. Sei que Abel já tomou as medidas para isso, mas Kain não vai sentar e esperar que fiquemos fortes. O relógio está andando e a favor de Lilith.

    Levou a mão mecânica até a nuca, passando-a ali. A prótese era conectada aos seus nervos, permitindo-o obter o pouco tato natural de seu corpo. O pescoço exposto pelo cabelo curto estava levemente frio, mas de certa forma, fazia realmente um bom tempo que não tinha o cabelo tão curto. A falta de peso era até mesmo relaxante. Não ligava para o visual, mas estava agradável a nova sensação. Todavia, mesmo pensando nisso, não desviara a atenção do assunto.

    Quanto à restringir essa informação de alguns regentes... Abel não contou à você por precaução. Louis foi uma das marionetes de Kain, não sabemos se há outros como ele por aqui, sabemos? Não acho que Abel considere que você seja um traidor, mas também não acho que ele se daria ao luxo de você ficar sabendo de algo e vir, por exemplo, perguntar à alguém sobre um assunto que ele quer manter segredo de ouvidos traidores. Mas como é um pisciano imbecil, típico jupiteriano, não sabe controlar a língua enorme que tem. Abel suspeita de mais uma traição, além da de Louis e pior, de alguém que está sabendo se esconder muito bem de nós. Por isso os segredinhos daquele sonso maldito. Ele tem sorte de ter cuspido informações para alguém inteligente, porém sensato, como você. — Parou e voltou a pensar. Ainda analisava os poréns e provavelmente o faria durante um bom tempo. Mesmo que a terapia que estava por vir pudesse perturbá-lo um pouco.

    Por sinal, sobre Ren ser o seu primogênito... — Inclinou-se para frente, levando a canhota até o ombro alheio e pousando-a ali, dando leves tapas no mesmo. — ... Sinto muito. Mas não se preocupe. Sobre esse assunto, eu não tenho nada a ver. Mas não acho justo que ele não fique sabendo que é seu irmão. Porém, o seu "complicado" não é do meu interesse, então, resolva-se com ele sozinho. — Não diria nada à Ren, por consideração ao Virgem e, também, porque realmente aquilo não era problema seu.
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    Rin Damien
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Sab Jul 05, 2014 8:14 am

    Esperou Harold absorver a informação e refletir sobre ela, o olhar nunca deixando o alheio, mesmo que este estivesse focado em outra coisa. Talvez pela primeira vez que falara com aquele regente, sentia algo como impaciência para obter o resto das informações, para o silêncio agradável ser quebrado. Porém, cada um com o próprio tempo de reflexão. E, quando ele finalmente expôs o que queria saber, as informações, apesar de preocupantes, eram de uma relevância absurda. Lilith era preocupante, e se o treinamento de Ren não fortalecesse de imediato a mente alheia... Isto sem falar nos outros guerreiros, porém naquele caso, qualquer atraso com uma possessão definitiva era crucial para o futuro da nave, e mais amplamente, do mundo.

    E outro maldito traidor. Agora finalmente poderia dizer que entendia um pouco o que Abel estava pensando. Ele não era tão sonso quanto parecia, então. Alguém tão bom em mentir que ninguém suspeitara até então. O que significaria um erro tremendo se Rin tivesse ido para a pessoa errada buscando aquele tipo de informação. Continuava fitando o capricorniano, sem qualquer mudança de expressão. Se Harold fosse um traidor, duvidava que lhe dissesse tudo que precisava saber, e duvidava que iria querer contar sobre Lilith ao sagitariano. Porém, o fato era, o traidor era bom no que fazia. No entanto, não conseguia acreditar muito que o regente de capricórnio o seria. Ele era honesto demais, e não no bom sentido. Se havia algo ruim que precisava ser dito, o virginiano o fazia, sem problemas. Já Capricórnio falava tais coisas sem precisarem ser ditas. Ao menos, este.

    Quase ignorou a demonstração de “simpatia”, mesmo que no fundo o agradecesse por dizer que não contaria nada a Ren. Porém, no mesmo tom suave de sempre, ainda que com uma ponta que poderia ser considerada como amargura, retrucou. – Não planejo esconder dele pra sempre. De fato, com tudo isso, planejo falar antes que Lilith o possua, de preferência. Mas, não vai adiantar de nada falar algo sobre isso agora. Quando for o momento certo. Talvez dê mais forças a ele para resistir, mesmo que o fato não me agrade. – O fato deles serem irmãos, quis dizer. E, é claro, mesmo que planejasse usá-lo, não havia porque não fornecer um pouco de esperança enquanto não achavam o pai, o que levaria à traição da confiança do Sagitário. Esperava que isto fosse depois que o mundo estivesse salvo, pois com o desequilibre emocional que suas ações poderiam causar no outro... Teria que pensar nisto também. Qualquer coisa que ajudasse Lilith não era uma opção para aquela época.

    - Tudo isso me preocupa. Acho otimista demais achar que ficaremos, em qualquer momento, à frente de Lilith, dos pecados, e de Kain. Mas não temos muitas opções. Se não conseguirmos ao menos acompanhá-los, significa morte para tudo que conhecemos. – Apenas os fatos. Teriam que se esforçar em um nível além de qualquer outra época em suas vidas, e também contar com planejamento, e com o Líder do Conselho. Abel poderia ter muitos defeitos, mas era importante que confiassem nele. Mesmo sem Louis, os outros guerreiros não eram de todo confiáveis.  – Vou tomar mais cuidado com minha curiosidade, também. Já tenho tudo que preciso saber. Aliás, acho mínima a chance de você ser um traidor, apesar de não nula.  – Não precisava esconder tal fato. Acreditar em qualquer outra coisa era estupidez. Contar para “poucos”, na própria opinião, era o mesmo que contar para ninguém, por enquanto. Passaria a investigar sozinho as possibilidades de traidores. Sozinho... Ou quase. Agora tinha quase um aliado com informações, que estava prestes a passar por uma terapia intensiva a qual ele poderia nem sobreviver.

    - Foi bom falar disso com você. Se sobreviver até a condição de poder descobrir mais, vamos compartilhar o que achamos. Trocas, certo? – E ali estava, mais uma aposta, praticamente. Um estranho voto de confiança, mesmo que a possibilidade não fosse zero de Harold ser o traidor. Era perto o suficiente do número para julgar poder fazê-la. Se estivesse errado, no fim, também teria alguma vantagem, informações fornecidas a si, que é claro, seriam averiguadas. E também não via necessidade de esconder o risco do que estava prestes a acontecer ao outro; não era como se ele não soubesse. – Então, vamos voltar à terapia, sim?


    Última edição por Rin Damien em Qui Out 01, 2015 8:21 pm, editado 1 vez(es)
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Jul 05, 2014 3:07 pm

    Não sou o único que gosta de analisar os outros, hm. Não era difícil perceber que Rin, apesar de sua sutileza, o analisava. Provavelmente, considerando as possibilidades de ele mesmo ser o traidor. Imaginava que isso aconteceria, uma vez que suas últimas atitudes não tenham sido nada favorecentes para com seus próprios companheiros. Principalmente, para com o próprio Heike. Além de sua própria psicopatia ser um fator para que se duvidasse dele, porém, Rin parecia conhecer seu companheiro de nave. Bem o suficiente, pelo menos, para saber que sua personalidade não o deixaria servir à alguém movido pela emoção, como Kain. Nem mesmo serviria à Abel, que é outro estúpido, se não fosse sua penitência. Se perguntassem à Harold o que ele achava de toda aquela guerra, quando prestava os testes por obrigação, ele diria que tudo aquilo era ridículo. Guerras eram comuns na humanidade e, se agora envolviam deuses, então os próprios são tão imbecis quanto os humanos. Que todo mundo definhasse, então.

    Mas agora poderia dizer que não tinha muito mais com o que se entreter. Então, estava curioso para ver como poderiam superar aquilo. Afinal, era de seu signo ter essa vontade petulante de superar obstáculos como provação própria. Acabou se envolvendo tanto no que deveria ser uma mísera pena, que olha só: já estava montando teorias em sua mente sobre o assunto. Ele não tinha motivos para servir Abel, fora sua obrigação com a lei. Mas, realmente, servir ao lado mais fraco era sempre mais divertido.

    De fato, seria otimismo achar isso. Mas um desafio interessante para nós mesmos. Não é como se tivéssemos outra escolha, também. E sei que não sou cem por cento inocente da lista de "possíveis traidores". Mas, não conhecemos nossos guerreiros bem o suficiente para apontar quem é plenamente confiável ou não, então, pode-se dizer que a ficha de todo mundo não está branca de fato. Apenas, cinza. Alguns mais claros que outros. Ninguém aqui tem como provar que é totalmente inocente, afinal. — Para isso receberiam treinamento, também. Embora fosse preocupante saber que, quem quer que fosse o traidor, também evoluiria ao nível deles. Porém, era até mesmo difícil imaginar Rin sendo um traidor. A maior prova disso era a possessão de Gaia. Um deus de tal calibre não possuiria alguém com a índole duvidosa. Talvez, a ficha de Rin fosse a mais clara de todos ali.

    Oh, não se preocupe. Eu com certeza sobreviverei. "Vaso ruim não quebra". — Desdenhou, fazendo sempre pouco caso de situações ruins para si mesmo. Talvez estivesse acostumado com aquilo. Apoiou novamente o pé esquerdo de volta ao chão, batendo as mãos nos joelhos e levantando-se da cadeira. — Sim, realmente foi bom ter essa conversa. Tratarei de manter o novo líder informado de novidades. Trocas, afinal. — De fato, um estranho voto de confiança. Uma aliança entre os dois cérebros do Zodíaco, o que o fazia pensar porque não o tinham feito anteriormente.

    Muito bem. Voltemos à minha sessão de tortura, então. Cuide bem de mim, curandeiro. — Agora, deixaria o resto dos procedimentos com quem entendia do assunto. Mas observaria, de toda forma. Confiava nas habilidades de Rin como médico, mas estava curioso para ver como e o que seria feito em si mesmo. Se sentia um rato de laboratório, mas não era tão ruim. Já havia aceito, de toda forma. Mesmo que em momento algum tivesse pensado em voltar atrás. Não mesmo.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jul 07, 2014 2:37 pm

    Não poder confiar completamente em ninguém não era um conceito estranho a Rin. Enquanto nenhum dos regentes tinha sua total confiança, no entanto, havia algo mais essencial que poderia se mostrar um perigo, principalmente se alguém os traísse no meio de uma situação como a de Heike. Nestes casos, confiar nas ações um do outro era imprescindível. Se até isto não pudessem fazer... Poderiam se achar em situações muito mais graves do que a anterior. Porém, não havia jeito de contornar o problema até saberem com certeza quem era o outro traidor e se existiam mais naquele meio. E Abel era o único que podia dar esta carta branca a todos, mesmo tendo momentos clássicos de alguém regido por peixes. Quando ele divulgasse informações vitais a todos, apenas aí teriam a certeza.

    Não sabia se Harold tinha conhecimento de todos os efeitos que a terapia teria sobre ele, e, mesmo se tivesse, se os estava subestimando. – Tudo que posso fazer é desejar boa sorte, e bom. Tentar impedir sua morte. Nem eu sei todos os resultados que essa terapia pode ter em você. – Levantou-se também, observando o chão à sua volta. Cheio de mechas brancas, vindas do corte do cabelo alheio. Pela primeira vez na vida comunicaria a alguém para limpar o que ele próprio sujara. Se começasse qualquer atividade de limpeza, não pararia até a sala toda brilhar. – A terapia vai acontecer em uma sala mais equipada para isso. É no fim desde corredor. Vamos.

    Pegou a prancheta que previamente analisava antes do capricorniano chegar, e se direcionou até a sala mencionada, os dois voltando ao silêncio natural. O local era completamente branco – uma alegria para Harold, tinha certeza – com uma cadeira extremamente similar a uma de tortura no centro. Um pouco afastado da mesma, uma mesa normalmente encontrada na área médica, com vários materiais e substâncias necessárias para auxílio do paciente. No canto mais perto da porta, havia várias telas e painéis que deveriam monitorar o estado do outro, e uma cadeira na frente dos mesmos.  

    Não precisou dizer ao albino para sentar-se, e passou a passar pelos os procedimentos, um por um, os explicando enquanto o fazia. Ele seria restringido em várias partes diferentes para contê-lo e o impedir de machucar tanto a si mesmo, quanto qualquer um. Braços. Pernas. Pescoço. Em seguida, conectava os fios que permitiram as imagens a se conectarem com o sistema límbico alheio, o que fazia ser impossível que, mesmo que ele fechasse os olhos, não visse as imagens, e também dava forma à terapia; era o que o permitira associar o que visse a sensações ruins. Tendo isto feito, um capacete conectado à cadeira era posto na cabeça de Harold, a fonte primária de tudo. Quem havia inventado esta terapia ou era um gênio ou alguém igualmente afetado. – Agora, antes de começar, uma última coisa. Você vai estar completamente anestesiado. Não vai poder se mexer até o término da sessão, e possivelmente um pouco depois, onde vou examinar suas modificações e os efeitos colaterais a cada dia. Depois, vou querer falar com você, para analisar seu estado mental. Comecemos, então.

    Pegou a seringa, a enchendo com a substância certa, e a aplicou no braço de Harold. Se perguntava se no decorrer da terapia teriam maiores problemas, além do esperado. Duvidava que mesmo que fosse algo muito usado no meio da medicina – o que não era – que os resultados fossem iguais de pessoa para pessoa. Agora, só restava observar, pronto para qualquer mudança. Se dirigiu à cadeira em frente aos monitores, observando o regente de capricórnio de canto. Tudo aquilo era uma consequência das ações alheias. Não sentia pena alguma do mesmo, ainda que tivessem acabado de formar aquela estranha aliança. Se ele sobrevivesse, ótimo. Se não, uma pena. E assim, ligou a máquina.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Jul 14, 2014 8:38 pm

    Seguiu o virginiano até a sala recomendada, sentindo-se levemente curioso só pelo fato de terem que mudar de local. Sabia o que aconteceria consigo durante os procedimentos, mas não tinha ideia de que tipo de máquina o aguardava. Talvez, por sempre andar com Zion e por ser o herdeiro de uma empresa pioneira em tecnologia, Harold nutria um intenso fascínio por assuntos como aquele. Mesmo que a máquina em questão, pudesse ser a responsável pela sua possível morte. Já na sala adequada, não conseguiu achar um resquício sequer de seu entusiasmo anterior quando viu aquele flash branco lhe invadir a vista. Em silêncio, claro, deixou apenas o reflexo falar, inconscientemente levando a mão ao o olho, com violência. O corpo cambaleou no mesmo instante, mas não o suficiente para que perdesse totalmente o equilíbrio. Virou-se de lado, como se aquilo fosse amenizar a enorme claridade do local, mas pelo menos, esperou sua vista se acostumar. Teve um olho perfurado, e sua fotofobia conseguia lhe provocar mais agonia do que aquilo. Chegava a ser cômico, mas talvez, porque o pegara realmente desprevinido. Embora locais extremamente claros fossem comuns na Ala Hospitalar.

    Mantendo o foco, não serviria de atraso para o Virgem apenas porque era cegueta, então balançou a cabeça, permanecendo com o olho semi-cerrado e o cenho franzido. O humor de Harold não era instável como os regentes de fogo, muito menos sensível como os de água. Era um humor estabilizado no modo "ranzinza" que de vez em quando trabalhava no sarcasmo. Porém, quando coisas como aquelas aconteciam, todo o sarcasmo perdia a graça e só restava o típico Harold de cara fechada. Dispensava qualquer tipo de diálogo - exceto os REALMENTE indispensáveis - e propenso a ser um ogro ignorante com qualquer um, inclusive com Gaia, se ele incorporasse Rin naquele instante.

    Deixou Rin com os preparativos, não iria conseguir observar nada daquela forma, mesmo. A lente de contato que usava não era como seus óculos, que filtravam parte da luz, o que amenizava e muito sua fotofobia. Tinha todas as funções, mas não teve tempo suficiente para configurar aquela função, então, sofreria calado. Talvez fosse conveniente um olho mecânico que pudesse privá-lo daquela irritação constante. Pensaria melhor naquilo depois. A ideia de estar se tornando, aos poucos, um ciborg, não lhe era desagradável também.

    Porém, dispersando-se de qualquer pensamento paralelo, percebeu que aquele local parecia ter sido preparado especialmente para a sessão que aconteceria consigo. Aquela era a primeira vez que entrara naquele lugar, mas já sabia que entraria ali até começar a desprezar o local. Então já começava a desprezá-lo de antemão. Sentou-se na cadeira e achou um pouco de graça sobre o quão similar ela era à uma cadeira elétrica. Eu deveria dizer minhas últimas palavras? Zombou em pensamento, dando de ombros e permanecendo quieto, aguardando Rin lhe prender na cadeira. Imobilizado, quase literalmente, dos pés à cabeça, pensou se sentiria tanta vontade de se debater assim - como a estrutura do assento sugeria. Deveria começar a se perguntar se aquilo já havia sido testado em alguém, ou se estava servindo de cobaia? Hm... Não.

    Se eu conseguir falar depois disso tudo, sem problemas. — Sabia que não morreria. Era resistente e tinha noção daquilo. Mas é claro que sabia que não levantaria da cadeira, daria um tapinha nos ombros de Rin e se despediria até o dia seguinte, para a segunda sessão. Não estava tendo a terapia acompanhada pelo curandeiro mor só por consideração dele. Por sinal, seria tudo, menos consideração. Embora aquilo não o deixasse ansioso, muito menos nervoso.

    Sua visão havia escurecido graças ao capacete e, de certa forma, aquilo o aliviou um pouco. Toda sua estrutura física adormeceu por completo assim que fora anestesiado, mas não sentia sono. Pelo contrário. Era como se seu corpo tivesse dormido para manter sua mente mais acordada ainda. Não escutava nada do ambiente exterior. Não escutava qualquer ação de Rin, nada. Estava fechado numa bolha mental escura e isolada do mundo externo. Um zunido vibrou em uma direção que não reconheceu. Ruídos distorcidos e intensos invadiram sua audição numa altura agonizante, que o forçou a conter a respiração por reação natural. Aquilo não o deixaria surdo, pois não eram seus tímpanos que estavam sendo afetados. Tudo era apenas captado diretamente pelo cérebro, sem danificar o restante dos órgãos. Da mesma forma, Rin não seria capaz de escutar do lado de fora.

    Uma imagem pequena foi exibida no interior do capacete, dando a impressão de estar muito longe. De maneira repentina, a imagem aumentou e muita coisa não dava para ser definida de imediato. A resolução da imagem era péssima e se distorcia de maneira perturbadora em ritmo com o áudio. Entediado estava? Poderia estar. O psicológico de Harold permitiria que ele estivesse bocejando com aquilo tudo. Porém, começava a suar frio. A respiração se descompassava aos poucos e, mesmo anestesiado, os dedos das mãos se mexiam pouco, na tentativa de apertar o braço da cadeira como reflexo de inquietação. Os dedos dos pés se apertavam contra o chão e todo seu corpo se encontrava contraído, tenso. Queria saber porque estava reagindo à algo tão estúpido como imagens sem nexo e barulhos ensurdecedores aleatórios. Mas mesmo que a resposta fosse mais óbvia do que "2 + 2 = 4", ele não conseguia raciocinar. Não conseguia pensar em nada.

    Os sons e imagens começaram a tomar forma reconhecíveis depois de alguns minutos. Nada nítido, mas seu subconsciente captou a mensagem. Gritos. De homens, mulheres, crianças, animais... Gritos de seres que Harold conhecia muito bem. Pensou que aquilo o relaxaria, mas foi o contrário. Cada parte de sua mente desejou, assim que entendeu o som pela primeira vez, que aquilo parasse. Seu orgulho queria achar graça naquilo, queria forçá-lo a rir, como naturalmente faria em outra ocasião. Mas algo irritante não o deixava se sentir assim e, dentre as imagens, reconheceu uma figura humana ao fundo, no meio de riscos e desfoques, além de um contraste perturbador de cores vivas e mortas. O vulto, deitado, porém visto de cima, se contorcia parecendo estar preso pelos pulsos e tornozelos. A imagem desaparecia e aparecia novamente, em tamanhos diferentes; ora mais perto, ora mais longe. Os ruídos e gritos se misturavam e pareciam uma coisa só. Os membros do vulto se retorceram para lados bizarros, mas não o impedindo de agonizar. Não foi preciso mais do que aquilo para fazer a mente do albino associar por si só, já que ele havia feito aquilo. Reconhecia aqueles movimentos, aqueles deslocamentos, todo aquele contorcionismo. Era um rapaz não muito mais velho que ele, que Harold torturou, destroncando seus membros, retorcendo-os até que a carne rasgasse e abrisse por si só. Retirara à força e manualmente toda a pele de seu rosto, lavando a carne exposta com uma garrafa de álcool qualquer. Lembrar dos nervos e dos músculos pulsando, o cheiro de sangue, as fraturas deixando os ossos expostos, os gemidos roucos de quem já não aguentava mais gritar...

    Um impulso em seu corpo, que não vinha de si mesmo, deixou-o extremamente enjoado. A anestesia o paralisou, mas não o deixou imune a dores internas. Todo o seu corpo - até mesmo as próteses, já que continham nervos artificiais - latejou absurdamente em ondas de dor constantes. Sua cabeça não era excessão, mas parecia ser a fonte de tudo. Um desconforto que nunca sentiu na vida praticamente o obrigou a querer urrar o mais alto que pôde, mas a anestesia o impediu. A dor e a agonia, por incapacidade de serem extravasadas, acumularam-se e pareciam aumentar mais ainda por isso. Entreabria os lábios o pouco que conseguiu, respirando mais pela garganta do que pelo nariz. Sentiria o gosto salgado do sangue que escorreu de uma de suas narinas, se seu paladar não estivesse totalmente dormente.

    As imagens foram se tornando levemente mais nítidas, e agora vinham em sequência, sem um nexo formado. Os gritos, hora ou outra, pareciam risadas, grunhidos. Suas entranhas se contraíram e vomitar sangue em suas próprias pernas não foi, de longe, o maior dos problemas. Porém, aquela reação pareceu despertar um pouco mais seus sentidos, dando-lhe a liberdade para grunhir. Há tempos já estava de olho fechado, mas por infernos, ainda via tudo nitidamente como se estivesse com os dois olhos enxergando perfeitamente. As próteses demoraram mais para respeitar seus comandos, mas foi de súbito quando os pulsos pressionaram para cima as barras de ferro que os prendiam. Se não estivesse anestesiado, sua força seria suficiente para arrebentar a estrutura da cadeira. Porém, com o nível de controle que estava, não conseguiria nem mesmo aguentar o próprio peso.

    Mais sangue.

    Os efeitos colaterais começaram em duas horas de tratamento - era este o tempo que Harold permanecia agonizando desde que Rin ligara o aparelho. As artérias do corpo albino estavam visíveis e o rapaz parecia mais pálido do que já era naturalmente. Seus ouvidos sangravam, seus olhos, as narinas e a boca. Sua cabeça parecia estar sendo pressurizada por dentro, tão potente era o efeito psicológico do tratamento. Mas, mesmo que os efeitos se concentrassem em sua cabeça, os sintomas que Harold sentia eram bem mais extensos. Duas horas pareciam ter sido dez e pela primeira vez em sua vida, o rapaz sentiu e reagiu à mais pura, plena e intensa dor e perturbação.

    Porém, por estar sofrendo efeitos colaterais, o tratamento não especificava necessidade de interrupção da sessão em suas instruções. Era como se aquele revertério fosse necessário também, para o procedimento ser um sucesso. Harold era o torturado da vez e experimentava na própria pele todo tipo de dor que já provocara em alguém — sendo tudo isso relacionado sistematicamente pelos fios conectados em sua cabeça, ao seu instinto assassino. Medidas drásticas para situações drásticas, de fato.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 18, 2014 2:27 am

    Após ligar a máquina, Rin sentou-se na cadeira perto dos monitores que analisariam Harold. Mesmo dali, estava extremamente atento ao que tinha que fazer, sabendo que todo o conhecimento que adquirira sobre a terapia e suas consequências eram tão imprevisíveis quanto o comportamento do regente de Sagitário. Seu irmão. Ao menos tinha esta noção, o que não faria da experiência mais fácil ou agradável para o capricorniano. O silêncio que antes já estava presente parecia se fazer mais pesado, com apenas os beeps extremamente baixos das telas à sua frente – as quais alternava o olhar entre elas e o paciente em si - o quebrando. Não fazia questão de barulho. No entanto, assim que qualquer alteração sonora surgisse, seria por problemas a serem resolvidos.

    Era um processo longo, tanto por precisar ser divido em várias sessões para não matar quem estivesse sendo submetido a terapia, quanto por ser necessário, a cada dia, infligir o máximo de dor para ser efetiva. O virginiano sabia porque estava ali. Não era completamente por ser o melhor, o chefe da equipe médica, nada daquilo. Não, ele podia se distanciar. Ele podia ver um companheiro de nave, de guerra, passar por uma tortura sem se afetar, o ajudando metodicamente, sem qualquer resquício de pena, ou desespero, ou sendo afetado pela noção de que aquilo poderia trazer a morte alheia. Qualquer alteração poderia levar a erros. Não conhecia outro curandeiro que poderia o substituir, naquele caso.

    O barulho dos monitores ficava cada vez mais alto, e até certo ponto, Rin não poderia fazer muita coisa. Grande parte daquela inconstância era necessária. Enquanto não houvesse risco de morte, ele apenas ajustara doses de medicamentos necessários para quando fosse realmente preciso. E, o que parecera grande período de tempo depois, chegara a hora necessária para agir. O monitor cardíaco sugeria que o albino estava extremamente próximo de um infarto; os outros estavam extremamente alterados, também, porém, eram menos preocupantes. Não podia ver o rosto de Harold, mas vira quando ele vomitara sangue anteriormente, e por toda a tensão do corpo alheio, imaginava que a situação por baixo do capacete era no mínimo... Suja. Nem naquela situação esta característica do próprio signo o deixaria.

    Se aproximou do outro, aplicando com uma seringa a quantidade exata da substância para ajustar os batimentos cardíacos alheios e ajudar na pressão sanguínea, o que tinha certa chance de não funcionar, dependendo dos efeitos da máquina no próprio Harold. Já para a dor, não poderia aplicar nada. Era parte necessária do experimento. Experimento? Talvez fosse uma palavra apropriada para se referir àquilo. O nível dos monitores pareceram abaixar por um momento após aplicá-los, porém, quando ameaçara voltar ao estado anterior, era sua deixa para parar o procedimento. Desligou a máquina e retirou o capacete da cabeça do outro, verificado que sua suposição anterior estava de fato, correta. Sangue parecia haver saído de todos os orifícios possíveis. Harold mal deveria ver com toda a claridade daquele lugar, com sangue nos olhos, então. Em uma nota positiva, não havia nenhum no cabelo alheio, por ele agora estar curto. Um pequeno sucesso.

    Não disse nada inicialmente, olhando mais uma vez os monitores e se voltando novamente ao paciente, examinando-o com tudo que era possível. O nível cardíaco, respiratório, a pressão e as ondas cerebrais do capricorniano pareciam estar voltando ao normal vagarosamente. Da pequena mesa perto da cadeira, retirou alguns panos úmidos, com os quais passou a limpar o rosto de Harold com suavidade e precisão. Ele ainda não deveria conseguir se mexer, quanto mais falar, depois da experiência. Rin ainda teria que conversar com ele, porém, sabia que esperar era essencial. Após o rosto do albino estar sem vestígio algum de sangue, o virginiano fez uma nota mental para dizer a ele para usar aquelas roupas para todas as sessões, porque não havia a necessidade de estragar e sujar várias.

    Sendo assim, puxou a cadeira em que se sentara previamente e a colocou em frente a elétrica, sentando-se em seguida para esperar sinais de vida do outro regente, não deixando sua atenção se desviar. Harold ainda estava completamente restringido, e isto não mudaria até que ele fosse liberado da sala pelo dia. Pensou em apagar as luzes para diminuir o estresse alheio, porém, descartou o pensamento. Ele aguentara algo similar a tortura intensa, se começasse a ter pena do estado alheio dele por causa de luzes, então seria hora de outra pessoa tomar seu lugar.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Jul 25, 2014 9:13 pm

    Não se sentia bem. Não se sentia nem um pouco bem. Era uma sensação porca de tão desagradável e nunca se importara tanto com o fato de estar todo sujo de sangue. Seu próprio sangue. Embora toda aquela tortura psicológica o tivesse afetado, física e mentalmente, depois que o capacete fora retirado de si, pode se dar o luxo de se sentir extremamente irritado. O sangue que saía dos orifícios faciais lhe impediam de raciocinar direito, visto que até pra respirar estava complicado. Um zunido permaneceu em sua cabeça, praticamente zerando qualquer tipo de lógica sobre o que quer que fosse. Sua vista, ruim como sempre, acompanhou o único movimento que percebeu à sua frente, não conseguindo reconhecer o que era de verdade. O silêncio no recinto foi começando a ser percebido por Harold, que devagar, foi recobrando seus sentidos. Não completamente, afinal ainda estava anestesiado, mas o necessário para perceber que Rin limpava seu rosto. Sua visão fixou-se no rosto alvo, tranquilo e embaçado do loiro. O ritmo de sua respiração foi estabilizando conforme conseguiu recompôr-se o mínimo.

    Alguns minutos se passaram e o albino permaneceu parado e calado. A franja do cabelo branco, mesmo cortado, ainda tinha um certo tamanho para manter o olho coberto. Abaixou a cabeça assim que Rin terminara de limpá-lo e sentara a sua frente. As imagens da terapia, há pouco tempo sendo exibidas freneticamente para si, não deixavam sua cabeça durante esse tempo silencioso. A dor que sentiu desapareceu no mesmo instante que o capacete foi retirado de sua cabeça, mas ainda sentia-se incomodado. Agora não era mais irritação. Harold dava-se o luxo de refletir sobre o que acabara de passar. A que ponto chegaria se passasse por aquelas sensações todos os dias? Ao ponto de desejar se matar caso seu cérebro saísse da linha? Era esse o objetivo. Agora que conseguiu voltar a raciocinar com clareza, finalmente entendia o propósito de estar ali. Aquela não era uma cura para psicopatia. Era literalmente uma lavagem cerebral, que o forçaria a agir como uma pessoa de sanidade lícita, com um caráter aceitável diante de qualquer sociedade civilizada. Em outras palavras, ele seria - e estava sendo - desumanamente forçado a se tornar mais humano. Tal conceito era tão perturbador que chegava a ser excitante. Mas é claro que, se fosse parar para analisar a forma como a mídia foi usada em sua mente, era óbvio que queriam tirar apenas seu desejo por carnificina. Sua frieza, apatia e demais características seriam modificadas somente para que não machucasse ninguém. Ninguém de bem. Suportaria aquilo? Suportaria. Agora que começou, não fugiria de forma alguma, mesmo que aquilo significasse o fim do verdadeiro Harold.

    Bom... — Levantou a cabeça, encarando o loiro com sua expressão mais neutra possível. Como uma montanha de gelo seco, assumia uma postura nada compatível com seu estado anestesiado e coberto de sangue. Mas parecia já conseguir falar, mesmo que em sussurros arrastados. — ... Se importa de tirar a lente do meu olho? Parece que o sangue tirou ela do lugar e agora está me irritando um pouco. Ela deve estar suja também, por isso.

    Aquilo não tinha nada a ver com a situação maior, mas não faria menção de sua situação original. As imagens ainda não saíam de sua cabeça e olhava para Rin como se olhasse para uma cadeira vazia. Não estava de fato incomodado com a lente, mas aquela frase era o sinal de que não havia enlouquecido de vez.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 25, 2014 11:16 pm

    O silêncio se estendera por um bom tempo, o que não poderia ainda ser considerado um mau sinal. Não era agora que o capricorniano se recuperaria de todo o trauma físico e mental que a terapia apresentava; muito pelo contrário. Porém as funções motoras básicas ele deveriam voltar sem maiores problemas, especialmente com os efeitos da anestesia se enfraquecendo a cada segundo. Continuou observando atentamente o estado alheio, até que finalmente Harold o encarou diretamente, quase parecendo a pessoa que sempre fora, como se nada daquilo o tivesse realmente o afetado. Quase. O sangue e a instabilidade da voz ainda eram perfeitamente notáveis.

    O pedido, também, fora algo tão comum, que Rin interpretou como um sinal da mente alheia, mesmo que perturbada, estar se normalizando. Não esperava que a terapia causasse sangramento até nos olhos, então não havia dito nada em relação à lente anteriormente, mas agora que sabia, ele não poderia permanecer com ela durante as sessões; ao menos o outro regente agora possuía um olho que via perfeitamente. Atendeu ao que fora questionado, antes se dirigindo a uma pequena pia para lavar as próprias mãos. Em seguida levantou a cabeça de Harold na direção da luz, separando as pálpebras do albino e retirando a lente com a ponta dos dedos, sem maiores problemas. A ação não durara quase nada, e ainda assim, chegava a ser engraçado o quanto o outro estava sendo exposto à luz cada vez mais.

    Deixaria o próprio Harold cuidar daquele objeto posteriormente, apenas se limitando a coloca-lo em um recipiente com um líquido esterilizado, de forma que não secasse. Então, retornou a cadeira, começando a direcionar perguntas básicas ao mais novo, agora que ele parecia estar responsivo o suficiente. O estado mental parecia em ordem. Tendo isto confirmado, soltou-o da cadeira, em seguida prescrevendo alguns remédios que ele teria que tomar apenas para reduzir, em parte, os efeitos colaterais. – É isso por hoje. Algo que queira comentar, ou que você precise? – Seu tom não mudara em todo tempo que falara, mesmo que suave, ainda com a neutralidade médica adquirida através dos anos.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Out 01, 2015 7:22 pm


    De fato, havia subestimado aquele processo de início. Achava que as coisas ficariam da mesma forma e realmente ficariam se o abalado não fosse seu psicológico naquela história. Aquela era a estrutura de praticamente tudo em sua vida, e agora sentia aquela enorme pilastra rachando aos poucos. A aparência de Harold tinha se tornado quase caótica desde a primeira sessão e piorado gradativamente até chegar ali. Raramente dormia, encurtando drasticamente as poucas horas de sono que se dava o luxo de ter normalmente. Entrara num processo de isolamento, ao ponto de sair do quarto apenas para as devidas sessões da dita terapia. Vazia dias que não via nem mesmo Zion. Nem café sentia mais falta. Talvez pela primeira vez na vida só trabalhava por obrigação e não por vontade. Vontade mesmo tinha apenas de ficar deitado, do jeito que estava naquele exato momento, com a cara enfiada no travesseiro e soltando grunhidos altos ou baixos, vez ou outra. Sentia os nervos do corpo estremecerem aleatoriamente, a cabeça pesava de maneira constante e sua mania de falar sozinho havia se tornado um constante monólogo de ora coisas cotidianas, ora absurdos que o faziam ficar enjoado e ir ao vaso vomitar. Aliás, vomitar já estava sendo um costume. Perdera uma boa parte de seu peso e dos músculos de tanto tempo ocioso, botando para fora quase tudo o que comia. Também adquirira manias inusitadas de mudar os móveis de lugar aleatoriamente, estalar os dedos dos pés mais vezes que o recomendado. Havia desligado o holograma de Arthemis depois da terceira sessão, quando começara a sentir seu raciocínio desobedecê-lo e desorganizar-se ao longo das horas.

    Aquele havia sido o primeiro sinal. Pensar nas coisas mais comuns era doloroso. Pensar era doloroso. Sentia como se seu corpo e sua mente tivessem se tornado dois lobos, dilacerando um ao outro incessantemente. Falar constantemente estava sendo sua única forma de se manter são, além do emocional naturalmente forte, embora propositalmente abalado. Não havia conseguido deduzir, mas era claro que o ponto crítico de mexer com o emocional de Harold, era quebrar principalmente seu racional. Deixar aquela caixa de concreto em ruínas para que pudesse mexer por dentro.

    O que deveria ser um sopro de alívio, também era quase um desejo. Aquela seria sua última sessão da terapia e não sabia exatamente o que esperar dela. Mas o resto de sanidade que lhe sobrara dizia para esperar o pior. Odiava a luz mais ainda depois daquele período encarcerado por espontânea vontade e Rin era o único que poderia não se surpreender com a aparência degradante do ex-líder, uma vez que o acompanhara até chegar naquele estado. Também parara de cumprimenta-lo depois de um certo tempo, começando a tratá-lo quase como parte da aparelhagem da sala. O caminho era único: a cadeira. Sentou-se ali apenas para que o médico fizesse as preparações que já conhecia e, mesmo que aquela fosse a última etapa, não tinha nada de diferente. Também não estava mais reparando nisso. Não queria saber nem se iria ou não sair daquela cadeira vivo, dessa vez. Só sentia algo estranho. Ânsia. Uma das sensações novas que ganhara. Esperava que não fosse permanente, pois era péssimo.

    O processo das etapas diferenciava de uma para outra, obtendo sempre reações violentamente agressivas diretamente no sistema límbico de Harold – que era muito mais apático que o de uma pessoa normal. Assim, despertar-lhe prazer era sempre algo extremo, que não era conseguido de maneiras convencionais ou comuns, levando-o inconscientemente a procurar formas diferentes para que encontrasse alguma graça na vida. Embora isso fosse um defeito genético, não era mais impossível de ser mudado, como era até algum tempo. Seu DNA continuaria o mesmo, mas a forma como o cérebro atuaria de agora em diante seria como acorrentar uma fera. Encoleirada, faria o que sabia fazer, mas antes que pudesse sair do aceitável, a corrente a devolveria ao seu lugar bruscamente. A terapia era a coleira da corrente. A corrente era o emocional artificialmente embutido e ligeiramente distorcido, em Harold. A fera ainda era sua mente. Adormecida, contorcida, agonizando.

    O risco de vida estava ali. Destroçar a mente era fatalmente destroçar o alicerce de um ser humano. Mas se chegasse a tal ponto, o corpo de Harold também não sobreviveria aos efeitos colaterais impostos pela terapia. Algumas sensações eram parecidas umas com as outras, embora não fossem idênticas, mas era impossível acostumar-se. Os fios conectados em sua cabeça derrubavam a parede que tentava erguer contra aquela invasão. Chegava ao ponto de não tentar mais relutar e só reagir como era obrigado. A anestesia aplicada parecia perder o efeito mais rápido a cada sessão e mesmo assim, naquelas condições, não conseguia cogitar se era proposital ou não. Assim como não havia reparado que daquela vez não tinha recebido anestesia alguma. Tudo o que sentira das outras vezes era agora captado com perfeição por todos os seus sentidos, alguns convencionalmente mais aguçados que os outros. Com o corpo mal alimentado e recentemente sedentário, não tinha mais a força que seria capaz de arrebentar as travas da cadeira, que mantinham Harold preso a ela. O impacto das sensações foi forte o suficiente para que tencionasse todos os músculos inesperadamente, soltando um urro rouco que ecoou pela sala e facilmente seria escutado fora dela.

    Não via imagens. Não escutava sons. Não daquela vez. Sentia ondas pressurizando seu cérebro e percorrendo pelos nervos do corpo, indo e voltando, lenta e intensamente. O efeito agora não era de fora para dentro. Era unicamente dentro. Não tinha mais caixa alguma para ser rompida. A máquina agora fazia o que bem havia sido programada para fazer com a cabeça do Capricórnio. O mundo parou ali. O ar acabou e o ímpeto de gritar não. Não haviam se passado nem vinte segundos desde que a máquina havia sido ligada. Tudo o que sentira nas últimas sessões, sentia dobrado, certamente pela falta de anestesia no corpo. Foi inevitável se debater, o instinto de sobrevivência começando a falar por cima do seu racional, querendo-o tirar dali. Sem sucesso algum. Cessou os gritos apenas para vomitar – suco gástrico e sangue –, unindo num engasgo desesperado que sentia seu corpo inteiro prestes a explodir. A pele albina exibia quase como se fosse transparente as veias escuras saltadas. Tal era a confusão de seu cérebro que algumas partículas das próteses começavam a se remontar. Nada que mudasse a forma dos braços artificiais, mas mostrava o quanto o mecanismo estava confuso quanto ao que o cérebro de Harold sofria.

    Um minuto foi o tempo necessário daquela vez. Algumas sessões haviam durado até três horas e nenhuma menos de duas. Aquela precisou apenas de um minuto. E em um minuto, a consciência de Harold apagou. Mas inconsciência não era sinônimo de que havia se livrado das sensações. Assim como ser desconectado da máquina também não. Finalmente, estava encoleirado. Acorrentado. A partir dali, não tinha mais volta.
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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

    Mensagem por Rin Damien em Qui Out 01, 2015 10:02 pm

    O processo como médico e observador daquela terapia era lento. Sabia de todas as mudanças que ocorriam em Harold durante o processo e as registrava, fazendo relatórios após cada sessão de modo a, além de entregar resultados a Abel, terem também uma base maior para o futuro em relação àquele procedimento experimental. Até então, mesmo tendo que impedir a morte alheia mais vezes do que poderia contar e com toda a instabilidade das reações, o regente de capricórnio havia sobrevivido, mesmo que fosse palpável o estado degradante em que o mesmo se encontrava. Sempre tendo que verificar o estado mental do outro após as sessões, as respostas também haviam se reduzido ao minimamente aceitável para que não tivesse que interromper o processo.

    Enfim, chegado o último dia, era a vez em que os efeitos seriam mais intensos, e por isto, mais perigosos. A anestesia havia diminuído minimamente a cada dia que se passara, e naquele, nada fora aplicado a fim de que o máximo de dor pudesse ser implantada na mente do paciente e, enfim, domasse a mentalidade afetada para que não saísse dos eixos novamente. Os efeitos sobre o corpo alheio também seriam, é claro, aumentados, e mesmo com o capricorniano tendo sobrevivido até ali, não era garantido que duraria até o final. Observaria e faria o possível, como havia feito até então. Não se preocupou em tentar proferir qualquer palavra de incentivo ou consolo durante aquele tempo, sabendo muito bem que era desnecessário. Apenas ligou a máquina, tornando-se atento a qualquer reação das telas e do corpo preso à cadeira, já a postos para ter que lidar com qualquer problema.

    Sendo tudo elevado ao máximo, o tempo também era reduzido comparado ao das outras sessões. Não demorara mais do que alguns segundos para que Harold começasse a gritar e se debater, e para sons alarmantes soarem das telas de monitoramento. Em mais alguns segundos teve que aplicar um medicamento que deveria normalizar o batimento cardíaco, mesmo que talvez não surtisse efeito naquelas condições, assim como um para pressão. Não poderia fazer mais nada, ou dar medicação demais; poderia mata-lo tanto quanto a maquina que o prendia. Agora dependia unicamente da força mental, física e da capacidade de sobrevivência do mais novo.

    Quando o tempo passou, desligou o aparelho, monitorando cada ponto instável do outro até que tivesse certeza que ele passara do ponto de risco, para apenas aí retirar o capacete e limpar o rosto alheio como fizera das outras vezes. Ele havia conseguido. Mesmo que talvez em uma situação extrema, não possuíam mais um psicopata que poderia facilmente brincar com a vida dos aliados à sua volta e causar mais problemas do que já tinham. Agora, ele morreria se tentasse. Pela primeira vez desde que entrara naquela sala, deixou um pequeno resquício de alívio se fazer presente em si. Já tinham perdido gente demais, e continuariam num risco constante enquanto estivessem naquele trabalho. Era uma pequena vitória o sucesso daquela operação.

    Puxando a cadeira para sentar-se em frente ao albino como normalmente fazia e esperar que ele acordasse para o questionamento da vez, fazia as anotações dos resultados, assim como notas mentais do que agora seria o processo de recuperação do maior; também sempre atento a qualquer mudança posterior que poderia ocorrer. Mais remédios. Alimentos. Suplementos. Sem poder tomar café durante aquele processo. Um pequeno sorriso surgiu na face do virginiano com o pensamento. Quando o tempo necessário passasse, prepararia um para ele.

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    Re: [#11] Turno Livre - Ala Hospitalar

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