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    [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

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    Arthemis W.
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    [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Arthemis W. em Qui Jan 29, 2015 8:15 pm

    O balcão estava inteiramente organizado e não foi difícil achar o que precisava por ali. Não é como se fossem utensílios que nem mesmo um botequim não teria, ela só precisaria fazer os primeiros socorros e deixar o restante para quando chegassem em casa. Ao menos, era suficiente para parar o sangramento e desinfetá-lo. Mas, provavelmente iria doer um pouco e ela precisaria da compreensão do mais novo. Pediu para que ele se sentasse em um dos banquinhos próximos ao balcão e, quando ela já tinha tudo o que precisava em mãos, sentou-se ao lado dele. Sua expressão já havia se tranqüilizado totalmente, só de ter saído do meio dos rapazes na mesa e enfim poder cuidar do que a preocupava. Enquanto limpava o sangue em torno da mão de Zion com uma flanela úmida, de quando em quando olhava o rapaz. Como estava com as mãos ocupadas, resolveu dizer normalmente.

    Você está bem? — Referia-se ao humor dele e talvez, ao seu emocional. Não sabia ao certo o que o incomodara tanto para que se automutilasse daquela forma, por acidente. Fazia muito tempo desde que via o ruivo se alterar tanto daquela maneira. Talvez pudesse estar aborrecido com ela de algum jeito que não estava sabendo captar – tinha consciência que não era das suas melhores habilidades, ao menos. E mesmo se não estivesse, não gostava de vê-lo com raiva ou frustrado. Sua relação com ele era diferente como era com Harold – ela não precisava se preocupar com o irmão, e sim com as pessoas em volta dele. E mesmo que Zion gostasse de implicar também, ele era descuidado o suficiente para sempre se machucar de algum jeito no fim. Sentia um apego muito maior e uma afeição em cuidar dele que era quase espontânea demais. Talvez fosse porque incorporava muito facilmente seu papel de irmã mais velha. Ou talvez fosse porque a expressividade de Zion a comovia e gostava de vê-lo bem. Ele parecia uma criança na maior parte do tempo e não era fútil ou mimado para se abater com coisas bobas. — Quer me dizer alguma coisa, Zion... ? O que está te incomodando? — Ela insistiu.
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    Zionga
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Zionga em Qui Jan 29, 2015 8:55 pm

    Por mais que se sentia melhor após bater no idiota que era Lavi, não se sentia inteiramente bem e isso era óbvio. Afinal, não era muito normal de Zion ficar cabisbaixo e quieto daquele jeito, principalmente diante de Arthemis. Sempre gostara da garota, não só como seu amor platônico, mas como pessoa. Gostava de sua companhia e sempre ficava animado, mesmo quando só ficava perto dela jogando vídeo game enquanto a mais velha estudava.

    Entretanto, olhava para o chão e para sua mão de forma desanimadora quando a seguia e esperava-a pegar tudo o que precisava. Não levantava o rosto para encara-la, mesmo que quisesse muito, não tinha coragem. Sentou-se quando lhe fora pedido esticando a mão ferida sem se manifestar. Com a mão livre, mexia na barra da camisa, tão sem jeito quanto uma criança de 5 anos que acabara de fazer uma besteira grande, se machucado e agora esperava a bronca da mãe enquanto era cuidado. E de certa forma era assim que se sentia, afinal, Arthemis só o via daquela forma família mesmo.

    Fazia uma ou outra careta de dor quando a aspirante a médica apertava um pouco mais o ferimento, provavelmente para limpar com certeza. Enquanto isso, Zion ficava depressivo no seu cantinho, pensando em mil coisas e onde todas elas tinham Arthemis como assunto principal. Será que deveria finalmente aceitar que nunca passaria de um irmão? Talvez fosse melhor, mas sabia que mesmo se tentasse aceitar, continuaria a vendo com olhos apaixonados. Na verdade, sabia no fundo de seu ser que seria apaixonado pela garota pelo resto de sua vida. Suspirou pesado, levantando minimamente o rosto para olha-la um pouco. Mas voltou a olhar para as próprias pernas quando ela dirigiu-lhe a palavra.

    Não gosto dos seus amigos, não gosto daqui... Não gosto daquela brincadeira deles. Não gosto de 'cê aqui também... Com eles. — Após ficar um tempo ignorando a pergunta da mesma, finalmente decidira responder, ainda sem olha-la fixamente. Falava a verdade, apesar de omitir o grande e principal resto. E sabia que mesmo sendo sincero sobre tais tópicos, nada mudaria. Ela continuaria andando com as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas. Afinal, era a vida dela e não a de Zion. Suspirou novamente, desistindo de ficar ali. Por mais que sempre respeitasse a mais velha, de todas as formas, naquele momento tudo o que ele queria mesmo era ficar um pouco sozinho.

    Levantou-se da cadeira antes de que pudesse ter o machucado cuidado por completo, consequentemente retirando a mão de perto dos cuidados femininos. Finalmente a olhou por detrás dos óculos de grau. — 'Bregado, 'mis, mas eu vou pra caça agora, tá? Vai lá se divertir por mim, ok? — E não esperou uma resposta de confirmação, apenas enfiou a mão boa no bolso da calça e decidiu se retirar de perto do balcão, ou melhor, se retirar do local em si. Pensava que se indo embora pelo menos daria um pouco de paz e liberdade a menina. Alguém ali tinha que viver e aproveitar, e já que esse alguém não era ele, daria espaço para que fosse ela.
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    Arthemis W.
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Arthemis W. em Qui Jan 29, 2015 9:33 pm

    Como ela havia pensado: uma criança. A forma direta como ele se expressara era tão pura que a garota não pôde evitar de sorrir com pesar. Porém, assim que terminava de limpar o ferimento por completo, mal conseguiu apanhar o restante de utensílios que havia separado para desinfetar e improvisar um curativo. Zion se retirava dali com uma explicação qualquer, que obviamente, não convenceu a albina. Não permitiu que ele saísse do seu alcance, antes de esticar o braço e apertá-lo pelo tecido da camisa xadrez, da mesma forma que havia feito quando o encontrara junto a Harold. Esperava que ele ao menos parasse com a puxada. Não havia terminado de tratá-lo e que tipo de aspirante a médica era, se deixasse o mais novo sair ainda ferido?

    Mas também se fosse apenas isso, o daria uma bronca e mandaria-o voltar a se sentar, sem mais objeções. Se fosse Harold, ela faria isso com toda certeza. Mas não conseguiu fazer muito mais do que apenas fazer força para a própria direção, trazendo Zion de volta de ré sem perguntar se ele queria.

    — Eu também não achei que as coisas fossem ficar tão desagradáveis... Mas, me faça companhia. — Não sabia ao certo se estava pedindo aquilo por ele, ou por ela. Continuara de forma sincera, mas sem nunca abandonar o tom de voz calmo e suave. — Desculpe ser egoísta em pedir pra ficar num lugar que não quer, mas eu fico mais tranquila quando está comigo... É como se eu cuidasse de você pra que cuidasse de mim. — Disse, sem pensar, se calando em seguida levemente espantada, se desculpando por provavelmente estar soando estranha. Sentiu-se ligeiramente envergonhada também, se dando conta do que havia acabado de dizer, mas escondeu essa parte.

    Esperou que ele virasse para si, para que pudesse encará-lo enfim. Não soube exatamente a razão, mas abriu ambos os braços na direção do maior, sorrindo. Achou que aquilo fosse ajudar, talvez. Queria-o mais perto. — Venha cá. Não fique triste, Zi. Vai me deixar triste também. De verdade.
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    Zionga
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Zionga em Sex Jan 30, 2015 3:05 pm

    De certa forma já sabia que Arthemis o impediria de ir embora com a mão ainda machucada daquela forma. Se estivesse numa situação parecida com qualquer outra pessoa era certo que não pararia com aquele simples puxão em sua camisa. Porém as coisas se desenrolavam diferente quando se tratava da menina. Parou imediatamente, porém não se virou, esperando que houvesse alguma manifestação da parte alheia. Entretanto a única manifestação que aconteceu foi ser arrastado para trás. Um ato que o deixou confuso e curioso, quase cedendo a vontade de se virar totalmente, chegando até mesmo a olhá-la de soslaio.

    Não era muito comum da albina impor algo sem antes perguntar ou pedir daquela forma, entretanto, as palavras que se seguiram o surpreendeu ainda mais do que o ato incomum. Ela também estava achando desagradável? Como assim? Podia praticamente jurar que se não tivesse se machucado, a mais velha iria continuar na mesa se divertindo, pois era o que ela parecia estar fazendo, não só observando os beijos alheios, como também aproveitando os — ou deveria dizer o? Já que fora só o de Rin — seus.

    Não era muito difícil para Zion entender as pessoas, ao menos as que não se envolviam ou tinham uma ligação muito forte consigo. Porém quando se tratava do sentimental delas, principalmente em relação a si, nunca tinha certeza de nada e aquilo o atordoava, como agora. As ultimas palavras de Arthemis se embolaram em sua cabeça, chegando até mesmo a lhe causar um pouco de irritação. Ela estava brincando com ele? Com seus sentimentos? Não... Arthemis não fazia esse tipo de coisas. E então se virou, levemente arrependido por ter pensado na possibilidade. As sobrancelhas se encontravam juntas e ainda não tinha muita coragem de observá-la diretamente, sempre desviando a visão.

    Não sabia ao certo quando havia abraçado a albina, se tinha sido antes ou depois da mesma abrir os braços, não importava. Foi um ato impensado abraçá-la assim que virou-se, mas não se arrependia. Gostava da sensação de ficar ainda mais próximo da aspirante a médica. Sentia-se bem, sentia que não tinha problema nenhum no mundo, que mesmo se no fim não conseguisse o coração da mesma, se pudesse ao menos continuar de tal jeito com ela, tudo estaria okay. Ali nos braços dela percebeu que sua raiva havia sido infundada e arrependeu-se levemente. Queria-a feliz e com aquelas atitudes sem noções, só a deixava preocupada e triste.

    Desculpa, 'Mis, desculpa mesmo... — Falou baixinho, enquanto afundava o rosto ao pescoço feminino, apertando um pouco mais o abraço, como se precisasse ainda mais daquele contato e realmente precisava. Não era de abraçar ninguém de tal forma, exceto ela. Ela era sua exceção, para praticamente tudo.

    Após mais algum tempo ali naquele abraço reconfortante e aconchegante, decidiu que era hora de dar fim ao mesmo e também a sua quietude. Respirou fundo, afastando-se alguns passos de Arthemis para poder se comunicar pela linguagem de sinal, já que tinha quase certeza que não conseguiria falar tudo o que queria bem. “Eu perdi a cabeça... Não sei bem o que deu em mim. Eu só... Fiquei chateado com o jogo, com você nele e com as pessoas ali sendo chatas.” Tentava arrumar alguma desculpa, mas sabia que não parecia o suficiente para o acontecimento. A albina lhe conhecia muito bem, não iria cair naquela, então decidiu parar de enrolar. “Olha, na verdade... Eu não gostei nada de você e do Rin, eu sei que é idiota, que eu sou um idiota por ficar assim por uma bobeira dessa. Me desculpa mesmo, ta? Não vai mais se repetir, acho. Vou tentar que não.

    Deu fim aos sinais, afastando-se um pouco mais de sua irmã adotiva para sentar-se novamente ao banco, esticando o braço ferido. — Pode vi... Sei que ‘cê não vai sóchegar até cuidar disso. — Sorriu de canto para ela, fazendo sinal com a cabeça para sentar-se ali também.
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    Arthemis W.
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Arthemis W. em Sex Jan 30, 2015 6:16 pm

    A resposta ao seu pedido viera mais rápido do que achou que fosse vir, deixando-a ligeiramente surpresa. Teve a leve impressão de que seria abraçada pelo maior mesmo se não tivesse pedido por, o que a deixou contente e de certa forma mais tranqüila. Mesmo ele sendo mais alto, como estava abaixado, a garota pôde apoiar o rosto no ombro do ruivo e abraçá-lo pelo pescoço. Era engraçado como pela proporção dos dois, parecia que era ela que estava sendo abraçada – o que também não deixava de ser. A destra pousou delicadamente sobre a nuca do rapaz, acariciando onde começava a crescer os curtos fios naturalmente alaranjados. Sorriu com os pedidos de desculpas, balançando a cabeça negativamente e acabando por roçar o rosto no ombro dele com o movimento, ao que tinha o corpo apertado contra o dele. Zion era tão mais espontâneo e impulsivo, que quase completava o que faltava nela mesma. Sempre se sentia relaxada e aquecida com aquele abraço, que parecia aconchegá-la de imediato mesmo se fosse o mais desajeitado dos abraços dele. Sabia que ele não gostava daquele tipo de aproximação, mas não podia negar que sentia falta às vezes e internamente desejava que fossem mais freqüentes. Permitiu então que ele se afastasse, passando a fitá-lo sinalizar suas palavras. Entendia perfeitamente bem a impressão do rapaz quanto aos seus amigos. Lavi não poderia ter tido uma ideia pior do que aquela para causar sua primeira impressão – e mesmo que tentasse ter outras, tinha sérias dúvidas se seriam mais agradáveis do que aquela.

    Suspirou pesado com a primeira mensagem transmitida a si e encarou o mais novo com uma certa suspeita. A quem ele queria enganar mesmo com aquela desculpa? Arthemis poderia ser lerda para algumas – muitas – coisas, mas pelo menos sabia reconhecer quando alguém perto dela estava sentindo algo ruim. E também conseguia equiparar os motivos possíveis, para saber se eram mesmo verdadeiros ou não quando contados a ela. Não imaginava o que poderia estar atormentando Zion de verdade, só sabia que não era aquela primeira opção.

    A segunda, em contra partida, lhe pareceu mais convincente. O que não esperava, fora a surpresa que a atingiu, junto com uma sensação que pesou em seu peito como uma bigorna. A expressão serena da garota ficou levemente melancólica com o que havia entendido e, em resposta, não percebeu quando deixou de conseguir olhar o mais novo. Preferiu encarar a camisa deste, na altura do peito, quando na verdade apenas observava um ponto vazio qualquer. Então foi isso que o irritou. Não tinha nada contra aquele tipo de relação, era óbvio, só se considerou muito idiota por não ter percebido antes... Ele estava com ciúmes de Rin, então? Achava que os dois não tinham uma boa relação, então nunca tentou suspeitar. Mas haviam pessoas que demonstravam os sentimentos daquela maneira, não tinham? Estaria tudo bem, apenas se desculparia pelo beijo que lhe foi dado. Ou tentaria. Ou simplesmente não conseguiria dizer nem fazer nada sobre aquilo, a não ser engolir em seco e cutucar as unhas umas nas outras, inconscientemente. Aquilo tudo era culpa? Bom, não sabia de nada antes de retribuir o beijo, certo? Não tinha porque ficar tão magoada com algo que não fizera de propósito. Tentou explicar, em linguagem de sinais, uma vez que a voz não parecia querer sair com tanta segurança. “Rin é apenas meu amigo de longa data, você sabe... E sempre foi apenas isso. Nós nos sentimos bastante a vontade um com outro, mas não é como se tivesse algo... Não queria te deixar triste com isso, Zion. Perdão... E você não é idiota.” Movia as mãos sem tanta emoção e também sem encará-lo diretamente. Por certos segundos, até esquecera de respirar de tão presa que ficou em devaneios internos.

    Não estava se sentindo bem. E não era queda de pressão, nem nada em seu organismo. Era apenas aquele peso que só a pressionava mais ainda. Algo que embolou em sua garganta e a arranhava lentamente. Algo que perfurou seu estômago de repente e não foi retirado, ficando ali numa tortura lenta e interminável. Algo que Arthemis reconhecia porque já havia sentido algumas vezes. Só sentia aquilo quando realmente se abalava com algo e, quase não percebia a vontade de chorar, de tão acostumada que estava em reprimir-se e fingir que não estava acontecendo absolutamente nada dentro dela mesma. Ela podia ser lerda para entender os outros, mas entendia muito bem a si mesma. Só não compreendia o porquê exato de ter ficado tão abalada com algo que não parecia tão avassalador.

    Passou a refletir sozinha, ignorando sem querer as palavras do maior e apenas automaticamente sentando-se ao lado dele, continuando o tratamento da ferida alheia. Não demorou muito para fazer o curativo improvisado após desinfetar e estancar o sangue. Por sorte, seu psicológico poderia se abalar o quanto fosse, mas nunca era suficiente para atrapalhá-la nas coisas que precisava fazer. Era como se seu corpo assumisse as responsabilidades sozinho, como uma máquina, e sua mente se desligasse para o que quer que estivesse agredindo-a.

    Pronto. — Anunciou, a voz saindo muito mais baixa do que queria que saísse e, talvez pela surdez parcial do irmão, ele não ouviria. Suspirou pesado, mais do que esperava também, voltando a mover as mãos. “Vamos voltar pra mesa. Creio que essa besteira toda já esteja chegando ao fim e quando acabar... Podemos ir pra casa finalmente. Né? É só ter um pouquinho mais de paciência...” Ao fim, suspirou mais uma vez antes de conseguir abrir um sorriso triste. O máximo que conseguiu, infelizmente.
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    Zionga
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Zionga em Sex Jan 30, 2015 8:37 pm

    A mudança drástica nas expressões femininas fora um espanto para Zion, que apesar de tudo, não o mostrou. Apenas arqueou uma das sobrancelhas, sem entender muito bem. Por que ela estava explicando tanto? Será que ela sabia dos seus sentimentos por ela, mas escondia pra não ter que dar um fora em alguém que considerava um irmão? Aquilo tudo estava muito estranho e não agradava nada o ruivo. Queria desfazer tudo o que falara pra não precisar vê-la daquela forma e ainda ter as mesmas nos seus braços, lhe acariciando a nuca de forma tão carinhosa e que causava um leve e ótimo arrepio por todo seu corpo.

    Mas talvez Arthemis estivesse só tendo uma recaida com o problema de pressão. Pensou, mas logo a possibilidade deixou sua cabeça. Sabia bem quando a albina estava tendo uma recaida ou passando mal, e certamente aquela mudança repentina fora por algum outro motivo do qual Zion não fazia ideia. E talvez nunca saberia, já que conhecendo-a bem, sabia que ela era tão reservada as vezes que ponderou por um momento se valia a pena perguntar ou se era melhor deixar pra lá. Bem, por hora havia decidido dar um espaço para a mais velha, era o que ela certamente precisava. Mas se aquili lhe incomodasse mais, não iria se conter.

    Permaneceu quieto enquanto Arthemis decidia finalizar seu curativo de modo bem incomum. Coatumava perguntar se o maior sentia dor, preocupando-se mais. Ainda era delicada como sempre, eficiente, como um médico deveria ser normalmente, mas o rapaz conseguia ver as diferencas sutis, que ninguém mais além de si veria — talvez Harold também saberia, mas não vinha ao caso.

    Como estava destraido em seus pensamentos, não ouvira e nem lera o anuncio feito, estranhando ainda mais quando ela decidira voltar para a mesa sem nem falar mais nada. Será que ela não queria mais ficar perto de si? Mas ela praticamente havia falado que queria-o ali com ela. O que estava acontecendo, sério? O ruivo estava sentindo ficar ainda mais maluco do que já era. Fechou a cara em reprovaçao ao sorriso da albina, nem sequer movendo-se da cadeira após o pedido. "Só vou levantar daqui quando me falar o que aconteceu com você agora... Eu já te contei o eu problema e o que me incomoda, então agora é a sua vez." Disse por linguagem de sinal, cruzando os braços rente ao peito, decidido. Não gostava de ver Arthemis daquele jeito e faria o que pudesse e o que não pudesse para ajuda-la e ve-la feliz e sorridente como antes novamente.
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Arthemis W. em Sex Jan 30, 2015 9:44 pm

    Por estar avoada e distraída, observou os sinais feitos pelo maior um pouco devagar. Como se fosse iniciante no assunto, demorou para o significado daquilo vir a sua mente. Mas se ele tivesse falado, da mesma forma ela iria demorar para absorver o significado das palavras que seriam ditas. Era como se não estivesse com a cabeça naquele mundo por alguns instantes, até se dar conta de que teria de respondê-lo.

    E eis o problema. Como reação de não saber o que dizer, mesmo que quisesse, ela também se deu conta de que estaria preocupando demais o rapaz, tanto pela sua conduta estar diferente – e ela sabia que ele percebia sempre – quanto se tentasse explicar... Que não sabia como explicar. Respirara fundo. Certo, pense Arthemis. Não é hora para ficar confusa e não é só ele que quer uma resposta, não é? Eu também preciso saber o que é isso... Analisou todo o estabelecimento como maneira de tentar limpar a mente e ignorar até mesmo a algazarra sendo feita no grupo mais distante. Feito isso, encolheu o corpo, juntando as mãos sobre as coxas, entrelaçando os dedos e fitando os próprios joelhos desnudos. Suspirou lentamente, quase que marcando o espaço da inspiração para a expiração. Deixaria aquela sensação de lado por alguns instantes. Precisava raciocinar com mais clareza. Por onde começar? Estava se sentindo bem até o abraço que lhe fora dado, certo? Aquela péssima sensação não saía desde que Rin fora citado na conversa. A mão direita seguiu com os dedos até os lábios rosados, como hábito inconsciente que a ajudava a pensar. Não sentia nada demais pelo rapaz, então a causa não seria essa. O que sentia em seu peito era ciúmes. Reconhecer isso pareceu aliviar um pouco mais o peso em si, mas ele ainda se mantinha presente. Se a fonte desse ciúmes não é Rin... Então é...

    Os finos dedos que antes encostavam o lábio inferior da garota, agora subiam e toda a palma de sua mão cobria a boca por completo. De um ato pensativo, a outro assustado. As maçãs do rosto alvo e pálido novamente assumiam uma coloração rosada e ela sentia a cabeça toda esquentar. Estava com ciúmes de Zion. Como explicaria aquilo? Aquilo com certeza a incomodava demais para ser ciúmes de irmã mais velha e Arthemis nunca foi “coruja” a ponto de privar seus caçulas de se relacionarem. Assustou-se com o esclarecimento repentino das coisas que martelavam sua cabeça, se arrependendo ligeiramente de ter pensado tanto no assunto até que ele finalmente se resolvesse. Como diria? O que diria? O ruivo provavelmente desmoronaria toda a visão que tinha dela. Há quantos anos tomava conta daquela criança que sua mãe resolvera adotar, até este virar o homem que virou? Pra piorar, por que estava sentindo aquele tipo de ciúmes? Aquele sentimento só existia como resultado de outro sentiment-...

    Parou de pensar.

    Desta vez, o topo de sua cabeça começava a esquentar muito mais que suas bochechas. Mesmo sentada, sentiu primeiro o tronco pesar e reclinar para frente lentamente. Não vou ter uma recaída agora. Não posso. Nem se atreva, pressão. Comporte-se como deve, eu já estou sendo problemática demais até agora... Não reparou quando a mão que antes tampava sua boca, havia se segurado à beirada do balcão, servindo de apoio. Ergueu-se mais uma vez, respirando o mais fundo que conseguia, sendo o exercício mais eficiente para normalizar sua pressão e também o mais prático para sua situação.

    Assim que sentiu a voz voltar, se desculpou mentalmente com o mais novo por não se ater à linguagem de sinais. Precisava forçar pelo menos um pouco seus sentidos, para que a queda não voltasse tão rápido.

    Zi... Eu posso te responder isso depois... ? — Sabia que estava sendo injusta, mas desmaiaria ali mesmo com o nervosismo que lhe subia a cabeça só de pensar na própria situação. — Me desculpe, mesmo... Só... Fique comigo, está bem? Eu não vou conseguir explicar agora, nem aqui... — Não quis olhá-lo. Não estava sabendo como agir racionalmente como sempre. Fez uma careta de quem se colocara no lugar do rapaz, que estava ouvindo aquele monte de coisas sem sentido e provavelmente estava bem insatisfeito. Mas simplesmente não estava pensando de forma concreta. Ainda havia perguntas em sua cabeça que tinha medo de responder pra si mesma, pois sabia que não conseguiria lidar tão bem com elas como queria. Nessas horas, sentia uma profunda inveja da prática com que Harold sabia lidar com as próprias emoções. Ou a falta de algumas delas. Mas se comprometera a responder o menor depois que aquela confusão no bar acabasse, e o faria. Só não queria arriscar desmaiar ali mesmo e ser um aborrecimento pra os que estavam se divertido ali. E menos ainda, uma preocupação à toa para Zion.
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Zionga em Sex Jan 30, 2015 10:40 pm

    A principio Zion não imaginava que seu pedido fosse demorar tanto assim para ser absorvido pela menor, também não esperava vê-la pensativa daquela forma. Sabia bem que Arthemis gostava de pensar bem antes de responder e de que a mesma fosse as vezes um pouco mais lerda em absorver certas coisas, as vezes sendo elas pedidos, dependendo do momento em que eram feitos. Entretanto, nunca tivera uma espera tão grande como a de agora.

    Suas expressões iam mudando ao longo da espera e conforme a outra agia enquanto pensava. Gostava de observa-la o tempo todo justamente por aquilo, a albina era extremamente expressiva enquanto se perdia em sua própria mente e o ruivo adorava tal detalhe — assim como adorava tudo sobre ela. Quando ficara pensativa, com quele habito de por os dedos aos lábios, apenas esperou calmamente, mas quando a mulher mudara para um ar espantoso, tratou de ficar preocupado, chegando até mesmo a ameaçar levantar da cadeira. E o fez quando a situação começou a parecer ficar mais critica. Pôs as mãos de forma delicada sobre os ombros alheios, apertando-os levemente enquanto olhava-a de forma preocupada. Conhecia bem os sinais de uma recaida e uma crise de pressão da minina, convivia demais com ela. — 'Mis, calma! Olea pra mim, respira fundue. — Tentou ser o mais calmo possivel diante do tom de voz, esperando que a mesma desse sinal de melhoras para se afastar um pouco.

    Assentiu diante da pergunta sem nem pensar duas vezes, não iria pressiona-la, por mais que depois do ocorrido, seus pensamentos gritavam em desespero absoluto. Ela não sabia de seus sentimentos, mas acabara de descobrir e como não correspondia e não acreditava, deixou sua pressão cair. Era uma das possibilidades. As outras eram tão absurdas como essa e no fim, tudo falava para si que a culpa da mais velha ficar daquela forma havia sido sua. Não devia ter pressionado-a seja lá com o que, só não devia. Trincou os dentes, se odiando momentaneamente. — Tudo bem, 'Mis, não precisa responde e nem se força.. Não precisa fazê nada que te deixe mal, okay? — Continuava tentando parecer calmo e inafetado com a situação que havia causado, precisava ser forte para ela. Sorriu um tanto sem jeito, aproximando-se novamente de Arthemis. — Vem, vamos lá... Qué que eu companhe tu pra lavar o rosto ou prefere ir direto pra lá com os mané? — Perguntou simplista, chegando a por um tom mais divertido na voz enquanto ajudava-a a se levantar com calma e delicadeza.
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    Arthemis W.
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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

    Mensagem por Arthemis W. em Sex Jan 30, 2015 11:31 pm

    Tentou dizer mais uma vez de que iria respondê-lo sim, mas talvez fosse melhor apenas ficar quieta e aceitar a ajuda e compreensão do maior. Diria quando aquilo acabasse, não precisaria convencê-lo daquilo. E de todo jeito, Harold poderia estar olhando de algum jeito, já que a distância não era muito grande da mesa para o balcão, embora tivessem certos obstáculos na frente para atrapalhar a visão. Não queria preocupar mais um, então, apenas se concentrou em voltar ao seu normal. Estava medicada já e ainda tinham horas para o efeito do remédio acabar até precisar tomar outro. Iria apenas se conter, então. Sorriu para o ruivo, que tentava reconfortá-la daquele jeito que sempre funcionava, enquanto era ajudada para se levantar. Sabia que o havia preocupado e ele só estava se mantendo firme, para que ela ficasse também.

    ... Viu só? — Sussurrou, agarrando no braço do maior, procurando não sentir tanto as pernas pesarem como chumbo. — Eu cuido de você, pra que cuide de mim. — Repetiu, levantando o rosto a exibir um sorriso sincero. Ainda estava incomodada com tudo aquilo. Ainda sentia o peso no peito, o ciúmes de antes e o nervosismo do que descobrira. Mas ainda gostava de ficar próxima a ele daquele jeito. E aquilo a mantinha de pé. Olhou para a mesa onde os rapazes estavam reunidos, sentindo a tontura e indisposição passarem conforme se acalmava mais. O caminho curto, antes parecia longo, mas agora se sentia mais confiante e aos poucos desgrudava do ruivo, querendo não se mostrar abatida diante dos outros. Querendo ou não, automaticamente se obrigava a manter a compostura.

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    Re: [#02] Jogo da Garrafa — Zithemis

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