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    [#07] Não bebam, crianças

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    Rin Damien
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    [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por Rin Damien em Dom Fev 15, 2015 9:00 pm

    Não sabia exatamente como havia chegado àquela situação. Começara como um dia normal para Rin, que trabalhara de manhã no salão como normalmente fazia; a surpresa fora ter a noite livre da residência no hospital, em qual planejara inicialmente ter um momento de descanso e apenas dormir. Na presente situação, entretanto, não se lembrava do que o havia compelido a ir para, de todas as coisas, uma das festas da faculdade que frequentava, mesmo que o que aprendesse fosse no hospital agora. Talvez fosse por convite de alguém, talvez o cansaço tivesse passado. Não sabia também como se envolvera em um jogo de shots de bebida alcóolica, e muito menos quanto havia consumido naquele espaço de tempo; incomum, para alguém que mal tocava em bebida, porém já havia deixado de se importar alguns copos atrás. Sequer se lembrava de conhecer qualquer um dos que jogava, exceto o que estava presente ao seu lado.

    Era Nero, amigo de Lavi que trabalhava no único bar que o loiro frequentava, a quem haviam dado trabalho tempos atrás. Não o conhecia bem, no entanto, a única certeza concreta que possuía era a de que não conseguia segurar risadas altas que deixavam seus lábios com o humor alheio. Tinha quase certeza que ele estava tão bêbado quanto a si próprio, mesmo que não demonstrasse muita peculiaridade no comportamento; mas aquele tipo de trocadilhos não poderia estar saindo da boca de ninguém sóbrio.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por taurusnero em Dom Fev 15, 2015 10:46 pm

    Parecia que não havia aprendido sua lição. Apesar do fracasso que havia sido a última festa em que participara - lhe custando um amigo, paciência e uma bronca desagradável por parte de um dos trabalhadores mais velhos -, acabara envolvido em outra. Uma muito maior e com o triplo de pessoas desconhecidas. Ao contrário da primeira, no entanto, nessa festa acabara envolvido com situações que não lhe eram muito comuns. Ao invés de manter-se sóbrio até o final, acabara relativamente alcoolizado por não conseguir negar o chamado para uma espécie de brincadeira - à qual não entendia realmente a graça -, e aproveitara o fato de não ser no bar em que trabalhava para se manter mais relaxado, ou ao menos tentar.

    Não sabia se era sorte, ou se estava pagando alguma espécie de carma, mas assim que entrara no local da festa, dera de cara com o loirinho que havia atraído sua atenção na última confraternização, e, por mais que quisesse ao máximo evitá-lo - ainda lembrava do beijo desajeitado que dera no mesmo -, ele era o único que conhecia ali e parecia ser o único conhecido de Rin também. Acabaram juntos na maior parte da noite, beberam juntos na brincadeira, e, por fim, acabaram conversando involuntariamente, completamente bêbados, e incapazes de sequer guardar na memória metade das coisas que faziam ou diziam. Nero, bêbado, e longe de sua capacidade natural de raciocinar, ainda mantinha a expressão séria de nascença, porém suas palavras eram completamente diferentes das naturais. E era engraçado notar a forma com que cada frase dita por si guardava um pequeno trocadilho idiota. Ao menos fazia Rin dar risada, e aquilo o deixava mais motivado a continuar.

    Porém excesso de bebida nunca fora algo bom, e antes que pudesse entender o que acontecia, suas ações o levaram a uma situação muito longe do normal... E um tanto desagradável.

    -

    Os pássaros piavam, a luz do sol entrava pela janela, seus olhos ardiam e sua cabeça doía enquanto encarava a parede à sua frente e sentia-se relativamente friorento. Aliás, não sentia frio apenas porque estava frio, até parecia que estava fazendo sol fora do ambiente em que se encontrava. Sentia frio porque estava completamente nu, sequer estava coberto adequadamente pelo cobertor que jazia sobre a cama estranha. Piscou, encarando ainda a parede, enquanto suava frio. Estava com medo, e não um medo injustificado. Estava assustado com a possibilidade de confirmar algo, de olhar novamente para seu lado e notar que o corpo que vira ainda estava ali. Aquilo não podia ser real, então apenas evitaria olhar novamente e continuaria a encarar a parede. A parede era bonita. Era bom olhar para a parede.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por Rin Damien em Dom Fev 15, 2015 11:39 pm

    Sentira várias sensações desagradáveis antes mesmo de estar consciente o suficiente para abrir os olhos. A primeira, fora uma dor latente em sua cabeça. Era algo que vagamente reconhecia como ressaca, que vinha com certo enjôo e uma sede que deixava sua garganta extremamente seca. A mais proeminente, no entanto, vinha de um lugar mais incomum. Fora o que enfim o fizera abrir os olhos ao ter consciência total do nível do desconforto e do local onde se encontrava. Mal teve tempo de divagar lentamente o que diabos acontecera com sua bunda quando notou uma forma ao seu lado ao finalmente focar a visão em algo. A maior parte do cobertor cobria o próprio corpo, facilitando a percepção de quem compartilhava a cama consigo. A figura estava nua- que nem a si próprio? E... não se encontrava no próprio quanto, também?

    Um desconforto mental também se fazia presente ao juntar vagarosamente todas as peças do que acontecera em meio à dor física, e chegar a uma única conclusão. Havia transado com alguém. Alguém vagamente conhecido. Era considerado incomum por qualquer um que soubesse que era virgem na sua idade, mas não mudava o fato de que nunca realmente sentira vontade de tais atos, e nas únicas vezes que havia beijado pessoas, estava bêbado. Nesta, aparentemente, bebera demais. E agora, perdera a virgindade, e não lembrava nem um mínimo detalhe de como havia acontecido. Só tinha noção que não poderia ter sido da forma correta para estar sem vontade alguma de se mexer do local, e apesar disto, sabia que a bebida deveria tê-lo feito gostar o suficiente para permanecer ali. Ou então, presumira tudo errado e era apenas um fato sobre sexo. Dor. Como se ele fosse saber.

    Nunca mais.

    Não sabia se o pensamento era para bebidas, sexo, ou qualquer coisa naquele meio, incluindo um motel que deveria ser a coisa menos higiênica possível. Muito lentamente tentou sentar na cama, apenas para estremecer com uma pontada aguda de dor se espalhando por seu corpo, decidindo no segundo seguinte voltar a deitar-se, desta vez de barriga para baixo. Contudo, em sua breve tentativa, notara duas coisas. Uma, ao ter o cobertor escorregando de leve de seu corpo; havia marcas avermelhadas e de um tom arroxeado desagradável espalhadas por seu torso. A segunda, fora a que a pessoa a seu lado estava acordada, encarando a parede. Não possuía qualquer intimidade com Nero além de poucas conversas educadas e, aparentemente, uma noite bêbado da qual não se recordava. No entanto, não se sentia exatamente incomodado em falar. Envergonhado, talvez, porém os dois se encontravam na mesma situação. Tinha coisas demais o incomodando para se preocupar realmente com a parte social, e pelo visto, teria que ser o adulto ali. Virou a cabeça, anteriormente enfiada no travesseiro, para encarar a nuca do maior, se fazendo ouvir em um tom tranquilizador, apesar da voz levemente rouca. – Bom dia, Nero.  – Seria melhor analisar qualquer reação antes de ter uma conversa, então, apenas esperou.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por taurusnero em Qua Fev 18, 2015 3:34 pm

    A cada segundo que passava sentia-se mais íntimo da parede. Na verdade, sentia como se ela quisesse lhe contar algum segredo, algo que parecia bastante intenso, mas, que, no fim, fora apenas uma decepção. Ela estava o julgando, assim como julgava a si mesmo, e ela parecia querer apontar-lhe o dedo e chamá-lo de imbecil. Ou, ao menos, era isso que imaginava enquanto se afundava em uma mistura de pensamentos e de imagens desfocadas da superfície diante de si. Lutava, esforçava-se, tentava mesmo lembrar o que acontecera e como acontecera, porém sua única memória - e a qual sequer sabia ser real -, era de quando havia entornado mais um copo de bebida, antes de lançar o trocadilho mais ridículo - e o qual mais se orgulhou ter criado - em seu momento de torpor.

    Ridículo, Nero.

    Que tipo de imagem havia passado para Rin? Melhor, além de seus trocadilhos, ainda conseguira ser imbecil o suficiente para dormir com o rapaz e sequer se lembrar de como diabos aquilo ocorrera. Estava se sentindo o pior ser humano de toda a face da terra, e começara a realmente lamentar ter saído de sua tribo para seguir seu caminho na faculdade. Estava com a impressão de que ir para aquela cidade, resolver estudar, e todas essas coisas de crescer na vida, foram as piores decisões de sua vida... Poderia só ser cacique, certo? Muito mais prático.

    Suspirou, levando as mãos à face em um gesto cansado, esfregando-o com muito mais força que o necessário, antes de respirar fundo. Precisava se acalmar. Já estava naquela situação e não havia como correr dela, teria que enfrentá-la de frente, e não tornar a situação mais constrangedora... Porém fora só sentir uma movimentação ao seu lado para que congelasse no local e ficasse mais duro que rocha. Fingiria estar dormindo, fingiria estar dormindo, Rin não havia acordado, certo? Ele apenas se movera durante o sono. Aquela era uma justificativa plausível, isso, só havia mudado a posição, até porque voltara a se acomodar na cama e "bom dia". Poderia grunhir de frustração, porém resolveu apenas quase choramingar a resposta em um tom muito mais fraco que seu convencional, ainda que passasse a seriedade de sempre. Pelo menos para isso prestava, fingir que estava em suas condições perfeitas mesmo quando estava prestes a explodir de vergonha.

    Bom dia, Rin.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por Rin Damien em Qui Fev 19, 2015 2:25 am

    Não poderia analisar muito da situação apenas pelas palavras direcionadas a si, porém a entonação e linguagem corporal, mesmo que mínima, fora o suficiente para Rin confirmar o desconforto do outro com a situação. Claro, ele próprio estava tudo menos confortável, mas não seria desculpa para apenas sair de lá, sem palavra alguma. E de qualquer forma, não poderia fazer uma linha reta até a porta. Provavelmente não conseguiria andar direito até ela. E precisava, antes de qualquer coisa, de um banho, já que remédios pra ressaca e dor provavelmente não estariam em mãos até mais tarde. Porém, tudo o que conseguia imediatamente era continuar falando, absolutamente imóvel.

    - Acho que isso é...  Desconfortável pra nós dois. Mas também temos a mesma parcela de culpa pelo que aconteceu. – Mesmo que nem se lembrasse. Não sabia se Nero estava exatamente na mesma situação, no entanto, era preferível nem perguntar. Rin particularmente preferia que suas memórias continuassem no escuro. O ponto era, o maior não deveria se culpar por aquilo, ou se envergonhar demais.Então...  Está tudo bem.  – Se perguntava se era a melhor maneira de passar o que estava querendo dizer, contudo, apenas ficou quieto, perguntando-se se deveria levantar logo e começar a sua jornada ao invés de prolongar a situação. Aos poucos, reunia a coragem necessária para tal.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por taurusnero em Dom Mar 01, 2015 4:42 pm

    "Está tudo bem.", por mais que não soubesse exatamente o que ocorrera, ou como o outro se sentia quanto àquela situação, sabia muito bem que "Está tudo bem." não se aplicava aos próprios sentimentos. Poderia contar nos dedos quantas vezes se sentira tão estúpido, e aquela ocasião em específico parecia estar no topo de todos os problemas anteriores de sua vida. Venhamos e convenhamos, não era como se todo dia se envolvesse com a pessoa que tinha uma "queda", acabava transando com ela após uma noite repleta de trocadilhos imbecis, e tinha a sorte de não lembrar de porcaria alguma no dia seguinte... E provavelmente aquele era o motivo da maior parte de sua frustração. Não lembrava uma coisa sequer.

    Porém, quando enfim tomou coragem para voltar o olhar para o outro rapaz, pode notar que talvez fosse o único que não tivesse uma lembrança sequer das coisas. Bem, apesar de Rin talvez não ter memória alguma dos acontecimentos anteriores, teria algumas formas de se lembrar, já que havia deixado uma quantidade relativamente grande de marcas na pele clara. Piscou, as mãos seguindo aos cabelos em um leve desespero. Era uma quantidade grande demais, e roxa demais, e... Não sabia que tinha aquele tipo de instinto?! Meus deuses... As palavras escaparam em um tom levemente perdido, tão surpreso quanto seu olhar, e em sua língua mãe, porém logo piscara diversas vezes, sacudira a cabeça e mostrara a melhor expressão possível de preocupação para alguém tão inexpressivo. Você está... Ahn... Bem?
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por Rin Damien em Dom Mar 01, 2015 5:07 pm

    Ao menos o outro parecera se livrar do interesse que obtivera pela parede, e Rin pôde finalmente encará-lo propriamente, apenas confirmando o quão desconfortável o maior parecia estar. Ouvira algo que ou não captara direito ou fora em outra língua, o que o levara a divagar mentalmente se Nero era de outro lugar enquanto continuava a observar as reações alheias. Tinha que admitir, mesmo sem conhecê-lo direito, que mesmo tendo perdido sua virgindade, ao menos o fizera com alguém que aparentava ter um mínimo de decência, se a preocupação direcionada a si era uma prova. No entanto, como poderia responder àquilo? Poderia forçar um sorriso e dizer que estava ótimo, mas aquilo seria provado falso assim que andasse naquele quarto.

    - Eu... Vou ficar. – Começou, com um pequeno riso soprado, sem alterar o tom tranquilizador. – Assim que tomar um banho. E tomar um remédio pra ressaca. E... Um pra dor, talvez. – Sentira um leve ardor subir por sua face com a última frase, mas ainda assim decidira ser o mais sincero possível, mesmo que não quisesse que Nero continuasse se preocupando; a própria dor era apenas um fato que confirmava o que havia acontecido entre os dois. – Logo eu me levanto. Só preciso de um tempo.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por taurusnero em Sex Mar 06, 2015 7:37 am

    Se já se sentia horrível pela situação em si, ao escutar os dizeres do loiro Nero quase ergueu o corpo grande para abrir a enorme janela do quarto e se jogar de lá de uma vez. Afinal, por mais que parecesse que o outro não falava nada demais, o que aquilo implicava martelou no fundo da mente do moreno, ecoando por cada cantinho da cabeça parcialmente oca, para fazê-lo engolir em seco em um misto de sensações. Decidido, e com um breve olhar para a janela, o taurino chegou à conclusão de que findar seu constrangimento em um golpe único era muito mais prático do que lidar com mais motivos para ter a face tão avermelhada quanto estava naquele momento. Respirou fundo e coçou a cabeça, as pálpebras pesando para esconder parcialmente os olhos... Não dava mais pra segurar. Por mais que sua expressão não alterasse de forma exagerada - não era muito expressivo desde pequeno, perguntava-se o porquê -, ainda assim não era como se fosse uma pedra e não deixasse escapar um pouquinho que fosse do que sentia. Naquele instante, no entanto, acreditava que muito do que bagunçava sua mente estava claramente exposto em sua face, ainda que tentasse se forçar neutro... Provavelmente seu rosto estava risível.

    Respirou fundo, assentiu com um movimento breve da cabeça - não se sentia muito seguro pra responder com a voz, já bastava a cara vermelha, não precisava se mostrar mais idiota ao gaguejar conversando com o menor -, e ergueu a mão em um pedido mudo para que ele aguardasse um pouco. Remédio para dor, tinha certeza que tinha aquilo em sua mochila, já que praticava muay thai e acabava com os músculos doloridos com frequência... Relaxante muscular, aquilo deveria ajudar naquela situação... Com um sorriso amarelo, estendeu os comprimidos ao mais velho, antes de se levantar e rodar o quarto. Sorte! Havia um frigobar ali, e dentro conseguira uma garrafa de água mineral, que logo ofereceu ao loiro. Espere um pouco... Começou em um tom baixo. Vou te comprar remédio para ressaca, não levante antes de eu voltar, acho que é o tempo para o comprimido fazer efeito, ok? Ahn... Por favor?
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por Rin Damien em Sex Mar 06, 2015 9:53 pm

    Continuava a observar as reações do maior, passando a apoiar um cotovelo no travesseiro, de modo a poder usar a mão de apoio para sua cabeça. A própria expressão se tornava uma de leve preocupação ao vê-lo tão desconfortável, e pelo que presumia, envergonhado, porém, não era como se pudesse apenas fingir que estava bem. Queria, de alguma forma, assegurá-lo que não precisava ficar daquela maneira, mas não possuía qualquer argumento para tal, e nenhuma intimidade para qualquer contato físico. Logo fora surpreendido ao receber um remédio para dor, pegando os itens sem qualquer reclamação. Percebia claramente que a situação poderia ter sido muito mais desagradável, mas Nero parecia se sentir responsável, e estava tentando cuidar de si, e talvez se desculpar pelo ocorrido, mesmo já tendo dito que não era culpa de ninguém. De todo, não era algo ruim.

    Teria dito que não precisava que ele saísse para comprar qualquer coisa, que os comprimidos – relaxantes musculares, reconhecera – seriam o suficiente, no entanto, uma melhora da dor de cabeça latente seria uma melhora agradável naquele momento. – Certo. Vou ficar aqui. – Um sorriso leve, agradecido, fora direcionado ao outro. – Obrigado, Nero. – Tinha em perspectiva que talvez devesse se sentar para tomar o remédio, mas todo seu corpo dizia um claro não para a possibilidade. Então, deitado, bebeu metade da garrafa d’água para saciar a sede comum à situação, antes de tomar um último gole, desta vez com o comprimido. Deixou o objeto na mesa de cabeceira ao lado antes de afundar o rosto no travesseiro novamente; aproveitaria o sono que provavelmente viria como efeito colateral para tirar um cochilo enquanto esperava a volta do moreno.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por taurusnero em Dom Mar 08, 2015 5:35 pm

    Fora por pouco que Nero não saíra do quarto apenas de boxer. Estava contente pelo outro ter aceitado suas palavras e concordado em ficar ali, quietinho, esperando que voltasse com o remédio, mas não estava - e, provavelmente, nunca estaria - preparado para dar de cara com o sorriso e o agradecimento do loiro. Fora pouquinho antes de abrir a porta que percebera não estar aquecido o suficiente, o olhar descendo para que pudesse relembrar de sua condição e forçar um riso amarelo antes de voltar para vestir as próprias peças de roupa o mais rápido possível. Aquele era mais um risquinho em sua lista de vezes que passara vergonha diante de Rin, e tinha a impressão de que ela cresceria um pouco mais só naquele dia.

    Quando enfim conseguira sair do quarto, precisara de um momento diante da porta para ter certeza de que estava tudo bem. Na pressa poderia ter vestido sua camisa ao contrário, esquecido de puxar o zíper da calça, ou de pegar a carteira - não se impressionaria se algo do tipo acontecesse -, mas estava tudo certo. Ou quase certo, já que ainda vivia sua bagunça mental. Durante o caminho tropeçara algumas vezes, quase se batera contra um poste e pedira desculpas por esbarrar nas pessoas em muito mais ocasiões do que o comum. Demorou pra conseguir explicar o que precisava para o atendente da farmácia - estava até esquecendo as palavras do novo idioma -, e achou ter perdido tempo demais naquilo tudo. Talvez Rin já estivesse impaciente esperando por si.

    Porém, ao adentrar o quarto, notara o mais velho dormindo, e se impressionara com a capacidade do outro de conseguir relaxar mesmo depois de toda aquela situação. Talvez estivesse exagerando - finalmente chegou a tal conclusão -, e tratou de respirar fundo e deixar as compras sobre uma mesinha que havia ali. Se dera o direito de comprar algumas coisas para comer também, assim como garrafas de chá gelado e suco, já que não sabia o que o outro preferiria. Então se sentara na cadeira que havia junto ao móvel embutido, o olhar recaindo sobre o corpo do menor com uma singela curiosidade mesclada à admiração. Havia dormido com Rin... E ele era tão bonito como imaginara antes. Sentiu-se corar pela milésima vez, e tratou de esconder a face com uma das mãos, o olhar fugindo do corpo alheio para pairar na parede mais próxima. No entanto, por mais que chegasse àquela conclusão, tinha uma sensação estranha no pé da barriga. Imaginava se era apenas por não lembrar do que tinha acontecido, ou se aquilo significava algo mais... Sabia, apenas, que poderia identificar aquele sentimento como uma suave insatisfação.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por Rin Damien em Dom Mar 08, 2015 8:00 pm

    Apenas ouvia os diversos movimentos do outro pelo quarto, mantendo os olhos fechados enquanto tentava ignorar o desconforto espalhado por seu corpo. O que se tornara mais fácil após finalmente sentir um tipo de sono anormal invadir seus sentidos; deixou que o levasse, apenas aproveitando a nova oportunidade para descansar. Não sentira que ficara tanto tempo fora do ar, e sequer sonhara com qualquer coisa. Ao abrir lentamente os olhos, a primeira coisa que Rin notara fora Nero, desta vez sentado em uma cadeira à certa distância. A segunda, fora que seu corpo parecia, de fato, mais relaxado. A dor de cabeça teimava em sua têmpora, mas fora para aquilo que o maior saíra anteriormente, não?

    Experimentou, muito vagarosamente, sentar-se na cama, ainda que de lado, para que não pressionasse muito a parte inferior de seu corpo. Ainda sentia todos os sinais doloridos de que seu corpo não queria qualquer movimento, porém, agora vinham em um nível minimamente aturável. Percebia também que continuava sem qualquer peça de roupa, apenas tendo o colo coberto pelo cobertor. Não se importava demais com aquele fato, apesar de, no fundo de sua mente, querer ter a decência mínima de não sair pelo local pelado quando fosse se levantar. – É, eu me sinto melhor. Voltou tem muito tempo? - Não queria que o moreno se sentisse obrigado a ficar ali - mesmo não sendo desagradável o fato de Nero parecer se importar com seu bem estar -  com ele próprio estando dormindo segundos atrás; não se importaria em ser acordado.
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    Re: [#07] Não bebam, crianças

    Mensagem por taurusnero em Sab Mar 21, 2015 5:49 pm

    Seu olhar havia voltado ao corpo menor em algum momento, de forma até involuntária, em um desejo mudo de guardar os detalhes delicados em sua mente; porém fora somente o outro acordar para que Nero desviasse os olhos com uma rapidez sem igual, sentindo o rosto ainda mais quente que antes. Esperava, e muito, que o loiro não tivesse percebido que estava o encarando. Aliás, seria ótimo, também, se ele não percebesse suas tentativas de manter o rosto vermelho escondido, a palma ainda fazendo o seu trabalho. Não... Sua resposta havia escapado em um murmúrio, antes que respirasse fundo, e moldasse a melhor expressão indiferente para focá-lo. Quer o outro remédio agora? E comprei alguns sanduíches... Acho que seria bom comer um pouco também...?!

    A oferta fora arriscada, antes que se erguesse para levar os sacos para o meio da cama, fingindo não sentir-se estranho por estar tão próximo ao outro, enquanto o mostrava algumas coisas diferentes para comer, além do remédio, as bebidas e uma escova de dentes e pasta dental... Imaginava que o outro gostaria de se manter limpo. Ahn, se precisar de mais alguma coisa, me avise...

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