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    [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

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    Rin Damien
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    [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Dom Mar 01, 2015 8:04 pm

    O dia não fora fácil. Multidões pareciam ter decidido que era hora de aparecer em ambos os seus trabalhos, e enquanto poderia ter ficado horas extras no hospital, preferira sair do ambiente movimentado e respirar, apenas naquela vez. Poderia ter ido direto para casa; tinha gatos para cuidar, coisas para revisar, e um jogo para jogar. Jogo que tirava algumas horas de sono, ocupava seu tempo quando possuía folgas, e, que de alguma forma, Rin não se arrependia de ter instalado.

    Porém, naquele dia em específico, acabara no bar que frequentava de tempos em tempos, buscando um tipo diferente de paz. O local quieto com a música baixa ao fundo era agradável para si, mesmo que tivesse noção do fato de que acabara dormindo com o barman do estabelecimento uma vez. Não se podia mudar o passado – e não se importava com um que nem se lembrava – então se o visse, apenas o cumprimentaria formalmente, como sempre. Não localizara aquele rosto, no entanto, outro entrara em seu campo de visão ao adentrar o local, sem que pudesse evitar; cabelo branco era particularmente difícil de não se notar. E não era o cabelo branco que o agradava. No entanto, por pura educação, se aproximou para cumprimenta-lo. – Boa noite, Harold. – Não sabia o que havia tirado o albino de casa, mas imaginava que ele não estava lá por vontade própria. Se perguntava se Arthemis apareceria, apesar de ser improvável; vira ela trabalhando há pouquíssimo tempo.


    Última edição por Rin Damien em Qui Mar 05, 2015 9:57 pm, editado 1 vez(es)
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Mar 01, 2015 9:32 pm

    A visita àquela audiência estava marcada e sendo organizada há dias e não havia o menor problema com participar daquilo. Lhe daria uma noção da experiência prática e ajudaria em sua nota, mas a questão ruim não estava aí. Embora soubesse as razões e as aceitasse - até porque não poderia fazer nada, se não -, ternos não faziam a parte preferida de seu guarda roupa. Parecia impossível ficar confortável dentro daquele paletó e, quase de minuto em minuto, remexia a gola e as mangas, como se tentasse ajeitá-lo. Com os dois primeiros botões da camisa social branca abertos e a gravata pendurada nos ombros, foi arrastado pelos colegas de curso para o bar mais próximo. Ao que lembrava, Arthemis não iria chegar naquele horário. Ou Zion deveria estar dormindo - já que era sua semana de hibernação - ou estava jogando. E não poderia se distrair com o irmão daquela vez, pois tinha novas tarefas da faculdade para fazer assim que chegasse em casa. Estava um pouco cansado pelo dia, e também porque não dormia há duas noites. Não estava afim de chegar em casa e ter que fazer trabalhos, assim como não estava afim de socializar. Mas seus colegas conheciam sua personalidade e mesmo assim teimavam em carregá-lo para essas reuniões sem finalidades maiores. Entre os dois incômodos, no segundo, ele poderia se isolar em algum canto quando todos estivessem bêbados. Então, optou pelo segundo.

    Não demorou mais que algumas horas pra que todos em volta da mesa estivessem chapados, alguns casais se agarrando e outros de seus colegas dizendo e fazendo coisas sem nexo. Sendo o único sóbrio dali, retirou-se da mesa de forma que ninguém percebeu e sentou-se ao balcão, do barman que já conhecia, embora não tivesse trocado qualquer palavra com o mesmo. Não o via ali, o que era melhor, já que realmente não estava com vontade de socializar. Suspirou aliviado, sentindo a liberdade e o sossego lhe atingirem de uma forma que quase gerou em sono. Pediu uma bebida qualquer, que não contesse álcool, até que ouviu uma voz conhecida atrás de si. A paz se foi na velocidade em que veio. Mas não foi totalmente, assim que virou-se lentamente pra ver quem era, enfim associando a voz com o semblante igualmente calmo de Rin. Pelo menos, não era uma companhia pesada.

    'Noite. Arthemis está com você? — Perguntou obviamente, sempre primeiro pela irmã. A mais velha e o loiro estudavam e trabalhavam juntos, então era fácil vê-los um na companhia do outro, por diversas razões. Mesmo antes da resposta vir, certificara-se por si próprio com o olhar que sua primogênita não estava na companhia do menor. Voltava a direcionar o olhar a ele, perguntando-se se era comum que o mesmo viesse àquele bar frequentemente. Afinal, já era a segunda vez que o encontrava ali. E para alguém que nunca saía de casa sem motivos maiores - como Harold -, encontrar uma pessoa todas as vezes em que vai a um único lugar, era sinônimo de que aquilo deveria ser frequente. Ou quase. De toda forma, aquilo não era de sua conta, então guardou a dúvida para si.
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    Rin Damien
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Dom Mar 01, 2015 10:05 pm

    - Não, deve estar trabalhando ainda. A carga dela é maior que a minha, e mesmo que talvez fosse melhor descansar, ela insiste em ficar lá. – Um traço admirável mesmo que preocupante, considerando a saúde de Arthemis; ela era mais velha e estava um ano à sua frente, e conforme o tempo passava, medicina parecia consumir mais tempo de suas vidas. Conformando-se que não a veria naquele local, refletiu sobre suas opções. Preferia ficar quieto em seu canto que puxar qualquer assunto sem sentido, mesmo que pudesse falar do jogo com Harold. No entanto, ao mesmo tempo, naquele dia já lidara com tanta gente, que se perguntara o que seria uma a mais. Além do fato de ser levemente divertido ver o desgosto alheio com a possibilidade de uma conversa; a expressão do albino e o terno desarrumado sugeriam que ele não estava exatamente no humor para tal. E ainda assim, sentou-se ao lado dele, pedindo uma bebida não alcoólica, decidindo que apenas tomaria aquilo e o deixaria em paz. – Ela teve uma queda de pressão hoje, mas melhorou rápido. – Acrescentou, de modo a enfatizar o que dissera anteriormente.  – Tente fazer ela tirar uma folga às vezes.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Mar 01, 2015 10:42 pm

    Revirou os olhos. Se a garota estava pensando em se matar de trabalhar, ironicamente, num hospital, ela estava indo bem. Uma preocupação alarmante se expôs, assim que Harold inspirou o ar de forma pesada e audível, ao ouvir sobre a queda de pressão da irmã. Mas relaxou, quando o menor especificou que ela melhorara. Não reparou nesse meio tempo, quando foi que seu pedido chegara e já estava a sua frente, podendo pega-lo e tomar alguns goles grandes, lembrando-se do que havia escolhido. Concordara com a sugestão que Rin lhe dera, mas se perguntava por que exatamente ele se sentava ao seu lado. Por um lado, pensou em começar a ignorá-lo caso o assunto continuasse. Por outro, pensou que aquela poderia ser mais uma chance de voltar a provocá-lo. Não estava com muito bom humor durante o dia, talvez aquilo pudesse distraí-lo.

    É. Mas eu não tenho muita moral pra reclamar isso com ela. Você também não, pelo que eu estou sabendo. Tem jogado mais vezes, depois daquele dia? Ou ficou vinte e quatro horas estudando e trabalhando? — Perguntou, se referindo inicialmente ao dia em que ensinara o menor a jogar League of Legends, quando o mesmo fora até a mansão. Sabia que Medicina era tão ou bem pior do que Direito no quesito ocupação. Ambos os cursos levavam tempo para conclusão, mas Medicina tinha sua parte prática mais cansativa, ao ver de Harold. — Vai acabar desmaiando de cansaço alguma hora. Você e Arthemis. — Resmungou mais para si mesmo do que para o mais velho. — Arrume uma folga e vá lá em casa jogar comigo. Você está se tornando um ótimo Suporte e eu quero acompanhar isso. — Elogiou, sorrindo interesseiro, mas sem expôr este último fator.
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 02, 2015 12:04 am

    Surpreendeu-se ao não ter só uma resposta curta, mas também perguntas direcionadas a si, como se Harold quisesse continuar o assunto. Considerava o que era dito, sabendo que ele tinha toda a razão no fato de que os dois médicos precisavam de descanso, mas que pessoa que escolhera aquela profissão não precisava? Rin cuidava da própria saúde, sabendo que era propenso a ficar doente repentinamente, e quando sentia que realmente precisava de uma folga, a tirava. Arthemis era um caso ligeiramente diferente, em que ela não podia se esforçar demais sem cuidados diários; era responsável e dedicada no que fazia, no entanto, o loiro achava ser uma causa maior de preocupação.

    O elogio e convite o fizeram encarar Harold por alguns momentos, uma sobrancelha levantada. Não acreditava que o maior estivesse no humor para ser agradável, mas sendo algo que lhe interessava, aceitaria a simpatia, mesmo que hesitantemente.  Um pequeno sorriso se formou em sua face, enquanto pegava a própria bebida, já preparada para si. – Eu joguei. Mas sim, eu e ela precisamos descansar. Não parei de trabalhar, ou estudar... Só decidi dormir menos. – Ser movido a energéticos não era algo ruim quando se acostumava, apesar de apagar por horas em qualquer oportunidade que tinha. Depois de jogar uma – ou algumas – partidas de League. – Fui pro nível dez, bem rápido, até. Comprei a Lux, e venho testado os que vêm de graça pra ver os que gosto. Descobri que não me dou bem com classes muito pesadas, normalmente as do top. – Pausou, percebendo o quanto poderia se deixar levar falando daquilo, e tomando um gole da bebida. – Mas, certo. Vou tirar algum dia pra dormir até tarde e aparecer por la. Aliás, o que te traz aqui? – Questionou, ainda com a curiosidade pelo albino estar fora de casa, aparentemente sem ninguém, em um bar.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Mar 02, 2015 9:30 am

    Não foi difícil perceber o assunto que o loiro mais teve facilidade em falar sobre. Dormindo menos, hm? Sentiu vontade de rir, mas a segurou. Aquilo alguma hora o atrapalharia nos estudos e/ou no trabalho e, se esta não fosse sua intenção, começaria a reclamar imediatamente. Mas como fazia parte dos planos, permaneceu calado. O nível dez era fácil de atingir e depois dele, a quantidade de experiência necessária para os próximos níveis começaria a aumentar mais. Ele perceberia essa diferença em breve, explicou. Imaginava que ele não fosse se sair muito bem com os tanques de cara, já que eram funções muito opostas, mas indicou os atiradores e os magos que normalmente vão para a rota do meio. Só quando adquirisse mais prática que ele conseguiria se sentir um pouco mais confortável com os da rota superior e quem sabe, um dia, os campeões destinados à selva. Mas logo o assunto sobre o jogo fora interrompido, a partir do momento que Harold girou os olhos e apontou com o polegar a mesa de pessoas do outro canto do bar. Não seria difícil saber qual era, visto que os rapazes estavam todos com trajes parecidos com os dele. Só que bem mais desarrumados e, assim como as moças, totalmente embriagados. Harold deu um sorriso debochado.

    Melhores pessoas. — Ironizou, resmungando em seguida. — Não aguentam um dia de responsabilidade sem depois quererem virar do avesso. Vou adorar ver quem é que vai dirigir depois. — Disse, sabendo que aconteceria e sem dar a mínima. Encarou o loiro, pouco interessado, voltando a dúvida que havia criado anteriormente, mas agora decidindo expressá-la. — E você, costuma vir aqui com frequência? Tem tempo pra isso?
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    Rin Damien
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 02, 2015 12:29 pm

    Ouvia atentamente o que era dito sobre o jogo, com as novas informações passando a não se preocupar com o fato de que não conseguia jogar direito com um tipo de personagem. Talvez no futuro existissem alguns daquelas classes com os quais ele gostasse de jogar. Estava prestes a falar que nem sabia o que era a jungle direito, apesar de ter pesquisado e passado por ela diversas vezes; não entendia a finalidade dos bichos como um todo. Contudo, seu olhar se desviou para onde Harold apontava. Amigos de faculdade, completamente bêbados. Não era uma visão incomum, em qualquer curso que fosse. Rin não poderia falar muita coisa, afinal, ele mesmo acabara naquela situação algumas vezes, mas ainda desaprovava quem fazia daquela prática grande parte da vida letiva. – Não com frequência. Como você disse, tempo. Mas de vez em quando, sim. – A partir daquilo, de alguma forma começaram a discutir álcool e os efeitos negativos que trazia, tanto no corpo e na mente quanto nos estudos e carreira das pessoas.

    Durara até terminar a própria bebida, que fora o quanto prometera a si mesmo ocupar o tempo alheio. Pagou por ela e levantou-se, oferecendo um aceno de cabeça em despedida ao mais novo, apesar dele também parecer não querer continuar ali, o informando que também iria pra casa e deixaria os colegas bêbados se virarem. Na porta, no entanto, o loiro notara algo que passara despercebido anteriormente, tendo o som provavelmente disfarçado pela música ambiente. Chovia. Muito. Se desse mais algum tempo, a rua provavelmente alagaria. Uma expressão sutil de preocupação passou pela própria face; morava perto o suficiente do local para não ter que ir de carro se desejasse, e naquele dia decidira vir andando. Sem guarda-chuva. O céu parecera límpido mais cedo, e não fora uma preocupação imediata. E ainda assim, preferia ir logo do que esperar a situação piorar, sem ter noção de quando a chuva passaria.

    Olhou de esguelha para Harold, que também planejara sair. – Vai ficar bem nessa chuva? – O outro deveria estar de carro, mas a preocupação era válida. Se não estivesse, provavelmente ficaria no bar. Não tinha qualquer obrigação de dar aquela sugestão, no entanto, imaginava se o outro consideraria aquilo uma opção melhor. Ele próprio não gostava de dividir o espaço pessoal com ninguém, e ainda assim, conhecia o albino o suficiente para ao menos considerá-lo. – Se não tiver como voltar, pode ir lá pra casa até a chuva passar. É perto daqui.
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Mar 02, 2015 4:33 pm

    Uma das coisas que mais detestava era ser pego desprevenido. E exatamente por serem raras as coisas que conseguiam este feito, Harold não estava acostumado a passar por surpresas inconvenientes. O clima era uma dessas coisas. Nem sempre a meteorologia acertava as previsões, sem falar que chuvas repentinas não eram nada raras em metrópoles. Mas aquela em questão estava forte o suficiente para o som das gotas frenéticas ser quase doloroso aos ouvidos. Praguejou por não ter ido de carro naquele dia. Realmente, todas as vezes que resolvia optar por contar com a sorte, ela provava sempre que não gostava de Harold.

    Andar na chuva não era exatamente o problema. Não ficava doente fácil e não é como se as roupas fossem derreter na água. A questão estava mais em cima. Harold tinha uma péssima visão e andar livremente pela chuva enchia seus óculos de gotículas de água. Obviamente, nunca dava para enxergar nada direito e se tirasse-os do rosto, teria de lidar com sua visão nua e crua – que era quase nenhuma. Lentes de contato, nessas horas, eram a melhor solução. Mas antes estivesse com pelo menos um guarda-chuva. Apertou o nariz por entre os olhos, por baixo dos óculos, suspirando pesado e querendo amaldiçoar o responsável por aquela chuva. Fez um gesto afirmativo quanto a pergunta de Rin se ele ficaria bem. Ele não parecia estar carregando nenhuma solução para o seu problema. Não ficaria no bar, estava de saco cheio das vozes estridentes de seus colegas.

    Quando já estava resolvendo que iria arriscar andar pela chuva – quase – às cegas, o loiro lhe fez uma ótima proposta. A casa dele sendo perto, não lhe renderia muitos tombos em bueiros na rua.

    É, eu estou sem carro. Vou aceitar sua oferta. — Tirou o paletó, jogando-o sobre a cabeça de Rin. Iria usá-lo na própria caso fosse pra casa sozinho, na tentativa de proteger os óculos, mas seria um problema se o loiro pegasse um resfriado. Se ele fosse trabalhar doente, com certeza passaria para Arthemis. Faria o possível para evitar, mesmo que o tecido fosse ficar encharcado com alguns minutos de caminhada.

    Harold pousou a mão sobre a cabeça do outro, segurando a roupa ali e ao mesmo tempo, usando-o de "guia" durante o percurso. Diria adeus ao seu celular no bolso da calça, mas pelo menos a carteira era impermeável e os cartões estariam a salvo. Aproveitavam as marquises de lojas em geral, que iam achando na rua pelo caminho. A chuva estava tão forte que em menos de um quarteirão, Harold parecia que havia pulado de roupa numa piscina. Seus óculos estavam cheios de gotinhas, mas tampava a testa com a mão livre e ainda dava para enxergar um pouco. O suficiente para não dar de cara num poste ou numa árvore, pelo menos.

    Quando Rin parou, estavam em frente no que acreditava ser a moradia do loiro. Não tinha a mente limitada pelo dinheiro, então não se admirou em nada por não ser uma casa, mas sim um edifício residencial. Já havia entrado em alguns mesmo que não fosse frequente, então apenas adentrou o hall de entrada e fez a trilha de água até o elevador, ao lado de Rin. Retirou o paletó da cabeça alheia, pensando que o mais velho não iria gostar muito de que lavasse o chão do apartamento dele pela quantidade de água que tinha em todo seu ser. Pelo menos, o menor não estava relativamente seco também.

    Que bagunça... — Resmungou, retirando os óculos e passando a mão no rosto, retirando os fios brancos da franja colados em sua pele e que escorregavam pelos olhos. Entraram no elevador e reparou o número do andar que Rin selecionava. Agora que parava, sentia as noites que não dormiu e o dia cansativo pesar em seu corpo. Aos poucos, seu semblante foi piorando de humor mais uma vez.
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    Rin Damien
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 02, 2015 6:12 pm

    Tendo confirmado que Harold iria segui-lo, acabara com o paletó alheio como uma proteção – não muito efetiva - contra a chuva e com uma mão em sua cabeça enquanto andava pela rua. Apenas naquele momento associara a falta de visão do albino com o problema que o clima já trazia. Primeiramente considerou se a proteção da roupa extra o cobrindo seria útil, decidindo não reclamar devido a não querer ou poder ficar doente com o tanto de coisas que tinha para fazer, porém, após minutos de caminhada, concluiu que precisaria se cuidar efetivamente, pois a água parecia ter se infiltrado por cada caminho possível de seus poros e roupas.

    Fora um alívio entrar em um local coberto novamente, e observando o mais novo pelo canto do olho, notou que se Rin se sentia mal, ele deveria estar algumas vezes pior. Não era exatamente a sensação de estar sujo, mas poderia ser igualmente desagradável. Se encaminharam ao elevador, e sentindo o peso retirado da própria cabeça, apertou o número do próprio andar, resistindo a vontade de encostar na parede do quadrículo. Não precisava que uma propriedade do edifício sofresse com o quão molhado estava. A bagunça deveria ser o mais reduzida possível. Ao finalmente chegarem, arrastou os pés em direção à porta correta e, após achar a chave encharcada em um bolso, destrancou-a.

    Morara ali desde que se entendera por gente. Fora o local que sua mãe comprara quando se separara de seu pai, então tinha um espaço relativamente aconchegante para duas pessoas. Agora, apenas ele vivia ali e pagava as contas do local, porém, nunca pensara em se mudar. Nem teria condições, nem queria se desprender tão cedo das lembranças que o local trazia. E morar com o pai estava fora de questão. Contudo, ainda possuía duas companhias, mesmo que não humanas – o que era preferível – no local. Uma não estava a vista, mas outra, possuindo uma pelagem esbranquiçada, estava localizada preguiçosamente deitada no sofá da sala de estar que adentraram.

    Virou-se para Harold antes que ele tivesse a chance de dar mais do que um passo para dentro, de modo que não molhasse o ambiente mais que o necessário. – Espere aqui. Vou trazer uma toalha pra você tentar se secar, pelo menos um pouco. E depois, vá pro banho. – Algo que ele próprio também faria. Era o mínimo necessário para se secarem propriamente, se aquecerem, e no caso do maior, deixar as roupas pra secarem. O que levava a outra questão. – Mesmo se você tivesse roupas secas, elas não teriam sobrevivido a isso. Deixe as suas secando, e o resto resolvemos depois. – Ainda que seu tom fosse suave, não havia espaço para discussão em suas palavras. Rapidamente se dirigiu ao banheiro mais próximo, logo voltando com uma toalha para o outro, reprovando a própria trilha de água que deixava no caminho. – Use aquele banheiro. – Apontou pra uma das portas do corredor ao longe. – Vou fazer um café quando estivermos... Vivos, de novo. Qualquer coisa, pode perguntar.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Mar 03, 2015 5:56 am

    Como o esperado do melhor amigo de sua irmã, ele era perfeitamente organizado como ela. O apartamento poderia não ser largo o suficiente para agradar o costumo de quem mora em uma mansão, mas era aconchegante, também pelo fato de estar limpo e bem arrumado. E antes que pudesse estragar tudo aquilo com uma linda trilha de água, o outro começou a assumir uma leve posição mais autoritária. "Minha casa, minhas regras", conseguiu ouvir entre as ordens feitas sobre ele ir ao banheiro e cuidar da própria situação. Fez uma visível expressão de desgosto quando lhe foi entregue a toalha, sabendo que não ia dar pra discutir na própria situação e ele concordava: os dois precisavam de um banho quente.

    Ainda pensando na possibilidade de Rin ficar doente e passar pra sua irmã em qualquer situação, tentou convencê-lo de ir primeiro, mas aparentemente não tinha conversa. Tirou os sapatos e as meias – tudo mergulhado n'água, obviamente – e perguntou onde seria melhor deixá-los para que secassem. Tirou o excesso de água dos pés, do cabelo e de onde conseguiu mais. A roupa parava de pingar e deu sorte pelo terno ser de um tecido grosso: a camisa social estava infinitamente mais lavada do que a calça, que pareceu resistir um pouco mais. Só passou a se perguntar se o "Depois pensamos nisso" de Rin fosse sugerir que Harold ficasse pelado perambulando pelo apartamento. Seria engraçado ver a reação do loiro se o fizesse, na realidade. Mas tinha uma breve solução. Ele trabalhava de cabeleireiro num salão, correto?

    Se você tiver um secador de cabelo, talvez eu possa secar as minhas roupas mais rápido. Acho que nenhuma sua serviria em mim... E você não quer me ver só de toalha. Ou quer? — Perguntava por último como se tivesse sido uma reflexão súbita que o surpreendeu como possibilidade. Mas na verdade, não pode deixar de sorrir minimamente enquanto perguntava, o que acabava entregando que só estava zoando com o loiro. Agradecia a possibilidade do café mentalmente. Não o tamava durante todo o percuso do dia e daqui a minutos começaria a ter abstinências.

    Levara-se ao banheiro, encarando o gato espreguiçado e todo arregaçado no sofá, como se nada na vida dele fosse mais importante do que dormir. Piscou algumas duas vezes, voltando a direção indicada antes que voltasse a respingar pelas roupas. Mas ficou só na intenção quando outro bichano brotou na sua frente e por pouco, ou não caiu por cima do gato, ou não pisoteou ele. Por reflexo apoiou a mão na parede, sendo o que o impedira de cair. E levantara a perna que o desequilibrara, mas sendo o que impedira a morte do gato por um pé. Respirou, enquanto o pequeno serzinho se enroscava em seu tornozelo, como se não tivesse percebido que quase tinha morrido. Logo depois foi se juntar ao outro no sofá. E Harold pôde ir ao banheiro, se certificando de que não haveria mais nenhum tamborim de quatro patas em seu caminho.

    Logo Rin aparecera com o secador, o entregando e deixando-o sozinho no cômodo finalmente. Estirou as roupas molhadas sobre a bancada da pia e ligou o chuveiro, deixando para cuidar das roupas quando terminasse.
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    Rin Damien
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Ter Mar 03, 2015 1:10 pm

    Respondeu a pergunta de acordo; os sapatos poderiam permanecer ali até que ele próprio estivesse seco para deixa-los em outro lugar. Não poderia fazer nada quanto à poça que já se formara na entrada e a trilha de água até os banheiros, mas seria o máximo que permitiria que aquilo se espalhasse. Ele próprio pegara uma toalha para si e tirara o excesso do cabelo e das roupas, tendo se livrado dos próprios sapatos no banheiro por conveniência; depois os moveria também. Voltara o olhar a Harold ao ouvir outra questão direcionada a si, decidindo apenas por levantar uma sobrancelha e ignorá-la. Não possuía problema algum com corpos nus, visto sua profissão, e no máximo, se tivessem que recorrer àquilo, tacaria um cobertor no albino em nome da decência e para garantir o aquecimento alheio. No entanto, a sugestão anterior era válida, e Rin concordara em buscar um aquecedor para o outro.

    Não fora difícil localizar o item, encontrado no banheiro pessoal que era acoplado ao próprio quarto. Após entrega-lo ao mais novo, fora à própria jornada para finalmente tomar um banho quente. Conseguira quase dormir ao fazê-lo, aliviado com a sensação de frio úmido retirada de si, e apenas calor. E mesmo relativamente lento, conseguira sair do chuveiro e botar uma roupa quente e confortável em cerca de dez minutos, se conformando em secar o cabelo com a toalha e prendê-lo, como sempre fazia, por questões práticas. Preferia deixa-lo curto, mas com a própria falta de tempo, os fios pareciam crescer como quisessem. Ainda que fosse cabeleireiro, deixa-lo preso era a solução que menos dava trabalho, apenas cortando os fios quando saíam demais do controle.

    Finalmente sentindo-se seco e vivo – ainda que sonolento, o que era considerado seu normal – passou à missão de secar o chão da casa. Não demorara tanto, e assim que terminara, fora em direção à janela mais próxima para avaliar a situação, mesmo que pudesse ouvir o som quase violento das gotas batendo de encontro a ela. A rua se encontrava alagada, e definitivamente parecia que a chuva não pararia tão cedo; não havia como ter certeza, no entanto, com um tempo que muitas vezes parecia não se decidir concretamente. Ao ouvir o som único e alto do secador sendo ligado, se dirigiu a cozinha para preparar o café que prometera, ele próprio começando a sentir falta do líquido. Enquanto o fazia, decidiu pegar um copo de água e tacar uma pastilha de Vitamina C dentro, a tomando apenas por precaução. Tentaria descansar mais naquela noite, também, para não desgastar o próprio corpo.

    Tendo o café pronto, pegou uma xícara para si e uma para Harold, servindo o líquido e novamente indo até a sala. Deixou a xícara do outro em cima de um porta-copo na mesa de centro e enfim, sentou-se no sofá com a sua, aproveitando o gosto da bebida que acabara levemente viciado ao longo dos anos, enquanto finalmente parava e olhava seus gatos direito. Nietzsche, ou Nie, o macho com pelagem preta, parecia querer brincar e incomodava Albioni – Albi – a fêmea branca que anteriormente só estivera tentando dormir em paz. Esticou o braço, e com a mão livre o retirou de perto da gata, e o felino fora alegremente para seu colo, miando em contentamento ao ver o dono. Um sorriso que era raramente visto na face do loiro se fez presente, enquanto alisava calmamente o pelo do animal. A outra, notando o que havia acontecido, se movera do local para se deitar novamente perto dele, descansando encostada em sua perna. Tão melhor que companhia humana.
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Mar 03, 2015 7:22 pm

    Não demorara mais de cinco minutos para encerrar seu banho, secando-se com a toalha que lhe fora emprestada – mesmo esta já estando parcialmente úmida –, amarrando-a na cintura em seguida e já ligando o secador de cabelo em direção as roupas estiradas na bancada. Sentiu-se meio idiota por ter que ficar parado, secando a roupa com um aparelho que não servia exatamente para aquilo. Mas como não havia outra opção, também não havia motivos para resmungar, então permaneceu calado ao som alto peculiar do objeto. De vez em quando precisava levantar as mangas do paletó e da camisa pra que secassem melhor e graças a isso, dava pra notar quando estariam aceitáveis. Não fez questão de deixa-las secas totalmente, mas pelo menos não sairia molhando tudo pelo caminho e o resto secaria em seu corpo.

    Vestiu-as, sentindo alguns pedaços mais umedecidos que outros, mas muito melhor que antes. Não se deu o menor trabalho de pentear o cabelo, esperando que este fosse se ajeitar por si só quando secasse. Como normalmente acontecia – não da melhor maneira, mas acontecia. Saiu do banheiro de calça e camisa, com o paletó no braço apenas pra não deixa-lo largado. Sentiu imediatamente o cheiro de café e só isso foi o suficiente para que metade de seu humor perdido voltasse. Apressou-se até a sala, vendo Rin no sofá junto com os dois gatos e sentou-se ao lado dele, pegando a caneca separada para si e logo tomando o líquido todo de uma vez só, ignorando a alta temperatura. Não perguntou se poderia pegar mais, visto que ele havia feito para eles apenas, então, apenas encheu a caneca novamente, agora tomando aos poucos. Encarou os bichos deitados ao lado do loiro e, não havia reparado antes, mas surpreendeu-se ao vê-lo sorrindo. Se não fosse Harold, qualquer outra pessoa acharia aquela cena a coisa mais adorável do mundo, mas o albino arqueou-se para trás com uma cara muito assustada.

    ... ‘Cê tá bem? — Sussurrou, como se o outro fosse uma bomba que explodiria a qualquer momento. Era muito estranho ver Rin sorrir daquele jeito sincero e dócil. Deveriam ser os gatos. Eles pareciam ter um apreço muito grande pelo dono deles. Mencionou o gato Persa que Arthemis havia ganhado quando fez quinze anos. O bichano vivia bem, até Harold crescer e fazer auto-escola. Não lembrava exatamente o motivo de ter matado o gato, mas deixou parecer que havia sido um acidente e ele que dirigia mal na época, para Rin. Embora nada em seu semblante tivesse algo parecido com culpa. De toda forma, não é como se fosse sair matando os gatos dos outros. Não gostava de Astaroth em particular. Mas concordava com o ditado que dizia que gatos tinham sete vidas. O gato não morreu de imediato, mesmo quase todo quebrado. Ainda havia dado tempo de leva-lo ao veterinário e Harold quase teve que apelar pra encruzilhada pra que o bicho não voltasse vivo. Não foi necessário, pois havia morrido na cirurgia. Descanse em paz você e sua cara amassada, bola de pelos desgraçada.

    Escorou o cotovelo no braço do sofá, bocejando e sentindo o corpo pesar de novo. Tomou mais um bom gole do café, deixando pela metade da caneca. Reparando melhor, não havia nenhum sinal de que os pais de Rin estivessem em casa. Na verdade, não havia sinais de que eles sequer morassem ali com ele. Não lembrava ao certo se Arthemis havia mencionado sobre o loiro ser independente, mas sendo ou não verdade, não fazia tanta diferença. Direcionou o olhar novamente ao loiro, franzindo o cenho. O gato branco vinha em sua direção de uma maneira afetiva demais pro gosto de Harold. Não se moveu, mas também não fez a melhor cara do mundo quando o gato escalou seu peito e meteu a cabeça em seu queixo, roçando numa carícia que deveria fazer sentido pro animal. Pegou-o pelo cangote, vendo o gato travar com as patas encolhidas e encarando-o. Largou-o de volta no colo do dono, mas ele voltava de novo e agora massageava a perna do albino. Provavelmente ficaria arranhado naquela parte, pois as garras passavam pelo tecido da calça sem ter que exatamente rasga-la. Olhou para o loiro.

    Ótimo. Estou sendo assediado.
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    Rin Damien
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Ter Mar 03, 2015 8:45 pm

    Notou brevemente quando Harold aparecera, aparentemente também seco, e com a aparência muito melhor do que anteriormente, mesmo que a expressão de desgosto não se alterasse muito naquela face. Deixou que bebesse o café, ele próprio tomando o de sua xícara lentamente enquanto continuava a se distrair com os gatos. Levantou novamente a cabeça ao ouvir a pergunta alheia, surpreendendo-se com a expressão no rosto do albino, a própria questionando em resposta o que havia de errado. Logo ouvia uma história sobre um gato que conhecera, de Arthemis, que soubera que havia morrido tragicamente em um acidente de carro. A parte que não chegara a seus ouvidos fora que o irmão dela o atropelara. Não o agradava ouvir o fato, e não pode evitar olhar com reprovação para o outro, contudo, não era como se acidentes desagradáveis não pudessem acontecer no dia-a-dia. Provavelmente chutaria o albino de volta para a chuva se ouvisse que ele matara intencionalmente um bicho, mas sobre o ocorrido, não havia solução.

    Quando a gata começara a mexer com o mais novo, o sorriso voltou à face do loiro, mesmo que em escala menor, seguido por uma breve risada com as palavras alheias. – Ela gostou de você. – Prosseguiu apresentando os gatos, notando que não o fizera até então, enquanto terminava seu café e depositava o recipiente na mesa, em seguida trazendo Albi novamente para perto de si, desta vez a deixando em seu ombro. Ela permaneceu relativamente imóvel no lugar, mesmo que continuasse a encarar a visita. Desta vez pegando Nie com os braços, levantou-se, mesmo que todo seu corpo quisesse continuar sentado no conforto. – Pode dormir aí, se quiser. Vou pegar um travesseiro e cobertor pra você, e se precisar de qualquer coisa, só chamar. Mas vou acreditar que você é competente o suficiente pra achar o que quiser na cozinha. Pode pegar o que for, só não bagunce. – Foi até o próprio quarto antes de obter uma resposta, deixando os felinos em sua cama e pegando o que prometera antes de retornar. – Descanse. A chuva não parece que vai parar tão cedo. – Sem mencionar que logo já não seria hora em que qualquer ser vivo deveria estar andando na rua.

    Tendo isto resolvido, recolheu as xícaras e a garrafa de café – já praticamente vazia – indo lavá-las para que enfim pudesse dormir de vez. Logo desabava em sua cama, afundando no colchão com um cobertor macio, sentindo o mundo real se distanciar em apenas alguns segundos. Ao abrir os olhos vagarosamente, as primeiras luzes da manhã entravam por sua janela e um dos gatos miava, provavelmente para sinalizar que queria sair do aposento. Não queria se levantar. Havia descansado mais que o normal, e ainda assim, não parecia ser o suficiente para que se sentisse de fato energizado. No entanto, tinha que trabalhar em algumas horas, e muito lentamente começou o processo para o início do dia. Tendo a cama arrumada, higiene matinal cuidada, e os bichos liberados para vagarem o apartamento, se arrastou até a cozinha, constatando que Harold permanecia no lugar onde o deixara na noite anterior. Não ouvia qualquer sinal de chuva, então imaginava que ele iria para casa assim que acordasse. Poderia ao menos não deixa-lo ir com fome. Panquecas. Vamos lá.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Mar 05, 2015 4:54 am

    Não soube exatamente o que comentar quando escutara os nomes dos gatos. Nietzsche deveria ser algum tipo de sarcasmo e Albinoni... Não entendia exatamente as razões de Rin para dar o nome de um filósofo pessimista e um compositor barroco pra dois gatos. Mas bem, sua irmã havia dado o nome de um demônio para o maldito – e falecido – Persa dela. Por esta razão, apenas se perguntou qual deveria ser o problema dos dois. De vez em quando, se sentia conversando com Arthemis quando conversava com Rin. Os dois pensavam quase de maneira idêntica, tinham quase a mesma forma calma de falar e quase a mesma expressão serena. As diferenças, embora fossem detalhes, era o que dava a cada um, um toque único. Que faziam Harold não chamar a irmã de Rin e nem o garoto de Arthemis. Agradecia pelas peculiaridades então.

    Para a sua infelicidade – e talvez, para o dono da casa também – a chuva realmente não dava sinais de que cessaria tão cedo, sendo a melhor opção ficar lá. Dormira no sofá conforme pedido pelo anfitrião, mas apenas em tese. Harold ficara perambulando pela casa alheia silenciosamente – como um gato intruso –, pois faltava-lhe sono quando mais precisava. Estava cansado, exausto, mas o sono simplesmente não vinha. O que o deixava mais indisposto ainda. O local não era a melhor coisa para sua repentina imitação de alma penada sem rumo, então ele deve ter passado pela cozinha, corredor, banheiro, sala, umas vinte vezes sem fazer absolutamente nada de relevante. A roupa em seu corpo secara totalmente, quando decidiu tirar a camisa e se enfiar debaixo do cobertor, se conformando de que andar não faria o sono vir. Deitar também não e estava sem seu celular – lembrar que teria de comprar outro só o deixou pior –, então Harold só foi conseguir pregar os olhos quando o céu já estava clareando. Não viu o tempo passar quando abrira os olhos novamente, dando a impressão de que dormira apenas dez segundos. Mas já estava totalmente claro e ouvira um ruído vir da cozinha. Ah, certo. Meio lerdo pela sonolência e pela noite pessimamente dormida, levantou-se reconhecendo que não estava em sua casa. Não fora culpa do sofá. Não era raro ele dormir até na mesa da cozinha. Mas a insônia parecia escolher a dedo quando queria se instalar, ao menos.

    Levantou-se, sendo guiado pelo som de utensílios culinários sendo remexidos, embora não soubesse reconhecer apenas pelo som o que estava acontecendo. Rin, foi a primeira coisa que viu, mas não precisou nem entrar direito na cozinha para girar nos calcanhares, virar e ir em direção ao banheiro. Higiene e etc. Voltara melhor e agora ligeiramente mais vivo, tendo lavado o rosto até se afogar quase. Precisava de mais café. Ao chegar na cozinha, iria oferecer um bom dia rosnado pelo mau humor matinal, mas se interrompeu ou ver Rin ter uma ligeira dificuldade para abrir um saco de farinha. Péssimo. Aquilo iria explodir pela pia e chão se o saco rasgasse descontroladamente. Como era mais alto que o loiro, não teve dificuldades em se aproximar por trás e pegar o pacote das mãos menores, com o menor entre os braços. Pegou uma faca no meio dos talheres próximos e cortou o plástico por cima, apenas uma parte. Largou tudo de volta a pia, deixando que o mais velho continuasse a partir dali.

    ‘Dia. — Sentou-se na cadeira da mesa, vendo a gata branca, Albinoni, surgir do buraco do inferno e se enroscar em seu tornozelo. — ... ‘Dia também, bola de pelos. — Resmungou, insatisfeito.
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Qui Mar 05, 2015 10:20 am

    Ouvira passos adentrarem a cozinha e se retirarem, e apenas olhou de relance para a porta para constatar que, de fato, Harold havia acordado, enquanto continuava a juntar os ingredientes para o que planejava fazer. Sabia cozinhar desde sua adolescência, o que particularmente viera a calhar quando passara morar sozinho, significando não ter que gastar tanto ou comer muitas coisas prejudiciais à saúde; e panquecas era um alimento simples o suficiente para ser feito no café da manhã. A dificuldade se encontrara, na verdade, no fato de algumas embalagens não serem exatamente fáceis de se abrir. Estava considerando pegar uma tesoura para que não acabasse sujando o ambiente do pior jeito possível, quando sentira uma presença surgir atrás de si, tomando o saco de suas mãos.

    Devido à concentração anterior, nem ouvira o albino retornar, e pôde apenas ficar parado, sem ter realmente como se mexer direito com seu espaço pessoal invadido. Ainda assim, fora uma ajuda, mesmo que planejasse resolver a situação de forma ou outra. – Obrigado, e bom dia. – Poderia ter perguntado se ele dormira bem ou puxado outro assunto qualquer, contudo, o silêncio que se instalara enquanto Rin começava a preparar a comida sem maiores dificuldades não era desagradável; ele próprio não era uma pessoa que apreciava assuntos desnecessários, principalmente àquela hora da manhã. Tendo a massa pronta, parou momentaneamente para fazer café, deixando a garrafa e uma xícara em cima da mesa para Harold, observando o quanto sua gata parecia se divertir tentando escalá-lo. O que o lembrara de botar ração para os dois animais.

    Tendo enfim terminado tudo o que precisava, escolhendo por fazer panquecas salgadas, depositou o alimento onde comeriam, logo pegando pratos individuais e talheres. Finalmente sentando-se ao ter cada coisa em seu devido lugar, cobriu um pequeno bocejo com a mão enquanto servia uma xícara de café para si. Começou a comer lentamente, o olhar se dirigindo por hábito ao relógio pendurado na parede, e lembrou-se de algo que poderia servir de ajuda ao maior. No dia anterior não tivera disposição ou vontade de dirigir na chuva por ruas alagadas, mas o fato era que possuía um carro, que logo usaria para ir ao primeiro trabalho do dia; o salão, no caso. – Quer uma carona pra casa?
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Mar 05, 2015 4:13 pm

    Pensou se seria uma boa ideia se oferecer para ajudar, mas Rin parecia estar indo bem sozinho – e não é como se sua inexperiência culinária fosse ajudar de alguma forma. Já havia contribuído do jeito que conseguia, na verdade. Apenas se pôs a fitar a gata escalar sua calça, chegando até o joelho e depois escorregando, caindo sentada em seu pé. Ela deveria estar na quinta tentativa quando o loiro distribuiu a louça pela mesa para que pudessem se servir. Ajeitou-se na mesa, ignorando o animal em sua perna, que pareceu logo desistir de tentar subir e pôs-se a distrair-se com os pés de seu dono. Eles eram silenciosos, pelo menos. Mesmo que estivessem fazendo uma certa festa à toa, não se lembrava de ter escutado eles miarem, exceto pela noite, de dentro do quarto do médico. Mas nada que tivesse sido incômodo, já que de certa forma, não o estava impedindo de “dormir” em nada.

    Não seria necessário ir de carro com o mais velho. A chuva havia parado e pelo tempo, as ruas já haviam escoado o alagamento. Poderia ir a pé, mesmo que a distância fosse grande, mas lembrou-se que não avisara a Arthemis, nem Zion, nem absolutamente ninguém que iria passar a noite fora. De todo jeito, eles o conheciam bem e não era raro Harold fazer as coisas de uma hora para a outra sem dar aviso prévio. Em desespero ninguém iria ficar. E levariam um sermão se ficassem, também. Considerou alguns prós e contras e viu que não tinha tanta necessidade de ir a pé pra casa. Já que o outro estava oferecendo, por que não aceitar?

    Certo, eu vou contigo. — Anunciou até que sem querer, pisou no rabo de Nietzsche, que não viu quando estava passando por debaixo da mesa. Foram necessários apenas cinco segundos para o caos se instalar. Um miado estridente de dor, uma joelhada na mesa por reflexo – que jogou dois pratos no chão, se espalhando em cacos –, três lindos cortes no pé de Harold, feito pelas garras nervosas do bichano atordoado – que fugiu como um raio para o quarto do dono, provavelmente, embaixo da cama. E para finalizar, o borrão de sangue no piso frio da cozinha, é claro. Doía. Bastante.

    ... Opa?
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Qui Mar 05, 2015 6:23 pm

    Ao ter o convite aceito, meneou a cabeça em concordância, pensando se deveria dar um olá para Arthemis ao passar na casa dela, e decidindo por não fazê-lo. Provavelmente vai estar dormindo. Comia silenciosamente, de vez em quando fazendo um carinho em Albioni com o pé, até que quase pulou da cadeira e por pouco não chutou a gata ao ouvir um miado alto de dor, seguido de vários barulhos estridentes antes do silêncio se espalhar novamente, cortado pelas única palavra de Harold. Localizou o borrão preto quando este saíra correndo da cozinha, os pratos quebrados, e olhando calmamente para baixo do móvel após o caos, sangue. – Fique parado.

    Seu tom era extremamente calmo, mesmo que fosse implicitamente uma ordem. Não estava exatamente feliz ao ter sua louça quebrada, e veria o estado de seu gato depois, mas pela velocidade em que Nietzsche saíra do aposento, deveria estar bem. Recolheu também a fêmea, a colocando fora da cozinha e fechando a porta para evitar que andasse sobre vidro quebrado. Logo após tê-lo feito, pegou uma vassoura e varreu os cacos de forma minimamente decente para longe, falando para Harold se sentar de lado enquanto localizava um kit de primeiros socorros que deixava por perto. O sangue teria que limpar depois, visto que continuava a escorrer do pé alheio, e tendo lavado as mãos, abaixou-se ao lado do outro para verificar o estado do ferimento.

    Três cortes uniformes, provenientes das garras do felino, e muito menos graves do que pareciam inicialmente com todo aquele sangue. Estancou o fluxo e o limpou propriamente, aplicando um antisséptico próprio para tal.; e mesmo não sendo estritamente necessário em casos como aquele, enfaixou o ferimento. Após examiná-lo uma última vez, levantou-se, encarando o albino novamente após o término do processo. – Deixe eu terminar de limpar o lugar, aí veja se consegue andar direito. São só arranhões, então logo vão sarar. E tenha mais cuidado com os gatos. Não quero te devolver morto pra sua irmã, se puder evitar.
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Mar 05, 2015 8:07 pm

    O máximo de expressão de dor que fez, foi levantar uma sobrancelha por um momento, seguindo com o cenho franzido, pela bagunça resultante de seu sangue e seu reflexo. Quase fez o favor de raspar o pé machucado nos cacos de vidro, quando Rin começara a varrer para longe e pedira para que ele se sentasse de lado na cadeira. Assim o fez, olhando-o ajeitar a bagunça que Harold e Nietzsche fizeram, assim como tirava Albinoni – que começava a miar finalmente, bem alto por sinal. Ora, antes o rabo do que a cabeça. Pensou consigo mesmo, ao ter o pé tratado pelo aspirante a médico. O maior já havia tido ferimentos extremamente mais graves do que aquilo, com curativos bem mais porcos do que estava tendo. O mais velho era realmente caprichoso, tanto quanto Arthemis era. Dava para ver que ambos levavam jeito com a coisa, ... Embora ele esteja meio puto. Sorriu, percebendo que não deixou o rapaz nada contente. Não sabia se era por ter ferrado com parte da louça, ou se era por ter pisoteado um de seus gatos, mas ao contrário de 90% das besteiras que Harold fazia, aquela fora completamente acidental. Mas não pretendia se desculpar ou pedir para que o menor tivesse alguma “clemência”. Gostava de ver o rosto alheio menos tranquilo do que era de seu costume. Lhe proporcionava uma alegria quase única.

    Procurava ignorar a pequena ardência que o machucado lhe proporcionava ao pisar no chão, mas não tirava sua capacidade de caminhar. De toda forma, agora ao menos, tinha uma justificativa bem mais plausível para aceitar a carona do mais velho do que simplesmente “Por que não?”. Levantara-se normalmente, como se não estivesse machucado, preferindo tentar ignorar a existência da ferida do que esperar que ela doesse a cada movimento. Eram apenas alguns arranhões, então aquilo não era justificativa para não ajudar a limpar a bagunça que ele mesmo fez. Lembrou-se que dever favores não lhe agradava tanto. E já estava devendo alguns muitos para Rin.

    Relaxe. Aconselharia até você deixar uma parte pra ela terminar o serviço. — Debochou, enquanto derramava um pouco de desinfetante no chão – que pegara de onde o menor indicou quando pediu. O sangue havia apenas borrado o piso, então não foi preciso muito mais do que um pano de chão para limpar as marcas da violência. Feito isso, apressou-se em procurar os sapatos, por sorte já estando secos – visto que o material demorava bem mais para secar do que tecido de roupas. Verificou se não havia mais nada para recolher fora o paletó e a carteira – e o celular quebrado – indo na frente pelo corredor e esperando o elevador enquanto Rin fechava a porta do apartamento, deixando os gatos que voltaram ao silêncio.

    O pé machucado estava ligeiramente incomodado dentro do sapato social, o que fez Harold agradecer mentalmente a Rin pela carona, mais uma vez. Andar descalço era mais fácil e não poderia sair sem sapatos pela rua. Até poderia, se eu quisesse foder mais ainda o meu pé. Porém, não guardava nenhum rancor do gato. Pisoteou o bicho primeiro e foi arranhado por instinto. Os gatos de Rin eram bem sossegados e de alguma forma, constatava ali a tese de que os animais se parecem com seus donos. Será que levaria um soco de Rin se agredisse ele? Qualquer dia faria Heike de cobaia.

    Já no carro, o mesmo silêncio desde que saíram do apartamento ainda se estacionava. Harold sentou-se no banco ao lado do motorista, assim que o loiro destrancara as portas do carro. Estava relativamente uma manhã fria, então o albino vestia o paletó, deixando a gravata largada no bolso da calça. Não precisaria explicar o caminho para sua moradia, visto pelas milhões e milhões de vezes que Rin ia até ao local para visitar a amiga. Mais uma vez, o silêncio se arrastava, exceto quando o mais novo resolvia reclamar de qualquer coisa que via pela rua, mesmo que não esperasse resposta ou mesmo uma conversa. Alguns minutos de viagem e já dava pra ver a fachada da mansão dos Wilhelm, logo depois que passaram por mais alguns casarões do bairro. Preferiu ser deixado próximo ao portão principal, especificando isso ao mais velho.

    Se quiser, posso chamar a Arthemis. Já deve estar acordada, pela hora. — Não era tarde, mas a mais velha sempre acordava cedo, só Deus sabia porquê. A mão que estava próxima a porta destravou-a e Harold fez como se fosse sair do carro, mas parou antes disso. Como se tivesse tido um lampejo súbito, virou-se para Rin novamente, olhando-o. — Ah, é. Eu esqueci de te agradecer. — Disse baixo, mais como se fosse um lembrete para si mesmo do que para o loiro. Inclinou o corpo até alcançar o banco do motorista, que Rin estava. Talvez por ter sido muito de repente, não precisou prensá-lo contra a outra porta e nem mesmo segurá-lo. Tampouco abusou tanto quanto fez da última vez. Aquilo fazia mais o tipo do menor, deduziu. Roçou os lábios entreabertos aos de Rin, vagarosamente. Ainda dava para sentir o leve gosto do café, mas antes que o outro pudesse reagir de qualquer forma, afastou-se ainda com a mesma expressão com que se aproximara.

    Bom começo de dia, Rin. Até. — Finalmente, saiu do carro, fechou a porta e fez o reconhecimento por voz do porteiro eletrônico, ouvindo o som da destrava do portão. Assim que pisou dentro da propriedade que se iniciava com um enorme jardim, não pode conter mais e abriu o costumeiro sorriso debochado, grande e satisfeito o suficiente para exibir os dentes quase com selvageria. Estava de costas, então o menor não iria ver. Que você tenha um belo dia de trabalho, heh.
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    Rin Damien
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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

    Mensagem por Rin Damien em Qui Mar 05, 2015 9:54 pm

    Ao menos Harold tivera a decência de ajuda-lo a organizar a bagunça, e parecia estar andando relativamente bem. Tendo a cozinha novamente em ordem, preferiu ainda assim deixar a porta dela fechada para não arriscar machucar os gatos; revisaria novamente o local à noite, a procura de cacos que pudesse ter deixado passar, mas no momento, não tinha tempo. Terminou as preparações para ir trabalhar, por sorte não tendo levado nada de nenhum dos trabalhos para o bar na noite anterior. Morar perto era uma vantagem naquele sentido, e fora praticamente um milagre ter decidido apenas deixar as coisas em casa e se encaminhar para o que daria em toda aquela situação.

    O caminho para o carro e para a mansão que conhecia tão bem fora relativamente silencioso, ouvindo apenas vez ou outra uma reclamação vinda do assento do passageiro, que eram prontamente ignoradas, até parar no portão da moradia alheia. – Não precisa. Mande um oi pra ela por mim. – Por mais que tivesse vontade de entrar e conversar um pouco com Arthemis, se ela estivesse acordada, trabalho. Já estava no carro e a caminho, praticamente, e preferia não ter qualquer possibilidade de se atrasar. Esperava que o albino fosse sair do veículo e que pudesse seguir seu caminho, quando subitamente ele parecera mudar de ideia, aparentemente para agradecer a Rin. Já era estranho por si só um agradecimento vindo de Harold, mesmo que fosse apenas um “obrigado”. Antes tivesse sido apenas a palavra.

    Sua mente pareceu parar ao ter um roçar leve dos lábios alheios contra os próprios, e antes que tivesse chance de sequer processar a ação e o que fora dito, já encarava as costas do mais novo se distanciando. Piscou uma vez. Duas. Três. E repentinamente sentiu o rosto esquentar, se dando conta do que havia ocorrido. Por que ele insistia em fazer aquilo? Na primeira vez que acontecera, havia sido para mexer consigo por conta de um pequeno acidente, mas o outro ainda se lembrava daquilo o suficiente para fazê-lo novamente? Naquela vez havia sentido apenas desgosto. Agora, no entanto, algo diferente parecia fazer seu coração acelerar de uma maneira peculiar, quase como se o pequeno toque não tivesse sido o suficiente. Ao parar naquele pensamento, teve vontade de bater a cabeça contra o volante. Só vontade, claro.

    O Que?

    Que diabos, Rin? Não.
    Mandaria aquela sensação para os confins de sua mente e nunca mais falaria nela. Não sabia o que aquilo significava. Não queria saber. Teria raiva de quem soubesse. Deveria ser só a surpresa de ter sido beijado novamente. Poderia se convencer que o toque fora desagradável, se quisesse. Sim. Os pensamentos embaralhados, ligou o motor novamente, retirando o olhar da grande mansão ao seu lado, na qual Harold já havia sumido. Respirando fundo, focou no dia que teria a sua frente, tarefa que se provava mais difícil do que imaginara. Mas não impossível.

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    Re: [#09] Mesa e Cadeira - A Saga, parte 1

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