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    [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

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    Harold Wilhelm
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    [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Mar 06, 2015 7:55 pm

    Não soube exatamente o momento em que disse “Ok, eu vou”, antes de se ver num carro com mais quatro pessoas, a caminho da moradia de um dos veteranos de... Era o que mesmo? Enfim, um pré-formando querendo fazer história, dando uma festa na própria casa, que era relativamente grande, mesmo para o padrão de Harold. Arthemis havia sido convidada também, visto que os alunos de Medicina também estariam no local, mas – por sorte – a garota havia ficado em casa, por uma recaída da pressão. O que era menos mal. De toda forma, aquilo não melhorava em nada sua vontade nula de ir pra um lugar desses, com gente como aquela, fazendo baderna por nada e com um mix de músicas ruins num volume ensurdecedor.

    Mal começara a encher os ouvidos de quem estava no carro com comentários sarcásticos sobre como eles eram um monte de bosta, quando já podia ouvir a batida alta das músicas ruins em questão. Saiu do carro basicamente sendo puxado pra fora, sem ter nenhuma abertura dos colegas para dar meia volta e caminhar pra bem longe daquele lugar. Sua infelicidade de estar ali conseguia ser medida de acordo com o discreto empurrão que dera em seu veterano, derrubando-o da curta escada do casarão, fingindo que não viu ele rolar e seguindo em frente. Não ia dar para fugir com aquela deixa, pois haviam outros ali para segurá-lo caso resolvesse correr. Conformou-se.

    Não dera alguns minutos de festa para Harold conseguir se infiltrar em um dos cantos mais sombrios do lugar e ficar ali mexendo no celular, totalmente alheio a toda baderna e ao casal se agarrando a menos de um metro de si. Repetindo, aquele era o canto mais sombrio do lugar. Comparando aos outros. Aos poucos o casal foi se roçando e se mexendo para o lado dele. Quando Harold sentiu que seu espaço pessoal estava sendo invadido por duas pessoas no cio, acendeu a lanterna do celular – que usava o flash de fotografia – e meteu nos olhos dos dois. A garota lhe dera um tapa no braço por reflexo e o rapaz a puxara pra longe, antes ameaçando o albino de algum jeito que não ouvira, pela música alta. Apagou a luz forte do celular e antes que pudesse voltar ao seu mundo, de relance viu alguém que conhecia entre as pessoas se esfregando, pulando, rindo, cambaleando. Rin.

    Não havia considerado a possibilidade do mais velho estar no local. Mas se Arthemis havia sido requisitada pelos alunos de Medicina, Rin que era da mesma turma, obviamente também havia. Esperou o rapaz virar-se para um ângulo em que poderia vê-lo e sinalizou, esperando que realmente fosse localizado.
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    Rin Damien
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Sex Mar 06, 2015 9:22 pm

    Precisava parar de acabar em situações como aquela. Negara com convicção quando Lavi, seu calouro que apreciava aquele tipo de comoção, o chamara para uma festa em que metade dos cursos da faculdade em que frequentavam estavam convidados. Ele teria uma de duas reações, ou insistir até Rin realmente se irritar e traumatizar o mais novo, ou desistir de uma vez, dizendo que o loiro era sem graça e deveria sair mais. Fora, surpreendentemente, a última, e aliviado por não ter que se preocupar em ter uma presença insistente em seu ouvido pelo resto do turno no hospital, continuara o dia sem maiores preocupações. No entanto, tinha uma leve sensação que fora fácil demais. Sensação confirmada quando, ao sair do local, fora praticamente arrastado por Lavi e alguns outros rostos conhecidos para um carro, que tempos depois estacionara em uma residência consideravelmente grande.

    Logo todos haviam se dispersado, e ele próprio considerara apenas deixar o lugar após alguns minutos ouvindo a música exageradamente alta que parecia querer derrubar as paredes da casa. Não beberia, se recusava a qualquer comportamento do tipo desde a última vez que o fizera, que resultara em uma situação extremamente desagradável. Observou a ambientação geral, constatando que não teria nada com o que se distrair em meio à multidão de pessoas, antes de seu olhar se focar em alguém que acenava em um canto. Seu corpo se tencionou ao reconhecer quem era, e imediatamente se amaldiçoou pelo fato, ignorando a reação automática ao ser pego de surpresa, se direcionando a passos lentos para onde Harold se encontrava.

    Haviam se encontrado e se falado periodicamente desde que abrigara o albino em sua casa; poderia considerar incomum o fato de estar construindo uma amizade com o irmão mais novo de sua melhor amiga, mas o que era realmente peculiar era o fato de que havia desenvolvido... algo, por ele. A princípio, não tivera noção do que estava acontecendo, do porque de ficar tão incomodado – e feliz – ao conviver com o outro. O maior tinha o hábito de ser desagradável, irritante, e gostar de mexer com as pessoas; comportamento que levara a um contato mais próximo que o desejado entre os dois. E negara a sensação que o último beijo havia deixado em si por tempo considerável, até finalmente decidir ser maduro sobre a situação e admitir para si mesmo que poderia estar gostando dele. Um pouco.

    E a única coisa que poderia tirar dos próprios sentimentos era um “que droga”. Não era difícil agir normalmente perto de Harold, e preferia que permanecesse daquela forma. Não considerava uma opção admitir para qualquer um além de si mesmo o que ocorria em seus pensamentos de modo involuntário, então tomara a decisão de ignorar até que passasse; o que funcionava de forma efetiva, até que o via novamente. Era um ciclo inútil e sem fim, que já se conformara em fazer parte. – Oi, Harold. Parece feliz de estar aqui. – Comentou em um tom alto o suficiente para ser ouvido, observando a expressão alheia na escuridão relativa do local, comparada aos outros do ambiente.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Mar 08, 2015 5:24 pm

    Ótimo, pelo menos haveria uma alma ali com a qual poderia se entreter ao mínimo possível. Havia uns dias desde que Harold começara a aumentar em uma pessoa, seu ciclo social limitadíssimo. A companhia de Rin já se tornava comum e mesmo na universidade, quando tinham horários livres parecidos, ficavam juntos conversando. Alguns de seus veteranos e até mesmo alguns calouros abusados tinham passado a insistir – sabe-se lá porque cargas d’água – que havia algo entre os dois rapazes, o que fez Harold pensar na situação. Seus colegas de curso provavelmente sabiam que os alunos de Medicina forçariam Rin ir na festa, então forçaram-no a ir também. Pareciam crianças do Ensino Fundamental, que gracinhas.

    Em silêncio e guardando o celular no bolso do casaco, observou Rin se aproximar calmamente e quase ter que gritar para dizer algo audível. Harold não escutou parte do que ele disse, precisando fazer leitura labial para decifrar. Entendendo, deu um falso sorriso de quem concordava em absoluta ironia. Aproximou-se do ouvido do loiro, na intenção de tentar fazê-lo ouvir melhor do que ele mesmo ouvira.

    Quer ir pra outro lugar? Não dá pra conversar aqui. — E esperando que fosse atendido, precisou empurrar um outro casal que brotou do chão, quase esmagando-o contra a parede. Saíram dali, procurando um cômodo da casa que deixasse a música mais distante. Parecia funcionar quando chegaram a um corredor menos largo do que os mais comuns do casarão, vendo ao final uma porta de um quarto aberta. A música ainda estava incômoda, então não seria má ideia usarem o lugar e fecharem a porta pra um pouco mais de tranquilidade.

    Dado a ideia, Harold entrou primeiro, mas imediatamente quase empurrando Rin pra fora de novo, ao ver alguns de seus veteranos no lugar, sentados no chão em um círculo, brincando de algo que não queria saber o que era. Até que ouviu um dos que não conhecia chamar o loiro ao seu lado. Pensou que seria a deixa de sair dali, quando uma das garotas correu e fechou a porta, se postando na frente e sorrindo para o albino. Revirou os olhos, insatisfeito, preferindo evitar arrumar confusão com o sexo oposto só por querer sair do quarto. Pelo que constava ali: três veteranos seus e a caloura abusada na porta, mais outras quatro pessoas que não conhecia, mas pareciam conhecer Rin. Entraram no ninho das cobras e antes que pudesse entender o que estava acontecendo, duas garotas saíram de uma porta no canto do cômodo, que mais parecia um pequeno closet. Desarrumadas, meio sem graças e eufóricas, provocaram risos nos demais e Harold entendeu o que estava acontecendo ali. ... Quando eu achava que eles não conseguiam ser mais inúteis... Sabia que ia sobrar pra ele.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Dom Mar 08, 2015 6:48 pm

    Fingia não notar a própria respiração parando abruptamente ao ter Harold se aproximando de um modo que diria ser desnecessário, se não soubesse que era apenas tendo a intenção de ser ouvido. A cada contato próximo demais do outro, Rin melhorava, de certa forma, em mentir para si mesmo e disfarçar as próprias reações. Apenas concordara em um gesto de cabeça, sem qualquer mudança de expressão, antes de seguir o outro pela casa. Iriam para um lugar em que provavelmente estariam sozinhos, o que ao mesmo tempo lhe daria paz mental e algum nervosismo. Infundado, dizia a si mesmo. Que nem seus próprios sentimentos, que não poderiam estar mais longe de algo racional; algo que ao mesmo tempo lhe confortava e lhe dava um incômodo que não saberia explicar. O albino não fizera mais nada que fosse extremamente fora do normal desde o beijo, e não havia razão para esperar qualquer contato daquele tipo.

    Finalmente adentraram um local que inicialmente parecia não haver ninguém, apenas para achar um círculo de pessoas que parecia brincar, uma delas chamando seu nome. Localizou alguns rostos conhecidos de seu curso, e estava preparado para dar meia volta, quando uma garota fora mais rápida e fechara a porta atrás dos dois. A encarou por um segundo, antes de voltar o olhar ao círculo, a expressão algo entre conformismo e desgosto com o fato de que seriam obrigados a brincar do que quer que fosse. O que descobrira logo após se sentarem, ao ouvir o som de uma porta abrindo e duas garotas saírem de um armário no canto do cômodo. Observando o estado das mesmas, o processo mental foi lento até que entendesse o que acontecera ali, e sentisse que uma pedra caía repentinamente em seu estômago.

    Não queria brincar daquilo. Com ninguém. Não estava bêbado o suficiente para querer agarrar desconhecidos num closet. Principalmente com a possibilidade de poder cair com Harold naquilo. Questionava mentalmente se valeria a pena pedir um gole do que os outros alunos estivessem bebendo, porém, respirando fundo, apenas ficou quieto enquanto esperava o jogo se desenrolar. Usavam uma garrafa – o que trazia memórias ao loiro – para decidir quem seriam os próximos. Talvez tivesse a sorte de não cair com ninguém. Talvez Harold caísse, mas com qualquer outra pessoa. Deveria se importar com aquilo? Não sabia, nem queria parar no pensamento. Por sorte, os próximos foram um garoto e uma garota, que se dirigiram ao armário juntos, quase correndo. Os que ficavam do lado de fora aparentemente apenas fofocavam animadamente sobre os que entravam, ou acabavam em outro assunto igualmente desinteressante. Após alguns minutos, alguém se levantara para arrastar o casal para fora, que saíra igualmente eufórico.

    Olhou de esguelha para o mais novo, em uma pergunta silenciosa questionando se seria melhor os dois tentarem fugir ao invés de aguentarem aquilo o resto da noite. Fora um ato rápido, mas no que dera tempo da garrafa ser girada novamente. Voltara-se a ela ao ouvir um número maior de exclamações e risadinhas do que da outra vez. Sorte era, obviamente, algo que nunca estava do seu lado. O objeto, de forma como já vira acontecer diversas vezes em jogos anteriores, apontava para si e para a pessoa exatamente a seu lado. Harold. Não se mexera um centímetro do lugar onde estava, apenas encarando a garrafa como se questionasse a existência daquilo, no entanto, repentinamente os veteranos e calouros começaram uma comoção na direção dos dois, e em uma confusão de pessoas em que fora agarrado e arrastado, o último som que ouvira antes de um silêncio repentino fora a porta se fechar em um espaço particularmente pequeno, onde havia apenas escuridão. E o vulto de uma pessoa terrivelmente familiar à sua frente.  

    A mente de Rin entrara em estado de alerta imediatamente, e a primeira coisa que fizera fora tentar empurrar a porta, contudo, não sabia se a haviam trancado ou se ela fora bloqueada por algo, só que não se mexia um centímetro sequer. Forçou o próprio corpo a relaxar, mesmo sentindo os batimentos cardíacos acelerados em seu peito, enquanto se encostava na parede oposta à do maior, mesmo que a ação não desse exatamente um espaço decente entre os dois. Poderia esperar duas coisas da situação, e decidiu ir com a alternativa que não fazia seus pensamentos entrarem em curto, rezando para todos os deuses que conhecia que Harold apenas acatasse sua sugestão ao invés de honrar o propósito daquela brincadeira. Com o tom forçadamente tranquilo, a voz do loiro se fez presente. – Bom. Achamos um lugar quieto pra conversar.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Mar 09, 2015 12:03 am

    Captava o olhar de Rin para si, devolvendo-o quase numa comunicação telepática. Nenhum dos dois estavam com vontade de continuar ali e, estavam no primeiro andar. Ainda daria para pular a janela, que estava aberta e cair nas plantas abaixo dela. Porém, a garrafa havia sido girada e para alegria dos dois, haviam sido selecionados juntos. Claro. Porque estavam um do lado outro. Havia esquecido de como aquela posição – se tratando deles – era milagrosa. Antes que pudesses questionar qualquer coisa, seus colegas e os de Rin já pareciam conhecer muito bem os dois pra saberem que teriam de coloca-los no closet à força. Primeiro foi o loiro, depois foi si mesmo. E por fim, tudo escuro, com apenas uma linha de luz que separava milimetricamente as duas portas, completamente trancadas.

    Revirou os olhos. Escorregou as costas contra a parede por alguns centímetros, apoiando a ponta dos sapatos contra a parede que Rin estava encostado, a sua frente. Esticando as pernas para frente e mantendo-se erguido pelas costas pressionadas, ficara quase da altura do loiro, com os pés entre os dele. Teria ficado parado ali, encarando o vulto escuro do rapaz, até que os de fora resolvessem tirá-los de lá, se não fosse pela frase alheia. Harold arqueou uma sobrancelha, levemente surpreso com o tom de voz que saíra do rapaz. Ele está... Nervoso? Sempre fora muito observador para deixar coisas do tipo passarem despercebidas a si. Rin era muito bom em disfarçar reações emocionais, mas pelo visto, falhara daquela vez. O que fez o albino sorrir – mesmo que o menor não fosse ver –, mudando totalmente seus planos iniciais de não fazer nada. Abafou um riso curto e sarcástico e sem aviso prévio, com uma das mãos, puxou rapidamente o outro pela cintura até que se chocasse contra o próprio peito. Só naquele movimento, por centímetros estavam separados e, que agradável era sentir uma respiração levemente eufórica e pesada vinda do loiro. Tenso, hm? O que só aumentou seu sorriso e a força usada para prendê-lo a si.

    Mais apertado do que quieto, na verdade. — Disse baixo, como se não quisesse que pessoas com ouvidos na porta escutassem. Se quisesse, poderia chutar a passagem até que quebrasse. Se quisesse, poderiam ficar parados olhando um pro outro, reclamando de como aquela gente era escrota. Mas nada era mais divertido do que saber que poderia enfim ter a chance de retorcer um pouco a mente de Rin.

    Começaria devagar. Não fazia sentido assustar a presa antes de que pudesse captura-la de vez. Não sabia exatamente quantos minutos seus veteranos lhes dariam, mas não seriam tão rápidos. Se desde o começo tinham aquela intenção, provavelmente os deixariam à vontade ali. Harold abaixou o rosto até o pescoço do rapaz, mordendo a região alva sem pressa, com alguma força suficiente para deixar a marca de seus dentes ali. Deslizou a língua até a orelha do rapaz, sabendo o quanto saliva não era uma das coisas preferidas dele. A outra mão, antes desocupada dentro do bolso da própria calça, entrava sorrateiramente por debaixo da camisa, pelas costas dele. Achara suficiente chegar até ali e não ter nenhuma interrupção significativa por parte do outro. Satisfeito, mudou as mãos de lugar, pairando ambas sobre os ombros de Rin e empurrando-o contra a parede oposta, com a força suficiente para um baque soar e um gritinho fino da garota do lado de fora ser escutado.

    O closet rangia baixo mesmo aos mais leves movimentos e pelos casais que entraram antes deles, sabia bem que dava para imaginar o que deveriam estar fazendo do outro lado. Quase imediatamente depois de empurrá-lo, desencostara-se e mudara a postura, indo por conta própria até o loiro e prendendo-o onde estava pelos pulsos levantados por cima da cabeça, com a mão esquerda. A destra, agarrava o pescoço alheio mantendo-o para cima sem dar espaço para que fugisse. Ao mesmo tempo, caçara os lábios finos do rapaz com a língua, lambendo-os verticalmente do inferior ao superior, até introduzi-la na boca do outro num beijo subitamente faminto.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 09, 2015 1:04 am

    Uma breve risada fora o único aviso que teve antes de ser preso contra o corpo de Harold, e não conseguia nem juntar algum raciocínio para xingar mentalmente toda aquela situação, sentindo a tensão que o próprio corpo e respiração passavam. Não parecia ter concentração alguma, as palavras alheias apenas soando ao longe, parecendo ser abafadas pelos batimentos erráticos do próprio coração, que por si bombeava sangue demais para sua cabeça. Se tinha qualquer esperança de ter um pensamento coerente, ela se fora de vez ao sentir dentes se afundando em seu pescoço. Um arrepio passara por todo seu corpo, completamente paralisado, com exceção dos olhos, que se fecharam involuntariamente. Logo sentia os lábios do outro mudarem o posicionamento, e um toque direto em suas costas que apenas dava continuação à sensação agradável que passava por seus sentidos.

    Saíra do transe apenas ao ter as costas se chocando com a parede do closet, abrindo imediatamente os olhos. Ouvira também um grito animado próximo, do outro lado da porta; não imaginava que os outros teriam parado pra escutar aquilo. Aquilo. Tentando controlar a própria respiração, se dava conta do que estava ocorrendo. O albino decidira realmente fazer algo quanto à brincadeira, e o loiro não tinha ideia do porquê. Só poderia presumir ser a razão de sempre, quando se tratava do mais novo. Pra ser um idiota e se divertir com isso. E ele próprio sabia que se algo acontecesse, reagiria exatamente como estava no momento, coisa que queria impedir a todo custo. Se deixar levar por algo assim não era algo que passava por sua mente normalmente. E de novo, esta parecia não funcionar direito quando se encontrava perto de Harold, o que fazia a própria resolução se desmoronar.

    Os braços imobilizados e a língua alheia passando por seus lábios antes de adentrá-los apenas provaram o raciocínio breve. Não gostava daquilo. Não gostava de um contato tão íntimo. E ao mesmo tempo, era exatamente o que queria no momento. E com ele. No entanto, o resquício de racionalidade que tivera momentos atrás fora o suficiente para que enfim reagisse de algum modo; mordendo a língua do outro com o máximo de força que conseguia – o gosto horrível de sangue invadindo a própria boca – e usando o elemento de surpresa para soltar os pulsos bruscamente e empurrá-lo contra a parede oposta, em outro baque alto. Ficou no próprio canto, tentando usar o momento para se recompor, para insistir para si mesmo que não se arrependeria daquilo, esperando que o albino mantivesse distância após ser claramente rejeitado. As duas mãos de Rin se fechavam em punhos, pronto para socá-lo se ele insistisse em chegar perto novamente. No fundo de seu ser, no entanto, sabia a verdade. Não importava de que lado olhasse a situação, estava muito, muito ferrado.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Mar 09, 2015 8:00 pm

    Sangue. É claro que esperava que Rin fosse reagir alguma hora e não se assustou quando uma dor aguda alfinetou forte sua cabeça, ao ter a língua mordida até sentir o gosto do próprio sangue. Foi o segundo de desconcentração necessário para que o menor conseguisse se soltar e empurrá-lo, mas podia jurar que ainda havia sujado-o de sangue minimamente antes que fosse afastado dele. Devagar, cobriu a boca com uma das mãos, franzindo o cenho ao sentir o gosto mais uma vez descer pela garganta. Salgado. Olhou a palma da mão e mesmo no escuro dava para enxergar um pouco. Vermelho.

    Interessante. Você quer jogar assim? — A voz não saiu tão baixa quanto da outra vez, assumindo seu tom usual. O sorriso implantou-se novamente ali, com o queixo borrado do próprio sangue, mas não fez questão de ser mais rápido do que antes. Ergueu-se da parede, impondo a própria altura contra a do menor, observando-o de cima. Deixando um suspiro cansado e pesado ecoar dentro do local apertado, aproximou-se de Rin sem precisar de mais de um passo para isso, devido ao tamanho do closet. Desceu as mãos pelos braços alheios – sujando um pouco a manga da camisa dele de sangue – e ao chegar aos pulsos, apertou-os, pressionando o polegar contra a artéria ulnar, afim de adormecer as mãos dele à força. — Me deixe provar o seu também, então.

    Mais uma vez uniu os lábios aos dele, mas desta vez numa intenção maior. Não foi difícil cravar a língua do rapaz entre os dentes, devolvendo a mordida que lhe fora dada e sentindo mais o gosto salgado do que antes havia só em sua boca. Entretanto, continuava o ósculo mesmo depois de machuca-lo, sentindo a própria ferida arder levemente contra a dele, mordendo-o de novo no lábio inferior até sentir a pele macia rasgar entre os dentes frontais e, da mesma forma como a língua, sangrar.

    Achou que seria propício já, no entanto, soltar os pulsos do rapaz e imobilizá-lo de outra forma. Abaixou-se sem separar o beijo, agarrando ambas as pernas do loiro pela parte de trás e levantando-o do chão até deixá-lo da própria altura. Entre as pernas dele, pressionava-o contra a parede com o próprio corpo, apertando os dedos contra o tecido da calça que cobria suas pernas. O som ambiente se resumia apenas no atrito dos corpos e roupas e estalos baixos do beijo, atualmente, um pouco ensanguentado. Só era uma pena estar tudo escuro, embora ainda conseguisse, pela aproximação, observar as expressões de Rin.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 09, 2015 9:00 pm

    Apenas observava para ver se o outro teria qualquer reação imediata; ainda não conseguia enxergar bem, mesmo os olhos tendo se habituado à escuridão. Com as palavras alheias, sentia outro arrepio passar por seu corpo, diferente do anterior. Identificava aquela sensação claramente como medo. Acreditava estar preparado para afastar Harold, porém não se mexera sequer um centímetro ao vê-lo se aproximar novamente, um calafrio se fazendo presente ao sentir mãos descendo pelo próprio braço até serem imobilizados, a própria tentativa de se recompor falhando miseravelmente. Via claramente um rastro de sangue na boca do albino, e não fora necessário raciocinar para entender, segundos depois, o que a indagação implícita significava.

    Novamente lábios juntavam-se aos seus, a intenção clara ao sentir uma pontada de dor invadir seus sentidos, espalhando-se por sua língua. O gosto de sangue, se antes já era óbvio, agora invadia em dobro seu sistema, dando origem a uma sensação leve de enjôo, que não ajudaria em nada aquela situação. Tentara se mexer, libertar os braços ou usar qualquer parte do corpo para empurrá-lo, porém a dor de ter o machucado recém formado contra o parecido em sua boca parecia nublar qualquer coordenação motora que poderia ter para tal. Logo outro desconforto agudo surgia, desta vez no lábio inferior, podendo sentir mais do próprio sangue escorrer da ferida.

    Sentia-se tonto; sua mente parecia demorar para processar o que exatamente aquela situação estava se tornando ao ter as pernas levantadas e o corpo alheio pressionado contra o seu, o prendendo efetivamente contra a parede. Os braços do loiro buscaram apoio nos ombros à sua frente, podendo sentir todo o calor do mais novo contra si, toda a dor proveniente das feridas, os lábios ainda insistentemente se pressionando aos próprios em um contato definitivamente abusivo. E a pior parte, era que em algum lugar, tanto de sua mente quanto seu corpo, algo ainda o agradava naquilo. A parte que não queria matar Harold e sair correndo ainda parecia estar aproveitando algo da situação.

    E com o quão retorcidos estavam seus sentimentos e sensações no momento, aquela parte estava perigosamente presente. Não queria a dor. Não queria pensar. Não queria estar ali. Mas queria aquele toque. Após alguns momentos em que ficara novamente paralisado, sentia claramente algo se quebrando dentro de si, dando espaço para aquela última parte ganhar. Seu olhar, de uma expressão confusa e talvez perdida, se estreitara brevemente, um pequeno sorriso, muito diferente do normal, surgindo entre o beijo por um momento. A aceitara. Não precisava sentir mais nada. As mãos de Rin se moveram repentinamente para o cabelo alheio, agarrando os fios enquanto enfim começava a corresponder o toque, a deixar a dor das feridas se misturar em algo prazeroso em meio às línguas se entrelaçando, em um tipo de beijo que nunca sonhara em compartilhar com ninguém. As próprias pernas, seguras, também envolveram o corpo do albino, deixando claro que não tinha mais intenção de sair dali.

    Por enquanto.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Mar 09, 2015 11:38 pm

    Ali então se comprovava sua real intenção em começar aquilo. Precisou de um pouco de sangue, mas Rin o retribuíra de um jeito que o deixara ligeiramente surpreso, se tratando dele. Havia uma lista em sua mente de uma série de coisas que o loiro poderia fazer, antes da opção “retribuir”. Mas mesmo que agora não precisasse mais continuar com aquilo – afinal alcançara seu objetivo e teria algo com que importunar o rapaz pelo resto da vida dele –, não havia muitas razões para encerrar seu divertimento ali. As mãos eu seu cabelo eram quase uma súplica para que não parasse, agora que o loiro havia cedido finalmente.

    O beijo devolvido agora deixava o ambiente apertado ligeiramente mais eufórico, com o som dos estalos baixos e as pausas quase imperceptíveis para recobrar oxigênio. O albino deslizou ambas as mãos das pernas – agora firmemente presas a si – para baixo da camisa do loiro, levando o tecido conforme subia até apertá-lo no tórax, deixando a marca de seus dedos na pele frágil. A destra levantou o queixo do rapaz ao mesmo tempo em que encerrava o beijo, preferindo ocupar a boca com outro lugar. Enquanto devorava a lateral do pescoço do loiro, descia o próprio corpo arrastando o dele junto para baixo, até conseguir ajoelhar-se no chão, pondo Rin sentado entre as próprias pernas. Os primeiros botões da camisa alheia arrebentaram conforme Harold puxava a gola, para que o tecido saísse do caminho e o desse liberdade para beijá-lo próximo ao colo – deixando de lado um pescoço avermelhado e marcado num tom roxo esverdeado, em alguns pontos específicos.

    Por enquanto, as ações lhe provocavam no máximo arrepios ou, pelo fato de estar muito próximo a outro corpo, uma sensação de calor excessivo. Mas não era exatamente aquele tipo de toque que dava o gosto a Harold para excitar-se. Ainda não era. Em momento algum se dera ao luxo de fechar os olhos e perder de vista as faces de Rin, que lhe dava a enorme satisfação de conseguir o que queria desde o começo.

    Um baque curto e discreto na porta ecoou pelo interior do closet, sinalizando que seriam interrompidos. Afastou os lábios do corpo do loiro, fazendo a primeira careta na situação ao ter a repentina luz invadindo os olhos, já que havia se acostumado com a falta dela no pequeno ambiente. Não se deu o trabalho de ver quem em específico havia aberto a passagem, mas podia ver com mais nitidez a situação do rapaz abaixo de si, o que lhe dava uma certa alegria. Eufórico, com as roupas desarrumadas, boa parte das marcas espalhadas também sujas de sangue, assim como os lábios e o queixo. Quase decadente. Quase. Poderia ser mais do que aquilo, mas talvez deixasse para outra hora. Agora teria formas para conseguir isso futuramente, afinal. Sorriu, limpando o sangue do próprio rosto e boca com as costas das mãos, afastando-se do loiro e levantando-se. Por fim, arrumou a própria roupa levemente retorcida, suspirando e se pondo pra fora do closet, passando pelo ser que havia interrompido-os sem fazer questão de se lembrar quem era. Apenas retirou-se, pensando se agora estariam satisfeitos para deixa-lo ir pra casa finalmente.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por taurusnero em Qua Mar 11, 2015 8:49 pm

    Nunca fora de seu feitio participar de festas, e, graças às últimas em que estivera, chegara a criar um certo desgosto por ambientes cheios de gente e bebidas. Aquele era o perfeito sinal de que nada de bom poderia acontecer. No entanto, por mais que quisesse fugir das confraternizações, ainda não tinha a capacidade de dizer "não" muito bem desenvolvida; acabara em mais uma, a expressão fechada e o corpo sempre tenso no canto mais quieto possível do local. Não queria se misturar às pessoas que dançavam, não queria conversar com ninguém que estava ali, e ainda se dera ao trabalho de manter distância dos colegas que o arrastaram até lá. Não sabia o que estava fazendo, mas tinha certeza de que não havia sentido algum estar naquele ambiente, muito menos daquele jeito mau humorado, então chegou a uma conclusão muito importante: Precisava fugir.

    Em um caminhar abafado pela música alta, o moreno deixou as pernas o guiarem com uma velocidade um pouco maior que a natural. Desviava do amontoado de pessoas com certa agilidade - algo que era surpreendente até mesmo para si -, enquanto buscava a saída com uma necessidade tão extrema, que parecia quase estar buscando água no deserto. Uma pena, porém, que ao ter seu objetivo no foco de sua visão, avistara todos os seus coleguinhas montando guarda no local. Eles pareciam ter adivinhado que tentaria fugir em algum momento, e como não haviam encontrado Nero... Provavelmente o esperavam. Com uma parada brusca - uma mulher batera contra suas costas e despejara um rio de palavrões contra si -, tratou de voltar ao meio do ambiente, percorrendo a pista de dança para que evitasse ser avistado, e quase gemeu de satisfação ao não ter mais ninguém roçando o corpo contra o seu em um chamado mudo para dançar. Estava começando a desgostar de pessoas bêbadas.

    De qualquer forma, Nero resolveu caminhar em direção às partes mais fundas da casa, buscando algum lugar em que pudesse entrar e curtir o silêncio, assim como algum conforto. "Se não pode com eles, junte-se a eles", dizia o ditado, mas, para o taurino era mais interessante algo como: "Se não pode com eles, durma", e adoraria arranjar um local para por seu magnífico plano em prática. Claro, sua sorte não era muito diferente da sorte de uma formiga pisoteada sem querer, e era possível notar tal fato ao que acabara abrindo a porta para um quarto cheio de gente. Gente que ria, gritava, bebia... Gente que estava fazendo tudo que queria longe de si. Grunhiu, e, novamente, estava prestes a fugir, mas fora segurado por uma pessoa bêbada, que parecia se divertir muito, mesmo quando tudo que conseguia fazer era tropeçar de um lado a outro e rir escandalosamente. Suspirou, lançando um olhar questionador à pessoa. "Tem gente presa no armário! Ajuda lá, grandão!", e mais risos.

    Alguém preso? Não sabia se acreditava nas palavas daquela pessoa, ela parecia feliz demais para anunciar um incidente do tipo. Mas talvez fosse algo próprio do excesso de bebida, e, talvez, fosse bastante irresponsável de sua parte deixar que pessoas se machucassem para a diversão de outras. Com um novo suspiro, e passos preguiçosos, deixou a criatura risonha para trás, dando a volta no círculo esquisito ao chão, para, enfim, chegar ao closet. Fora só se aproximar para ouvir sons estranhos, ainda que não conseguisse os identificar. Deveria mesmo abrir aquela porta? Não pareciam estar desagradados lá dentro, muito pelo contrário... Mas, talvez... Grunhiu, confuso, levando ambas as mãos às maçanetas, abrindo o local tentado a não pensar muito.

    Arrependera-se no segundo seguinte.

    Sua mente demorara um pouco para processar a situação, porém seu corpo pareceu reconhecer tão rápido quanto sua visão o que acontecia. Seu peito apertou, seu estômago revirou, e somente após tudo aquilo, sua mente desfez o nó de estranhamento para entender completamente a situação. Rin e Harold estavam juntos. Estavam fazendo muito mais do que esperar salvamento. Eles estavam se agarrando de um jeito intenso o suficiente para que diversas marcas se mostrassem na pele alva do loiro, e sangue marcasse ambos os rapazes. "O que diabos estou fazendo aqui?", perguntou-se, largando as portas da mobília para dar um passo para trás, liberando espaço suficiente para que Harold saísse do local sem se preocupar em lhe dirigir a palavra. O futuro médico, no entanto, parecia fora de si, surpreso demais para se mexer, quase como se estivesse em choque... Imaginava o que acontecera ali, e aquilo apenas trazia náuseas a si.

    A pior parte de tudo era saber ser idiota o suficiente para ainda tentar proteger o rapaz desnorteado, usando do próprio corpo grande para impedir que o outro fosse visto pelos curiosos do quarto. Suas mãos foram rápidas em retirar o próprio casaco, jogando sobre a cabeça do loiro, antes de murmurar a primeira coisa que lhe passou pela mente em um tom tão cheio de vida quanto o de um robô. Ajeite-se. Não vai querer ser visto assim. Não sabia se Rin voltaria à razão ao ouvir sua voz, mas também não ficaria ali para descobrir. Tivera o suficiente, e, sem dizer qualquer coisa a mais, deixou o rapaz para se recuperar só em um closet parcialmente fechado - devolvera a porta que o esconderia ao seu lugar -, antes de seguir o caminho para a saída novamente.

    Daquela vez estava decidido o suficiente para simplesmente ignorar todos os que haviam o arrastado para o local, passando pelos gritos animados deles em um silêncio quase agressivo. Não fora impedido, provavelmente por tê-los assustado, e acabou na rua com muito mais facilidade do que imaginara à princípio. A calçada estava úmida, tudo estava escuro - salvo por alguns locais iluminados por postes -, e não havia uma alma viva sequer naquele lugar. Só Nero.

    O moreno piscou, ainda confuso com o que vira, seus passos seguindo um caminho qualquer, sem que sequer notasse para onde ia. O que poderia fazer? Nem sabia onde estava mesmo. Então caminhava sem rumo, tentando se afastar com rapidez da casa barulhenta, buscando um local em que não precisasse mais ouvir a música alta, ou ver qualquer rosto recém saído da festa. Não queria ter contato com mais nada dali. Não queria. Queria apenas ficar só.

    A velocidade de seus passos foi diminuindo ao que percebeu não ouvir mais nada. Apenas os barulhos da noite, dos carros passando pela rua molhada de uma chuva que não vira cair, o som de seus sapatos encharcados por ter pisado em alguma poça, e as batidas frenéticas de seu coração. Piscou novamente, aos poucos recuperando a razão que perdera em sua fuga, suas orbes rodando o ambiente, perdidas, em busca de alguma coisa que o ajudasse a reconhecer onde estava... Mas simplesmente desistira em um dado momento, o corpo grande caindo no primeiro banco que achara na rua deserta, sem se importar em molhar a calça. Tentava regular a própria respiração, tentava acalmar o pé que batia incansavelmente no chão, e tentava ao máximo não expor qualquer sentimento em sua expressão. Porém, no fim... "Ah... Acho que vou chorar...", e riu baixinho com o próprio pensamento, um soluço escapando teimoso de seus lábios. ... Droga.

    Em silêncio, sentindo o rosto queimar, e ainda sem saber o que fazer, o moreno quase não percebera estar segurando o próprio celular com uma força absurda. Encarou o aparelho, tentando enxergá-lo adequadamente através da visão embaçada, antes de recorrer ao único pensamento que tinha em sua mente. Precisava de ajuda para voltar para casa. Uma informação que fosse... E seus dedos buscaram um número que já havia se tornado comum em sua lista de chamadas, murmurando com a voz trêmula ao rapaz que o atendera. H-Heike...? Me ajuda? Eu não sei onde estou.
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    Rin Damien
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Qua Mar 11, 2015 10:59 pm

    Ao menos naquele instante, ter decidido finalmente sucumbir ao que sua mente desestabilizada queria parecia ter sido uma das melhores ideias da vida de Rin. Ainda sentia a ardência dos ferimentos cada vez que os lábios e a língua eram friccionados contra os do albino,  porém eram apenas parte menor de uma sensação agradável, de um calor em seu interior que apenas o fazia querer continuar aquele toque. As mãos alheias diretamente em sua pele pareciam queimá-lo, e logo a boca de Harold surtia o mesmo efeito, separando-se do beijo em nome de marca-lo enquanto escorregavam até o chão. Pendia o pescoço levemente para o lado, lhe dando liberdade enquanto novas pontadas dolorosas eram estranhamente misturadas com arrepios que subiam por sua espinha.

    O ar deixava seus lábios em arquejos descompassados, o olhar sem foco algum enquanto se segurava à única coisa que o prendia àquele momento; ao outro. Não notara o baque na porta, mas fora abruptamente levado de volta à realidade com a luz repentina queimando suas retinas, o fazendo desviar os olhos de sua fonte por um instante. E assim, repentinamente, estavam de volta. Sua razão, seus pensamentos, seu motivo para ter feito algo que queria evitar ao máximo. Encarou o olhar do mais novo brevemente, o próprio demonstrando apenas choque com o que acabara de acontecer; e logo ele se retirava, o deixando apenas na presença de quem quer que houvesse vindo para tirá-los dali.

    Continuava a encarar o mesmo ponto, agora vazio, tentando fazer com que os acontecimentos fizessem algum sentido. Como poderia ter se deixado levar daquela forma? Sentia as marcas dos dentes do albino como se estivessem cravadas em sua pele, a sensação do corpo próximo ao seu não parecendo deixa-lo. Sabia que gostava dele. No entanto, não achava que fosse ser estúpido ao ponto de cair naquela provocação. E quanto a Harold, não tinha ideia do porque da mesma, para começo de conversa; possuía apenas as próprias suposições. Se o loiro não tinha revelado nada de sua pequena queda em convivências anteriores, a mente alheia já deveria ter feito alguma conexão depois daquilo.

    Tinha vontade de esconder o rosto e não sair mais do pequeno closet, a primeira sendo rapidamente resolvida no momento em que a pensara, tendo um casaco lançado em sua direção, o que também interrompera suas divagações.  Voltara a face lentamente para a entrada, a mente embaralhada reconhecendo o som daquela voz. Contudo, tudo que vira fora a porta se fechando, o deixando novamente na escuridão. Se estava certo, outra pessoa com a qual tivera uma situação desagradável acabara de o encontrar. Daquela, pelo menos, não se lembrava. E ainda assim, ela tentava cuidar de si. Que nem da outra vez. Balançando a cabeça como se para clareá-la – e sentindo o que deveria ser o início de uma enxaqueca - inspirou e expirou lentamente, decidindo ouvir o conselho que acabara de receber. – Obrigado. – Agradecera em um pequeno sussurro, para alguém que há muito não se encontrava mais ali.

    Limpou o sangue do queixo e da boca com as costas de uma mão, a mesma se retesando ao passar pelo ferimento no lábio inferior. Cuidaria propriamente tanto daquilo quanto da língua dolorida quando estivesse em casa. Levantara-se lentamente, arrumando brevemente a camisa e constatando que teria que consertá-la. A vergonha se fazia presente novamente ao saber que nem registrara os botões sendo arrebentados. Este problema e o das marcas resolvera vestindo o casaco grande demais para si e fechando-o. Como última medida, desprendeu o cabelo para que os fios caíssem em seu pescoço sobre o que não fora encoberto. Imaginava que, fora o pequeno ferimento na boca, deveria estar relativamente decente novamente. Poderia sair pela festa como se nada tivesse acontecido, e ir embora. Apenas tendo roubado o casaco de alguém.

    O que, é claro, não era sua intenção.

    Não poderia deixar o problema pesando em seu subconsciente até que visse o mais novo algum outro dia. Talvez quisesse fingir que nada acontecera, mas duvidava, com aquela personalidade, que Harold deixaria o fato passar em branco. Precisava conversar com ele e ao menos descobrir por que diabos tudo acontecera em primeiro lugar, e talvez Rin pudesse deixar algumas coisas a limpo, então podendo tomar a melhor decisão. A mais racional sendo se afastar, algo que, em pura teimosia de seus sentimentos, não queria fazer. Refletiria. Se a criatura ainda estivesse pela festa. Finalmente se movia para sair do armário, sentindo uma fraqueza incomum nas pernas ao se mover. Não conseguia acreditar no quanto outra pessoa conseguia ter aquele poder sobre si.

    Ignorou completamente a presença de qualquer outra pessoa na casa, se retirando do cômodo como se nada houvesse ocorrido. Não sabia exatamente onde o encontraria, mas os dois pensavam parecido; ele próprio queria ir urgentemente para um lugar quieto, e de preferência, arejado. Se direcionara à porta de entrada, que dava em um jardim que atravessara anteriormente para chegar à moradia. O local estava deserto, provavelmente devido à chuva que parecia ter caído há pouco tempo. O mais importante após ter saído de um local abafado encoberto por um agasalho, era a brisa e o ar gelado batendo em seu corpo, o fazendo fechar os olhos momentaneamente em alivio antes de continuar sua busca.

    Aparentemente, acertara, pois após andar o suficiente para a música se tornar apenas um som incômodo ao fundo, localizara cabelos brancos próximos ao portão de entrada, sozinho. Mesmo que sentisse o estômago contrair imediatamente com a visão, ao mesmo tempo sentia-se surrealmente calmo. Já passara por tudo que tinha que passar naquela noite, e uma conversa não deveria ser algo pior do que um agarramento num closet escuro. Aproximou-se silenciosamente, se perguntando a melhor maneira de começar a falar. Decidiu que a primeira pergunta que viera a seus pensamentos era extremamente válida. – Pra que tudo aquilo, Harold?
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Mar 12, 2015 2:48 pm

    Depois de desinfetar o machucado na língua bebendo alguns goles de tequila, resolvera de vez que pular a janela do salão, atrás de uma das cortinas, era o melhor a se fazer para fugir dos veteranos que tomavam conta da porta principal. Não foi difícil dali caminhar até a saída para rua, limpando a terra que se espalhou pela roupa quando rolou pelo gramado. Inspirou fundo, olhando uma última vez para a mansão, pensando se teria sido uma boa ideia largar Rin para trás naquele estado. Talvez a pessoa que os interrompera fizesse este favor – embora não tivesse se certificado quem era de fato, mas sabia que não era um dos veteranos que os induziram a brincadeira. Deu de ombros, decidindo que dali tentaria ir a pé, se nenhum ônibus viesse pelo caminho, visto a hora da madrugada. Mas antes que pudesse sair finalmente da propriedade, percebeu alguém se aproximar mais depressa do que seu andar pouco fugitivo, alcançando-o e logo se revelando ser Rin. Como imaginava, recebeu uma ajuda, reconhecendo que aquele casaco não era dele e se fosse, o loiro tinha alguns muitos problemas para comprar roupas que eram de acordo com seu tamanho.

    A pergunta que lhe foi feita não precisou de muito tempo para ter uma resposta. Dando de ombros, o albino encarou por alguns segundos o menor, antes de guardar as mãos nos bolsos e suspirar. Não era como se Harold tivesse muitas questões e mistérios para resolver com atitude que tinha tido no closet. A resposta era simples e foi dada numa sinceridade cortante e quase desagradável.

    Vi que você ficou nervoso na minha presença e imaginei se poderia descobrir algo te dando afeto direto. — E sorriu em deboche. — Acho que descobri, né. — Ao contrário da irmã mais velha, Harold raciocinava rápido demais para deixar escapar detalhes daquele tipo. Rin jamais teria mudado de atitude por estar simplesmente trancado com alguém dentro de um armário e, não só isso, mas também não teria se dado o trabalho de vir atrás de Harold depois daquilo. Ambos pensavam parecido em vários aspectos e não era difícil entender como funcionava a mente do mais velho. Se não tivesse sido nada, o médico teria ido para casa e absorveria aquela situação em meio aos seus dois gatos em uma única noite se quisesse. Apenas mais uma confirmação. Preferiu ser mais direto, desta vez. — Você gosta de mim, Rin?
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Qui Mar 12, 2015 3:46 pm

    Uma vontade repentina de rir surgiu em seu peito ao ouvir a resposta e a pergunta tão diretas do outro. Deveria ter imaginado – as próprias suposições sendo apenas pequenas divagações – que seria algo do tipo. Harold nunca falhava em ir direto ao ponto, e mesmo com a questão presente, aquilo não o deixara nervoso, daquela vez. De alguma forma,  sentia que fazia toda a situação se tornar mais fácil. Também significava que o albino não estava nem perto de corresponder seus sentimentos, mas nunca realmente dera qualquer espaço àquela possibilidade. Deu de ombros, sem tirar o olhar do maior, um sorriso pequeno surgindo em seus lábios. O tom do loiro era mais leve que anteriormente, quebrando o momento de silêncio que ficara no ar.

    Pois é. É uma droga. – Sentia o coração palpitar ao admitir o fato em voz alta, entretanto, o alívio de poder deixar aquilo claro era maior. – Não se preocupe, não quero nada de você. E agora que tem isso confirmado, agradeceria se não me beijasse por aí. – Talvez fosse incomum alguém confessar os sentimentos e ao mesmo tempo pedir distância, e ele próprio se perguntava se poderia manter o início de amizade que possuíam com aquelas informações. Se não fosse possível, seria melhor para superar. Se fosse, continuaria ao mesmo tempo feliz e se afetando com pequenas coisas, e tentaria achar outra maneira de passar por cima daquilo.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Mar 12, 2015 7:02 pm

    Quando recebeu a confirmação afirmativa, não esboçou nada que fosse além do que já demonstrava. Apenas um arquear de sobrancelhas, como se questionasse o que Rin queria dizer exatamente com “beijá-lo por aí”. Não era nenhum exibicionista para fazer algo do tipo. Sequer achou estranho o loiro dizer que não queria nada consigo, logo depois de confessar o que sentia. Pelo contrário, até se tranquilizava. Não era do tipo que sabia manter uma relação saudável o suficiente para se chamar de “amorosa”. Embora Rin parecesse não ter certas necessidades como a maioria das pessoas que conheceu, com essas intenções.

    De todo jeito, não esperava tanto assim que fosse ter uma confissão tão imediata quanto sua pergunta foi. Esperava que ele fosse teimar um pouco mais para admitir pra si mesmo os próprios sentimentos. A não ser que ele tenha demorado de fato e escondia aquilo de si já há um tempo, que Harold não soube reconhecer. Desde que resolvera mexer com o rapaz, levara apenas a diversão de sacaneá-lo em conta, jamais pensando na possibilidade de fazê-lo gostar de si – era quase risível considerar aquilo uma realidade. Enquanto ia absorvendo de verdade a situação do médico, Harold foi assumindo uma careta de desgosto.

    Que merda, hein. — Até que comentou, como reflexão. Teria de retribuir? Sem querer, acabou refletindo a forma como via Rin. Não chegou muito além do que já sabia, óbvio. Até tentou ter um pouco de consideração e vasculhou bem fundo, para ver se achava algo “a mais”. Nada. Mas bem, pela forma de falar do rapaz, ele não estava esperando ser correspondido. Menos mal. O que faria com aquilo, agora? Não tinha mais graça, na realidade. Havia provocado-o até o talo anteriormente e não iria chegar ao ponto de transar com ele agora que já sabia os sentimentos alheios, admitidos e confirmados sem mais delongas. A questão era só o que Rin iria fazer. — Não ligo de ter uma amizade colorida, se você tiver algumas vontades às vezes. Mas não vou sair te agarrando, lol. Ao menos que queira.

    Dizia, como se estivesse informando as horas para um desconhecido aleatório. Mas antes que pudesse ouvir a resposta, sentiu o celular vibrar no bolso do casaco, puxando-o de dentro e vendo na tela um nome que raramente ligava para si. Heike. Não teve nem tempo de dizer “Oi” que precisou afastar o aparelho do ouvido, com uma nova careta, semelhante a que fez quando o closet foi aberto e a luz ardeu em seus olhos. Só que dessa vez, era seu tímpano que ardia. Se perguntassem o que Heike havia dito, não saberia repetir metade com clareza, mas sabia que o outro estava perguntando – com um dialeto muito próprio repleto de “caralho” “porra” “filho da puta” “corno” “viado” – onde ele se encontrava naquele momento. Para piorar sua confusão, foi só informar sua localização que a linha desligou. Com um semblante que nem o próprio albino sabia que estava fazendo, encarou o celular por vários segundos, tentando entender o que havia acontecido ali. Como o cérebro não raciocinou o suficiente, preferiu balançar a cabeça, pigarrear e guardar o celular, voltando a atenção a Rin e ignorando completamente aquilo.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Rin Damien em Qui Mar 12, 2015 7:34 pm

    Esperou pacientemente as palavras do outro, arqueando ambas as sobrancelhas em surpresa ao ouvir a oferta feita a si. Amizade colorida. Sabia o que aquilo significava, mas o fato era,  não conseguia se imaginar em algo parecido com Harold. Principalmente sabendo que só viria de seu lado, e este não tinha exatamente o ímpeto de fazer qualquer coisa considerada romântica, mesmo reconhecendo os sentimentos em seu peito. O que levava a questão do que esperava exatamente se o mais novo correspondesse; pensamento que deixara de lado imediatamente. Continuava a refletir enquanto o albino recebia uma ligação, desviando o olhar do mesmo e deixando os pensamentos vagarem.  

    Se Rin viesse a aceitar aquilo, apenas o levaria a uma espiral de dor, a algo em que eventualmente sairia magoado e amaldiçoando a própria burrice. Precisaria mesmo discutir consigo mesmo sobre uma escolha tão óbvia? Já retirara em parte o peso que estava sobre seus ombros, e não arriscaria ter qualquer outra razão para botá-lo de volta. Ambos os lados haviam sido esclarecidos. O que restava ao loiro era superação. E, mesmo sendo difícil, preferia fazê-lo tendo a amizade da pessoa a seu lado. Tendo a atenção trazida de volta a Harold com um pigarro próximo, voltou a encará-lo. - Não. Não quero uma amizade colorida, e não quero que você me agarre, já disse. Mas ainda quero sua amizade. Não tem outro adc que me deixe roubar kills tão fácil.
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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Mar 12, 2015 8:40 pm

    Vou começar a limitar suas kills, depois dessa. — Avisou, fazendo uma expressão de desgosto. Escutara a porta se abrir e um dos veteranos gritar os dois e correr na direção dos dois junto com mais quatro outros, que estavam bêbados, mas pareciam ter controle ainda pra se movimentarem. Harold xingou sabe-se lá quem, puxou Rin pelo casaco e o arrastou na fuga pela calçada. Não estava afim de discutir com bêbados, não estava afim de relutar contra cinco bêbados, não estava afim de bater em bêbados. Estava afim de ir pra casa fazer algo que não fazia há uns quatro dias: dormir. Então, correr deles parecia ser a solução mais viável, visto que os outros em maior número desistiram de perseguí-los na metade do caminho, até alcançarem um viaduto. Dali, depois de descansarem o mínimo necessário, se separaram enfim.

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    Re: [#10] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 2

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