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    [#15] A ovelha que pede perdão 01

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    Heike_Walker
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    [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Seg Mar 23, 2015 12:54 am

    Inicialmente Heike não fez mais do que chorar em casa, quebrar as próprias coisas e dar mais um bocado de cabelos brancos para Abel (se é que ele tinha espaço para mais algum). Era frustrante não ter ninguém para conversar e desabafar, porque justo a pessoa a quem recorria em tais situações era a causadora dos principais problemas. O jovem amaldiçoava a casa dos Wilhelm e jurava por todos os seus antepassados que nunca mais falaria com nenhum deles, que nunca mais iria por os pés naquele ninho de cobras.

    E dois dias depois, lá estava ele. Mais calmo, pensou melhor nas próprias ações e considerou que precisava conversar com Nero. Tentou deixar a poeira baixar por mais tempo, mas a impaciência e impulsividade do próprio signo se faziam presentes como sempre, mesmo quando estava na pior. Entendia que o outro provavelmente precisava de um tempo e não tentara sequer se desculpar por mensagem sabendo que era algo delicado demais para ser tratado por um meio tão informal, mas quando não aguentava mais ficar se lamentando e tendo pena de si mesmo, quando não se aguentava mais de saudade e ansiedade, resolveu que daria um basta naquilo e se explicaria. Reuniu toda a coragem que tinha para se abrir e partiu para aquele lugar que prometera a si mesmo sequer passar perto novamente, tendo em mente que naquele caso tinha tudo a perder.

    Tarde da noite, sabia que o moreno provavelmente estava em seu outro emprego e só voltaria dali a um par de horas, mas era bom. Daria tempo para se preparar e para fazer outra coisa: conversar com Arthemis. Devia desculpas a garota e também certa explicação. Não era novidade para o ariano que a mais velha nutria sentimentos por Zion, assim como ele por ela, e ainda assim havia se aproveitado do carinho e compaixão do amigo. Aquilo não era certo e sabia que pelo menos ela não era igual os outros dois babacas imprestáveis. Assim, tendo a confirmação por um dos empregados que e albina estava em casa, o rapaz subiu sem pressa até seu quarto. Ao passar pelo cômodo pertencente a Zion, o arino baixou o rosto com a expressão entre mágoa e raiva, passando direto até a porta da garota.

    Parando por um momento, respirou fundo e apoiou a testa na superfície de madeira fria enquanto fechava os olhos, reunindo um pouco de coragem e paciência. Não era fácil para ele admitir seus erros, muito menos ignorar seu orgulho. Mas pela amiga e irmã de tantos anos, faria aquilo. ...'Themis. Sou eu, o Heike. Sei que tá tarde, mas.. A gente pode conversar?
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    Arthemis W.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Arthemis W. em Seg Mar 23, 2015 1:29 am

    Não sabia se era porque engolia muitas frustrações, não sabia se era porque se restringia ao máximo perante tudo o que fazia pelo bem das pessoas à sua volta. Também não sabia se era pela faculdade cansativa e não sabia se era pela confusão que sentia entre os próprios sentimentos. Só sabia que não podia ficar sozinha em qualquer lugar, fosse na faculdade ou em casa, que começava a chorar em silêncio. Havia dormido com mais frequência e finalmente, havia começado a errar coisas no trabalho, que quase resultaram em coisas terríveis com as vidas de seus pacientes. Cobrava-se ao triplo, mas seu emocional não estava sólido como sempre esteve. Estava abalada e quanto mais queria que não errasse, mais errava. Por isso, mais se frustrava e todo o resto voltava a apertar seu peito, fazendo-a chorar. E era o que havia acontecido mais uma vez em seu quarto, durante a noite, onde não havia conseguido completar sua rotina de estudos, como sempre costumava fazer todos os dias. Sua garganta apertava a cada soluço, queria gritar para as paredes tudo o que pensava, queria rasgar as cortinas da janela, queria extravasar toda aquela frustração, incapacidade e inutilidade em algo. Mas mesmo tão necessitada, continuava estática no colchão, com a roupa que voltara da faculdade, com o rosto para cima, reprimindo tudo. Absolutamente tudo, até mesmo os sons dos altos suspiros e dos soluços contínuos, para que ninguém que passasse em frente ao seu quarto pudesse escutá-la. Sua cabeça parecia pesar, mesmo que estivesse apoiada sobre o travesseiro, que se recusava a usar para enxugar as próprias lamúrias. Queria conseguir reprimir as lágrimas, reprimir o choro, reprimir tudo que estava engasgado em sua garganta. Reprimir e esquecer. Só esquecer.

    Mas a voz em sua porta deu o sinal da realidade. Ela não esqueceria e não reprimiria. Ela teria de encarar todos novamente e, é claro, ninguém estava feliz. Ela não havia sido a única atingida e consequentemente, não era a única sofrendo. Antes que pudesse chegar naquela sala, ela vira alguém que estava sofrendo bem mais do que ela. E esta pessoa teve a coragem necessária para vir à sua porta lhe dirigir a palavra. Suspirou engolindo o choro por um bem maior. Limpou as lágrimas com as mangas da camisa, levantando-se do colchão e sentindo-se tonta pela velocidade com o que fez de repente. Mas passou na mesma velocidade em que a atingiu. Fungou o nariz baixo, esquecendo-se de arrumar a parte de trás do cabelo, despenteada como sempre acontecia quando ela se levantava da cama. Girou a maçaneta, sentindo o frio do metal em sua mão parecer congelar todos os seus músculos. O estalar da porta sendo destrancada lhe deu um tapa, para que deixasse de achar que era a única com problemas. Para que percebesse que tudo poderia ser resolvido com palavras. Com simples palavras. E assim, reuniu a mesma coragem que Heike deveria ter reunido, para que pudesse encará-lo atrás de sua porta, ignorando o fato de sua própria aparência estar decadente e recebendo-o com um sorriso pequeno, porém sincero.

    Boa noite, Hei. — Sentiu a garganta travar. “Chega de chorar, Arthemis. Já se tornou desnecessário.” Repreendeu-se mentalmente. — Entre, eu queria conversar também.

    Abriu um pouco mais a porta para que o rapaz pudesse entrar em seu quarto. Logo a fechara num clique baixo, por alguma razão achando que após este ato, as coisas seriam mais simples. Sentou-se na própria cama, sinalizando para que ele fizesse o mesmo, com a mesma expressão tranquila.

    Então... Como tem lidado com as coisas? — Perguntou de maneira vaga. Mas ambos sabiam o que aquilo queria dizer.
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    Heike_Walker
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Seg Mar 23, 2015 2:50 am

    O pouco que a garota demorou para dar algum sinal de que estava ali e acordada foi o suficiente para Heike pensar em sair e desistir daquela ideia, perdendo a coragem por um segundo. Mas logo a porta foi aberta, revelando a jovem pálida lhe exibindo um pequeno sorriso ainda que sua aparência fosse péssima. O coração do rapaz se comprimiu no peito em culpa, mas segurou um suspiro pesado enquanto retribuía o cumprimento com educação semelhante.

    Entrando com a cabeça um pouco baixa, a acompanhou até a cama e se sentou sem conseguir encarar ela no rosto num primeiro momento. Ponderou sobre a pergunta feita então, imaginando se a própria aparência denunciava o quanto tinha ficado mal nos últimos dois dias e imaginava que sim, afinal tinha chorado muito mais só naquele meio tempo do que em todos os meses que sofreu por gostar de Nero. Finalmente fitando seu rosto, o loiro sorriu um pouco e deu de ombros. Não estava ali para ficar se lamentando por tudo que dera errado. Eu.. Vou ficar bem. Sempre fico. Murmurou tentando um pouco de otimismo ali, mantendo o pequeno sorriso que logo foi se dissipando. E você.. Está péssima. Assumiu com uma sinceridade bruta que lhe era característica, sem ter a intenção se ser maldoso. Parte de reparar no estado da menor era pela culpa que sentia por tal coisa. Sabia sim que era Harold o maior culpado, mas o ariano detestava mais do que qualquer coisa saber que havia contribuído para machucar de verdade uma das poucas pessoas que realmente amava.

    Eu... Vim aqui para me desculpar. Disse muito baixo então antes que ela pudesse falar qualquer coisa, desviando o olhar por um segundo. Vim pedir perdão. Por que sei que te machuquei, eu... Hesitou, tendo de repetir mentalmente que não iria chorar ali na frente dela. Assim inclinou-se um pouco e pegou suas mãos com delicadeza, aproximando-as do próprio rosto e as encostando entre o nariz e a testa ao que fechava os olhos, respirando fundo. Primeiro, me desculpe por agredir seu amigo... E-Eu tinha meus motivos, mas isso não justifica. Não aqui na sua casa, foi.. Uma falta de respeito. Continuou naquele tom baixo e hesitante como se juntasse forças para dizer as palavas, descendo um pouco os dígitos alheios para que pudesse beijá-los num gesto carinhoso, logo encarando-a nos olhos com um olhar cansado e de certa forma humilde, estava mesmo arrependido. Me desculpe por provavelmente quebrar e sujar as coisas na sua sala, eu.. Posso pagar o que for preciso, só, me diga depois... E me desculpe também por bater no seu irmão... Ele vacilou feio comigo e acabei perdendo a cabeça.

    Dito isso, mordeu o lábio inferior e fechou os olhos novamente, incerto de como entrar naquele próximo assunto, sabendo que seria muito delicado. Acabaria por invadir um pouco a privacidade e vida pessoal dela, mas seria necessário para poder resolver as coisas.

    Arthemis, eu.. Não sei como começar isso, mas.. De alguma forma sinto que preciso me redimir com você pelo que o Harold falou. Voltou a se pronunciar, a própria voz soando estranha demais aos ouvidos, rouca e machucada. Abriu os olhos e encarou a amiga por um longo instante, pensando no quanto ela era especial. Especial por mesmo sendo frágil, era tão forte em tantos sentidos. Especial por sempre aguentar e mesmo amar as três pestes que tinha de conviver. Especial por ter tanta paciência com o próprio Heike, que não passava de um estranho em sua casa. Especial por tratá-lo com carinho, por se preocupar, por cuidar de seus machucados, por até mesmo lhe dar broncas como uma irmã de verdade faria. Heike não merecia o afeto daquela garota, não quando havia feito as coisas que fez. N-Não ache que seja prepotência minha, mas.. Sempre soube que você gostava Zion. Não sempre, mas.. De um tempo pra cá isso foi se tornando um pouco óbvio... Mordeu o lábio inferior para evitar outro suspiro enquanto a encarava com certa seriedade e simpatia. Inclinando-se para mais perto um pouco, tomou a liberdade de subir uma das mãos até o cabelo dela, tentando arrumar a bagunça que ele estava ao que continuava a falar num modo de distrair a ambos do assunto. E.. Não acho que você precisa se envergonhar disso, porque eu entendo.. De verdade. Por muitos anos eu fui apaixonado por ele. Admitir aquilo para outra pessoa pela primeira vez em voz alta era uma sensação engraçada, mas já não fazia diferença, era passado.

    Ele parece e é idiota, mas tem suas qualidades. Qualidades que fizeram eu me apaixonar.. Sabe.. E fizeram dele meu melhor amigo, a pessoa que sempre me escutou e me entendeu.. Que sempre esteve ali por mim... Continuou baixinho, sentindo os olhos arderem em lágrimas. Era difícil se abrir e falar bem de alguém, se dar conta do quanto ele era uma pessoa era especial e do quanto estava magoado. Em certo momento riu, constrangido, respirando fundo. E o ponto disso tudo é que eu sempre amei ele.. E eu sabia que ele sempre gostou de você, por isso nunca tivemos nada. Acho que ele mesmo nem sabia até pouco tempo o que eu sentia, o imbecil, porque só tinha olhos pra você.

    E novamente ria, num sopro, ao que as lágrimas então começaram a rolar pelo rosto com mais liberdade por tirar do peito aquilo que o feriu por tanto tempo. Ignorando a própria reação, terminou de ajeitar os fios claros da amiga e a fitou nos olhos, porque aquilo era importante. Uns dias atrás eu estava muito mal mesmo e passei um bom tempo aqui, você lembra.. E o Zion, bom, ele também 'tava frustrado... Porque 'Themis.. É muito ruim ter tantos sentimentos por alguém e não ser correspondido. Isso machuca, deixa o peito pesado, fica difícil respirar até, nada parece certo.. E o Zi... Ele me entende. E não sei, quando conversamos resolvi ser sincero sobre o que senti durante toda a adolescência e nós deixamos rolar, sequer pensamos, mas Arthemis... Não foi nada de mais. Não rolou. Porque o que a gente sente de verdade, não tá um no outro...

    Respirou fundo depois de dizer tanta coisa, corando um pouco e se afastando ligeiramente só para limpar o rosto, a visão embaçada já por não conseguir se conter. Um sorriso triste brincou nos lábios e o rapaz acabou desviando o olhar. Não rolou nada sério, aquele virgem escroto ainda é virgem.. Mas... Achei que devia me desculpar com você em relação a isso, porque eu sabia o que vocês.. O que um sentia pelo outro, e ignorei isso. Ignorei e usei a dor do Zion de forma egoísta, pra me sentir bem. Me perdoa. Então, não fica mal, por favor... Sei que você não pode ser forte o tempo inteiro, mas quanto a isso você não tem que se preocupar. Aquele idiota gosta mesmo de você e o que rolou entre a gente foi um erro que tentamos esquecer...
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    Arthemis W.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Arthemis W. em Seg Mar 23, 2015 6:31 pm

    E você... Está péssima.” Bem, é claro que não iria disfarçar dias de pranto com meio minuto, mas sentiu-se corar por constrangimento pelo comentário, mesmo que não esboçasse nenhuma reação extravagante por isso. Após, uma sutil vontade de rir nasceu em seu peito, já conhecendo o jeito como Heike tinha para dizer as coisas que lhe vinham à mente. Apesar do começo do assunto ser de uma maneira que ela já estivesse esperando, pôs-se em silêncio atento às coisas que o rapaz se desculpava. Não se importava com a bagunça na sala e menos ainda com o tapete manchado. O valor do objeto inanimado era irrelevante perante ao que havia acontecido em cima dele. Não negou os pedidos de desculpas de Heike sobre ter agredido alguém em sua casa, pois sabia que era questão de bom senso, embora ela não estivesse realmente incomodada com aquilo. Deixou que ele se desculpasse sobre tudo que achasse necessário, pois com certeza era algo que o próprio estava precisando fazer. Sorriu de forma singela ao ter aos mãos seguradas pelas de Heike, que eram sempre mais quentes do que as próprias e maiores também.

    Lembrou-se do menino aborrecido com a família e a vida que tinha, que viu crescer em sua casa junto aos seus irmãos. O menino de personalidade excêntrica e pouco compreendida, que parecia gostar de arrumar confusão e tinha sempre uma facilidade esplêndida para sair limpo e voltar sujo, mancando e coberto de machucados. O menino que quis cuidar como se fosse sangue seu e esse mesmo menino que acabou nutrindo uma admiração inigualável conforme crescia. Heike sempre teve coragem para colocar à frente de tudo os próprios valores sobre as pessoas e situações. Coragem essa que não o impedia de entrar na casa de outra pessoa e bater em alguém às cegas, tudo pela possibilidade de ter tido alguém que era querido, machucado mesmo que emocionalmente. Mesmo que aquilo tivesse todas suas consequências, era um traço no rapaz tão sincero e puro, que a garota sempre se sentiu atrás de toda aquela veemência. Mas que como resultado, a admiração e respeito se transferiu para um apego maior do que desejava de fato. Heike jamais mudou o próprio caráter forte e leal conforme os anos passaram, mas Arthemis jamais conseguiria alcança-lo a ponto de ter a coragem de confessar os próprios sentimentos. Sentia-se insuficiente. Então resolveu esquecer. Com o tempo realmente teve sucesso quanto ao que queria e naquele momento, não considerava Heike mais do que queria desde o começo de tudo: um irmão. Um irmão que, assim como o adotivo e o de sangue, perdoaria todos os erros, cuidaria de todo os machucados e limparia todas as lágrimas.

    Olhando o rapaz chorar e abrir o coração de maneira tão sincera para si, a deu forças para engolir as próprias dores e tomar finalmente sua posição na situação. Delicadamente, retirou uma das mãos do meio das de Heike, deslizando delicadamente pelo rosto do mesmo, já um pouco corado pelas lágrimas que escorriam.

    Acho que eu posso entender como é o sentimento de ser rejeitado antes de tentar. — Sorriu, sem tanta tristeza quanto as palavras pareciam transmitir. — É engraçado pensar que eu também passei bastante tempo... Apaixonada por você. — A palavra parecia ser mais difícil de dizer do que de pensar. Desviou o olhar brevemente, sentindo as bochechas esquentarem. — Por vários motivos, eu não fui corajosa o suficiente para dizer pra você o que eu sentia, então eu só... Enterrei debaixo da terra. Foi complicado e doloroso, parecia que eu estava engolindo uma bola de ferro... Achei que seria o melhor, mas até hoje não sei se fiz isso pensando em você ou em mim. Provavelmente, em mim. Porque tudo o que me motivou a desistir do que eu sentia foi pura covardia de correr atrás e, muito provavelmente, receber um Não. E só agora eu vejo que eu iria acabar fazendo a mesma coisa com o Zion. Tudo porque eu sou covarde. — Suspirou sentindo o peito se torcer, voltando a encará-lo e a deslizar o polegar pela lágrima que escorria do olho do rapaz. — Bem, hoje em dia eu esperava poder morrer com esse segredo e estaria tudo bem. Mas um dos meus irmãos é um pouco mais chato do que os outros dois. — Riu baixo com o próprio eufemismo e com a brincadeira. Logo retirara a mão da face alheia, depositando a mesma por cima das de Heike.

    Eu sou um pouco-muito lenta pra entender algumas coisas e sei disso. Jamais, em momento algum, se passou pela minha cabeça que Zion me retribuía os sentimentos... E da mesma forma que muitas coisas pareceram se desamarrar dentro de mim ao descobrir isso, outras se amarraram com nós muito mais fortes que antes por outros fatores. Eu consigo compreender bem até demais as suas razões pra nutrir sentimentos por ele, mas de novo... Você me passou a frente, mesmo que não tivesse a real vontade e intenção disso. — Conformou-se, sem desviar o olhar das íris escuras do mais novo. Demorou um tempo para voltar a se pronunciar, refletindo sobre as coisas num processo natural que ela fazia quase sem querer.

    A forma como Harold explanou uma série de assuntos extremamente delicados deixou todos nós desnorteados e ainda não sei como encarar Zi. Da mesma forma como, até pouco tempo atrás, não estava sabendo como iria encarar você. Não estou feliz de ter expulsado meu próprio irmão de sangue de dentro da casa que também é dele, também. Mas ele é muito novo e se sente muito mais sábio que qualquer um. Precisa aprender de maneira mais árdua que as coisas não funcionam como ele quer... — Percebeu que estava se desviando do assunto, então balançou a cabeça e voltou a reorganizar os pensamentos. Olhava o rapaz com um pouco mais de clemência, sabendo o quanto ele estava se culpando, assim como ela. Não queria isso. — Heike, eu não sou a única magoada nisso e nem você. Nós todos nos ferimos nessa situação e o pior, é que nada foi intencional até onde sei. E... Eu não estou exatamente preocupada até onde você e Zion foram, sabe? Indo aonde quer que fossem, eu só fiquei triste com você escondendo isso de mim. Como se fosse problema só seu, entende? Sei que não é algo fácil de falar essas coisas pra alguém, mas eu entenderia se tivesse me contado... Ao invés de esperar a situação ser revelada por outra pessoa. Ou simplesmente ter a intenção de esconder pra sempre, se é que tinha... — Opinou, sincera. Depois sorriu, em seguida rindo de forma abafada. — Mas olhe só como isso também vale pra mim.

    Num ato lento e cuidadoso, afastou as mãos das do rapaz e sentou-se mais próxima dele. Entrelaçou as costas do mesmo com os braços e apoiou a cabeça em seu ombro, procurando fazer daquilo uma aproximação mais acalenta. Embora estivesse maior do que ela mesma, Arthemis ainda sentia abraçar a mesma criança de anos atrás. Minimamente sorriu com o pensamento, voltando a falar com a voz um pouco mais baixa. — Por isso, não se sinta culpado de nada. Nenhum de nós deve se sentir. Erros acontecem, é normal e todo mundo está sujeito a cometer... Há coisas mais valiosas por trás de tudo isso e precisamos enxerga-las para conseguir consertar as coisas.

    Sentia que boa parte do que dizia há ele, servia como uma luva para ela mesma. Dali, ela também tiraria motivação para consertar as situações que a atormentavam continuamente. Mas agora, permanecia muito mais leve. Como se um dos pesos do peito tivesse sido retirado por gentileza de outro alguém. Apertou o tecido da camisa do loiro, sorrindo de forma mais contente. Afastou-se um pouco, sem soltá-lo do abraço, de forma que pudesse encará-lo gentilmente. — Tente não seguir o meu exemplo, tá bom? Você tem muito mais força de vontade do que eu pra conseguir as coisas quando as quer. Algumas coisas não se solucionam sozinhas e precisam ser ditas e conversadas. Não sei exatamente qual a sua relação com Nero... Mas até onde entendi com essa coisa toda, é especial pra você, não é? Então não se sinta intimidado por fatores externos... Não combina muito com você.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Mar 25, 2015 12:24 am

    Ao que finalmente terminou de colocar para fora tudo o que pensava, o ariano esperou alguns longos segundos e quando a mais velha nada falou, acabou fitando-a em uma expectativa tímida. Prendeu um suspiro quando finalmente ouviu sua voz calma e melodiosa, contida num timbre baixo, mas acabou franzindo o cenho quando se deu conta do que exatamente ela havia falado. Mas... Oh.

    Só agora se recordava de Harold falar algo do tipo dois dias atrás, mas ficou tão ensandecido com outras coisas que sequer reagiu ou mesmo entendeu a afirmação. Então... Oh. Teve o rosto acariciado e então as lágrimas deram um pequeno tempo ao que todo o nervosismo foi substituído por uma curiosidade inocente ao notar ela desviar o olhar e seu rosto pálido atingir um tom rubro nas bochechas, que logo foi refletido no próprio rosto. Aquelas informações, sequer havia imaginado tal coisa. Por um lado sentia o próprio orgulho agraciado com a perspectiva, mas por outro tudo aquilo que ela revelava parecia tão... Irreal. Heike Sempre agiu como um moleque irresponsável e inconsequente, sempre aprontando com Harold e Zion mesmo quando já estava alcançando sua altura, até quando já tinha a ultrapassado. E ela por sua vez sempre foi tão contida, carinhosa e madura. Não fazia sentido algum imaginar que ela secretamente o admirava daquela forma. Talvez o loiro fosse tão burro quando Zion afinal, para nunca se dar conta do que ocorria ali, apesar que para seu crédito a albina nem de longe pareceu demonstrar interesse por todo esse tempo.

    Apesar desorientação em relação ao que era dito, o loiro permaneceu em silêncio por todo o momento, assentindo em entendimento em relação a uma ou outra coisa. Não soubera que Harold tinha sido expulso e tal coisa o deixou um pouco melhor em relação a toda aquela merda, concordando que ele precisava aprender alguma lição. Logo então voltou a ruborizar, tentando um pequeno sorriso sem graça. Não é que eu tinha a intenção de esconder, 'Themis,  é só que... Não é algo que dá pra falar assim do nada, certo? Eu.. Não sabia como tocar nessa questão, até porque não queria me meter nos seus assuntos com o Zi. Sussurrou, aceitando a aproximação da jovem e a envolvendo num abraço firme e carinhoso ao que apoiava o queixo contra sua cabeça e a puxava para mais perto ainda, ajeitando-se e fazendo-a passar as pernas sobre as próprias ainda que continuasse sentada na cama. Fechou os olhos e respirou fundo, notando que seu perfume era o mesmo do qual sempre havia se lembrado. Era suave e reconfortante, envolvente e calmante. Era um cheiro que deixava o mais novo com um sentimento quente no peito, que dava a impressão de que era querido. Era um cheiro que aprendera a amar desde pequeno. Mas.. Você tá certa. Não é nossa culpa.

    Não combina, não é? Riu-se num fio de voz com certa ironia, apesar de encarar os olhos claros com adoração, agradecendo mentalmente por ter ido conversar com ela. Sentia uma paz tão grande agora, que não seria capaz de sentir sozinho. É... Complicado. Ele.. Gosta do Rin e agora provavelmente me odeia, já que eu contei isso pro Zion. E o Zion contou pro Harold. Suspirou de forma pesada e de certa forma conformada, fechando os olhos e depositando um beijo demorado na testa da mais velha. Mas eu vim aqui conversar com ele também, tentar me desculpar. Vou tentar concertar as coisas. Terminou baixinho, sentindo o peito apertar. Apesar de toda a coragem impensada e fria que fazia parte de sua personalidade, o rapaz sentia medo agora, já que afinal, nunca tinha se apaixonado por ninguém além do amigo ruivo... E agora tinha conseguido estragar tudo, provavelmente nem a amizade alheia teria mais. Por fim, respirou fundo e voltou a fitar a amiga, subindo uma das mãos até seu cabelo e passando a tocar os fios com cuidado novamente, numa gentileza que de si era reservada apenas a garota. MAs.. Você também, idiota, devia ir conversar com o Zion sobre o que ta rolando entre vocês. Acho que já passou tempo demais né? Vocês tão dando murro em ponta de faca e já tá mais do que na hora de resolverem isso, pela sua felicidade e pela dele.

    Voltando a apertar o corpo da jovem contra o próprio, sorriu leve e fechou os olhos, pensando sobre tudo que haviam conversado e se deixando relaxar um pouco antes da tensão que seria conversar com Nero. Sabe... É engraçado pensar que se eu soubesse antes do que você sentia, talvez hoje as coisas fossem bem diferentes.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Arthemis W. em Qua Mar 25, 2015 9:26 pm

    Sentia-se extremamente mais leve por ter contado a verdade à Heike, sobre uma das mil coisas que resolvera guardar para si mesma ao longo da vida. Nem parecia que há poucos minutos, faltava-lhe o ar de tanto chorar, pois agora encontrava-se totalmente calma e relaxada, abraçando-o carinhosamente. Ouvia atentamente então a explicação que o loiro lhe dava sobre a situação com Nero, agora entendendo com exatidão o quão estava sendo difícil para ele. Tanto pela relação com os dois amigos que sabia que eram especiais pra ele, ao ponto de se considerarem irmãos, quanto pelo moreno que trabalhava na casa. Suspirou, roçando a bochecha minimamente sobre o ombro do rapaz, relaxando as pernas sobre as dele.

    Faz pouco tempo que conheci Nero para poder dizer algo sobre isso... Mas eu não acho que ele esteja guardando tanto rancor de você assim, Heike. A ponto de odiá-lo. Quero dizer... Ele me parece ser muito bondoso pra isso, entende? Ele pode estar muito magoado sim, mas se ele te considera especial ao ponto de se magoar... Talvez ele também te considere especial o suficiente pra poder repensar nas coisas e ver o seu lado, também. — Opinava sem afastar o rosto do corpo dele, olhando um ponto qualquer entre as madeixas loiras. Mal imaginava que o moreno pudesse estar passando por tudo aquilo, sentindo um enorme pesar por ele. Deslizava a mão delicadamente pelas costas largas, na intenção de confortá-lo. — Você não fez nada por mal. E tenho certeza que Zion também não fez, ao contar pro Harold. Ele deve ter confiado assim como você confiou nele... — Talvez estivesse sendo ingênua, mas acreditava lá no fundo que nem mesmo seu caçula havia reais intenções ruins ao explanar a vida de todos para todos. Embora nada daquilo tivesse mudado sua decisão de chutá-lo da residência como castigo.

    Sorriu e expressou que estava satisfeita pela decisão do mais novo, sobre conversar com Nero. Riu minimamente ao ser chamada de “idiota”, ao mesmo tempo em que recebia um gentil agrado em sua cabeça, sendo ações controvérsias típicas do rapaz. Sabia que ele estava certo e que deveria tomar finalmente as rédeas da própria situação. Chorar e se lamentar não iriam resolver absolutamente nada e, graças ao rapaz, agora parecia ter reunido sua estabilidade novamente, mesmo que ainda restasse a sensação de que algo estava incompleto e bagunçado. Mas sabia que esta, só iria se dissipar quando consertasse as coisas diretamente.

    Você está certo, está na hora de fazer as coisas acontecerem de uma vez. Obrigada, Hei... — Suspirou, fechando os olhos e aproveitando mais da tranquilidade proporcionada pelo mais novo. Talvez pela indisposição dos últimos dois dias, começava a sentir sono bem mais rápido que o normal, então não foi difícil sentir as pálpebras pesarem minimamente com o conforto que tinha ali. É claro que de forma alguma se permitiria dormir de verdade, mas os segundos de súbita sonolência foram suficientes para ouvir o loiro dizer algo e não absorver de imediato. Piscou, distanciando a cabeça finalmente do ombro do rapaz, encarando-o ligeiramente confusa. Passou alguns segundos olhando-o até se dar conta de que não fazia a menor ideia do que ele estava se referindo. Inclinou a cabeça minimamente para o lado, antes de perguntar intrigada. — Como assim... ?
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    Heike_Walker
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Abr 08, 2015 3:48 pm

    Estar ali com a amiga estava se mostrando extremamente confortável, com ela aninhada em seu colo e ambos trocando carinhos leves e palavras reconfortantes. Não podia dizer que ficou dias e dias sofrendo com toda aquela situação, mas ariano como era, tinha exaurido a si completamente pensando no que ocorreu apenas em dois dias. Talvez só naquele meio tempo já tinha ficado nervoso por todo o ano, mais do que tinha ficado nos últimos meses estressantes entre provas e sentimentos ridículos. E em questão de minutos Arthemis havia acalmado toda a tensão que havia no jovem. Sentia-se agradecido, eternamente agradecido por ter uma amiga tão boa, que podia confiar de verdade até quando todos haviam lhe decepcionado.

    Suas palavras foram ouvidas com atenção, mas loiro não fez mais do que concordar com a cabeça e suspirar, tentando ficar positivo quanto aquilo. Conhecia Nero bem o suficiente para saber como ele era bondoso, gentil, sensível apesar de não demonstrar exatamente. Sabia que ele como era um cara bom e por isso mesmo nutria sentimentos por ele... Mas também entenderia sua raiva, sua mágoa. Afinal, para Heike mesmo confiança era algo único e ele conseguira quebrar a que tinha com o moreno, expondo-o numa situação terrível. Céus, sequer pensar nisso já era deprimente o suficiente e seria o bastante para Heike se perder em nervosismo novamente se não fosse pela garota em seu colo, que se moveu um pouco onde estava, para lhe fitar com uma expressão fofa e ao mesmo tempo idiota, sonolenta como estava.

    Rindo de canto, o jovem balançou a cabeça e suspirou.

    Não seja tão devagar, ok? Sussurrou, evitando a palavra burra naquele momento antes de subir a mão até seu rosto num gesto delicado, a puxando para mais perto e juntando os lábios sem qualquer hesitação. Poderia parecer hipocrisia do loiro beijar a garota quando estava a poucos segundos pensando no moreno, mas o rapaz não levava isso tão a sério. Era só um beijo com sua amiga, sua irmã. Um gesto de carinho, que não significava nada além disso. Talvez um pouco de provocação, também, mas nada realmente sério.

    Os lábios da jovem eram fartos e convidativos, tão macios e quentes quanto pareciam ser. Sem perder muito tempo e sem dar muito espaço para a jovem reagir, deslizou a lingua contra a sua boca provando-a com um murmúrio satisfeito ao que iniciava um beijo calmo, a apertando contra o próprio corpo com uma mão ao redor de sua cintura e a outra em seu rosto sendo guiada para sua nuca, os dígitos se entrelaçando nos fios claros com firmeza.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Arthemis W. em Qua Abr 08, 2015 5:53 pm

    Quando finalmente achou que poderia estar começando a entender o que Heike havia sugerido, não sabia exatamente se surpreendia-se pelo beijo inesperado, ou pelas palavras anteriores. HM?! Soltou uma exclamação, não tendo nenhuma reação imediata aquilo. Arregalou os olhos acinzentados enquanto sentia o rosto esquentar por completo, principalmente após sentir a língua do loiro. Ainda mais por estar um pouco sonolenta, não estava esperando por aquilo de forma alguma, deixando seu cérebro travado enquanto o mais novo não fazia menção de que interromperia o beijo tão rápido. Como ainda estava com as mãos nas costas dele, por reflexo puxou o tecido para trás, veloz demais com nenhuma força, fazendo apenas o pano escorregar entre os finos dedos. Começando a se desesperar por vergonha pelo contato, parou as mãos no ar sem saber o que fazer, até que percebeu que poderia empurrá-lo. Trouxe os braços para a frente do próprio corpo, empurrando o peito alheio o suficiente para afastá-lo sem tanta força, assim como para separar os lábios.

    H-h-heike! — Gaguejou perplexa, tampando a própria boca com as costas da mão enquanto não sentia o rosto esfriar de forma alguma. É claro que aquilo não tinha nenhum significado para o loiro, além de explicar o que ela não havia entendido de primeira. Mas como sua timidez não permitia tratar daquilo como Heike estava fazendo, como reação impensada, deu um tapa no rosto do jovem. Não foi forte, nem com raiva, mas apenas um reflexo rápido que sequer deixaria marca e muito menos fizera algum barulho. — Ah, desculpe! — E mesmo assim ela se desculpou, imediatamente após ter batido no amigo e se dado conta disso.

    Agradeceu mentalmente por já ter superado há tempos o caso do rapaz, ou naquele momento mesmo começaria a ficar confusa. E a prova daquilo, era que, ao finalmente se acalmar, sentiu uma imensa vontade de rir que não soubera interromper. Deixou a risada sair de maneira espontânea, sentindo vontade de abraçar o causador dela novamente e assim o fez. Há momentos atrás estava com tantas coisas amarradas no peito que não saberia contar e agora, a cada risada, sentia tudo se soltar aos poucos e a aliviar, além da gratidão pelo enorme carinho e consideração que Heike tinha consigo. Suspirou, cessando a crise e ainda permanecendo corada, mesmo que menos. Levou as duas mãos até a cabeça loira, bagunçando os fios lisos e rebeldes, sorrindo para o dono deles como se ele ainda tivesse dez anos.

    Não faça mais isso, bobo...
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Abr 08, 2015 6:52 pm

    É claro que o ariano percebeu a falta de movimentos dela, assim como a exclamação surpresa e então as mãos em suas costas, sem força, e tudo isso só fez com que tivesse de segurar uma risada teimando em escapar. Não demorou porém para que ela finalmente raciocinasse como gente e o empurrasse, mas o tapa que levou em seguida fez o jovem fitar a mais velha de um jeito surpreso. Havia irritado ela a esse ponto?

    Mas tão logo recebeu o golpe que não tinha força alguma, ela já se desculpou parecendo arrependida, o jovem relaxou onde estava e deixou um riso soprado escapar os lábios úmidos com o beijo, logo em seguida sendo acompanhado pelas risadas espontâneas da albina. Riu junto a ela, observando atento e sentindo o peito esquentar num sentimento de carinho e felicidade ao ver a outra finalmente relaxada de verdade, se soltando daquele jeito. Ei..! Resmungou ao ter o cabelo bagunçado, então apertou a garota com força voltando a rir um pouco e girou sobre a cama junto a ela, fazendo-os se deitarem. Só queria ver o que tava perdendo, ué. Deu de ombros ao murmurar, sorrindo safado e juntando a testa com a dela. Mas vou parar de te encher agora... Obrigado, 'Themis. Sussurrou por fim, encarando-a com uma cumplicidade alegre, os olhos escuros transbordando todo o carinho que sentia pela garota, tornando assim mais palavras desnecessárias.

    Num movimento rápido, roubou um selar de lábios e então pulou para fora da cama com uma risada a fim de evitar outro tapa, piscando para a jovem antes de sair do quarto para deixar que ela descansasse. Sentia como se tivessem tirado o mundo de suas costas e estava com o humor ligeiramente melhor, dirigiu-se até a frente da casa e sentou-se nos degraus ali para esperar Nero chegar. Sabia que o turno de seu trabalho já tinha terminado a alguns minutos, então esperava que ele aparecesse ali a qualquer instante.

    Mesmo que o nervosismo voltasse aos poucos e fosse difícil não ser pessimista, pensou consigo mesmo que iria resolver aquilo. Devia uma explicação ao moreno e pelo menos um pedido de desculpas sincero. Suspirando leve, abraçou os próprios joelhos e apoiou o rosto sobre as pernas, fitando o chão de modo pensativo enquanto esperava. Tomara que ele pelo menos quisesse escutar o que tinha a dizer.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Qua Abr 08, 2015 8:19 pm

    Seus momentos no bar eram os melhores que vinha tendo naqueles dias, e por motivos os quais não era difícil adivinhar: Estava longe das pessoas que lhe deixaram incomodado, estava longe do local onde tudo havia acontecido, estava distante de conhecidos no geral, estava no local perfeito. Nero até achava engraçado notar o quão positivamente era afetado pelo seu trabalho ali. Por mais que estivesse em dias péssimos, cansado, estressado e magoado, via seus problemas se dispersarem quase como se tivesse realizado um mantra prévio, e para que assumisse perfeitamente seu personagem "barman". Havia se tornado mais ativo, também. Ao invés de apenas atender aos clientes com o sorriso automático, havia passado a se interessar mais em diverti-los, em fazê-los confortáveis no ambiente. Chegava até a usar seus trocadilhos - normalmente apenas os expunha quando bêbado -, e para arrancar risadas divertidas e descrentes do grupo de mulheres que sempre o visitava. Poderia até dizer que quase esquecia da vida para se divertir junto a elas.

    Porém, claro, não podia fugir da realidade por toda a noite. Já era madrugada quando foi liberado do turno, e fizera questão de se despedir de todos os colegas, assim como do próprio chefe, antes de trocar de roupa e seguir seu rumo para a mansão onde passara a morar. Seus passos eram lentos, quase como se não quisesse chegar nunca ao local, seus olhos correndo por cada canto da paisagem já conhecida, e que parecia muito mais tranquila àquela hora. Sorriu levemente, vendo um gato atravessar a rua vazia, antes de dar uma leve corridinha para amenizar o frio que sentia. Ah, seu humor parecia sumir pouco a pouco, o sorriso leve desaparecendo, ao mesmo que seus passos cessavam diante do portão de entrada. Abriu-o, com a chave que lhe fora cedida, seus pés movendo-se rapidamente mais uma vez, em busca do abrigo quente que teria logo logo, e, também, em busca de se esconder no seu quarto antes que qualquer pessoa viesse falar consigo.

    Uma pena, porém, que o caminho estava bloqueado. Piscou, fitando Heike sentado na escadaria, o silêncio sendo sua única realidade enquanto buscava entender como sua sorte poderia ser tão grande àquele ponto. Não sabia sequer o que poderia fazer naquele instante. Não podia simplesmente passar pelo loiro sem dizer qualquer coisa, certo? Seria extremamente desagradável de sua parte, e não era como se quisesse evitá-lo no geral... Aliás, queria sim, mas não tinha a intenção de ser mau educado, não fora ensinado daquela forma. Também não sabia o que poderia falar. "Oi."?! Soava bobo demais. Então apenas ajeitou a mochila lateral em seu ombro, as mãos grandes se enfiando nos bolsos do próprio casaco, ao que lançava um olhar suave de um lado a outro do jardim. Suspirou, arriscando fitar o mais novo com a expressão neutra de sempre. Por que está aqui fora? Está frio.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Abr 08, 2015 8:42 pm

    Tão distraído nos próprios pensamentos, sequer notou a aproximação silenciosa do moreno, continuando encolhido fitando o chão até que sua voz o despertou para a realidade num pulo. O fitou com os olhos ligeiramente arregalados não só pela surpresa, mas pela realização, finalmente, de que estava ali a frente dele depois de tudo o que tinha acontecido.

    Com as orbes fixas no rosto do outro, o loiro abriu os lábios por um momento numa tentativa de dizer algo, mas falhando miseravelmente. Podia notar a distância entre ambos. Depois de tantas semanas numa amizade tão forte e verdadeira, era como se agora existisse um precipício entre ambos e a expressão neutra em seu rosto apenas piorava tudo. Se ele ainda estivesse demonstrando alguma coisa, Heike saberia por onde começar, fosse raiva, mágoa, qualquer coisa. Mas sua expressão quase vazia servia como um tapa no ariano como se ele simplesmente não se importasse com absolutamente nada. E o pior ainda? Heike sabia que ele se importava sim.

    Desviando o olhar finalmente, apertou os lábios numa linha fina, pensando no que dizer, por onde começar. Tinha pensado em ir até o bar esperar ele sair do trabalho, pensado em ir até a faculdade dele, tinha pensado até mesmo em esperar do lado de fora de seu quarto. Porém, não queria deixar o outro desconfortável, não ainda mais. Ali do lado de fora daria o espaço que ele poderia ter para negar conversar ou até mesmo negar as desculpas se fosse o caso, era impessoal o bastante para não forçar a barra para cima dele. Assim, passou a mão pelo cabelo e tentou de forma breve, lhe lançando um olhar quase de súplica e ainda sim firme o suficiente. E-Eu quero conversar.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Qua Abr 08, 2015 9:03 pm

    Fora somente ter os olhos arregalados voltados à si para que Nero abandonasse a visão alheia, mudando o olhar para um ponto qualquer do jardim onde ambos se encontravam. Não era um gesto que utilizava para mostrar desinteresse, ou para apressar sua resposta, apenas não conseguia focar o outro sem sentir seu estômago revirar levemente, em uma sensação que não sabia indentificar com certeza, mas que conseguia dizer não ser muito boa. Mordeu a parte interior do próprio lábio algumas vezes, tentando aliviar a ansiedade que surgira involuntariamente em si, enquanto esperava ele se pronunciar.

    Porém, fora somente escutá-lo para que voltasse a fitar os olhos escuros do loiro, a própria expressão moldada em uma clara interrogação, ainda que não perdesse o ar sério. Ele queria conversar?! Bom, não sabia se estava realmente disposto a travar um diálogo com o rapaz naquele instante. Por algum motivo, sentira um cansaço enorme pesar sobre seus ombros, e uma sonolência agressiva apossar seu corpo, talvez reflexo da falta de vontade de estar ali, diante do outro em específico, e logo quando tinha melhorado seu humor no próprio trabalho. Mas, ao mesmo tempo, sentia algo aquecer seus interiores, algo que parecia querer quebrar o gelo que fora construído dentro de si ao ser magoado pela traição à sua confiança no outro...

    Suspirou mais uma vez, antes de fechar os olhos e forçar a mão entre os fios de cabelo bem amarrados. E sequer esperou ouvir qualquer coisa mais para desviar do corpo alheio e começar a subir às escadas em direção à porta da mansão. Demorou-se para abrir a porta, levemente trêmulo e desajeitado com a chave, e fora somente quando a deixara quase escancarada, que lançou um olhar ao corpo menor, a voz escapando baixa o suficiente para talvez não ser escutada. Venha. Aqui fora está muito frio. E entrou sem mais cerimônias, já caminhando para o próprio quarto.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Abr 08, 2015 9:48 pm

    Podia notar o quanto ele estava desconfortável ali. Com o tempo havia se tornado quase um perito em observar as reações do maior por mais sutis que fossem, consequência de toda a atenção que sempre direcionava a ele inevitavelmente. Ter noção de que agora deixava ele assim fazia com que o loiro quisesse se enfiar num buraco, mas já estava ali e não iria desistir, não iria ceder ao medo e o nervosismo.

    Porém tais pensamentos foram interrompidos quando ele apenas virou a cara e começou a subir as escadas, o coração do mais novo quase parando no peito com o sentimento de derrota que teve. O que acabou se tornando exatamente o oposto ao ser encarado segundos depois, a voz alheia se fazendo presente num tom baixo, mas claro. Levantou-se num pulo e o fitou ansioso e hesitante, sem saber o que fazer. Não sabia se seria uma boa ideia conversarem num lugar fechado, somente um na presença do outro. Conseguiria se abrir daquela forma? Precisava, independente de qualquer coisa. Baixando o rosto na direção do chão, vermelho e em uma fúria envergonhada, apenas seguiu o outro em silêncio pela casa até o cômodo em que agora vivia, as mãos fechadas em punhos firmes enquanto tentava se acalmar mentalmente. Certo, ele estava disposto a lhe escutar, iria aproveitar aquela chance e não iria estragar tudo.

    Já no quarto de Nero, se conteve num breve olhar curioso ao redor antes de focar a atenção nele novamente, como um imã. Seu cansaço era aparente, no entanto o rapaz se perguntava se era pela rotina pesada que o ocupava o dia inteiro, ou se pelos eventos que haviam ocorrido dias atrás. Recebeu apenas um gesto para que se sentasse na cama e assim o fez, porém ele mesmo acabou se sentando a uma distância mais do que necessária, perto da escrivaninha.

    Não tinha jeito, não é? Com um suspiro chateado, o loiro coçou a nuca meio sem jeito e então desviou o olhar para o chão. Eu... Ia esperar mais um tempo pra vir aqui, deixar a poeira baixar depois do que aquele cretino fez com todo mundo, dar um tempo pra você.. Por que sei.. Que eu vacilei. Começou num tom baixo depois do silêncio que se instalou no cômodo, franzindo o cenho e arriscando olhar para ele por um segundo. Só que eu não aguentei esperar mais... Aquilo era estranho e difícil para o jovem. Nunca teve problemas para falar nada, fosse ofensas, desculpas, confissões, nada. Mas no que se relacionava ao mais velho... Seu coração estava acelerado, parecia que havia uma bola na garganta impedindo que se comunicasse direito e estava começando a suar frio. De repente, parecia que já estava dando tudo errado.

    Olha Nero... Eu não.. Eu.. Não saí fofocando sobre as coisas que você me contou. Tentou de novo, voltando a encarar o chão como se o piso escuro fosse resolver seus problemas. Eu só.. Só contei pro Zion e nem entrei em detalhes... Só falei que você e o Rin transaram, mas a conversa não era nem necessariamente sobre você em si... Não queria que aquilo tivesse acontecido, por favor... Eu tava mal e confiei nele, eu só precisava desabafar.. Não achei que ele fosse contar pro Harold e que ele fosse falar na frente de todo mundo. Dizia rápido, quase se embolando com as palavras até enfim levantar o olhar para o outro, com a expressão exasperada, triste, quase desesperada para que ele entendesse. Eu.. Nunca quis te magoar... Eu juro...
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Qui Abr 09, 2015 9:15 am

    Não pensara muito no caminho para seu quarto, e tentara continuar sem pensar demais quando largou a mochila em um canto, ofereceu seu local mais confortável ao loiro e se colocou sobre a cadeira da escrivaninha; o apoio de costas servindo de descanso para seus braços, e a cabeça, pousada sobre os mesmos, mantinha-se erguida o suficiente para encarar o mais novo.

    E o silêncio que mantivera não fora um gesto de cortesia. Não sabia o que dizer a Heike, então apenas manteve o olhar focado nele, tentando estimulá-lo a falar o que queria com as orbes de tons distintos, ainda que tivesse a sensação de não carregar a expressão mais convidativa... Infelizmente, por mais que tivesse a capacidade de manter a neutralidade da expressão, sabia bem que o outro conhecia suas mudanças melhor que qualquer um, algo engraçado de constar considerando o quão pouco conviveram antes de considerá-lo um amigo próximo.

    Piscou, como se acordasse do próprio transe ao escutar as palavras iniciais do loiro, e às quais respondeu com um singelo menear de cabeça, tentando sempre mostrar que sua atenção estava voltada a ele, porém sem mostrar concordância a qualquer coisa dita. Não iria se pronunciar até terminar de ouvi-lo, talvez aquilo o ajudasse a construir as próprias ideias em frases.

    No entanto, nada dito lhe despertou a capacidade de responder ao outro. A verdade, e à qual não queria aceitar inicialmente em sua teimosia, é que sabia bem que não havia maldade em Heike, muito menos o loiro carregava má intenção o suficiente para expor sua privacidade por pura diversão. Ao menos, essa ideia existia na maior parte de seu subconsciente, ainda que demônios lhe gritassem aos ouvidos que deveria tomar cuidado, já que já passara por situações semelhantes muitas vezes no passado. Tinha dificuldade em fazer amigos, sempre tivera, e nunca dera realmente sorte com algum... Não era impressionante acabar se sentido mal em mais um relacionamento do tipo.

    Mas ainda acreditava conhecer Heike, saber que aquele tipo de incidente não era difícil de acontecer, que pessoas compartilhavam coisas com amigos - ainda que soubesse que a amizade alheia tivera um pouco mais do que apenas compartilhamento de ideias -, sabia daquilo tudo, mas ainda incomodava tanto ter esperado muito mais de uma pessoa do que ela realmente poderia dar para si. Pior, alguém que considerava tão próximo, mas que acabara negligenciando por ser incapaz de perceber os pensamentos alheios.

    No fim, era o que realmente estava errado naquela situação.

    Heike... Começou, antes de desfazer o coque que usava, para refazê-lo em um gesto relativamente nervoso. Porém, assim que os fios estiveram presos de forma adequada sobre sua cabeça, voltou a se apoiar na cadeira, uma das mãos servindo de sustentação ao seu rosto, antes de abrir um sorriso mínimo, tristonho. ... Foi muito difícil?

    Porém, assim que se pronunciara, sentiu o próprio rosto esquentar levemente, já que não havia se explicado de forma adequada, provavelmente deixaria o outro confuso daquele jeito... Principalmente quando ignorara tudo que ele dissera para falar sobre o que considerava mais importante de início. Digo, querer... Algo comigo. E não poderia reproduzir a palavra utilizada por Harold naquele instante.

    De qualquer forma, eu... Ahn... Sei de tudo que disse. Acredito em você. E, bem... O sorriso estranho voltou ao seu rosto, antes que desviasse o olhar para a parede mais próxima. Eu que comecei espalhando. Se eu queria a informação segura, não deveria tê-la passado, para início de conversa.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Abr 09, 2015 12:36 pm

    Manteve os olhos escuros presos sobre a figura do outro rapaz por todo o momento em que esperava a resposta, que honestamente lhe pareceu uma eternidade. Nero não parecia nem um pouco confortável ali no próprio quarto, muito menos parecia realmente inclinado a aceitar suas desculpas. Dessa forma, quando tudo o que falou foi ignorado ao que ele perguntou aquilo, se explicando em seguida, o loiro teve a decência de corar levemente desviando o olhar para o chão num movimento rápido. Ficou em silêncio por um tempo pensando no que dizer, mas antes que tivesse a oportunidade a voz do outro se fez ouvir novamente, baixa e num tom estranho, quase conformado.

    Ao olhar para ele e perceber aquele sorriso pouco característico em seu rosto, Heike franziu o cenho e desviou o olhar novamente, sentindo uma certa raiva e mágoa crescer no peito. Os dígitos acabaram apertando o tecido que cobria a cama com força numa alternativa contida da vontade que tinha de quebrar alguma coisa naquele momento para extravasar os sentimentos ruins que brotaram no peito. Ele dizer aquilo... Não estava certo. Era como se não importasse nada daquilo, como se Heike não pudesse ser confiado de qualquer forma mesmo. O ariano não precisava daquilo, do outro se culpando por confiar nele. Não precisava dele fingindo que estava tudo bem, porque era assim mesmo, a culpa era dele por esquecer que no fundo Heike era tão babaca quanto qualquer outro e não se importava nem um pouco. Não era dessa forma que deveria ser uma amizade e por isso mesmo naquele momento o jovem entendeu que não tinha mais volta mesmo. Tinha estragado tudo.

    Sentindo os olhos arderem de forma característica, balançou a cabeça para si mesmo e riu de forma meio amarga. Não iria chorar novamente. Assim, quando fitou o moreno seus olhos transpareciam todo o cansaço e mágoa que sentira por todo esse tempo, todo o desânimo e dor que sempre foi escutar ele falando de Rin, nervoso, feliz e esperançoso.

    Eu não queria DAR pra você. Começou baixo, dizendo em voz clara o que ficou implícito na frase do maior. Pelo menos, não só isso. Eu gostei de você, Nero, eu GOSTO de você. E sei que o que fiz não foi certo, mas eu precisei. Precisei colocar pra fora porque aquilo tava me matando, porque eu não aguentava mais ouvir quieto o primeiro cara que eu gostei de verdade a tempos falar sem parar de outra pessoa, outra pessoa que eu conhecia desde novo. Quando você me falou que transaram, cara... Riu novamente, curto, num tom que beirava a desespero enquanto passava a mão pelo cabelo. Não tinha mais sentido esconder o que sentia. Aquilo não levaria a lugar nenhum mesmo, pelo menos colocando pra fora de verdade, talvez pudesse ter um pouco de paz. Isso acabou comigo. De verdade. E eu nem planejava contar pro Zion, mas fiquei tão mal que quando ele perguntou o que tava acontecendo acabei deixando isso escapar sem nem perceber. Resumiu aquele momento que tivera com o melhor amigo, que não deixava de ser verdade.

    E sabe o que é engraçado? Mesmo sem conseguir passar por cima dessa bosta de sentimento, eu continuei do seu lado. Eu te aconselhei e te escutei quando você precisou, eu te apoiei no que foi possível porque honestamente só ficar perto de você como amigo já me bastava, apesar de tudo. Então não vem com essa merda que você tá jogando pra cima de mim porque na real tu não sabe de nada. Ao fim já estava usando um tom de voz magoado e irritado, ligeiramente alto. A respiração estava pesada e quando se deu conta algumas lágrimas tinham escapado pelo rosto, que foram limpadas com certa fúria ao que tentava se acalmar. Se você realmente acha isso então nossa amizade nunca teve sentido pra início de conversa.

    Resmungou por fim ao que se levantava, fitando ele por um momento. Queria e iria embora dali.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Qui Abr 09, 2015 11:49 pm

    Pensara que sua cota de surpresas já havia sido atingida havia um bom tempo, mas ouvir que o loiro gostava de si, o fez voltar o olhar rapidamente ao rapaz, as orbes levemente arregaladas, enquanto tentava ao máximo absorver tudo que ele jogava em sua cara daquela forma. Uma pena, porém, que descobrir aquilo não fora o suficiente para amenizar a raiva que começava a crescer dentro de si. Por mais que não estivesse na melhor das situações, e não se sentisse nada confortável para conversar naquele instante, estava tentando ao máximo dar um jeito de amenizar o que acontecera. Mas o outro simplesmente explodia em raiva e começava a falar o que bem queria, e teria que simplesmente escutar e assisti-lo ir embora? Assim como ele ameaçava ao levantar? Não. Se ele queria falar, teria que ouvir, e não pensou duas vezes antes de se colocar de pé também, a própria presença e o olhar lançado, deixando claro que não o permitiria sair sem ouvir a si; o impediria se tentasse.

    Não estava ignorando os sentimentos dele, no entanto. Não fingia não ter visto como ele estava magoado, como estava irritadiço, como as lágrimas lhe caiam dos olhos e como parecia prestes a destruir qualquer coisa para extravasar a própria raiva. Sabia como Heike era, e, mais, sabia muito bem o que era sentir o que ele sentia. Porém, ao mesmo tempo, não iria se conter e sequer se preocuparia em fazê-lo. Afinal, sua mente traduziu as palavras alheias como uma afronta, como se o menor quisesse lhe jogar coisas na cara, sentia-se ofendido, e, sequer conseguia entender se era a  intenção do mais novo, mas não gostava de sentir como se ele diminuísse seu incômodo em uma acusação escondida. Grunhiu, audivelmente, dando um passo em direção ao outro, o olhar tão irritadiço quanto o que recebia. O que você quer dizer com isso? Não se perguntava sobre a parte óbvia, que era o outro gostar de si, mas à insinuação de que ele sempre estivera ao seu lado independente do que sofria. Espero que não seja nenhuma insinuação à forma como me afastei, ou como estou tentando lidar com as coisas aqui.

    Nero respirou fundo, tentando buscar um mínimo de razão, tentando não deixar sua mente se nublar por completo, ao que desfazia seu penteado por não resistir em enfiar a mão nos fios. O olhar vagou por todos os pontos do quarto, antes que bufasse e o levasse novamente ao ariano, sua voz escapando baixa e muito mais tranquila do que achava que seria. Eu não sei de nada?! É claro que eu não sei de nada, Heike. Você não me disse nada. Você acha que eu falaria tudo o que disse para você se soubesse como se sentia? Acha mesmo que iria abusar de sua vontade desse jeito? Que iria te fazer sofrer de propósito?! Respirou fundo mais uma vez, sem mudar a forma como o fitava. Eu não sou um escroto insensível. A mão grande do moreno se colocou no próprio peito, o olhar se estreitando levemente, mas não por raiva... Eu queria saber, Heike. Se eu soubesse, você não precisaria estar passando por isso agora. Não teríamos passado por aquilo com Harold, e, talvez, nós sequer estaríamos discutindo. Seu tom abaixou no instante seguinte. Eu queria ter percebido, mas eu não me dou conta nem do que acontece ao meu redor direito... Então me desculpe. Mas...

    As mãos caíram aos lados do corpo do índio no momento seguinte, enquanto seu olhar se suavizava, e deixava parte da própria mágoa exposta na face; o ar sério convencional se perdendo por completo. O que eu disse não muda, Heike. Você pode falar o que quiser, mas é óbvio que algo assim poderia acontecer, como a situação funcionou, é natural ao ser humano. Se eu falo pra quem considero como melhor amigo, essa pessoa tem o direito de falar pra pessoa mais próxima a si e assim por diante. Foi o que aconteceu, e eu cheguei à conclusão mais simples e lógica que podia, não adianta se irritar comigo por isso. Mas se acha que minha conclusão é um sinal claro de que nossa amizade não valeu a pena. Bom, você tem seu direito. Riu, coçando a cabeça mais uma vez, nervoso, o corpo trêmulo e repleto de uma sensação desagradável. Estou dizendo que a culpa não é sua. E, sabia muito bem, não conseguia deixar sua intenção ao dizer aquilo exposta. Sabia que o outro provavelmente não entenderia a si, não quando o próprio Nero não sabia se explicar.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Sex Abr 10, 2015 1:50 am

    Acabou franzindo o cenho quando o moreno se levantou num pulo, seu tamanho e seu olhar determinado e mesmo irritado criando uma aura superior e quase intimidante ali no quarto. Mas o jovem apenas grunhiu e empinou o rosto em desafio quando ele se aproximou um passo. Heike gostava dele, mas estava tão irritado que nem isso o impediria de lhe agredir se chegasse perto demais.

    Porém o taurino permaneceu onde estava, sua expressão oscilando entre suavidade e tensão após se pronunciar inicialmente. O menor o encarava também parecendo ofendido pelo fato dele ficar ofendido, sinal claro que não tinha entendido nada do que falara, e por um momento pensou com seriedade se aquilo levaria a algum lugar. Provavelmente não. Ficou observando ele em silêncio então, apenas ouvindo sua fala e seus sentimentos em silêncio, deixando que ele se expressasse, por mais que não concordasse com absolutamente nada. Ele não entendia que não tinha problema ele culpar o ariano, que na verdade era para ele fazer aquilo porque de fato a culpa era DELE. Ele realmente não tinha que ter falado nada, não tinha que ter sido fraco daquela maneira.

    Nero... Começou num tom cansado quase interrompendo suas últimas palavras. Eu SEI que você não é um escroto insensível, sei disso e é exatamente por isso que gosto de você. Disse baixinho, desviando a expressão abatida para o chão ao que sentia o rosto esquentar numa vergonha boba. A questão é que você não podia saber. Como eu poderia te contar? As coisas entre nós ficariam estranhas, você não ia me tratar mais do mesmo jeito, ia ficar sem graça de me contar as coisas no mínimo e íamos acabar nos distanciando e nem tente me falar que não, porque você não gosta de mim e provavelmente ficaria sempre se policiando e se contendo perto de mim. Não dizer nada 'tava me matando, mas pelo menos eu podia ficar perto de você e te conhecer de verdade, ser seu amigo acima de tudo. Arriscou um breve olhar, sorrindo tristemente.

    E não quero que diga isso, imbecil. É minha culpa sim, se me dispus a continuar sendo seu amigo e ouvindo as coisas que você dizia mesmo com tudo o que estava sentindo, tinha que pelo menos ser forte o suficiente pra aguentar a barra ou tentar te esquecer. Entendo seu ponto de vista mas eu não quero que pense assim, que saco. Foi minha culpa sim, mas eu tô arrependido, de verdade. O mínimo que tu podia fazer era reconhecer isso, porque to aqui me humilhando e me expondo, por que eu me importo mais com a nossa amizade do que com o meu orgulho. Resmungou, engolindo seco e suspirando. A irritação não tinha ido embora, mas já havia perdido a paciência com toda aquela situação. Não com o moreno em si, nem consigo mesmo, mas com o que estava ocorrendo entre os dois. Só queria ficar bem com ele, mesmo que ficassem apenas amigos para sempre. Esperava que ele pudesse entender o que dizia ali. Reconhece que eu errei e que eu tô arrependido e decide de uma vez se me perdoa ou não. Eu vou entender o que você decidir e vou respeitar.. Eu só.. Não aguento mais isso.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Sex Abr 10, 2015 10:19 am

    Quando o outro voltara a falar, Nero não soube exatamente o que fazer. Seu olhar caiu, perdendo todo o ar ameaçador que vinha carregando até então, para que a face ganhasse um tom levemente avermelhado. Estivera nervoso, levemente irritado, e com vontade de deitar e dormir por uns dois dias seguidos, mas escutar Heike repetir que gostava de si - ainda que naquela situação -, fizera com que a moeda finalmente caísse em sua mente, trazendo-a de volta à ativa. Havia entendido que ele gostava de si, mas não havia entendido realmente. Piscou, apenas escutando-o com atenção. Sabia que Heike tinha razão quanto a vários dos pontos que apresentava. O moreno, por mais que sua teimosia não quisesse aceitar, provavelmente estaria mais consciente das próprias ações junto à Heike. Faria questão de tomar cuidado com o que dizia ou fazia... Porém, pelo menos não teria o machucado tanto.

    Os olhos do moreno correram de um lado a outro do chão, procurando qualquer coisa que pudesse focar, enquanto terminava de ouvir o ariano. Porém, no fim das contas, o melhor lugar para onde seu olhar poderia ir - ainda mais após os últimos dizeres alheios - era a face do outro rapaz, o qual encarou em silêncio por vários momentos. Ainda não sabia o que dizer, não sabia como responder àquilo, e nem como deveria agir em uma situação como aquela. Nunca discutira com alguém próximo, nunca nem tivera alguém que considerasse ao ponto de tentar manter um diálogo mesmo após uma decepção. Sempre cortava as pessoas de sua vida muito rápido, principalmente depois de aprender como não valia a pena insistir com a maioria delas... Piscou mais uma vez, levando o olhar novamente ao chão, antes de coçar a própria nuca, em silêncio absoluto. Nero não havia percebido de início, mas a resposta para aquilo estava muito fácil de ser alcançada em sua mente do que achara que estaria. Se estava disposto a lidar com o loiro daquela forma, não era certo que...?

    Suspirou, fechando os olhos por alguns instantes, antes de voltar a fitar o menor. Foram apenas segundos para que começasse a andar em sua direção, rompendo o pouco que faltava da distância entre os dois corpos, e para que seu braço se estendesse, prendendo a camisa alheia com os dedos. Está... Está tudo bem, Heike. Eu te desculpo. Piscou levemente, desviando o olhar para um ponto qualquer por segundos mínimos, antes de voltar a deixar o ar escapar de forma audível por seus lábios, a face um pouco mais avermelhada. Me... Desculpe pelo que disse... Na verdade, eu sinto muito a sua falta... Então voltou a coçar a nuca com a mão livre, rindo de forma desajeitada. Ainda que só tenham se passado dois dias...
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Sex Abr 10, 2015 12:52 pm

    O silêncio que se prolongou depois da própria fala havia sido pior até mesmo do que toda a discussão de antes e o ariano estava começando a achar que iria realmente passar mal de nervoso. Porque ele não falava logo alguma coisa? Só ficava se movendo sem jeito. Pelo menos não parecia mais irritado de qualquer forma, e isso já era um avanço. Com o olhar atento, o loiro acabou se perguntando se o simples fato de estar com ele ali o incomodava tanto. Era por ter quebrado sua confiança? Ou era porque gostava dele? De qualquer forma o próprio rapaz começou a ficar desconfortável, e uma vontade de gritar enorme lhe veio ao peito já que aquilo era justamente uma das coisas que queria evitar. Não queria que ambos se tratassem como se estivessem pisando sobre ovos.

    Porém todos aqueles pensamentos desnecessários foram interrompidos quando o moreno finalmente o encarou um pouco mais decidido e passou a andar em sua direção. Com o coração acelerando no mesmo instante, Heike acabou dando alguns passos para trás no caminho e o fitou com certa tensão. Uma aproximação agora era o que ele menos esperava, mas ao ter a camisa presa entre os dígitos alheios teve de suspirar aliviado ao escutar o que queria, o que precisava ouvir. Ele estava envergonhado e suas últimas frases acabaram dando o mesmo efeito no ariano, que apenas encurtou a distância entre ambos e apoiou a testa contra seu ombro para esconder o próprio rubor.

    Eu também.. Senti sua falta. Disse num fio de voz, rindo em seguida ao que caía a ficha de que no fim tudo acabou bem, relativamente falando. O cheiro do amigo era forte e lhe servia quase como um calmante, então o jovem se pegou lembrando da noite que dormiram lado a lado, do carinho e da confiança que compartilharam. Não queria perder isso. Me perdoa, idiota. Eu não vou mais fazer isso, eu juro. Vou dar um jeito no que sinto... E tentar te esquecer. Completou em pensamento após murmurar a última frase de um jeito quase inaudível. Acabou fechando os olhos e respirando fundo, se permitindo deixar a calma invadir o corpo para que aproveitasse aquele momento e aquela proximidade antes de abrir mão de tal. A próxima vez que isso rolar, pelo menos diz de uma vez o que sente pra pessoa, ok? Isso vai me poupar de aturar seu mimimi insuportável. Brincou, envolvendo os braços ao redor de sua cintura e apertando forte. Tudo ia ficar bem.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Sex Abr 10, 2015 11:43 pm

    Sua vontade, desde o início, era poder abraçar Heike enquanto lhe dizia que estava tudo bem, que não se importava mais com tudo que acontecera e que o perdoava. Porém, sem jeito como estava, e sem saber como o outro se sentiria diante de uma aproximação numa situação como aquela, Nero não conseguiu fazer mais do que manter o tecido da roupa alheia preso firmemente entre seus dedos. No entanto, assim que sentira o outro apoiar a cabeça sobre seu ombro, não conseguiu resistir a deixar as palmas tocarem a cintura dele, ainda sem ter certeza sobre abraçá-lo ou não. E não era algo estimulado pelo fato do outro gostar de si, apenas não era do tipo que recorria a contatos físicos com frequência - ainda que adorasse -, e, pior, era alguém que não conseguia ler muito bem a aura das situações em que se metia.

    Por isso, somente se permitiu envolver o corpo menor ao fim de tudo que ele tinha para lhe dizer, quando o próprio Heike buscou envolvê-lo naquele abraço, e ao qual retribuiu sem pensar duas vezes, sua cabeça caindo levemente para o lado, para que pudesse se roçar na alheia em um carinho bobo, infantil, ainda que seu tom escapasse levemente ofendido no instante seguinte. Mimimi insuportável?! Apertou-o, resmungando coisas aleatórias, antes de voltar a se expressar no tom baixo natural, levemente divertido. Pelo menos eu não tenho um mau gosto como o seu. E não é como se eu não fosse ser rejeitado de qualquer forma. O moreno, então, deu de ombros, afastando um pouco o loiro de si, só para que pudesse fitá-lo com um sorriso mínimo estampado em sua face. Você não vai precisar ouvir sobre mais nada do tipo por um boom tempo.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Sab Abr 11, 2015 4:36 am

    Uma risada de puro alívio escapou dos lábios do loiro quando foi apertado pelo maior naquele abraço quente, então acabou relaxando de forma drástica, como se nunca tivesse se exaltado afinal. O sorriso permaneceu nos lábios ao que ouvia ele resmungar inconformado, rindo soprado com aquele breve roçar da cabeça alheia contra a própria. Um gesto tão simples e ao mesmo tempo tão fofo num homem tão grande.

    Heike, apesar do que havia pensado a poucos segundos sobre esquecer o que sentia pelo amigo acabou se deixando levar pela sensação de estar nos braços dele. Seus corpos se encaixavam perfeitamente um contra o outro e parecia tão certo simplesmente estar ali... É claro que você tem um mau gosto pior que o meu, cara. Tu gostava do Rin, pelo amor de deus. Não tem ninguém mais prego que ele. Exclamou num tom abafado e ligeiramente divertido antes que o outro se afastasse minimamente e o fitasse. Prendendo a respiração numa tensão momentânea, o ariano o encarou de volta com o coração acelerando pela pouca distância entre os corpos e rostos e acabou se perdendo em pensamentos a medida que reparava em cada detalhe de sua face com atenção. Seus olhos de cores distintas que combinavam com seu tom de pele num contraste perfeito, seu cabelo farto e agora solto criando uma moldura delicada em volta de suas feições fortes e bem marcadas, seu nariz bem desenhado e sua boca convidativa, úmida e avermelhada... Todo o conjunto era exótico e belo, tão chamativo, e naquele instante o loiro teve de se conter para não quebrar a distância que havia entre ambos para lhe beijar.

    Mas logo se deu conta de que tinha o olhar fixo nos lábios dele, então engoliu seco e se afastou daquele abraço num pulo, deixando uma risada nervosa escapar. O-O que cê tá falando, cara... Aposto que daqui a pouco já tá por aí suspirando por algum idiota de novo. Riu-se, desviando o olhar e coçando a nuca a medida que dava alguns passos para trás de forma hesitante. Só não sendo por alguém que eu conheço de novo, haha.. Er... Disse com um riso forçado, um silêncio sem graça tomando conta do local enquanto se atrapalhava pelo nervosismo.

    Mas... Enfim, eu.. Acho que vou embora agora. Já tá bem tarde e você.. Deve estar cansado, é. Continuou mais baixo, sorrindo ao lhe encarar. Obrigado por me entender e me perdoar. Espero que nossa amizade continue como antes. Terminou por fim, movendo-se por impulso ao pegar seu pulso e o puxar para perto com força suficiente para fazer seu corpo se inclinar para baixo, podendo assim depositar um beijo suave em sua bochecha a uma distância perigosamente perto da boca. Boa noite, imbecil. Sussurrou, rindo do próprio atrevimento inocente e dando meia volta para sair dali. Podia dizer que estava alegre, finalmente.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por taurusnero em Qui Abr 16, 2015 11:16 pm

    Provavelmente era por estar realmente contente com a resolução da situação que Nero não percebera a tensão que os circundava. Ao menos não de imediato, já que rira da forma como o outro criticara seu gosto, e não se importara com o olhar que fora lançado a si pelos primeiros momentos. Porém, por mais denso que fosse, não havia como não sentir que o peso dos olhos alheios sobre si era muito maior, e muito mais demorado, do que o que seria convencional. Sentia-se assistido em todos seus detalhes, todos os mínimos traços de sua face. E era estranho perceber aquilo. Era estranho não saber o que fazer, não saber como quebrar a situação sem que fosse desconfortável para ambos, então apenas ficou em silêncio, fingindo não ter percebido nada, enquanto um sorriso suspeito e desajeitado continuava congelado em sua expressão.

    Fora só quando Heike se afastara - de uma forma nada sutil, por sinal -, que percebera ter prendido a respiração por um bom tempo, o ar sendo puxado de forma audível, em um gesto que se arrependeu de ter realizado no instante seguinte. Talvez estivesse muito mais consciente das próprias ações, mas sentia-se relativamente desconfortável em qualquer movimento que realizava. Tentou rir ao escutá-lo, uma de suas mãos coçando o braço oposto de um jeito claramente desajeitado, enquanto negava as palavras alheias com um movimento da própria cabeça. Esperava não ter que passar por algo semelhante tão cedo, e, muito menos, enquanto sabia que poderia machucar seu amigo. O amigo que parecia realmente nervoso, e que acabava deixando a situação ainda mais constrangedora.

    Nero apenas assentiu quando ouvira o outro informar que iria embora. De início, havia pensando em chamá-lo para passar a noite no local, já que estava bastante tarde e não queria que o outro saísse só no meio da madrugada, mas sentia uma leve resistência em fazê-lo naquele instante. Sua mente, atordoada ainda pela situação anterior, parecia incapaz de processar qualquer coisa além do fato racional de que não seria confortável para nenhum dos dois depois da súbita declaração do mais novo. Ao mesmo tempo, a mesma mente, parecia querer brigar consigo por não tratar aquilo da forma mais natural, afinal, a amizade dos dois não poderia simplesmente ser transformada em algo desconfortável, poderia? E sua resposta viera no momento seguinte, ao que se surpreendera - e muito mais que o necessário, já que estava distraído -, ao sentir o selar em seu rosto... Perigosamente próximo ao seus lábios.

    Sentiu o rosto esquentar de imediato, antes de finalmente processar o que acontecera e deixar um bufar derrotado escapar de seus lábios, ainda que de forma divertida, a mão grande se enfiando nos fios loiros e bagunçando-os com muito mais força que o necessário, ignorando o fato dele estar direcionado à porta. Boa noite, idiota. Mas antes que Heike saísse, um sorriso pequeno surgiu nos lábios do moreno, que cruzou os braços diante do próprio peito, ao mesmo que voltava a se pronunciar. A não ser que queira passar a noite aqui. Pode ser um inferno, mas, ao menos tenho pringles e filmes de terror.
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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

    Mensagem por Heike_Walker em Sex Abr 17, 2015 12:41 am

    O loiro já estava com a mão girando a maçaneta, rindo ao ser praticamente jogado para os lados com aquele afago bruto e forte que bagunçou seu cabelo todo, quando escutou a sugestão do moreno. Travando no lugar, piscou algumas vezes antes de virar um pouco onde estava para que pudesse fitá-lo, corando levemente. Sabia que o amigo não estava insinuando nada de mais, ele não era desse tipo. Mas o jovem não podia evitar de deixar a mente o arrastar numa linha de pensamentos mais ousados. Aquele convite poderia ser interpretado de uma forma totalmente diferente e Heike gostaria realmente que o moreno tivesse segundas intenções. Encarando-o de cima a baixo de forma nada sutil, o rapaz apenas mordeu o lábio inferior antes de balançar a cabeça de forma negativa e por fim rir meio sem graça.

    Acho que... Não é uma boa ideia, não hoje. O encarou por um momento, contendo um pouco do que realmente queria falar. Acho que preciso de um tempo sozinho, sabe.. Acabei de tirar do peito o que sinto por você cara e isso.. Ainda tá muito... Se não for pra trocar saliva e outras coisas, não quero passar a noite inteira contigo, não hoje.. Não depois de finalmente falar o que sinto. E no final acabou sendo realmente sincero, voltando a rir um pouco alto enquanto dava de ombros e desviava o olhar, para evitar que ele visse que no fundo aquela rejeição que não tinha realmente sido explanada doía um bocado. Eu tenho que.. Pensar, é..

    Mas fica pra um outro dia. Os filmes e tudo mais. Vou cobrar.
    Terminou, engolindo seco e dando um soco fraco em seu ombro antes de oferecer um sorriso sincero, ainda que pequeno. Até mais, ok? E antes que ele pudesse falar qualquer coisa, saiu dali e seguiu direto até sua moto, não demorando a ir para a própria casa.

    Se iria esquecer ele, e faria isso, o melhor seria passar pelo menos um tempo sozinho para se recompor.

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    Re: [#15] A ovelha que pede perdão 01

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