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    [#17] Amando Mainha

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    Rin Damien
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    [#17] Amando Mainha

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 23, 2015 3:23 am

    Após a confusão de dias atrás, ficara claro para Rin que precisava mudar certas coisas em sua vida. Em particular, a presença de Harold, o que com sua raiva recém-adquirida pelas atitudes do mesmo, não fora algo particularmente difícil. Esta, no entanto, não afetava o fato de que sempre fora extremamente próximo à irmã dele, a quem não sabia como estava encarando toda aquela situação. Sabia que Arthemis se preocupava e se afetava demais em relação a pessoas próximas a ela, e que acabava se cobrando muito quando, na realidade, a melhor opção seria parar e relaxar um pouco; não que Rin tivesse qualquer moral para recomendar aquilo.

    Achava os assuntos delicados para se lidarem via mensagem ou uma ligação, apesar de ainda a ver no trabalho praticamente todos os dias, o que não significava que pararam para ter uma conversa decente após o ocorrido. Eram ocupados, e sua veterana parecia cada vez mais focada em suas tarefas, enquanto o loiro não estava muito melhor, apesar de emocionalmente estável. Naquele dia, contudo, ao se dirigir à sala que normalmente era usada em pequenos períodos de folga dos plantões médicos, ouviu antes mesmo de entrar um barulho dentro aposento, denunciando que alguém estava chorando lá dentro. Pensou em apenas se virar e arranjar café em outro lugar, porém, espiando o interior do local, anulou completamente a possibilidade ao ver a fonte do ruído. Arthemis, sozinha. Entrando o mais silenciosamente possível, fechando a porta atrás de si, foi direto para o móvel em que ela se encontrava, sentando-se ao lado dela.

    Não saberia e preferiria não lidar com reações emocionais de qualquer outra pessoa, mas com Arthemis, tudo parecia vir de forma simples a si devido aos anos de convivência e intimidade que tiveram. Levou a destra até as mãos alheias, que descansavam no colo da albina, a depositando em cima das mesmas tão suavemente que parecia ter medo que quebrassem, enquanto o olhar preocupado era direcionado ao rosto da mais velha. Não sabia a razão exata dela estar chorando, e não sabia se ela iria querer falar sobre aquilo, mas queria apenas que sua amiga soubesse que estava ali para qualquer coisa que precisasse, fosse uma conversa, um abraço, ou se simplesmente quisesse ficar sozinha. Se fosse o caso, a respeitaria, como sempre fizera.
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    Arthemis W.
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    Re: [#17] Amando Mainha

    Mensagem por Arthemis W. em Seg Mar 23, 2015 9:18 pm

    As coisas andavam particularmente bem mais complicadas do que acharia que fossem, inicialmente. De um jeito que seus pensamentos não se coordenavam mais, Arthemis tinha ido completar sua carga horária de residência no hospital, com uma indisposição mental que não tinha nem em quedas de pressão. Para evitar muitas perguntas de colegas, se dera o trabalho de se maquiar o mínimo necessário para que o rosto inchado ficasse menos visível. E pelo bem de manter a base no rosto até que pudesse voltar para casa, faria de tudo para não ter mais um acesso de choro assim que ficasse sozinha. Trabalhar lhe distraía muitas das vezes, estudar também. Mas o que Harold havia feito consigo e com as pessoas que lhe eram queridas a desequilibrou de tal forma, que até mesmo suas obrigações se colocavam em risco. E foi na tensão que quase deu a medicação trocada para pacientes de quartos vizinhos na internação, com problemas totalmente distintos. Por uma sorte quase divina, ela se dera conta da besteira antes que as enfermeiras concluíssem a medicação, pedindo para que ajustassem em seguida. “Foi por pouco...” E o peso da responsabilidade que carregava finalmente a deixou sem ar.

    Ao sair da sala, mordeu o lábio inferior e sentiu as pálpebras inferiores umedecerem, assim que o nervosismo esquentou seu pescoço e têmporas. Grunhiu baixo até quase esbarrar em outro médico, pedindo desculpas de forma quase inaudível, disparando sem turbulência para a sala privada, onde funcionários usavam como pausa. Era um horário em que todos estavam trabalhando, então estaria vazia. Por pouco tempo, é claro, mas era só de alguns minutos que precisaria.

    Se tivesse deixado os medicamentos serem aplicados, teria, por incompetência, matado dois pacientes em estado grave. Como viveria com um peso daqueles? Estava arriscando muito mais do que seu emprego, do que sua faculdade, do que seu futuro com apenas algumas desatenções por conta de um sentimental abalado. Estava arriscando a vida de pessoas, que estavam em suas mãos. E foi se dando conta disso que sentou-se numa cadeira, abaixando a cabeça e deixando o jaleco branco abotoado umedecer-se com as lágrimas que respingavam. Uniu ambas as mãos sobre o próprio colo, percebendo o quão trêmula estava. Precisava se controlar. Precisava esquecer aquilo. Precisava colocar os pensamentos em ordem e se lembrar com precisão tudo o que aprendera. Precisava cuidar daquelas pessoas e não podia se dar ao luxo de errar daquele jeito, ou não conseguiria seguir com as consequências.

    Mas não estava preparada naquela hora. Não sozinha. Se cobrava de tantas maneiras e por tantas coisas, que nem se lembrava mais de todas, mas só sabia que tinha coisas a fazer. Coisas a consertar, a resolver. Problemas, problemas, problemas. A imagem da sala e a voz de Harold em sua mente se confundiam nas lembranças e tudo se atropelava mais uma vez, deixando incerto o momento em que as lágrimas parariam de escorrer. Zion, Heike, Rin, Nero... Será que todos agora a odiavam? Teriam muitos motivos, mas não queria aceitar essa possibilidade. Não mudar aquilo. Mesmo Harold, que expulsara de casa, esperava que compreende-se suas intenções e que não guardasse rancor. Conhecia bem o irmão e sabia que ele não era disso, mas a sensação ainda permanecia. Estava se sentindo tão depressiva que pensou em se dar um tapa por uns instantes, começando a ter raiva do quão patética estava sendo em um momento como aquele. Em seu ambiente de trabalho, cometendo erros de alunos de primeiro período por conta de problemas pessoais. Era ridículo, inaceitável. Sempre fora tão equilibrada e agora tudo desmoronava cada vez que ela tentava se reerguer. Patética. Patética. Apenas patética.

    De repente, todos os seus devaneios foram interrompidos pelo toque calmo em suas mãos. Havia sido descoberta. Quanto tempo ficara se lamuriando? Dois minutos? Meia hora? Tinha medo de encarar quem quer que tivesse achado ela ali, então continuou cabisbaixa, olhando os próprios joelhos pressionados um contra o outro. O que diria? A respiração continuava trêmula e descompassada pelo choro, mas havia momentaneamente se acalmado pela presença de mais alguém. Até que levantou o rosto, finalmente pensando com um pouco mais de clareza e reconhecendo as mãos que tocavam as suas. Rin.

    Não sabia o que dizer. Se o cumprimentava como sempre, se pedia desculpas antes de tudo, se continuava calada, ou se dizia que era só colírio. Não estava mesmo pensando direito. Ele não parecia estar bravo com ela, mas esperava que estivesse, então aquilo a confundiu. Porém, a presença de outra pessoa automaticamente travou o choro. E agora restava apenas a aparência de que ele havia acontecido. Ali a sua frente estava seu melhor amigo. Olhando-a com um pesar que a deixava à vontade para sentir que teria a chance de dizer o que precisava a ele. Só deveria saber como começar.

    ... E-eu solucei muito alto? — Perguntou, tímida. Levantou uma das mãos até os olhos, agradecendo por não ter passado nada demais no rosto, ou estaria toda borrada. — Rin, não falei com você muito bem desde aquele dia. Me desculpe, eu nem sei por... Como... Não sei o que dizer. Eu te devo muitas desculpas... Eu nem sequer perguntei como você havia ficado depois daquilo. Como está sua cabeça? Não foi nada grave? — Falava baixo, ora rápida, ora pausada. Aos poucos sua mente começava a se reorganizar.
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    Rin Damien
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    Re: [#17] Amando Mainha

    Mensagem por Rin Damien em Seg Mar 23, 2015 10:18 pm

    Permaneceu em silêncio, dando à sua amiga o tempo que ela precisava para se acalmar minimamente e reconhecer sua presença. Ao finalmente encontrar o olhar de Arthemis, o peso da preocupação aumentou em seus ombros, e mais uma vez se achara amaldiçoando o irmão dela por aquilo, junto com a culpa pela própria insensibilidade anterior. Sabia que a garota estaria sofrendo por incontáveis razões, e mesmo assim não a contatara mais cedo para qualquer tipo de consolo. No entanto, não lhe adiantava de nada pensar por aquele lado; apenas jurou para si mesmo fazer o possível para ajuda-la pelo tempo que fosse necessário.

    Apertou de leve a mão alheia que sobrara presa à sua, meneando a cabeça em concordância com um pequeno sorriso ao ouvir a primeira pergunta, que desaparecera após captar o significado das palavras seguintes. Ficava surpreso ao constatar que a mais velha sentia qualquer culpa em relação a si. Talvez fosse fácil demais para o loiro superar certas coisas, e certamente não pensara demais nos próprios ferimentos daquele dia, não imaginando que a própria Arthemis talvez acabasse o fazendo. – Você não tem culpa de nada, Arthemis. Não foi nada grave, e de toda aquela situação, aquilo foi o de menos. Eu que... Me desculpo, por não ter falado com você antes. Qualquer coisa que precisar, estou aqui, entendeu? – Falava em um tom extremamente suave, com intenção de tentar acalmá-la o máximo possível.

    - Não adianta se culpar por nada que foi dito. Arthemis... Você não precisa ser forte o tempo todo. Pode tirar uma folga, um espaço pra respirar.  Você vai sair dessa situação mais forte, mas não se prejudique no caminho. – A capacidade da outra tentar aguentar qualquer situação de cabeça erguida era admirável, e Rin entendia perfeitamente a necessidade de se focar cada vez mais em algo para se distrair; mas o fato era que mesmo se sua melhor amiga escondesse o estado emocional instável, ele estava presente, e só seria resolvido de uma maneira. – Tire um tempo pra descansar, pensar melhor, e resolver seus problemas de frente. E como disse, estou aqui. Também está tudo bem em se apoiar em alguém de vez em quando. Se for você, eu não me importo.
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    Arthemis W.
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    Re: [#17] Amando Mainha

    Mensagem por Arthemis W. em Qui Mar 26, 2015 2:49 pm

    Inicialmente não estava tendo tanta coragem quanto gostaria de conseguir olhar nos olhos do mais novo. Talvez por se sentir tão culpada pelo que o fizera passar em sua casa, mesmo que acidentalmente. Mas aos poucos, ao ouvir o que ele dizia de forma tão tranquila como sempre fazia parte dele, a mais velha aos poucos conseguia sentir a aflição diminuir gradativamente. Segurava a mão de seu calouro, assim como ele a sua, sendo aquele um tipo de contato que entre os dois poderia ser mínimo, mas significava muito. Ainda estava trêmula pelo nervosismo do que quase fizera, mas reconhecia os conselhos dados a si. Sua própria situação era desfavorável e teimar só pioraria as coisas. Não queria parar com todas as suas obrigações, não queria ter que ceder ao cansaço mental e psicológico. Aquilo era exaustivo naquelas condições. Suspirou, em silêncio, balançando a cabeça afirmativamente enquanto fechava os olhos acinzentados, agora conseguindo finalmente cessar de vez o choro incômodo.

    Não precisava, você também está com dificuldades... — Disse, com a voz fraca e um pouco atropelada. Abriu os orbes mais uma vez, percebendo a própria visão embaçada e então limpando as pálpebras mais uma vez. Sabia muito bem que não era a única ali com problemas, mas em compensação, era a única ali que não estava sabendo lidar muito bem com tudo aquilo. Mais uma vez se pegara admirando o auto-controle do outro, sentindo uma enorme falta de quando conseguia pensar de forma mais clara e prática. Tranquilizava-se por Rin não ter tido nenhum ferimento grave depois daquele dia, pensando que realmente deveria ter ligado pra ele ao menos para se certificar disso. Mas de toda forma, já estavam ali. — Eu... Não quero deixar de trabalhar ou de estudar por conta de algo assim. — Teimou, num sussurro, mas sabendo da própria realidade.

    Você está aqui com o mesmo grau de problemas que eu e muito mais calmo e controlado. Eu... Eu vou ficar bem logo. — Tentou sorrir para que o que dizia se confirmasse, mas percebeu que não deu muito certo. Torceu o nariz fino, fungando baixo e perdendo o olhar na própria mão unida a do rapaz, sentiu-se levemente constrangida por se aproveitar da oferta dele. — Se puder me ajudar... Eu não estou me concentrando muito e... E antes que eu faça alguma besteira, prefiro ter ao meu lado um apoio. Eu estou muito distraída, pode ser perigoso para os pacientes... Mas ainda quero tentar o meu melhor. Se você me ajudar, eu sei que consigo. — Preferiu deixar para conta-lo o que quase havia feito quando não estivessem mais dentro do hospital. Talvez não fosse uma boa ideia dizer aquilo em voz alta naquele lugar, mesmo que estivessem sozinhos. Mas mesmo que concordasse com o rapaz – afinal estava mesmo precisando de uma folga – seu senso de responsabilidade a deixaria inquieta pelo resto do dia, ainda se preocupando com as mesmas coisas. Não precisava daquilo. Insistiria. Uma hora as coisas melhorariam. Mas se tivesse Rin ao seu lado, se sentiria imensamente mais segura.

    Por sinal... Como você está com tudo isso... ? — Via que ele estava mais estável que ela, mas é claro que ele não estava completamente apático sobre tudo o que o envolvia. Sua memória não falhava, se lembrava bem das coisas que seu irmão havia dito sobre ele e jamais imaginaria as coisas. Não se sentia triste pelo rapaz não ter lhe contado nada, mesmo sendo seu melhor amigo, pois era uma intimidade dele e tinha todo o direito de guardar para si mesmo. Todos tinham segredos. Mas de fato se preocupava se o próprio Rin não estava se sobrecarregando também, mesmo que se mantivesse tão sereno.
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    Rin Damien
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    Re: [#17] Amando Mainha

    Mensagem por Rin Damien em Qui Mar 26, 2015 5:29 pm

    Sentia a tensão presente em sua amiga diminuir lentamente, mesmo que a fragilidade em que a outra se encontrava ainda fosse óbvia. Mesmo que ele próprio tivesse alguns problemas, não concordava em nada que estavam no mesmo nível dos de Arthemis, que tinha que conviver e lidar com os outros envolvidos quase diariamente, diferentemente de si. O que, agora que pensava novamente, de certa forma fazia o foco dela no trabalho e nos estudos ter mais sentido. No entanto, descansar não tinha que propriamente envolver qualquer um além dela mesma. Ouvia quieto, mantendo a leve desaprovação que tinha sobre a determinação alheia – ao menos no momento - guardada para si, focando na sugestão da albina sobre o que ela queria fazer.

    Também não poderia força-la a nada, e como dissera anteriormente, estaria presente pelo tempo que ela precisasse para se recompor e resolver a imensa quantidade de problemas que haviam surgido. – Eu vou te ajudar. Não estou aqui sempre, mas vou tentar ficar perto de você o máximo possível. - Não se importava nem em pegar algumas horas extras, se fosse o caso. - É uma fase ruim, que você vai superar. Acredite nisso. Mas, eu vou te pedir, se puder... – A mão que segurava a alheia deixou-a, indo para o topo da cabeça da mais velha e alisando os fios, quase os arrumando em puro instinto, em um gesto que poderia ser considerado carinhoso para o loiro. – Não deixe de trabalhar e estudar completamente, então. Mas diminua um pouco o próprio passo. Pode ser?

    Passando a descansar as mãos ao seu lado no sofá, precisou refletir por um momento sobre a pergunta alheia, desviando o olhar momentaneamente antes de voltar-se a Arthemis, um pequeno sorriso em seu rosto. – Estou bem. Tenho alguns assuntos pendentes que preciso resolver. Mas, tudo a seu tempo. – Não achava realmente importante comentar o que fora dito sobre si na confusão de dias atrás. Podia não ter contado nem à sua melhor amiga alguns acontecimentos de sua vida, mas se não o afetavam agora, não planejava perder mais tempo do que o necessário com o assunto, especialmente com alguém que não tinha nada com aquilo. Só gostaria de retificar um ponto em específico, para que não deixasse dúvidas na cabeça da albina. – E seu irmão não é um deles. Pra mim esse assunto já foi resolvido e cortado, e sinceramente, prefiro assim.
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    Arthemis W.
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    Re: [#17] Amando Mainha

    Mensagem por Arthemis W. em Dom Mar 29, 2015 5:00 pm

    Não se preocupe, é só por hoje. Estarei bem logo. Obrigada.. — Esclareceu, não querendo parecer um incômodo tão grande para o rapaz. Ele tinha as obrigações dele e não tinha em momento algum a intenção de se pendurar em alguém. Depois daquele dia, esperava já estar disposta para resolver as próprias coisas. Entretanto, aceitou o afago em sua cabeça com um sorriso pequeno e levemente entristecido, mas ainda contente pelo agrado. — Sim, eu vou desacelerar um pouco, pode deixar.

    Ouvia atentamente as palavras do loiro, admirando a versatilidade com que tratava a situação, de forma tão racional que para alguns parecia ser até mesmo fria. Mas a garota o respeitava muito por este traço de personalidade. Não eram muitas as pessoas que conseguiam se manter equilibradas daquela forma, mesmo que já tivesse presenciado momentos em que o rapaz já estivera em pura tensão. Aquilo fazia parte. Talvez ele não fosse normal se não tivesse suas fraquezas. Coisa que às vezes, achava que seu irmão não tinha, até ouvir as últimas palavras determinadas de Rin. Ela afirmou com a cabeça, mas tinha seus pensamentos próprios sobre aquilo. Sabia bem que o caçula merecia toda aquele desprezo e não só por parte do mais novo. Mas não deixou de desviar o olhar, com uma expressão um tanto taciturna para alguém como ela, fitando um ponto inespecífico no flanco inferior.

    Alguns dias antes de toda a confusão na sala de estar da mansão, havia percebido uma mudança gradativa em Harold, que se fosse qualquer outra pessoa, ela não faria a menor ideia do que significava. Mas talvez, por ser seu irmão de sangue, no qual tinha uma conexão genética bem mais forte do que qualquer outra sentimental, ela conseguia ter alguma ideia de quando o mais novo estava ou não atormentado. Muitas das vezes, eram puro mau humor matinal. Mas durante aqueles dias, ele parecia estar guardando algo para si mesmo, que não estava sabendo resolver. E quando isso acontecia, ele não falava nada para ninguém, a não ser Zion. Só não precisou perguntar para o ruivo, porque presenciou algumas vezes que o rapaz se encontrava com o loiro à sua frente. E quando isso acontecia, milagrosamente ele voltava ao seu humor normal, quando no resto das horas ficava insuportável. Ainda assim, para ela, não ficaria tão óbvio se a pessoa em questão não fosse Harold. E sendo, foi rápida a conexão.

    Ouvir Rin dizer aquilo fez a garota pensar que seu irmão jamais tinha se envolvido com alguém. E justo quando tinha a vontade, a pessoa não estava nem um pouco interessada. Talvez aquele fosse um castigo bem melhor do que tê-lo expulsado de casa, até. De toda forma não poderia ter certeza, mas era o que seu instinto a apontava, mesmo que ele quase nunca a apontasse nada. Não sabia anteriormente que o loiro havia nutrido sentimentos por Harold, mas agora sabia que ele havia superado e estava bem daquela forma. O próprio Harold, pelo que conhecia dele... Talvez se adaptasse. Não tinha como saber, pois nunca viu sua forma de agir perante aquele tipo de situação. Mas preferiu não se meter. Apenas voltou a encarar Rin, de forma compreensiva.

    Você tem sua razão.

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    Re: [#17] Amando Mainha

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      Data/hora atual: Sex Ago 18, 2017 9:55 pm