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    [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

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    Harold Wilhelm
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    [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 2:28 am

    Há algumas semanas estava percebendo sua visão ficar ligeiramente mais embaçada, mesmo com os óculos. Tentava deixar o problema de lado, sabendo que boa parte daquilo poderia ser só “cansaço” da retina, passou um tempo tendo que fazer um pequeno esforço para enxergar as coisas que os professores escreviam ou mostravam em slides durante as aulas. E odiava ter que sentar algumas mesas mais à frente por conta daquele problema escroto. Quando começou a ter dores de cabeça, decidiu que aquilo estava ridículo demais para continuar teimando, então decidiu finalmente fazer algum exame e ver que merda estava acontecendo com seu único olho que prestava mais ou menos.

    Triste seria se não tivesse deixado a receita dos atuais óculos em sua casa, quando agora dividia um quarto com uma colega do curso até que achasse um apartamento nas redondezas e um trabalho de meio período que fosse suficiente para viver por conta própria. Já que sua irmã mais velha havia feito o imenso favor de expulsá-lo de casa, como se tivesse mais autoridade que ele só porque havia nascido alguns anos antes e só porque seus pais estavam na Rússia – ou seja, na puta que pariu. Mas é claro que ela teve o consenso deles para fazê-los, é claro que teve. Harold era a cabra negra da família, mesmo com um irmão adotado e um desocupado xereta. Sabia que dava muitos motivos para aquilo, mas mesmo que tivesse saído gargalhando da sala de estar, depois de expor os segredos de todos eles para todos eles – de novo –, ainda não conseguia entender por que aquilo era motivo de tanto drama. A ponto de expulsá-lo da casa, pelo menos. Ora essa, eles deveriam agradecê-lo por facilitar a vida de todo mundo em algumas frases diretas. Ou eles queriam todo um cerimonial e protocolo respeitados pra que aquilo acontecesse? Gentinha fresca. De uma próxima, talvez Harold deixasse eles se foderem em angústia e depressão, desde que não sujassem o tapete da sala de novo. Apesar de que naquele momento, pouco se fodia se aquela mansão explodisse pelos ares. Não estava mais nela, mesmo.

    O que era curioso, é que mesmo com tantas coisas para lidar, ainda tinha aquela ocupação mental engraçada e extremamente agradável, que era a vontade de arrancar um siso do Presidente da República com um garfo. Embora o mesmo não tivesse nada a ver com seus pensamentos sobre Rin. Pensava se ele havia apanhado mais depois que tinha saído da sala, pois não teve a oportunidade de encontra-lo novamente. Provavelmente não, pois Nero estava lá e Heike não seria esquizofrênico na frente do cozinheiro em questão. Por falar no amigo, também não havia falado com ele desde então, nem com Zion, nem com ninguém envolvido no dia. Parecia até que estavam com raiva dele. Se estivessem, eram desprovidos de raciocínio lógico. Ou de simples raciocínio.

    No dia seguinte, resolveu dirigir até sua antiga moradia, na qual entrara com alguns empregados desnorteados. Sabiam que o rapaz havia sido expulso, mas não estavam acostumados a negarem pedidos vindos de alguém que serviram durante uma vida inteira. Não teve muitos problemas em convencê-los a deixarem-no entrar, até porque precisava de coisas que estavam em seu antigo quarto e aparentemente, nem Arthemis e nem Zion estavam dispostos a pegarem para ele. Subiu as escadas até onde era o cômodo, fuçando algumas coisas vazias, na esperança de achar. Até que lembrou-se do que Arthemis havia dito antes de sair. “Se tiver esquecido algum documento, venha depois buscar. Se eu não estiver em casa, peça a algum empregado pegar pra você e diga que estará no meu quarto em cima da escrivaninha.” Certo. Saíra do quarto, indo sem muita pressa até o da mais velha, abrindo a porta sem bater, pois sabia que ela sempre se mantinha destrancada.

    Entrou mirando a mesa em frente à enorme janela que o cômodo continha, vendo um volume na cama embaixo do cobertor e os cabelos brancos da irmã espalhados pelo travesseiro. Deu de ombros, achando um pequeno pacote com seu nome, escrito pela letra de Arthemis. Abriu-o e conferiu os documentos que faltavam, além da receita de seus óculos, exatamente como precisava. Antes de se retirar, girou nos calcanhares e pensou em pelo menos avisá-la que havia pego o pacote separado a si – até mesmo para afrontá-la, deixando clara sua presença ali, onde ela havia sido bem clara que não queria. Mas ao abrir a boca para dizer algo na intenção de acordá-la, percebeu um volume “largo” demais na cama para ser só o corpo da albina. Sempre a chamava de gorda, mas tinha noção de que aquilo tudo não era sua irmã.

    Como tinha intimidade para tal, não hesitou em agarrar o pano e puxá-lo, até destampá-la. E ver Rin ali junto. Nada surpreendente, claro, pois Harold sabia do costume dos dois de dividirem espaços pessoais de forma quase duvidosa, mesmo que inocente. Crescera vendo a irmã e o rapaz grudados um no outro como duas amiguinhas do fundamental. A questão era que Arthemis nunca vestia camisola para dormir. Sabia que ela achava desconfortável e constrangedor, então não conseguia entender a razão das vestes da garota estarem emboladas pra cima, basicamente mostrando a roupa íntima e todo o resto da cintura para baixo. Além de Rin estar abraçado a ela, sem camisa ou qualquer outra merda que o tampasse. Franziu o cenho, sentindo o mau humor subir multiplicado por um mol de vezes.

    O que. Caralhos. Vocês estão fazendo? — Disse em alto e bom som, sabendo que os dois acordariam daquele jeito. Confusos provavelmente, mas acordariam. Ah, não. Depois de tudo o que ele havia dito naquela merda de sala, por que diabos Rin estava ali ao invés de Zion? Subestimou a burrice da irmã? Era grande demais para ter percebido antes? Era um iceberg. Incrível! Só havia conseguido enxergar a parte emersa todo esse tempo. A parte submersa era tão absurda que Harold sequer considerou. E por que logo Rin? E quem havia comido quem ali? Antes que começasse a demonstrar tudo o que pensava, cobriu os dois novamente, como se aquilo fosse apagar as coisas de sua cabeça. E se retirou querendo rir. Só que dessa vez, de nervoso.

    Passou o resto da tarde completamente atordoado e até esquecera de marcar uma consulta no oftalmologista, indo direto para a casa de sua colega de faculdade e entrando no quarto que era seu. Imaginava se os outros haviam sido animais do mesmo jeito de fazerem tudo ao contrário, ou torto, ou errado. O albino andou de um lado pro outro no quarto, igual um cachorro procurando onde enterrou o osso e deitou na cama, esfregando o rosto com as duas mãos e fazendo os óculos caírem no travesseiro por cima da cabeça. Caralho. Quanta doença. Sentia algum tumor maligno crescer em algum canto de seu cérebro. Arthemis merecia explodir. Rin merecia explodir. Zion, Heike, Nero, todo mundo merecia explodir de tão burros que eram. Eu estou cercado de idiotas. Vou chorar. Não chorou, mas ficou um bom tempo encarando o teto e reclamando muito. Sentou, pois estava inquieto. Como chegou naquele ponto? Alguma coisa estava errada, estava se precipitando. Aquilo era óbvio, não era? Conhecia bem demais aqueles dois para não considerar tanta imbecilidade. Certo, estava exagerando. Cruzou os dedos em frente a boca e apoiou os cotovelos nos joelhos dobrados, pondo-se a refletir finalmente de forma lógica.

    Até que desistiu e voltou a deitar, chegando a conclusão de que aqueles dois eram imbecis de qualquer jeito de dormirem daquela forma, mesmo se fosse na inocência. Quantos anos eles achavam que tinham? Nove? Seis? Aquilo era muito retardamento mental. Era até mais agradável voltar a pensar que haviam transado mesmo. Se bem que é meio difícil imaginar. Franziu o cenho, realmente tentando pensar numa cena daquele tipo envolvendo Arthemis e Rin. Surpreendentemente, sentiu um desagrado que o fez mudar de semblante e encarar o teto de um jeito confuso. Hã. Certo, estava mesmo com um tumor cerebral. Toda sua mente se esvaziou. Não precisava daquilo, pelo amor de Deus. Mas de fato, estava puto demais com uma coisa que naturalmente só desprezaria, não? Estava definitivamente exagerando. E aquela sensação pequena de desgosto verdadeiro o fez cogitar a possível razão. Era claro que não estava sabendo lidar direito com a visão de sua irmã deitada semi-nua com alguém. Mas tudo ficava mais óbvio se não visse pelo lado da garota e sim pelo lado de quem estava com ela. Há tempos havia percebido que seu mau humor piorava quando estava longe de Rin, certo? E se estava tão exaltado por tê-lo visto com sua irmã, aquilo significava que no fundo, mesmo que não admitisse, estava precisando jogar pra ver se parava de pensar tanta babaquice, é claro.

    Mas infelizmente, lembrou-se de que não teria seu comum duo pra jogar com ele. Merda. Além disso, reparava que quando deitou-se novamente, havia caído de costas em cima dos óculos abertos. E agora quebrados. Ótimo. Ótimo mesmo. Que monte de bosta. Agora além de pagar novas lentes, precisaria de uma nova armação também. Mais dinheiro. Quer saber? Caguei pra isso tudo. E pegou o celular do bolso da calça, mandando uma mensagem para Rin. “Amanhã vou passar na sua casa.

    E realmente foi. Não iria adiantar nada ficar se descabelando sozinho no quarto, não é? Tiraria a prova na fonte mais confiável e resolveria tudo de uma vez. Ponto final. Exceto pelos seus óculos.
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    Rin Damien
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 03, 2015 3:45 am

    Mesmo depois de tantos anos como um estudante de medicina, não podia acreditar o quão ocupado poderia ficar de um momento para o outro. Passava tanto tempo no hospital que nem sabia como aguentava ficar no lugar, e quando não estava lá, ou ia para o outro trabalho – onde só se perguntava como não era demitido quando não conseguia tempo para ir direito – ou se matava de estudar em casa, para logo após dormir. Apenas outra coisa valia ocupar o tempo de Rin, mesmo que não tanto quanto gostaria; seus gatos, que recentemente cresceram em número, e que ao menos não precisava de qualquer habilidade mental para lidar com. No entanto, até deles se afastava de vez em quando, como naquele dia, em que decidira dormir na casa de Arthemis – que praticamente se encontrava na mesma situação - para verem se se matarem juntos estudando era uma opção mais agradável.

    Depois de uma madrugada varada em livros com pequenas pausas apenas para comida, nenhum dos dois possuía qualquer capacidade mental de raciocinar, e o loiro sequer se lembrava de ter deitado para dormir ao lado de sua amiga, ação que não era exatamente incomum aos dois. Fora retirado brevemente de seu sono, entretanto, por uma voz terrivelmente familiar, e que pelas palavras da albina, não deveria estar naquele recinto. Se recusou a abrir os olhos, pensando talvez ser apenas um sonho ruim, mas sentindo claramente o peso do cobertor que anteriormente fora retirado voltar a si. Sem questionar qualquer coisa, não demorou para qualquer pensamento sumir de sua mente novamente.

    Mais tarde Arthemis esclarecera que Harold realmente estivera no quarto e levara alguns documentos, o que apenas fez o estudante de medicina rir com o estado deplorável em que ele achara os dois. Mesmo com todo o cansaço, era uma sensação de liberdade constante saber que não sentia mais qualquer coisa pelo irmão de sua amiga, apesar de ainda se irritar ao pensar em atitudes alheias anteriores. Porém não possuía tempo para lidar com mais um problema, e logo voltou ao hospital para outro período ridicularmente longo de trabalho. Estava no meio da madrugada, em um pequeno momento de folga, quando parou para olhar o celular e viu uma mensagem nova, arqueando ambas as sobrancelhas ao lê-la e se perguntando por que diabos aquela pessoa decidira aquilo. Sua única aposta era que o albino queria alguma explicação sobre o que acontecera com Rin e sua irmã, o que o loiro entendia, depois de ter pensado brevemente sobre aquilo, que poderia ter sido considerado estranho. Mas talvez parecesse simplesmente idiotice demais para si que Harold fosse presumir que qualquer coisa acontecesse.

    Refletiu se respondia, se ignorava e deixava o mais novo aparecer em sua casa enquanto ele próprio não estava lá, ou se mandava simplesmente um “A pureza da sua irmã está intacta. Por enquanto.” em uma tentativa desagradável de humor. Não queria exatamente falar com o outro depois do dia em que ele expusera os segredos de todos, mesmo tendo superado a pequena queda. No final apenas mandou uma mensagem de volta dizendo que estaria em casa de noite. Esqueceu o assunto rapidamente ao voltar ao trabalho, e mais cedo que o esperado – no começo da tarde - se encaminhava para o próprio apartamento, apenas ainda acordado devido ao efeito do último energético que tinha, que já havia acabado. Não estava com paciência para comprar mais naquele momento, então assim que chegou em casa e cuidou brevemente dos gatos, Rin se dirigira para o sofá e ficara por lá, seus olhos se fechando quase imediatamente.

    Pareceu que apenas um segundo se passara ao ouvir o som da campainha, o fazendo abrir os olhos imediatamente e quase pular do sofá, assustando Albi, que descansava próxima a si. Havia dormido sentado, o que fazia seu corpo e mente se lembrar do porquê não deveria fazer aquilo. Pela cor do céu que via na janela, a noite já havia caído, e em um processo lento o loiro se lembrava de quem exatamente estava do outro lado da porta. Contendo um bocejo e esfregando brevemente os olhos para ver se acordava de alguma forma, levantou-se e andou até a entrada, decidindo lidar com aquilo o mais rápido possível. Abriu a porta para ver Harold do outro lado, e com o tom mais educado possível, apenas questionou. – O que foi?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 12:22 pm

    Normalmente em boa parte de sua vida nunca planejara o que tinha para dizer antes do momento de fazê-lo, seja para alguém ou para uma situação. E naquela hora, fazia o mesmo. O que não seria problema algum se sua mente tivesse ficado em branco assim que a porta abrira e podia ver o rosto de Rin perguntar aquele seco “O que foi?” da porta. Ele estava inteiro? Passou o olhar pelo corpo do outro, captando o cansaço alheio só pela aparência exausta que ele tinha, certificando se não tinha nenhum pedaço caído no chão ou coisa parecida. Mesmo que tivesse um pouco de dificuldade, devido aos óculos extras que usava e que não tinham o mesmo grau que precisava, tornando sua visão ligeiramente mais fraca. Franziu o cenho, finalmente voltando a preencher os pensamentos com respostas que poderia dar para a questão do loiro.

    Você está um bagaço. — E o comentário não foi exatamente uma resposta. Mas a importância dele foi relevante o suficiente para desviar para o que interessava de fato aos dois. — Vim conversar. Pela sua cara dá pra ver que não está muito afim de me convidar para entrar, mas acho que você não vai querer tratar de assuntos pessoais comigo falando alto no corredor do seu prédio. Ter passado por esse constrangimento uma vez já deve ter sido suficiente, eu acredito. Então, posso? — Deu um passo à frente, impondo-se, mas não invadiu sem que Rin desse a devida passagem.

    Não teria problemas em tratar daquilo do lado de fora, realmente. Mas o que percebeu o deixou ligeiramente mais perturbado do que já estava, preferindo uma forma de conseguir respostas às próprias perguntas de modo mais reservado. Analisar o rapaz o acalmara de certa forma. De novo. Então, mantinha-se sério e de cenho franzido, ao invés do seu costumeiro semblante debochado e embora suas palavras continuassem tendo o comum toque de sarcasmo. Aquilo ainda não era o suficiente para tirar a prova de que estava sim nutrindo algo por Rin. Acalmar-se na presença de alguém ainda era possível com Zion, Arthemis e de vez em quando funcionava até com Heike. Finalmente estava conseguindo enxergar as coisas de maneira mais clara. E se fosse realmente aquele o caso, diria a Rin como forma de desentalar qualquer coisa que ficasse presa à sua garganta e trataria de esquecer tudo aquilo da forma mais rápida que conseguisse. Não passava de um problema.
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    Rin Damien
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 03, 2015 12:49 pm

    Permaneceu encarando o maior com uma expressão neutra, considerando o que era dito e pesando os prós e contras de tentar fechar aquela porta na cara de Harold. Decidiu que não valeria a pena o esforço, e que provavelmente o jeito mais rápido de resolver o que quer que fosse seria por uma conversa, mesmo que ainda não fizesse ideia do que exatamente seria falado. Assuntos pessoais. A única possibilidade que corria por sua mente ainda era ter algo a ver com Arthemis. Respirando fundo e resignando-se a tentar não se irritar demais com a situação, deu um passo pro lado para que o mais novo passasse, fechando a porta em seguida.

    Meneou a cabeça em direção à entrada da cozinha, se encaminhando para o cômodo e esperando que o outro o seguisse. Constatando que não havia felino algum no lugar, o fechou também, indo diretamente em direção aos suprimentos que possuía e pegando o necessário para fazer café. – Espere um segundo. – Apenas após ter o líquido preparado - por educação passando uma xícara a Harold também – e beber um gole na esperança de, se não se sentir mais acordado, ao menos ter o gosto de café lhe dando uma felicidade momentânea, deu espaço para que o albino falasse novamente. – Diga.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 3:58 pm

    Satisfeito, adentrou o apartamento que já estava acostumado a entrar. Procurou com o olhar se havia algum dos gatos de Rin por perto, a fim de evitar pisotear um deles de novo – cuidado este que sempre tomava depois que havia quase esmagado a cauda de Nie. E nunca esteve com muita vontade de ganhar o ódio eterno do loiro, caso machucasse de verdade algum de seus gatos. Seguiu o mais velho até a cozinha, já imaginando o que ele fosse fazer e esperando, encostado na parede próximo ao armário, o café ficar pronto. Agradeceu com um aceno a xícara que lhe foi oferecida, achando engraçado da parte dele dividir o café, quando há um minuto não estava disposto a deixa-lo nem mesmo entrar. De toda forma, sabia que aquilo seria fácil de resolver, visto que Rin era uma pessoa versátil de conversar, embora fosse tão cabeça-dura quanto o próprio Harold. Recebido o espaço para poder falar, não hesitou em fazê-lo.

    Vim perguntar o que diabos você estava fazendo com a Arthemis ontem, a princípio. Não é de hoje que eu sei que vocês dormem juntos, tomam banho juntos, trocam de roupa juntos ou sei lá mais o que. Mas, o que eu vi foi bem... Esquisito. — Franziu o cenho, se lembrando da visão e fazendo uma leve expressão de desgosto. Parecia que conforme falava, a aflição ia diminuindo consideravelmente. — Também queria perguntar como você e Nero estão. Sei que não é da minha conta, mas... Eu fiquei sabendo das piores coisas, então acho que as menores não fazem diferença eu ficar sabendo ou não. Né? — Aquilo não fazia a menor importância para si, é claro. Mas de repente, a vontade de perguntar lhe surgiu e simplesmente o fez. O que o fez pensar se em algum lugar estava preocupado sobre Rin tentar finalmente dar alguma chance ao moreno. Olhou para o lado, pensando mais um pouco. ... É, não. Descartou a possibilidade, considerando que provavelmente Heike já havia feito algo sobre o cozinheiro. Se tudo correu como achou que correria – e como queria que corresse, pois havia feito por onde –, Nero já havia se desiludido o suficiente para tentar olhar a outra margem do rio. Se Rin dissesse qualquer coisa contrária a aquilo: burro. Então, apenas esperou. Com um leve cinismo no rosto.
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 03, 2015 4:36 pm

    Bebericava o café encostado no balcão da cozinha, o assunto que esperava sendo mencionado sem hesitação alguma. Sua expressão demonstrou uma leve surpresa, no entanto, ao ouvir a pergunta sobre Nero. Os dois haviam conversado e Rin havia propriamente acabado com qualquer esperança que o moreno poderia ter da forma menos insensível que conseguira, e os dois agora conviviam de forma normal e aberta sobre o assunto. Mas por que aquela pergunta, de todas as coisas? Entendia a preocupação de Harold – se é que poderia chamar daquilo – com a irmã, mas com o cara que cozinhava na casa em que ele nem morava mais, era um mistério. Focando-se primeiro em Arthemis, o loiro terminou a própria xícara, a depositando ao seu lado antes de falar, como se fosse algo extremamente óbvio.

    Estávamos dormindo. Depois de estudar a noite toda, acho que nenhum de nós nem se lembra de ter ido pra cama. – Ainda assim, sabia que mesmo com toda a intimidade que possuía com a albina, era no mínimo uma situação peculiar. – É como você disse, nós já até tomamos banho juntos. Nada demais aconteceu, e não é como se ir dormir ou acordar daquela forma nos fizesse ficar desconfortáveis. – Deu de ombros minimamente, antes de um pequeno sorriso, por mais frio que fosse, surgisse em seus lábios. – E quanto ao outro assunto. Você pode saber das piores coisas, mas acho que não me sinto confortável com você sabendo qualquer coisa agora, já que sei como isso pode terminar. Então, Harold, nas suas próprias palavras, não é da sua conta.
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 5:11 pm

    Quanto ao primeiro assunto, franziu o cenho, visivelmente aborrecido. Merda. Antes tivessem feito algo, realmente. Agora o albino sentia que poderia ir embora da casa e Rin com 90% de suas questões resolvidas. Amaldiçoava todas as moléculas de oxigênio ao seu redor, pela simples necessidade de amaldiçoar alguma coisa. Um alívio percorreu seu corpo ao constatar que realmente nada havia acontecido, lhe dando a prova positiva do que estava tentando negar de todas as formas. Sua última esperança havia sido dizimada ali, então, seria apenas mais um idiota se não reconhecesse que gostava de Rin. A milagrosa questão ali era: por quê? Começou a bater o pé, ouvindo o que o mesmo dizia em seguida, ao mesmo tempo em que se questionava mentalmente sobre o quão problemático deveria ser para ter nutrido sentimentos por aquela criatura. Em meio a isso, sorriu de volta, retribuindo o semblante frio do mesmo com um extremamente sarcástico.

    Pare, vou acabar chorando. Jamais foi minha intenção te deixar tão traumatizado. — Riu, terminando o próprio café e desencostando da parede e passando pelo loiro, abrindo a torneira e lavando a xícara, continuando a falar. — O máximo que eu posso fazer com qualquer informação disso, é esfregar na sua cara que eu ajudei a consertar um problema na sua vida, que você não estava percebendo por ser idiota. A não ser que você tenha sido burro o suficiente para estragar tudo. Aí a culpa não seria mais minha, né. Talvez se você raciocinasse, perceberia que vocês só foram frescos o tempo inteiro. — Fechou a torneira, guardando o objeto de volta onde Rin o pegara, voltando-se a ele ainda sorrindo. — Assim você perceberia que eu não sou tão mau. Talvez. — Embora não tivesse provocado tudo aquilo para realmente solucionar a vida de todo mundo.

    Desfez o sorriso em parte, cruzando os braços enquanto apoiava-se de costas na pia, encarando o loiro. Não esperava mesmo que ele fosse começar a enxergar as coisas da forma como dizia, pois sabia que a mente dessa gente era limitada por alguns valores que não faziam muito sentido. Suspirou, convencido de que aquilo não iria dar em nada e só atrasaria a conversa que tinha para levantar. Mas também, considerava um apelo importante para que, depois do que havia dito, fosse ouvido de alguma forma menos ignorante. Resolveu então, fingir alguma empatia sobre a situação.

    Deixando o deboche de lado, eu não estou minimamente interessado sobre como vocês levarão as coisas a partir daqui. É só que eu estava nas horas erradas e nos lugares errados pra ficar sabendo de coisas que eu sequer perguntei pra saber. E quando me vi, todos vocês estavam a minha volta como um bando de urubus voando em círculos. Fiquei uns bons minutos sem entender por que caralhos Heike espumava pela boca te espancando, quando percebi que aquela situação já estava ficando ridiculamente descontrolada, por motivos que eu sabia quais eram. E se nenhum de vocês iriam dar a primeira palavra, eu dei todas de uma vez e acabei com tudo. Desculpe se pra isso tive que expôr algumas intimidades suas. Mas sim. Vocês estavam na minha casa, na minha sala e você mesmo já estava saindo ferido. Qualquer problema que ocorresse lá dentro, meus pais teriam que responder por isso. Então, queira ou não, era da minha conta. Foi a forma que arranjei pra dispersá-los. E funcionou. — E voltou a sorrir, esperando ter esclarecido tudo de forma entendível.
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    Rin Damien
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 03, 2015 6:10 pm

    Rin poderia ser extremamente paciente, mesmo quando não queria. Agradecia àquela qualidade, pois a cada palavra que deixava a boca de Harold o fazia querer apenas chutá-lo para fora de sua casa e dormir de vez. Era ridicularmente irritante o quanto o outro não entendia o que estava errado no que fizera, e se entendia, o quanto não ligava. O loiro até poderia concordar que, o estrago estando feito, todos tiveram capacidade suficiente para resolver as próprias questões e tirarem algo bom da situação, mas não era aí que estava o problema. E a hipocrisia presente em algumas das coisas faladas poderia ser quase motivo de riso. Mesmo o pedido de desculpas, por mais surpreendente que fosse, não adiantava de nada com a atitude do albino. Ao menos ele lavara a xícara que dera a ele. Utilidade mínima. Inspirando e expirando profundamente, se perguntou por onde deveria começar. Se valia a pena. Acreditava que o mais novo ao menos ouviria, e esperava que ele tirasse do cérebro por um momento a necessidade de estar certo o tempo todo.

    - Certo. Você estava preocupado com a reação dos seus pais. E com consertar os problemas de todos ali, e resolver tudo de uma vez. É sério, Harold? – A pergunta fora retórica, seu tom demonstrando mais cansaço do que anteriormente, o sarcasmo talvez não sendo óbvio de imediato. O encarava diretamente conforme falava, o sorriso anterior não mais presente na face; sentia uma calma quase fora do normal, que surgia quando realmente se irritava com algo. – Isso quando você não moveu um dedo pra impedir violência na sua casa por motivos que você, no começo, nem entendia. Mas não se preocupe, eu não acho que esse seja o maior problema aí. A questão é confiança, Harold. Não importa como os segredos das pessoas chegaram a você, ou o que aconteceu depois. É saber algo sobre alguém que não querem que os outros saibam, e acabar com qualquer credibilidade que poderia ter com a pessoa por suas próprias razões. E mesmo se não fossem, ainda não justificaria. Duvido que você não saiba o porquê de terem ficado bravos com você. Já se você não liga, pare de dar desculpas. Cresça e admita, e de preferência aprenda algo com isso.

    Mesmo com aquelas palavras, duvidava, de muitas formas, que Harold não teria algo mais irritante a dizer sobre elas. – Me corrija se eu estiver errado. Mas se eu não estiver, só pare. - E ainda que quisesse falar para o maior ir embora logo, não o fez; uma discussão não iria a lugar algum se não houvesse espaço para os dois lados falarem e ouvirem. Acreditava, de alguma forma, que o entendia. Apenas não apreciava em nada aquela atitude, e imaginava que o assunto que levara o outro ali deveria estar encerrado, já que a questão de Arthemis já fora resolvida.
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 7:06 pm

    Talvez fosse mais prático dizer que só estava cagando pra tudo aquilo mesmo. Até que Rin soltou o “eu não acho que esse seja o maior problema aí”. Não, não, não começ-... Merda. Sentiu ficar meio tonto quando Rin começou a falar sobre confiança e credibilidade e deu um longo suspiro, e só não grunhiu de desgosto porque provavelmente aquilo o faria falar mais ainda sobre aquele mesmo assunto, então só esperou ele passar. Ficou em silêncio o outro dizer o que tinha necessidade de dizer até o fim, encarando-o com uma leve vontade de rir sobre quando este citara que realmente não havia feito nada para tirar Heike de cima dele. Certo, nisso não tinha como discutir.

    Eu admito que o campeonato de LoL estava mais legal do que ver Heike batendo em você. — E com aquele comentário, ele mesmo desintegrou toda sua argumentação anterior sobre se importar com alguma coisa. Mas o próprio Rin não havia acreditado em seu fingimento, então, jogar a mesma carta não valeria a pena. Seria sincero então, levantando ambas as mãos aos lados da cabeça, num gesto de rendição. — A única coisa que acho que lhe devo desculpas sinceras, é realmente por ter deixado você apanhar e por ter dito coisas íntimas suas. Não estou exatamente arrependido, mas não tenho nada pra justificar isso. Mas de resto, Rin... Não diga “pare” pra mim. — O resto das palavras foram ditas com um leve ar risonho. — Confiança? Credibilidade? Acho que vocês mesmos estavam com probleminhas quanto a isso, não? De onde eu tirei toda aquela baboseira, mesmo? Ah, claro. De toda a falta de confiança e credibilidade que vocês tinham uns com os outros. Não venha exigir de mim o que nem você teve em todo aquele processo. Você não está numa posição muito madura pra me mandar crescer, sinto muito. Eu ter soltado segredinhos amorosos é realmente um bom motivo pra essa parafernalha toda? Sério? Bom... Talvez seja, né. Pelo quão sério você está sendo, vejo que realmente enxerga as coisas dessa maneira. Me diga exatamente o que eu fiz de tão ruim. E se vier com “Traiu a confiança de todos” mais uma vez, vai me forçar a sujar sua cozinha de vômito. Nem eu quero isso. Se não tiver nada para se queixar além disso, faça um favor pra si mesmo e pra mim: menos, sim?

    Suspirou, balançando uma das mãos e pedindo um tempo, suspirando mais uma vez e sentindo-se cansado. Ainda assim, não considerava nada daquilo difícil de lidar. Pelo menos o rapaz não estava chorando e querendo jogar as cadeiras nele. Não sabia exatamente como iria pular todo aquele assunto e ir aonde o interessava de verdade, então só revirou os olhos.

    Mas enfim, eu não estou aqui pra implorar perdão nem nada do tipo. Eu vim ver se entrávamos em um consenso e se poderíamos voltar a conviver normalmente. Caguei se você não vai confiar em mim e bláblábláblá, mas é desconfortável até pra mim ficar como o vilão da história desse jeito escroto. Então, se você concorda ou discorda com o meu ponto de vista, acho que não cabe mais ficarmos dando voltas nos mesmos argumentos, certo? É cansativo. E de algum modo, não gosto de parar de conversar com você. Não preciso muito da sua confiança pra isso, acho. Ou preciso?
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    Rin Damien
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 03, 2015 7:53 pm

    Os olhos de Rin se estreitaram conforme ouvia o argumento do outro, desejando que tivesse feito a escolha mais sábia e dado um fim àquela conversa. Também era fácil demais para Harold apontar o comportamento dos outros para justificar o próprio, e é claro que ele continuaria a tentar argumentar, mesmo que não estivesse mais  tendo amenizar o que fizera. O que não era grande coisa para o albino poderia afetar negativamente todo o resto, e a forma como os outros agiram antes ou depois, poderia falar novamente, não afetava o erro. Talvez se importasse demais com aquilo. Talvez não fosse tanto, se a atitude alheia não o estivesse fazendo cerrar os punhos ao conter o aumento na própria irritação.  

    Fora surpreendido ao, no meio daquela sensação, ser pego de guarda baixa com as palavras finais do mais novo. Ao menos em uma coisa estava certo; os dois se entendiam e não havia porque continuarem com os argumentos, se era óbvio que ambos discordavam e não mudariam as próprias opiniões. O loiro nem tentara responder, se contentando em seguir o conselho de menos para impedir qualquer reação violenta vinda de se próprio, por mais incomum que fosse. Porém, o “não gosto de parar de conversar com você” o deixara apenas com uma interrogação na mente. Antigamente, provavelmente teria parado de pensar ao ouvir tal coisa vinda de Harold, mas agora, apenas questionava o que diabos era aquilo. Então o albino apreciava sua amizade? Bonito. Poético. Estranho, vindo dele. E Rin apenas o mandaria para o inferno se fosse alguém que não pensava antes de falar.

    Não queria estar perto do outro no momento, mas apreciara a amizade que tinham anteriormente. Talvez se arrependesse de não considera-la, sabendo que o ponto em que discutiam nunca teria uma resolução agradável, e devesse relevar certas coisas. Ao mesmo tempo, sabia que não devia nada, e respirou fundo pelo que pareceu ser a milésima vez apenas naquela hora; a respiração trêmula com a pura raiva momentânea que sentia. Menos, Rin.Olhe. Estou cansado. E irritado, muito irritado, no momento. Recomendo que você saia da minha vista e da minha casa antes que eu- - E mais uma vez parou para respirar, contendo as coisas desagradáveis que poderia fazer e controlando seu tom de voz para que voltasse a algo mais suave. – Quando estiver com capacidade pra pensar direito de novo, falo com você. – Provavelmente aceitaria conviver novamente com Harold, visto que havia sido agradável no passado, mesmo tirando o detalhe da queda. Mas, naquele momento, não queria nada além de socar a cara do mais novo. Fez uma linha reta para a porta da cozinha, abrindo-a e se retirando do cômodo, parando apenas na porta de entrada do apartamento, esperando que fosse seguido.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 8:27 pm

    Abafou um riso silencioso e curto, compreendendo a irritação alheia. Não era difícil Harold irritar as pessoas e o próprio tinha plena noção de que o fazia sempre, propositalmente ou não – embora no caso, havia sido proposital. Desencostou-se da pia e colocando as mãos dentro dos bolsos da calça, levantando as sobrancelhas, silenciosamente aceitando a ordem dada e sinalizando para que o loiro fosse na frente. Agradeceu mentalmente por Rin ter resolvido encerrar a discussão anterior, acatando a observação de Harold. Seguiu-o de perto sendo guiado até a saída do apartamento, dando um passo para o lado de fora da porta e voltando-se ao rapaz de novo, apoiando discretamente a mão sobre a maçaneta correspondente ao seu lado.

    Ah, mais uma coisa. — Pareceu ignorar praticamente toda a irritação que o loiro estava claramente demonstrando segurar, mas antes que o outro pudesse estourar finalmente, resolveu tratar do assunto final pendente, de maneira rápida. Abaixou e aproximou-se rápido, dando um selar nos lábios finos e o encarando em seguida. — Eu gosto de você, então leve isso em consideração quando voltar a pensar direito. E também gosto muito quando você fica irritado assim. — Sorriu de forma sacana com a provocação, rapidamente deslizando para trás e batendo a porta por conta própria. Não sabia se o loiro estava num nível de chegar ao ponto de abrir a porta de novo para ir lá bater nele, então tratou de se retirar rapidamente do local e esperar o elevador do andar debaixo. Saíra do local muito mais leve do que havia entrado nele, chegando a rir sozinho quando passou pelo hall do prédio e finalmente pisou na calçada da fachada. Fim. Pensou, satisfeito. Talvez agora conseguiria seguir com a vida sem mais problemas e é claro, esqueceria aquilo tudo com o passar do tempo. Dizer era só o que precisava.
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    Rin Damien
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 03, 2015 9:12 pm

    Sentia quase como se fosse uma sensação física a própria paciência se esgotar ao ver que Harold ainda tinha algo para falar. A última coisa que esperara em sua vida, no entanto, fora os lábios nos seus e as palavras seguintes, que fizeram qualquer processo de pensamento se confundir em algo que não tinha esperança de entender, deixando-o com o queixo levemente caído em surpresa encarando a porta fechada, um sonoro “Hã?” deixando seus lábios após alguns segundos. Não. O albino estava de brincadeira. Tinha completa e total certeza daquilo, e no momento seguinte a irritação voltava. Abriu a porta na esperança do outro estar do lado de fora para que pudesse chutá-lo, mas visto que ele fora esperto em fugir, fechou-a novamente com um baque alto, apoiando as costas na mesma e deixando-se deslizar até o chão, querendo apenas matar o indivíduo que estivera previamente em seu apartamento. Tinha que ser uma brincadeira de mau gosto, e não sabia se o pior era o mais novo tirando uma com sua cara ou a possibilidade de não ser uma piada. Harold já deixara claro que não tinha interesse algum por si. Fora apenas algo para irritá-lo, porque ele era babaca a aquele ponto. Sem dúvidas.

    Um miado tirou a atenção do loiro de seus pensamentos, e sentiu a raiva diminuir consideravelmente ao ver seu novo gato, um filhote de pelagem acinzentada que decidira, depois de alguma especulação, chamar de Poe. Era daquilo que precisava. Gatos. Pegou-o no colo, e em uma breve caçada pelo apartamento, catou os outros dois também, se dirigindo para o quarto e deixando-os na cama, antes de se deitar no meio dos felinos, que prontamente vieram brincar com o dono. Os divertiu por algum tempo, deixando a mente o mais vazia possível, antes de finalmente tentar dormir decentemente. O cansaço o fazia não querer mexer um músculo, porém, depois de certo tempo deitado, sentia que deveria ter virado algo próximo de uma coruja, pois seus olhos se recusavam a fechar. Dormir sempre viera de forma fácil para si, especialmente após tanto trabalho, mas Rin recusava a se perguntar a razão de não estar conseguindo naquele momento. Sabia o porquê. Não queria se irritar novamente. Não queria pensar naquilo.

    Contudo, não dormir não era uma possibilidade. Se estivesse com cansaço acumulado, não duraria uma hora no hospital. Cogitou tomar um remédio para dormir, mas a primeira coisa que alcançou ao sentar em sua cama fora o celular, o qual encarou por vários minutos. Queria mandar uma mensagem para Harold, falando o quanto o odiava e que ele não esperasse contato novamente. Sentia seu estômago se revirar, e imaginou se estaria prestes a ficar doente por algo tão simplório. Não fazia sentido. Não era normal se irritar tanto com aquilo. E, principalmente, conhecia aquela sensação no estômago, e não era a de alguém que estava prestes a vomitar. Não. Ah, não.

    Tivera a certeza que superara. O que significava que apenas guardara os sentimentos no fundo de si? Achava que era mais forte que aquilo. Conteve a breve vontade de tacar o celular longe e apenas tomar o maldito remédio, ou até um pra enjôo, para fingir que a sensação não era real. Harold estava brincando consigo. Não daria espaço para os próprios sentimentos voltarem, principalmente se fossem conviver novamente. Quase ouvia a própria mente sussurrar algo como tarde demais, idiota. Deitou novamente, encarando a tela do celular, com a mão livre fazendo carinho no filhote ao seu lado. Antes de deixa-lo de lado, digitou uma pequena mensagem ao albino, comunicando tudo o que sentia naquele momento.

    ”Eu te odeio.”
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 03, 2015 9:59 pm

    Primeiro passo, era a ótica mais próxima. Parte de seu aborrecimento voltara com a lembrança de que teria que comprar um óculos novo, mas não era nada comparado ao que o perturbava mais cedo. Mesmo que ele tivesse piorado ligeiramente, quando o funcionário da loja havia especificado que a armação não tinha mais maneira alguma de ser salva. Como diabos ele deitou em cima do objeto até entortá-lo daquele jeito? E como as lentes não seriam reaproveitadas, resolveu por fim jogar aquela merda no lixo. Tinha um oftalmologista da família que podia ir desde que marcasse um horário com antecedência, mas não é como se fosse impossível conseguir uma vaga para... Meia hora depois. E como estava de carro, não demorou metade desse tempo para chegar no local e aguardar ser atendido, sentando em uma das cadeiras da sala de recepção do grande consultório. Depois dos exames prévios para a consulta, e de ter que avisar insistentemente para a enfermeira não aplicar aquela droga de colírio em seu olho de vidro, sentiu o celular vibrar uma vez no bolso da calça. Ligeiramente mais cego ainda, teve que fazer um esforço do inferno para conseguir ver o nome do autor da mensagem. Riu em seguida, achando engraçado Rin lhe mandar algo tão simplório. Chegava a ser comovente. “Eu te odeio”. Deitou o celular no colo, fechando os olhos esperando o efeito irritante daquele colírio fazer sua pupila dilatar e terminar de vez com aquela consulta dos infernos.

    No fim, saíra do lugar constatando que sua miopía tinha aumentado meio grau, mas estava estranhando as lentes também porque seu astigmatismo havia desaparecido. Não sabia ao certo se aquilo encareceria demais o preço dos óculos novos, mas resolveu tudo isso na ótica mais próxima que ainda estava aberta, indo a pé. Já era fotofóbico e ainda estava com a pupila forçadamente dilatada. Queria furar o próprio olho com uma caneta, para ver se ficava igual ao outro, mesmo quando finalmente conseguira entrar dentro do carro. Ficou ali, esperando o efeito daquela bosta passar. Conseguia fazer aquele tipo de exame apenas no horário noturno, ou não conseguia sair do local sem sentir a cabeça inteira queimar pelo olho. Quando aliviou pelo menos um pouco, decidiu dirigir para o apartamento de sua colega, sentindo um enorme descanso na alma de poder entrar em seu quarto, fechar as cortinas, apagar a luz e se enfurnar ali como um morcego fugindo da luz do dia – mesmo já sendo de noite. Pegou o celular e diminuiu a iluminação ao mínimo, podendo usufruir do mesmo sem se cegar de novo. Não pretendia ficar acordado tanto tempo, por conta da própria visão. Mas se dava o gosto de responder a mensagem que lhe fora enviada anteriormente.

    “Também te amo. k” Riu, debochado. Embora tivesse uma parcela de verdade naquela brincadeira. Conseguiu tempo de ver alguns outros aplicativos do aparelho, antes da sinalização da resposta. Rápido, hein? Observou para si mesmo, satisfeito. “Não.” Claro. Buscou na pasta de arquivos de imagens do celular um printscreen que havia tirado do computador há alguns dias, constatando que talvez o loiro não tivesse tido muito tempo para jogar, levando em conta o quão ele estava cansado. Enviou a tela de login atual do League of Legends, que mostrava uma foca com roupas gregas e toda uma união de esculturas douradas em formatos peculiares em volta. Coçou o olho de vidro, logo vindo a resposta. Sorriu, sentindo-se vitorioso de certa maneira. “... Vamos jogar alguma hora.” Enviou uma confirmação abreviada, largando o celular no criado-mudo ao lado da cama e decidindo tirar algumas boas horas de sono, que não tinha há alguns dias.

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    Re: [#22] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 3

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