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    [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

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    Rin Damien
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    [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Dom Abr 05, 2015 12:44 am

    Rin não se lembrava muito bem do processo que fora chegar até seu apartamento e apagar, mas tendo saído extremamente cedo do trabalho –  e agradecendo a Arthemis por aquilo – acordou apenas na manhã seguinte, se sentindo muito melhor do que havia nos últimos dias. Era, coincidentemente, um dia livre, que ele normalmente usaria para estudar.  No entanto, tinha uma coisa mais importante para pensar, agora com clareza. E pensou. Pensou nas palavras de sua melhor amiga. No que elas significavam para si. Em Harold, e nos próprios sentimentos insistentes. Surpreendentemente, depois de um bom período de sono, tudo parecia menos trágico. Ainda havia uma irritação profunda consigo mesmo no fundo de seu peito, mas ao menos admitia: poderia estar gostando do albino novamente. Ainda queria poder negar ou ao menos chegar a conclusão de que ignorar o que sentia seria o melhor, mas se ia passar a conviver com o outro novamente, não duvidava que os sentimentos continuariam constantemente à espreita.  A não ser que se livrasse de Harold novamente. E nenhum dos dois queria aquilo.

    E Arthemis, é claro, estivera absolutamente correta no que dissera. Se fosse tentar encarar aquilo de forma positiva, teria que fazer algo, logo. Não sabia o que significaria para os dois, o que aconteceria ou como aquilo terminaria, mas mesmo com certo nervosismo interno, tiraria aquilo de seu sistema. Falaria para Harold e deixaria a vida seguir seu curso, mesmo que não conseguisse exatamente enxerga-lo.

    Mais tarde naquele mesmo dia, os dois se encontravam jogando na casa do loiro, já tendo ganhado e perdido algumas partidas. Parecia que nunca haviam deixado de se falar; conversavam e jogavam tão harmoniosamente quanto anteriormente, ignorando completamente qualquer assunto que pudesse levar a uma discussão. Rin percebia que sentira falta tanto da presença alheia quanto do maldito jogo, que havia parado tanto por falta de tempo quanto por não querer falar com Harold por lá. Estavam um ao lado do outro no sofá, concentrados no novo modo de jogo, URF. Era hilário como as habilidades se tornavam repetitivas e irritantes usadas contra si, mas também como, usando os personagens com que jogava melhor, podia fazer um estrago imenso. Mesmo muitas pessoas levando o modo a sério, era extremamente divertido; acabara indo na mesma lane de sempre com o albino, e mesmo naquela estando perdendo miseravelmente, ainda conseguia achar graça do exagero que era aquilo tudo.

    Haviam perdido uma torre, e após o mais novo ter recebido duas lançadas certeiras e seguidas da Nidalee do time oposto, ouviu o familiar Um aliado foi eliminado. Conseguira, por pouco, prender a atacante com a habilidade da Lux e fugir, e após se afastar uma distância decente e apertar o botão designado para voltar à base, pensou por um momento. Harold tinha vários segundos para reviver, e com certeza não era a melhor situação para falar de algo sério. Porém, se falasse ali, poderia adiar em alguns minutos qualquer reação que o maior tivesse, não precisando encará-lo imediatamente. Mesmo sentindo a tensão em seu corpo e a leve queimação em seu rosto que não lhe era familiar tinha tempos, projetou a própria voz em alto e bom som, sem retirar o olhar da tela do notebook, como se estivesse fazendo um comentário qualquer sobre a partida. Talvez pudesse até tratar aquilo como uma brincadeira, se, no fim das contas, algo desse errado. – E se eu dissesse que ainda gosto de você?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Abr 06, 2015 8:54 pm

    Embora seu mau humor tivesse voltado por conta das mesmas circunstâncias, havia ficado relativamente mais fácil seguir com suas obrigações depois de ter solucionado o que lhe afligia. Pelo menos havia conseguido colocar em dia as matérias que havia perdido durante as aulas que matou, o que de certa forma o ajudou a se distrair também. O fato de Rin naquele dia não ter dado nenhum sinal de vida pelo celular também deu chances para que não ligasse muito mais para aquilo. Mesmo que também afetasse seu mau humor de maneira negativa, afinal, não havia superado nada. Ainda. Mas estava plenamente confiante de que em menos de uma semana já não teria mais com o que se preocupar em relação àquele assunto, se tudo corresse como estava indo. E manter-se perto do loiro não o prejudicava no processo, pois Harold tinha esse absurdo controle das próprias emoções. Um deslize ou outro não era irremediável, pelo menos para ele.

    No dia seguinte, aceitou o convite que o mais velho em questão o havia mandado, fazendo jus a oferta mencionada celular dois dias atrás. De fato era um modo extremamente engraçado de jogar, que não era novidade, mas era temporário. Alguns personagens ficavam ridiculamente mais fortes com determinadas técnicas repetitivas o outros nem tanto assim, a ponto de acompanhar o resto. E como o albino não havia tido a chance de jogar naquele modo ainda, por muitas razões, resolvera que aquilo poderia ser engraçado de tentar com Rin. Passou a odiar lentamente a Nidalee na mesma lane que a sua, que não sossegava com aquela lança dos infernos. E como o jogador que estava no mid descia pro bot frequentemente para tentar pegar kills, aparentemente as tentativas falharam a ponto de deixar a campeã oponente em questão extremamente forte. Mas reconhecia que havia lesado o suficiente para levar duas lanças na fuça e morrer. Duas. Seguidas. Não tinham minions na frente? Caralho, que bronze. Riu abafando com a mão, achando ridículo. Nem ao menos considerava que Rin, que estava de Lux, poderia ter lhe dado um escudo para impedir, porque não iria impedir o tamanho dano que aquela merda de lança deu. E não ia mudar o fato de que poderia ter desviado para o outro lado. Ok, foi uma péssima jogada. E não tinha tanto dinheiro assim pra poder comprar muitos itens significativos a ponto de se igualar com a oponente. A primeira torre foi derrubada, já que tinha uma Sona junto no bot. E essa personagem específica naquele modo específico ficava um pouco muito insuportável. A lane do meio também estava caindo, visto o gênio que tinham jogando por lá e por também ter uma Katarina como adversária. Mas certo, era bem mais engraçado ver o Nasus e o Rengar discutindo e ofendendo as mães de todo mundo na partida. Era sempre engraçado ver essa gente discutir como se fosse algo sério de fato.

    Faltavam 20 segundos ainda para que pudesse renascer. Os sons repetitivos de sinalização pelo mapa do Nasus, que já estava começando a digitar em caixa alta pelo chat, fizeram Harold se distrair por alguns momentos suficientes para não absorver direito o que Rin disse. Abriu a boca para perguntar o que ele havia dito, mas seu cérebro fez o favor de raciocinar depois e entender em atraso. Sem que percebesse, ficou encarando um ponto aleatório entre o próprio notebook e o de Rin. “E se?” Aquilo não era exatamente uma pergunta. O albino olhou o mais velho de esguelha, avaliando o estado do mesmo. O rosto corado dizia bem mais do que a indireta feita pelo rapaz. Não soube especificar exatamente o que sentiu ao ter uma quase certeza de que os dizeres de Rin significavam que ele o retribuía. Quando resolveu responder, ouviu o som que sinalizava que havia ressuscitado no jogo, então preferiu deixar para depois. Percebendo o quanto de repente aquilo havia ficado sem graça e o quanto queria que acabasse de uma vez, começou a fazer algumas besteiras propositais como ir pra frente do Dragão e apertar o comando respectivo para o personagem dançar, ou rir repetidamente de um modo que parecia que estava bugando. E foi levando na zoeira que a partida acabou mais rápido. Quando o “Derrota” surgiu em vermelho na tela, o mais novo debruçou o cotovelo nas costas do sofá, por trás da cabeça de Rin, apoiando a própria cabeça na mão. Daquela forma, inclinou o corpo para mais perto do menor, olhando-o de cima, já que era mais alto.

    Eu o parabenizaria pela coragem, se quer saber. — Brincou, colocando a si mesmo numa posição desmerecida, mas com pleno sarcasmo. — Mas se você dissesse... Seria verdade? — Questionou de volta, mais baixo e indicando que não estava com muita vontade de voltar a jogar tão cedo.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Seg Abr 06, 2015 9:45 pm

    De fato, o albino nem tentara responder no decorrer do jogo; Rin não sabia se aquilo era realmente um alívio ou se valia a pena a ansiedade que sentia conforme a partida terminava. Lux poderia ser uma boa campeã de se jogar com, porém seriamente considerava se deveria ter escolhido uma Katarina para tentar adiar a derrota iminente, já que não a haviam banido. Se focava no que poderia fazer, mesmo sabendo que perderiam, como forma de distrair a mente do assunto que era inteiramente sua culpa. Após enfim o grande ”Derrota” surgir na tela, ouviu as palavras em silêncio, sem tirar os olhos do notebook. Mexia com os ícones disponíveis a si no jogo, decidindo que aparentemente era uma ótima hora para trocar o que usava. Mudou o de suporte, que ganhara no modo de formação de equipe, para um dos que vinham inicialmente, de uma pequena planta nascida da terra. Considerou chamá-lo para outra partida, no entanto, conteve-se.

    Poderia falar que não era verdade. Que não sabia, ou não tinha certeza de nada. Mas se falasse qualquer uma dessas coisas, ou apenas o ignorasse, não valeria a pena ter sequer mencionado o assunto. Resignou-se a finalmente voltar o olhar para Harold, percebendo o quão próximo o rosto do outro estava do próprio. Mesmo o loiro ainda sentindo a própria face corada e o coração bater quase dolorosamente em seu peito, estreitou minimamente os olhos, comunicando silenciosamente que não estava feliz com aquilo. Contudo, em uma coragem que não sabia de onde tirara, forçou-se a dizer a confirmação em voz alta, o tom mais leve do que achava que estaria. Onde quer que aquela decisão fosse, ao menos tudo seria tirado a limpo. – Sim.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Abr 07, 2015 7:00 pm

    Realmente aquilo havia o pego de surpresa. Franziu o cenho, não ligando muito para a forma como estava próximo do mais velho e em vez disso, pondo-se a refletir a própria situação. Gostava daquela facilidade com que podia lidar com o loiro, embora ambos tivessem opiniões que se divergiam às vezes. Ainda assim, era mais fácil conviver com ele do que com muita gente que costumava conviver antes, por melhor que se dessem. Não fazia a menor ideia no que exatamente o atraía no outro e sentia que não valeria a pena ficar tentando descobrir. A questão ali era: estava preparado para esquecer. E podia-se dizer que já estava no processo, então em momento algum havia cogitado um empecilho como aquele. Ser retribuído significava exatamente... Que não precisava superar nada, não era? ... E agora? Levantou uma sobrancelha, fitando o loiro. Deveria agradecer? Ou beijá-lo? Ou pedir em namoro? Ou transar com ele? A primeira opção que lhe surgiu na mente, na verdade, foi só voltar a jogar. Pelo menos, para ele próprio e para a pessoa ao seu lado, parecia ser mais promissor do que todas as outras opções. As vezes que Harold namorou na vida foram duas ou três. Nas duas primeiras, namorou sem o próprio consenso pra isso, pois pessoas atiradas e sem noção eram um problema constante em sua vida. Na terceira, só foi descobrir dois meses depois que estava num relacionamento com alguém que sequer conhecia direito, pois o ser era retraído e perturbado o suficiente pra não dizer nada para ele, mas dizer pros outros. Algo precisaria agradecer, mesmo que mentalmente. Pelo menos ele não liga pra nada disso. Pois de fato, eram parecidos um com o outro. Então Rin deveria ter a mesma falta de necessidade de contato físico. Não seria difícil. Mas algo, pelo menos, não resistiu em deixar de fazer.

    ... Você gosta de ficar irritadinho comigo, né? — Sorriu de lado. Jogar com o loiro era um passatempo saudável para si, que o relaxava e o deixava desinteressado por qualquer algazarra. Mas tinha que admitir que toda tentativa de tirá-lo dos eixos era sempre válida. E por ser difícil, era mais ainda.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Ter Abr 07, 2015 7:38 pm

    Imaginara, com o silêncio, que dera algum motivo para Harold pensar, e enquanto ele próprio não queria se focar muito nas possibilidades que aquilo poderia trazer, sua mente parecia insistir em trazer as opções à tona. Não tinha experiência com qualquer relacionamento sério, então as ideias de como deveria funcionar eram apenas coisas que ouvira dos outros, e que não se adaptavam exatamente a si. Mesmo ele e o albino sendo parecidos, e talvez não se opondo a algum contato físico – se já havia feito coisas bêbado com pessoas que nem gostava, imaginava que não seria algo ruim – não era um exemplo de alguém afetivo. Não sabia se deveria aproveitar a coragem e perguntar o que aconteceria agora, quando as palavras alheias interromperam sua linha de pensamento.

    Talvez devesse ter ficado mais irritado com o que ouvia, mas apenas certo conformismo passava por si. Mesmo com a expressão neutra e o tom baixo, o loiro respondeu da forma mais sincera possível. – Talvez. Eu gosto de você, mesmo você sendo uma coisa irritante, cínica, prepotente, e assim vai. Acho que nem me irrito tanto com você, Harold. – Pausou por um momento, fechando o notebook ainda ligado em seu colo, e pensando melhor. – Mentira, me irrito sim. Mas me irrito mais comigo mesmo, por saber que você é tudo isso e ainda... É. Devo ter algum problema sério. Como já te disse, é uma droga. – Queria desviar o olhar do alheio, mas forçou-se a continuar encarando-o, sentindo que aos poucos superava o nervosismo, ainda que não o suficiente para perguntar em voz alta o que queria. E agora?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Abr 07, 2015 8:38 pm

    Uma coisa”. Desconsiderando todo o resto que já sabia e já estava acostumado a ser chamado, achou graça de ter sido chamado de “coisa”. Mas tinha noção de que, mesmo que Rin pudesse se irritar o quanto fosse, ainda assim não seria suficiente para odiar Harold. Pois normalmente, quem não gostava da personalidade do albino se distanciava de primeira. Para ter chegado a ser amigo e até a nutrir sentimentos, só fazendo uma merda grande de verdade para conseguir ódio assim. O que não lhe era usualmente significativo, mas não estava considerando em perder o que havia conseguido do loiro.

    Azar o seu. Embora eu também não esteja com a melhor sorte do mundo por gostar de você. — Debochou. — Agora, a gente faz o quê? — E mudou de assunto, não pensando muito se deveria ou não perguntar aquilo. Só perguntou e depois prosseguiu. Não estava nervoso, muito menos hesitante. Agora que já tinha tudo esclarecido, conversar sobre aquele assunto era o menor dos problemas. — Eu posso te pedir em namoro... Ou te colocar uma coleira com “De Harold” gravado. São opções. — Sugeriu, como se estivesse realmente falando sério sobre a segunda alternativa. Não fazia o tipo dele ser possessivo, mas também não fazia do feitio dele ter algo e não fazer questão de deixar claro que era seu. Embora não fosse impor absolutamente nada ao rapaz, porque era estressante. Achava curioso só o fato de estar vendo alguma pessoa como posse, visto que sempre considerou a maior parte de seu círculo social um tanto quanto descartável. Não por ser indiferente, mas também por ter consciência de que pessoas vêm e vão e se conformar ao ponto de não se apegar a quase ninguém. Quase.

    Mas foi esperando uma resposta que viu um borrão cinza brotar no colo de Rin e arregalar duas esferas azuis para o dono, e em seguida para si. Ué. Não era um branco e outro preto? Se fundiram? Arqueou uma das sobrancelhas, olhando o rapaz de novo e colocando o sorriso irônico no rosto mais uma vez, decidindo ser inútil um pouco mais.

    Eu nem fiz nada e você já tá procriando assim?
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Ter Abr 07, 2015 9:20 pm

    Ao menos parecia ser extremamente simples para Harold perguntar aquilo, mas ainda sentia o próprio coração quase falhar ao ter as opções dadas a si. Claro que sabia que ele estava brincando com a última; a reação fora, de fato, à primeira. Se aceitasse, namoraria uma das pessoas mais afetadas que já conhecera. E queria aquilo. Poderia falar que preferia que se afastassem, mas o inferno se chegara até ali apenas para chegar àquela conclusão. Abriu a boca e a fechou, como se tivesse travado na fala, antes de quase pular de susto ao sentir um pequeno peso surgir repentinamente sobre si, reconhecendo-o como a nova adição felina ao apartamento. Ainda era um filhote, e parecia curioso sobre o estranho presente no local. A expressão surpresa se transformou em uma de reprovação ao que o albino falara, e fazendo uma leve carícia na cabeça do bicho, o informou. – Me apresentaram a uma loja de bichos que eu nunca tinha visto, e bom. Aconteceu. O nome dele é Poe.

    Talvez houvesse sido uma boa distração, afinal, pois Rin passou a sentir mais vontade de rir do que qualquer outra coisa. Gatos pareciam ser uma solução para qualquer problema na vida do loiro. Voltando-se novamente ao outro e ao assunto inicial, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. – Não acho que queira uma coleira, então se são as duas únicas opções... É. Acho que podemos chamar isso de namoro, se você quiser. – Mal podia acreditar que aquelas palavras saíam de sua boca, muito menos em seu significado. Porém, a tensão presente em si parecia ter sumido, e tendo a resolução em sua cara, nada o impedia de falar. Seria um relacionamento considerado estranho, mas brigas à parte, poderiam se entender e fazê-lo funcionar. Talvez um dia se arrependesse daquela decisão, mas por mais passageiro que tudo fosse, se os dois sentiam a mesma coisa, não havia razão para não tentarem.  
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Abr 08, 2015 8:48 pm

    “Poe”? Levando em consideração a origem dos nomes dos dois outros felinos, acreditava este ter recebido aquele em homenagem a Edgar Allan Poe. A maior questão era: por que diabos se dar ao trabalho de dar nomes importantes a animais? Um compositor, um filósofo e agora um escritor. O filhote acinzentado de cara redonda era bem mais novo do que o casal mais antigo e parecia curioso consigo. Franziu o cenho, se pegando numa troca de olhares quase que hipnotizante com o bichano. Decidiu prestar menos atenção na mais nova cria de Rin, para voltar-se a ele, quando ouviu o rapaz concordar com a primeira opção oferecida. Piscou uma ou duas vezes, ainda com o semblante duro, encarando o mais novo. Tá, estamos namorando agora. Talvez por nunca ter nenhuma expectativa de nada, estava completamente indiferente aquilo antes de Rin aceitar. Mas a ideia agora se concluía e se sentia um pouco ridículo por estar... Satisfeito – vulgo, feliz – por aquilo.

    Abafou um riso curto, imperceptivelmente sincero, e desviou o olhar de Rin para um ponto qualquer por cima da cabeça dele, enquanto continuava apoiado no sofá. Certo, gostava mesmo daquele ser chato e sem graça. E uma sensação tranquila o tomou ao desistir de vez de teimar com aquilo, sentindo que não precisava de mais nada. Voltava-se ao loiro, sem responder nada do que ele havia dito, usando a mão que antes apoiava o queixo, para deslizar os dedos sobre a testa do rapaz abaixo da franja loira. Dali, empurrou lentamente a cabeça de Rin para trás, para que deitasse com ela nas costas do sofá deixando o rosto para cima de forma que pudesse olhá-lo diretamente. Fitou-o por alguns segundos, sem demonstrar nada além do que uma seriedade que, ao invés de estar acompanhada com seu usual sarcasmo e arrogância, naquele momento estava pura e solitária em sua expressão. O que faria com aquela criatura, agora? Não estava com vontade de brincar com ele. Não estava com vontade de usar ele. Não estava com vontade de fazê-lo de marionete e depois descarta-lo no lixo. Tampouco estava com vontade de quebra-lo só por diversão. Só estava com vontade de ficar ali, do lado dele, jogando, tomando café e implicando com os gatos que não gostava. Como sempre faziam antes. Havia sentido falta daquilo, talvez? É. E talvez aquilo fosse suficiente, também.

    ... Pensando bem... Não precisamos disso de verdade, precisamos... ? — Perguntou em um tom baixo, só então percebendo que estava mais próximo do que o recomendado do loiro. E só então percebendo que estava alisando os fios loiros lentamente. Que merda, isso tudo.Não vai fazer diferença alguma esse “título”. É só uma baboseira inútil, não? — Refletia mais para si mesmo do que para o loiro. Desceu o olhar pelo rosto do loiro, até parar nos lábios finos do mesmo, reconhecendo a pequena cicatriz que o fez sorrir de canto. — Até porque você já tem uma marca minha. — Comentou, finalmente ressuscitando o sarcasmo, mesmo que não tanto quanto o normal. Sem dar tempo o mais velho responder e sem planejar nada com qualquer intenção oculta – como sempre fazia –, resolveu deslizar os lábios nos que observava até então. Por pura vontade de fazê-lo.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Qua Abr 08, 2015 10:23 pm

    Continuou a fitar Harold serenamente, não sentindo mais a pressão anterior de ter que possuir uma resposta. Não comentou ao ter a face empurrada, apesar da expressão levemente interrogativa; franziu minimamente o cenho, no entanto, ao sentir a carícia em seus fios de cabelo, não podendo evitar se perguntar se Harold estava bem. O pequeno ato trazia uma sensação quente no peito do loiro, e ainda assim, era tão incomum vindo do outro que fazia o momento de confusão parecer perfeitamente plausível. Continuava a acariciar quase inconscientemente a pelagem do pequeno  filhote em seu colo, que parecia estar eternamente encarando o albino.

    As palavras alheias o pegaram de surpresa, e sentia o leve calor anterior se fazer presente novamente em seu rosto ao ouvi-lo comentar sobre a marca que muitas vezes esquecia que existia. Ao ter os lábios pressionados aos próprios, porém, apenas podia concordar silenciosamente que o mais novo – ao menos daquela vez - estava certo. Não precisavam daquilo. De um rótulo, de um título, de um e agora eterno. Estariam bem sendo eles mesmos, aceitando os próprios sentimentos e apenas convivendo com a pequena inclusão daquilo. Correspondeu ao toque suavemente, movendo os lábios contra os alheios em um conforto quase absurdo para si. Mesmo já tendo feito aquilo até com Harold uma vez, nunca realmente beijara outra pessoa estando absolutamente certo do que queria, e sabendo que a outra pensava da mesma forma.

    Moveu a mão que estava em seu bicho de estimação para a nuca do albino, passando para os fios de cabelo alheios de modo a acaricia-los levemente. Entretanto, o ser que previamente usufruíra daquele carinho parecia insatisfeito que este havia trocado de dono, e um miado alto foi ouvido entre os dois. Poe continuara no colo de Rin, e quebrando o contato para olhá-lo, constatou que o filhote voltara os dois grandes olhos azuis a si, e pressionava a cabeça contra sua barriga como se para fazê-lo voltar a notar a existência dele. Lançando um breve olhar pela sala, localizava os outros dois gatos, que estavam, apesar de cada um em um canto, também os encarando. Ainda que no caso deles fosse silenciosamente, pela primeira vez na vida se sentia levemente desconfortável na presença de seus felinos. Apesar de uma pequena risada deixar seus lábios, voltou-se ao maior com uma expressão levemente perturbada, pensando na melhor solução para aquilo. – Quer ir uma partida normal, agora?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Abr 09, 2015 6:56 pm

    Já imaginava que não fosse ter nenhum impedimento advindo do loiro, visto o quanto ambos estavam aceitando facilmente toda a situação. Embora aquela não fosse a primeira vez que beijava Rin, até então nunca o havia feito sem a intenção de provocar, irritar ou confundir. Movia os lábios calmamente em contraste aos dele, provando do gosto que já conhecia mais do que o recomendado, percebendo que eram mais quentes do que pareciam ser. E bem mais receptivos do que nunca foram a si. O que provocou um sorriso irônico em Harold, mesmo que aquilo não interrompesse ou atrapalhasse o contato, que aos poucos fazia questão de aprofundar a fim de sentir mais a fundo o leve gosto de café que a boca de Rin continha. Circulava a cintura alheia pela frente, com o braço livre, trazendo-o para mais perto de si enquanto os dedos do outro lhe forneciam uma carícia nos fios brancos, que devolvia aos loiros dele.

    Ouvira o miado agudo e mal desenvolvido do filhote, que fez Rin cessar o ósculo por conta própria, fazendo o albino fechar a cara para o gato. Iria ter que disputar lugar com aquela porcariazinha? Eliminá-lo não era uma opção e entre Harold e qualquer gato, a escolha de Rin seria bem óbvia, claro. Pulga. Levantou a sobrancelha com arrogância para o felino, que pareceu deixar de puxar o saco do dono para encará-lo de volta, não mais com curiosidade, mas quase com a mesma prepotência que a sua. Mas qu-.. ? Certo. Talvez fosse precisar aprender a gostar daqueles troços, se quisesse dividir espaço com Rin de verdade. Acompanhou o olhar do loiro para o redor, deparando-se com os outros dois felinos encarando-os incessantemente, um de cada lado, como se estivessem os cercando. Pareciam um par de gárgulas estáticas. Lentamente se afastou do loiro, menos perturbado que ele, que não parecia estar acostumado a se sentir desconfortável com os próprios bichos. Riu assoprado da situação do mesmo, ajeitando-se no sofá mais uma vez, apertando uma tecla qualquer do notebook para que este ligasse a tela novamente.

    Já tentou ir uma Dominion? — Ofereceu, desviando o olhar dos felinos para o dono deles, esticando os braços até a mesa de centro para pegar a caneca e enchê-la de café na garrafa ao lado de novo. Até que não saiu nada da garrafa. Harold voltou a posição anterior, depois de deixar a caneca jazendo na mesa de novo, de cenho franzido e encarando os objetos no móvel a sua frente. Virou-se para o mais baixo, expondo toda a insatisfação no semblante. — Agora não quero mais jogar. Acabou o café.
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Qui Abr 09, 2015 8:59 pm

    Após os dois se separarem de vez, misteriosamente os gatos que os encaravam de cada canto da sala pareceram perder o interesse e voltaram à vida felina que possuíam, passando a brincar um com o outro. Fez outra carícia na cabeça de Poe, que passara a encarar Harold novamente, logo após pegando o filhote e o depositando no braço do sofá, a seu lado. Um outro miado estridente a parte, o pequeno finalmente pareceu desistir, e pulou para se juntar à bagunça dos outros. – Já tentei. Acho que ninguém joga mais isso, porque não consegui nem achar uma partida. – Era o único que não havia testado, e até parecia levemente interessante, mas não fazia diferença alguma na vida de Rin se conseguia jogá-lo ou não. Estava prestes abrir o próprio notebook e perguntar se o albino queria tentar, tendo tudo pacificamente resolvido, quando o comentário alheio fez a vontade de rir voltar novamente.

    Levantando-se e deixando o computador no sofá, pegou a garrafa, mencionando que iria para a cozinha preparar mais da bebida. Parou no meio do caminho, no entanto, ao pensar novamente. – Acho que vou fazer algo pra comer, também. Doce. Venha dar uma ajuda aqui. – Com isto, adentrou a cozinha, primeiramente começando a preparar o café, parando apenas para juntar o que precisava para fazer o que queria. Brigadeiro. Normalmente Rin não parava muito para fazer doces, entretanto, aquele era um que às vezes surgia em seu subconsciente e não parava de atormentá-lo até que o comesse. Deixando os itens no balcão, gesticulou em direção da lata. – Se puder abrir.
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 10, 2015 6:20 pm

    Doce era uma boa ideia. Fazia bastante tempo que não colocava algo a base de açúcar na boca, porque... Esqueceu, só. Depositou o notebook no sofá, ao seu lado, antes de se levantar e um dos gatos pararem de se embolar e resolverem correr pela casa. Vendo que ia dar merda se resolvesse andar, ficou parado olhando para um ponto aleatório a sua frente, enquanto a visão periférica via os rabos empinados para cima indo um atrás do outro pela casa, rodarem ao redor dele e sumirem, provavelmente indo para outro cômodo. Desceu o olhar, franzindo o cenho ao ver o filhote repetir o mesmo percurso feito pelos mais velhos, porém de forma mais lenta, por ser menor. Quando se sentiu livre finalmente para andar sem cometer nenhum atentado contra os felinos da casa, rumou para a cozinha atrás do loiro. Ao aproximar-se da bancada de mármore, seguiu logo o gesto do mais velho com o olhar, apontando uma lata de leite condensado. Não tinha a menor noção culinária de nada, então não fez questão de perguntar o que iria sair dali, deixando tudo nas mãos de quem sabia o que estava fazendo.

    Tá, mãe. — Resmungou só por fazer, catando algum abridor de latas e ao encontra-lo, fincou a ponta no metal da lata e foi cortando a tampa contornando a circunferência. Puxou o resto e deslizou o recipiente aberto ao rapaz, pela superfície lisa da pia. Não dirigiu-se até a mesa, escorando-se no armário e observando o que Rin fazia, enquanto sentia o cheiro do seu amado café começar a subir. — ... Vai fazer exatamente o quê? — Perguntou, estranhando ao ver o outro tascar chocolate em pó numa panela pequena, onde antes ele havia colocado todo o conteúdo da lata de leite condensado. Como não entendia absolutamente nada de culinária, não tinha base alguma para criticar qualquer coisa, então apenas perguntou na esperança de entender o que caralhos iria sair daquela gororoba.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 10, 2015 7:21 pm

    Ignorou o resmungo, sendo o natural de Harold; ao menos ele o ajudara como pedira. Tendo o leite condensado, achocolatado e manteiga colocados em uma panela, ligou o fogo diretamente abaixo dela, passando a mexer o conteúdo com uma colher de pau. – Brigadeiro. Só é comum em um país. Um desperdício, porque não deixa de ser ótimo. - De fato, só conhecia aquela receita porque seu pai, gostando de coisas estranhas do mundo todo, havia apresentado aquele doce para sua mãe, que o cozinhara para si a vida toda. Supunha que se tornava quase um vício de quem quer que tivesse um gosto por doces. E pelo menos tinha algo que não deixava aquele homem completamente inútil em sua vida.

    Também era uma receita que quase não demorava a ser feita, e logo estava pronta. Arranjando um prato, despejou a mistura que fizera nele, logo após terminando de fazer o café e o botando na garrafa previamente vazia. – Se quiser levar pra sala. Mas espere esfriar um pouco pra provar. – Preferiu avisá-lo, mesmo que o albino não fosse do tipo ansioso; uma língua queimada nunca era algo agradável. Levou tudo que havia sujado à pia, lavando a louça antes de finalmente voltar à sala de estar, a tempo de ver seus gatos entrarem correndo no aposento. Eles normalmente eram mais calmos, mas é claro, como todo felino, às vezes parecia que algo baixava neles que os fazia não conseguir parar quietos.

    E não é como se Rin se importasse, visto que eram adoráveis mesmo daquela forma – a não ser que quebrassem algo -, principalmente o seu mais novo, de forma especial. Como o filhote mal conseguia se mover direito sem cair, acompanhar o ritmo dos outros se tornava uma tarefa difícil. Toda a fofura da tentativa acabou deixando o loiro exatamente onde estava ao entrar no local, apenas encarando seus animais de estimação com um pequeno sorriso no rosto por vários segundos, até lembrar-se de que Harold também estava ali. Voltando a olhá-lo e enfim se encaminhando para o sofá, meneou a cabeça levemente na direção dos gatos, sabendo que o outro não apreciava os bichos. – Tem que admitir que são especiais.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sex Abr 10, 2015 8:31 pm

    Nunca ouvira falar daquele doce antes, mas pelo cheiro parecia ser bom. Pegou o prato quente, levando-o até a mesa de centro da sala, deixando-o ali. Não se sentou, voltando de onde havia saído, mas parando no caminho assim que Rin viera e ambos passaram a notar a presença dos gatos voltando de seus surtos de hiperatividade. O albino encostou-se na parede, ao lado do loiro, cruzando os braços e acompanhando com a cabeça os felinos irem pra lá e pra cá; o filhote sempre atrasado, claro, algumas vezes ficando até perdido sobre pra qual lado iria, com os mais velhos se deslocando rápido demais. Cansado de observar a bagunça, sua visão periférica lhe chamou mais atenção, com a figura do mais velho estática e sorrindo minimamente, enquanto observava seus animais de estimação se divertirem. O albino abriu um sorriso debochado, passando a fitar o menor insistentemente, até que o mesmo voltava a realidade e se lembrava de sua presença. Acompanhou o outro ir até o sofá com o olhar, assim como fizera com os felinos há poucos segundos.

    Defina “especiais”. — Pediu, arqueando as duas sobrancelhas ao, do nada, a gata branca e o macho preto cansarem e caírem os dois para lados opostos, deitados. O único que sobrou com fôlego para continuar girando e dando cambalhota, foi Poe. — Se for o tipo de especial que eu estou acostumado, acho que sim. Eles são especiais mesmo. — Desencostou-se da parede, subindo no sofá pela lateral, de pé – aproveitando que estava descalço –, sentando-se com as pernas ainda em cima do mesmo e de tornozelos cruzados. Inclinava-se para frente, podendo finalmente usufruir de mais café e sentindo parte da disposição que tinha perdido se restaurar assim que voltava a ingerir do líquido, ainda quente. — Animais não gostam de mim, então eu não gosto deles. Não sei quem passou a não gostar do outro primeiro, mas é e sempre foi recíproco. O gato da Arthemis faltava expelir os pelos só de ódio, toda vez que eu entrava em casa. Pff. — Riu soprado, tendo a vaga lembrança do chiado que o falecido bichano fazia toda vez que se esbarravam. Não sabia também porque estava contando aquilo para Rin, mas diálogo não matava. Pelo menos, não com ele.

    Mas confesso que os seus gatos são simpáticos comigo, então... Acho que eu posso retribuir. — Pelo menos não tinha vontade de dar a nenhum deles o mesmo destino de Astaroth. E, de fato, eles eram uma companhia engraçada e sem sentido, que poderiam entreter quando estivesse faltando qualquer válvula de escape. Mas, ainda preferia seu notebook. Talvez pensasse nisso só quando faltasse luz e a bateria acabasse. — Só não entendo como vocês dois ficaram tão doentes por gatos assim. Isso é contagioso? — Brincou, olhando Rin com o mesmo ar de sarcasmo que lhe era usual.
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Sex Abr 10, 2015 9:05 pm

    Sentou-se no sofá com as pernas cruzadas, sem mexer no notebook que ainda se encontrava lá, admirando novamente o jeito que os gatos pareciam funcionar antes de voltar a visão ao ver o que o maior fazia. – Não fique em pé no sofá, Harold. – Repreendeu, mesmo após o vendo sentar, e dando de ombros ao comentário feito; provavelmente os bichos eram o especial com o que Harold estava acostumado, o que não devia ser muito agradável. Mas sendo que eram gatos, não havia como isto ter qualquer conotação ruim para si. Não o impressionava o fato de qualquer ser, humano ou não, não gostar do albino, mas acreditava que, do modo que os bichos de estimação do loiro se comportavam em volta do outro, eles teriam – quase – a mesma afeição inexplicável que o dono possuía, com o tempo.

    Um riso soprado deixou seus lábios ao que ouvia a pergunta sobre ser contagioso, ao que descruzou as pernas e levantou-se brevemente, indo apanhar o filhote que ainda corria e rolava de um lado para o outro. Voltando a sentar, largou o felino no colo do mais novo. Se antes Poe parecia ter qualquer coisa contra Harold, ele havia esquecido, e fez um círculo pequeno para se situar antes de voltar o olhar para cima e, em uma decisão repentina, tentar escalar a camisa do mesmo. – A tentativa é válida. E se for contagioso, você vai descobrir. – Permaneceu alguns segundos encostado nas costas do sofá, levemente virado para o maior de modo a observar a diversão do gato, antes de voltar à postura normal e inclinar-se para pegar uma das colheres que trouxera. Preferindo deixar o café de lado pelo momento, cutucou o doce que fizera com o utensílio. Não deveria estar mais pelando, e pegando uma pequena quantidade, assoprou antes de prova-lo. Ainda estava quente, mas não insuportavelmente ao ponto de queimar sua língua, e o gosto o fez pegar outra colherada quase imediatamente. – Já dá pra comer. Se você não conhece, prove.
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Abr 18, 2015 10:31 pm

    Revirou os olhos assim que o rapaz reprovara a sua forma de subir no sofá, mesmo que já soubesse que aquele tipo de repreensão viria sendo de quem se tratava. Poderia dizer que sabendo a forma como Rin via aquele tipo de comportamento, teria o feito de propósito. Mas gostava mais de saber que algumas atitudes naturais suas eram desaprovadas por conta própria pelo rapaz, sem que fizesse nenhum esforço pra isso. Arthemis reclamava das mesmas coisas quando era criança, depois desistira. Rin desistiria alguma hora também – ou não –, mas por enquanto, trataria de concordar com um segundo “Tá, mãe”.

    Caminhou com o olhar acompanhando Rin se levantar, enquanto bebia o café, até franzir o cenho ao ver o rapaz pegar o filhote cinzento e trazê-lo para si. Encarou os olhos redondos de pupilas riscadas da criatura, que encarou os seus de volta, antes de se localizar e perceber onde estava: no colo de Harold. Antes que o maior pudesse perguntar ao loiro o que ele queria com aquilo, sentiu pequenas garrinhas salientes se enfiarem entre o tecido de sua camisa e esticarem o pano para baixo, sinalizando que o gato pretendia fazê-lo de árvore e escalá-lo. Encarou o bicho, encarou o dono, de novo o bicho, de novo o dono, sentiu-se indeciso sobre o que fazer e finalmente pegou o filhote pelo cangote, bufando. Sua intenção era puxar o gato dali e teria funcionado se o mesmo não tivesse prendido mesmo as unhas em sua camisa. Era puxar o filhote e a camisa ia junto no processo, num movimento lento de ida e volta, como se fosse fazer diferença repetir. Dava a impressão de que as garras se desprenderiam se tentasse puxar com mais força, então suspirou extremamente desagradado de ter que soltar a xícara de café na mesa, para largar o gato de sua roupa com a ajuda da outra mão.

    Um miado insatisfeito ecoou de novo quando Harold decidiu por fim, depositar o filhote na cabeça loira de Rin. Que ficou por lá, cheirando os fios de cabelo do dono.

    Se for contagioso, descobrirei em breve. Não estou com pressa. — Apoiou o braço por cima das costas do sofá, depois de recuperar seu café, até ouvir a oferta do rapaz. Ah, é. Havia esquecido do doce que não conhecia de um país que não sabia qual era, já que Rin não havia dito também. Mas bem, chocolate era chocolate em qualquer lugar e o cheiro do negócio não era nada ruim. Observou o loiro pegar a segunda colherada do doce e antes que ela fosse provada, avançou na colher e abocanhou antes. Estava quente, mas nada insuportável, então apenas deslizou os dentes pelo talher de metal, deixando apenas alguns rastros para trás. Era meio grudento a princípio e não parecia ser muito mastigável, não demorando a engolir então. O que dava a impressão de que não havia sido o suficiente. Harold não era nenhum especialista em sabores de comida e gostava de qualquer coisa. Embora café e doces fossem seus prediletos, ainda assim não sabia – e nem queria – diferenciar seus tipos.

    Um troço desses dá a impressão de que foi feito do jeito mais complicado possível. Aí quando se vê: leite condensado, achocolatado em pó e manteiga. Pff. — Refletiu, achando engraçado como não conseguia entender algumas lógicas da culinária. Talvez porque não conhecia porcaria nenhuma dela, também. — Quem te ensinou isso, mesmo? — Aproveitou para catar a colher extra e pegar o prato junto, apossando-se do doce e se afastando de Rin no sofá, com a mesma cara de quem não estava fazendo absolutamente nada.
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Dom Abr 19, 2015 3:01 am

    Mesmo levando em conta que o comportamento de seu animal de estimação poderia incomodar o outro, não pensou em interferir com a interação. Harold poderia lidar com um gato, e se não pudesse, uma pena. Ainda teria que lidar com três naquela casa. Uma prova de que a pequena briga entre dois acabara pacificamente fora o miado insatisfeito de Poe, que acabou sendo depositado na cabeça de Rin um momento depois, que perfeitamente parado enquanto o gato decidia cheirar seus fios de cabelo, não querendo desequilibrá-lo com qualquer movimento. No entanto, fora o espaço de tempo necessário para que o mais novo roubasse a pequena porção de brigadeiro que estava na colher no loiro.

    Primeiramente apenas voltou o olhar ao talher em silêncio, como se absorvesse o que havia acontecido; ou como se o doce fosse voltar com o poder do pensamento. Porém, raciocinou que havia um prato inteiro daquilo para ser consumido, o que levou a reação levemente surpresa ao fim.  – É ótimo que algo assim possa ser feito de forma tão simples. Odiaria ter que pegar um livro de culinária cada vez que quisesse fazer algo doce. – A outra opção seria comprar, no entanto, aquele doce também era algo lucrativo já que a única coisa que realmente seria gasta apenas uma vez era o leite condensado. Levou a mão livre ao topo da cabeça, retirando Poe e o deixando no braço do sofá, ao que o gato pulou imediatamente para o chão e apenas o borrão cinza foi visto correndo em direção ao corredor. O mais velho estava prestes a ir em direção ao prato para pegar mais do chocolate enquanto refletia sobre a pergunta feita, quando ele também fora tirado repentinamente do lugar, sendo levado por Harold para o outro lado do sofá.

    Franzindo minimamente o cenho enquanto observava o outro, se perguntou se ele planejava manter a posse daquilo até comer o quanto conseguisse. – Minha mãe me ensinou, e ela aprendeu do meu pai. Ele gosta de coisas... Exóticas.  – Planejara responder apenas aquilo sobre a questão anterior. Não imaginava que acrescentaria qualquer coisa ao assunto falar da história dos dois ou de sua vida, e ele próprio nunca estava exatamente disposto a tal. Não que houvesse nada desnecessariamente complicado, contudo, Rin falava de assuntos pessoais com pouquíssimas pessoas, uma delas sendo irmã da pessoa a seu lado. E, refletindo, o albino se incluía agora nos que tinha alguma intimidade para aquilo. O pensamento rondou sua mente por alguns momentos, enquanto encarava a mesa de centro, antes de, hesitantemente, abrir a boca para continuar. – Os dois se separaram antes de eu nascer. Se alguma coisa boa saiu daquele relacionamento, foi o brigadeiro, suponho. Apesar de ter visitado muito meu pai – que cuidava do meu irmão mais velho – quando era menor, nunca fui, ou quis ser, próximo dele, por várias razões. Minha mãe cuidou de mim a vida toda, e morreu alguns anos atrás.

    Tudo fora dito sem emoção alguma na voz, até chegar em sua mãe, onde esta obtivera uma leve tristeza. Mas, ao mesmo tempo em que ainda sentia dor pelas lembranças – e sabia que sempre sentiria – era estranhamente fácil falar daquilo para Harold; as palavras fluíam de forma simples, as fazendo ser incomumente numerosas. No entanto, a última frase não sendo algo agradável para si, decidiu desviar o assunto. Inclinando-se, desta vez pegou a garrafa de café, que se encontrava pela metade, antes de voltar ao canto do sofá oposto ao alheio, um sorriso gentil demais, que deixava sua real intenção com a pergunta implícita, surgindo em sua face. – Posso ter o brigadeiro de volta?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Abr 25, 2015 10:48 pm

    Deveria dar os parabéns ao loiro por conseguir fazer café e doces tão bem daquele jeito, mesmo ambos parecendo ter receitas ridículas. O doce estava realmente bom e o provava em colheradas consecutivas enquanto ouvia Rin comentar sobre seus pais, enquanto lhe lançava um olhar desaprovador por ter sequestrado o brigadeiro para si.

    Porém, deixando a monopolização do doce de lado, ainda com a colher na boca, Harold parou para pensar que não eram muitas as pessoas que paravam pra comentar coisas pessoais consigo. Por muitas razões e todas por conta do próprio rapaz, é claro. 50% poderiam ser resumidas com “Não é problema meu”. A outra metade com “Não me importo”. E entre elas, uma interseção chamada “Vou usar isso contra você algum dia”. Aquela ocasião não seria diferente, é claro, mas havia um porém. Era Rin quem estava falando daquilo. Como eram parecidos, o albino realmente não esperava ouvir o rapaz comentar algo que o deixaria com uma expressão entristecida justo para si. Era abaixar muito a guarda. Ou, se sentir à vontade o suficiente com o mais novo, que mesmo que já tivessem “tratado” daquilo há minutos, ainda era uma novidade estranha. Obtinha aquela confiança, em toda sua vida, apenas de Arthemis e Zion. Mesmo Heike não tinha tanta liberdade consigo como tinha com seu irmão adotivo, até porque preferiam se entender de outras maneiras. Não sabia bem o que responder pela morte da mãe do loiro. Nunca havia perdido um ente querido e não tinha a exata sensibilidade para se pôr no lugar do outro. Entortou a colher na boca para a esquerda e depois para a direita, olhando para um ponto aleatório na garrafa de café que o menor segurara, afastando-se para a outra extremidade do sofá. Já havia comido o suficiente, e agora estava interessado na conversa. Mesmo que não tivesse parado para pensar exatamente no porquê.

    Como é? — Perguntou quase que espontaneamente, enquanto esticava o prato do doce com uma mão e sinalizava com a outra para que a garrafa de café lhe fosse entregue, num claro sinal de rendição rápida. Não estava disposto a trocar café por nenhum doce no mundo. Mas corrigiu-se, em seguida. — Digo, perder alguém próximo assim, da importância de uma mãe ou de um pai. Você deve saber que eu não tenho muita prática quando se trata dessas coisas. Eu preciso escutar de quem sente pra saber como é. — Explicou, procurando deixar claro que não estava afim de provocar, visto que se fosse entendido dessa forma, não teria sua resposta. Harold era apático e insensível de diversas formas e aquilo moldara sua personalidade daquele jeito desde criança. Não foi algo que escolhera e muito menos o incomodava, mas ainda era sua única saída perguntar.

    O rapaz não tinha nenhum tom malicioso, sarcástico, cínico ou debochado na voz, sendo algo raríssimo por parte dele. Estava só curioso. Era um hobby seu observar as pessoas e provocar diferentes reações nelas para mais análises próprias. Todos os seus familiares estavam vivos, exceto os que não havia conhecido por já estarem mortos quando nascera, ou os que não tinha nenhum tipo de proximidade ou convivência. Já havia assistido audiências no tribunal por assassinatos, ou mesmo crimes comuns em que alguma das testemunhas havia perdido alguém próximo. Tinha noção de todo aquele sentimento ruim que as pessoas expressavam, mas nunca teve a oportunidade de conversar com alguém que vivenciara para saber detalhadamente sobre. Não esperava muito que Rin fosse continuar se sentindo confortável consigo para prosseguir no mesmo assunto, mas também não é como se fosse insistir. Estava curioso, mas não a tal ponto. Além de tudo, também apreciava ver qualquer expressão diferente do sorriso taciturno no rosto de Rin. Primeiro de irritação, agora de tristeza, mesmo que fosse pouco ampla. Era, de fato, muito mais divertido ver tais mudanças em pessoas que não possuem o costume de fazê-las.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Dom Abr 26, 2015 8:37 am

    Considerou uma pequena vitória o fato de ter o prato devolvido tão rapidamente, mesmo que Harold já tivesse comido boa parte do mesmo; não era como se o mais velho aguentasse comer tudo, de qualquer forma. No entanto, esta foi esquecida com a pergunta direcionada a si, junto à explicação do porquê estava sendo feita. Não esperava que o assunto continuasse após tê-lo desviado, e buscou na expressão e palavras alheias se o albino poderia estar brincando ou perguntando apenas por alguma razão obscura como provoca-lo ou pela falta do que falar. No entanto, achou a seriedade pura que vira mais cedo no olhar do outro. Desviando o próprio para o prato de brigadeiro, descobriu que não se encontrava mais no humor para comê-lo naquele momento, e voltou a depositá-lo na mesa de centro.

    Falar sobre como o afetara era muito mais difícil do que falar que apenas acontecera. De fato, Rin não achava que tivera aquela conversa com ninguém, tanto de sua família ou do pequeno círculo de amigos. Preferira guardar para si mesmo na época, e nunca mais emergira como algo que precisasse falar detalhadamente sobre. Tinha o direito de não comentar sobre aquilo, e a certeza de que Harold entenderia. E ainda assim, contra seu julgamento e com o olhar sem expressão focado em um ponto qualquer da sala, a boca do loiro se abriu para falar, sentindo o desconforto em seu peito de algo que há muito tempo estava preso dentro dele. Agora aguente.

    - Ela... Como eu disse, me criou, a vida toda. Eu tinha entrado na faculdade fazia pouco tempo quando aconteceu, e não foi exatamente uma surpresa. E ainda assim, não é algo que alguém possa estar preparado para.  – A dor se fazia presente em seu tom, contida, enquanto tentava achar as palavras para continuar. – Em primeiro lugar, eu não acreditei. Não parecia real. Não parecia possível que alguém que eu via todo dia não estaria mais por perto... E isso continuou por um tempo até que, finalmente me acertou, e o mundo pareceu se estragar bem ali. Tristeza, raiva, o sentimento de injustiça de alguém que ainda poderia ter muito a viver. Eu vivia com isso, e a solução que achei foi estudar, achar o que fazer pra conseguir ignorar a dor. Trabalhar, também, já que eu já era velho o suficiente pra poder me sustentar. Eu poderia ter ido morar com o meu pai, mas já disse como me sinto sobre ele, também... Se eu tinha como não fazer isso, não faria. – Um pequeno sorriso surgiu em sua face, carregado com a tristeza do que acabara de falar, mas sentindo que não havia terminado ainda. Agora que havia começado, mesmo que a dor em seu peito houvesse aumentado, se impressionava novamente com a facilidade que as palavras fluíam, e com o fato de ser o mais novo a ouvi-las.

    - Ignorar a dor é relativo. Ela nunca realmente foi embora, mas eu aprendi a aceitar isso. E também a apreciar o que ela me deixou, as memórias, minha educação, e minha vida em si. Não tinha muito o que fazer sobre o assunto, porque não ia mudar o fato de que ela não voltaria. E eu não me importava com o fato de estar sozinho em si, apesar de não gostar de ser sem ela. Com isso e o tempo, tudo ficou bem.Ou o quão bem poderia ficar. Percebeu uma queimação que há muito não sentia em seus olhos, e piscou algumas vezes para impedir que qualquer lágrima caísse. Sentia claramente a bagunça de sensações se remoendo dentro de si, e imaginava que aquela reação seria o esperado, mas ainda assim, se recusava a chorar ali. Já o havia feito o suficiente por sua mãe, e prometera a si mesmo há muitos anos que pararia com aquilo. Respirou profundamente, deixando o corpo previamente tenso afundar no sofá, finalmente voltando a encarar o albino, se perguntando o que ele havia tirado de tudo aquilo.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Abr 30, 2015 8:38 pm

    Aguardou em silêncio o rapaz se sentir à vontade para começar a falar, recuperando a garrafa de café e enchendo novamente a caneca até a borda. Embora não sentisse nenhuma empatia pela situação que o colocara, ainda assim fazia o favor de respeitar o espaço de tempo que ele precisaria para começar da forma que achava melhor. Ajeitou-se no sofá, assim que o loiro começara a responder sua pergunta. Afim de entender além das palavras que Rin lhe dizia, Harold assumia sua costumeira posição onde direcionava toda sua atenção em algo que lhe interessava, apoiando o cotovelo sobre o joelho e a mão nos lábios. Aproveitava o fato do mais velho estar olhando para um ponto aleatório, podendo se dar ao luxo de também observá-lo fixamente sem que pudesse deixa-lo desconfortável.

    As palavras do rapaz exibiam não só toda a coerência de sua personalidade perante a forma de encarar aquilo, como também toda a postura equilibrada e sensata que costumava ter. De certa maneira, era até previsível tudo aquilo que ele dizia. “Ignorar a dor”. E ali havia uma boa diferença entre os dois rapazes, que emocionalmente se pareciam tanto. Rin era exatamente igual a sua irmã. Preferia reprimir e tentar “ignorar”. O albino crescera com os dois extremos em sua casa. Heike, que preferia quebrar tudo a sua volta e extravasar, e Arthemis, que além de quase nunca se abalar, quando acontecia, se trancava sozinha até que conseguisse ignorar. O resto das palavras do rapaz esclareceram coisas como as razões pra ele se manter o tempo inteiro ocupado, mesmo que isso pudesse envolver seu jeito em si.

    Percebia que, talvez, a maior razão das pessoas sofrerem pela perda de alguém era o que o rapaz havia dito mais de uma vez em suas palavras. Aceitar. Ao primeiro demorar para acreditar e depois se sentir injustiçado, além da saudade que parecia inevitável e talvez instintiva. O mais novo começava a se sentir desprovido de muitas coisas diante da análise que fazia do loiro a sua frente. Mas sabia que tinha uma anormal forma de “aceitar” quaisquer coisas que aconteciam consigo e sem questionar mesmo que interiormente, se tornava bem mais fácil “não sofrer” também – embora fosse algo que não fizesse por nenhum processo mental anterior. Sabia que, pelo menos aquilo, era algo peculiar seu e que não poderia exigir de ninguém. Por isso e talvez só por isso, sabia que não poderia achar ridículo como normalmente acharia a tentativa do loiro de não chorar na sua frente. Mesmo que não tivesse derramado uma lágrima sequer, ironicamente, sua primogênita tinha o mesmo truque de piscar os olhos várias vezes para evitar que chorasse. O sofá não era grande demais, logo, não precisou sair do lugar e teve apenas de inclinar o tronco levemente para frente, esticando o braço até alcançar a cabeça loira. Esfregou a mão na raiz das madeixas lisas, num afago curto que logo cessara com o rapaz recolhendo a mão novamente. Antes que o outro pudesse perguntar o que tinha sido aquilo, preferiu ser rápido em se pronunciar, porque não saberia explicar depois.

    Grato pelo fornecimento de informações.— Satirizou, com menos seriedade na voz, preferindo não prolongar mais o assunto, até porque não saberia mesmo o que fazer se o loiro chorasse de fato. Provavelmente ficaria encarando-o até que parasse. Mas ainda tinha perguntas. — E o seu irmão mais velho? Também não quer papo com ele, como o seu pai? Por experiência própria, nesse caso, eu posso dizer... Irmãos são úteis, às vezes. — Curiosamente, entendia em parte a relação de Rin com a ausência do pai e o pouco caso que fazia disso, visto que o próprio Harold nunca aproveitou tanto a companhia dos próprios progenitores. Viviam viajando a negócios e apareciam uma vez ao ano apenas. Poderia sofrer com aquilo. Mas só poderia mesmo. Mesmo assim, agradecia a companhia que tivera de seus irmãos, mesmo que o terceiro fosse apenas seu melhor amigo com a consideração de um irmão. De vez em quando parava para ter a noção de que, muito provavelmente, não teria encarado as coisas da mesma forma se não tivesse nenhum deles. Rin passou a infância e a adolescência apenas com a mãe, pelo que entendera. Mesmo que não tivesse noção da perda, ainda assim sabia que uma parte dela poderia ser suprida pela companhia de mais alguém.
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Qui Abr 30, 2015 11:02 pm

    Não sabia exatamente o que esperar do outro após tudo que falara, já que não entendia nem o porquê dele próprio ter concordado em comentar sobre aquele assunto; no entanto, mesmo misturada com a dor, uma leveza parecia ter tomado conta de si como há muito tempo não fazia. Não poderia negar que era bom falar sobre algo que nem pensara em comentar por anos. Porém, o afago na cabeça o surpreendeu. Harold normalmente não demonstrava qualquer afeição física com qualquer um em sua vida, e enquanto o loiro poderia supor que agora não deveria ser incomum ter uma diferença, ainda era estranho o suficiente ter o que presumia ser uma tentativa de consolo vinda do albino. O olhar de estranhamento que lançou, contudo, suavizou-se ao ouvir o agradecimento sarcástico, e um sorriso ligeiramente frustrado surgiu em sua face com as próximas perguntas.

    O mais difícil, é claro, fora falar de sua mãe. Fora quem mais o afetara em sua vida, e não gostava do pai não só pela personalidade, mas também por abandoná-la e deixa-la para criar outro filho sozinha. Já seu irmão mais velho, não tinha razão alguma para qualquer desgosto a não ser por ele ser um total e completo idiota. Além de espalhafatoso, vulgar, em muitas coisas as quais Rin não conseguia evitar julgar. E tudo aquilo com um rosto que era praticamente igual ao próprio, apesar das personalidades distintas. Ele e o pai haviam insistido até certo ponto em tentar dar um apoio a si, e é claro, tinha certeza que também sofreram, mas o estudante de medicina havia preferido lidar com aquilo sozinho, na época. Não chegava ao ponto de odiar nenhum dos dois; apenas não possuía muita afeição e não queria a companhia deles constantemente em sua vida, se pudesse evitar.

    - Ele tentou ser útil. E falhou, tanto por não saber fazer qualquer coisa útil quanto por eu não querer ele por perto. – As palavras eram frias, no entanto, seu tom não era diferente do normal. Eram apenas fatos, e estes não chegavam a causar qualquer reação em si. – Não odeio ele. Mas a personalidade é exatamente igual a do meu pai, então é tão idiota quanto. Duas crianças que se acham engraçadas demais e preferem a própria liberdade acima de tudo. – Sabia que só estava reclamando, então tentou adicionar algumas informações para explicar melhor o que queria dizer. – O nome dele é Ren. Do meu irmão. E sim, meu pai deu os nomes, o dele e o meu. Já começou errado aí. Tive que passar um tempo decente com os dois quando era criança, até poder me virar sozinho em casa quando minha mãe não podia cuidar de mim. Depois disso, quase nunca. Eles me contatam, Ren agora menos depois de ir pro exterior pra estudar. E eu prefiro assim. É melhor estar sozinho do que com alguém desagradável. – Parou para pegar novamente o prato de brigadeiro, finalmente sentindo a vontade pelo doce voltar a si. – O que é irônico. Você é desagradável, e veja só.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Maio 28, 2015 6:37 pm

    Em parte, o compreendia. Luba – sua mãe –, não tinha nada a ver consigo e agia de uma forma espalhafatosa e incoerente que gostava de evitar sempre que possível – unicamente Zion sabia lidar perfeitamente com ela, talvez por terem semelhanças significativas. Apenas Arthemis havia puxado também o lado extremamente humanitário da mulher, que de tanto gostar de ajudar as pessoas, precisou adotar o ruivo até. Harold parecia muito mais com seu pai, que sendo a fonte principal de seu DNA, é claro que não se mostrava tão afetuoso e era até mesmo distante, além do que, ambos não tinham essa necessidade de contato. Não entendia de forma alguma o que diabos havia conectado seus pais para se casarem e terem dois filhos – mais um adotado –, além de conseguirem a vida próspera e quase nunca terem desavenças por tanto tempo juntos. E não conseguia entender justamente porque aquilo era extremamente raro, até por ser incoerente. Os pais de Rin pareciam ser daquele jeito, mas provavelmente não tinham dado muito certo. Arthemis era diferente de si por muitos ângulos, mas ainda se conectavam de algumas formas. O que parecia não ter ocorrido com o irmão mais velho de Rin. A genética era realmente uma desgraçada filha da puta.

    Ren e Rin... — Sorriu torto para o lado. O pai de Rin era bem do tipo que se daria bem com Luba por terem aquelas ideias. Mas pelo menos, a mulher era do contra o suficiente para achar ridículo nomes de irmãos serem parecidos. Mesmo se fossem gêmeos. — ... Seu pai é especial. — Comentou, por um segundo sentindo dó do loiro por ter se colocado no lugar dele. Mas arqueou uma sobrancelha quando Rin comentou que era desagradável também e coincidentemente, no final disso, Albi miou. — Ela deve concordar com você. Mas não sou tão desagradável assim, ok? Sempre dá para ser pior, pense por esse lado. — Disse sarcástico, encarando a gata branca que olhava curiosa para o brigadeiro que Rin comia, até desviar o olhar para o dono. Certo, não era uma criatura tão desprezível assim. — Hm... Sabia que os gatos tem conexão com outras dimensões? Todos os animais vêem coisas que nós não vemos, mas os gatos são mais especiais nisso. Além de não se assustarem à toa com essas coisas, pois já estão acostumados, ao contrário dos cachorros, que se incomodam mais.

    O assunto poderia parecer desconexo, mas o sarcasmo que usava anteriormente se mantinha e ainda veio acompanhado com um sorriso malicioso. De súbito, teve uma pequena ideia ao se lembrar que Arthemis havia dito algo relacionado aos gatos e os assuntos que ela gostava de ler sobre. Além de se lembrar que, em meio aquilo, ela também havia mencionado sobre Rin e seu pequeno medo por aquelas coisas, até por ter usado os gatos dele como exemplo. Um deles era preto e o assunto havia nascido daquilo, pois de vez em quando gostava de sentar com a irmã e conversar sobre coisas que apenas um dos dois sabia. Era uma forma que ambos tinham de dividir informações. Naquilo, acabou sabendo um pouco demais. Inclinou o corpo para frente, encarando Rin com o mesmo sorriso e desta vez, falando um pouco mais baixo. — Acho que ela não está olhando exatamente pra você. — Olhou a gata de esguelha, induzindo o loiro a fazer o mesmo. De fato, ela estava olhando alguns centímetros para o lado de Rin. O lado que Harold não estava. Devia ser algum mosquito voando, - ou não - mas analisaria como o rapaz reagiria de primeira, tendo o assunto anterior como centro de uma primeira dedução do que Albi estaria encarando.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Sex Maio 29, 2015 12:11 am

    Resmungou algo em concordância sobre o quanto seu pai era especial entre uma colherada de brigadeiro e outra; nunca entenderia como Nerissa havia deixado nomes tão estranhos, além de parecidos, serem dados às crianças dela. Supunha que amor cegava as pessoas, principalmente tendo em mente que ele próprio havia nascido após os pais terem se separado. E supunha também que Harold, como de costume, estava certo. Nunca esteve procurando por qualquer tipo de romance, e poderia ter acabado com alguém pior. Na verdade, poderia ser considerado quase um milagre ter alguém tão parecido consigo – e ainda era estranho pensar no fato - que não fosse o perturbar com uma necessidade de contato exagerada ou conversas eternas sobre assuntos em que não estava interessado. Tendo isto em mente, parecia fácil relevar as coisas desagradáveis, mesmo se lembrando de como se irritara repetidamente com ele.

    O olhar do loiro divagou para sua gata em meio a estas reflexões, apenas para voltar-se ao albino rapidamente ao ouvi-lo comentando sobre a conexão de animais com outras dimensões. Não gostava de qualquer coisa sobre aquele tópico, e preferia evita-lo se possível, mesmo que não se permitisse demonstrar qualquer incômodo na expressão. No entanto, o tom do mais novo fazia parecer como se já soubesse daquele fato, e por aquilo mesmo estivesse falando no assunto. Podia imaginar como havia chegado até tal informação, contudo, todos os pensamentos simpáticos que tivera apenas segundos atrás foram substituídos apenas por um babaca. Com o olhar preso ao alheio, facilmente seguiu-o para observar novamente a gata, e ver que ele tinha razão. Albi não estava olhando para si.

    Sentia como se uma pedra houvesse ocupado repentinamente seu estômago, reconhecendo fácil demais a sensação de medo com aquele tipo de atitude vinda de um animal que era uma das coisas mais especiais em sua vida. Com o olhar levemente mais tenso, olhou novamente para Harold, para a gata, e contemplou se deveria olhar para o outro lado, antes de decidir não fazê-lo. Já tivera uma experiência real demais com um fantasma, e não estava pronto para outra, mesmo nunca tendo visto nada fora ao incidente no hospital. – Albi. – A chamou, fazendo-a virar o olhar felino pra si e miar, retirando o foco do que quer que fosse. Em seguida, parecendo perder o interesse, pulou sobre um dos notebooks e se aninhou onde, provavelmente, achara uma fonte agradável de calor. Virando-se para o maior, estendeu o braço livre até conseguir alcançar o rosto do outro – ato não muito difícil, devido ao tamanho do sofá – ao que o empurrou para o lado oposto sem nenhuma da delicadeza que lhe era característica antes de voltar ao brigadeiro na intenção de termina-lo de vez. – Acho que ela gostou do seu computador. – Comentou, ignorando completamente o que fora dito anteriormente, a fim de desviar o assunto. – Uma das desvantagens de jogar aqui é que os gatos podem querer atenção e subir no teclado às vezes. Apesar de não ser tão ruim. Uma morte ou outra não faz tanta diferença.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Jun 03, 2015 7:24 pm

    Aquela cara. Deveria ter tirado uma foto da cara que Rin fez ao perceber que a gata não estava olhando para ele. Certo, sendo um medo do mais velho, teria outras oportunidades. Mas abafou um riso quando teve a cabeça empurrada, encostando-se na almofada no canto em que estava anteriormente. Oh, ele mudou de assunto. Concluiu para si mesmo, fungando o nariz uma vez ao que Rin continuava a falar. Ele mudou e enterrou o assunto. Observou-o calado, pensando no que faria agora. Era engraçado mexer com o loiro daquele jeito, mas continuar na mesma tecla sendo que a gata já havia perdido o interesse em seja lá o que fosse, não seria uma boa jogada. Talvez devesse desistir por hora e tentar outra coisa depois. Olhou para a televisão de esguelha, lembrando-se que, pelo horário, iria começar as partidas de campeonato daquele dia e Harold tinha o costume de ver pela televisão. Havia levado os cabos de seu notebook, então só precisaria conectar.

    Falar em jogar, vai querer ver o campeonato? Posso ligar na tela, se quiser. Eu trouxe as conexões. — E virou-se, esticando o braço por trás do sofá a procura de sua mochila, que só abriu e dali mesmo tirou os cabos. Sabia que Rin não teria problemas se tomasse a iniciativa de ligar por conta própria, pois já havia feito isso antes. Catou as entradas na parte de trás do aparelho, em seguida ligando os fios ao próprio notebook. Alterando as configurações da TV em si, logo ela virava um enorme monitor. Teria ido direto até o site oficial que ficava disponível para que os jogos fossem assistidos, se não tivesse passado por um aplicativo de filmes e seriados. Pelo monitor, Rin veria que Harold de repente mudava a direção do cursor e abria o tal programa, que recomendava alguns gêneros de acordo com os relacionados que o albino já tinha assistindo anteriormente. A maioria era do tipo que o mais velho não iria gostar nem um pouco. Antes que o outro pudesse dizer algo, escolheu um que Arthemis havia lhe recomendado uma vez e sabia que ela tinha o gosto forte para aquele tipo de gênero.

    Mudança de planos, que tal? Essa é bem mais legal. — Sorriu, amigavelmente, clicando no Play. Passou o braço por cima dos ombros de Rin, aproximando-se consideravelmente dele. — Nem. Pense. Em. Fugir. — Disse pausadamente, enquanto o filme começava. Daquela distância, conseguiria impedir que Rin se levantasse para pegar o controle, ou desligar a TV. E não alcançaria o notebook, que estava do lado oposto de Harold. Ele poderia fechar os olhos, mas o maior faria questão de aumentar o volume e o suspense não era causado só pelo visual.
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    Rin Damien
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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

    Mensagem por Rin Damien em Qua Jun 03, 2015 8:35 pm

    Soltou um suspiro quase imperceptível de alívio ao constatar que conseguira acabar com assunto, mesmo que da maneira menos sutil possível. Fez um gesto de concordância com a cabeça para a pergunta, feliz em poder apenas ver o campeonato e voltar ao que considerava normal. Sempre gostava de assistir as partidas com pessoas exageradamente habilidosas no jogo, e apenas por observação já acrescentara muito ao modo que ele próprio jogava. Se treinasse, talvez um dia fosse como eles, mesmo que não acrescentasse em nada em sua vida além de poder falar “Ei, sou do elo Desafiante. Ha.” Saiu dos próprios pensamentos para observar o que Harold fazia, já tendo a imagem do notebook do outro em alta qualidade na televisão, apenas para a tensão que sentira anteriormente voltar ao vê-lo selecionar um filme que, apesar de nunca ter ouvido falar na vida, não tinha um aspecto agradável apenas pela imagem que o apresentava.

    Poderia até ter ficado com certa vergonha da aproximação repentina do albino se não fosse o pequeno detalhe de querer estapeá-lo naquele momento. Um filme de terror. Ele havia notado que o loiro estava com medo, e agora queria vê-lo se assustar; e não parecia que seria exatamente fácil escapar dali. Mas ainda poderia tentar. Prometeu mentalmente que um dia descobriria algo que Harold tivesse medo para que, e de alguma forma, o usaria contra ele. E então, riria. Apenas riria. Com a expressão mais calma que conseguia demonstrar, visto que o filme estava ainda na cena inicial em uma casa aparentemente abandonada, forçou o próprio corpo a relaxar, antes de murmurar. – Ok, eu vejo. Só me deixe botar isso na mesa. – Se referia ao prato de brigadeiro, agora vazio, que ainda tinha nas mãos. Em teoria, poderia botá-lo na mesa de centro e apenas se resignar a ver o filme. E, é claro, não o fez. Assim que teve a liberdade para esticar o corpo, botou o objeto onde pretendia, para logo após, na velocidade mais rápida que conseguia, levantar-se e  correr para fora do alcance que o maior possuía.

    Tendo sido mais fácil que o esperado,  foi imediatamente na direção do corredor, planejando ir para o quarto, onde poderia se trancar. Talvez fosse algo exagerado, no entanto, não tinha intenção alguma de ver algo que o aterrorizava, muito menos lembrando-se do que já passara e de outras coisas que já fora obrigado a ver. Contudo, a vida parecia estar brincando consigo naquele dia, e foi apenas ouvindo um miado alto e tendo que se segurar na parede para não cair que notou que Nie, o gato preto, estivera justamente passando pelo local, e aparentemente Rin acabara de atropelá-lo.  A luz do corredor estava apagada, fazendo o ato ser entendível, e ainda assim, se algo poderia distrair o estudante de medicina do terror, era a possibilidade de ter machucado um de seus gatos. Abaixou-se de modo a poder examiná-lo e fazer um carinho para se desculpar. – Desculpe, Nie. Você sabe que não é de propósito, e você também tem que tomar cuidado. – Seu tom era baixo, levemente alterado por estar falando com o animal, e como se entendesse suas palavras, outro miado indignado foi ouvido pelo local. – Eu disse desculpe. Vou te dar algo especial daqui a pouco, está bem?

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    Re: [#24] Mesa e Cadeira — A Saga, Parte 4

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