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    [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

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    Heike_Walker
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    [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Sex Abr 17, 2015 1:24 am

    Por volta de um mês depois de ter resolvido as coisas com o moreno, Heike estava voltando para a mansão dos Wilhelm passar a noite vendo filmes com o amigo. Já havia encontrado com ele algumas vezes na faculdade mesmo e tudo estava relativamente tranquilo, como se ocupava a maior parte do tempo estava otimista de que iria superar o que sentia por ele. Saber de fato que nada ia acontecer já que o outro não tinha nada consigo além de pura e simples amizade, tornava as coisas mais fáceis. Era doloroso claro, mas já tinha passado por isso e se tinha superado Zion, pelo qual nutriu uma paixão secreta por anos, iria superar Nero.

    Mas tal coisa não impedia o rapaz de ficar um tanto nervoso, por mais que ignorasse essa própria parte de si mesmo. Sequer evitava pensar demais sobre as horas que passaria trancado no quarto dele, sentindo seu cheiro, vendo filme junto a ele, ouvindo sua voz, sua risada, dividindo toda aquela intimidade e aqueles momentos agradáveis e divertidos. Não, essas coisas nem passavam pela cabeça dele.

    Quando recebera a mensagem dele pela manhã e aceitara o convite de ir para lá, passou o resto do dia tão metódico e automático quanto um robô. Só imaginar já o deixava tenso, então sentiu que agia com uma naturalidade muito forçada. Mas ao finalmente parar em frente aquele local que era quase uma segunda casa para si e a fitar de forma demorada, respirou fundo e tentou se acalmar. Não tinha necessidade disso, porque não significava nada e nem iria significar. Passaria algumas horas com o amigo, assistiriam alguns filmes e se divertiriam, nada de mais. Podia fazer aquilo, podia mostrar para o outro e para si mesmo que estava tudo bem, que era um adulto maduro o suficiente para lidar com os próprios sentimentos.

    Respirando fundo, entrou no local ao ser recebido pelos empregados. Arthemis tinha ido passar a noite na casa de uma amiga, então não veria ela. Não sabia nada em relação ao Zion e Harold ainda não tinha voltado para lá. Tirando os outros poucos empregados que também moravam ali, era como se fosse ficar sozinho com Nero. Sem se preocupar em anunciar para o outro que tinha chegado, apenas se dirigiu para seu quarto, carregando a mochila com uma muda de roupas e na mão um pequeno pote de plástico.

    Cheguei, imbecil. Anunciou do lado de fora do seu quarto, dando um pequeno chute na porta, educado como sempre. Abre aí. Aquela noite seria como um pequeno teste para si mesmo, para se testar. Iria ficar tudo bem e ia ver que já estava esquecendo ele. Fácil.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Sex Abr 17, 2015 2:20 am

    Aquele dia havia começado um tanto mais leve para Nero, e não por ter menos coisas a serem feitas. Era um dia de folga, de fato, mas ao invés de dormir até tarde, o moreno acordara quase com os pássaros e se ocupara em preparar alguns doces na cozinha da mansão. O motivo? Não tinha realmente. Mas sentia-se levemente nervoso para o compromisso que marcara naquela manhã, e que trazia uma mudança um tanto drástica ao visual do índio. Havia alguns dias que vinha pensando sobre mexer na própria aparência, levemente desejoso de se ver no espelho de um jeito diferente, como se aquilo pudesse amenizar o pouco do estresse que ainda restava dentro de si; e tomara a decisão no dia anterior, tendo a sorte de achar um horário vago no salão em que Rin trabalhava.

    Não demorou para que fosse cortar o cabelo, boa parte do peso sumindo de sua cabeça ao que tirava pelo menos metade do comprimento dos fios. O loiro pequeno parecia orgulhoso do próprio trabalho, ainda que houvesse insistindo um monte ao moreno para cortar ainda mais, recebendo negações repetitivas e diretas do mesmo toda vez que ele estendia a tesoura com breves "só mais um pouco". Mas, apesar da singela "briga" com o mais velho, não conseguia deixar de se sentir satisfeito com o trabalho alheio. Estava ótimo, e sentia-se muito mais contente com a própria aparência - algo bastante engraçado, considerando o quanto amava os próprios fios longos. Porém aquela não era sua única parada no dia, então não demorou-se conversando com o novo amigo, partindo logo para o compromisso seguinte, onde, com visível agrado, abriu mais alguns furos em suas orelhas, novos brincos brilhando em prata nas mesmas. E não tinha palavras para descrever o quanto gostava da sensação da agulha perfurando elas.

    Fora com um sorriso largo, e com muito menos peso para carregar, que seguira o caminho para a casa em que morava. E, com a mente mais limpa, chegara a conclusão de que precisava dar um jeito em parte dos doces que havia preparado logo cedo - por mais que soubesse que Arthemis era quase uma formiga, não achava saudável ela comer tudo aquilo. Então mandou uma mensagem para Heike enquanto ainda estava na rua, convidando-o para assistir filmes e comer lá na mansão, completamente alheio ao detalhe de que estariam praticamente sozinhos no local. Apenas era movido pelo fato de que haviam voltado a se entender e partilhar momentos com mais naturalidade, algo que trazia um agrado tremendo ao moreno.

    No entanto, por mais que estivesse focado em chegar à casa e preparar todo o ambiente para a visita, não resistiu em parar em algumas lojas, seu lado consumista - que aparecia quase nunca -, fazendo-o gastar muito mais tempo do que deveria em lojas, antes de, enfim, perceber o quão tarde estava. Conseguiu a proeza de chegar quase em cima da hora e correu para tomar um banho rápido, rezando para que desse tempo de se ajeitar antes que Heike chegasse. Mas fora só sair do banheiro para ouvir a porta ser chutada, junto às palavras simpáticas e amáveis do amigo. Riu, incapaz de conter-se, e fora com os fios pingando, e com a metade inferior do corpo coberta com uma toalha malmente segurada, que abriu a porta do próprio quarto. Você tem um ótimo timing. Ainda tinha um sorriso no rosto quando recebeu o menor, mas não se demorou a se afastar, voltando ao banheiro para vestir a roupa que já havia separado anteriormente. Fica à vontade e espera um pouco.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Sex Abr 17, 2015 3:19 am

    Enquanto o outro não vinha abrir a porta, o ariano se ocupou a usar o celular de modo distraído vendo as últimas mensagens que recebera e dessa forma quase deixou ele cair, assim como o pote que segurava, quando ouviu a porta abrir e o fitou, tendo que fazer um movimento brusco para pegar os objetos no ar e se equilibrar ao mesmo tempo.

    Se recompondo em outro movimento rápido e bruto, piscou e franziu o cenho vendo ele se afastar só de toalha, os músculos de suas costas expostos e molhados, o tecido justo em seu quadril marcando perfeitamente a curva de sua bunda. Sequer percebeu que encarava com os olhos ligeiramente arregalados, mas quando deu por si agradeceu mentalmente o fato dele estar de costas e não ter visto a forma como secou sua bunda. A noite tinha começado bem. Suando frio, engoliu seco entrou no quarto com o coração a mil, tentando se recompor. Aquilo não era nada. Nada.

    Você não precisa forçar a barra me receber seminu pra me seduzir não cara, é mais fácil que isso... Disse alto num tom de zombaria, dando uma risada debochada em seguida como se não fizesse a menor diferença. Fazer pouco caso da própria situação e rir ao fingir não se importar era o tipo de reação involuntária que acabava tendo em momentos como aquele, ainda que no fundo estivesse tendo uma mini parada cardíaca de nervoso. Deixando os pertences em cima da cama, respirou fundo e passou a mão no rosto com força enquanto contava até dez. Estava tudo bem.

    Mas então Nero saiu do banheiro e o loiro finalmente reparou em algo além das nádegas alheias. O. Que. Você. Fez. Com. O. Seu. Cabelo?!? Questionou entredentes depois de alguns segundos em silêncio, praticamente voando para cima dele. Levando ambas as mãos as laterais de seu rosto, o segurou com força e balançou sua cabeça em várias direções com certa brutalidade, vendo o corte de perto e sacudindo o maior no processo. O que você feeeeeeez... Nero... Choramingou, fitando o outro com um bico e então o empurrando para longe, mudando a expressão para irritação no segundo seguinte. Também não precisava fazer essa atrocidade pra me fazer broxar e desistir de você. Zombou novamente, cruzando os braços e o fitando de nariz empinado, como se estivesse ofendido pelo corte de cabelo. Obviamente ele continuava um deus grego como sempre, o corte deixando ele até mais jovial, mas Heike tinha uma paixão secreta e especial pelas mechas longas dele. Sempre tivera vontade de acariciar os fios longos, afundar o rosto neles, penteá-los e prendê-los, mas agora com os sonhos despedaçados encarava as pontas repicadas com desaprovação. Havia notado os brincos também, como poderia não notar qualquer diferença nele?
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Sab Abr 25, 2015 6:13 pm

    Não sabia qual seria a reação de Heike ao seu novo corte de cabelo, mas não se surpreendera de forma alguma ao perceber a violência em suas ações. As mãos em seu rosto, balançando sua face de um lado a outro, assim como as palavras que mais pareciam um rosnado, tudo parecia apenas divertir Nero, que precisara segurar o riso, tentando evitar qualquer nova ofensa ao mais novo - já havia ofendido-o o suficiente com seu cabelo, pelo visto.

    Porém ao notar o rapaz se afastar naquele tom choroso, os lábios em um bico temporário, Nero repensou um pouco as próprias ações, achando que talvez tivesse ido longe demais... Ainda que não fizesse sentido algum basear suas opiniões sobre a própria aparência nas de Heike. Piscou, sacudindo levemente a cabeça, antes de abrir um sorriso pequeno. Você está bem bipolar hoje. Estou tentando te seduzir ou te fazendo broxar? Sua diversão não durou muito, no entanto, as próprias mãos seguindo aos cabelos, tentando arrumar os fios úmidos de forma frustrada; ainda levaria um tempo para que se comportassem no corte novo. E-Está tão ruim assim? Seu olhar fora quase como que um de cachorro na chuva, ao que fitou Heike, a expressão levemente hesitante, em uma farsa bem forjada pelo moreno.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Ter Abr 28, 2015 8:59 pm

    Bla-bla-blá, vai se ferrar. Resmungou quando ele finalmente se pronunciou, engraçadinho demais para o gosto de Heike. Apesar da aparente irritação, o rapaz agradecia mentalmente pelo moreno também fazer graça com a atração que Heike sentia, como se não fosse nada além daquilo: uma simples atração física que não faz diferença nenhuma. Rindo soprado ao sentir um aperto no peito, ignorou tal coisa e o fitou descrente com a cara que ele agora fazia.

    Pegando seu travesseiro, bateu com toda a força em sua cabeça num golpe rápido, dando uma gargalhada ao ver o objeto cair e revelar os fios escuros e agora curtos apontado para todos os lados em consequência a violência. Diminuindo as risadas, se aproximou para ajeitar a bagunça que havia feito, arrumando as mechas com naturalidade enquanto resmungava. Como se você pudesse ficar ruim de qualquer jeito, pff. Então acabou piscando ao se dar conta do que havia falado, prendendo a respiração por um momento e o fitando de perto. No final apenas deu um tapa sem força em seu rosto e se afastou, pegando o pote em cima da cama. Na verdade tá péssimo, se ferrou. Mentiu, ignorando o rosto quente.

    Sem perder mais tempo estendeu o pote na direção do amigo, se sentindo meio sem graça sem real motivo. Sei que tu que é o cozinheiro prendado da parada, mas fiz uma coisa pra você. Cê ta sempre me alimentando, então quis retribuir... Mini cupcakes de brownie com cobertura de ganashe estavam bem organizados lado a lado num molde dentro do recipiente, e o jovem estava orgulhoso por ter conseguido fazer aquilo depois de horas na cozinha aturando seu pai. Não tinha feito sozinho é claro já que nunca tinha cozinhado, principalmente doce, mas ao menos tinha tentado.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Ter Abr 28, 2015 9:33 pm

    Quase grunhiu de frustração ao perceber que todo o seu trabalho arrumando o cabelo havia sido em vão. Heike fora tão adorável quanto sempre, e conseguira o deixar levemente zonzo com o golpe na cabeça, além de realmente infeliz por saber que seus fios apontavam para todos os cantos possíveis, rebeldes como eram quando curtos. Bufou, o olhar irritadiço guiado à face divertida do loiro, a audição reconhecendo a risada alheia como uma afronta direta a si, e à qual engoliu ao perceber ele se aproximar e arrumar a bagunça que fizera. Ao menos tinha um pouco de decência sob aquela cabeleira loira.

    No entanto, sua singela irritação se perdeu para um suave constrangimento. Não esperava que o mais novo fosse o elogiar daquela forma. E, pelo visto, nem mesmo Heike acreditava ser capaz de fazer tal coisa. Podia ver pelo olhar alheio que ele havia falado sem pensar, o que apenas deixava Nero ainda mais envergonhado, por mais que sua expressão pouco se alterasse. Fora com alívio que sentira aquele tapa em sua face - parecia quase como uma forma de acordá-lo para realidade -, antes que o menor se afastasse. E, com a ofensa, não resistiu a resmungar algo inteligível em resposta.

    Surpresa fora o novo sentimento que invadira seu corpo, pouco antes que a felicidade surgisse para se misturar e fazer com que Nero abrisse um sorriso mínimo, mas agradado. Heike havia mesmo se dado ao trabalho de cozinhar algo para si?! Aquilo o deixava realmente animado. Sendo uma pessoa que adorava a arte de preparar alimentos no geral, além de um conhecedor nato das dificuldades de se fazer algo pela primeira vez, não podia deixar de reconhecer o esforço alheio e sentir-se lisonjeado por poder provar algo feito pelo amigo. Obrigado, Heike! Isso é muito... Muito legal de sua parte! E nem sabia como mostrar que estava realmente contente, uma risada escapando brevemente de seus lábios. Me conquistar pela barriga é o caminho mais fácil, então está indo bem. Sua mão grande se enfiou nos fios loiros, bagunçando-os levemente, sem que sequer notasse que sua frase - a qual dissera sem qualquer maldade, focando apenas na amizade dos dois -, possuía uma interpretação dúbia.

    Com um assobiar contínuo, em um ritmo aleatório, deu um tapa suave nas costas do menor e apontou a saída do quarto. Queria comer os doces de imediato, mas tinha a impressão de que ficariam muito melhores com um copo quente de café para acompanhar. Fora isso, também queria presentear o mais novo com a própria culinária, e haviam tantas coisas boas para se comer naquele dia, que se perguntava se valia realmente gastar parte do tempo de mastigação com o olhar preso em uma legenda qualquer. O que iremos assistir? Perguntou, seus passos cessando ao que deixava o pote sobre a mesa, o corpo grande se dirigindo a passos preguiçosos até a pia, onde lavou as mãos e se ocupou em preparar o líquido preto. E você aceita café, certo?
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Abr 29, 2015 12:56 am

    Heike quase suspirou em felicidade e alívio ao ver o moreno abrir aquele sorriso ao pegar os doces, retribuindo o sorriso de modo ainda mais orgulhoso depois do agradecimento que recebeu junto aquela risada. Porem a expressão se fechou assim que escutou o que ele falou, franzindo o cenho e o fitando com certa confusão por meio segundo. Aquilo era brincadeira? O tom de voz dele não parecia ser irônico, então Heike tentou evitar com que a irritação crescesse no peito. Tudo bem ele fazer graça as vezes para descontrair e quebrar o clima, era ótimo, mas aquilo foi meio..? O jovem estava falando sério quando disse que gostava dele e por mais que estivesse tentando esquecer os próprios sentimentos, se ele começasse a exagerar rindo de si era sacanagem. De toda forma, sabia que Nero não era nenhum babaca, então resolveu não pensar mal, ignorar. Desviando o olhar, deu um tapa em sua mão ao ter o cabelo bagunçado e mandou ele se ferrar com um grunhido, então suspirou, arqueou a sobrancelha e acenou com a cabeça se guiando para fora do quarto.

    Achei que já tivesse alguma coisa em mente, imbecil... Quero algum de terror, acho melhor. Disse ao que se sentava sobre a mesa ao lado do pote e se ocupava com o celular, distraído procurando recomendações na internet. Aham, bem forte.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Dom Maio 03, 2015 2:47 pm

    Bem forte... Nero repetira baixinho o pedido alheio, mais para que mantivesse aquilo na memória, enquanto recolhia o pó e enchia a jarra da cafeteira com água - fazia aquilo para medir quanto prepararia. Ocupado em fazer a bebida, por segundos viu-se levemente distante dos primeiros dizeres do loiro, quase como se não tivesse absorvido a resposta para sua própria pergunta. No entanto, não demorou muito para que lançasse um olhar de esguelha para Heike, a expressão torcida em uma suave careta. Terror?!

    Nero possuía um medo singelo de várias coisas: Não gostava muito da ideia de andar no escuro às três da manhã, nem de ler contos de terror à noite quando sozinho. Também não gostava de sair para o jardim quando todos estavam dormindo, ou, se precisasse, não saía sem ter uma chave em um dos bolsos - nunca se sabe quando um espí- vento forte pode fechar a porta sem querer. Não era muito fã de matar aranhas, já que sentia que fosse ser amaldiçoado se o fizesse, e preferia correr dos jardins ao ver joaninhas a ficar e tirar uma foto pro instagram. Mas, a verdade era que não gostava muito de filmes de terror em geral, por simplesmente ser difícil achar um que valesse à pena ver.

    Será que tem algum bom? A pegunta escapara em um tom descrente, enquanto servia o café recém feito em duas canecas. Somente sentara diante do mais novo quando conseguira fazer um desenho com creme em uma delas, um riso breve escapando dos lábios, já que uma ovelha brava fora desenhada em homenagem ao amigo - tinha pego a mania de fazê-lo desde que descobrira que ele era de áries. Empurrara o recipiente para seu dono junto a uma vasilha de vidro repleta de cubos de açúcar, para caso ele desejasse adoçar o líquido - o que, suspeitava, não pretendia fazer. E logo estava abrindo o pote com o que havia trazido para si. Normalmente eles têm um plot muito fraco, até um medroso como eu consegue assistir e dormir bem de noite. Não havia nada que impedisse Nero de dormir bem, na verdade.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Maio 06, 2015 12:18 pm

    O jovem não demorou a achar um site que tinha os filmes mais atuais e populares, então permaneceu distraído todo o tempo em que o maior preparava o café, sorrindo para si mesmo ao sentir aquele cheiro maravilhoso se espalhar pela cozinha aos poucos. Perfeito. - Então, parece que saiu um filme final do mês que foi uma superprodução. Eu concordo contigo, mas tão falando muito bem desse aqui, que tem mais suspense sabe?

    Pegou a caneca enquanto terminava de ler a avaliação do filme e quando finalmente desviou o olhar se deparou com uma ovelha zangada lhe encarando sobre o creme. Franziu o cenho e fitou o amigo com desinteresse. - Muito criativo você, devia fazer faculdade de artes, já te falei? - Apesar da ironia, o loiro abriu a câmera no celular e tirou uma foto silenciosamente, que iria para o álbum junto com os outros desenhos que o outro começara a fazer. Em seguida, pegou um cubo de açúcar e o quebrou no meio, colocando metade no café antes de tomar um gole.

    Com um suspiro satisfeito, inclinou-se sobre a mesa na direção dele e pegou um pouco de cobertura de um dos cupcakes com o dedo, levando aos lábios e praticamente gemendo pelo sabor amargo do chocolate, sorrindo divertido. - E eu acho que vou fazer gastronomia no seu lugar, que tal?
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Seg Jun 01, 2015 10:14 pm

    Por algum motivo, sempre se divertia com as ironias de Heike, e normalmente fazia o possível para incentivá-lo a soltar aqueles comentários ácidos típicos do mais novo. Era divertido, principalmente quando sabia o quão coração mole aquele rapaz era, ainda que sempre soasse agressivo. Deu de ombros aos comentários alheios, e quase estapeou a mão que roubava a cobertura do doce, seu pequeno tique com alimentos surgindo quase imediatamente. Ele deveria comer aquilo direito, não bagunçar algo tão bonito sem um propósito digno. É, acho que tá na hora de trocar de curso. Sou um artista nato, e estou longe de ser um cozinheiro tão bom quanto você. Atestou, logo após morder o cupcake e abrir um sorriso mínimo - o qual tomou o cuidado de limpar adequadamente, para não mostrar dentes manchados de chocolate. Está uma delícia, Heike.

    Poréém... Continuou, após terminar o doce, levantando da cadeira para mexer em alguns potes na cozinha, antes de voltar e depositar um prato com uma espécie de torta na frente do loiro, a fumaça indicando a temperatura levemente elevada da mesma. Vamos ver se você realmente acha que devo mudar de curso ao experimentar isso aqui. É torta de queijo, mas te garanto que nunca comeu uma igual. E, com uma piscadela, voltou a se sentar e tomou o celular das mãos alheias sem cerimônias, buscando ler a sinopse do filme que ele achara.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Ter Jun 02, 2015 3:34 am

    O ariano logo formou uma careta entre tirar sarro do maior e sorrir convencido, acabando por rir da situação em seguida ao que ele elogiava o doce. O humor voltou a ficar num radiante 100% positivo, afinal, estava esperando a aprovação do moreno de forma ansiosa desde que começara a fazer aquelas porcarias, visto que ele sempre cozinhava tão bem. Havia também a ânsia de agradar quem gostava, mas o loiro estava ignorando essa parte fervorosamente.

    Mas se o loiro achava que não podia ficar mais contente, estava enganado, logo o moreno se afastou e um cheiro extremamente delicioso se fez presente na cozinha. Os olhos foram levemente arregalados ao ver a torta ser colocada a sua frente e logo o rapaz grunhiu arrastado, fitando o outro de um jeito resignado. Você tem sorte de eu me exercitar mais do que faço qualquer coisa, ou ia te socar por tentar me deixar gordo assim. Resmungou sem se importar realmente de ter o celular tomado das mãos, sabendo que o outro iria apenas ver sobre o filme. Sem perder tempo, pegou o garfo e tirou um generoso pedaço da ponta. Uma risada ansiosa se fez presente quando viu o queijo escorrer e por fim o rapaz levou aos lábios, literalmente gemendo com o sabor. Não era fã de coisas doces e o moreno sabia disso, mas tudo salgado que ele preparava era sempre a melhor coisa que já tinha provado. Provavelmente Heike nunca se cansaria de ser alimentado por ele e sabia que o gosto em querer de alguma forma agradar a si apenas fazia com que gostasse de Nero ainda mais.

    Teve de conter um grunhido irritado ao se pegar pensando no outro de um jeito que não devia novamente, então balançou a cabeça e o fitou. Cara, vai se ferrar. Disse apenas, voltando a comer. Hm.. Sério, eu vou ficar gordo assim... Caralho. Murmurava enquanto mastigava rindo baixo. Aliás.. Me admira você não ser gordo, quando só faz coisa boa assim. Comentou antes de pegar outro pedaço, mastigando em silêncio por um momento enquanto o fitava pensativo. ... Se bem que com uma bunda do tamanho dessa aí, né... Provocou num murmúrio, desviando o olhar para a torta e rindo baixo.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Qua Jun 03, 2015 1:56 pm

    De onde essa fatia veio, tem muito mais. Fora o primeiro comentário do moreno, antes que uma risada breve escapasse de seus lábios ao ser acusado daquela forma. O que Heike diria ao descobrir que ainda tinha uma infinidade de lanches prontos para os dois? E que pretendia fazê-lo provar cada um deles durante aquela noite? Talvez acabasse criando a certeza de que queria engordá-lo, e até poderia bater em si, julgando o histórico do amigo. Porém, Nero nunca pensara em fazer algo do tipo, ao menos não até aquele momento.

    Com um breve olhar em direção ao loiro, e que lhe subiu por toda anatomia, tentou imaginá-lo com alguns quilos a mais, e chegou à conclusão de que ele ficaria extremamente fofo e, até, ainda mais parecido com as ovelhas que desenhava para ele. Enquando ainda o fitava, acabou sendo encarado de volta e quase caiu da cadeira no susto, sentindo-se levemente constrangido por ser pego daquela forma. Porém, não demorou para que estivesse rindo de novo, divertindo-se com os xingamentos direcionados a si. E isso até escutar o comentário sobre sua bunda, o que fez uma careta singela surgir em sua face, em uma reação involuntária para esconder o constrangimento, seu olhar descendo para o celular.

    Coma quieto e me deixe ler a sinopse, não tô conseguindo me concentrar. Grunhiu, em uma fingida irritação, antes que suspirasse pesadamente ao ler a última linha disponível naquela tela, e esticasse o dedo para deslizá-la, em busca do resto do conteúdo. Tudo que como vai para minha bunda ou meus peitos. Não resistiu a falar, colocando um tom divertido nas próprias palavras, mas que morreu ao que um acidente aconteceu. Fora um desviar breve do olhar, e um toque distraído, para que acabasse clicando em uma mensagem recém chegada no celular alheio. Heike, eu acho que... No entanto, antes que terminasse de falar, acabou dando de cara com seu nome marcado naquele conteúdo. Era Lavi a outra pessoa, e ele cobrava o comparecimento de Heike em uma festa, para que o loiro pudesse esquecer de si. Mas aquilo não era o que o incomodava mais, mas, sim, o fato de parecer que havia uma pessoa interessada em passar a noite com seu amigo... E não uma como a que passavam naquele instante.

    Fora quase involuntário fechar o aplicativo, e simplesmente largar o celular na frente do loiro, meio nervoso, e sem sequer entender o motivo da sensação ruim que crescia dentro de si. O gesto fora mais brusco do que pretendia, e acabou encarando o outro meio perdido, antes de sorrir amarelo e pedir desculpas, enquanto coçava a nuca sem jeito. Ahn, eu gostei do filme, vamos ver ele mesmo. Mentiu, afinal nem lembrava o que havia lido, mas apenas sentia-se impelido a entreter o outro imediatamente. Precisava manter Heike em sua casa, ele não podia ir para aquela festa. Decidira, sem pensar muito sobre seus motivos para agir daquela forma. Vamos pro quarto? A gente... Leva as comidas.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Jun 04, 2015 4:22 am

    Apenas resmungou qualquer coisa para o moreno entre satisfação e irritação pelo que fora dito, sabendo que provavelmente acabaria com aquela torta inteira em algumas horas. A sorte de Nero era que pelo menos o ariano tinha o metabolismo rápido e um apetite voraz pelas comidas que ele fazia. Não demorou para que sentisse o peso do olhar alheio, retribuindo com curiosidade ao que arqueava uma das sobrancelhas. Acabou franzindo o cenho ao que ele desviou o olhar rapidamente em seguida, então sorriu divertido, estranhando aquele comportamento até que ouviu ele mesmo se zoar. Percebe-se né. Retrucou com uma risada, passando os olhos pelo corpo dele de cima a baixo sem vergonha antes de voltar a atenção para a torta, se concentrando em terminar de comer o alimento antes que esfriasse completamente.

    Por causa disso acabou não percebendo o outro ficar tão sério de repente, o olhar de cores distintas preso a tela do celular. Hm? Questionou tarde demais ao que finalmente terminou de engolir o último pedaço da torta, vendo ele simplesmente jogar o celular em cima da mesa a sua frente, que deslizou até a beirada. Ficou em silêncio alguns segundos encarando o aparelho antes de virar o rosto para fitar o amigo. Você chama isso de gostar? Olha cara, sei que meu pai é rico e posso comprar quantos celulares quiser, mas se você quebrar o meu vai ter que pagar.... Com o corpo. Zombou, pegando o celular e rodando ele na mão uma vez antes de deixar uma risada arrastada escapar enquanto guardava o aparelho no bolso sem se importar muito. Vamo logo, se eu dormir no meio do filme é culpa sua que 'tá me entupindo de comida.

    Enfim levantou de onde estava, seguindo até a máquina de lavar embaixo da pia e depositando os utensílios ali onde já haviam alguns copos.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Qui Jun 04, 2015 10:29 am

    Desculpe... Seu murmúrio fora quase involuntário, em uma repetição das desculpas que já havia dado no momento em que lançou o objeto. Seus movimentos estavam um pouco mais lentos que o normal - por isso demorara demais levantando -, e um tanto desastrados, o que ficou visível ao que tentava separar alguns dos lanches em um pote, acabando por desmanchar alguns ou derrubar no chão. Um xingamente, e, enquanto limpava a própria sujeira, pegou-se pensativo. Por alguma razão, não conseguia tirar aquela sensação desagradável, mesclada à memória do texto de Lavi, de si. E estava tão perdido, que nem se prendeu ao significado das palavras de Heike, concordando com a cabeça e com um grunhido ao ser requisitado o pagamento do aparelho com o próprio corpo.

    Porém, sua mente processou, mesmo que devagar, e seu estômago pareceu revirar algumas vezes, antes que terminasse o que fazia, fechasse o pote e lançasse um olhar breve ao loiro distraído em outros afazeres. Naquele momento, a sensação incômoda pareceu mudar um pouco, fazendo-o sentir mais uma coisa à qual não estava acostumado, mas que o fazia levemente triste ao focar o mais novo. Que infernos, tudo que queria era passar um tempo com seu melhor amigo, não ficar confuso com coisas que nem entendia.

    Suspirou, pesadamente, antes de colocar o pote cheio de comida nas mãos de Heike, seu corpo voltando-se à geladeira, em busca de algo que pudessem beber. Refrigerante, suco... Ahn, cerveja? E desde quando havia bebida alcoólica ali?
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Jun 04, 2015 7:53 pm

    Arqueou uma sobrancelha diante daquele pedido de desculpas desanimado, então deu de ombros com uma risada. Eu tava brincando, imbecil. Disse estranhando ainda mais a lerdeza exagerada do moreno ao desperdiçar aquele monte de comida, deixando tudo aquilo cair no chão sendo que pelo menos no quesito alimento ele era a pessoa mais cuidadosa que tinha. Pensou em perguntar se estava tudo bem, mas deixou pra lá. Talvez ele estivesse com sono, não seria novidade para ele. Se você dormir durante o filme vai apanhar. Resmungou já assumindo que era aquilo mesmo, enquanto pegava dois copos no armário e alguns talheres, vendo que ele juntava mais comida para levar ao quarto.

    Pode ser refri, não to muito afim de álcool não. A não ser que você queira preparar alguma coisa especial. Sugeriu sem levar muito a sério, afinal não faria ele tabalhar quando tinha o dia de folga, mostrando a língua pra ele então e dando um soco leve em seu braço. Também não queria arriscar ficar bêbado perto dele, ou com toda a certeza as coisas não terminariam bem. Vamo ver logo essa porcaria de filme, anda grandão.

    Sem paciência já, passou na frende dele pegando uma garrafa de guaraná dentro da geladeira e saiu na direção do quarto carregando tudo aquilo sem esperar ele.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Qui Jun 04, 2015 8:55 pm

    Sabia que estava agindo estranho o suficiente para Heike perceber, porém ao escutar a ameaça alheia, sentiu-se levemente constrangido. Não gostava de demonstrar as coisas que sentia, e, muito menos, quando sequer sabia o porquê de as estar sentindo. Além, via-se como uma pessoa estúpida naquele momento, afinal, havia convidado o loiro para que tivessem uma noite divertida depois de tudo que acontecera. Ver um filme, comer, conversar, era tudo que precisava fazer para que aquilo desse certo, mas tinha a impressão de que estragaria tudo com aquele excesso de sensações negativas. Assistiu o menor tomar a dianteira e recolher as coisas, assim como a bebida de sua preferência, e, sem ao menos respondê-lo adequadamente, encolheu os ombros e fechou a geladeira, tratando de pegar o pote restante - o que heike trouxera -, antes de seguir para o quarto atrás dele.

    Enquanto caminhava, Nero não resistiu a encarar o mais novo mais uma vez, aproveitando que não era visto. Ao que o fazia, sentia uma leve ânsia, sua imaginação colocando mãos diversas sobre o corpo do menor, mãos desconhecidas. Sabia muito bem que Heike tinha experimentado aquilo antes, provavelmente muito mais vezes do que Nero, mas, ainda assim, não gostava da ideia. Mesmo que aquilo não lhe dissesse respeito. Mesmo que o outro não fosse nada além de seu amigo.

    Heike, você pode colocar o filme? Eu... Vou ao banheiro rapidinho. O moreno começou, assim que abandonou o pote de cupcakes sobre a pequena mesa que havia em seu quarto. E não esperou resposta para se retirar rapidamente para o banheiro acoplado ao cômodo, a porta fechando em um baque suave - não queria mais atrair a atenção do outro -, antes que abrisse a pia e praticamente afundasse a cara na água. A tentativa de afogamento não funcionou, obviamente, mas, conseguiu melhorar a própria expressão e acordar um pouco para a realidade. O que você está fazendo? Murmurava para o próprio reflexo, os olhos estreitos em uma crescente raiva contra aquele otário à sua frente. Se comporte.

    Suspirou, enxugou o rosto e tentou ajeitar os fios que acabara molhando sem querer em seu desespero, antes de finalmente sair e voltar a encarar o loiro. Provavelmente agiria melhor daquele momento em diante, e esperava que o menor não tivesse percebido o quão estranho estava até então. Abriu um sorriso mínimo e se jogou de bruços sobre a cama, sem deixar qualquer espaço para o outro de propósito, enquanto fitava a tv com curiosidade. Conseguiu?
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Jun 04, 2015 10:13 pm

    Chegando no quarto, depositou o refrigerante no chão ao lado da cama do moreno e as coisas sobre o espaço livre no criado mudo com cuidado para não derrubar nada, assentindo distraído ao pedido do outro para colocar o filme e na própria ignorância sem sequer perceber que o que quer que ele tinha persistia ainda, que na verdade era o motivo dele se refugiar em outro cômodo. Assim, seguiu até o notebook dele que já estava ligado perto junto a televisão e tratou de procurar o filme escolhido com velocidade.

    Não foi difícil achar já que estava bem famoso e havia saído do cinema a algumas semanas, e com a internet boa do local não demorou muito para baixar e arrumar a legenda, que foi tempo o suficiente para o moreno sair do banheiro e se jogar na cama de um jeito esparramado e preguiçoso sem deixar lugar para o ariano. Yep. Pausando no início do filme, pegou o controle, apagou a luz e parou em frente a cama ao que encarava ele com a expressão ligeiramente emburrada.

    O coração estava acelerado, mas conseguiu ignorar tal detalhe ao que subia sobre o outro e se sentava em cima de suas costas deixando o corpo cair sobre o dele de um jeito pesado, apoiando-se contra a parede também para ter apoio. Você é grande, mas isso não é exatamente confortável sabe? Sai daí e me dá espaço pra gente ver o filme. Riu-se, cutucando sua cintura com força o suficiente para machucar, visto que ele não se movia. Tó, só dar play aí. Resmungou, jogando o controle em sua cara e fitando com curiosidade os fios curtos levemente molhados em algumas partes ainda. Acabou por não resistir e levou os dígitos esguios até as mechas, brincando com as pontas espetadas e entrelaçando-as distraído. Ainda tinha que se acostumar com aquele visual, ia ser difícil desapegar de todo o cabelo que ele tinha antes, já que era tão cheio e comprido. Anda logo seu inútil.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Qui Jun 04, 2015 10:56 pm

    Nero, em sua provocação infantil, não moveu um milimetro sequer ao ser encarado por Heike. Ao contrário, e ainda se esforçando para ignorar o incômodo que vinha carregando, apenas o encarou com o olhar mais inocente possível, como se não entendesse o porquê de estar sendo observado daquela forma. No entanto, ao perceber a intenção do loiro, e sentir seu peso sobre si, deixou um grunhido escapar dos lábios, ao qual não soube definir se era uma reclamação ou um pedido de socorro.

    O contato entre os corpos não era algo que esperava, ao menos não daquela maneira. Não imaginava que o outro sentaria sobre si. No máximo, imaginava ser empurrado ou agredido, ou qualquer outra coisa do tipo, e a qual não envolvia o peso do corpo menor sobre o seu, impedindo sua respiração por mais de um motivo. E não percebeu de imediato, mas estava levemente corado. Com o coração batendo descompassado no peito, o moreno tentou se desviar dos cutucões, sua face se escondendo contra o travesseiro, enquanto deixava a voz escapar em reclamações ininteligíveis. E sacudiu o próprio corpo ao sentir o controle bater contra seu rosto, em um gesto violento natural de seu amigo.

    Porém, por mais que estivesse lidando bem com aquela situação até aquele momento, Nero não conseguiu fazer mais do que enrijecer o corpo ao sentir os fios tocados daquela forma pelo menor. Era uma sensação suave, mas agradável. Tão boa, que o moreno sentiu-se relaxar no instante seguinte, e um suspiro escapou antes mesmo que pudesse se conter. Piscou, ainda que não fizesse diferença na escuridão do seu esconderijo, e demorou uns momentos até se dar conta da situação e de como aquilo não deveria acontecer. Então, em um gesto um pouco desajeitado, ainda que calculado o suficiente para não causar acidentes, começou a erguer o corpo, levando o loiro consigo. Hm, acho que isso não está funcionando?!
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Qui Jun 04, 2015 11:41 pm

    Ao sentir o moreno enrijecer quando começara a fazer aquele pequeno carinho em seu cabelo, Heike se deu conta do que fazia e tirou a mão de lá quase como se levasse um choque, corando furiosamente de um jeito que nem mesmo a pouca iluminação seria capaz de disfarçar. O que estava fazendo, sério? Tocando o outro daquele jeito, em cima de seu corpo no escuro. Tudo bem que era um toque inocente, mas desnecessário considerando tudo que tinha acontecido entre ambos.

    Mordendo o lábio inferior, deixou uma risada sem graça escapar e então ele começou a se levantar, surpreendendo o loiro que acabou se desequilibrando com a movimentação súbita e caindo para o lado, tendo que se apoiar com os braços. O problema para ele era que no caminho só havia a bunda do moreno e quando percebeu ter as mãos apertando a superfície macia coberta pela calça deixou uma exclamação surpresa escapar, resolvendo então dar um fim naquilo, pulando de cima de seu corpo para fora da cama e deixando ele se ajeitar.

    Estalando os dedos num gesto nervoso, quis fingir que os últimos três minutos não tivessem acontecido e riu. É..! É. Isso que dá, ser um folgado e ocupar a cama inteira. Disse forçando outra risada e socando seu braço com força. Chega.. De enrolar, vamo ver esse filme logo. Disse rápido, pegando o controle e dando play de uma vez para não haver protesto e nem chance de sequer continuarem a pensar. A vergonha que sentia no momento era palpável, então pigarreou e se sentou no espaço que ele liberou, sabendo que as próprias ações só tinham deixado tudo mais embaraçoso. Era um imbecil.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Sab Jun 06, 2015 1:46 am

    Seu plano era apenas tentar disfarçar seu constrangimento dando um susto em Heike ao se erguer daquela forma, mas tudo que conseguira fora uma quantidade relativamente maior de sangue em sua face, enquanto sentia as mãos do mais novo firmes em seu... Hm... Traseiro. Quando fora que assinara o contrato de inutilidade, como conseguira nascer tão incapaz de fazer algo certo e por que tinha que passar tanta vergonha, quando tudo que queria era assistir um filme? Não sabia, e, pelo visto, não teria uma resposta concreta de quem quer que fosse, então apenas acreditaria não ter sorte alguma na vida.

    Incrível, estava se tornando muito mais dramático que seu ex-melhor amigo.

    Ao ser liberto do peso do loiro, Nero moveu o corpo rapidamente, e sentou de forma muito mais comportada que o necessário, os olhos fixos num ponto qualquer na parede à sua frente, ao que deixava um riso baixo escapar, fazendo companhia ao de Heike, tão desconfortável quanto. Deslizou a mão pelo local que fora socado, perguntando-se como uma pessoa com tamanha força conseguira fazer um carinho tão suave em seu cabelo, e quase grunhiu em frustração ao perceber-se pensando em algo que não deveria, mais uma vez. Aquela noite seria complicada, e demonstrou sua falta de coragem para enfrentá-la, ao se afundar mais na cama macia.

    Seus olhos se focaram no filme, assistindo a entrada do mesmo sem muito interesse inicial. Sua mente ainda divagava, perdida nos mais diversos pensamentos, dando voltas e voltas, até parar em algo que trouxera um singelo incômodo a si. Se estava se sentindo tão incomodado e constrangido, como Heike deveria estar? Ele que havia dito que gostava de si, e acabara em posições não muito confortáveis naquela noite. Ao menos, não eram confortáveis mentalmente, imaginava, mas talvez... Pudesse fazê-lo relaxar se tratasse aquilo como um incidente divertido? Deveria arriscar? Hm... Heike? Começou, fitando-o seriamente por alguns instantes, esperando ter a atenção do loiro, antes de enfim voltar a se pronunciar, ainda sério, mesmo que o conteúdo de suas palavras não seguisse a mesma linha. Fui aprovado?
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Sab Jun 06, 2015 5:55 pm

    A tensão no quarto era grande demais até mesmo para alguém tão desligado dessas coisas quanto Heike, então o jovem se contentou em sentar-se bem afastado dele, abraçando as próprias pernas e apoiando o queixo sobre os joelhos ao que continha um suspiro pesado. Era difícil não se xingar mentalmente depois daquilo, mas o loiro permaneceu imóvel e em silêncio ao que tentava prestar atenção a medida que o filme começava.

    Teria continuado da mesma forma por todo o filme tamanha era a vergonha que sentia, e sabia que era bobeira, até que minutos depois Nero se fez ouvir novamente num timbre tão sério que teve de repetir a pergunta algumas vezes na cabeça para entender do que é que ele estava falando. Quando finalmente caiu a ficha, o rosto adquiriu uma tonalidade escarlate a medida que se arrepiava completamente e o encarava sem expressão alguma. Desculpa cara, só vou saber responder melhor mesmo depois que esfregar meu pau na sua bunda, em vez das mãos. Disse de forma ácida e irônica, pegando o travesseiro atrás de si e socando ele com toda força na cara alheia num movimento brusco, seguido de várias agressões ligeiramente mais fracas. Estava tentando ficar sério enquanto batia nele, afinal estava um tanto irritado, mas logo se viu rindo, e então gargalhando em poucos segundos.

    ... Ridículo! Imbecil..! Você é muito... Arg! Dizia pausado enquanto batia o travesseiro nele, sem conseguir parar de rir. Não sei.. Como fui gostar de um animal feito você, cruzes...
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Sab Jun 06, 2015 7:05 pm

    Qu...? Nero começou, sem saber exatamente o que responder após as palavras alheias, ainda que mantivesse a mesma expressão séria de antes. Porém, sua distração o fez perder o momento inicial do ataque do loiro, e, sem que realmente tivesse tempo de perceber o que acontecia, viu-se caído na cama, a face sendo agredida tantas vezes que chegara a perder as contas - mesmo que nunca tivesse começado a contar.

    Somente conseguiu reagir dignamente quando o outro começara a falar, os golpes mais fracos indo de encontro a um dos seus braços, o salvador da face que já estava levemente dolorida graças aos ataques anteriores. O riso alheio fez o corpo grande relaxar um mínimo, e não se importava se o outro pensava mal de si naquele momento, apenas não queria que o clima estranho se mantivesse. Não era agradável para si, e, sabia, nem para o seu agressor. Ei, eu sei, mas, ei...! Tentava se pronunciar, entrecortado às travesseiradas. - Taí uma boa pergunta... - E, antes que fosse atingido novamente, bateu com força no objeto, impulsionando-o contra as mãos alheias. Você realmente tem muito mau gosto.

    Um sorriso surgiu nos lábios de Nero, largo, enquanto fitava o mais novo de baixo, os olhos levemente apertados tanto pelo esticar dos lábios, quanto pelo medo de ser agredido mais uma vez - fosse pelo travesseiro, ou por qualquer outra "arma" que o outro pudesse encontrar. Seja gentil com seu anfitrião. Murmurou, por fim, com a respiração descompassada graças às agressões.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Sab Jun 06, 2015 8:50 pm

    Acho que eu tenho mesmo. Disse num tom agressivo em meio as risadas, quase como se tivesse ofendido depois de ter o último golpe defendido daquela maneira. Ajoelhado sobre a cama e ofegando pela movimentação toda, rodou os olhos e riu soprado por fim, batendo o travesseiro uma última vez em sua barriga e deixando-o ali mesmo. Logo cutucou o moreno para que se ajeitasse numa posição melhor para o lado e então deitou sobre sua barriga de modo propositalmente brusco, como numa pequena vingança por ele ser tão idiota.

    É... Gentil o caralho. Resmungou num fio de voz, cruzando os braços e fitando a televisão onde o filme já se desenvolvia. Alá idiota, a gente perdeu o início por sua culpa. Suspirou forçado e exagerado, como se estivesse realmente incomodado com tal coisa, então virou-se um pouco e o fitou, deixando um sorriso ladino brincar nos lábios. Sim, ele era um tremendo imbecil e um tremendo insensível, mas pelo menos o clima não estava mais estranho e ambos estavam mais confortáveis novamente na presença um do outro. Logo voltou o olhar para o filme de um jeito distraído, sem realmente prestar atenção no que acontecia enquanto pensava que estava tudo bem. Se era pra esquecer ele, o melhor jeito era agir como se nada daquilo realmente importasse. Manter o clima leve entre ambos.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por taurusnero em Sab Jun 06, 2015 9:42 pm

    Enquanto se arrumava para ficar da maneira que Heike lhe indicava, Nero deixou um "finalmente assumiu" escapar quase por completo, já que o final fora mudado para um som agonizante, ao que fora agredido na barriga pela cabeça dura do amigo. Grunhiu, desgostoso, mas não moveu um músculo sequer para afastá-lo. Gostava da sensação de tê-lo daquela forma, ainda que sua mente voltasse a se bagunçar loucamente com o retorno dos pensamentos de mais cedo. Tentou abafá-los, ignorando os sons em sua cabeça, para que pudesse retribuir o sorriso do loiro.

    No entanto, quando Heike voltou a fitar a televisão, o sorriso sumiu dos lábios do moreno, seus olhos teimando em continuar focados no que podia ver do outro rapaz - o mais disfarçadamente possível, claro. Perguntava-se o que o menor vira em si, o que o levara a gostar de alguém tão... Sem graça, quanto o era. Havia pessoas que estavam interessadas nele, provavelmente muitas, e ele escolhera se interessar logo por uma que não sabia retribuir seus sentimentos, e não tinha a melhor das personalidades. Suspiraria, se o gesto não fosse ficar óbvio para mais novo, então apenas cerrou os olhos levemente, percebendo-se aproveitar o perfume alheio, enquanto fitava a televisão de forma distraída.
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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

    Mensagem por Heike_Walker em Sab Jun 06, 2015 11:02 pm

    Heike não estava sentindo nenhuma vontade de ver aquele filme. Mesmo que estivesse tão animado antes, de poder fazer isso e fortalecer a amizade com o moreno depois de tudo o que tinha acontecido, simplesmente não conseguia se concentrar. Estava otimista de que iria esquecer ele, mas não conseguia tirá-lo dos pensamentos de forma alguma. Sempre que se dava conta tinha esquecido completamente do filme, o que contribuía para que continuasse não vendo, afinal perdia o interesse muito fácil nas coisas principalmente se não entendia o que estava acontecendo. E tudo só piorou ainda mais quando depois de longos minutos em silêncio e imóvel, Heike sentiu um peso no topo da cabeça ao que começou a ter os fios claros acariciados pelo amigo.

    Prendendo a respiração, o jovem mordeu o lábio inferior e fechou os olhos ao que se contia para que não acabasse roçando a cabeça contra a mão em busca de mais carinho. Aquilo era ridículo.

    Por que ele estava lhe fazendo isso? Daquele jeito tão íntimo, ambos ainda não tinham chegado nesse nível de amizade em que podiam se tocar dessa forma prolongada sem problemas. Heike estava tentando, mas ainda não tinha chegado lá, era demais sendo que o sentimento que nutria por ele era tão presente ainda. Mesmo que o loiro soubesse que o outro não fazia as coisas por mal, era até cruel o modo como ele agia. E se sentia ainda pior pois sabia que escolhendo ficar ao lado dele como amigo, sequer tinha o direito de se sentir mal com essas coisas. Sentiu os olhos arderem e continuou em silêncio, tendo esquecido completamente o filme, apenas apreciando o contato ao mesmo tempo em que o repudiava. O calor abafado do quarto agora, junto ao cheiro do maior, sua presença tão forte e marcante impossível de ignorar... Heike não estava conseguindo pensar direito. Como alguém podia ficar tão relaxado e tão tenso ao mesmo tempo? Talvez acabasse dormindo ali sobre ele. Muito provavelmente acabaria assim.

    Porém acabou saindo um pouco do transe em que se encontrava quando sentiu o outro interromper o carinho e a mão pesar ainda mais sobre o couro cabeludo. Piscou, tentando focar o filme e não entendendo nada do que estava acontecendo, se perguntou quanto tempo tinham ficado daquele jeito, se perguntou se o moreno tinha notado como estava e tinha parado por isso. Hesitante, inclinou um pouco o rosto na direção dele e percebeu que ele estava de olhos fechados, com o rosto virado em sua direção.

    A julgar pela respiração pesada, o jovem não demorou a entender que ele tinha dormido. Devia acordar ele? Provavelmente sim, provavelmente deveria agredir ele de novo e fazer com que prestasse atenção no filme. Seria uma hipocrisia, já que Heike não estava dando uma foda para a televisão, mas não era como se ligasse para isso. Com cuidado afastou a mão dele e se sentou na cama, observando-o com atenção. Não iria acordar ele, no fundo não queria. Aquela expressão serena e pacífica não merecia ser estragada por causa de um filme idiota. Talvez devesse aproveitar a situação e tirar uma foto? Estava traindo a si mesmo por pensar numa bobeira dessas e acabou rindo internamente por tal coisa, mas a vontade permanecia. Por que tinha se apaixonado por ele? Por que ele era assim? Por que não retribuía? Se pelo menos ele fosse um babaca e não tivesse uma personalidade tão... Perfeita a seu modo, Heike poderia ter transado com ele na primeira noite em que se viram mesmo e teria superado aquilo rapidamente. Ou teria pelo menos levado um fora, mas terminaria ali da mesma maneira. O rapaz só queria ter algum alívio desse sentimento que pesava tanto no peito, mas honestamente, por mais que continuasse mentindo para si mesmo tal coisa parecia completamente impossível e admitia isso. Como poderia superar ele?

    Inclinando-se para mais perto um pouco, levou a mão a seu cabelo da maneira mais suave que conseguiu e colocou uma mecha caída a frente do rosto para trás da orelha, para que pudesse admirá-lo melhor. Por que tinha que ser tão difícil? Guardou na memória cada pequeno detalhe de seu rosto e por fim os olhos escuros se fixaram nos lábios fartos ligeiramente entreabertos. Passara meses morrendo para poder beijá-lo, para ter qualquer chance. E agora ele estava bem ali a sua frente.

    Um pensamento passou pela cabeça de Heike que o fez corar e o coração acelerar, e piscou sem conseguir desviar o olhar dele. Talvez... Talvez pudesse matar a vontade que sempre teve. Ninguém saberia, certo? Nem mesmo o próprio Nero, se tivesse cuidado o suficiente... E talvez matando aquela vontade veria que o outro não era nada de mais e seguiria em frente. Se agarrando aquela mentira, sabia disso, se aproximou cada vez mais do outro. Logo já podia sentir sua respiração quente contra o próprio rosto e um arrepio intenso percorreu a coluna, nervoso em uma mistura de medo e expectativa ao se arriscar daquela maneira. Sem pensar mais para não acabar desistindo, semicerrou os olhos e roçou uma boca a outra num gesto tão fraco que mal podia ser sentido.

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    Re: [#26] Portas e ovelhas homoafetivas

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