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    [#27] Arthemis não pode ter gatos

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    Harold Wilhelm
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    [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Jun 04, 2015 2:34 pm

    Aquela semana havia começado da pior maneira possível. Já teve dias ruins, claro. Mas nada que pudesse abalar a compostura sarcástica e arrogante do albino. Exceto naquela vez. Foi na manhã do domingo daquela semana que havia brigado com sua irmã por alguma razão que já sequer se lembrava mais, mas como todas as brigas dos dois, não era nada escandalizado e se resumia apenas em desentendimentos de quem tinham valores interpretados de formas opostas. Arthemis evitava ao máximo discutir com ele, pois ela sabia que não era fácil mudar sua opinião. Da mesma forma, Harold há alguns anos já havia parado de tentar contra-argumentar com a irmã, que também era tão cabeça-dura quanto. Dois capricornianos discutindo, não poderia ser diferente, é claro. Mas era algo tolo e descartável, que ambos esqueceriam depois de poucos minutos.

    Se nada tivesse acontecido depois.

    Já era sábado e como sempre, o albino sempre tentava resolver seus problemas pessoais sem que ninguém soubesse que sequer existiam. Mas daquele jeito, sendo algo que não estava acostumado e até mesmo que não cogitava acontecer, mesmo que soubesse o que teria de fazer e o que não podia evitar, ainda assim restava um peso estranho. Um peso que ele não sabia se era na cabeça, nos ombros, nas costas, nas pernas. Um peso constante que ele sabia o que era, só não sabia que era capaz de sentir até então. Imprevistos não o abalavam, pois para Harold não existiam imprevistos. Erros acontecem sempre, sem que ninguém possa evitar, então aceitar a ocorrência destes de antemão, fica sempre mais fácil para lidar com eles se caso acontecessem. Teria sido um erro facilmente aceitado pelo rapaz. Um imprevisto que ele não se importaria, mesmo que não tivesse como corrigir. Mas não estava sendo bem assim, durante toda aquela insuportável semana, com aquele peso desgraçado em sua consciência. Se dar por derrotado também não era fácil para Harold. Não estava sabendo lidar com algo sozinho, pela primeira vez em toda sua vida calculista.

    A primeira pessoa a quem pensou em recorrer foi Zion. Mas no momento ele estava na faculdade até mais tarde. Não é como se tivesse aquele tipo de relação com Heike também, para se sentir à vontade de conversar daquela forma com o mais velho. Sentimentalismo não coexistia entre eles e realmente, só de pensar naquilo já fazia o albino querer rir. A opção mais viável, também não sabia se estava livre ou não, tendo um cotidiano movimentado e sempre muito ocupado. Tentou contatá-lo pelo celular, mas não atendia. Uma mensagem seria inútil. Pensou em desistir e que era frescura sua, conseguiria lidar com aquilo alguma hora. Ou não.

    Por via das dúvidas, quando percebeu, já estava no edifício onde Rin morava. O porteiro havia indicado que ele estava, pegando o telefone provavelmente para avisar ao mesmo que tinha visita. Harold só se dirigiu ao elevador e digitou o nove, escorando-se no espelho e permanecendo ali olhando para o teto, até chegar no andar selecionado. A porta do apartamento de Rin já estava aberta, sinalizando que ele tinha sido avisado mesmo, com Albi sentada próxima a saída, quase como se o estivesse esperando. Engoliu em seco ao olhar a gata e suspirou pesado, sentindo-se aborrecido e se achando ridículo por alguns momentos, antes de adentrar no lugar que bem conhecia. Fechou a porta e procurou brevemente pelo dono da casa, que estava na cozinha. Encostou-se no portal do cômodo, cumprimentando-o com um aceno.

    Está com tempo? Vou precisar te alugar um pouco, se puder. Eu... Preciso conversar.


    Última edição por Harold Wilhelm em Dom Jun 21, 2015 1:29 am, editado 1 vez(es)
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    Rin Damien
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jun 04, 2015 3:14 pm

    Felizmente, a parte mais conturbada do período de trabalho no hospital de Rin parecia ter se amenizado. Imaginava que alguma força maior tivesse tido pena de quão cansados os alunos pareciam ficar, ou talvez apenas fosse uma época de menor movimentação no hospital; só sabia que, com algum tempo livre, agora conseguia voltar ao outro trabalho, e ter dias mais livres para, ainda assim, estudar. Naquele sábado não fora diferente; com livros apinhando a escrivaninha do quarto e cadernos relevantes para o que precisaria, perdera a conta de quantas horas passara focado nos estudos quando fora interrompido por um barulho ao longe. O interfone do apartamento, sinalizando ou que o porteiro queria avisá-lo de algo, ou que tinha alguém ali. Esfregando os olhos por baixo dos óculos simples que usava quando a vista se cansava – comum, após tantas horas lendo letras minúsculas – levantou-se para ver o que era.

    Não era incomum Harold vir à sua casa, no entanto, normalmente ele avisava antes de aparecer. Supunha que ele próprio havia esquecido o celular em algum canto do apartamento durante aquela manhã, e talvez ele houvesse tentado. Ainda assim, não era comum o outro aparecer sem uma resposta, apesar de não ter certeza se seria por algo urgente ou simplesmente por querer visita-lo. Abrindo a porta de entrada e vendo Albi se aproximar curiosamente para ver quem vinha, decidiu ir para a cozinha preparar um café para os dois, visto que o que bebia anteriormente já havia acabado. Ao enfim ouvir a porta se fechado e passos direcionados à cozinha, virou-se para cumprimenta-lo, apenas para notar pelas palavras alheias que algo realmente estava errado.

    O albino não era de partilhar os sentimentos, ou quando algo o incomodava; era raro em si qualquer coisa o incomodar para além das reclamações imediatas. Os pensamentos vagaram pela mente do loiro, pensando se era um problema com o mais novo, consigo, com Arthemis, ou se algo pior havia acontecido. Sabendo que não conseguiria a resposta apenas o encarando, ofereceu uma das xícaras que acabara de encher, para logo após se sentar à mesa da cozinha. Um pequeno sorriso, gentil, se formou em seus lábios, tentando dar algum apoio ao outro, mesmo não sabendo se era do que ele precisava. – Aham. Pode sentar, estou ouvindo. – Notou pelo canto do olho que a gata branca seguira o maior para o aposento, e se aproximava sutilmente, como quem queria ver o que estava ocorrendo.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Jun 04, 2015 4:04 pm

    Respirou fundo, considerando até o limite de que seria melhor voltar atrás e dizer alguma imbecilidade para se passar por uma pegadinha sua com o loiro. Mas certo, seria estupidez chegar até ali com um propósito e desistir, quando não tinha nada a perder com aquilo. E Rin parecia disposto a ouví-lo. É, seria bom. Aceitou a xícara de café, terminando rapidamente seu conteúdo, por estar ligeiramente tenso. Mas o líquido quente e amargo era sempre um bálsamo para si, além de revigorante. Suspirou curto, sentando-se à mesa da cozinha, junto ao loiro. Era a primeira vez que desabafava e não sabia como começar. Ok, ser direto ao ponto parecia ser a melhor opção. Mas talvez fosse mal interpretado se jogasse tudo de forma direta e curta, como sempre fazia. Pela fama que tinha, é claro que não seria entendido pela forma mais incomum, que é a que estava ocorrendo. Começaria devagar, enchendo a xícara com mais café.

    Então... Eu e a Arthemis nos desentendemos no início da semana. Não sei se ela chegou a comentar com você, já que vocês trabalham e estudam juntos, mas ela tá bem puta comigo. — Coçou a nuca, sabendo que o que falava não era novidade nenhuma partindo de ninguém. Harold deixava todo mundo puto. — Certo, não sei fazer essas coisas... Eu só não estou gostando disso. Estou acostumado a provocar ela, você, Zion, todo mundo que eu conheço, certo? Mas tudo tem limites e até eu tenho noção. Eu vou até o abismo, mas não chego a pular dele. Eu sei bem até onde posso ir, para que tenha volta. Por isso normalmente eu não me importo. Eu conheço vocês o suficiente pra saber quando serei perdoado ou não, mesmo que... Ah, você sabe o que eu penso disso. De qualquer jeito... Eu não quis dessa vez, mas digamos que... Eu passei do limite, de não ter mais volta. E não tem como corrigir o que eu fiz. — Tudo o que dera até então parecia ser um discurso de auto-piedade. Mas em algumas palavras o albino até mesmo se enrolara. Não ficava nem um pouco à vontade se expondo daquele jeito, mesmo que fosse para Rin. Tentava somente explicar de um jeito que o loiro entendesse o ocorrido.

    Você conhece o meu histórico com animais. Não gosto deles, não gostam de mim. E você também sabe que eu já matei um gato da Arthemis antes. — Suspirou, jogando a toalha pra cima e resolvendo ser sincero de vez. — Não me arrependi daquilo. Nem um pouco. Eu detestava aquele bicho escroto. — Resmungou, franzindo o cenho e abaixando o olhar até encarar Albi. Que o olhava de volta, com os olhos azuis arregalados. Ficou um tempo admirando a felina, que parou de olhá-lo para dar um pequeno salto com as patas dianteiras e bater com a própria barriga no tornozelo de Harold. — Acho que por causa dela, do Nietzsche e da pulga peluda do Poe, eu comecei a simpatizar mais com gatos, pelo menos. Não ao ponto de virar cheirador que nem você e a Arthemis, mas... — Bateu a ponta dos dedos sobre a mesa, bufando, realmente inquieto.

    Esse domingo eu matei outro gato dela, atropelado também. O mais recente, um vira-lata listrado aí que ela pegou da rua. Nem sei como que aconteceu, pra ser sincero. Ela só chegou depois e achou que foi de propósito e... Dessa vez ela está muito puta comigo. Eu nunca a vi fazer aquela cara antes, nem quando... Sei lá. Me assustou, aquilo. E eu não queria ter estraçalhado o bicho, porra. Qual era o problema dele? — A última parte foi mais para si mesmo e saiu mais baixa, enquanto o albino desviava o olhar para um ponto qualquer na geladeira. Poderia dizer que estava cagando pra aquilo tudo, mas realmente não gostava quando as coisas saíam de seu controle. E principalmente, quando se tratava de sua irmã. Também não gostava de ser interpretado errado. Se era pra ser detestado, que fosse por algo intencional. Que Arthemis tivesse feito aquela cara quando tinha atropelado Astaroth. Que ela tivesse o odiado daquele jeito quando realmente tinha feito por onde. Aí sim, ele estaria pouco se lixando. Mas daquele jeito, não. Só... Não.

    De repente o gosto do café perdera todo seu agrado, fazendo o rapaz largar a xícara de qualquer jeito em cima da mesa, não sendo suficiente para derrubá-la ao menos. Em sinal de desistência, tirou os óculos e bateu a testa na mesa, ficando ali, não esperando realmente que Rin se sentisse obrigado a dizer algo. Não deveria nem estar ali desabafando feito uma garotinha mimizenta depois de terminar com o namorado. Que saco.
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    Rin Damien
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jun 04, 2015 4:52 pm

    Permaneceu todo o tempo em que o outro falava em silêncio, escutando atentamente ao que era dito enquanto bebia a própria xícara de café. Era um bom ouvinte, e sabia identificar quando alguém precisava botar tudo pra fora pela razão que fosse. Não sabia que Arthemis e Harold haviam se desentendido, apesar de ter notado ela estar, de certa forma, focada demais no trabalho. No entanto, com os horários reduzidos, não a tinha visto tanto para confirmar qualquer suspeita. Desentendimento sendo a palavra chave, apenas esperou Harold contar o que havia acontecido, vendo que ele estava especificando muito mais do que normalmente o faria, o que em si, era um sinal de culpa.

    Começava a ficar mais preocupado ao ouvir que era algo sem volta, e ao que o assunto se dirigiu a animais e ao gato que fora previamente morto por Harold, o que ganhou apenas um olhar de reprovação vindo do loiro; que logo se amenizou ao ouvi-lo falar que agora simpatizava mais com os bichos. Porém, ao finalmente chegar no que o albino fizera, um sentimento sentimento desagradável passou pelo peito de Rin. Outro bicho morto. Sabia do gato recente, mas não tinha ideia de que ele havia morrido. Era óbvio que Arthemis não estaria feliz com aquilo, entretanto, ela não era de julgar os outros baseado em mal entendidos. No entanto, ainda era Harold, que já havia feito algo parecido no passado, e não demonstrava remorso algum. Ela perdera algo precioso para si para alguém que não ligava se o bicho vivia ou morria. Entendia perfeitamente, e talvez tivesse a mesma reação em seu lugar. Contudo, agora via o outro lado.

    O lado de uma pessoa que, por mais incomum que fosse com a personalidade dela, parecia se arrepender verdadeiramente do que havia feito.

    Era quase surreal ouvir as palavras baixas do mais novo e ver a reação exagerada, observando-o bater a testa na mesa com um baque que resultou em um miado assustado de Albi, que presumira que estava por perto das pernas alheias. Certo, aquilo não ajudava. Ficou em silêncio por um tempo, organizando os próprios pensamentos, refletindo no que seria melhor falar. Não achava que o maior esperava qualquer consolo, e ele próprio não queria dá-lo, no entanto, apesar da firmeza, as palavras saíram suaves de seus lábios. – Harold. Olhe pra mim. – Esperou que ele levantasse a cabeça antes de continuar, apenas por querer olhá-lo nos olhos ao falar.

    - Você sabe que ela tem razão em se irritar com você. E ententendo mais a convivência com os gatos, talvez saiba o quão preciosos os bichos são pros donos. E sendo que você já fez isso antes, é claro que ela não te perdoaria fácil. Ou você esperava outra coisa? Mas... Diferente da outra vez, acho que uma coisa é clara. Arrependimento, não é? Acho que você tem que ir falar com Arthemis, e mostrar isso. Você sabe que ela tem um bom coração, e considerando todos os anos de convivência, ela não vai querer ficar brava pra sempre. Até achar que foi de propósito provavelmente é mais devido à raiva e à dor da perda.  Em vez de ficar com pena de si mesmo, e mesmo que não tenha sido sua intenção, a melhor solução é abaixar a cabeça e demonstrar o que você demonstrou aqui, já que no fim das contas, a morte foi causada por você.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Jun 04, 2015 6:05 pm

    Inspirou lentamente quando o pedido de olhar para o loiro foi feito, demorando a obedecer. Levantou o rosto, mas sem erguer o corpo, apoiando o queixo na mesa e olhando o outro de baixo. Franziu o cenho quando ouviu a palavra “arrependimento”, tendo jogado em sua cara aquilo que costumava achar idiotice. Afinal, nunca precisara daquilo. Mesmo que a lista de sacanagens que já tivesse feito fosse maior que a recomendada. A solução que foi dada por Rin era bem óbvia e Harold poderia muito bem ter pensado nela sozinho, o que agora o fazia se sentir mais imbecil ainda. Doía admitir, mas realmente, estava com muito sentimentalismo para algo fácil de resolver.

    Não tão fácil pelo lado de que a situação era desfavorável para si e tinha uma irmã triste por ter perdido um animal e praticamente o considerando um maníaco por matar os gatos dela. Tinha a cara de pau necessária para muitas coisas, mas talvez, além do arrependimento, também estivesse com vergonha de encarar a irmã de novo. Isso tudo por causa de um gato. Um gato burro. Mas certo, teria de aprender algo com aquilo. Situações daquele tipo serviam de experiência para algo que precisava absorver de alguma maneira. Talvez devesse virar cheirador de gatos. Provavelmente aquilo era um sinal das estrelas para que amasse essas pulgas arrogantes. Bufou, deitando a cabeça de novo e não respondendo em nada, nem sequer um comentário. Não queria continuar com aquele assunto, Harold não sabia fazer aquilo. Só sabia reclamar e discutir. Até mesmo quando conversava normalmente, no meio dos próprios argumentos sempre tinha uma reclamação, ou uma afronta. Ficou em silêncio e enterrou a cozinha no mesmo durante alguns instantes, enquanto refletia por conta própria.

    A destra que estava suspensa, próxima ao joelho, foi lambida pela língua áspera e seca de Albi, que miou ronronado e baixo. A gata gostava mesmo dele, ok. Ergueu o corpo novamente, inspirando fundo e pegando a branca pelo tronco e colocando-a no próprio colo. Ela se aninhou e quase imediatamente começou a ronronar e sem pensar, o albino se distraiu acariciando o dorso do felino.

    Além de arrependimento, acho que eu to com cagaço da minha irmã também. — Brincou da própria situação, mas ainda sério. Talvez fosse por aquilo que algumas pessoas diziam que desabafar para alguém era bom. O processo foi péssimo, mas depois de ser entendido devidamente, o mais novo conseguia até mesmo pensar com mais clareza. — Vem cá, você disse que comprou o Poe numa loja de animais, não foi? Acha que eu devo arriscar e tentar puxar o saco dela, um pouco? Antes de conversar. — Considerou, sem tirar os olhos da gata em seu colo. Era estranho perguntar aquilo quando era o irmão da pessoa em questão e, em teoria, deveria compreendê-la muito melhor do que um amigo de faculdade. Entretanto, na prática, Rin se parecia muito com a garota em vários aspectos de personalidade. O ponto de vista dele talvez pudesse servir. Não pretendia dar um gato como substituto do outro. Mas ao menos, poderia preencher um pouco do que arrancou dela. Não iria ajoelhar aos pés da garota e implorar perdão enquanto chorava. Mas também não iria lá pra se desculpar daquele jeito revoltado como uma criança birrenta, não adiantaria porcaria nenhuma. — Se pá eu adoto um também. Vai que.
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    Rin Damien
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jun 04, 2015 7:07 pm

    Não sabia se deveria dar a conversa como terminada quando, após suas palavras, Harold deitou a cabeça novamente. Ele provavelmente precisava pensar, e imaginava que chegaria à conclusão certa.  Apenas aguardou, aproveitando para recolher as xícaras e deixa-las na pia, voltando-se ao outro apenas para ver que ele estava interagindo com a gata. A própria expressão se suavizou, não podendo evitar pensar que, realmente, milagres aconteciam.  Se o albino estava aprendendo algo e ficando um pouco mais humano em relação aos outros e a animais, poderia quase pensar que a morte do pobre gato talvez tivesse um significado maior. Quase.

    Quase riu quando o mais novo enfim voltou a falar. Indo para trás da cadeira onde ele se encontrava, curvou-se de leve de forma a apoiar a própria cabeça no topo da alheia e estedeu a mão de modo a fazer um carinho breve nos pelos da cabeça de Albi. – Você pode fazer isso, e posso te levar na loja. Mas antes, tem que deixar claro pra Arthemis, sem qualquer presente, a sua culpa. Senão ela só achar que é o jeito que você pensou pra amenizar a raiva dela, e mais nada. E apóio achar um gato pra você, também. Acho que vai te fazer bem. – Em um gesto breve, depositou os lábios no topo da cabeça alheia. Achava que Harold havia entendido o que deveria ser feito e o faria, e enquanto não achava bonito ele ter matado um gato, após a bronca e o conselho, ainda tinha o instinto de querer consolar alguém importante que nunca chegara a ver naquele estado.
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Jun 04, 2015 9:23 pm

    Tá, mãe. — Concordou, após uma pequena pausa para refletir sobre o singelo beijo que ganhara na cabeça, se sentindo com dez anos de idade. Aquilo era um sinal de consolo vindo do mais velho? Vindo dele, não ficaria surpreso se antes mesmo do conselho, tivesse recebido um “bem-feito”. Até porque metade de suas ações eram reprovadas pelo estudante de medicina. Rin tinha aquele jeito sempre sensato de lidar com as situações e talvez a vontade não lhe faltava, mas ele sempre preferia seguir pelo caminho que fosse servir para algo útil. Exatamente por aquela razão, normalmente não esperava atos gentis como aquele, pois eram desnecessários em sua prática. Ao menos para os dois.

    Aproveitou que o outro estava próximo e puxou o braço de Rin que estava fazendo carinho em Albi, forçando o loiro a abaixar-se até que pudesse beijá-lo, precisando apenas virar o rosto e inclinar pouco a cabeça para isso. Sem pressa, mas também sem dá-lo tempo de pensar muito, deslizou a língua pelos lábios finos até sentir o mesmo hálito de café que havia na própria boca, enquanto entrelaçava os fios loiros da nuca alheia entre os longos dedos. Tentado, não resistiu em cravar brevemente os dentes no lábio inferior do rapaz, - mas sem a intensidade que um dia havia deixado ali uma sutil cicatriz permanente - para depois voltar a provar mais do que já não era uma novidade, mas gostava mesmo assim. A gata branca parecia ter notado o contato dos dois e levantou-se, dando um pequeno salto para o chão, em silêncio. Sorriu de canto sem interromper o movimento dos lábios nos do menor, mas soltando as madeixas alheias até descer a mesma mão e invadir por baixo da camisa do rapaz. Poderia ter a intenção óbvia do ato, mas só queria provocar-lhe o susto de ter a palma da mão gelada em contato direto com a barriga, região particularmente sensível a mudança brusca de temperatura. Separou o beijo, fingindo que não tinha feito absolutamente nada e secou os lábios úmidos pelo beijo com a manga da camisa. Fez o mesmo com os dele, com o polegar.

    Grato pelo consolo tão amável. — Permaneceu com o mesmo sorriso de canto, sarcástico, levantando da cadeira e colocando-a arrumada contra a mesa novamente, pegando o celular do bolso do casaco e dando uma olhada breve na hora. Que ele poderia verificar no relógio da cozinha, mas o hábito de pegar o celular era maior. — Eu queria não perder mais muito tempo. Sabe... Já faz uma semana que rolou isso tudo. Se não tiver compromisso nenhum agora, podíamos ir lá na loja. Eu vim de carro, se for longe. Topa?
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jun 04, 2015 11:03 pm

    Mesmo que soubesse que o outro gostava de provoca-lo de tempos em tempos, ainda não estava acostumado a uma ação inocente sua virar um beijo relativamente profundo. Os dois não sentiam necessidade daquele tipo de contato, e ainda assim, por mais raro que fosse de ambas as partes, não era desagradável. Movimentou os lábios junto aos alheios sem pressa alguma, correspondendo ao que o beijo era aprofundado, uma pequena pontada de dor se fazendo presente ao que sentia dentes sendo cravados no próprio lábio inferior. No entanto, apenas naqueles momentos, com a mistura de sensações boas que eram a razão em que aceitava aquilo em primeiro lugar, não se importava com algo pequeno como aquilo. A posição, entretanto, não era exatamente confortável para si, e ao sentir os dedos de Harold deixarem seus fios de cabelo, planejava apenas se afastar calmamente, se não tivesse sentido repentinamente a mão fria do albino por baixo de sua camisa.

    O arrepio causado pelo pequeno choque térmico, somada à intenção que, mesmo que não fosse nada demais, faziam seu rosto esquentar mais que o que considerava absolutamente necessário. Pensou em morder o polegar alheio, que passou pelos próprios lábios, como uma pequena vingança, mas terminou apenas se afastando e balançando a cabeça negativamente, como se a pessoa à sua frente não tivesse salvação alguma. Levando a mente de volta ao assunto anterior, concordou em guia-lo até a loja de animais onde conseguira Poe. Quanto mais rápido os irmãos se resolvessem, melhor seria para o estado emocional dos dois. Podia até rir internamente ao pensar em Harold e estado emocional afetado na mesma frase, mas sendo a realidade da situação, não havia muito mais a fazer sobre o assunto.

    Não era uma viagem longa de carro, e chegaram na loja sem maiores problemas; a única coisa incomum ocorrendo sendo uma crise de risos repentina ao se lembrarem do desenho idiota que haviam assistido tempos atrás. Era um ambiente grande, e provavelmente uma das maiores Pet Shops da cidade, que tinha a vantagem de permitir acesso a todos os animais que estavam para adoção desde que estivessem com a supervisão de algum funcionário. Cumprimentara o que já havia se tornado familiar, indo direto a onde estavam gatos de diversas idades e cores, não sabendo qual pegar para brincar primeiro. Parecia uma ideia maravilhosa pegar todos. – Aqui. Pode mexer com eles e decidir o que combina mais, ou o que você quer, se simpatizar com um.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jun 14, 2015 8:33 pm

    Podendo enfim dirigir-se ao carro que havia estacionado em frente ao edifício, não demorou muito até que chegassem ao destino, não dando tempo também para que ambos rissem demais da conta pelo desenho que haviam visto juntos há poucos dias. O local era realmente grande e parecia familiar, talvez por ser difícil de ignorar e por já ter passado por ali algumas vezes, sem dar a devida atenção. Adentrou logo depois de Rin, preferindo se localizar por conta própria antes de pedir a ajuda de algum funcionário, mas seguir o loiro parecia ser a decisão mais sábia, já que o mesmo conhecia o local. Não demoraria para se decidir, mas sabia que escolher um animal não era como escolher um caderno ou uma camisa. Não tinha intenção de adotar um filhote. Mas talvez, um adulto fosse difícil de adestrar pelo menos a um nível que não o perturbasse. Não sabia se ser macho ou fêmea alterava em algo, pois pretendia castrar qualquer que fosse a opção. Também não se interessou pelos de raça, visto que Harold achava estúpido pagar mais caro por um animal “esteticamente” mais agradável. Sentou-se ao lado de Rin, que parecia estar à vontade de um jeito que fez o albino franzir o cenho. Era um cheirador de gatinhos, mesmo.

    Ao revirar os olhos, escutou um ronronado ao seu lado e ao olhar para baixo, um gato relativamente grande e branco e de olhos de cores distintas (um amarelado e o outro azul) estava deitado enquanto olhava os filhotes brincarem com Rin. Iria ignorá-lo, se o felino não tivesse percebido seu olhar e o devolvido com a mesma insignificância. Piscou uma vez, encarando-o por um tempo. Imaginava se testar fazendo carinho em seu dorso parecia uma boa opção para testar afinidade, mas o gato não parecia estar afim de ganhar carinho. O próprio Harold não estava afim de dá-lo por espontânea vontade também.

    Passou o olhar por outros gatos adultos e adolescentes, bocejando uma vez e vendo que não havia criado interesse imediato por nenhum. Exceto pelo que estava ao seu lado. Não pensou muito sobre, ou acabaria desistindo. Levantou-se e deixou o mais velho brincando com os bichos enquanto procurou pelo funcionário mais próximo, encontrando uma mulher que parecia também ser a gerente do lugar. Perguntando sobre preços e o que mais precisaria levar, não demorou muito até voltar e agachar em frente ao bichano, que sentou e o encarou de volta. Sorriu de canto ao ver o gato bocejar e voltar a observar a si, piscando uma vez ligeiramente sonolento. Quando perguntara à mulher sobre a idade, ele tinha um ano apenas e tinha um porte grande para a idade, embora fosse vira-lata. Era macho e não se relacionava muito bem com os outros gatos, preferindo ficar isolado e brincando sozinho com os brinquedos que sobravam. Antissocial, que vivia sobre as próprias regras e sem interesse em mais nada. Aquilo soava familiar pra Harold. Cutucou o loiro.

    Rin, me decidi já. Vai levar algum também para sua coleção ou eu vou ter que te largar aí pra sempre? — Perguntou, virando a cabeça para observar o loiro entretido. Pela cara do menor, ele estava prestes a levar um quarto gato pra casa sem sombra de dúvidas. Quando velho, Rin iria ficar igual aquelas idosas com setecentos e cinquenta gatos numa casa abandonada. Era fácil imaginar, até. Riu abafado da ideia, levantando-se e escolhendo uma caixa de transporte que desse um tamanho bom pra ele não ficar apertado dentro, principalmente se fosse crescer mais do que aquilo. Ração, areia e a caixa para a mesma, além de uma coleira e alguns brinquedos que, por recomendação, ele gostava. A sorte é que ele já estava vacinado e com os devidos tratamentos necessários e Harold só precisaria manter em dia estes cuidados. Suspirou. Talvez fosse uma ocupação interessante e diferente para sua mente cuidar de um animal. Abriu a caixa na frente do felino branco, que cheirou o negócio e se afastou dois passos, mas não virou as costas. Certo, ele seria difícil de conquistar. O primeiro contato corporal de dono e bicho foi pra enfiar o gato dentro da caixa e certo, não foi difícil embora o mesmo não parecesse gostar do ambiente em que foi colocado. Uma hora acostumaria.
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    Rin Damien
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jun 15, 2015 12:59 am

    Com a quantidade de felinos à sua volta, não fora uma surpresa não prestar tanta atenção no que Harold fazia a seu lado. Notou vagamente quando ele se levantara e saíra, mas ao ponto em que ouviu a voz alheia o chamando, possuía três filhotes de gato no colo, um adulto, outro pequeno em suas mãos e alguns de idade variada a sua volta que pareciam querer atenção. Chegava a ser um estado de felicidade engraçado, que Rin imaginava que talvez fosse como drogas funcionassem para os viciados. Dava carinho a todos como podia, e os via brincar um com os outros como se fosse a coisa mais importante que observaria naquele dia, qualquer problema que pudesse ter, esquecido.

    Ao ser tirado de seu pequeno mundo pelo momento, demorou um segundo para pra absorver as palavras do albino, sua expressão logo mudando para uma quase culpada, como se o outro tivesse descoberto seus planos ocultos para aquela ida à loja. O mais velho queria outro gato, e o que estava em suas mãos era particularmente carinhoso. E mais um provavelmente não ocuparia espaço, se já cabiam três; no entanto, se obrigava a pensar de uma forma lógica. Gastar mais com comida e veterinário, ter que dar mais atenção e supervisão quando não tinha tempo sequer para respirar às vezes. Poderia relevar tudo aquilo em nome de um gato, mas daquela vez, tinha uma ideia melhor, de algo que parecia que o maior havia esquecido.

    Após organizar os animais que havia espalhado a sua volta em seus respectivos locais de origem, exceto o que mais lhe interessara, voltou-se a Harold, pela primeira vez observando o gato escolhido dentro da caixa que seria usada para movê-lo. Mesmo com a heterocromia, a cara de tédio do animal lhe lembrava muito bem a pessoa à sua frente. – Parece com você. Acho que vão se dar bem. Mas não esqueceu que não era por isso que você queria vir aqui originalmente, não é? – Havia uma sombra de humor clara em seu sorriso ao observar que Harold prestara mais atenção em obter um gato para ele mesmo que para sua irmã. Talvez fosse apenas a questão do bicho certo lhe chamar a atenção, contudo, era mais um passo para que ele gostasse daqueles animais.  – Aqui. Acho que Arthemis vai gostar desse. –  Mencionou com a cabeça o pequeno filhote em seus braços, que havia se aninhado e parecia propenso a cochilar ali a qualquer momento. Predominava um tom esbranquiçado no pelo, manchado em lugares por uma pelagem negra, e havia sido o que mais lhe chamara atenção naquela loja. Se não tivesse qualquer inibição, provavelmente o pegaria para si, entretanto, achava mais do que justo dar um gato extremamente carinhoso à sua melhor amiga, depois das perdas que ela havia sofrido.
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qui Jun 18, 2015 8:12 pm

    Levantou as duas sobrancelhas, sentindo-se bem imbecil por um momento por ter esquecido completamente o que ele mesmo havia proposto. Gostava de pensar que seu emocional ligeiramente abalado o deixava retardado. Era uma boa justificativa, certo. Mais uma razão para voltar a si. Fechou os olhos, franzindo o cenho e reprovando-se mentalmente. — É, eu esqueci. — Assumiu, antes de voltar a atenção para o mais velho que lhe trazia um filhote. Cruzou os braços após deixar a caixa com o animal no chão, mantendo o corpo inclinado até que pudesse olhar o filhote no colo de Rin de perto. Fechou a cara totalmente ao olhar pra cara do gato e se lembrar imediatamente de outro.

    Não. Definitivamente não. Ele é a cara do Astaroth antes de virar uma bola andante. — E tirando o fato do falecido obeso ter sido um gato Persa, o filhote tinha as mesmas cores na mesma predominância, mas ao invés de preto, Astaroth era ligeiramente acinzentado. Mas ainda não era uma boa opção, pois vindo de Harold, poderia parecer sarcasmo da parte dele dar um gato parecido com o primeiro assassinado. — Mas, se gostou dele, por que não leva uma companhia pro Poe? Ele deve sentir falta de um coleguinha da mesma idade, sei lá. Deve ser chato pra ele ficar sozinho quando os dois adultos resolvem brincar de outro jeito, né. — Sugeriu, podendo também ver na testa de Rin que ele havia simpatizado desde o começo com aquele filhote. E bom, se já tinha três, quatro não fazia muita diferença.

    Vou olhar para alguns e escolher um que ela possa gostar, além desse. — Avisou, sendo que não era uma tarefa nada difícil, já que sua irmã era apegada demais aos felinos, fossem de qualquer raça, cor, tamanho, personalidade. Assim como Rin. Ambos não tinham nenhum critério para pegar um gato e se drogarem nele. Tinham três ou dois listrados, mas Harold achou melhor procurar um que fosse diferente dos dois gatos que ele havia matado. — Vê esse. — Pegou um pelo cangote, travando imediatamente o filhote, que subiu os olhos amarelados para Rin, quando Harold o mostrou para o loiro em questão. Tinha os pelos mais arrepiados, de cor alaranjada e a barriga esbranquiçada. Parecia mais novo que os outros filhotes soltos, visto que estava separado com mais alguns, dentro de uma caixa maior.
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jun 18, 2015 11:51 pm

    O sorriso em sua face aumentou discretamente ao ter confirmada a suspeita que o outro, de fato, esquecera a razão inicial de ter vindo ali. Provavelmente era resultado do estado mental alheio, então preferiu não comentar; apenas observou a mudança de expressão de Harold com certa curiosidade, logo se fazendo clara a razão desta em relação ao pequeno filhote. Certo, não seria a escolha ideal para Arthemis, afinal ela provavelmente não iria querer se lembrar de seu bicho falecido, principalmente considerando quem a estava presenteando. No entanto, a proposta do albino era extremamente tentadora, especialmente ao voltar o olhar às brilhantes orbes do gato, que decidira sair de sua preguiça para encara-lo naquele momento, movendo as patas para cima como se sinalizasse que queria atenção.

    Era difícil se obrigar a pensar racionalmente em frente a uma visão tão adorável, especialmente por ter a completa certeza de que não se importaria em ter outro gato.  Mesmo que tivesse vários fatores importantes que iam contra aquela decisão, não mudaria o fato de que ficaria feliz em leva-lo; entretanto, não poderia pegar um gato toda vez que entrasse numa loja de animais. Levou um dedo para o topo da cabeça do animal, fazendo um carinho leve enquanto o observava fechar os olhos novamente em reação ao ato. De fato, daquela vez, não achava que resistiria. Mas seria a última. Provavelmente.

    Sua atenção foi retirada do felino ao ver que o mais novo voltava, carregando um filhote ainda menor do que o que tinha nas próprias mãos. Piscou para os olhos amarelados que o encaravam, que retribuíram o ato, antes de um miado fino ser emitido pelo animal. Então, o que segurava respondera com outro miado, que imediatamente captara a atenção do de pelo alaranjado. Evitando o instinto que dizia para pegar os dois sentar-se de novo para outro momento com aqueles bichos, olhou para Harold novamente, meneando a cabeça em concordância. – Acho que ela vai gostar. Ou melhor, acho que não tem como não gostar. – Mesmo tendo em vista que a conversa entre os dois irmãos provavelmente seria longa, para o loiro era óbvio que no fim se entenderiam, e ainda que não podendo substituir o animal que fora morto, Arthemis também amaria àquele. – Só cuidado com esse, sim? E... eu também vou levar um.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jun 21, 2015 1:19 am

    Pensou pelo ângulo de que talvez seria melhor se tivesse que pegar um gato adulto e mais esperto para Arthemis, que não fosse dormir em cima das rodas de carros estacionados. Porém, um gato filhote ficaria sob a supervisão constante da garota, que o manteria em segurança. Talvez fosse a melhor escolha, mesmo. Ouviu o gato branco que escolhera para si miar alto e insatisfeito de dentro da caixa, num claro “Não quero mais ficar aqui”.

    Girou os olhos num deboche comum vindo de si, para a conclusão de Rin sobre levar o gato. — Nossa, mais um, eu não esperava por isso. Qual nome esse vai ter? Schrödinger, Tchaikovsky, Schopenhauer... ? Coloca Kiryuin Satsuki se for fêmea. — Satirizou, sabendo também que aquele não seria o número máximo de gatos que veria no apartamento do loiro, até a qualquer momento ele ser chutado de lá por queixa de algum vizinho infeliz com a vida. Porque eles sempre existiam.

    Bagunçou os fios loiros – que obviamente voltaram organizadamente para o lugar – antes de repetir o processo do gato adulto com o filhote. Não comprou uma caixa para o pequeno, mas uma casinha de tecido e tela, com o tamanho suficiente para caber mais dez filhotes ali dentro. Depois pensaria no que falar para a mais velha, mas provavelmente, acabaria não planejando nada, optando sempre pela sinceridade do momento. Esperou que Rin comprasse o que mais quisesse para o novo felino da casa e o acompanhou novamente até o carro, colocando os bichos no banco de trás. E o bichano mais velho dali continuava reclamando, começando a arranhar o interior da casa, mas sem se alterar.

    Deixaria o loiro em seu condomínio e iria para casa em seguida, pois agora tinha um novo colega e que, ao menos, durante o caminho, havia desistido de miar e ficado quieto, deitado apenas analisando o que podia ver do interior da caixa. Brincara com Rin anteriormente sobre qual nome colocaria no filhote dele – além de que sabia que Arthemis colocaria algo como “Blair” no dela, que era uma fêmea –, mas a questão é que ele próprio não fazia a menor ideia de como chamar o seu. Naquele momento, apenas nomes imbecis vieram em mente, como “Branco”, “Cachorro”, “Bichano”, "Miau" ... De sacanagem, pensou em chama-lo de Nero por conta da heterochromia, mas achou melhor não. Certo, decidiria aquilo depois, quando tivesse oportunidade de pensar ou pesquisar opções. Depois de resolver os próprios problemas.

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    Re: [#27] Arthemis não pode ter gatos

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