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    [#28] Bancando a babá

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    Rin Damien
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    [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Dom Jun 21, 2015 2:11 am

    Arthemis não lhe dera exatamente a opção de fugir daquela situação. Claro, poderia ignorá-la, apenas ir para o quarto dela e distrair-se estudando se quisesse; mas se o irmão mais novo de sua melhor amiga decidisse queimar a casa enquanto fazia aquilo, agora, seria sua culpa. Rin estava preso na tarefa infeliz de ter que servir de babá para Harold, um garoto de quatorze anos que, mesmo que por vezes quieto, por experiência própria e histórias alheias sabia que poderia ser um inferno de se lidar se estivesse entediado demais. E isto acontecera porque, apesar da albina ter chamado o loiro para a grande mansão a fim de estudar, a mesma se lembrara de última hora que possuía outro compromisso, em relação desta vez ao irmão adotivo, e desculpou-se apressadamente antes de pedir o favor e deixar o local. O mais estranho, era que apesar da culpa clara, podia ver algo na expressão de sua veterana que não sabia exatamente especificar, mas não lhe passava uma boa sensação.

    Então, após ser deixado sozinho, resignou-se a procurar o irmão da mais velha pela casa, achando-o sem muita dificuldade imerso em um videogame em uma das grandes salas da residência, que possuía uma televisão, diversos sofás e vários objetos que, como os de todo o resto da casa, deveriam custar bem mais que a própria vida. Era uma pequena surpresa, sendo que achava que o encontraria ou na cozinha ou no quarto, contudo, aquele lugar era preferível, e o garoto já parecia estar distraído naquela situação. Garoto que, para o grande descontentamento de Rin, havia passado a própria altura algum tempo atrás, mesmo sendo vários anos mais novo. A vida não lhe dera o benefício de uma altura média para homens, e normalmente, se importava pouco com tais conceitos, no entanto ter jogado na própria face que crianças que conhecia provavelmente ficariam bem mais altos que a si era, no mínimo, desconcertante.

    Se aproximando por trás do sofá onde o outro se encontrava e cruzando os braços, decidiu ser direto com o assunto. Com a voz mais educada e suave possível - considerando a mínima irritação pela situação – anunciou sua presença, esperando não distrair a atenção alheia demais do jogo. Se continuasse daquela forma, não teria muito trabalho. – Oi, Harold. Sua irmã me deixou aqui pra te supervisionar enquanto não tem mais ninguém em casa.  Não vou te atrapalhar, então continue.  – Moveu-se para sentar-se em um sofá separado, que não era paralelo à televisão, olhando distraidamente para a tela em que se passava um jogo que não procurava entender. Divagava a possibilidade de pegar um livro e estudar ali mesmo, se não tivesse maiores complicações.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jun 21, 2015 9:15 pm

    Acordou naquele dia com o celular vibrando com algum grupo de aplicativo, de seus colegas de sala que não calavam a boca sobre assuntos inúteis durante a madrugada. Grunhiu, rolando para o lado no sofá da sala, onde havia passado a noite toda jogando até cair no sono por umas cinco horas. Silenciou o aparelho de vez, resolvendo levantar para tomar algo de café da manhã, já que o Sol havia nascido. Cumprimentava de qualquer jeito alguns empregados, normalmente os que mais simpatizava. Os outros, ignorava, mas os mesmos já estavam acostumados com a personalidade do garoto que desde bem mais novo era daquele jeito e não mudaria tão cedo. Heike não estava na casa naquele dia, provavelmente porque fez merda e ficou de castigo, aquilo sempre acontecia. Zion há uns dias estava reclamando de dor no dente e aquele dia ficaria sem seu irmão, já que Arthemis ficaria de leva-lo no dentista.

    Porém, estranhou quando de relance da cozinha viu Rin, o colega de faculdade de sua irmã, entrar na casa. Conhecia o rapaz de longa data e ultimamente estava gostando de vê-lo, pois era uma boa referência para medir a própria altura às vezes. Também era engraçado começar a ver de outro ângulo a pessoa que sempre viu de baixo. Mesmo que pudesse ter a primogênita como essa referência... Ela era uma garota. Garotas são mais baixas que os garotos no geral, então não tinha muita graça comparar a ela. Daí, tinha Rin para ocupar o cargo.

    Só que Arthemis nunca convidava ninguém quando tinha algum compromisso, mas a mula parecia ter esquecido do dentista. É claro que o albino não fez a menor questão de lembra-la disso e aparentemente, o próprio Zion também não havia feito questão. Ou tinha esquecido também. Ignorou aquilo tudo com o passar das horas e pensou se a melhor opção fosse ficar em seu quarto, já que sem o Heike e sem Zion, seu nível de tédio aumentaria consideravelmente naquele meio tempo. Se tivesse sono, poderia só dormir a tarde inteira. Mas não tinha. Conseguiria ultrapassar o próprio record de score se jogasse mais um pouco, mas não estava tão afim disso. Detonou o café que havia sido feito pela cozinheira durante a manhã e voltou para o sofá da sala, onde havia dormido de noite, arrastando os pés descalços pelo chão e tapetes.

    Sem a menor vontade e como se não tivesse mais opção de mais nada na vida, pegou o controle e ligou o aparelho para que voltasse a jogar de onde havia parado, bocejando longamente antes da TV ligar. Já havia superado o próprio record três vezes e o nível do tédio era sinalizado pela quantidade de vezes que Harold olhava para o relógio. Ok, só mais uma e acho que vou ver o que essa gente quer... Cogitou, olhando para o celular apagado, lembrando que havia alguns trabalhos para aquela semana e a conversa do grupo deveria ser relacionado àquilo. Trabalhos em grupo eram um saco porque a maioria das pessoas que fazia com Harold, era para combinar de se encontrarem na mansão pra fazerem. Porque gente babaca e pobre adora mansões e Harold estudava num colégio de nível comum na cidade, pois o mesmo tinha um ensino muito bom. Mas também tinha esse tipo de gente. Mas certo, o número de colegas que o albino levava para lá para fazer trabalho continuava sendo zero, pois ninguém conseguia rebater quando ele cismava em dizer “Não quero, porque a casa é minha e vocês são um saco”.

    Por coincidência, quando Arthemis havia conhecido Rin quando ainda estudava no ensino médio, Harold era bem mais novo, mas já tinha essa visão de malícia, já que a garota também era cercada por gente daquele tipo. O caçula poderia jurar que Rin era um deles, mas percebeu que não quando a frequência de visitas já teria se tornado entediante, mesmo se tratando de uma mansão. E mesmo assim ele ia sempre lá, se acostumando até consigo e os outros dois. Não eram muitos os colegas de Arthemis que voltavam para lá depois que conheciam os três, também. Desde que percebera que Rin gostava da amizade de sua irmã, ao invés da casa dela, o albino parou de olhá-lo com desprezo. Agora o olhava só com tédio mesmo.

    E foi com esse olhar que saudou o mais velho quando este sentara no outro sofá, falando sobre o supervisionar. Harold abriu um mínimo sorriso enquanto olhava a tela do jogo e clicava nos botões do controle freneticamente, numa tranquilidade um pouco mais animada. Inicialmente, respondera o anúncio do outro com apenas um — Hn. — e quando o jogo acabou, largou o controle no sofá de qualquer jeito, apoiando os cotovelos nos joelhos dobrados. Olhou o – recentemente – mais baixo dos pés à cabeça e resolveu assim, de repente e inesperadamente, que aquela seria sua diversão do dia. Fim.

    Me supervisionar, você disse? — E sorriu em piedade do mais velho. — Que lindo, vamos fazer amizade, então. Vou te mostrar um negócio legal, vem comigo. — E levantou-se, não esperando ser seguido, mas se a função do outro era vigiá-lo, provável que ele viria como um cachorrinho enquanto Harold seguia para o lado de fora da mansão, ainda descalço e sentindo um leve vento gelado no rosto assim que abriu a larga porta que dava para a parte do jardim do lado da piscina.
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Dom Jun 21, 2015 10:32 pm

    Estava quase pegando um de seus livros da faculdade, quando notou vagamente que o jogo havia chegado ao fim e o olhar alheio estava sobre si, o encarando de forma que, definitivamente, não o agradava. E sua coluna não vai estar muito bem quando for mais velho se costuma sentar assim, criança. Se o mais novo tivesse decidido apenas continuar a jogar, poderiam ficar em um estado relativamente pacífico até Arthemis voltar. No entanto, com Harold sugerindo que fizessem amizade e para segui-lo, conteve um suspiro de resignação, sabendo que não seria coisa boa, mas que também não poderia apenas deixa-lo sozinho pela mansão.

    - Se você continuar a jogar, podemos ter uma tarde quieta. Mas acho que é demais ter uma oportunidade de fazer algo legal, não é? – Comentou, enquanto levantava e o acompanhava a certa distância, deixando claro em sua entonação que não acreditava por um segundo sequer nas palavras alheias. Parou ao passar pela grande porta que dava para aquela parte especifica no jardim, de onde, apesar do espaço ser vasto, tinha uma visão perfeita do ambiente. Observava também que provavelmente seria melhor que o albino botasse algum tipo de sapato ao pisar na grama, mas imaginava também que qualquer crítica que fizesse ganharia apenas sarcasmo de volta. – Aonde você vai? – Preferia ficar ali, se fosse possível, as possibilidades de coisas que poderiam dar errado naquele local correndo por sua mente.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Harold Wilhelm em Dom Jun 21, 2015 11:08 pm

    Cala a boca. — Cortou rápido e de imediato quando Rin comentou sobre ficarem quietos na sala, como um claro “Ninguém pediu sua opinião” e o que o rapaz queria pouco importava para Harold. Guiou o loiro até perto da piscina, olhando em volta e certificando-se de que Astaroth não estivesse por perto, porque o gato sempre dava um jeito de estragar seus planos. Provavelmente Arthemis o havia deixado em seu quarto.

    Daria para fazer aquilo de diversas maneiras, mas Harold achou melhor ser direto antes que Rin ficasse muito desconfiado. O mais novo deu a volta em torno do calouro de sua irmã, abraçando-o pelas costas e o levantando do chão com um leve esforço. Eram praticamente do mesmo tamanho, mas Rin era magro e leve, o que lhe dava uma vantagem rápida. Embora não gostasse, a pedidos médicos e exigências de seu pai, tanto Arthemis quanto Harold faziam exercícios físicos constantemente para evitar sedentarismo de quem havia um histórico genético não muito bom na família paterna, quanto a doenças como osteoporose e artrose. No caso da mais velha, também ajudava na pressão e no caso de Harold, talvez fosse uma das razões para o mais novo esticar rápido naquela idade, além de dá-lo força suficiente para tirar do chão alguém até relativamente bem maior que ele.

    Não durou muito tempo e instantaneamente, assim que os pés da visita estavam fora do solo, Harold deu três passos para o lado, o bastante para alcançar a borda da piscina e tascou Rin na água do jeito que deu pra ir. Quase foi junto, mas por um fio conseguiu equilibrar-se para trás de volta, apenas rindo antecipadamente da cara que o mais velho faria quando submergisse. — Como estamos indo com a supervisão? — Proferiu alto, para que Rin pudesse ouvir mesmo se ainda estivesse de baixo d'água.
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Dom Jun 21, 2015 11:46 pm

    Aquela fora uma das situações que passara por sua mente, com a óbvia presença da piscina e de um adolescente perturbado presente. Porém, o que mais revoltou o loiro no momento que foi levantado não foi a iminência do que aconteceria a seguir; foi o fato de que aquela coisa de quatorze anos não só estava mais alto que a si, como também conseguia erguê-lo do chão. Certo, não deveria ser uma tarefa difícil, mas o fato de além de altura o garoto aparentemente ter desenvolvido certa força, o irritava. Profundamente. Tentou se debater para livrar-se de alguma forma, imaginando que a mínima diferença de tamanho não faria tanta diferença se realmente quisesse se livrar. No entanto, a ação fora rápida demais.

    Quando viu, estava sendo largado na piscina, a água invadindo seus sentidos e roupas com extrema rapidez. Ao menos, uma das poucas coisas em que seus pais concordaram quando era pequeno, era em ensinar seus filhos a nadar para ter uma segurança melhor em ambientes como piscinas e praias. Rin poderia não gostar de nenhum dos dois locais, mas pelo menos não se afogaria pateticamente por uma brincadeira idiota. Ainda submergido, nadou para a borda da piscina onde sabia que Harold estava, levando uma mão a ela para agarrá-la e emergir também a cabeça, logo antes de levar a outra mão a uma das pernas alheias e puxá-la, sem cerimônia alguma, de modo que o outro também caísse na piscina.

    Tendo conseguido ao menos uma maneira simples de se vingar, puxou o resto do próprio corpo para cima, saindo da água e se sentando na borda da piscina. Imediatamente sentiu um tremor, resultante das roupas molhadas juntadas clima frio e ventania daquele dia.  Olhando para si mesmo, refletiu que deveria fazer algo sobre aquilo antes que pegasse um resfriado. E que precisava de um banho. Cloro. Ótimo. E ainda assim, continuaria a ter que servir de babá para aquela criatura. A tentação de desistir era imensa, mas apenas por uma teimosia que raramente possuía, engoliu a própria irritação, lançando um sorriso falsamente gentil, como se lidasse com uma criança que mal soubesse se mexer,  ao mais novo, que não estava em uma situação diferente. – E agora, quer fazer o que?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Jun 22, 2015 12:26 am

    Sentiu-se muito imbecil quando se deixou com a guarda baixa para observar se Rin realmente sabia nadar ou não – e seria engraçado se não soubesse, pois teria a chance de jogar a bóia de pato cor de rosa que comprara pro Zion de sacanagem. Mas aquele foi seu erro e anotaria mentalmente para a próxima vez que jogasse Rin na piscina: que ficasse longe dela logo em seguida.

    Harold bateu as costas na margem da piscina e sentiu rapidamente o local arder quando o cloro encharcou todo ele sem nenhuma dificuldade, até pelas roupas no garoto serem leves e largas. Por pouco não batera a cabeça e agradeceria às vezes que caiu na vida pra aprender a se foder o mínimo possível quando ocorresse. Porém, sair ileso foi inevitável. Ignorava aquilo em prol de um bem maior, assim que submergiu e balançou a cabeça afim de tirar o cabelo do rosto. Deu uma risadinha irônica para a pergunta de Rin, ocupado já com outra coisa. Seus óculos se perderam na água. Precisou prender a respiração e mergulhar de novo para achar o objeto, o que levou alguns segundos pois enxergar fora da água já era ruim, dentro dela era pior e ainda por cima para procurar um objeto 90% transparente. O albino foi tateando o piso azulado da piscina num perímetro próximo no que havia caído, na esperança de que os óculos tivessem afundado ali e felizmente, foi a melhor coisa que fez, pois estavam mesmo. Virou-se para cima ainda embaixo d’água, agachado com os pés contra o fundo, movendo os braços para que permanecesse ali submerso. Segurou os óculos com a boca apenas para que mantivesse as duas mãos livres e aproveitando que Rin estava sentado na borda da piscina, com os pés ainda dentro d’água, segurou com força os tornozelos alheios e o puxou rápido para que não tivesse tempo de se segurar.

    Ambos debaixo d’água, empurrou o loiro mais para o fundo ao mesmo tempo que usara o ato de impulso para subir e apoiar-se contra a margem. — Dois à um, babaca. — Proferiu, antes de levantar-se e tratar de sair de perto do alcance de um ataque surpresa repetido. Pensou se correr seria uma opção e quando viu a cabeça loira sair da água, teve certeza de que era a opção definitiva. Virou-se rápido e tratou de cair fora, dando a volta pelo jardim.
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jun 22, 2015 1:27 am

    Perguntou-se se deveria sair de perto para não ter o mesmo destino de segundos atrás no momento em que o outro imergira de novo, mas relevou-o naquele instante, visto que este estava rodando o fundo da piscina a procura dos óculos. Retirou o olhar do outro por um momento, deixando-o vagar pelo jardim e contemplando a possibilidade de realmente sair dali, visto que o frio aumentava a cada segundo. Nunca tivera exatamente uma saúde exemplar, e com isso, sabia que não seria inteligente continuar de brincadeira, mesmo que quisesse tanto cumprir o que prometera – obrigatoriamente, quase – a Arthemis quanto apagar o sorriso da face daquele garoto.

    O momento de distração fora o suficiente, no entanto, para que a contemplação anterior do loiro virasse realidade. Sentiu duas mãos prenderem seus tornozelos e, logo em seguida, estava debaixo d’água novamente; e ainda sendo empurrado para o fundo da piscina. Desta vez, ficou alguns segundos parado debaixo d’água, tentando contar a irritação que sentia. Era o esperado. E ao menos, não achava possível a situação ficar muito pior. Enfim ressurgindo, abriu os olhos a tempo de ver o rapaz virar-se e sair correndo, e aquele simples ato fez a própria tentativa de se recompor falhar miseravelmente. Certo, não o deixaria fora de vista. Sua veterana ficaria orgulhosa.

    O mais rápido que conseguiu, e tendo que ignorar novamente o vento frio sobre si, foi atrás do adolescente que estava testando sua – considerável – paciência. Sempre correra rápido, apesar de não ser um dom que o ajudava com absolutamente nada em sua vida, visto que não lembrava da última vez que tivera que fazê-lo, já que estava sempre no horário para o que quer que fosse. Entretanto, vinha a calhar naquele momento, e disparou atrás do albino, tendo em mente apenas pará-lo. Não esperava, contudo, tanta velocidade vinda de si. Ouvia um pequeno zumbido em seus ouvidos, não prestando atenção no jardim a sua volta ao seguir o único ponto de referência em que queria chegar, e que, aos poucos, se aproximava. Até que estava perto demais, e ao que tentara parar abruptamente para apenas arrastá-lo pelo braço ou algo do tipo, sentiu o próprio corpo se chocar contra as costas alheias, derrubando os dois na grama.

    Tentou diminuir o impacto com as mãos, mas com a leve ardência, sentiu que apenas conseguira ralar as palmas com o contato abrupto com o chão. Ao menos, de resto, o impacto fora reduzido; mesmo que apenas para si. Bem feito, palhaço. Quase riu daquela situação, começando a levantar o corpo para sair de cima do outro. No entanto, no meio do caminho, um pensamento passou por sua mente. Estava em vantagem, apenas naquele breve momento, e havia uma maneira de aproveitar aquilo e, talvez, finalmente controlar a situação. Não achava que, mesmo tendo um pouco, de força, o – agora – mais alto fosse forte o suficiente para sair daquilo. Retirando rapidamente o casaco fino que vestia – naquela instância, ensopado – pegou os dois braços de Harold e, o mais minunciosamente que conseguiu em um curto espaço de tempo, amarrou-os juntos para que ele não pudesse movê-los. Com isto, sentou-se nas costas alheias, com um sorriso mínimo, mas levemente mais torto que o anterior. – Pode ficar aí até ela voltar.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Jun 22, 2015 2:05 am

    Havia uma desvantagem clara que Harold logo percebeu que seria sua forca se o loiro resolvesse correr atrás de si: os óculos. Completamente molhados e cheio de gotículas, é claro que não estava com a visão plena para sair correndo pelo jardim, então teve a velocidade reduzida mesmo que um pouco. Mesmo assim, não esperava que o mais velho tivesse a rapidez que mostrava, alcançando-o num espaço de tempo menor do que Harold achava que seria com a própria capacidade diminuída. O que não esperava também, era que o gênio fosse correr mais rápido do que as pernas pareciam suportar e então, derrubando a si e ao mais novo na grama, agora estando lindamente sujos de grama e terra, que grudara com muito mais facilidade na roupa molhada.

    Uér? Demorou para raciocinar mais do que deveria, talvez por ter levado mais impacto daquilo do que o causador da queda, já que o de cabelos brancos foi fatalmente levado ao chão por baixo. Mas quando percebera, um peso adicional foi colocado em suas costas e uma bela porcentagem de sua movimentação foi reduzida também por estar com os pulsos amarrados por um tecido que se lembrava de ter visto vestindo Rin anteriormente. Deitou a cabeça na grama, aparentemente se dando por vencido por alguns segundos e ficando em silêncio desde então. Naquelas horas é que Harold parava, pensava e calculava as possíveis saídas. Levantar e levar o loiro junto não seria difícil, mas ainda estava com os braços amarrados para que brigassem pela autoridade na força. Mas não estava sendo legal o outro ficar sentado num local particularmente dolorido devido à margem da piscina.

    Vai achando. — Fazendo um pouco de força, conseguiu girar o corpo sem sair do lugar, até que pudesse deitar com as costas no chão. Antes que pudesse vir uma reação alheia, impulsionou o tronco para frente com toda força e foi direto com a cabeça na testa de Rin. Uma vantagem que tinha era que, graças a Heike e Zion, Harold tinha muito mais experiência de briga no mano a mano do que Rin poderia cogitar em ter, mesmo sendo anos mais novo. Mesmo com os pulsos presos, não precisou soltá-los para, juntos, empurrar o loiro contra o chão e girar o corpo por cima do dele, trocando as posições. Com a diferença de fazer questão de imobilizá-lo ali. Abaixou a cabeça até aproximar o rosto do dele. — Até que você corre, mas talvez tenha notado que não dá mais pra medir força comigo. Acho que você que vai ficar aí até a Arthemis voltar, que tal?

    Poderia até ser, se soubesse que depois de minutos ali parado voltaria ao tédio anterior. Mas o loiro até que era divertido quando irritadinho. Rápido, levantou-se e deslizou os pulsos pelo pano que com o mínimo de elasticidade, permitiu. Jogou de volta o casaco para o dono, esperando-o se levantar. — Você não sabe brigar, então vai ser injusto eu te provocar pra isso, né. Seria o mesmo que mandar minha irmã. — Comentou, tirando a camisa e torcendo-a na esperança de tirar o excesso de água. Sacudiu-a duas ou três vezes antes de recolocar. Observou o mais velho mais uma vez dos pés à cabeça, notando as mãos dele avermelhadas. — Nem cair você sabe, pelo visto. Você não serve pra nada a não ser pra estudar feito um corno, né?
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jun 22, 2015 2:45 am

    Achava que ele não seria forte o suficiente para se livrar do casaco, e estava certo, no entanto, esquecera de calcular que havia outros modos como o outro podia reagir. As palavras o fizeram ficar alerta, e mesmo não sendo pesado, esperava que o próprio peso fosse o suficiente para manter o mais novo parado; outra constatação errada ao se ver  encarando novamente o rosto de Harold. Viu o golpe se aproximando sem que pudesse fazer qualquer coisa a respeito, e logo dor explodia em sua têmpora para somar-se à coletânea de sensações desagradáveis daquele dia. Em seguida suas costas encontraram o chão, com certeza sujando suas roupas mais do que deveria graças ao estado das mesmas. Ótimo.

    Cerrou os punhos, considerando tentar desferir um soco ao ter mais uma prova que o albino era um idiota mais forte que a si, jogando as próprias palavras contra sua face a uma distância que poderia ser considerada desagradável. Só imaginava como duas pessoas do mesmo sangue – e até semelhantes em aparência – conseguiriam ser tão diferentes graças ao próprio irmão, que era outro exemplo vivo daquele fenômeno. Entretanto, ao ter o peso retirado de cima de si, inspirou e expirou profundamente enquanto se levantava e jogava o casaco devolvido por cima de um ombro.

    Mesmo com o que era dito, considerou que o mais importante a fazer naquele momento era recuperar a calma e refletir no que queria ou poderia fazer. Não poderia deixar um pirralho infeliz o irritar tão facilmente, e talvez fosse ridículo se prender tanto ao que prometera quando poderia muito bem só mandar uma mensagem pra Arthemis dizendo que não fora possível. Ela entenderia. Harold provavelmente não botaria fogo na casa, diabos, se o tivesse deixado sozinho, ele provavelmente continuaria jogando videogame ou se distraindo com coisas irrelevantes o resto do dia. E se botasse, o que Rin poderia fazer que os empregados não podiam? – É. Mas que bom que estudo medicina, levando isso em conta. – Retrucou, ignorando qualquer ofensa, infinitamente mais calmo do que se sentira nos últimos minutos, se referindo às mãos que ainda ardiam. Mesmo se encontrando em um estado ligeiramente caótico, era um alívio ter os pensamentos de volta a seus devidos lugares. – Se prometer não explodir muito a casa, te deixo em paz. Trégua. Pode ser?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Jun 22, 2015 9:04 pm

    Te deixo em paz.” As pálpebras do garoto mais novo caíram pela metade enquanto encarava fixamente o mais velho com um ar de tédio tão extenso que poderia ser considerado depressivo. Ele não havia entendido? Mesmo se deixasse Harold em paz, o próprio Harold não o deixaria sossegado. Não agora que havia conseguido escapar de seu dia fatidicamente entediante. Rin era seu brinquedo do dia, ou precisaria expor em palavras para que o outro entendesse que não estava mais em posição de decidir, até que pisasse do lado de fora da mansão, ou até que Arthemis voltasse pra casa com seu irmão?

    O loiro não servia pra nada mesmo. Suspirou longa e pesadamente, tentando decidir ali que tipo de utilidade poderia dar a um pseudo-adulto com uma mentalidade padrão e limitada, sem nenhuma habilidade que possa ser considerada no mínimo interessante. Sua única saída era tentar irritá-lo de novo, mas conhecia o mais velho a tempo suficiente para saber que tirá-lo dos eixos não era o mesmo que tentar fazer o mesmo com Heike. Mas bem, conseguira uma vez e bem rápido até. Ao menos era uma habilidade que Harold tinha e que sabia executar muito bem. Desconsertar os outros.

    Sem essa. — Enquanto passou as mãos em leves tapas na camisa e na calça, procurando tirar o excesso de sujeira, fez-se de distraído por alguns instantes, ajeitando também a barra da calça que estava dobrada por alguma razão. Talvez pelos movimentos executados até então. — Eu tenho apenas quatorze anos e não sou muito inteligente, meu vocabulário é meio curto. Não sei o que trégua quer dizer. Sorry. — E sorriu, sarcástico. Antes que recebesse uma resposta, aproveitando que estava abaixado, agarrou terra entre os dedos, certificando-se de pegar algumas pedrinhas junto e avançou para o rapaz. Utilizou o próprio corpo para prensá-lo contra uma árvore que havia no jardim e levantou os braços do mesmo acima da cabeça, confirmando de perto os leves arranhões nas palmas das mãos do loiro. Leves, até o momento. Esfregou a terra que havia coletado em ambas com uma força desnecessária, sentindo as pequenas pedras arranharem até mesmo as próprias mãos, mas não se importava. — Essa é por ter me amarrado.
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jun 22, 2015 10:45 pm

    Estreitou os olhos minimamente, sabendo que Harold, de acordo com Arthemis, podia ser considerado um gênio, apesar da atitude, e que as palavras eram apenas um sinal de que ele planejava continuar com aquilo, e que o loiro era, de fato, uma cobaia para a distração alheia. Talvez fosse hora de ir embora, visto o estado no qual já se encontrava, e devido a querer manter sua mente limpa e livre de irritações. Preferia confiar em seu pensamento anterior de que o albino apenas voltaria a atividades cotidianas, no entanto, também tinha que considerar que, se saísse naquele momento, o outro poderia fazer algo com a casa apenas para exacerbar o fato de que Rin não aguentara “cuidar” dele. Situação desagradável.

    Tinha que, definitivamente, aprender a pensar mais rápido perto daquele garoto. Começou a dar um passo para trás quando viu que ele pegava algo no chão, refletindo se teria que fugir do que quer que fosse. Contudo, quando o mais novo avançou, não teve uma reação rápida o suficiente; logo se encontrava prensado contra uma das árvores daquele local, os braços imobilizados. Não teve tempo de pensar no que diabos ocorria na cabeça de alguém daquele tipo, quando algo foi esfregado nos cortes recentes de suas mãos. Algo duro, pontudo, e que não teve coerência para refletir no que poderia ser exatamente ao sentir a dor se propagar como fogo de suas mãos para o resto de seus braços, se mantendo intensa em sua origem.

    Pra que? Ouvira o que saíra da boca alheia, mas não parecia ter compreendido inteiramente. Imaginava agora que deveria ficar feliz de nunca ter sido propriamente alvo da atenção daquela criança, e tinha a certeza absoluta que queria ir para o mais longe dela que conseguisse. Cerrou os dentes, não se permitindo emitir um ruído sequer de dor, e abrindo os olhos que não notara que havia fechado no momento de surpresa. O próprio corpo tremia levemente; o esperado, sendo que suas terminações nervosas estavam sendo atacadas, mas não daria a satisfação ao outro de qualquer reação exagerada. Precisava sair dali, e ataca-lo fisicamente não só seria difícil, como provavelmente terminaria mal novamente para si. A cabeça também dolorida, o corpo ainda molhado, e sentindo que sangue começara a escorrer das mãos, encarou o rosto a sua frente com a expressão mais neutra que conseguia, pensando tentando achar qualquer brecha que fosse para escapar. Sua voz saíra baixa, mas assustadoramente suave. – Parabéns. Já acabou?
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Harold Wilhelm em Seg Jun 29, 2015 6:05 am

    Até que ele resistia bem para quem parecia uma menina. O que foi uma sorte e tanto para o albino, pois se o rapaz gritasse, os empregados viriam encher o saco e toda sua diversão iria por água a baixo. Mas ao mesmo tempo, o outro não se dava por vencido tão facilmente, embora também não fosse capaz de conseguir sair de onde estava. Não entendia de onde vinha aquele tom que o mais velho fez questão de usar contra si, como se estivesse com alguma vantagem para aquilo.

    Na verdade, eu iria acabar mesmo. Mas já que perguntou, posso ter mais algumas ideias. — Sorriu de forma simpática e agradável, que contrastava incoerentemente com seus dizeres. Ainda havia terra em sua mão, embora parte dela tivesse caído com os movimentos, mas era o suficiente para o que pretendia. O sorriso amigável finalmente tornava-se verdadeiramente malicioso, conforme distanciava a mão ocupada das feridas do rapaz, mas mantendo-o ainda preso com a outra. — Leve isso como uma dica pra você mesmo, certo? Da próxima vez que estiver em desvantagem: continue quieto.

    Não fez questão de força-lo a abrir a boca, mas esfregou a terra pelos lábios e nariz de Rin, com força suficiente para que pudesse sufocá-lo em pouco tempo. Não é porque era criança que Harold não sabia os limites de suas ações. Ele não sabia os limites porque, infelizmente, não dava a mínima para eles. Aquilo não seria suficiente para matar o loiro, mas seria o suficiente para que ele soubesse o lugar dele e não mais tentasse bancar o forte quando não estava em condições para tal. Anos mais velho e não sabia se livrar de uma criança, mesmo depois de se entregar as provocações infantis da mesma. Um ser daqueles não merecia muito respeito vindo de si.

    Não iria soltá-lo tão cedo, não ao menos que sentisse os pulsos presos em seus dedos enfraquecerem mais. Porém, uma voz conhecida e que não estava esperando ouvir naquela hora soou em suas costas, fazendo o albino virar rapidamente para trás e soltar o menor. — Tsc. Mas já? — Sussurrou para si mesmo, certificando-se que o outro estava ocupado o suficiente tentando tirar a terra dos poros, para tentar algo contra si naquele momento. Sua irmã havia voltado cedo com relação ao que esperava. Pelo som, estava se aproximando de onde os dois estavam e, infelizmente, da mesma forma que Rin, a garota era rápida também. Não é como se fosse apanhar, mas não estava afim de ouvir a bronca naquele momento, então fez o favor de bater em retirada antes que a mais velha pudesse ver pra onde ele tinha ido. Deixaria o rapaz aonde estava, por último, dando-lhe um chute na canela e finalmente desaparecendo dali. Sequestraria Zion no caminho e levaria para seu quarto, o ruivo ia gostar de saber o que havia feito com o amigo de Arthemis.
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Arthemis W. em Seg Jun 29, 2015 7:00 pm

    Realmente não queria ter que jogar a responsabilidade por um descuido seu, em cima de Rin. E provavelmente teria arrumado um jeito de solucionar aquilo, se ela não tivesse visto uma ótima oportunidade então. Ora, sabia bem que seu irmão estava crescendo de uma forma antissocial e solitária. Desde muito mais novo ele era daquele jeito, mas recentemente uma parte sua começou a lhe convencer “Vai lá e tente.” Pois bem, se Harold havia feito pelo menos dois amigos, ele poderia fazer um terceiro, um quarto, um quinto. Talvez estivesse enganada, mas tentar não custaria a vida de ninguém.

    Pensando daquele jeito que Arthemis pediu para que seu calouro supervisionasse seu caçula biológico, não conseguindo conter o sorriso do quanto aquilo seria bom se funcionasse direito. Partiu a caminho do dentista com Zion, às vezes esquecendo que o mesmo já estava maior que a si, assim como Harold já estava do seu tamanho e o próprio Heike em breve a ultrapassaria também. A albina, para uma garota, tinha o corpo muito bem evoluído e em comparação com a estatura de seu gênero, era alta. Ver que seus irmãos estavam crescendo tanto mesmo tão novinhos, era um enorme orgulho.

    Felizmente, nem ela nem Zion precisaram esperar muito na fila do médico, e o tempo que tiveram que fazê-lo, foi facilmente suprido enquanto os dois sempre se distraíam quando saíam juntos pra qualquer coisa. Dos três garotos, Zion de longe era o que Arthemis mais conseguia dialogar bem. Da mesma forma, os outros dois também só pareciam conseguir fazer isso com ele. Entre si, já era outra história. Raras foram as vezes que teve a chance de escutar Heike se abrir para si e Harold, se acontecesse, seria um milagre. Assim como entre os dois também nunca acontecia nada além de piadas, brigas e brincadeiras “de menino”. Apreciava a ideia de tentar dar uma nova amizade para o seu irmão mais complicado, mesmo que fosse arriscado. Se não funcionasse, Rin era prudente e bem, Harold não partilhava da mesma ideia da mais velha. Ao menos esperava que nada muito ruim pudesse acontecer, mesmo que a relação entre eles acabasse do ângulo negativo.

    Talvez sua ingenuidade com a situação devesse ser seriamente revista. Percebera isso quando não encontrou nem Harold e nem Rin em nenhuma parte da mansão, quando finalmente chegaram, ligeiramente mais cedo do que o esperado. Aquilo poderia ser uma coisa boa, ora essa. Mas 80% de seu corpo lhe dizia para se preocupar, a partir do sumiço de ambos e assim, apressou-se a caçar os dois pela morada. Ah, seria ótimo encontra-los na sala jogando videogame juntos, ou nem que fosse Harold em seu canto e Rin no outro estudando. Era demais pedir aquilo, ela deveria saber. Conhecia seu irmão melhor que ninguém, como pôde ser tão inocente? Finalmente ao desistir do interior da enorme mansão, decidiu que a melhor opção seria chamar pelo amigo. Deixou que Zion fosse para o quarto e saiu pelo jardim, tirando os fios prateados do próprio cabelo do rosto, que voaram quando o vento frio veio de repente. Pensou ter visto uma cabeça branca correr, mas antes que pudesse pensar em seguir, finalmente se aproximou o suficiente para ver o estado de seu amigo.

    Rin! — Exclamou, correndo na direção do mesmo, completamente encharcado e sujo de terra dos pés à cabeça, principalmente no rosto. Tirou o pequeno casaco que vestia pra usar como uma toalha improvisada, tirando o excesso de terra do rosto do rapaz. Que estrago era aquele? Sabia que as coisas poderiam sair do controle, mas aquilo havia passado dos limites. — Acho que melhorou um pouco... Vista isso, está frio aqui fora pra você ficar desse jeito. — Não esperava uma resposta, já cobrindo as costas e os ombros de seu calouro com o próprio casaco. — Não precisava ter ido tão longe, Rin... O que mais ele te fez? Me desculpa ter te pedido isso, eu vou ter uma conversa séria com ele mais tarde. — Pediu com sinceridade e preocupação, enquanto ajudava o loiro a se levantar.

    Venha, eu vou te emprestar algumas roupas. Você pode tomar banho e usá-las enquanto eu peço para as empregadas lavarem as suas e secar... Suas mãos! — Assustou-se, vendo de relance o estado que as palmas das mãos do garoto estavam. Arranhadas demais, com boa parte da pele descascada até ficar em carne viva. O que seu irmão estava pensando?! Além de que, naquele estado, Rin não demoraria até pegar um resfriado. Teria de pensar em algum castigo para Harold, mas era difícil afetá-lo com qualquer coisa. Talvez, pudesse pedir para seu pai cortar a mesada dele, se explicasse o que ele havia feito. De qualquer jeito, em primeiro lugar, cuidaria de Rin. E também pensaria em alguma forma de se desculpar. Deixou-se levar por um pensamento sonhador demais e machucou seu melhor amigo pelos atos inconsequentes de seu irmão.

    Me desculpa, mesmo. Não precisa se preocupar, eu não vou mais te botar nessa situação de novo. Foi irresponsabilidade minha desde o começo. Apenas vá para o banho enquanto eu pego alguma roupa que caiba em você, está bem? — E pediu uma última vez, depois que o levara para seu quarto, onde havia um banheiro pessoal para si. Rin já sabia como usar as coisas, pois não era a primeira vez que deixava seu calouro usá-lo por conveniência. Mas pensava se ele precisaria de alguma ajuda, com as mãos naquele estado. Bem, não haveria mal algum em perguntar, não é? — ... Você não vai conseguir fazer muita coisa com as mãos desse jeito. Eu posso ajudar, se preferir. — Achou que iria se constranger e corar, mas não aconteceu. Como instinto medicinal e preocupação com seu melhor amigo, não se deu tempo para aquilo. Ele devia estar muito incomodado com aqueles machucados e tudo ali precisaria do uso das mãos. Ajuda era imprescindível.
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Seg Jun 29, 2015 11:02 pm

    Já tinha a certeza concreta, do fundo de seu ser, que não deveria ter falado nada. Que Harold estava – irritantemente – certo, ao menos naquilo, e que provavelmente se livraria de um jeito mais fácil se apenas ficasse quieto. Porém, a vontade de desafiá-lo, de não apenas aceitar o que acontecia consigo, era forte em sua mente, mesmo que exteriormente mantivesse a calma do jeito que conseguia. Com a intensidade da dor em suas mãos diminuindo levemente – mesmo que ainda sentisse as feridas claramente marcadas em sua pele – observou, como se fosse em câmera lenta, para onde a mão que não o imobilizava se dirigia.

    Mal teve tempo de pensar em parar de respirar para impedir que engolisse ou inalasse qualquer pedaço do que, em algum canto de seu cérebro, registrava que era terra. Os olhos se fecharam novamente em reflexo, a sensação de nojo apenas amenizada pelo fato de que tentava manter a concentração para economizar o pouco ar que havia em seus pulmões, o que se provou um esforço praticamente inútil. Precisava de oxigênio. Mesmo se tentasse respirar ali, a única coisa que conseguiria eram restos do solo, e não ar. Nunca se afogara, ou tivera a menor experiência em que fora sufocado de qualquer forma, então só sabia as informações práticas do que deveria esperar. Conforme começava a se sentir tonto com a falta de ar, se perguntava se o outro iria ao ponto extremo de mata-lo ali. Não poderia ter certeza que a resposta era negativa.

    Registrou imediatamente quando a mão foi retirada de sua face, a reação automática sendo buscar o ar, mesmo ainda com o obstáculo do rosto sujo o impedindo de respirar propriamente. Sentia o gosto e o cheiro da terra lhe invadirem os sentidos junto ao tão necessário oxigênio, resultando em uma tosse repetida e na tentativa de retirar o excesso com as costas das próprias mãos; ainda tendo a noção perfeita do quanto as palmas haviam sido abusadas previamente. Estava longe de conseguir normalizar a respiração ou ter qualquer pensamento além do incômodo imediato da queimação de seus pulmões quando sentiu o chute na canela, deixando o local também dolorido e o levando direto ao chão.

    A situação correra da pior forma possível. Ao que ainda respirava pesadamente, ouviu a voz de Arthemis perto, retornando de vez sua racionalidade. É claro, não amenizaria o pensamento de que aquilo fora, inicialmente, culpa de sua veterana, mas não era exclusivamente dela. Ela não tinha culpa das atitudes do irmão que possuía, apenas de tê-lo deixado com um brinquedo novo para se divertir. Também não gostava de ser visto daquela forma, completamente diferente de seu normal, composto, limpo, e calmo. Mas, ainda assim, ao ver que ela tirava o casaco e o sujava para ajuda-lo a se limpar, logo após cobrindo-o, não conseguia sentir raiva alguma da mulher. Ela não se sentiria bem por aquilo, com certeza. Não prestava muita atenção no que era dito, a expressão vaga no rosto demonstrando apenas cansaço com tudo aquilo. Aceitando a ajuda para se levantar, observou a casa enquanto se aproximavam da mesma. De alguma forma, também não sentia raiva de Harold pelo ocorrido. Apenas vontade de não se aproximar dele, principalmente quando o mais novo estivesse sozinho. Nunca mais.

    O quarto da mais velha era um local que já conhecia, e em que se sentia ligeiramente mais confortável do que no resto da mansão. Chegando lá, também, sentia que o pior de seu estado emocional abalado já havia se amenizado, apesar de continuar sentindo as dores por todo seu corpo. O frio também diminuíra, já não estando do lado de fora, entretanto, sentia certos calafrios passarem por seu corpo que sabia serem um sinal do que mais tarde viraria um resfriado. Um pequeno sorriso voltou a sua face ao que era sugerido, o olhar se voltando ao estado das mãos, ainda sujas de terra, para examiná-las pela primeira vez. Considerando o estado das mesmas, também seria sorte não pegar uma infecção. Arranhões que viraram lacerações que o impediriam de ser útil por certo tempo. Olhando por esse lado, era até bom ter a certeza de que ficaria doente. Ao menos não precisava de perguntas no trabalho ou na faculdade.

    Voltando novamente a encarar a albina, concordou em um movimento leve de cabeça, se arrependendo assim que o fez. Certo, também havia levado uma pancada ali. - Não precisa se preocupar demais. Só isso que você falou está bom, de não me deixar nunca mais nessa situação. Mas sobre isso... – Gesticulou com as mãos para demonstrar do que falava, em um gesto breve. - É, talvez eu vá precisar de ajuda. – Não se importava de ter o auxílio dela para tomar banho. Talvez, preferisse, se fosse comparar a outros médicos. A mais velha também possuía o profissionalismo futuro requerido para a profissão, e se virar sozinho, inicialmente, também seria uma dor desnecessária, causada por apenas teimosia, se não aceitasse. E teimosia já havia lhe custado demais naquele dia.

    Se dirigindo ao banheiro, grande demais para o que estava acostumado – mas ainda assim, familiar – esperou que a outra o seguisse para começar a avaliar o que poderia ou não fazer. Primeiramente, tirar tanto o casaco alheio quanto o próprio – que estava jogado por cima do ombro – fora simples o suficiente. Iriam para o chão inicialmente, mesmo que não agradasse Rin; mas jogá-los no cesto destinado a roupa suja quando iriam lavar imediatamente seria inconveniente, e também sujaria outras roupas que, de outra forma, seriam mais fáceis de se lavar. Ele próprio também ajudaria a limpar a terra depois, se tivesse em condições. No entanto, testando de modo deliberadamente lento pegar as pontas de sua camisa, decidiu que aquilo não seria possível sem uma quantidade desnecessária de dor. Os ferimentos nas mãos pareciam queimar, e imediatamente cessando a ação, um pequeno sorriso constrangido foi lançado a Arthemis, indicando que precisava de ajuda. O constrangimento não era pela implicação de que tomaria banho na frente da amiga, no entanto; era algo como frustração consigo mesmo, por não poder fazer as coisas sozinho. Contudo, era algo com que precisava lidar.
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Arthemis W. em Qua Jul 01, 2015 5:46 pm

    Vindo de Rin, era apenas o esperado. Mas aliviou-se internamente quando o mesmo aceitou sua ajuda sem questionar ou hesitar muito. Ambos faziam medicina e, embora esta parte fosse mais responsabilidade de enfermeiras, ainda era necessário que tivessem ética quanto a casos daquele tipo. Então, nada melhor do que um amigo para treinar, certo? Enquanto o outro ousava em retirar as peças de roupa que conseguia, Arthemis aprontou a banheira e temperou a água de forma que ficasse agradável para o tempo e também para o corpo que já havia recebido muito do vento frio lá fora. Mas antes, seria uma boa ideia ele tirar o excesso de terra do corpo no chuveiro. Ao pensar nisso, voltou sua atenção para o loiro, na intenção de informar isso, quando o viu sinalizar que precisaria de ajuda para tirar a camisa.

    Não precisa levantar os braços, mas estique-os um pouco para frente, se puder. — Sorriu, com uma certa educação ao se aproximar o suficiente para levar as mãos à camisa do calouro, levantando-a pela barra e delicadamente passando-a por sua cabeça, puxando o tecido para frente pelos braços esticados, tomando todo o cuidado para que não arrastasse nos machucados das mãos. Jogou a camisa junto ao casaco, depois chamaria alguma empregada para levar e cuidar daquelas roupas. — Ora, o que é isso na sua testa, Rin? — Não havia percebido antes, pelo grau de preocupação que havia ficado, mas o loiro tinha uma marca avermelhada na testa e, quando passou levemente a ponta dos finos dedos, pôde perceber que também havia formado um galo ali. Harold o agrediu quantas vezes e em quantos lugares, afinal? Passava o olhar pelo tronco desnudo, aproveitando a falta das vestimentas para avaliar se ele havia mais algum outro local lesionado. — Está doendo muito? Tem mais algum outro machucado?

    Perguntou com uma atenciosidade que, se alguém ouvisse, poderia-se jurar que a garota estava falando com uma criança machucada. Mas aquele tipo de carinho era um hábito dela que carregava a anos, a cada vez que um de seus irmãos aparecia sangrando com três vezes mais machucados do que Rin estava naquele momento. Respirou fundo. Certo, ele precisaria de ajuda com a calça também, até por ela ter um tecido mais resistente e mais áspero do que a camisa. — Com licença. — Repetiu o sorriso. Sabia que ele não estaria desconfortável com aquilo, assim como ela não estava também, mas não custava nada manter o respeito ao invadir o espaço pessoal de seu amigo para tirar as roupas dele.

    Sem tanto trabalho, retirou o cinto alheio, guiando-o até o mesmo destino das outras duas peças de roupas. Ao desabotoar a calça, agachou o corpo flexionando os joelhos, no mesmo ritmo em que descia a peça, olhando apenas para os pés de Rin enquanto o fazia. Tirou os sapatos do mesmo sem tanta dificuldade e em seguida as meias. Se perguntava o que havia acontecido para tudo estar tão encharcado. Harold teria jogado ele na piscina, era a única forma, pois não havia chovido naquele dia.

    Finalmente, tinha a muda de roupas sujas quase completa. — Se não se importa, vou deixar a última parte para você, enquanto levo isto daqui. — Não teria problemas em tirar a boxer que Rin usava também, mas não seria muito trabalhoso para ele mesmo fazê-lo. Se não tivesse condições, ajudaria sem problema algum, mas peças íntimas eram fáceis de tirar apenas com os polegares se preciso. Recolheu as roupas do chão, vendo o pouco de terra que elas deixavam no piso, fazendo uma nota mental para limpar aquilo depois. — Mas se tiver problemas mesmo assim, eu ajudo também. — Esclareceu com o mesmo tom sereno de voz, antes de virar-se.

    Passou do banheiro para o quarto rapidamente. Ao lado de sua cama, havia um botão preso à parede que a albina apertou uma vez, deixando as roupas sujas no criado-mudo. Aquele botão tinha em vários cômodos da mansão e eram utilizados para chamar um empregado por assistência, qualquer que fosse. Qualquer um que viesse, veria a roupa suja embolada no criado-mudo e já saberia o que fazer. Então, Arthemis voltou ao banheiro.

    Pronto, agora você não vai mais precisar esperar muito quando sair. Já pedi para alguém lavar suas roupas. Ah, e vai ser melhor você ir para o chuveiro antes, ou vai encher a banheira de terra e não vai te limpar como deve. — Proferiu, retirando as meias dos pés, que permaneceram mesmo quando ela já tinha tirado os dois sapatos. O piso estava gelado, ainda assim. — Eu vou entrar junto, vai ser melhor para te ajudar. — Anunciou, pensando se seria uma boa opção tirar parte das roupas também. Não iria tomar banho com ele, iria apenas ajuda-lo, mas com certeza se molharia também e esfriar tecido úmido nas costas por muito tempo poderia lhe fazer mal. Além de que, a única peça de roupa que estava realmente suja era seu casaco. Seria desnecessário encharcar todo o resto. Também seria uma forma de não deixa-lo muito constrangido – caso ficasse –, por ser o único desnudo ali. Optou então, por se juntar a ele. Sem mais delongas, retirou a saia e o suéter que vestia, prendendo o cabelo num coque, para evitar que os fios longos atrapalhassem sua mobilidade. Permaneceu com as peças íntimas, já que elas seriam lavadas depois de qualquer forma.

    Escolheu qual seria a temperatura mais agradável para que nenhum dos dois congelassem e nem fritassem debaixo do chuveiro, e assim pôde sinalizar para Rin entrar dentro do box pela porta de vidro aberta. Pediu para que o calouro fechasse os olhos, pegando a ducha pendurada na parede e ligando-a, pois seria mais prático lavá-lo por aquele meio e começando por sua cabeça. Passava os dedos da mão desocupada delicadamente junto a água, retirando a terra e até mesmo algumas folhinhas da grama do jardim que estavam ali. Usava o máximo de leveza nas mãos, pois não sabia se ele estava sentindo dores na cabeça que não fosse na testa. As madeixas curtas e loiras eram sempre macias e de fios finos, não teve tanto trabalho para limpá-las. Deixaria para passar qualquer produto na banheira, então, passou para os ombros e as costas. A água levou boa parte da terra que ainda restava no corpo, conforme deslizava pelo rapaz e agora ele parecia limpo o suficiente para entrar na banheira sem ficar no meio de caroços de terra e grama.

    Pode virar pra mim, Rin? Preciso lavar suas mãos. — Assim que ele o fez, Arthemis diminuiu a força da água o suficiente para que não doesse tanto. Gesticulou para que ele esticasse as palmas da mão voltadas para cima. — Sei que isso vai doer, mas aguente, tá bem? Não vou deixar isso infeccionar de jeito nenhum. — Lentamente foi deslizando o líquido morno pelas feridas, a temperatura também ajudaria a limpar. Não seria o suficiente, mas seria muita dor para Rin se ela passasse sabão por cima. Deixaria a água fazer o que poderia e a banheira continha sabonete líquido. As lesões sangravam pouco, mas a epiderme estava praticamente toda atingida. Tinha remédios de sobra ali e imaginava se seria seguro o rapaz voltar pra casa e cuidar das coisas sozinho com as mãos naquele estado, mesmo que depois fosse colocar curativos. Talvez fosse justo dá-lo assistência, como forma de se desculpar também, já que indiretamente, ela era a responsável por aqueles ferimentos.
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Qui Jul 02, 2015 12:20 am

    Estando na condição de paciente, não tinha muito como questionar o que era dito; não que fosse fazê-lo de qualquer forma, quando as palavras vinham em tom tão suave de alguém que possuía sua completa confiança. Esticou os braços, facilitando o processo da retirada da própria camisa, que com o cuidado necessário passou por suas mãos sem que sentisse qualquer faísca de dor além da que presente, a qual já estava se acostumando. À pergunta de Arthemis, lançou um olhar curioso à mesma, tanto o próprio questionamento quanto o dela respondido ao sentir o toque delicado em sua testa, fazendo o corpo do loiro tencionar brevemente. Deveria ter imaginado que teria um galo ali. – Não, acho que não. – Respondeu, suave, refletindo sobre a quantidade de vezes que havia sido agredido naquele dia. Além dos que produziram os ferimentos já vistos e ter sido jogado na piscina, talvez só o chute na canela, que apesar de dolorido na hora, fora sua menor preocupação.

    Apreciava, além da suavidade da amiga, a educação que era sempre mostrada, mesmo que fossem íntimos. Talvez não o suficiente para tirarem a roupa um do outro, mas ainda que a situação fosse necessária, sentia-se assustadoramente confortável com aquilo. Não gostava de se expor ou sequer mostrar muita pele no dia-a-dia, tendo pegado o costume de sua mãe de se vestir de modo que acreditava ser decente;  fugindo da imagem do que era seu irmão mais velho. E ainda assim, levantando um pé de cada vez para ajudar a mais velha a retirar sua calça, sentia como se fosse um ato natural de sua parte. A única coisa que o incomodava com a falta das vestimentas naquele segundo era o fato do frio ter aumentado à sua volta, mesmo que não fosse muito melhor com as peças de roupas molhadas.

    Com a colocação seguinte da albina, pela primeira vez, no entanto, lhe ocorreu que a outra poderia não estar tão confortável com o que ocorria ali, mesmo que fizesse o que era necessário como médica. Não achava que teria muitos problemas para retirar a peça que faltava, concordando em uma afirmação suave, lembrando-se de que deveria parar de usar a cabeça para o ato. Flexionando as mãos lentamente para ver até que ponto poderia mexê-las o mais confortavelmente que conseguia, terminou por deslizar a boxer pelas pernas com a ponta dos polegares, se perguntando onde deveria deixa-las já que Arthemis levara as roupas. Apesar de querer outra para vestir, esta, surpreendentemente, não estava suja de terra, e talvez a melhor opção fosse usá-la novamente, principalmente por não saber qual seria a outra alternativa.

    Com a volta de sua veterana, concordou novamente com o que era dito com um breve sim, senhora com as escolhas feitas que eram, apesar de tudo, as mais sábias. Também não se importava em vê-la sem roupa, tendo o mesmo profissionalismo que ela demonstrava e nenhuma atração em particular que o impelia a ficar envergonhado, mesmo que já tivesse ouvido algumas pessoas comentando do corpo alheio consigo, achando que ele concordaria prontamente por serem próximos; os que se aventuravam a isto apenas ganhavam uma cara de por que enquanto Rin os ignorava. A única coisa que chegava a incomodá-lo com estética, nele mesmo e nos outros, era o cabelo. Fora aquilo, pouco importava.

    Desviou o olhar enquanto ela retirava as vestimentas apenas por não querer constrange-la, notando que, mesmo com as roupas intimas, não faria muita diferença quando estivessem molhados. E enfim, adentrou o chuveiro, fechando os olhos conforme o que era recomendado. O toque da água morna em seus cabelos e pele era mais do que bem vindo, retirando em parte tanto o frio quando a sensação grudenta de cloro que parecia ter se tornado parte de seu corpo. Chegou a se sentir sonolento com o toque leve que limpava os fios loiros, seguido pelo conforto imenso de também ter o excesso de terra retirado de si. Mesmo sendo relativamente simples ainda a limpeza, sentia-se melhor do que estivera a tarde inteira. Conforto que fora interrompido ao que teve que virar-se, preparando-se para o que estava por vir.

    Levantou as palmas das mãos para que ficassem ao alcance da mais velha, já possuindo um aspecto menos sujo do que quando estavam secas. No entanto, seria imprescindível uma limpeza eficiente para que diminuísse as chances de qualquer infecção e o processo de cura pudesse ser acelerado. Inspirou e expirou lentamente, antes de prender a respiração quase inconscientemente ao sentir a água bater nas feridas. Não estava forte, mas não deixava de fazer toda e extensão de suas palmas arderem. Entretanto, ao término daquilo, finalmente conseguia vê-las sem qualquer sujeira, e apenas podia rir internamente do estado em que se encontravam. Deplorável.

    Ao término da limpeza geral, esperou que Arthemis abrisse a porta do box e fizesse caminho para a banheira, indo atrás e enfim adentrando a água, mais quente que a anterior. Quase afundou ali mesmo, tendo vontade de deixar apenas o rosto de fora, fechar os olhos e dormir por alguns anos naquele local. Contudo, ainda tinha com o que se preocupar, e estava sendo ajudado ali; então sentou-se propriamente, de costas para a albina, esperando mais dos cuidados vindos da mesma.  


    Última edição por Rin Damien em Sex Jul 03, 2015 10:02 am, editado 1 vez(es)
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Arthemis W. em Qui Jul 02, 2015 8:20 pm

    Depois de finalmente considera-lo “limpo” o suficiente para se dirigir a banheira, guardou a ducha de volta presa no apoio da parede, sentindo o corpo estremecer com um choque térmico sutil assim que abriu mais uma vez a porta de vidro do box. Enquanto o rapaz dirigia-se até a banheira, a garota deu uma ligeira olhada em si mesma, constatando o que esperava que fosse acontecer. O tecido de suas peças íntimas nunca era muito grossos, afim de seres confortáveis. Mas, em compensação, por serem claros – por opção dela mesma –, transpareciam facilmente. Por um lado, aquilo era curioso. Parando para pensar, estavam os dois nus dentro do banheiro. Se fosse contar só o que estavam fazendo ali, ninguém acreditaria ser verdade, devido as condições e até mesmo a proximidade dos dois. Mas, sabia que, pelo outro lado, era justamente aquela proximidade que tinha com Rin que determinava o quão tranquila e confortável estava com a situação. Nunca fora muito rápida para captar intenções maliciosas de outrem a si, mas se tinha algo que seu calouro lhe passava, era um extremo sentimento de confiança e liberdade, no qual não precisaria se preocupar em conter ali. Além de, é claro, as prioridades cegarem completamente qualquer resquício de constrangimento que a situação poderia oferecer mesmo naquelas condições.

    Daquela forma, adentrou a banheira de forma que ficasse atrás dele, mas deixando apenas as pernas dentro d’água, sentando-se na beirada de mármore. Sentiu um calafrio também pelo material estar gelado, e uma certa inveja de Rin por estar bem mais quentinho que ela. Mas certo, ao trabalho.

    Me diga se doer ou se ficar desconfortável, tá? — Iria lavar o cabelo dele, afinal. Deixou o produto sutilmente viscoso e rosado acumular na palma de sua mão, aos poucos começando a espalhar pelo cabelo dele. Sem usar muita velocidade nos dedos para que o produto começasse a espumar mais rápido, apenas massageou as madeixas claras, afim de não provocar-lhe nenhuma dor desnecessária. Inconscientemente, foi inclinando o corpo para frente, afim de observar se iria cair sabão nos olhos do mais novo, abrindo um sutil sorriso por sempre gostar do cheiro daquele shampoo. Havia uma ducha também ao lado da banheira, que a veterana usara da mesma forma que anterior, mas desta vez para tirar o produto do cabelo de Rin. Os fios ficaram ligeiramente secos, por estarem limpos devidamente.

    Talvez não fosse uma boa ideia por questões de higiene, usar sua esponja pessoal. Então, levantou-se da banheira indo em direção a um pequeno armário embutido na parede do banheiro, abaixo da pia, onde havia uma nova empacotada. — De uma próxima vez que precisar tomar banho aqui, essa aqui vai ficar separada para você. A minha é branca, então não tem confusão. — E sorriu, balançando o saquinho com a esponja esverdeada dentro dela. Voltou a sua posição inicial, depois de abrir o plástico da embalagem e apertar o objeto macio em mãos, molhando-o na água da banheira e colocando um pouco de sabonete líquido no mesmo. Como as costas de Rin estavam bem, começaria por elas até por já estar atrás dele. — Paf. — Pronunciou a onomatopeia bobamente, ao mesmo tempo em que batera com delicadeza a esponja nas costas do calouro, com a viscosidade do sabonete fazendo um som parecido no impacto. Soltou uma curta risada após aquilo, começando a esfregar as costas de tom claro.

    Levantou-se mais uma vez e deu a volta pelo mais novo, afim de sentar-se agora na frente dele. Repetiu o processo das costas nos ombros, braços, tórax e abdômen. Pediu para que ele deixasse as mãos um tempo de molho dentro da água, visto que ela continha sabão e seria bom para ajudar a desinfetar um pouco mais as feridas. Conforme ia tirando os fios da franja, também acabava borrando a si mesma de espuma e logo constatava que também seria uma boa ideia ela própria tomar um banho digno depois de ajudar o amigo. Ao partir para limpar as pernas do loiro, precisou tirar uma por uma de dentro da água para que pudesse fazê-lo e, em uma delas, um pequeno hematoma na canela a chamou atenção.

    ... Mais um? — Perguntou, suspirando e passando a esponja pelo local de forma mais suave do que no resto. Pelo menos, aquele ali não parecia tão grave e em breve aquela marca sumiria. Para finalizar sua tarefa, assumiu um semblante ligeiramente levado, deslizando a ponta do indicador na sola do pé do mais novo, verificando se ele sentiria cócegas ali.
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Sex Jul 03, 2015 10:03 am

    Não era muito trabalho esperar que a mais velha se ajeitasse para o que faria; não no conforto em que se encontrava naquela água quente. Mesmo que em uma postura decente, era inevitável a volta da sensação sonolenta que sentira previamente. Se conteve pra não dormir ou escorregar enquanto Arthemis cuidava de seu cabelo com a mesma suavidade de antes, entrando em um agradável estupor que talvez o revigorasse ainda mais posteriormente. Apenas saíra dele ao notar a albina se levantando, piscando lentamente antes de virar a cabeça para ver ao que ela se referia. Era engraçado como em pouco mais de um ano haviam se tornado ridiculamente próximos, ao ponto de ter coisas reservadas para si na casa da amiga. Mas, de novo, estavam tomando banho juntos. Não achava que qualquer outra coisa viria a ser uma surpresa.

    Riu soprado da esponja batendo em suas costas junto ao som produzido, achando graça dos momentos em que podiam fazer pequenas brincadeiras infantis, mesmo em uma situação responsável. Percebeu que não conseguia mais produzir pensamentos muito complexos naquela situação, como seu cérebro estivesse virando uma daquelas esponjas; apenas voltou ao estado anterior, observando com certo cansaço ao que a veterana mudava de posição e continuava o trabalho, mantendo as mãos dentro d’água como era recomendado. Mesmo que estivesse com preguiça devido a tudo aquilo, ainda era uma sensação levemente incomum. Sentia o próprio corpo quente, e mesmo que a temperatura do líquido onde se encontrava mantivesse tal estranheza térmica sutil, Rin já ficara doente vezes o suficiente para reconhecer aquilo pelo que era. Febre. Ótimo. Tinha certeza de quando saísse da água, estaria mais frio do que absolutamente necessário.

    Voltou o olhar ao ponto que a mais velha indicava quando se pronunciou, podendo observar também que mesmo o chute que não sentira tanta repercussão havia deixado uma marca. Suspirou brevemente em demonstração de seu desagrado, expressão que logo se transformou em uma risada repentina ao que deslizou um dedo em seu pé em uma tentativa de cócegas, o fazendo tentar retirá-lo do local imediatamente. Não lembrava da última vez que tivera que fugir daquilo. – Não faça isso. – Apesar das palavras, havia uma sombra de riso em sua voz. No entanto, percebeu também que a própria garganta começara a arder levemente, outro sintoma resultante de sua provável condição. Hesitou antes de falar, não querendo preocupar a albina depois de tudo aquilo – mesmo que houvesse sido em parte, culpa dela – mas da forma em que se encontrava, o loiro não conseguiria disfarçar o estado por muito tempo. - ... Arthemis. Talvez seja bom pegar um termômetro, e remédio. Com certeza quando sair daqui, não acho que vá estar muito bem.
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Arthemis W. em Seg Jul 06, 2015 10:15 pm

    Imaginava que ele fosse reagir daquele jeito, soltando uma risada um pouco mais espontânea, obedecendo ao que ele pedira ao que soltava seu pé e delicadamente o apoiava de volta no fundo da banheira, debaixo d’água. Agora podia se concentrar em enxaguar o cabelo dele e todo o resto que havia ensaboado, exceto o que já estava submerso por não ter a menor necessidade, obviamente. Mas não iria voltar para trás dele, pois poderia fazer aquilo ali mesmo. Então, só pegou a ducha na intenção de começar pelo cabelo dele, até ouví-lo dizer o que sentia. Era esperado que ele fosse realmente reagir a friagem que havia pego, com o corpo todo molhado, com um resfriado. Mesmo que o tivesse agasalhado um pouco, havia chegado muito depois e não sabia quanto tempo ele havia ficado exposto ao vento frio naquela situação. Levou a mão desocupada até o pescoço do loiro, na intenção de verificar se ele já estava com uma temperatura consideravelmente alta. Mesmo que a água da banheira estivesse quente, poderia sentir se havia alguma alteração vinda do próprio corpo do rapaz, até por ter uma certa sensibilidade física para tal. Da mesma forma, afastou a franja ainda com shampoo da testa de Rin, encostando a sua própria ali. Seria mais fácil de perceber do que com a palma da mão. Não apenas a pele do rapaz emanava mais calor do que o recomendado, como também sua aparência já estava começando a ficar ligeiramente pálida e apática. Piscou uma vez e logo se afastou novamente, pensativa e preocupada.

    Ainda não está tão quente assim, mas sim. Dá pra notar que você não está bem e vai piorar se eu não fizer nada... Então, vou tratar de terminar bem rápido pra poder te colocar um agasalho e te dar um remédio logo, pra poder cuidar do resto e verificar direito sua temperatura. Tudo bem? Feche os olhos, por enquanto. — Sorriu, procurando aliviá-lo com aqueles dizeres. Procurou ser delicada e objetiva ao mesmo tempo, para que tirasse todo o sabão de Rin apropriadamente, até finalmente poder dar permissão de saírem da água e poderem se secar. Rapidamente pegou uma toalha limpa do armário e o enrolou nela, protegendo principalmente suas costas. Com uma um pouco menor, secou todo o cabelo dele facilmente, já que era curtinho. Era tão adorável como ele era fácil de cuidar, que Arthemis inconscientemente implantou um singelo sorriso no rosto enquanto terminava de secá-lo direito.

    Após isso, finalmente poderia secar a si mesma, por fim enrolando uma toalha no cabelo, pra que não molhasse as costas, ou acabaria se juntando ao mais novo e ficando doente também. — Espere aqui um pouco. — Saiu do banheiro daquele jeito mesmo, pois não havia levado roupas para lá. Agradeceu mentalmente por ter fechado a enorme janela do quarto antes de tudo, ou poderia dizer olá para um resfriado também. O armário ficava no canto do aposento, embutido na parede com uma portinhola no meio que dava para um closet interno. Ali ela costumava guardar seus pijamas e tinha alguns de aparência bem mais neutra do que os que ela gostava de usar mais vezes. A sorte era que Rin não tinha a estatura grande. Poderia pedir emprestado algumas roupas de Harold, mas depois do rapaz ter passado por toda aquela situação por conta de seu irmão, imaginou que ele não ficaria nada feliz de ter que, além de tudo, usar as roupas dele. Achou um moletom azul claro que serviria bem, além de ter o tecido bem quente. Pegou um par de meias na gaveta e outro de sandálias na estante de sapatos, além de é claro, uma roupa para si também.

    Voltou ao banheiro, sentindo a diferença de ambiente mais uma vez, pelo recinto ainda estar cheio de vapor quente e muito mais agradável por conta disso. Entregou-o a muda de roupas e lamentou por não ter como dá-lo uma segunda roupa íntima, sendo a única opção a anterior. — Aqui, perdão a demora. Acho que vai caber direito, e... Ele tem uma flor pequena na gola, desculpa. É o pijama mais neutro que eu tenho. Mas ele é confortável e aquece bem. — Se desculpou com um sorriso sem graça, mesmo sabendo que Rin não ficaria muito infeliz com aquele detalhe. Como a lingerie que usava não estava servindo pra nada, não se importou de tirá-las ali mesmo para que pudesse vestir-se também. Não faria nada no cabelo por enquanto, pois tinha o que fazer ainda. Tirou a toalha do calouro e a pendurou do lado do box, agora ajudando-o numa tarefa inversa da primeira: vestir-se. Colocar o moletom foi a parte mais difícil, por conta das mangas, mas conseguiu passar sem problemas, usando de paciência e cuidado. Desta vez, ajudou-o a vestir a boxer também, tratando de olhar para o outro lado para não ser inconveniente. A calça foi o mais simples e as meias idem, colocando o par de sandálias a frente do loiro para que ele calçasse. Era só colocar os pés, de todo jeito.

    Pode deitar na minha cama se estiver muito indisposto, enquanto eu pego o que preciso, tudo bem? Está sentindo mais alguma coisa além da sensação de febre? — Perguntou, dando-o passagem para o quarto. Depois organizaria melhor o banheiro. Depois de terminar de cuidar do loiro devidamente.
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    Rin Damien
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Rin Damien em Ter Jul 07, 2015 4:20 am

    Deixou que a mais velha analisasse sua temperatura, mesmo que superficialmente, para ter noção de como estava a condição de Rin. Por um momento tencionou o corpo, quando Arthemis depositara a testa contra a própria de modo a ter uma leitura melhor de sua temperatura, devido ao galo que agora sabia existir ali. No entanto, com a delicadeza que a mesma o fazia, logo voltou a relaxar, encarando o rosto a sua frente em uma mistura de curiosidade e da própria lentidão mental que sentia no momento. Continuou com a mesma expressão ao ouvir o que era dito, a modificando lentamente para um pequeno sorriso ao que concordava brevemente e fechava os olhos para que pudesse voltar a ser propriamente enxaguado. Sua veterana realmente possuía um jeito que lhe lembrava, de todas as pessoas, sua mãe. Talvez por ser uma característica materna em geral o cuidado que ela possuía com os outros, e mesmo que o pensamento lhe doesse, também chegava a o esquentar e aumentar a afeição que tinha por sua amiga, de certa forma. Ou talvez fosse apenas mais da febre. Não conseguia ter certeza.

    Finalmente tendo permissão para sair da água, não sabia se queria fazê-lo. É claro, era necessário, mas possuía certeza absoluta de que estaria mais frio gradualmente; primeiramente fora da banheira, e logo após no quarto da albina. Entretanto, não poderia ficar parado lá para sempre. Levantou-se hesitantemente e se retirou do recipiente, encolhendo-se em reação automática ao já sentir certa diferença de temperatura se contrastar com seu corpo alterado. Contudo, foram apenas alguns segundos até que tivesse uma toalha enrolada em si, logo após tendo o cabelo secado sem maiores problemas. Ao ser orientado para esperar ali, sentou-se na borda da banheira, sentindo que as pernas estavam mais pesadas do que deveriam ser. Odiava aquela sensação de impotência, de não poder – ou não ter vontade alguma – de fazer absolutamente nada de sua vida além de deitar e dormir até que melhorasse. Tinha coisas para cuidar. Coisas que deixaria de fazer tanto por ter pego um resfriado quando pelas mãos incapacitadas. Não adiantava se perguntar o que teria acontecido se apenas tivesse ignorado o pedido de Arthemis mais cedo, naquele ponto. Era culpa de todos por não terem a devida noção, e de Harold de uma forma mais afetada que as demais. Suspirou em cansaço novamente, sabendo que não adiantaria pensar naquilo. Não sabia como a mais velha lidava com projetos de pessoas daquele tipo todos os dias.

    Levantou-se, retirando-se de seus pensamentos, ao ouvir a porta abrir-se novamente. Uma risada fraca deixou seus lábios ao que viu o pijama, balançando a cabeça – já não tão dolorida – levemente em negação. – Não tem problema isso. Obrigado, Arthemis. – Nunca ligara tanto para gênero em relação a roupas, e aquela parecia normal o suficiente para que a usasse; e também havia o fato de que sempre apreciara jardinagem em geral, apesar de não ter muito espaço para manter mais do que vaso ou outro de plantas pequenas em seu apartamento. Uma flor era uma adição, no mínimo, simpática. Esperou a albina se vestir e passar para a tarefa de botar as roupas em si, que com algum trabalho e paciência, foi bem sucedida. Estando completamente vestido em roupas confortáveis, sentia-se um pouco melhor, mas sabia que era apenas uma sensação momentânea antes que saísse para o ambiente mais frio.

    - Garganta está meio estranha. O resto é consequência da febre mesmo, acho. – Se referia à indisposição, sono e sensação do corpo particularmente pesado. Considerando a quantidade de sintomas que resfriados poderiam vir com, aquilo não estava tão ruim. – Mas vou deitar mesmo. – Completou suavemente, enfim retirando-se do banheiro. Sabia que iria se arrepender, e assim que sentiu a mudança gélida que parecia chegar em seus ossos, fazendo arrepios passarem por seu corpo, confirmou as divagações anteriores. Concentrou-se em chegar na cama e na coberta, se afundando na mesma e cobrindo-se por completo, deixando apenas os fios loiros do cabelo de fora. Frio. Sua mente não ligava momentaneamente em parecer uma criança naquela situação, o misto de friagem com o calor do próprio corpo sendo desagradável o suficiente para que apenas quisesse conforto e uma boa noite de sono.
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    Re: [#28] Bancando a babá

    Mensagem por Arthemis W. em Sab Jul 11, 2015 8:43 pm

    Deixou que Rin ficasse à vontade em seu quarto, retirando a toalha do cabelo e pondo-a no banheiro de volta, fazendo caminho até a saída do cômodo e direcionando-se rapidamente até a cozinha, onde havia uma pequena dispensa com remédios e bandagens. Era sempre indispensável ter aquele material em casa, graças aos seus irmãos que constantemente se feriam e até mesmo alguns empregados se machucavam por conta deles. Havia uma pequena maleta de primeiros socorros que poderia usar, além de pegar remédios para garganta e febre. Parou para pensar se necessitava de mais alguma coisa e também para verificar se tinha tudo o que precisava, para evitar que voltasse toda hora. Confirmando que nada mais faltava, pegou uma garrafa d’água e deu meia volta, carregando tudo sem nenhum trabalho, novamente para seu quarto.

    Sorriu com a imagem um tanto infantil de seu calouro deitado em sua cama, coberto totalmente e com apenas um tufo dourado exposto para fora. Em silêncio, mas ciente de que não poderia deixa-lo dormir como o mesmo provavelmente gostaria, puxou um banquinho para perto da cama e colocou o que havia trazido da cozinha em cima dele. Sentou-se na cama, ao lado do corpo deitado, pousando a mão levemente onde deveria ser o abdômen do garoto. Fez uma pequena pressão ali, na intenção de chamar a atenção do mesmo. — Rin? Voltei. Vou precisar que você sente um pouco, por favor.

    Disse num sussurro, como se fosse para não assustá-lo, mesmo que não houvesse nenhuma necessidade. Era apenas a gentileza da garota e sua vontade de deixa-lo ali até que dormisse tranquilamente. Mas não poderia deixar as feridas do mesmo daquele jeito por mais tempo, ou ele teria sérios problemas de infecção. Tendo o loiro na posição em que precisava, o estendeu o remédio para a febre e um outro para a garganta, ambos em cápsulas, junto com a garrafa de água para que o auxiliasse a ingerir. — Vai demorar uns dez ou vinte minutos pra fazer efeito, como sabe. É o tempo de tratar das suas mãos e passar uma pomada nesse galo na sua testa. Vou te deixar dormir depois disso, tá? — Sorriu, esperando-o terminar de beber e devolver-lhe o recipiente. Pediu que estendesse uma das mãos, para que começasse a tratar das feridas da devida forma, começando por desinfetá-las cuidadosamente de forma que água e sabão não seriam suficientes para fazer igual. Como, inevitavelmente, a substância continha álcool, iria arder com certeza. Então pensou que conversar poderia ser uma boa opção para distraí-lo da dor um pouco.

    Escuta, sei que vai ser difícil de você fazer suas tarefas em casa com as mãos desse jeito e ainda mais resfriado. Eu ainda preciso me desculpar pelo que o Harold fez com você... Será que eu posso passar alguns dias na sua casa pra te ajudar no que você precisar? Você mora sozinho, vai ser difícil e você pode acabar piorando as feridas acidentalmente. Não me importo de dormir no sofá também. Tem a Albinoni pra me fazer companhia, qualquer coisa. — Sabia que o garoto gostava de ter o espaço dele e ela também gostava de ter o dela, mas era uma medida necessária, visto que com as mãos inutilizadas, ele tinha boa parte de sua capacidade funcional reduzida. Terminou com uma, prendendo bem as bandagens, gesticulando para que o loiro lhe desse a outra para continuar o serviço. Ao acabar a repetição, passou um pouco de pomada para melhorar o hematoma que estava começando a se formar na testa do rapaz, junto ao inchaço. — Acho que está bom. Por enquanto, só durma. Eu vou ficar aqui estudando quietinha, se precisar de algo é só me pedir, tá? — Fez um leve afago nas madeixas claras, reorganizando os pertences da maleta de primeiros socorros e deixando o banco novamente em seu lugar. Depois levaria tudo de volta para cozinha. Arrumaria o banheiro antes de começar suas tarefas acadêmicas e deixaria Rin dormindo enquanto isso. ”Pensando melhor... Será uma boa oportunidade conversar com o Harold agora e não envolver Rin nisso.” Deduziu por fim, enquanto o banheiro voltava a sua devida ordem. Devolveria os pertences da despensa da cozinha e seguiria para o quarto do garoto. Não poderia deixar o irmão passar daquilo ileso.

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    Re: [#28] Bancando a babá

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      Data/hora atual: Ter Jun 27, 2017 8:20 am