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    [#04] Turno livre - Fora da Nave

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    taurusnero
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por taurusnero em Dom Out 22, 2017 9:37 pm

    Com tudo decidido, nada restava além de comunicar a todos as decisões que haviam tomado, dessa vez em alto e bom som e tentando ao máximo ignorar o excesso de barulho que o sagitariano produzia. Muito provavelmente - depois de tamanha bagunça - a maioria dos guerreiros já possuía suspeitas do que seria feito naquela primeira parte da missão, porém tomou como sua responsabilidade deixar tudo o mais claro o possível, observando as palavras serem convertidas em um arquivo por Arthemis e repassado para os comunicadores de todos os guerreiros que os acompanhariam naquela missão – também, provavelmente, para outros que por ventura precisassem dar suporte em caso de falhas graves durante a mesma.

    Após tudo estar devidamente explicado, seus ouvidos propriamente trabalhados para somente escutar aquilo que considerava importante, e suas mãos ocupadas por sua arma e uma bolsa que pesava consideravelmente sobre seu ombro, lançou um olhar breve aos que entrariam consigo, acenando com a cabeça em direção ao teletransporte, e, finalmente, atravessando-o para dar de cara com um ambiente há muito conhecido, mas que parecia bem diferente do que estava acostumado a ver.

    Não demorou mais que um segundo para largar a bolsa ao chão - próxima ao aparato tecnológico - e acionar o enorme machado, liberando as lâminas de plasma e se preparando para qualquer possível ataque. Nada. Não havia nenhum inimigo por perto, se sua análise breve lhe era confiável. Sob suas plantas do pé não havia qualquer vibração, qualquer sinal de movimento próximo, e os odores que absorvia somente lhe diziam “floresta” e reaviva a certeza de que tinha os seus companheiros aos seus lados. Estreitou o olhar. Aquilo era estranho.

    Porém, nada foi vociferado por si de imediato, apenas desviou o olhar para Rin, esperando que ele assumisse o posto outrora combinado e focou Harold logo em seguida, observando-o trabalhar por instantes mínimos.

    Certo, também precisava agir.

    Sem pensar muito, deixou que as pernas o guiassem para um pouco afastado do capricorniano. Não precisaria ir longe, ao menos não naquele momento inicial. Apenas tentaria usufruir de seus sentidos absurdamente avançados e assistir a floresta sem necessariamente usar dos olhos. Respirando fundo, deixou que as pálpebras escondessem as orbes e aguçou a audição, o tato, o olfato... Ouvia muito bem os movimentos de seus companheiros. Ouvia o vento batendo nas folhas, ouvia os sons da natureza e sentia sua fragrância invadir suas narinas e criar imagens em sua mente. Mais uma vez, sob os pés, focou em toda possível vibração...

    E algo lhe incomodou profundamente.

    Nero não resistiu a abrir os olhos, estreitando-os em pura confusão para o nada, antes de lançar um olhar breve para os companheiros. Eles estavam bem, e isso era bom. Mas tinha algo de muito estranho acontecendo. Ainda com a face contorcida, o taurino voltou a fechar os olhos e suas suspeitas foram confirmadas.

    Tudo que sentia... Era morto.

    Florestas possuem animais. Possuem movimentos pequenos e grandes e todos os tipos de sons. No entanto, o máximo que ouvia era o chacoalhar das folhas, o uivo do vento – que ainda parecia tímido -, as palpitações de apenas três fluxos sanguíneos. Aquilo não era normal. Era, em realidade, extremamente assustador. E novamente abriu os olhos, caminhando a passos incertos até o capricorniano.

    - Está tudo muito quieto. Isso não é normal.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Out 28, 2017 5:24 pm

    Por mais que Harold tivesse todos os desvios de caráter que o fizeram ter motivos suficientes para estar ali – naquela merda toda – como uma suposta pena de morte, trabalho ainda era trabalho. Ele lhe rendia força, habilidades, evolução. Dinheiro, também, ainda que bem mais indiretamente do que quem recebia salário ali. O que não era o caso do albino. Mas era sua forma de ainda continuar vivo, já que lhe foi tirada a única fonte de prazer que possuía antes da lavagem cerebral. E não tinha o direito de sequer sentir falta dela. Porém, agora isso era um problema unicamente seu e tal era a falta de emoções em seu corpo, que entendia racionalmente a razão de ter acabado assim. Não havia espaço para rancor, indignação ou o que fosse, uma vez que também entendia racionalmente seus erros desde que começara a cometê-los. Até porque não havia espaço para arrependimento, da mesma forma.

    Era um desafio próprio, testar os próprios limites e superar qualquer obstáculo que aparecesse. Uma pena que o capricorniano era incapaz de evoluir a índole como evoluía a mente. Mas fora isso, a hora em que precisava se concentrar, era também a hora em que absolutamente nada desviava sua atenção do objetivo atual. O foco era sua engrenagem principal. Havia alguns preparativos instalados em seu olho mecânico, mas estar absorto era imprescindível e apesar de considerar já ter nascido com esse aspecto em perfeito estado, aprendera a leva-lo além do que achava que era possível nos treinos com Ophelia. Captou as palavras dos líderes atuais comunicando o plano aos regentes presentes, assumindo a posição para espera-los e entrar no portal. Não se importava com o mérito das próprias estratégias o bastante para ficar presente sem fazer nada, enquanto elas eram explicadas por outrem. O importante é que funcionassem de acordo.

    As últimas modificações que fizera nas próteses regulavam o fluxo de energia da constelação para que a potência independesse do formato que elas assumissem. Além disso, havia um programa de mapeamento instantâneo em seu olho, sincronizado à Arthemis e cirurgicamente acoplado em seu cérebro, para que tivesse uma visão mais ampla de qualquer ambiente que estivesse. Bem mais do que um olho humano seria capaz de ter. Para quem passou dezenove anos acostumado com oito graus de miopia em cada retina e acessos de fotofobia na luz do sol, aquilo era quase um novo significado para “ambição”. Mas aquilo iria ajudar no reconhecimento de Rin e Nero, sem que precisasse sair de onde estava.

    Dada a largada, deu apenas os passos suficientes para que o ambiente mudasse pelo portal e então, próximo a ele, começou o que tinha que fazer. Confiava nas habilidades de seus companheiros de elemento para sentir qualquer risco próximo que atrapalhasse o plano. Ainda que fosse instinto avaliar se não havia nada ameaçador por perto, mentalmente deixou essa função com os dois e a íris artificial cresceu ao redor do globo ocular. E no mesmo segundo, absolutamente tudo ao redor dos três – exceto os próprios –, num raio de dez quilômetros, não seria mais capaz de se mexer. Concluindo a pausa com eficácia, a íris mecânica voltara ao tamanho normal, terminando o mapeamento da área petrificada no tempo-espaço.

    Os outros dois sabiam o que estava feito, por já terem experiência naquele tipo de processo. Ainda que fosse a primeira vez que o fazia tão rápido. E em seu próprio reconhecimento em meio ao controle do ambiente, não detectara nada de suspeito.

    Na verdade, não detectara nada.

    Levantou uma sobrancelha, quando o líder mais alto veio expôr exatamente o que estava pensando, no mesmo segundo. Conhecia aquilo o bastante para saber que não era um bom sinal. No meio de uma floresta distante de qualquer civilização maior que tribos espalhadas, era quase hilário dizer que era possível estarem num silêncio total. Fazia sentido parar o tempo e mais nada conseguir emitir som ou vibração, mas Harold teria detectado seres emitindo calor além das plantas. Pássaros, cobras, insetos, predadores, qualquer desgraça que gostasse de um matagal virgem como aquele. — É. — Proferiu, num sussurro grave o bastante e sem nenhum pingo do tom sarcástico que era presente em 99% das coisas que saíam de sua boca. Aquilo realmente não era normal. — Mas, em teoria, nada vai sair do lugar agora, sob a minha jurisdição. Já faz uns dois minutos que estamos aqui e nada continua acontecendo. Talvez o silêncio seja suspeito, mas seria mais eficiente os outros entrarem para concluirmos a inspeção e que sejam avisados desse aspecto de antemão. A última vez que vi esse silêncio no meio do mato, foi visitando Capricórnio. E mesmo com ela, estava bem longe de ser um bom sinal. — Sugeriu, ainda sem espaço para cinismo. Parar o tempo lhe drenava energia de forma contínua. Era bem mais cansativo manter aquilo por um longo espaço de tempo, do que em espaços curtos intercalados. Eles precisavam aproveitar aquela deixa enquanto o atirador ainda estava indiferente ao esforço. Dera um prazo claro. Esperava que eles fizessem bom uso dele.
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    Rin Damien
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Rin Damien em Sab Out 28, 2017 7:03 pm

    Após Nero finalizar a explicação e deixar todos na mesma página, era o momento de agir. Não lembrava há quanto tempo não ia em uma missão com tantos regentes, juntos. Com cada um tendo poder suficiente por si só, eram ocasiões raras, e extremamente perigosas. Qualquer deslize poderia ter consequências trágicas, e desentendimento entre eles não era uma opção, quando entrassem no portal.

    Suspirando profundamente, foi até Jack enquanto o taurino passava os arquivos com o plano atualizado para o resto dos Sabaoth. Não havia absorvido qualquer palavra do que considerava apenas barulho vindo do Sagitário, e iria direto ao ponto naquilo. Com uma das caixas de primeiros socorros e uma de provisões alimentícias em mãos, as estendeu para ele, esperando que fossem pegas. — Deixe dentro da sua jaqueta. Em último caso, pode salvar nossas vidas. — Não havia espaço para questionamento, e assim que o mais baixo o fez, voltou para perto de seus companheiros de nave, trocando um olhar com eles.

    Era hora.

    O verde das árvores e da mata costumava ser uma visão revigorante, mexendo de forma positiva com a energia de Virgem. Por mais perigoso que fosse, sabia que podia manipular praticamente tudo ali, especialmente tendo a força de Gaia, que o dera liberdade e controle sobre as plantas. Ter aquela sensação, mesclada à óbvia tensão que a situação pedia, deixava a concentração do loiro ainda mais apurada.

    Usando a viga de uma das árvores para se puxar para cima da mesma, não demorou até estar no ponto mais alto possível de uma. Em volta, as outras folhagens denotavam que aquela não era a mais alta da região. Então, subiu na mais próxima, que o tronco corria para cima. Chegando enfim a um ponto em que pudesse ver a expansão do local com vantagem, confirmou que a vegetação parecia seguir infinitamente para todos os lados. Também não havia nenhuma energia particularmente ruim, que talvez, fizesse algo em si reagir. Bichos manipulados por Kain, nas últimas missões que estivera contra eles, deixavam o virginiano com um formigamento peculiar na cabeça. Mas havia a probabilidade de não estarem próximos suficientes de um, ou que ele não estivesse relacionado.

    Desceu para um dos galhos mais altos, de forma que conseguisse ver parte do solo. Nunca havia presenciado tanta quietude naquele tipo de ambiente, então deixaria as questões sonoras para Nero. As visuais mais expansivas, para Harold, já que o próprio campo de visão não estava captando nada suspeito. Pausou, por alguns instantes, para fechar os olhos, com a mão enluvada se apoiando no tronco próximo; então, concentrou-se na conexão que tinha com a terra, e tudo derivado da mesma.

    Se focasse o suficiente, conseguia sentir uma energia diferente emanando de todo o espaço à volta deles. Era vida. Pura e simples. Curiosamente, naquele estado, conseguia senti-la em animais, também, ainda que em um raio não muito extenso. E até onde conseguia captar… Havia folhas. Árvores. Plantas. Flores. Raízes, se estendendo por debaixo do solo.

    Nenhum bicho, sequer um inseto, estava presente.

    Com a conexão cortada repentinamente, abriu as pálpebras, franzindo o cenho. O tempo havia parado. Mesmo que não houvesse nada imediatamente em volta, eles deveriam estar lá. Eram, desde os primórdios da humanidade, os bichos mais numerosos. Se estavam mortos, havia chance de tudo ali estar. Pela primeira vez, a hesitação de não saber com o que estava lidando se tornou uma preocupação maior. Continuando o que havia sido designado para fazer, subiu outra vez, mantendo vigia sobre qualquer movimentação ou energia que não fosse afetada pelo tempo.

    Dois minutos antes do limite de tempo acabar, desceu da árvore, se reunindo aos companheiros. Ouvir a parte deles somente confirmava o que havia sentido; mas em uma área muito mais expansiva. — Antes do tempo parar, eu chequei, e não parece que tem nada em volta, tirando as plantas. Nem insetos, nas árvores ou debaixo da terra. E nada anormal de cima. Vou mandar um relatório pra eles e o sinal verde pro segundo grupo entrar. — Em poucos segundos, mandou a ordem para que os escolhidos adentrasse o portal, juntamente a uma explicação do que tinham percebido. Por mais estranha que fosse a situação, estavam ali para lidar com ela. E iriam, da melhor forma possível.
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    Heike_Walker
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Nov 01, 2017 7:59 pm

    Se Heike gostou de saber que teria que esperar 40 longos minutos para poder sequer atravessar o portal e participar de alguma ação? Claro que não. Mas diante da seriedade da situação que não conheciam, de nada adiantaria reclamar, seria perder um tempo precioso.

    O ariano gostava de dar ordens, mas segui-las, principalmente quando não concordava, sempre custava um pouco a mais do autocontrole e paciência que não tinha. Por isso não fez mais do que respirar fundo, fechar os olhos e assentir de leve quando Rin e Nero se pronunciaram, rangendo os dentes com força para se distrair. Em missões grandes como aquela, mesmo que já tivesse um tempo que não era líder, parecia complicado demais abaixar a cabeça e ficar para trás esperando tudo acontecer. Abrindo os olhos depois de todas as explicação e avisos, observou os três regentes de Terra passarem pelo portal com um peso de ansiedade no peito.

    O lado bom de tudo aquilo é que Orion estaria ali esperando também, por isso o loiro não perdeu tempo em se aproximar dela, buscando a companhia da guerreira que tanto gostava no tempo que restava até ela ir embora. A mulher tinha uma energia tão explosiva quanto a própria, por isso ficar por perto ajudava um pouco a fazer com que se sentisse melhor quanto ao impulso de quebrar alguma coisa. Jack também estava inquieto, por isso Heike o puxou para perto também antes que ele resolvesse aprontar alguma coisa.

    Os minutos ali se arrastaram com uma lentidão impressionante mesmo que estivesse se distraindo com os companheiros de elemento, e quando já estava quase no limite do tempo finalmente receberam uma mensagem de Rin com as informações necessárias e com a liberação para atravessarem. Abrindo um sorriso largo e feroz por finalmente poder agir, se levantou e acenou com a cabeça para os que ainda ficariam ali.

    Jack, Aya, Orion, vamos. - Disse depois de confirmar com todos as informações que recebera. Apesar da situação incomum e mesmo preocupante que estavam lidando, ao menos tudo ainda estava indo conforme o plano.

    Ao passar pelo portal o Ariano deparou-se logo de cara com os líderes e Harold. Imediatamente sentiu a influência do poder do capricorniano, simplesmente pela estranheza que era ver a floresta completamente imóvel sem qualquer som ou movimento, fazendo-o franzir o cenho em desgosto. Apesar de ser a primeira vez que presenciava tal coisa num ambiente aberto, tinha a impressão de que nunca se acostumaria com aquilo.

    E então? O que vem agora?
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por oreobiscuit em Dom Nov 05, 2017 8:49 pm

    Após dar as informações requisitadas pelo guerreiro sem aura, a mulher viu-se confusa graças ao excesso de informação que foi jogado em cima de si. Sua face se torceu, deixando claro como se sentia, quando recebeu a instrução de questionar o “sistema da nave” a direção para onde tinha que ir, afinal... Conhecia, em termos gerais, a teoria por trás daqueles dizeres, porém, considerando sua origem, não sabia nem por onde começar a “perguntar” algo a um “sistema”.

    No entanto, sua confusão sobre aquele assunto em específico demorou a ser sanada, já que logo perdia o peso que tinha entre os braços, para visualizar a aura desnorteada de seu antigo “bichinho de pelúcia” sobre uma das mesas. Não podia enxergar, mas não precisou do sentido para compreender que o outro usara de algum tipo de magia para se teletransportar de um lugar a outro. Seus lábios foram levemente pronunciados, em uma expressão contrariada por perder o calor do pequeno guerreiro – o repentino choque frio fazendo todos os pelos de seu corpo se arrepiarem -, mas as mudanças em suas feições não ficaram visíveis por muito tempo, já que havia se descuidado o suficiente para receber um tecido na cara. Naquele momento, quando sentiu a presença alheia sumir de novo, perguntou-se se deveria rir ou questionar a capacidade de guerreiros tão afetados. Entretanto, não havia uma espécie de ideia que corria por aí? De que as pessoas loucas eram talentosas? Tentaria acreditar naquilo.

    Mas, por enquanto, precisava perguntar ao “sistema da nave” para onde deveria ir.

    - Sistema...? Preciso ir para o salão dos portais?

    Sentir-se idiota por falar com o nada fora algo rapidamente encoberto pela surpresa que fora ouvir uma voz fria do além. Pulando no mesmo lugar, e lamentando sua falta de controle repentina, ouviu a apresentação do tal sistema da nave, que prontamente passou a lhe indicar as coordenadas. Certo, estava seguindo uma voz do além, tão semelhante a de um fantasma... Aliás, fantasmas ainda conseguia ver, aquela existência, entretanto... Não possuía nada? Seria mais um dos “artifícios da tecnologia” como os livros e seu irmão lhe ensinaram? Não sabia, porém Arthemis era algo estranho e suspeito e muito dificilmente mudaria sua opinião.

    Pelo menos fora guiada com segurança para o tal salão dos portais. Ao adentrá-lo, posicionou-se mais uma vez em um canto estratégico, de onde poderia visualizar as auras de todos os presentes ali, e onde seria mais fácil se defender caso fosse repentinamente atacada. Em silêncio total, aguardou até os líderes e o tal estrategista se reunirem, e, involuntariamente, escutou todo o plano antes dele ser repassado para todos ali. Ótimo, teria que esperar quase uma hora para poder voltar às suas terras.

    Órion havia desenvolvido sua paciência. Conseguia manter-se calma na maioria das situações – pelo menos externamente -, porém ainda possuía uma grande parte de sua personalidade explosiva dentro de si. Considerando que sua tribo corria perigo e estava há um tempo considerável sem sua presença, a mulher praticamente vibrava em uma energia mal contida. Queria voltar logo, tanto quanto sentia o ariano – em sua energia – querer dar início à sua parte na missão. Recepcionou-o, porém, com uma aura de paz parcial, um sorriso largo lhe partindo os lábios, antes que batesse com força malmente medida contra as costas alheias. “Paciência”, tentava dizer silenciosamente, por mais que tal sentimento também faltasse a si.

    Fora com enorme alívio, então, que fora chamada para seguir o seu líder temporário. Atravessou o tal portal com as pessoas selecionadas para aquele grupo – incluindo o que possuía uma das auras mais chamativas do local -, para dar de cara com energias muito estranhas em ação.

    E, então, simplesmente congelou.
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    taurusnero
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por taurusnero em Seg Dez 04, 2017 5:45 pm

    Por mais que quisesse estar enganado, as respostas de seus companheiros nada fizeram para acalmar a sensação de caos iminente que estava sentido. Assim como Nero, tanto Harold quanto Rin nada encontraram, e por mais que normalmente isso fosse algo positivo, a inexistência de animais nos arredores – até mesmo de seres tão constantes como insetos – nada mais era do que um sinal claro de que algo de muito errado acontecia.

    O taurino mastigava a parte interna da bochecha enquanto se perdia em pensamentos, tentando buscar algo lógico naquela situação, qualquer coisa que pudesse compartilhar com os outros regentes, mas não havia nada em sua cabeça. Nenhuma estratégia coerente com a situação, ou qualquer uma que estivesse disposto a aceitar em meio ao pressentimento ruim que continuava a gritar em sua mente. Talvez devessem separar os grupos para que desbravassem mais além, porém... Era mesmo aquela a ideia mais segura? Mais racional diante de uma situação tão atípica? Estava começando a se sentir inseguro, e aquilo era ainda mais assustador para si. Como se sentia tão incerto quando estava em seu ambiente de origem?

    Em meio aos pensamentos, não conseguiu sequer se animar com a presença dos outros guerreiros, nem mesmo a de seu marido e de sua irmã. Somente conseguia pensar que o melhor era voltarem para o local de onde haviam saído e tentar uma abordagem mais cuidadosa. No entanto, sabia muito bem que ninguém levaria em consideração apenas seus pressentimentos. A floresta parada era algo obscuro, mas seria ela motivo suficiente para abortar a missão e ter todos de volta em segurança? Provavelmente não.

    Travando os dentes em desgosto, observou o corpo congelado de Órion, que tanto se assemelhava a todos as existências ali presentes, sem contar apenas os Sabaoth, que se moviam tranquilamente como se nada estivesse acontecendo. Aquilo não seria um problema, porém, porque o tempo proposto por Harold estava prestes a acabar. E não demorara minutos após aquele pensamento para que a sensação causada pela energia se dissipasse, e a mulher voltasse a se mover livremente, apesar de claramente confusa. Nero não deu tempo para que sua irmã se recuperasse, no entanto, utilizando de sua própria energia para avisar que a explicaria posteriormente. E Órion, por sua vez, apenas acenou com um movimento de cabeça, não se dando o trabalho de se despedir de ninguém antes de correr de volta para a tribo que liderava. As prioridades de sua irmã estavam sempre muito bem definidas, e sentia uma onda de admiração correr seu corpo toda vez que constatava isso.

    Pena que ainda tinha algo com que se preocupar, e cerrando os olhos, tentou buscar quaisquer diferenças do antes – quando analisara a floresta sob a influência da energia de Harold – para o agora. Poucas coisas mudaram, porém nenhuma que fosse relevante o suficiente para acalmar sua sensação ruim. Suas orbes se mostraram mais uma vez, um tanto mais aberta do que o convencional, em uma surpresa quase imperceptível, antes que focasse nos guerreiros diante de si. – Nós já sabemos que tem algo de errado acontecendo aqui, mas peço que se mantenham atentos. A floresta não está funcionando como deveria e isso nunca é um sinal bom. – Os olhos de Nero seguiram para Rin, então, deixando que suas preocupações seguissem para o outro em forma de energia, silenciosamente mostrando para ele o quão desconfortável estava naquela situação. Talvez o menor tivesse uma ideia melhor do que deveriam fazer, e que não envolvesse voltar para a nave mãe.
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    Jack Kalon

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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Jack Kalon em Qui Dez 07, 2017 11:10 am

    Jack precisava exercitar sua paciência.

    Não que um dia admitiria tal coisa. Ou ao menos tivesse ciência disso. Nem mesmo com um pedido daqueles bem camarada enviado por direct messages do twitter do próprio Deus cristão. Até porque não acreditava nele. Não era capaz de confiar em ninguém que nem mesmo sarrava com a bunda no chão. O caso era que, enquanto repensava ser um saco e uma imensa falta de respeito que àquela altura do campeonato ainda não existissem cartas que explodissem, algo que tornaria seu jogo de empilhar cartas muito mais interessante. Ainda mais quando poderia usar as mesmas para explodir a cara de alguém. Uma explosãozinha de leve, não mataria ninguém. De acordo com seu médico fazia bem para a pele.

    Estava achando tudo uma merda. Aquele jogo era uma merda, aquela espera era uma merda, o pequeno campo que descobrira poder abrir para mover as cartas era uma merda, a música que tocava nos fones era uma merda. Jack estava prestes a chutar o barraco de cartas não explosivas que fazia quando sentiu os próprios pés deixarem a mesa, sem que tivesse a intenção, e se viu debaixo do suvaco do Chifrudo. Bom, ele estava perto do mulherão da porra ponto mp4 então não tinha nada que reclamar. Ao menos pode aliviar o tédio reconfigurando seu repertório de cantadas com Optimus Irmã até a hora que os outros dois se levantarem diante do sinal de que já podiam se juntar ao bonde um.

    É hora do pau.

    Ao atravessar o portal Jack viu mato. Muito mato. Mato pra caralho, terra e silêncio sepulcral. Para uma pessoa que respirava música e inspirava no ritmo de Sentada Diferente foi, no mínimo, desconcertante lidar com um lugar em que absolutamente nada emitia nem mesmo um ruído. Era muito caô para o seu senso refinadíssimo de sons. O Sagitário permaneceu alguns segundos congelado em choque, boquiaberto, tentando digerir aquela situação que, para si, estava mais feia que briga de foice. O latino mantinha os braços cruzados numa pose relaxada demais atrás da cabeça, sem reparar exatamente nas pessoas em volta, só no cenário meio bizarro demais. Não gostava de silêncio, geralmente vinha pouco antes de dar alguma merda muito grande tipo caveirão subindo o morro ou entidades recalcadas demais te sugando para um helicóptero de pó em forma de caixa universal sem fim. Um cu.

    – CARRRRRRRAAAAALHOW, LEK ESSE LUGAR É MÓ… – Abaixou, rindo desacreditado. Aquele lugar parecia mais com a ilha de Lost do que qualquer outro lugar que já tinha pisado na vida. E não foram poucos. O que era o Beco do Rato do lado da Ilha Optimus, né? Jack cuspiu para o alto e viu seu próprio cuspe parar no ar. Só aí seu riso, que parecia aumentar o volume gradativamente, assumiu um tom mais próximo do normal. Até sua risada estava chocada achando aquele cenário sinistro. – … SÓ TCHUPECK NO RIGHTOFLY, VIADO!!!!!!

    Jack se moveu um pouco para o lado, ainda vomitando aquela risada cada vez mais histérica como de quem foi no La Bamba depois de beber dose tripla Urina do Capeta, tocando o chão com a canhota. Aquele lugar era mesmo a ilha de Lost versão Optimus. Não podia sentir porra nenhuma vindo da terra, até porque não tinha nenhuma dessas pataquadas que a Tia do Café possuía, mas – depois dos treinos Candy Ninja – aprendera a perceber o tamanho da àrea que poderia usar para criar o que apelidou de campo de aparatação no caso de precisarem bater com o calcanhar na bunda mais rápido que gato. Tudo que sentia ali era: nada.

    – EU PRECISAVA FAZER ISSO. É MUITO ENGRAÇADO. – Gargalhou, pouco após jogar um punhado de terra para o alto e ver os fragmentos parando no ar. Voltou-se para Harold, reparando no albino pela primeira vez desde que chegara. – ‘CÊ PRECISAVA MEMO FAZER TUDO VIRAR PICOLÉ, LEK?‘ – Mais uma risada e girou o corpo na direção de Optimus Irmã se movendo tanto quanto a areia e o cuspe, estalando a língua no céu da boca. – VIADO, OLHA PÁ ISSO… PORRA,ISSO NEM É UMA MULHER. ISSO É AQUELAS COZINHA COMPLETA DAS CASA BAHIA QUE TEM BANCADA DE MÁRMORE E NOME TIPO COZINHA MARIBEL. É UMA COZINHA MARIBEL COM GELADEIRA QUE FALA 27 OPÇÃO DE ÁGUA DIFERENTE.

    Para sua completa infelicidade, os minutos restantes para que o efeito picolé de Harold se dissipasse passaram rápido e não pode continuar admirando aquele prédio de trinta andares espelhado que se erguia em forma de mulher em sua frente. Órion partiu com apenas um aceno e Jack se viu sem opções a mais do que a percepção do restante dos indivíduos presentes.

    – PRIMEIRAMENTE, DIGDIN PÁ TODO MUNDO. – Se escorando na Tia do Café, Jack voltou a se focar no que supostamente foi enviado para fazer. Não sem antes piscar e mandar um beijinho para o Virgem. – SEGUNDAMENTE, COÉ O B.O? QUE QUE ‘CÊS MANDA?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Harold Wilhelm em Qua Dez 13, 2017 10:32 pm

    Concordava com os outros dois que algo ali não estava certo. No entanto, após Rin dar o sinal para as equipes passarem pelo portal, levou o tempo suficiente para que Harold cessasse a pausa temporal e aos poucos, começasse a sentir algo diferente. Algo que inicialmente, havia percebido, mas ignorado. Um suspiro a mais. Uma ligeira inquietação. Quase deixou passar os escândalos do Sagitário, mas deixou um sorriso lateral ser esboçado quando o mais baixo o perguntou algo extremamente óbvio.

    “Se é pra ser rico, vamos ser trilionários”, que tal? — Com o tom escárnio, repetiu uma frase que tinha certeza que já ouviu Jack proferir naquele sentido. E o bom, é que ele dispersava fácil a atenção. Ele parece normal. “Normal”, na medida Jack do possível, é claro. Mas imaginava que se tivesse alguém ali que pudesse apresentar qualquer mudança semelhante à sua, era ele. Ou Heike. Que foi justamente o segundo a ser analisado pelo Capricórnio e, perdendo apenas um minuto nisso, constatou que não havia nada fora do habitual nele também. Lavi, Kase... Era o único, então?

    Que beleza.

    Não fazia ideia do que aquilo significava ainda, mas continuaria em silêncio sobre isso por ora. Aproveitando enquanto os outros pareciam concentrados unicamente no rumo da missão. Pelo simples fato de que não parecia ser nada externo, já que era o único com aquilo. Ao menos, por enquanto.

    Ou... Não.

    Quem sabe não fosse apenas a impressão causada? Talvez fosse externo, justamente. Confiava que era o único ali com capacidade o bastante para se manter completamente neutro, sem esboçar absolutamente nada de diferente nas próprias ações. Já teria percebido algo de diferente no restante, se fosse o caso. Mas enquanto o mais sensato seria comunicar que estava sentindo uma mudança interna, mesmo que sequer soubesse onde, pegou-se questionando para quem aquilo seria sensato. Para si? Para os outros regentes? Pegar-se imaginando que esconder possíveis ameaças de seus companheiros fosse plausível, foi o primeiro sinal até perceber onde a mudança realmente atuava em si.

    Havia parado o tempo. Mais nada em sua jurisdição seria capaz de atuar sem que permitisse, exceto se possuísse um fluxo de energia de outra constelação. Informara essa abertura aos líderes e o restante estava igualmente ciente. Então, se havia algo de estranho em si, era óbvio o bastante relacionar isso com a possível energia que atuava naquela floresta e que, com certeza, não foi afetada por sua habilidade. Mas o que ela estava fazendo consigo, que não estava com os outros?

    Em outras instâncias, Harold estaria bastante incomodado com algo lhe influenciando dessa forma. Mas não parecia tão estranho assim. Era nostálgico, inclusive. Após cessar a própria habilidade ao final dos quarenta minutos, atentou-se à paisagem, que não mudara muita coisa além do que a física permitia. Percebeu Órion ir, também. Olhou de esguelha para a direção que a mulher tomara e marcando-a em seu olho mecânico, no mapa que analisara anteriormente, confirmando que era para lá que ficava a tribo de Nero. Ao longe, mais ao lado, as montanhas que haviam sido sinalizadas pela xamã, como objetivo daquela missão.

    Era possível que, agora com o tempo correndo normalmente, alguma ameaça fosse surgir mais cedo ou mais tarde, por onde menos esperassem. O saturnino novamente passou o olhar nos regentes e em suas posições. Sentiu os lábios ressecarem e inconscientemente os umedeceu com a língua. Sua mente parecia um pouco mais vazia do que de costume. Devagar, espreguiçou o pescoço de um lado para o outro, estalando-o em um som baixo. Deveria ser psicológico, mas assim como quando estivera no bosque da constelação de Capricórnio, ouviu dentro de seu cérebro um relógio fazer tic-tac. Os olhos se esgueiraram para o lado direito e ao se encontrarem com alguma proximidade de Rin, tornou-se finalmente óbvio o que estava acontecendo na mente de Harold.

    Rin. — Proferiu o chamado, baixo, gesticulando com a cabeça para que ele viesse a si. Não que isso fosse impedir os ouvidos mais apurados dentre os outros de escutar. Mas não fazia diferença. Era apenas para que ele viesse em sua direção, deixando o Sagitário para trás; já que sabia que quanto mais longe dele o loiro ficasse, melhor para ele. Por algum motivo, conseguia tranquilamente admirar o rosto do mais velho enquanto ele percorria o curto caminho até o albino, tão concentrado e reflexivo em sua missão, que foi inevitável imaginá-lo com um buraco no lugar da face. Mas Harold nunca gostou muito de assassinar alguém de imediato. Então testaria as águas da situação, primeiro. Quem sabe era apenas impressão?

    Num gesto rápido e violento, extravasando toda a sede de sangue encarcerada em si desde que tivera de passar pela lavagem cerebral, afundou os dedos da prótese esquerda no abdômen alheio. Segurou-o pelas costas com a outra, para que ele simplesmente não fosse empurrado para trás no ato. Um arrepio intenso lhe percorreu a espinha, mas não tinha tempo para suspirar em agrado pela sensação que a carne quente e o sangue fresco provocavam em seus nervos artificiais. Rin era mais resistente do que outrora já fora, graças ao treino que o submetera para que “suportasse” níveis insanos de dor. Então, no mesmo segundo, roubara dele uma das últimas costelas, abrindo mais a ferida de dentro para fora e jogando o osso quebrado na grama, lavado em sangue. Um mago a menos, por ora. 90%, ou 85% das habilidades curandeiras do grupo estaria debilitada por algum tempo. Eles inevitavelmente teriam de se reposicionar.

    Mas agora, teria a completa desvantagem se ficasse ali e acabaria sendo neutralizado se esperasse para ver de perto.

    Então, veria de longe.

    A adrenalina do ato o obrigava a sorrir, por mais que precisasse fugir antes mesmo do corpo de Rin cair por terra. Os ataques mais velozes viriam ou de Jack e Kase, ou de Heike – que analisara estar numa distância considerável, justamente por isso. Jack poderia perseguí-lo com o teletransporte, mas duvidava que ele fosse imbecil de se afastar do restante por sua causa, como seu antecessor faria sem pestanejar. Em um pulo auxiliado pelo próprio uniforme de batalha, deixou o meio dos regentes tão rápido quanto os pés deixaram o chão, adentrando a floresta pelos galhos das árvores, onde poderia se reposicionar e ataca-los de longe. A perspectiva de que poderia causar uma situação bem mais caótica era lasciva demais para que resistisse. Se pudesse ver os corpos de cada um deles enfeitando aquela paisagem, seria muito melhor. A missão podia ficar em segundo plano. Queria entender o que havia “desligado” os efeitos da lavagem cerebral em seu corpo. Mas não sem antes aproveitar a atual liberdade.
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    Rin Damien
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Rin Damien em Qua Dez 13, 2017 11:54 pm

    Não foi uma sensação de segurança que passou pelo guerreiro de Virgem ao que o resto do grupo se juntava a eles. Não. De fato, a quantidade de barulho que vinha a seus ouvidos - a maioria, causada pelo Sagitário - deixava a preocupação com o que teriam de lidar ainda maior. Pouco tempo depois de todos estarem presentes, o tempo voltou a andar, e Órion , sem hesitar, correu para longe. O ruído constante, contudo, permaneceu, com a diferença sendo o retorno de toda energia invisível que a terra e as plantas transmitiam, ainda que em uma floresta vazia.

    Por um lado, não era tão ruim. Não tendo absolutamente nada vivo em volta, poderiam atrair algo para lá, e ter alguma pista do que estava errado. Por outro, poderiam muito bem estar chamando a atenção do que quer que estivesse gerando o problema, dependendo da distância e do alcance. Não sabia se era algo com consciência ou não.

    Porém, não havia uma forma correta de agir. Brevemente, o olhar do loiro encontrou-se com o de Nero; a preocupação que vinha dele, em forma de energia, era similar à própria a um ponto que demorou alguns segundos para notar que não se originava de si. A do taurino era um pouco mais profunda, no entanto. Concordou quase imperceptivelmente com a cabeça, em um sinal de que deveriam seguir em frente.

    No fim, tinham um objetivo: achar e destruir a fonte das anomalias. Tinham coordenadas de onde deveriam começar a procurar, também. O GPS poderia se descalibrar um pouco em uma área florestal tão afastada, mas sabendo a direção geral no mapa dos próprios comunicadores, não era provável que se perdessem. Prezando pela segurança, o ponto de retorno, no caso de qualquer necessidade, seria aquele portal; reconhecido ativamente pelo equipamento de todos.

    A reflexão não durou mais do que alguns segundos. Havia sentido e, principalmente, escutado o menor regente aproximando-se de si, e foi com um movimento automático que o afastou pelo ombro do apoio, em ao menos quinze centímetros. Melhor. Ignorar por completo qualquer comportamento inconveniente dele era algo que já estava gravado no próprio ser. Ao menos, daquela vez, ele estava questionando algo que interessava a todos, assim como Heike o fizera. Antes que desse as ordens, todavia, ouviu o próprio nome ser chamado em um tom ligeiramente peculiar para a situação.

    Olhando para o Capricórnio, entendeu o recado rápido o suficiente, embora não conseguisse deixar de lado a sensação estranha ao se aproximar dele. Onde estavam, não havia sentido em falar qualquer coisa particularmente para si, não incluindo o regente de touro. Ou melhor, não aconteceria, já que ele ouviria daquela distância, de todo jeito. Talvez fosse a razão de ser o único sinalizado, ou fosse algo que somente Rin pudesse fazer.

    Poderia estar com a guarda alta por diversas razões, todas relacionadas ao ambiente. Não sabia onde havia perdido o detalhe a mais que talvez pudesse impedir aquele ato, ao que finalmente se postou em frente a Harold. A estranheza anterior fora mínima, e não o suficiente para alertá-lo. Sequer houvera sequer qualquer prévia do movimento do braço para dar uma chance de reação. Repentino. Rápido. Sabendo exatamente onde queria atingir. E de repente, seus nervos gritavam em uma dor aguda se espalhava diretamente de seu abdômen para o resto de seu corpo, avisando-o de imediato que havia acabado de ser perfurado por um dos sabaoth daquela missão.

    Congelado, os poucos segundos seguintes pareceram durar muito mais do que deveriam. Um estalo alto. Mais dor. O gosto de sangue subindo pela própria garganta; o mesmo líquido quente que sentia descer por sua roupa de batalha. O mesmo com que já lidara vezes demais para, ao menos, não ficar ainda mais afetado pela situação. A vestimenta, é claro, não deveria permitir que a força humana a ultrapassasse. Próteses com energia vinda de uma constelação eram responsáveis por aquilo. Muito bem.

    Mesmo com os olhos arregalados com a demonstração e a mente, sempre clara, parando de funcionar por vários momentos, a primeira coisa que o virgiano entendeu era que não morreria ali. Claro. Treinos diretos com, justamente, quem lhe fizeram um ferimento que poderia ser fatal eram responsáveis por aquilo. Ele nunca havia mexido com áreas em que possuíssem pontos vitais, e mesmo ali, matá-lo diretamente não parecia ser a intenção. Ao menos já passara por dor o suficiente para manter alguma coerência no cérebro, ainda que o próprio corpo não o obedecesse. A angústia física que passava por si era quase o suficiente para que sua consciência o deixasse involuntariamente. Quase. A luta constante teria que ser consigo mesmo, agora. A ironia de que até aquilo havia sido parte do treino seria engraçada, se não fosse trágica.

    Não sabia quando a presença do albino havia desaparecido, nem quando o próprio corpo havia buscado apoio do chão. Com um dos joelhos dobrado e o outro diretamente no terreno, a mão esquerda se agarrava firmemente à terra, enquanto a direita se pressionava ao ferimento em um gesto automático. Aquilo não faria o sangue parar, interna ou externamente. Com a respiração entrecortada e uma ligeira falta de ar, se tornava impossível se preocupar com especificidades daquilo. Não conseguia processar bem o que estava à própria volta, também. O por quê. O quando. O que aquilo significava, no geral. Sabia de duas coisas, somente.

    Uma, tinha que cuidar daquilo o mais rápido possível. Por mais dolorido e difícil que fosse naquele estado mental, enquanto perdia sangue continuamente, já estava começando a canalizar energia para fechar a ferida. E depois de fechá-la, teria que consertar o estrago interno, minimamente. Não seria, de longe, tão rápido quando normalmente o faria, mas precisava. Ainda seria um guerreiro funcional naquela missão. Ponto.

    A segunda, era que seria melhor voltarem. Pensar no que havia acontecido, e num plano baseado nas consequências. Não conseguia vocalizar a opinião, enquanto se concentrava o máximo em manter a mente alerta e o mais concentrada possível. Mas daquilo, Nero sabia. Tinha certeza.
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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por taurusnero em Dom Dez 17, 2017 11:14 pm

    A sequência de acontecimentos foi extremamente rápida, porém, para Nero, tudo que passou diante de seus olhos pareceu estar em câmera lenta.

    O taurino tinha certeza que não era o único a sentir que havia algo de errado. Podia ver nos olhos de Rin que havia preocupação, conseguia sentir no ar uma agitação que se escondia em uma falsa calmaria, e, em seu corpo, pareciam correr arrepios diversos, que subiam sua espinha e gelavam sua nuca. Sua mão, em gestos inconscientes, correra pela região algumas vezes, com pouco intervalo entre um movimento e outro, em tentativas vãs de amenizar a sensação. No entanto, por mais que soubesse que algo se aproximava, não esperava que a situação fosse se iniciar daquela forma.

    Aliás, algo apitou no fundo de sua mente quando ouvira Harold chamar Rin daquela forma, apenas não conseguira compreender de imediato o porquê. Por que ele estava chamando Rin? Por que parecia que aquele chamado era tão errado? Por que a sensação gélida dentro de si piorou tanto? Nero não demorou a receber as respostas para suas perguntas, e, com os olhos arregalados, assistiu a costela do virginiano ser arrancada do mesmo e ganhar seu repouso ao chão, espalhando sangue por todo o percurso. Suas orbes logo focaram no corpo fragilizado pelo ataque, antes de correrem para a direção do capricorniano, que parecia não ter pensado duas vezes antes de se afastar do local, provavelmente ciente do perigo que corria caso todos reagissem.

    Foram milésimos de segundos que pareceram uma eternidade, mas logo a voz do taurino escapou em um tom alto o suficiente para ser ouvido. – ... Puta que pariu.

    Pena que não havia tempo para que continuasse alimentando seu choque. Naquele momento era o único líder, e, além, a única pessoa responsável por guiar os outros guerreiros e lidar com a situação que se desenrolava diante de si. Seus pensamentos correram por sua mente em uma velocidade impressionante, buscando quais seriam suas próximas ações.

    Precisava que alguém resgatasse Rin. Era uma prioridade, e não gastou mais um momento sequer antes de correr o braço esquerdo na direção de Heike, abaixando-se o suficiente apenas para fazê-lo sentar sobre o mesmo e o lançando na direção do líder ferido. – HEIKE, PEGUE RIN E VOLTE! – Ao mesmo tempo que berrava a ordem, tratou de ativar as lâminas de plasma de seu machado, guiando a luz em um movimento uniforme para que pudesse partir o teletransportador ao meio, desativando-o imediatamente.

    Por mais que quisesse acreditar que voltar para a nave era a melhor forma de reagir à situação, o taurino sabia que não era bem assim. Não sabiam o que havia atingido Harold. Não sabia se o que quer que o tivesse feito reagir de maneira violenta estava também impregnado no corpo dos outros guerreiros e no seu. Não poderia permitir que levassem algo destrutivo de consigo. Muito menos, deixar a possibilidade de retorno aberta para o capricorniano. Eles teriam que resolver a situação eles mesmos, e rezar para que conseguissem.

    Após certificar-se que o teletransportador estava destruído, o taurino sentiu os arredores com atenção. Os guerreiros estavam separados demais para que pudessem reagir da forma que desejava, porém também não poderia permitir que Harold continuasse a se mover em sua velocidade natural, muito menos munido de dois canhões poderosos. Teriam que se separar, e que Gaia e Pwairu o perdoassem, mas seria de uma forma bastante agressiva ao ambiente que possuíam ao redor.

    Respirando fundo, Nero analisou a localização de Heike, puxou Jack para próximo a si -aproveitando que ele estava ao alcance de seu braço - antes de usar da energia que adquirira com a fusão da pedra ao seu corpo, batendo com o calcanhar no chão e abrindo uma rachadura, que se expandia e partia seu caminho na direção onde Harold estava.

    Teria que contar com a habilidade dos demais guerreiros para que lidassem com o terremoto e o abrir da terra. – CORRAM! – E esse foi seu último aviso antes que partisse para a direita, levando Jack sobre seu ombro e induzindo Heike a seguir o mesmo caminho.

    E por mais que estivesse em uma situação completamente desfavorável, o pensamento de que teria uma conversa muito boa com Abel quando – ou caso – voltassem a nave surgiu em sua mente e o fez trincar os dentes.
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    Kase Y.

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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

    Mensagem por Kase Y. em Sab Dez 30, 2017 1:24 pm

    Estava inquieto. Mais que o normal, até. Mexia a cabeça toda hora, olhando ao seu redor e clicando sua língua. — Inferno. — praguejou, mudando o centro de equilíbrio de uma perna para outra. — Que silêncio insuportável é esse prefiro até o barulho do sagitariano ali do que isso. — mudou mais uma vez, olhando para o horizonte e tentando andar em uma direção para analisar melhor. Ignorou o fato do tempo ter sido pausado pelo albino – não é como se tivesse diferença entre um silêncio total e um silêncio pausal, pensou, se entretendo momentaneamente com a própria mente para fugir do vácuo que era aquele local. Logo, sentiu calafrios no braço esquerdo, ao mesmo tempo que ouvira uma voz chamando o loiro da medicina. Na fração de segundos que Kase olhou para a cena, viu o rosto do capricorniano enquanto aquela pequena carnificina tornava o silêncio em sons de confusão e ansiedade.

    As mãos do geminiano ficaram agitadas, girando as foices de Pollux sem prestar atenção no que estava fazendo. Seus olhos tinham se fixado na figura fugitiva e a expressão do capricorniano tocava em sua mente como um replay. — Mi-ze-rá-vel. — ele murmurou entre as respirações, voltando seu olhar para o regente ferido com mil cenas possíveis tocando em sua cabeça junto com o rosto do albino. Será que ele veria? A essa distância, fugindo, não tinha certeza se o outro usaria seu olho robótico para ver os regentes naquele exato momento, mas como um fã de jogatina, Kase estaria disposto a arriscar.

    Correu em direção ao líder ferido, tentando ultrapassar Heike que tinha sido jogado por seu marido. Velocidade era tudo que ele dependia naquele minuto ao mesmo tempo que manejava uma das foices para ficar no ângulo certo. Mantia em mente o quanto os guerreiros estavam separados e o provável caos que seria de todos correndo. Pensava em cada detalhe, cada possibilidade com a mente agitada que tinha no momento. Estava ficando difícil se concentrar, mas tentava manter o máximo de controle para que as próximas ações dessem certo.

    Movimentou a foice esquerda para que se transformasse na espingarda de cano curto, mirando e atirando nos pés do ariano para que ele diminuísse a velocidade.

    Quando ele alcançou o regente de virgem, apenas fez dois movimentos com os braços. Um corte decisivo com o direito enquanto puxava com o esquerdo. Ignorou Heike o máximo possível, assim como o dono do corpo ferido durante o som de carne e ossos se separando, escarlate enchendo sua visão e manchando sua lâmina. Fez questão de fugir do local assim que terminasse a ação, evitando chegar perto do ariano. Em uma de suas mãos, trazia consigo a perna do loiro, correndo um pouco para a direita de onde tinha visto o albino ir e evitando a rachadura que se formava. O terremoto estava tornando tudo mais difícil, mas Kase continuava. Não olhou para trás, nem queria dar atenção a qualquer coisa que estivesse acontecendo ali. Só tinha um objetivo em mente enquanto sorria impulsivamente.

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    Re: [#04] Turno livre - Fora da Nave

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      Data/hora atual: Sex Ago 17, 2018 10:33 pm