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    [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

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    Heike_Walker
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    [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Heike_Walker em Seg Abr 14, 2014 1:45 am

    Horário: 5 da matina
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    Resumo: Treta. What a Face 

    -

    Como de costume Heike havia passado toda a noite em claro e não sentia-se nem um pouco cansado. Pelo contrário, quanto mais tempo acordado passava mais estressado e enérgico ficava, por isso estava dedicando todo seu tempo no centro de treinamento desde que despertara a poucos dias atrás.

    Não se lembrava de muito do que tinha acontecido após dar um jeito de derrubar o maior dos monstros na invasão que a nave sofreu. Na realidade tudo que ocorreu assim que caiu no chão era um borrão indefinido para si. Se não tivessem lhe contado depois, sequer se lembraria de que fora salvo por Nero - e tinha que admitir que apesar de tudo queria ter visto ele pulando e esmagando a cabeça daquela criatura. As únicas coisas que se lembrava eram da sensação de que estava queimando, por todo o corpo e principalmente a cabeça, palavras desconexas do taurino e então a escuridão. Estava com vergonha de si mesmo por tal demonstração de fraqueza justo quando mais precisavam de si. Afinal era o líder, o primeiro regente. Era sua responsabilidade.

    Criticando a si mesmo sem conseguir evitar, berrou e realizou uma manobra complexa ao desviar do ataque de um dos hologramas para então atacá-lo com um chute no ar, fazendo-o despedaçar e desaparecer, apenas um entre vários dos que estava enfrentando. O centro de treinamento era um local bem movimentado que contava com uma extensa academia com diversos tipos de equipamentos, professores de todas as artes marciais e uma área separada que servia para treinamento individual ou em grupo. Essa área cercada por vidros blindados conta com a última tecnologia em hologramas e pode transformar desde o cenário para luta em ambientes inóspitos e incomuns, até todo tipo de inimigo possível variando de criaturas a até mesmo outros soldados e magos. No momento Heike treinava sem qualquer tipo de cenário alterado além dos pisos no chão que vez ou outra mudavam a posição, dificultando a fuga e o ataque e o obrigando a pular sempre que algum ficava alto demais. Seus inimigos o atacavam a longa distância, sendo esse um ponto que o ariano considerava que precisava melhorar.

    Desviando por milímetros de alguns tiros o líder dos regentes concentrou o corpo na luta, mas a mente não estava de forma alguma na mesma sintonia. Ainda não estava nem perto de estar de volta ao normal como era de se esperar após ficar quase 20 horas apagado, ainda que não tivesse nenhum dano físico no corpo. Quando voltou a consciência fez o favor de fugir de qualquer contato com os outros regentes, mesmo com Nero. Não se orgulhava disso, é claro, mas as naves estavam uma eterna confusão ainda e da forma como estava instável, não queria causar mais problemas do que já havia feito. Ainda tinha dificuldades para enxergar, apesar de não estar tão ruim quanto antes, a cabeça ainda doía fodidamente e além de ter aquele zumbido irritante no fundo do ouvido, passara a escutar vozes sussurrando coisas terríveis que preferia ignorar. Mate todos. Inútil. Monstro. Mata. Mata eles. MATA. Tal coisa era preocupante, mas cabeça dura como era estava convencido que se ignorasse aquilo ia passar, e que de forma alguma estava vendo o cadáver de seu avô sorrindo macabro para si, encostado no vidro lateral, muito menos os vultos que passavam correndo pelo canto dos olhos, gargalhando. Sabia com toda a certeza que essas coisas não eram reais. Precisava apenas ignorar. Ignorar e lutar. Se focasse a mente nos inimigos, tudo aquilo iria embora. Ia ficar bem e voltaria ao normal, sim.

    Ia ficar bem. Porém sua aparência não poderia dizer o contrário, já que se encontrava numa palidez mórbida e com profundas olheiras. As pupilas não tinham voltado ao normal e mesmo que não tivesse percebido, seus chifres e seu cabelo pareciam ligeiramente maiores, assim como os dentes um pouco afiados. Não era do tipo que reparava nessas coisas afinal, principalmente no estado em que estava. Focando a atenção na luta, começou a deixar uma grande quantidade de energia escapar sem que desse conta disso, ainda que não estivesse fazendo tanto esforço assim.


    Última edição por Heike_Walker em Qui Jun 19, 2014 3:37 pm, editado 2 vez(es)
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Abr 15, 2014 10:08 am

    Hn? Já é de manhã? ─ Típica frase de quem acabara de acordar. Típica frase de quem perdeu a hora pra ir trabalhar. Ou então, de quem não tem nada pra fazer, percebeu o dia acordar e vai voltar a dormir.

    Harold sequer estava dormindo. Passou a noite reparando os estragos que as explosões de Zion e dele próprio causaram nos corredores da nave. Só percebeu o dia clarear quando passou por uma das janelas de vista pra fora e também porque assim que anoitecia, Harold adquiriu a mania de simplesmente ignorar o relógio. Ver o Sol era sempre uma surpresa - desagradável - para o capricorniano. Significava que mais um dia passou, ele não conseguiu cumprir suas intermináveis tarefas. Embora os corredores já estivessem num estado normal, depois dos dias que se passaram após toda aquela confusão. O cheiro foi se dissipando enquanto era tudo recolocado em seus devidos lugares, e havia vários robôs de reparos ajudando o Capricórnio. Demorou quanto tempo até deixar tudo em ordem? Dois ou três dias. Só que perfeccionista como era, sempre encontrava um erro em algum lugar, e novamente tinha que consertar. Não achava aquilo chato. Pelo contrário, gostava. Pensava em mil outras coisas enquanto mexia com aqueles fios e painéis.

    Coisas como as razões de tudo aquilo ter acontecido. Suspeitas, acasos, coincidências estranhas demais, tudo era deduzível naquela cabeça coberta de fios brancos e desalinhados. Até que sentiu necessidade de tomar mais um gole de seu café, na caneca em sua destra. Ingeriu todo o líquido ainda quente, antes que esfriasse. Era relaxante a forma como a cafeína lhe despertava o corpo, mesmo que isso soasse contraditório.

    Estava se descuidando. Passou três dias inteiros sem treinar, depois da confusão. Não podia deixar seu corpo relaxar tanto, visto que consertar máquinas não pedia tanto esforço físico. Era o líder estratégico, sua função era trabalhar mais com a cabeça do que com o corpo. Mas isso não era motivo para deixar suas habilidades de batalha fraquejarem. Um guerreiro precisa ter o corpo tão forte quanto a cabeça, e vice-versa. Era esse pensamento que sempre deixou Harold em perfeito estado, exteriormente e interiormente. Bem, quase perfeito, interiormente falando.
    Dirigiu-se até a sala de treinamento. Aproveitaria também para testar os aparelhos pessoalmente, para caso algum tivesse deixado de funcionar plenamente depois da queda do sistema.

    Mas ah, lembrou-se de um problema ao ouvir um urro conhecido. Conhecido e desagradável. Hesitou ao entrar pela sala de treinamento, fazendo uma expressão de profundo desprezo e suspirando pesado, enquanto girava os olhos. A porta abria automaticamente, e pelo menos via tudo em ordem. O que era estranho, vendo o perfil de quem mais habitava aquele lugar. Entrou o local sem o ariano perceber de fato. Parecia estar empolgado com seu treinamento. Empolgado até demais. Como aquilo era irritante. Como alguém podia se deixar levar assim tão fácil? Ele tinha quantos anos, afinal? Havia um painel do lado de fora da cela de treinamento, onde Heike estava. Este, era responsável pelas configurações dos hologramas, Harold sabia bem. Desativou a sessão, apenas deslizando o dedo pela tela sensível. Imaginava se, por ter seu treino interrompido sem seu consentimento, o chifrudo ficaria mais puto do que já aparentava estar.

    Olha o ataque espasmático. Não quero te ver tremelicando de novo, é desagradável. Beba uma água, treinos te permitem fazer uma pausa de vez em quando. ─ Sua voz podia ser ouvida pelo lado de dentro da cela, que deixava o som vazar tanto para dentro, quanto para fora. Apenas o som. O som, e o profundo desdém misturado com sarcasmo do Capricórnio. ─ Como está se sentindo hoje, Heike? Pela sua cara, deve estar ótimo.

    A aparência do carneiro estava deprimente. Deixando a expressão de quem estava com dor de barriga de lado, os chifres estavam maiores e os olhos estavam iguais aos do capeta - embora ele não fosse muito diferente disso. Imaginava se Heike iria virar uma ovelha do inferno daqui à alguns meses, quem sabe? Talvez fosse interessante perguntar a Ren se ele sabia dos motivos daquela mudança toda. Sabia desde o início que o primeiro líder não tinha muito controle do seu gênio. Mas apesar de tratar tudo com aparente descaso, Harold sabia que aquela aparência não significava algo banal que pudesse ser simplesmente ignorado.

    Ou então, quem sabe tentar arrancar essa informação do próprio Heike? Tarefa quase impossível, e provavelmente teria de traduzir isso dos punhos dele. Mas não custava tentar. Estava, lá no fundo, bastante incomodado com o mais velho. Não gostava de ficar com incômodos pendentes, então resolveria aquilo ali mesmo.
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    Heike_Walker
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Heike_Walker em Qua Abr 16, 2014 9:10 pm

    O chão em que estava perdeu o nível rapidamente, enquanto o que tinha o inimigo mais a frente se elevou, assim, impossibilitado de atacar o ariano rolou no chão para desviar de um ataque, sorrindo meio maníaco enquanto se erguia e pulava alguns pisos em direção ao holograma para atacá-lo. Porém antes que pudesse de fato fazê-lo os hologramas sumiram todos num piscar de olhos e o chão foi começando a ficar nivelado sob seus pés. Teve de piscar algumas vezes, confuso sobre o que acontecera, o zumbido no ouvido ficando mais alto a cada segundo, até que escutou uma voz que preferia não ter escutado.

    Harold.

    Será que essa voz fazia par com as outras que estava escutando? Formando uma expressão de desgosto, virou-se lentamente e viu o albino parado atrás do vidro blindado com aquela expressão terrível de sarcasmo e superioridade, em frente ao painel de controle das missões de treinamento. Ótimo. Muito bom. Perfeito. Maravilhoso. Se não queria por perto nem a presença de Nero que era a pessoa que tinha mais intimidade naquela nave e que sabia que de fato poderia confiar, o Capricórnio era tudo o que precisava ter ali, lhe julgando com o olhar. Ele talvez fosse a última pessoa no planeta que quisesse encontrar agora. Soltando uma risada seca, até a imagem do cadáver de seu avô a poucos passos do albino era mais agradável.. No fundo torceu mesmo para ele fazer parte das alucinações que estava tendo, mas sabia que era improvável, afinal algo criado pela própria mente não tinha poder o suficiente para se manifestar e desligar o sistema, certo? Esperava que não, ou as coisas começariam a ficar mesmo preocupantes.

    A voz dele não fez muito sentido para o ariano entre todas as que estava ouvindo, mas Heike considerou que não fosse nada importante mesmo. O que era importante no momento era que o filho da puta tinha interrompido seu treino e a falta de foco em algo fez com que os vultos e criaturas desfiguradas que estava vendo começassem a se amontoar nos cantos dos olhos, rindo de sua cara. Grunhindo e sentindo a raiva crescer dentro de si como uma chama, levou a mão a base dos chifres e massageou ali brevemente, tentando se acalmar. Parecia impossível.

    Vou presumir que você tem algo de extrema importância para me comunicar, pra interromper meu treino assim. Murmurou com a voz soturna, encarando-o com frieza. Por um momento imaginou que outras vozes falaram ao mesmo tempo fazendo a fala ficar macabra e terrível, mas provavelmente era só impressão.

    Queria ir até lá e enfiar a cara dele no painel, descontar toda a raiva absurda que crescia no peito, porém estava realmente se esforçando para não fazer nada. Com tudo que estava acontecendo não precisava de mais um problema. Sentindo-se um pouco tonto e finalmente notando aquela energia maligna que deixava o corpo em ondas um pânico cresceu no peito, substituindo a raiva momentaneamente, e o rapaz ficou aflito tentando relaxar e interromper aquele fluxo. Aquilo não era natural, não era a energia de sua constelação.. Por que tal coisa estava acontecendo justo agora? Fechou os olhos e respirou pesado, esquecendo-se do albino parado ali na frente se concentrou em voltar ao normal. Teve algum sucesso, mas por conta disso as criaturas da própria mente ficaram alvoraçadas, percorrendo o local como num redemoinho berrando como demônios. Se o capricorniano tivesse vendo tal coisa, será que continuaria com aquela expressão arrogante? Sentindo algo lhe tocar Heike abriu os olhos com um frio na espinha, pulando para longe em reflexo.

    CHEGA. Gritou com todas as forças e então, o silêncio.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Abr 22, 2014 5:47 pm

    O sorriso sarcástico desfez-se de imediato ao analisar o estado do ariano. Como a sessão de treinamento já havia sido interrompida, bastou Harold postar-se diante da porta de vidro para que ela se abrisse sozinha. Observou-o de cima a baixo. A forma como ele não olhava para um ponto fixo indicava perturbação, do tipo que não era comum a ele como sempre. A mania de massagear os chifres já havia sido classificada há muito tempo, pelo capricorniano, como uma forma peculiar de meditar. Seja isso para se acalmar, ou simplesmente para raciocinar. Até então as coisas estavam fluindo "bem", exceto quando uma certa energia começou a fluir do corpo de seu colega regente. Não era algo tão perceptível, mas era intrigante. Encerrando sua análise prévia por ali, arqueou uma sobrancelha e fechou um dos olhos assim que a ovelha deu seu grito triunfal.

    Pra quê aquilo? Levou o dedo menor no ouvido, pressionando-o no tímpano. Heike parecia ter a mania de perturbar sua audição, da forma que fosse. De surdo, já bastava seu irmão adotivo.
    Suspirou, finalmente exausto. Seria muito imprudente tentar se meter nos problemas de Heike, visto que não conhecia a fonte deles. Deu dois passos e adentrou na cela, postando-se à frente do filho de Marte. Conhecia aquela energia. Não fazia muito tempo que já tinha encontrado alguém, que emitia aquela mesma aura. Interessante era pensar no motivo do porque aquilo estava emanando de Heike.

    Um sorriso aparente foi delineado nos lábios do capricorniano. Um sorriso que há muito tempo ele não tinha motivos para fazer. Aproximou-se lenta e calmamente. O som dos poucos passos, descalços, ecoaram no silêncio que permaneceu após o grito histérico do carneiro.

    Pobre infeliz. ─ Colocou as mãos atrás das costas, rodeando o primeiro líder sem pressa alguma. ─ Que expressão mais desesperada. Está sentindo a cabeça doer, Heike? O que você está vendo que está te deixando assim, tão inquieto? ─ A voz de Harold parecia um pouco mais expressiva do que o normal. A pergunta pode ter sido construída com palavras preocupadas, mas a entonação usada era de puro sarcasmo. Você é patético. Aquilo era uma das pouquíssimas coisas que ele tinha real prazer em fazer. Ele dava um bom espaço entre cada frase. ─ Está assustado? Tem uma energia bem ruim saindo de você. Você sabe o que é?

    Parou de andar, permanecendo atrás dele. Deixou uma curta risada abafada escapar.

    É tão fraco que não sabe o que fazer mesmo quando depende somente de você mesmo, não é? Dentro da sua cabeça... Nero, Ren, ninguém pode te ajudar. Tão patético, que é quase digno de pena... Você é uma vergonha para o signo de Áries. Você é fraco, Heike. Fraco, dependente, inútil. Sua mente é um caco de vidro que se estilhaça só de cair no chão. ─ Cada palavra tornava-se cada vez mais afiada. O sorriso do albino aumentou.

    Estou errado, ovelhinha?

    Ah, que tédio. Ver alguém com a mente tão deturpada, confundindo noções reais na sua frente. Aquilo era animador. Mas o sorriso desfez-se quando precisou suspirar, ao lembrar-se da promessa que havia feito a Abel. Angústia. Todo aquele entusiasmo, para no fim não ter "permissão" de poder agonizar mais ainda a mente do ariano. Mas ele já parecia estar se martirizando sozinho. As "palavras de conforto" de Harold serviriam como provação. Se Heike era realmente fiel a sua regência, provar para o Capricórnio que não deveria ser subestimado viria primeiro que qualquer outra perturbação. Aquilo era tão entediante... "Ajudar" seu "coleguinha" a se manter sóbrio. Vou vomitar. Desdenhou para si. Você podia me dar um pouco de diversão, antes que eu desista e te deixe virar do avesso aqui sozinho. Tsc.
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    Heike_Walker
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Heike_Walker em Sex Abr 25, 2014 11:00 pm

    A respiração estava pesada e um calafrio percorria seu corpo enquanto observava o local com atenção e apreensão, notando que não havia ali mais nenhuma das criaturas que estavam lhe atormentando a horas. Finalmente.

    Fechou os olhos e respirou fundo, sentindo a presença do regente de capricórnio a sua frente. Pretendia ignorá-lo, mas a cabeça voltou a doer de uma forma impressionante e o primeiro regente se encolheu onde estava, fechando os olhos e grunhindo. PORRA..! Me dá um tempo! Murmurou para si mesmo, decidido a sair dali para ficar sozinho antes que aquilo piorasse, até que escutou a voz de Harold novamente, agora muito mais perto.

    O.. Que...? Perguntou com a voz quebrada, franzindo o cenho e o fitando com certa dificuldade. A medida que ele falava todas aquelas coisas e o rodeava, a dor na cabeça ia ficando mais e mais forte a cada segundo, as palavras que ele dizia ecoando na mente e se repetindo a cada segundo mais e mais alto até beirar o insuportável. Deixou uma risada escapar, vendo que o outro era muito mais astuto do que tinha imaginado para notar a energia que tentava conter a todo custo. Voltando a se postar numa posição ereta e decente, deu meia volta sobre os pés e encarou o outro com um pequeno sorriso distorcido, apesar de uma frieza e de um vazio preocupante estarem transparecendo em seu olhar. A dor na cabeça estava tão forte que pensar qualquer coisa coerente estava fora de cogitação e a visão estava borrada, perdendo o foco e escurecendo. Dor. Dor. Dor. Dor. DOR. DOR.

    Piscou lentamente e então se jogou sobre o outro de repente, num ataque bruto ao que este fazia aquela cara convencida de desprezo, derrubando-o no chão e batendo o pé com força em seu peito, mantendo-o preso ao chão. A energia negra que saía de seu corpo agora se tornava visível e aumentava a cada segundo, e o ariano já não tinha mais nenhuma força de vontade para conseguir contê-la. Só queria fazê-lo calar a boca, acima de qualquer coisa, não se importava com Abel, não se importava com Ren, não se importava com nada no momento além de tirar aquela pose de superior do outro. Mais intensa e violenta que a energia de sua regência, Heike movia-se numa velocidade absurda com aquele poder obscuro, vindo de sua descendência. Num movimento rápido segurou a mão mecânica do albino e apertou com força, destruindo-a no ato; e ainda sem largá-la usou a outra mão para segurar o braço dele e arrancá-lo do corpo de Harold, jogando-o longe, destruído. Com outra risada baixa, deu outro pisão em seu tórax e lhe presenteou com um sorriso quase carinhoso.

    Oras, capricórnio, onde está sua originalidade? Vejo abominações mais bonitas que você, que me dizem coisas muito piores a cada segundo do meu dia. Riu meio histérico, pisando mais algumas vezes com força o suficiente para lhe quebrar algumas costelas. Me diga algo que não sei, que tal? Perguntou com certa presunção, sorrindo maliciosamente. Você se acha tão bom, não é mesmo? Mas não é nada sem aquela porcaria de braço. Que tal se eu arrancasse esse outro aqui? Hm? Seria quase um presente pra você, ficar dependente o resto da vida de duas máquinas e saber que não é ninguém sem elas. Ninguém além de um puto de um aleijado. Terminou com desprezo, cuspindo sobre o rosto do outro. Sem aquele braço, o que ele poderia fazer?
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Harold Wilhelm em Sab Abr 26, 2014 6:48 am

    Já esperava uma reação violenta, é claro. Já esperava que fosse ser agredido, e por isso não havia abaixado a guarda. Mas descuidou-se, ao ver aquela cena quase emocionante. Quando metade do seu dia havia sido tão monótono, o destino resolveu presentar-lhe com uma graça sem tamanho. Talvez naquele momento pudesse começar a acreditar em Deus. Mas não seria para rezar. Afinal, era risível a tamanha hipocrisia que seria a de Harold, caso pedisse o mais simples dos pedidos ao "Deus" todo poderoso. Ele já estava tão fora de si, tão descontrolado, que agrediu com uma fúria sem tamanho seu próprio companheiro. Quem diria? O líder regente, tão "preocupado" pela segurança de seus colegas, atacando com tamanho instinto assassino o Capricórnio. Aquela dor... Ele conhecia bem aquela dor. Ele conhecia muito bem toda aquela situação. Um deja vú tomou posse de sua mente, de repente fazendo Heike perder sua aparência e tomar a forma dela. Aquela que foi a primeira a deixá-lo acuado e pensar que finalmente, nada mais tinha jeito. Mas a aparência dela dissipou-se na mesma velocidade em que surgiu, fazendo o Capricórnio ter mais uma vez, um súbito surto de clareza.

    Harold não se tornou um guerreiro por receber treinamento para lutar. Ele aprendeu a lutar por simplesmente gostar de assassinar vítimas difíceis. Quantas vezes ele quase não se tornou a caça? Quantas vezes ele já não tinha sido encurralado? Mas oh, aquela justamente era a graça. A pouca graça que aquele mundo medíocre tinha a oferecer. Desespero. Imune a esse tipo de sentimento, a graça era espalhá-lo. E ali estava, deitado ao chão, sentindo a dor de ter seus nervos do braço puxados e arrancados juntos à sua prótese. Aquilo era quase como perder pela segunda vez, o mesmo braço. O cuspe quente do Áries escorrendo pela sua face, a dor em seu peito por conta do pé alheio, que lhe pressionava as costelas a ponto de ouvir um som não muito bem vindo delas. Qualquer pessoa num estado normal psicológico estaria gritando de dor, de agonia, de terror.

    Mas eis a diferença de um psicopata para... O resto. Apatia. Apatia era um estágio de frieza quase involuntário. Aquela incapacidade total de... Se alterar. De sentir. Sob qualquer circunstância. Qualquer uma. Mas isso não era sinônimo de sempre agir de forma prudente, é claro. Era apenas sinônimo de agir com consciência de tudo o que é feito. E para alguém que não liga para o que é certo e errado, isso é em si, pior do que agir de forma imprudente.

    Harold semi-cerrou os olhos, girando-os até encontrar a prótese de aço, deformada e inutilizada no canto da sala, com parafusos e fiações espalhados no chão como se nunca tivessem tido utilidade. E agora? E agora?! Aquilo era a visão do inferno! Pior que qualquer alucinação, qualquer assombração, nem um esquizofrênico teria visão mais horrenda que aquela! Todo seu orçamento jogado NO LIXO. Quase literalmente.

    Vou ter que pagar essa merda toda de novo. Tá brincando com a minha cara, né? Sorriu, desafiador e com uma veia saltando em sua testa. Simulou uma faceta de extrema felicidade, completamente sarcástica, mesmo estando na situação em que estava. A voz não falhou, mesmo assim. Mas que interessante, a energia agora se tornava realmente visível. Heike estava se transformando em algo bem ruim, afinal. Então, né. Foda-se.

    Não seja por isso, fique à vontade. Eu viro um ciborg sem o menor problema. Mas você vai me pagar o preço dessa prótese, sua passivinha de cu arrombado. ─ O braço que lhe restava segurou o tornozelo de Heike. A força que tinha para erguer um canhão maior que ele próprio foi toda desferida ali, naquele único ponto, sentindo os ossos torcerem em sua palma.

    Ergueu o corpo, sentindo como se estivesse sendo perfurado por dentro, por conta de uma ou duas costelas deslocadas ou quebradas. Enfim, forçou o psicológico a ignorar aquilo. Sucesso. Sentado, prendeu as pernas ao redor da que Heike usava para apoiar o corpo no chão, derrubando-o. Soltou-o e deu uma cambalhota pra trás, impulsionando-se para frente mais uma vez, até ele, com a palma da mão aberta.

    Alcançou a cabeça alheia, puxando-a pelas raízes dos cabelos negros e enterrando o rosto do ariano contra a porta de vidro blindado. Puxou novamente, bateu mais uma vez. E de novo. De novo, de novo, de novo. Ora, hm? Estranho. O vidro era blindado, que merda de rachadura era aquela se formando ali, no meio do sangue? Não se fazem mais blindagem como antigamente. Arrastou a cabeça do carneiro ali com mais força ainda, terminando de quebrar o vidro, num som estridente. Seria rápido e prático cortar aquela cabeça oca ali no meio daqueles cacos, do buraco que se abriu. Mas que graça teria acabar com tudo de uma vez? Subestimara seu colega, ele estava sendo mais divertido do que aparentou. A prótese agora estava ao seu lado.

    Era um pedaço inútil de metal. Se conectasse no braço, ia dar na mesma do que se não conectasse merda nenhuma. O mecanismo de projeção de matéria só funcionaria com uma base sólida, e mesmo aquilo sendo sólido... Não era mais uma base. Maravilha. Ótimo. Enfiaria aquele merda na cara dele pra ver se gostava. Pegara a máquina do chão, fazendo o som do impacto do aço contra o chifre de Heike ecoar pela sala de treinamento. Seguido de um chute no mesmo lugar, jogando-se contra o corpo do menor e prendendo-o ao chão, assim como foi feito consigo há um minuto atrás. A diferença é que pisoteara os braços de Heike, forçando-os a ficarem esticados para os lados. Os calcanhares apoiados no chão, fez com que não fosse depositado todo o peso do corpo do Capricórnio nos membros superiores do ariano, mas não se sabia se era piedade ou preparação para o que viria a seguir. Pendurou o braço de metal na boca pelas fiações soltas, pegando dois cacos de vidro jogados ao chão, ao lado dos dois. Fincou ambos, um em cada antebraço do carneiro. Os cacos eram grandes o suficiente para que prendessem no chão, empalando os braços de seu colega.

    Surprise. ─ Ironizou, sorrindo de forma espontânea. Sentiu as costelas mais uma vez, porém foram ignoradas. Agora era a parte legal, nada o atrapalharia. Por cima do adversário, Harold pressionou o joelho contra o peito deste, forçando seu peso contra o mesmo para que não se movesse. Heike parecia um espantalho deitado, uma graça. Segurou a prótese pela região onde seria o pulso, e dela retirou uma camada retorcida de aço. Ela serviria muito bem. Qualquer outro armamento na prótese havia sido inutilizado, menos sua propriedade comum e normal. Aço nunca era inútil, não é? Aproximou o rosto do de Heike, aproveitando a imobilização alheia para provocar um pouco.

    Você, por outro lado, não sabe o que é ficar sem um pedaço do próprio corpo, não é, Heike? É uma sensação esquisita. Mas fico aqui pensando qual parte vai te fazer mais falta. Mas fique tranquilo, não pretendo arrancar a sua bunda fora. Ah, já sei. ─ Girou o pedaço de aço entre os dedos até direcionar a parte pontiaguda nos chifres dele. ─ Você tem tanto amor por eles. Quase hesitei agora em ter que tirá-lo de fato. Sou legal, né? ─ Talvez as pancadas que dera na blindagem do vidro tivessem facilitado seu trabalho. No chifre esquerdo, havia uma marca curiosa. Estava rachada pela metade. ─ Ou será que não?

    Antes, sem aviso prévio, afundou o indicador e o polegar em volta do globo ocular direito de Heike. Harold sempre achou aqueles olhos esquisitos, tão negros por toda sua extensão. Aquilo era um brinde. Com força, pressionou os dígitos dentro do crânio alheio pelo buraco, retirando dali a esfera de carne, cuspindo sangue e nervos grudados a ela. Encarou-a por segundos, levando-a até a boca. Como um canibal se divertindo, mordeu o globo ocular até que ele estourasse, como um chiclete recheado. Segurou o rosto de Heike pelo queixo com força, aproximando-se mais uma vez e cuspindo a carne dentro do espaço que sobrou ali, devolvendo o que pertencia a ele.

    Nem pra ser devorado você presta. Tsc. ─ Fincou o aço no chifre esquerdo, rápido, vendo a ponta correspondente girar pra longe dali. Fazia parte da cabeça de Heike, então era natural sair um pouco de sangue do corno. Gargalhou alto. ─ Eu admito, ovelha! Não esperava que você fosse me divertir assim. Me desculpe, ok? Eu realmente pensei que você fosse um tédio.
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    Rin Damien
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Rin Damien em Sab Abr 26, 2014 10:14 pm

    Desde a última grande confusão na nave principal, Rin pressentia que em pouco tempo, algo daria muito, muitíssimo errado. Como algo prestes a explodir, ele sentia uma tensão presente na nave, e considerando a escala da última vez que algo acontecera, podia-se dizer que estava minimamente preocupado. E enquanto não acreditava que todo pressentimento seu estivesse certo... Toda a última situação fora muito estranha. Louis havia sumido, de fato. A análise dos monstros invasores não fora nada positiva, e o virginiano estava certo de que havia magia negra poderosa envolvida na criação daqueles seres horríveis. Havia algo no ar que até agora ninguém discutira em voz alta, ou ousara dizer, talvez por falta de provas.

    Diante daqueles problemas, até ele se sentiu compelido a treinar mais. Ele o fazia, é claro, mas em escala relativamente menor que os outros. A razão? Era mais velho que a maioria e treinava desde criança. Era poderoso o suficiente, e apesar de isto parecer arrogância, não era algo a ser questionado. A parte curativa treinava cuidando dos feridos, e a magia de terra nos jardins do interior da nave, normalmente quando civis não estavam por lá. Mais seguro para eles. Não era particularmente atraído pela sala de treino, apesar de dar uma limpeza no local de quando em quando; e como luta corpo-a-corpo não era seu forte, realmente não fazia questão.  No entanto, enquanto deixava um corredor próximo absolutamente brilhante, decidiu dar uma olhada no lugar, ver se estava absurdamente sujo e desorganizado. Se perguntava se algum guerreiro estaria treinando. Provavelmente sim, considerando o que havia acontecido, e a obsessão de alguns por bater em qualquer coisa existente, mesmo que fossem alvos virtuais. Não esperava, porém, de forma alguma a visão que o agraciaria quando abriu a porta.

    Congelou por um momento. Pelo canto do olho notou que certo, o local parecia mais bagunçado que o normal. Vidro espalhado. Sangue. Aquilo não era blindado? Um braço e mecânico e pedaços do mesmo pelo chão. Porém, a preocupação era a quem esse braço pertencia; ao capricorniano que se encontrava no chão, em cima do guerreiro de áries. Poderia até ter considerado uma briga qualquer, mesmo com um braço mecânico removido, se não tivesse chegado na parte em que um olho era brutalmente arrancado da cabeça de Heike. E Harold fizera questão de mastigar e cuspir o troço. Que. Nojo. Como aquele pensamento havia achado o caminho em meio à sua mente estática, não tinha ideia. Já havia visto todas as partes do corpo de seres humanos e examinado em detalhes, mas nunca vira algo feito de forma tão cruel, e sabendo que deveria ser por razões absolutamente estúpidas. Uma expressão incomumente surpresa, e até levemente aterrorizada se formava em sua face, uma que piorou quando no segundo seguinte, o chifre de áries fora cortado. Além de tudo arrancado, Heike não parecia nem um pouco bem. E havia uma aura estranha em volta de seu ser. Algo negro, maligno. Sabia que deveria ter confiado em seu pressentimento.

    Era bom em agir rapidamente e o mais racionalmente possível, apesar de algo daquele nível certamente abalar o virginiano, mesmo que ele não demonstrasse. Aqueles eram os líderes dos guerreiros. Um ótimo exemplo que estavam dando, com aquele tipo de violência, exagerada até para os dois. Algo assim não podia ser relevado com uma simples bronca, que eles certamente ignorariam, e mesmo se não ignorassem... Não, precisava de medidas melhores. Se afastou da porta automática sem uma palavra sequer, indo para o lado de fora, vendo ela se fechar. Em seguida, acionou um código de emergência no painel ao lado, feito para trancar o lugar e reforçar a porta, botando uma senha que só ele saberia. Mesmo que portas nunca realmente impedissem Heike e Harold pudesse arranjar um jeito de passar pela porta, no mínimo, levaria algum tempo extra, principalmente no nível que se encontravam. E eles precisavam ficar ali, não saírem destruindo outras partes da nave além de si próprios. O que Rin já considerava que fariam, de qualquer forma.

    Imediatamente começou a correr na direção da sala de Abel, ao mesmo tempo usando seu comunicador – coisa que raramente fazia, apenas para assuntos formais – e acionou uma chamada de emergência para Nero. Seria melhor se chamasse com o líder absoluto pessoalmente, vendo que não sabia se ele responderia uma comunicação; mesmo Rin sendo um guerreiro, o homem ainda era ocupado. Ele veria para que aqueles dois tivessem alguma consequência maior para suas ações. Não era possível. E Nero era a primeira opção de alguém que poderia conter os dois, se não tivesse algum bicho no cérebro. Ele próprio não tinha chance alguma de pará-los ali. Se o taurino estivesse dormindo, esperava que a chamada o acordasse, principalmente com o que falou em seguida, a voz extremamente séria, apesar das palavras levemente entrecortadas por estar falando enquanto corria.

    - Nero. Emergência na sala de treinamento. Harold e Heike. Os dois sem partes do corpo. Um sem braço, outro sem um olho e um chifre. Se conheço os dois, não vão parar tão cedo. Vá. Agora. Imobilize os dois, nocauteie se necessário. Estou indo chamar Abel. – Em seguida passou a senha de entrada para o local, apesar de não duvidar que conseguissem sair antes, se realmente quisessem. A situação era de fato extremamente grave, de modo que esperava que o regente de touro ignorasse a lerdeza comum a si e realmente fosse rápido em chegar ao local. E no passo que estava, chegaria ao escritório de Abel em mais alguns minutos.
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    Heike_Walker
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Heike_Walker em Dom Abr 27, 2014 2:06 am

    Conseguiu rir em desdém ao escutar suas palavras, fazendo pouco caso até que sentiu algo lhe apertar a perna com força, não tendo tempo nem de reagir a dor já que o albino conseguiu derrubá-lo e ainda se levantar naquele momento em que estava distraído e convencido demais para reagir. O filho da puta ainda queria brigar mesmo sem aquela porcaria de braço? Sem ao menos registrar a dor do osso quebrado, Heike observou ele se jogar contra si quase como se o ato ocorresse em câmera lenta e se perguntou o que é que ele seria capaz de fazer estando desarmado, então apenas ficou parado observando-o tão apático quanto este estivera momentos antes.

    Se deu conta de que tinha subestimado o outro líder quando teve os fios negros segurados com força e então naquele movimento bruto teve a cara esmurrada contra o vidro mais adiante. Ficou tonto logo no primeiro golpe do rosto contra a superfície transparente, sentindo algo escorrer pelo nariz que doía miseravelmente, quebrado. Era sangue e logo este sujou todo o vidro com os golpes seguintes ao passo que a mente entrou num vazio aquele momento, quase como se estivesse fora do corpo e tudo o que conseguia sentir era a pressão contra o rosto, a dor de cabeça alucinante e um chiado extremamente alto que fazia com que não conseguisse pensar em nada. Ouvindo o som seco da face batendo ali, uma risada escapou dos lábios do mais velho e ecoou por todo o salão quando o vidro a sua frente finalmente cedeu a pressão a que era submetido. Como não tinha quebrado algum osso do crânio com aquilo era um mistério. Talvez os chifres, tão firmes e resistentes, absorvessem o impacto. Quem sabe? O que é isso, Harold? Perguntou com a voz falha, cuspindo sangue e voltando a rir daquele jeito vazio e sombrio. Nero é mais agressivo que isso quando estamos trepando. Zombou, conseguindo ser desdenhoso mesmo que não tivesse em condições e mesmo que aquilo não fosse exatamente verdade. Quase. Vai ter que fazer mais se quiser me machucar de verdade. Disse cortado, voltando a rir ao que a via tudo ficar vermelho pelo sangue que escorria de algum machucado na testa.

    Porém a expressão risonha não durou muito, logo fora acertado com muita força na lateral da cabeça por algo bem firme, que só veio a descobrir ser o braço mecânico de Harold depois de ter o mesmo local chutado pelo outro e de ter caído ao chão. O mundo a sua volta parecia pulsar de um jeito estranho e Heike se perdeu olhando para o teto em meio a tontura de tantos golpes que recebera, notando com um "oh" quase inocente que estavam rodeados de sombras risonhas que a própria mente voltou a criar. Elas o incentivavam a fazer coisas ruins, muito ruins com o albino. Mas não podia, certo? Afinal era o líder, tinha que se dar ao respeito e fazer coisas boas, não era um maluco psicopata feito ele... Ou... Era...? A dúvida fez as sombras se agitarem e rirem escandalosas e logo o ariano também estava rindo junto a elas, mesmo quando um rugido de dor escapou os lábios ao ter pedaços de vidro tão grandes atravessando os braços. Aquilo era hilário, as sombras achavam hilário, porque não deveria achar também? Encarou um Harold vermelho pelo sangue que ainda tinha nos olhos, as risadas falhando com a falta de ar provocada por tanta dor em vários lugares e pelo peso alheio sobre o peito. Ah, obrigado por deixar minha bunda fora disso... Conseguiu murmurar em resposta com uma risadinha, fitando-o em desafio até que algo bem...interessante, ocorresse em seguida.

    De repente, demorou para entender, o capricórnio enfiou o dedo em seu olho e Heike se remexeu onde estava, grunhindo incomodado com a pressão e com o toque inconveniente até que este fosse forte o suficiente para empurrar a órbita ocular para fora de onde deveria estar com um barulho engraçado: ploc. Para em seguida o corpo estremecer violentamente com o barulho do tecido se rasgando como que dentro da cabeça e então a escuridão total de uma das vistas. Foram alguns segundos em silêncio para o cérebro registrar o que tinha ocorrido, para que então gritasse com todas as suas forças em agonia e dor, muita dor, uma dor alucinante. No desespero e medo, claro, que sentia, não notou ele morder o glóbulo negro que pertencia a si, mas fora forçado a olhar para ele com a vista ainda boa quando teve o rosto segurado com força e o que restara de seu olho cuspido para dentro do buraco a que antes pertencia, agora se enchendo de sangue. Tremeu de raiva, de nojo, de medo, de ódio, de descrença, de dor, de tudo o que poderia sentir enquanto o grito desesperado ainda deixava seus lábios, o estômago revirado ao que sentia uma forte vontade de vomitar.

    A mente não registrava mais nenhum pensamento coerente e a vista que ainda possuía não captava mais nada além de borrões enquanto o ariano se debatia violentamente, até sentir uma pressão forte na cabeça e então o barulho de algo oco rachando e quebrando. Com um grito ainda pior deixando os lábios pela dor insuportável que se seguiu, lágrimas brotando de um olho e sangue de onde deveria estar o outro no momento que entendeu o que aquele cretino tinha feito. Não gostava que tocassem em seus chifres pelo fato deles serem extremamente sensíveis, apesar da aparência deles não denunciar nada parecido, então ter o chifre arrancado de si foi como se tivessem lhe arrancado um órgão, numa sensação muito pior do que um dia imaginou que seria.
    A respiração vinha em arquejos fortes e logo já não conseguia escutar mais nada do que o mais novo dizia, sentindo o corpo esquentar de baixo para cima até parecer ferver.

    Mate ele. Uma voz grave sussurrou em seu ouvido enquanto se debatia, fazendo-o ficar tenso. Mate o Capricórnio. A voz não se parecia com nenhuma das que vinha escutando atualmente, era clara como o dia e não parecia zombar ou desprezar. Ela ordenava. Mate ele, prove que você é mais forte. Faça ele se arrepender de cada ato, faça-o implorar por sua vida. Não.. Mate ele. Eu não posso... Você pode. Você quer. Quer isso mais do que tudo que já quis em sua vida. Eu... Quero...? Sim, quer e pode. Eu posso... Pode. Sinta a energia, primeiro regente, sinta a energia que deixa seu corpo. Você terá muito mais força, muito mais do que a que essa constelação inútil te proporciona. O ódio vai te dar força. Mas... SINTA.

    Confuso e assustado, o ariano sentiu um alívio enorme no momento em que fez o que a voz dizia, fechando os olhos e se entregando àquela energia obscura que vinha de cada célula de seu corpo. A sensação era estranha, deixando seus membros dormentes e sumindo com a dor de um jeito reconfortante ao mesmo tempo que lhe trazia um sentimento ruim de nostalgia. Estava acontecendo novamente. Tal sensação durou até que algo pareceu rachar dentro do peito e novamente o ariano gritou com todas as suas forças enquanto ondas de energia emanavam visualmente de seu corpo de maneira revoltosa, como se prestes a entrar em colapso. Sentia que estava perdendo uma parte valiosa e importante de si, mas a força que aquela energia estava lhe dando fez com que o ariano abraçasse aquilo sem hesitar, sua consciência ficando por um fio de se perder totalmente. Parou de se mover embaixo de Harold e abriu os olhos de repente.

    Não seria capaz de notar, mas o outro poderia ver que ao aceitar aquilo que existia dentro de si, o corpo do ariano sofreu uma mudança que seria no mínimo perturbadora. A linha branca que antes tinha no olho que restou não existia mais, este parecendo um buraco tão vazio quanto o ao lado; seus dentes cresceram até ficarem compridos e afiados assim como as unhas que agora se pareciam com garras firmes; a pele estava com um aspecto cadavérico e frio; seu cabelo parecia ainda mais comprido e sem vida; e seus chifres, ou o que restara deles, se retorciam, crescendo em sons estalados. Estava se tornado um pecado.

    Fitou o homem acima de seu corpo por um longo momento em silêncio e então sem qualquer aviso ou dificuldade puxou um dos braços, rasgando boa parte da pele como se não fosse nada, e voou com a mão direto para a cabeça do capricorniano, virando o corpo ao mesmo tempo que o derrubava e esmagava sua cara contra o chão numa força absurda. Deixando uma risada escapar e sem soltar a mão dos fios brancos e da carne alheia, Heike puxou o outro braço e se libertou do chão, indiferente a quantidade de sangue que as feridas deixavam. Levantou-se e jogou o corpo do maior contra o que restara do vidro, fazendo-o atravessá-lo com violência e rolar pela sala ampla. Antes que o ele tivesse a oportunidade de se levantar já estava em cima dele novamente, aproveitando o mínimo da velocidade que aquilo estava lhe proporcionando. Observando-o tão de perto com um sorriso que parecia grande demais para ser possível, pegou-o pela cara e o bateu com força contra a parede, repetindo o gesto que o mesmo tinha feito anteriormente ao forçar sua cabeça seguidas vezes contra uma superfície lisa e firme do vidro. Nunca se sentira tão vivo em toda a sua existência e demonstrava isso com a respiração agitada e as risadas, e logo o vermelho manchava os fios tão claros. O ariano pensou que era uma combinação realmente muito bela. Afinal, vermelho era sua cor preferida.

    Não sabia se tinha matado ele ou não, mas só para garantir o golpeou no estômago com força, as garras atravessando a pele com facilidade. Harold era agradavelmente quente por dentro. Repetiu o ato mais uma, duas, três vezes até que estivesse satisfeito, vendo o estrago que havia ali. Mas ainda não era o suficiente, não, tinha que fazê-lo pagar na mesma moeda, era o que a voz grave tinha dito, não era? Assim com a nova força que tinha, segurou e puxou o braço que restara do moreno com uma facilidade broxante, sentindo o estalo que o osso deu ao se soltar da junção e do barulho molhado da carne se rasgando e do sangue jorrando. Então era assim tão chato desmembrar alguém? Estalando os lábios numa irritação breve, jogou o membro agora inútil pro lado, apertando ainda mais a mão em seu rosto, impedindo-o de respirar. Está gostando, Harold? Perguntou deliciado, a voz não soando como sua. Tenho um último presente para você... Sussurrou, enfiando o indicador da mão livre no mesmo olho no rosto dele, que o que tinha sido retirado de si. Não chegou a arrancá-lo de sua órbita, mas a garra no lugar da unha tinha lhe furado no mesmo instante, fazendo aquele liquido esbranquiçado junto com sangue escorrer.

    Satisfeito e confiante de que ele provavelmente estava morto, largou seu corpo no chão e piscou, entre entediado e chocado. Não via como aquilo poderia fazer diferença, mas algo no fundo de si estava se revirando em pânico por ter feito aquilo a um companheiro de equipe. Sentindo-se subitamente enjoado, aquele nervosismo ganhava poder. Não... Não estava entendendo. Tinha que sair dali.

    Seguindo para a entrada nem se questionou o motivo dela não abrir, apenas socou o metal com tanta força e raiva que este cedeu no primeiro impacto, libertando-o dali para que saísse incerto do que faria em seguida.

    Mate todos. A mesma voz de antes ordenou com satisfação e Heike sentiu-se mais do que feliz em concordar.
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    Harold Wilhelm
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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

    Mensagem por Harold Wilhelm em Ter Maio 06, 2014 11:03 pm

    Sorria satisfeito a cada grito, a cada sinal de agonia vindo do ariano. Há quanto tempo não sentia aquele prazer? Há quanto tempo não tinha aquela visão, de despertar a escuridão plena na mente de quem bem queria. Acho que fiz uma besteira. Lembrou-se da promessa que fez a Abel. Lembrou-se também de Ren, que tratava aquele corno surtado como se fosse seu filho. Nero também seria um dos que ficariam putos pelo estrago que fez ali. Seria problemático ter tanta gente fazendo alvoroço por conta do que fez com o ariano, sendo que por favor, ele nem morto estava. Comparado ao estado em que deixava suas antigas vítimas, Heike estava perfeito. Mas qual não foi sua surpresa ao perceber o sinal repentino da presença do virginiano ali? Não demostrou espanto, pois não o sentiu de fato. Apenas lançou-lhe um olhar indiferente, ignorando-o e já imaginando que ele provavelmente pediria para que alguém viesse pará-los. Seria uma reação sensata ao ver seus dois líderes se agredindo de tal forma.

    Imaginava se seu entretenimento tinha acabado ali, mas o pensamento não durou muito até perceber que as coisas mal tinham acabado de começar.

    Primeiro, não pôde reagir tão rápido quando boa porcentagem da pele de seu braço que sobrara fora arrancada a força. A carne tão vermelha antes debaixo da pele albina, destacou-se como um farol no céu escuro, escorrendo o sangue rubro com velocidade. Não emitiu som algum. Não era hora para sentir dor, então simplesmente não sentiu. Mas a reação de Heike foi surpreendente, não podendo evitar de fazer Harold pensar aonde ele havia tirado aquela nova aparência, e o que ela indicava.

    Conhecia aquela energia muito bem, e se antes já estava reconhecendo-a, agora ela era sem dúvidas, a mesma energia que ela emanava. A pergunta que pairava no ar era por que Heike a exalava com tanta intensidade, se ele não era um traidor do grupo. Todo aquele descontrole e fúria tomaram forma em sua aparência, o Capricórnio pôde notar. As reações para com as feridas cessaram e de uma hora pra outra, o ariano pareceu estar tão indiferente a dor quanto o próprio Harold. Aquilo não era um bom sinal, mas ao ver do albino, ele estava prestes a presenciar algo que não imaginou em momento algum. Numa velocidade que sabia que era além dos limites das habilidades normais de Heike, o mais novo simplesmente não viu o momento exato quando seu rosto foi parar de encontro ao chão, sentindo o gosto do que havia feito com o menor há poucos minutos atrás. Além do impacto que o desnorteava por completo, sentiu os óculos estilhaçarem em seu próprio rosto, os finos e pequenos cacos cortando-o. Infernos, agora não enxergaria mais porcaria nenhuma. Sem contar o azar que deu ao sentir uma de suas vistas pior do que já estava, deduzindo que provavelmente, um dos fragmentos teria lhe furado. Segundos foram suficientes para perceber a gravidade lhe abandonar, assim que seu corpo viajou meia sala à fora, com o baque surdo do impacto ao chão.

    Fazia quanto tempo que não tinha um oponente daquele nível? Que o reduzia a um mero inútil incapacitado de ao menos se defender. Conhecia plenamente as habilidades de Heike, sabia os limites de sua força. Mas aquele não era mais o ariano e, no fim das contas, as coisas que disse apenas para provocá-lo estavam estampadas na realidade. Ele não tinha mais capacidade pra deter aquilo. Era mais forte do que Harold e acima de tudo, mais forte do que o próprio Heike. O sorriso no rosto do Capricórnio desapareceu, deixando estático ali uma expressão taciturna, coberta em sangue. Que graça tinha aquilo se Heike já não estava mais pensando como ele mesmo? Agora estava diante de um inimigo nato, correndo risco verdadeiro de vida. Aquilo era culpa sua? Em parte, talvez. Mas Harold era hipócrita o suficiente para não se sentir culpado nem por um terço do que o ariano havia se tornado. Não foi ele quem o fez se deixar levar pelas próprias alucinações. No fim das contas, a decisão foi do próprio Áries. Se morresse ali, não seria mais pelo seu próprio colega. Seria por um pecado quase totalmente formado, que, tinha certeza, machucaria seu melhor amigo se visse em sua frente. E depois, o psicopata sou eu. Não demorou para que seu adversário mais uma vez o imobilizasse.

    A quantidade de sangue que cuspiu foi surpreendente até pra ele mesmo. E o engraçado é que, ao invés de sentir a dor de seu abdômen e costas sendo perfurados por igual, sentiu foi a tonteira pela quantidade de sangue que deixou seu corpo. Seu tato era nulo, mas sua consciência respeitava as necessidades normais que alguém tinha pra se manter equilibrado. Percebeu apenas Heike ficar parcialmente coberto pelo sangue que vomitara, pela segunda, terceira, sabe-se lá quantas vezes que foi perfurado. Sua visão, já turva por si só, tornou-se branca pelas laterais, reduzindo seu campo de visão a quase 10%.

    Ah, que ótimo. Tudo o que conseguiu ver depois disso foi seu braço restante não obedecer mais seus comandos nervosos. O estalo do osso se desprendendo da articulação; as veias, os músculos, os nervos se arrebentando como uma corda sendo esticada ao seu limite. Ah tá, compreendi. Alguém aqui está querendo me levar à falência, ok. E se referia à falência financeira. Aquilo era realmente incômodo, de certa forma. Até que ponto seu psicológico era capaz de privar-lhe do sentimento que era o medo e a dor. Um agressor muito mais forte do que ele próprio estava diante de si, na mais plena capacidade de matá-lo quando bem queria.

    Harold era uma espécie rara de ser humano. Espécie esta, responsável por apenas provocar os piores sentimentos possíveis nas pessoas, mas por isso, tornando-se incapaz de sentir os mesmos. Afinal, de que adianta cair em desespero? Tudo o que acontecia ali já era de conhecimento dele, pois, em boa parte de sua vida, aquilo tinha se tornado rotina. Aquela quantidade de sangue, aquela violência exagerada. A diferença era que Heike não sabia o que estava fazendo, o que se tornava entediante. O quão insana era uma pessoa de achar entediante a própria tortura? O albino fazia jus à frieza que seu signo tinha como característica... De forma, talvez, bastante deturpada.

    Por fim, perdera a visão de seu olho, que curiosamente, era o mesmo que havia sido perfurado pelo fragmento das lentes de seus óculos. Não entendeu como, já que a visão do outro olho estava quase nula também. De repente, o ar em sua garganta cessou-se, fazendo-o ter uma imensa vontade de reclamar da vida. Como se aquilo fosse hora pra tal. Se tivesse que contar a alguém, diria que toda aquela situação não estava acontecendo de fato com ele. Harold se sentia como uma pessoa assistindo um filme, ou a um documentário, onde nada realmente o afetasse. Seu físico tinha um enorme abismo de distância até entrar em contato com seu psicológico, e por essa razão, permaneceu calado mesmo perante a toda a violência despejada em si.

    Você precisou de uma força que não é sua, para fazer o que eu faço por diversão. Só me deixe vivo, para caso se você voltar ao normal, eu poder te ver cair em depressão.

    Pensou, direcionando a íris avermelhada para a carcaça do ariano, onde seu interior já não era mais o mesmo. Logo depois disso, o chão contra si. Não demorou para perder a consciência, tendo como pensamento final, o quanto os pecados eram estúpidos para sempre lhe deixarem sem o golpe final.

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    Re: [#03] Turno Livre - Área de Treinamento

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      Data/hora atual: Sex Out 20, 2017 6:51 am